Artpop

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Artpop
Álbum de estúdio de Lady Gaga
Lançamento 6 de novembro de 2013
Gravação 2012—13
Género(s) EDM  · synth-pop
Duração 59:16
Formato(s) CD  · download digital  · streaming  · vinil
Gravadora(s) Streamline  · Interscope
Produção Lady Gaga  · Infected Mushroom  · will.i.am  · David Guetta  · Hugo Leclercq  · Nick Monson  · Rick Rubin  · DJ White Shadow  · Zedd  · Giorgio Tuinfort  · Dino Zisis
Cronologia de Lady Gaga
A Very Gaga Holiday
(2011)
Cheek to Cheek
(2014)
Singles de Artpop
  1. "Applause"
    Lançamento: 12 de agosto de 2013
  2. "Do What U Want"
    Lançamento: 21 de outubro de 2013
  3. "G.U.Y."
    Lançamento: 8 de abril de 2014

Artpop (estilizado como ARTPOP) é o terceiro álbum de estúdio da cantora americana Lady Gaga, lançado em 6 de novembro de 2013 pelas gravadoras Streamline e Interscope. O desenvolvimento do disco começou logo após o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, Born This Way (2011), e no ano seguinte, seus primeiros conceitos "começaram a florescer", após sua intérprete colaborar com os produtores DJ White Shadow, Zedd e Madeon, entre outros. As sessões iniciais de gravação da obra continuaram até 2013, enquanto a cantora viajava pela turnê The Born This Way Ball e se recuperava de uma cirurgia devido a uma lesão que sofreu durante a digressão, na qual 50 músicas foram esboçadas e consideradas para serem inclusas ao projeto. Ao contrário das obras anteriores da artista, RedOne escreveu apenas uma música e, pela primeira vez, Gaga trabalhou com David Guetta, Will.i.am. e T.I., entre outros. No que diz respeito à sonoridade, o álbum foca principalmente nos gêneros electronic dance music (EDM) e synth-pop, com elementos e influências do rock, hip hop, dubstep, funk e R&B, entre outros derivados. Em termos líricos, Artpop contém canções que abrangem vários temas, como o amor, o abuso de drogas, o sexo, o feminismo, a arte e a fama, além de aludir à astrologia e às mitologias grega e romana. Gaga descreveu a obra "como uma celebração e uma jornada musical poética" e uma exploração reversa do fenômeno "warholiano" na cultura pop. O material exibe uma "falta de maturidade e responsabilidade" intencional, em comparação com a natureza mais sombria e antêmica de Born This Way.

O lançamento de Artpop foi antecedido por uma festa de dois dias, nomeada ArtRave. O material recebeu respostas mistas de críticos especializados em música contemporânea, embora tenha sido incluído em várias listas de final de ano de críticos e publicações. No âmbito comercial, o material conseguiu estrear na liderança da parada de álbuns americana, a Billboard 200 — com a venda de duzentas e cinquenta e oito mil cópias na primeira semana — tornando-se o segundo disco consecutivo de Gaga a alcançar o primeiro lugar no país. Paralelamente, também conquistou a liderança em cinco países adicionais e ficou entre os dez primeiros em mais de vinte nações. Segundo a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), Artpop foi o nono álbum mais vendido de 2013, com dois milhões de réplicas comercializadas em todo o globo até junho de 2014. Apesar disso, o disco foi considerado por alguns como um fracasso comercial quando comparado aos álbuns anteriores de Gaga.

Como parte de sua promoção, as canções "Applause", "Do What U Want" e "G.U.Y." tornaram-se singles oficiais do projeto. Os dois primeiros obtiveram uma recepção comercial amistosa, já que ambos alcançaram as dez primeiras posições nas paradas de muitos países, além de se posicionarem nas vinte primeiras colocações da tabela de singles dos Estados Unidos. Por outro lado, "G.U.Y." não obteve uma recepção comercial tão favorável, apesar de ter entrado em algumas paradas musicais. A fim de promover ainda mais o disco ao redor do mundo, a cantora lançou sua quarta turnê, ArtRave: The Artpop Ball, que visitou várias cidades da Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. A turnê arrecadou mais de 80 milhões de dolares e recebeu críticas favoráveis ​​dos críticos especializados. Além disso, Gaga se apresentou em vários festivais de música e programas de televisão de vários países, ao mesmo tempo em que performou algumas músicas do projeto em sua primeira residência de concertos, Lady Gaga Live at Roseland Ballroom.

Antecedentes e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O processo de desenvolvimento de Artpop, iniciou após uma colaboração de Gaga e Fernando Garibay.

Em setembro de 2011, Gaga anunciou ao radialista Ryan Seacrest que já estava desenvolvendo o sucessor de Born This Way, lançado meses antes.[1] Pouco após o anúncio, o produtor DJ White Shadow, que havia trabalhado com ela anteriormente, confirmou o seu envolvimento no projeto. Fernando Garibay, outro profissional que colaborou em Born This Way, também declarou estar presente no trabalho seguinte da cantora, esperando "superar" as gravações anteriores. Os conceitos do álbum "começaram a florescer" no ano seguinte, conforme a intérprete trabalhava com ambos os músicos.[2][3] As gravações inicias do material coincidiram com a turnê The Born This Way Ball, feita em 2012: mais de cinquenta faixas foram esboçadas e consideradas para inclusão.[4][5] Em maio de 2012, a obra estava tomando forma definitiva com o co-empresário de Gaga, Vincent Herbert, prometendo muitas "músicas insanas e boas" no projeto.[6] A própria vocalista admitiu seu desejo de fazer com que o público "se divertisse muito" com o álbum, posteriormente intitulado Artpop, o disco é estruturado para transmitir ao ouvinte a sensação de "[estar em] uma noite na boate"; em entrevista para a MTV, ela declarou: "Quando você o ouvi ele flui muito bem. É muito divertido [para] dançar com seus amigos. Eu o escrevi para que meus amigos e eu dançássemos do começo ao fim".[7] Enquanto isso, a americana começou a apresentar canções para sua gravadora e esperava revelar o título do disco em setembro de 2012, no entanto, a revelação acabou sendo feita um mês antes.[8][9] Mais tarde, a artista disse que Artpop era seu primeiro trabalho "realista" que representaria uma "fênix renascendo das cinzas", refletindo sua confiança elevada nas composições da obra, em comparação aos seus projetos anteriores.[10]

Gaga recrutou Jeff Koons para o projeto no início de 2013. Koons a conheceu três anos antes, em um evento de moda realizado no Museu Metropolitano de Arte, onde a cantora estava se apresentando. De acordo com Koons, ela "me agarrou e me deu um grande abraço em volta da minha cintura" e respondeu: "Sabe, Jeff, eu sou muito sua fã, e quando eu era criança, eu conversava com meus amigos sobre o seu trabalho".[11] Após realizar uma cirurgia no quadril em fevereiro de 2013, a cantora foi forçada a entrar em um hiato de seis meses, período no qual ela estudou literatura e música com sua equipe criativa, a Haus of Gaga, além de compartilhar "descobertas criativas".[12] Essa etapa permitiu que ela revisasse e aprimorasse sua direção criativa, que ela admitiu ser um meticuloso "processo de observação"; "Eu tenho que olhar para o trabalho por longos períodos de tempo para que esteja bom", acrescentando que, ao analisar suas idéias, ela recebeu "aquele sentimento maravilhoso" que dizia que "aquilo era o único".[12]

Produção, música e conteúdo[editar | editar código-fonte]

Gravação e produção[editar | editar código-fonte]

Record Plant
Hit Factory
Os produtores musicais Zedd (esquerda) e Madeon (à direita), assinam a produção e a escrita de algumas das canções presentes na obra.

Gaga compôs e produziu todas as músicas presentes em Artpop em conjunto com DJ White Shadow, Zedd e Madeon, entre outros produtores.[13] White Shadow disse à MTV que a cantora mandou uma mensagem para ele em menos de uma semana após o lançamento do álbum anterior dela, Born This Way, dizendo a ele que "já tinha o nome e o conceito geral de [seu próximo] projeto".[14] Em sua entrevista para a Rolling Stone, ele mais tarde falou sobre o processo de trabalho juntos: "Eu estava apenas tentando criar algo que levasse as pessoas a pensar um pouco, algo um pouco fora da norma para fazê-las pensarem nas possibilidades. [Gaga] escreveu este álbum enquanto viajávamos pelo mundo nos últimos dois anos e escreviamos várias canções juntos".[15] White Shadow também lembrou que em uma ocasião os dois ficaram acordados por cerca de 20 horas para finalizar uma faixa, acrescentando: "Nós nunca trabalhamos em uma música e [logo] terminamos e seguimos em frente. Todas elas são feitas em rotação até literalmente o dia em que temos que entrega-las a Interscope."[15]

Zedd acompanhava Gaga durante a turnê dela, Born This Way Ball. Ele já havia feito um remix para o single anterior da cantora, "Marry the Night" e trabalhou em seu disco de remixes, Born This Way: The Remix, enquanto Gaga havia contribuído com os vocais para uma versão alternativa da faixa de Zedd, "Stache". Ele disse à MTV News que os dois "não amam nada além de fazer canções, então era natural que trabalhemos com música".[16][17] Mais tarde, Zedd falou sobre ter dificuldade em concluir o projeto devido às agendas lotadas e que o trabalho deles progredia principalmente enquanto estavam na estrada durante a turnê.[18] Para o DJ francês Madeon, essa foi sua primeira experiência colaborando com um vocalista, acrescentando que ele "sempre quis trabalhar com artistas pop e a número 1 na minha lista era Lady Gaga. Então, quando tive a oportunidade de fazer isso fiquei realmente emocionado".[19][20] Gaga elogiou as habilidades de produção de Madeon dizendo: "Ele é tão incrível. Ele tem um entendimento musical tão jovem. Me lembra tanto eu mesma. Ele é obcecado por música".[21] Madeon também falou que como a cantora não tinha tempo livre para a gravar a música, então, ela geralmente iniciava as sessões após o término das apresentações da Born This Way Ball.[19] A faixa "Fashion!" marca a primeira vez que em Gaga trabalhou com will.i.am, colaboração na qual a intéprete disse estar tentando fazer acontecer há anos, mas ambos eram muito "exigentes" e estavam esperando a música e o "groove certo" para colaborarem juntos.[22]

Em meados de 2013, Gaga entrou em contato com os rappers T.I., Too $hort e Twista para gravar uma faixa, mais tarde revelada como "Jewels n 'Drugs". Durante uma entrevista à MTV, eles revelaram que gravaram seus versos separadamente, principalmente devido à agenda apertada dos quatro. Twista explicou ainda que Gaga queria "reunir a vibe de certos artistas" para "capturar a essência" na qual ela queria imprimir na música.[23] A intéprete também trabalhou com a rapper Azealia Banks em duas canções, intituladas "Red Flame" e "Ratchet", mas ambas permanecem inéditas por motivos desconhecidos.[24] O DJ White Shadow explicou ao Chicago Tribune que enquanto ele estava trabalhando em "Do What U Want" com Gaga, durante a etapa europeia da Born This Way Ball, ele teve a ideia de unir o rapper R. Kelly na música, dizendo que "lhe parecia lógico" colocar "[os] dois gênios de composição/canto em uma única faixa".[25] Kelly disse à Billboard que gostou do processo de gravação da canção, graças ao profissionalismo da cantora.[26] Em uma entrevista coletiva no Japão em 2013, Gaga foi perguntada por que aceitou trabalhar com Kelly, dizendo: "[nós] às vezes tivemos muitas coisas falsas escritas ao nosso respeito, de certa forma, este era um vínculo [em comum] entre nós".[27] No entanto, após a exibição do documentário Surviving R. Kelly, em janeiro de 2019, que detalhou as alegações de abuso sexual contra Kelly, Gaga pediu desculpas por ter trabalhado com ele. A cantora disse que seu pensamento foi "explicitamente distorcido" e que ela teve uma "impressão equivocada" sobre o rapper naquele momento.[27] A música foi removida posteriormente de todas as versões digitais e novas prensas de vinil e CD de Artpop.[28]

Inspiração e sonoridade[editar | editar código-fonte]

Comentários críticos apontaram Artpop como um álbum de electronic dance music (EDM) e synthpop.[29][30] A obra foi ainda descrita por "canalizar coerentemente rhythm and blues (R&B), techno, disco e rock" segundo a Billboard.[31] Seu elemento eletrônico foi inicialmente preparado para se incluído em Born This Way, no entanto, Gaga e Fernando Garibay optarem por uma sonoridade influenciada pelo rock.[32] Sal Cinquemani, da Slant, afirmou que a cantora "continua a ser uma aprendiz" de Madonna ao se espelhar em Confessions on a Dance Floor e "Holiday" em músicas como "Applause" e "Fashion!", e ainda sentiu Artpop como um pastiche dos trabalhos anteriores de Gaga.[33] Adam Markovitz, escrevendo para a Entertainment Weekly, ecoou pensamentos semelhantes, ao escrever que "a maioria das músicas aqui [em Artpop] se encaixaria[m] perfeitamente" com The Fame e Born This Way.[34] Mof Gimmers, do The Quietus, notou uma "enorme quantidade de [canções] pop" no quadro do álbum,[35] enquanto Helen Brown, do The Daily Telegraph, brincou "é como andar bêbado por uma boate vasta e labiríntica e espiar uma série desorientadora de salas escuras nas quais ela experimenta vários gêneros musicais como se fossem chapéus", em referência à diversificada paisagem sonora do álbum.[36] Ben Kelly, da Attitude, descreveu a sonoridade de Artpop como uma "odisséia implacável de sons eletrônicos" perfurada por "fortes refrões melódicos".[37] Aizlewood, do London Evening Standard, disse que a obra foi construída para inspirar "movimentos agitados nos shows em estádios", definindo "teclados barulhentos, eletro-percussão e batidas fortes" como o alicerce de produção da obra.[38]

Estrutura musical e conteúdo lírico[editar | editar código-fonte]

O álbum inicia-se com "Aura", uma canção do gênero eletrônica com fortes elementos de dubstep, mariachi e da música árabe.[39][40][41] Sua instrumentação inicial consiste em guitarras de estilo ocidental, vocais distorcidos e uma "risada maníaca", enquanto suas batidas pulsantes levam ao refrão no qual a cantora pergunta: "Você quer ver a garota que vive atrás da aura, atrás da aura?".[n 1][41][42][43] Segundo Gaga, suas letras são sobre vários tópicos, mas principalmente sobre a percepção que ela provoca nas pessoas por suas idéias criativas e estilo visual; também explicou que esses "véus" protegem sua criatividade e que "minha aura é, na verdade, o modo como lido com minha loucura".[22][44] A segunda canção, "Venus", é uma faixa que apresenta "temas retro-futuristas" e remete a uma jornada psicodélica.[22][45] Suas letras ainda fazem menção a Vênus, a deusa romana do amor, o planeta homônimo e a relações sexuais.[46] Em termos musicais, o tema é derivado do electropop, synthpop e dance-pop[47][48] com elementos da música disco da década de 1980 e uso de "sintetizadores pesados, baterias elétricas e auto-tune".[49] A interprete disse que a música é "sobre encontrar fé em outros lugares, no além", e também "sobre conceber o sexo de maneira mais mitológica".[22] "G.U.Y." (acrônimo para "Girl Under You") é uma faixa electronic dance music (EDM) com elementos de música industrial, R&B e house music,[50][51][52] que foi descrita como uma "sirene dance [e] trêmula que faz a distinção entre igualdade de gênero e a intencional submissão sexual".[46] A música envolve o conceito da terceira onda feminista e é sobre "se sentir confortável em estar abaixo porque você é forte o suficiente para saber que não precisa estar no topo para saber o seu valor".[22] "Sexxx Dreams" tem sonoridade synthpop e R&B,[44][46] suas letras propõem um encontro sexual com um amante cujo namorado se foi no fim de semana.[52] Ao longo da canção, a cantora alterna suas técnicas vocais entre cantar e falar; os versos cantados são endereçados ao parceiro ao seu lado e os falados à pessoa em sua fantasia.[22] A quinta faixa do disco é "Jewels n 'Drugs", uma música de hip hop com fortes influências de trap, que conta a "história de um sujeito víciado em fama".[44][46] As letras são uma "homenagem ao narcotráfico amoroso" e mostra uma estrutura clássica para o rap".[53][54] A próxima música, "Manicure" (estilizada como "MANiCURE") inclui palmas, a cantora gritando "MAN! CURE!" e arranjos de funk promovidos por uma guitarra.[46] Suas letras ambíguas são uma "ode a regalias superficiais", e fala sobre se renovar física e espiritualmente antes de "se preparar para sair e pegar alguém".[22]

Uma amostra de 21 segundos de "Aplause", que ilustra as batidas hi-NRG e possui "sintetizadores pulsantes e gaguejantes".[55][56] As acrobacias vocais da cantora durante os versos da música foram comparadas com as de Annie Lennox e Grace Jones.[57]

"Artpop", faixa que da título ao álbum, é instrumentado por piano e guitarras tocados pela intéprete e Monson. Gaga explicou que a letra era uma metáfora sobre o amor com o refrão; "Nós poderíamos pertencer um ao outro, Artpop".[n 2] Ela acreditava que, se seus fãs e ela pudessem estar juntos, isso provavelmente significaria uma ligação entre arte e o pop também.[22]

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"Do What U Want" é derivado do electropop e R&B,[58] atraindo influência de sintetizadores pulsantes, inspirados na década de 1980 e uma batida eletrônica.[59] Tem um "gancho um tanto atrevido"[60] com Gaga e Kelly alternando os vocais em frases como "Faça o que você quer / O que você quiser com o meu corpo / Escreva o que quer, diga o que quiser sobre mim / Se você está se perguntando, saiba que eu não me arrependo".[n 3][61] As letras da música representam temas de submissão sexual, com Gaga dizendo aos seus detratores e a imprensa que seus pensamentos, sonhos e sentimentos são seus, não importa o que se fale sobre seu corpo.[22][59] A faixa-título do álbum é uma música techno,[62] que tem uma batida semelhante ao single de Selena Gomez em 2011, "Love You like a Love Song", com sua composição eletrônica, e um groove comparável ao sucesso de 2001, "Can't Get You Out of My Head", da cantora Kylie Minogue.[42][63] Suas letras foram deduzidas como uma declaração "a subjetividade da arte"[64] e um manifesto virtual da cantora com a linha; "Minha arte pop pode significar qualquer coisa",[n 4][63] dizendo ao público que ela é "uma artista que cria para o bem da criação".[46] "Swine" é uma música industrial e dubstep com leves influências do rock and roll.[46][65][66] Apresenta "lavagens de sintetizadores, uma linha de baixo agitada, teclados nervosos, amostras vocais que crescem e levam a quedas",[66] com a cantora "gritando por toda a faixa".[22] Liricamente, a gravação deprecia um pretendente, ao compará-lo a um porco.[67]

A décima música é "Donatella", um "hino para os marginalizados"[46] e uma "ode a chefe da casa de moda Versace" e a amiga pessoal de Gaga, Donatella Versace.[22] A cantora o descreveu como "uma música pop incrível e louca com batidas eletrônicas cada vez maiores, sobre ser uma mulher destemida que se orgulha de si mesma.[68] "Fashion!" é uma música dance com instrumentais influenciados por Daft Punk que retrata o amor da cantora por roupas de alta-costura.[45] Acompanhadas por uma batida funk, um conteúdo lírico que fala sobre "ser capaz de se vestir e sentir como se fosse o dono do mundo".[22][69] A apresentação vocal de Gaga na música foi comparada à de David Bowie.[69][70] "Mary Jane Holland" é uma música de dance e synthpop com "batidas vibrantes" que fala sobre o uso de maconha e "divertir-se".[46] "Dope" é um rock eletrônico,[71] onde o canto de Gaga é o ponto focal da música, com apenas sons de piano e sintetizadores distantes acompanhando seus vocais "intoxicantes" e "insultuosos". Para dar à produção uma sensação íntima e emocional, nenhuma correção de tom foi usada na voz da cantora.[72] "Gypsy" é uma canção de europop[40] e electropop[44] com influências de rock e house.[46][73] A composição é em um estilo de cantar junto, com Gaga cantando; "Eu não estar sozinha para sempre, mas eu posso ficar esta noite"[n 5] durante o refrão, fala sobre navegar por uma estrada desconhecida baseada apenas em seus instintos.[46] A última música de Artpop é "Applause", abrange gêneros como o electropop e eurodance.[57][74] Segundo Gaga, a letra da música destaca a diferença entre um artista e uma celebridade.[75] Ela elaborou; "Eu vivo pelos aplausos, mas não vivo pela atenção da maneira que as pessoas simplesmente amam você porque você é famoso. Eu vivo por realmente me apresentar para as pessoas e ser aplaudida porque as fiz entreter."[22] A cantora também atira naqueles que tentam depreciar seu trabalho, com a seguinte frase; "Fico aqui de pé esperando / Você bater o gongo / Para esmagar a crítica dizendo 'O que é certo ou errado?".[n 6][76]

Conceito[editar | editar código-fonte]

O Nascimento de Vênus obra de Sandro Botticelli (esquerda) é visto no fundo da arte da capa do álbum. Também influenciou a imagem de Gaga durante eventos promocionais, incluindo sua performance no Festival iTunes

Gaga descreveu Artpop como "uma celebração e uma jornada musical poética" que exibia uma "falta de maturidade e responsabilidade", ao contrário da natureza sombria e antêmica de Born This Way,[77][78] em última análise, ela reiterou o que chamou de "inverter a fórmula warholiana".[79] Em uma entrevista para a revista V em agosto de 2013, Gaga afirmou ter passado por uma "experiência cósmica com palavras" ao examinar nomes potenciais para o projeto. "Popart" foi inicialmente levado em consideração, mas como a intéprete questionou "a implicação cultural das palavras" e a evolução do título após o lançamento, ela logo encontrou em "Artpop" uma tentativa de injetar vulnerabilidade ao seu trabalho; A pintura O Nascimento de Vênus, de Pierrot e Sandro Botticelli, foi citada como fonte de inpiração criativa a cantora.[12][80] Gaga admitiu estar cada vez mais autoconsciente, desde o ápice da era Born This Way.[81] Os temas do álbum giram principalmente em torno da fama,[50] sexo,[31][82] e empoderamento,[50] enquanto aborda brevemente os papéis sociais de gênero e a maconha.[72] As referências incluem mitologia grega e romana, jazz clássico e o músico Sun Ra.[22] Spencer Kornhaber, do The Atlantic, sentiu Artpop como um "manifesto monstruoso de atenção" e interpretou a exploração do desejo carnal no disco como uma faceta da ideia mais ampla de "reconhecer o próprio desejo por atenção".[82]

O artista plástico Jeff Koons desenhou a capa de Artpop.

A capa de Artpop foi tirada e desenhada pelo artista americano Jeff Koons, que trabalhou com a cantora no conceito artístico do álbum.[83] Em 7 de outubro de 2013, Gaga apresentou a capa do disco através de um jogo feito com seus seguidores. A dinâmica consisitia que eles estivessem usando a hashtag #iHeartARTPOP no Twitter, para serem mostrados trechos visíveis da imagem de capa nas telas da Times Square de Nova Iorque.[84][85] A imagem de capa apresenta uma estátua da cantora usando uma peruca loira, cobrindo os seios e segurando uma esfera azul metálica que cobre suas partes íntimas.[83][86] O único texto presente é "Lady Gaga" em rosa e também o título do álbum em branco.[87] As primeiras quinhetas mil cópias físicas do disco contêm o design original de Jeff Koons, que vem com papel de cor rosa e prata brilhante.[88] O fundo consiste em obras de arte, incluindo O Nascimento de Vênus, que inspirou a cantora ao criar o videoclipe de "Applause" e a performance no VMA da música.[87] Em 8 de novembro de 2013, em entrevista à MTV, Koons falou sobre todo o processo envolvido na criação da capa, onde ele disse:

"Com a capa, eu queria Gaga nela como uma escultura de forma tridimensional e com a bola refletora, porque essa bola se torna uma espécie de símbolo para tudo [...] Eu não queria Gaga lá apenas isolada, então, no fundo, há 'Apolo e Dafne' de [Gian Lorenzo] Bernini — e esse é o trabalho em que Apolo persegue Dafne e ela se transforma em uma árvore. Apolo é o Deus da música e onde quer que ele tocasse, ele transcenderia, mudaria e se tornaria mais feminino. E esse é o significado que você pode experimentar com arte e vida. Você pode mudar, suas possibilidades podem se transformar, seus perímetros podem se alterados — Existem também partes triangulares de O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli — apresentando Gaga, é claro, no papel de Vênus — a essência da energia vital contínua e a busca e o gozo da estética e da beleza, também".[86]

O interior do álbum, além de incluir seus créditos e notas, tem fotografias diferentes de Gaga nua ao lado da esfera azul metálica.[89][90] Também contém imagens de ilusões de ótica, esculturas de Apolo e Dafne e uma das esculturas de Jeff Koons usadas na apresentação do Gazing Ball realizada na David Zwirner Gallery.[91] As cores predominantes são branco e rosa e apresenta um agradecimento especial aos produtores e amigos mais próximos da cantora, além de sua equipe técnica e criativa.[92] Devido ao conteúdo lírico de algumas músicas, Artpop recebeu um Parental Advisory, sendo o primeiro álbum de Gaga a receber o selo.[93]

Lançamento e promoção[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2012, depois de fazer uma tatuagem correspondente, Gaga anunciou em sua mídia social que o álbum seria intitulado Artpop, afirmando que ela preferiria que ela fosse capitalizada para estilização.[94] O álbum era originalmente esperado para ser lançado no início de 2013, mas foi adiado indefinidamente depois que Gaga desenvolveu sinovite e uma lágrima labral no quadril que exigia correção cirúrgica.[95][96] Isso resultou no cancelamento do restante de sua Born This Way Ball. Em julho de 2013, Gaga confirmou que Artpop seria lançado em 11 de novembro de 2013 nos Estados Unidos. A pré-encomenda do álbum deveria começar em 1º de setembro de 2013, mas foi transferida para 19 de agosto de 2013 "devido à expectativa do público". Mais tarde, isso foi alterado para 12 de agosto para coincidir com o lançamento antecipado de "Applause".[97]

Além do lançamento tradicional em CD e nas plataformas digitais, Gaga anunciou planos para um software de aplicação multimídia que "combinava música, arte, moda e tecnologia com uma nova comunidade interativa em todo o mundo".[98][99] Foi desenvolvido pela divisão de tecnologia Haus of Gaga, TechHaus.[100][101] O aplicativo era compatível com dispositivos móveis Android e iOS, e apresentava conteúdo bônus.[102][103] Foi o terceiro aplicativo de álbum a ser lançado nos principais mercados comerciais após Biophilia da cantora Björk e Magna Carta Holy Grail do rapper Jay-Z.[104]

Apresentações ao vivo[editar | editar código-fonte]

Gaga se apresentando em San Diego durante uma das passagens da turnê ArtRave: The Artpop Ball, 2014.

Em 25 de dezembro de 2012, Gaga anunciou um documentário comemorando "a vida, a criação do Artpop+você", que ela descreveu como um presente para seus fãs.[105][106] O documentário, que permanece inédito, foi dirigido por Terry Richardson, um antigo colaborador do livro de fotografias Lady Gaga x Terry Richardson.[105][107] Gaga abriu o Prêmio MTV de Música em 2013 com uma performance de "Applause".[108] Em seguida, encabeçou o Festival iTunes realizado em 1º de setembro de 2013, onde apresentou o novo material para uma multidão de cinco mil pessoas.[109] O concerto foi gravado e posteriormente incluído em um segundo disco com a edição de luxo do Artpop.[110] Em 9 de setembro, Gaga apresentou "Applause" no Good Morning America, onde apareceu vestida como vários personagens de The Wizard of Oz.[111] Em 24 de outubro, sessões promocionais de audição de Artpop foram organizadas em Berlim, com a cantora fornecendo uma versão ao vivo de "Gypsy".[112] Ela então fez uma aparição sem aviso prévio na boate G-A-Y de Londres, dois dias depois e performou "Venus",[113] gerando controvérsia quando despida durante o show.[114][115] Em 27 de outubro, Gaga também tocou "Venus" ao lado de "Do What U Want" na décima temporada do The X Factor britânico.[116] O desempenho levou uma enxurrada de reclamações para a ITV e para o regulador da indústria Ofcom.[117][118] A cantora retornou aos Estados Unidos na semana seguinte para uma apresentação de "Dope" na inauguração do Prêmio de Música do Youtube,[119] e continuou a tocar material de Artpop nos programas The Howard Stern Show,[120] Saturday Night Live,[121] e no Prêmio da Música Americana.[122]

Na noite anterior ao lançamento de Artpop, Gaga organizou uma festa de lançamento do álbum, apelidada de "ArtRave". Ocorreu em um grande armazém no Brooklyn Navy Yard, em Nova Iorque, e incluiu uma conferência de imprensa e uma performance ao vivo. Gaga realizou um concerto composto por nove músicas do disco, que foram transmitidas ao vivo pelo Vevo e mais tarde retransmitida através dos parceiros de distribuição do site.[123][124] Em 28 de novembro foi ao ar Lady Gaga and the Muppets Holiday Spectacular, o segundo especial de televisão, gravado no Dia de Ação de Graças e incluiu apresentações de músicas do álbum cantadas ao lado de artistas como Elton John, RuPaul e Kermit the Frog.[125] As apresentações continuaram em dezembro, com uma aparição aos programas Alan Carr: Chatty Man,[126] Jingle Bell Ball,[127] e na quinta temporada do The Voice.[128] Em 18 de fevereiro de 2014, Gaga apresentou a faixa-título no The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, estrelado por Jimmy Fallon,[129] e em 13 de março, ela encabeçou o festival SXSW, onde apresentou mais músicas do álbum.[130] De 28 de março a 7 de abril de 2014, Gaga fez os shows finais no famoso Roseland Ballroom de Nova Iorque antes de seu encerramento. Sua residência, intitulada Lady Gaga Live at Roseland Ballroom, foi anunciada originalmente com quatro apresentações, com três datas adicionais posteriormente adicionadas devido à demanda popular.[131][132][133] Como uma homenagem ao local, o palco foi decorado com rosas, assim como o figurino da cantora.[134] A residência recebeu críticas positivas dos críticos de música, que acharam uma melhor representação das habilidades de Gaga como artista do que suas ações anteriores para Artpop.[135][136] Os shows foram esgotados, com os preços dos ingressos acima do custo médio dos ingressos no local, e as sete datas comercializando mais de vinte quatro mil ingressos, além de gerar um lucro de um milhão de dólares.[137][138] Em 4 de maio de 2014, Gaga embarcou na turnê ArtRave: The Artpop Ball em apoio ao álbum, que tinha 79 datas no total, com o último show sendo realizado em Paris, França e transmitido ao vivo pela Internet.[139] A digressão recebeu elogios por seu valor em entretenimento e pelas habilidades vocais da cantora,[140][141] embora a lista de faixas tenha sido criticada.[142][143] Ela arrecadou oitenta e três milhões de novecentos e vinte mil ingressos vendidos nas 74 apresentações relatadas à Billboard Boxscore.[144]

Singles[editar | editar código-fonte]

"Do What U Want" apresenta a participação do rapper R. Kelly

Devido a vários vazamentos de "Applause", seu lançamento como o primeiro single de Artpop, ocorreu antes do previsto, em 12 de agosto de 2013.[145] O single chegou as principais estações de rádio dos Estados Unidos em 19 de agosto de 2013.[146] Recebeu críticas favoráveis ​​dos críticos de música, que o considerou "um retorno à era Fame de Gaga, ideal para as boates".[147] A canção ficou entre os dez primeiros em várias nações, como nos Estados Unidos, onde conquistou o quarto lugar em sua posição máxima.[148] Filmado em Los Angeles por Inez van Lamsweerde and Vinoodh Matadin, o videoclipe que acompanha "Applause" estreou no Good Morning America em 19 de agosto de 2013.[145] O vídeo em si inclui fotos tiradas em cores e em preto e branco, cenas artísticas e complexas, como a cabeça de Gaga em um cisne, e em uma uma gaiola de pássaros e a cantora sentada em uma grande cartola.[149]

"Do What U Want" foi lançada em 21 de outubro de 2013 como a segunda música de trabalho da obra.[150] Recebeu uma resposta em sua maioria positiva dos critícos, que elogiaram seu coro e o consideraram um possível sucesso nas rádios.[151][152] A música atingiu o top dez entre algumas nações, incluindo Reino Unido, Itália e Coréia do Sul,[153][154] bem como os vinte primeiros em outros territórios, incluindo Alemanha, Suécia e Estados Unidos.[148][153] Gravada em estúdio, uma versão alternativa de "Do What U Want", onde os vocais originais de Kelly são substituídos por novos versos cantados por Christina Aguilera foi lançado em 1 de Janeiro de 2014.[155] Dois singles promocionais foram extaídos de Artpop antes do lançamento do álbum: "Venus" em 28 de outubro de 2013 e "Dope" em 4 de novembro de 2013.[156] Este último alcançou uma posição no top dez da Billboard Hot 100 e em alguns países europeus, tornando-se o seu single promocional de maior sucesso até o momento.[148][157] Um videoclipe foi planejado para ser lançado através do BitTorrent em dezembro de 2013, mas foi cancelado por motivos desconhecidos.[158]

Escolhida para dar continuidade à divulgação do álbum, "GUY", o terceiro e último lançamento de Artpop, chegou nas principais estações de rádio dos Estados Unidos em 8 de abril de 2014.[159] Recebeu uma recepção mista dos críticos de música; alguns o acharam cativante[160] e uma das faixas de destaque do disco,[46][161] enquanto outros, criticaram sua produção e as letras.[162][163] A música estreou nas paradas de alguns países, mas não conseguiu se posicionar entre os dez primeiros na maioria deles.[164] Foi acompanhado por um videoclipe, filmado no Hearst Castle e dirigido pela própria cantora, que também incorporou partes das faixas "Artpop", "Venus" e "Manicure" além de "GUY".[165]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica profissional[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic 61/100[166]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
AllMusic 3.5 de 5 estrelas.[167]
The A.V. Club C–[168]
Entertainment Weekly B[169]
The Guardian 3 de 5 estrelas.[40]
The Independent 3 de 5 estrelas.[170]
Los Angeles Times 2.5 de 4 estrelas.[52]
NME 6/10[171]
Rolling Stone 3 de 5 estrelas.[13]
Slant Magazine 3.5 de 5 estrelas.[33]
Spin 6/10[172]

No geral, Artpop deixou os críticos especializados em música contemporânea divididos. Segundo a Metacritic, acumulou um total de 61 pontos de 100, com base em trinta análises profissionais recolhidas.[173] Adam Markovitz, da revista eletrônica Entertainment Weekly, afirmou que muitas das músicas do álbum eram "agradáveis, mas bem usadas", elogiando ainda mais a execução do disco e as "linhas melódicas" das músicas. No entanto, ele observou que Artpop em sua maioria falha em causar um impacto maior.[169] Escrevendo para o jornal USA Today, Jerry Shriver opinou que o álbum não era "consistentemente divertido", embora admitisse que o disco era destinado principalmente aos fãs da cantora e não a ouvintes em geral.[50] Sal Cinquemani, da revista Slant, fez uma crítica favorável, elogiando seus sons e estruturas,[33] enquanto Jason Lipshutz, da revista Billboard, elogiou o esforço de Gaga para garantir "absolutamente a certeza de que cada centímetro de seu ofício evolui e inova".[31] Em uma crítica positiva, um editor do The Daily Beast declarou que "havia momentos geniais, dignos de consideração pelo Grammy".[174]

Robert Copsey, do website Digital Spy, sentiu que várias músicas pareciam "semi-acabadas", embora sugerisse que o álbum tenha mais músicas boas do que ruins.[175] Escrevendo para o jornal britânico The Daily Telegraph, Helen Brown criticou a escolha de Gaga para fazer outro disco "com temática em torno de seu próprio estrelato" (depois de The Fame e The Fame Monster) e comentou que, embora a cantora tenha abordado diferentes gêneros de música", ela não faz nada muito original com eles". Brown, no entanto, elogiou o álbum como "ótimo para dançar".[36] Alexis Petridis, do periódico The Guardian, sugeriu que havia "algum pop decente" em Artpop mas achava que a arte era "um pouco mais difícil de discernir".[40] Para o The Independent, Andy Gill comentou que "não era difícil se sentir desapontado com Artpop",[170] enquanto Caryn Ganz da revista Rolling Stone elogiou a variedade de gêneros da obra, mas não a sexualidade de suas letras, já que elas "não são as mais sexys".[13]

Alguns jornalistas sentiram que a resposta mais mista dos críticos em comparação com o trabalho anterior de Gaga era injusta e resultou de um foco na própria cantora e não puramente no conteúdo do material. Nick Messitte, da revista Forbes, criticou os críticos de música, denunciando suas críticas como "incoerentes" e concentrando-se na "artista ao invés da arte em si". Ele resumiu que o Artpop "oferece uma saída bem-vinda das estruturas padronizadas de versos e coro" e é, em última análise, um trabalho "ousado".[176] Ed Potton, do britânico The Times concordou, afirmando que "É uma maravilha que você possa ouvir o terceiro álbum de estúdio de Lady Gaga com o som de facas afiadas" após o álbum anterior Born This Way, um trabalho que ele considerou Artpop muito superior.[177] Robert Christgau, escrevendo para o portal The Barnes & Noble Review, afirmou que a "reação crítica [foi] sem noção", finalmente nomeando Artpop "o disco mais subestimado de 2013".[178]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Desde os processos de gravação até o nome das canções, Artpop gerou um grande número de controvérsias, variando de debates com outros artistas a fortes críticas da imprensa. Uma das controvérsias mais importantes foram as múltiplas acusações que a rapper Azealia Banks fez a Gaga; Anteriormente, as duas haviam trabalhado juntas em duas músicas chamadas "Red Flame" e "Ratchet", mas por razões desconhecidas, nenhuma delas apareceu na versão final do álbum.[179] Depois disso, Banks começou a enviar vários comentários negativos para Gaga via Twitter. A rapper afirmou que a idéia de se vestir como Vênus na apresentação realizada no Prêmio MTV de Música em 2013 e no videoclipe de "Applause", fora dela e não de Gaga. Consequentemente, a música com o mesmo título também tinha sido uma ideia que lhe fora roubada.[180][181] Para apoiar suas alegações, Banks publicou gratuitamente no YouTube a música "Venus", que ela disse ter sido gravada muito antes do lançamento de Gaga.[182] Mais tarde, após o lançamento do álbum de estréia de Banks, Broke with Expensive Taste, uma admiradora da rapper perguntou sobre o que era a música "JFK", à qual ela respondeu: "é sobre uma certa estrela pop que gosta de roubar minhas idéias e fingir que partiram dela". Isso gerou intrigas na mídia, que garantiu que era uma clara acusação contra Gaga.[183] No entanto, a mesma rapper garantiu que não era dirigido a ela.[184] Em relação a toda a controvérsia, Gaga expressou que não queria se expressar muito para não prejudicar seus fãs, então tudo o que disse sobre as acusações foi que Banks teve "uma atitude ruim".[185]

A menção de trajes de burca em "Aura" provocou queixas da comunidade muçulmana como desrespeitosas com a religião islâmica.

Outra controvérsia foi a suposta rivalidade entre Gaga e a cantora Katy Perry. Em 12 de agosto de 2013, Perry lançou "Roar", primeiro single de seu quarto álbum de estúdio, Prism, enquanto Gaga planejava lançar "Applause" no dia 19 do mesmo mês. No entanto, após vários vazamentos deste último, a intérprete tomou a decisão inesperada de antecipar o lançamento em uma semana, coincidindo com o dia de lançamento do "Roar".[186] Isso causou várias comparações entre as duas músicas, principalmente entre críticos e seguidores de ambas as cantoras, que queriam determinar qual música era melhor e qual seria mais bem-sucedida.[187][188] Então, Gaga e Perry tocaram suas músicas ao vivo pela primeira vez em 19 de agosto no Prêmio da MTV, o que desencadeou novas comparações e, ao mesmo tempo, intrigou-se ao ver que estreia obteria o topo da contagem semanal, Billboard Hot 100.[189][190] A esse respeito, Gaga disse que os fãs de ambas deveriam parar com o conflito e apenas apreciar a música, porque nenhuma delas nutria rivalidade entre si.[191] Além dos dois primeiros singles, a mídia comparou o desempenho de vendas de Prism e Artpop, cujos lançamentos foram separados por pouco mais de duas semanas. Quando perguntada sobre isso, Perry negou que houvesse uma rivalidade entre as duas e disse: "Gaga e eu gostamos de evitar essas brigas de publicidade porque não é saudável".[192] A controvérsia foi tanta que a série de televisão Glee fez um episódio especialmente voltado para a suposta contenda, chamada "A Katy or a Gaga"; Além disso, a revista Billboard fez um artigo chamado "Quem já vendeu mais? Katy Perry ou Lady Gaga?", Onde eles compararam as vendas de ambas as intérpretes nos Estados Unidos.[193][194]

Além dos confrontos com outros artistas, Artpop gerou um grande número de acusações de plágio a cantora, além das feitas por Azealia Banks. Em julho de 2013, após o lançamento da primeira imagem promocional do álbum, Gaga foi acusada de copiar Giorgio Moroder.[195] Após o lançamento de "Do What U Want", a música recebeu comparações com "The Deep" da dupla de música eletrônica Dance with the Dead, pelo ritmo de ambas. Embora Gaga não tenha comentado nada, o grupo demonstrou pelo Facebook que, para eles, as duas faixas não tinham nenhuma semelhança.[196] A mesma situação ocorreu com "Artpop", que foi comparado com o "Love You like a Love Song" de Selena Gomez & the Scene, enquanto "Applause" foi comparado a "Girl Gone Wild" de Madonna.[42][197] O artista russo Sasha Frolova tentou iniciar um processo de plágio contra a cantora depois de afirmar que Gaga tinha roubado a ideia principal de suas roupas de látex usado na Artrave: The Artpop Ball Tour.[198] No entanto, Gaga havia sido vetada pelo governo russo dois anos antes após os shows da digressão Born This Way Ball, de modo que a demanda não prosseguiu.[199] Além das comparações, o conteúdo lírico das faixas foi objeto de discussão. Após o vazamento de "Burqa" no início de agosto de 2013, houve protestos da comunidade muçulmana sobre a menção do traje de burca usado por mulheres islâmicas.[200][201] Vários meios de comunicação falaram a respeito e garantiram que a mensagem da música estava errada. Por esse motivo, "Burqa" foi renomeado para "Aura" na edição oficial do álbum.[202][203]

Alinhamento de faixas[editar | editar código-fonte]

Artpop — Edição padrão[204]
TítuloCompositor(es)Produtor(es) Duração
1. "Aura"  Stefani Germanotta  · Anton Zaslavski  · Amit Duvdevani  · Erez EisenLady Gaga  · Zedd  · Infected Mushroom 3:55
2. "Venus"  Germanotta  · Paul Blair  · Nick Monson  · Dino Zisis  · Hugo Leclercq  · Le Sony'r RaGaga  · Madeon[a]  · Monson[b] 3:53
3. "G.U.Y."  Germanotta  · ZaslavskiGaga  · Zedd 3:52
4. "Sexxx Dreams"  Germanotta  · Blair  · Martin Bresso  · William GrigahcineGaga  · Blair  · Monson[b]  · Zisis[b] 3:34
5. "Jewels n' Drugs" (com participação de T.I., Too Short e Twista)Germanotta  · Blair  · Monson  · Zisis  · Carl Mitchell  · Todd Shaw  · Clifford Harris Jr.Gaga  · Blair  · Monson[a]  · Zisis[a] 3:48
6. "Manicure"  Germanotta  · Blair  · Monson  · ZisisGermanotta  · Blair  · Monson  · Zisis[a]  · Zisis[a] 3:19
7. "Do What U Want" (com participação de R. Kelly)Germanotta  · Blair  · Bresso  · Grigahcine  · R. Kelly
  • Gaga
  • Blair
3:47
8. "Artpop"  Germanotta  · Blair  · Monson  · ZisisGermanotta  · Blair  · Monson[a]  · Zisis[a] 4:07
9. "Swine"  Germanotta  · Blair  · Monson  · ZisisGermanotta  · Blair  · Monson[a]  · Zisis[a] 4:28
10. "Donatella"  Germanotta  · ZaslavskiGaga  · Zedd 4:24
11. "Fashion!"  Germanotta  · Blair  · Giorgio Tuinfort  · William Adams  · David GuettaGaga  · Tuinfort  · will.i.am  · Guetta 3:59
12. "Mary Jane Holland"  Germanotta  · LeclercqGaga  · Madeon 4:37
13. "Dope"  Germanotta  · Blair  · Monson  · ZisisGaga  · Rick Rubin 3:41
14. "Gypsy"  Germanotta  · Blair  · Leclercq  · Nadir KhayatGaga  · Madeon  
15. "Applause"  Germanotta  · Blair  · Monson  · Zisis  · Bresso  · Grigahcine  · Nicolas Mercier  · Julien AriasGermanotta  · Blair  · Monson[a]  · Zisis[a] 3:32
Duração total:
59:04

Notas

  • ↑[a] – co-produtor
  • ↑[b] – produtor adicional
  • "Venus" contém amostras de "Rocket Number 9", escrito por Sun Ra, e uma amostra de "Rocket n°9" de Zombie Zombie.[92]
  • "Manicure" é estilizado como "MANiCURE".
  • "Artpop" é estilizado totalmente em maiúsculas.
  • Nas versões censuradas do álbum, "Sexxx Dreams" é intitulado "X Dreams", e o título de "Jewels n' Drugs" é arqueado como "Jewels n' *****".[207]
  • "Do What U Want" foi removido das lojas digitais e dos serviços de streaming em 10 de janeiro de 2019, devido às alegações de abuso sexual contra R. Kelly.[208] Em 11 de novembro de 2019, o álbum foi reeditado em CD e vinil. O alinhamento de faixas permaneceu o mesmo da edição padrão original, no entanto, "Do What U Want" foi excluído.[209]

Créditos[editar | editar código-fonte]

Créditos adaptados do encarte do Artpop.[92]

Produção e gravação

Desempenho comercial[editar | editar código-fonte]

O álbum The Marshall Mathers LP 2, do rapper Eminem, evitou que Artpop debutase em primeiro lugar em páises como Australia, Irlanda, Nova Zelândia e Suíça.

Artpop teve uma recepção comercial favorável na maior parte do mundo. A obra conssseguiu conquistar a liderança nas paradas de oito países no total e as dez primeiras colocações em outras vinte e duas regiões. Segundo a International Federation of the Phonographic Industry, somente em 2013, o produto já havia sido adquirido mais de dois ​​milhões de vezes em todo o mundo.[210][211] Até julho de 2014, sua comercialização já havia excedido a marca de dois milhões e quinhetas mil cópias. No entanto, vários veicúlos de mídia o catalogaram como um "fracasso comercial" por não conseguir vender o mesmo número de cópias que seu antecessor, Born This Way.[212][213][214]

Nos Estados Unidos, o álbum estreou na posição máxima da parada Billboard 200, durante a edição de 20 de novembro de 2013, com duzentas cinquenta e oito mil cópias vendidas durante sua semana de lançamento. Esta foi a terceira maior estreia de vendas de uma artista feminina em 2013, atrás apenas de Prism de Katy Perry e Bangerz de Miley Cyrus.[215] Embora, depois da estreia nas paradas do álbum homônimo de Beyoncé, Artpop tenha se tornado a quarta maior estreia daquele ano.[216] Durante sua segunda semana, a obra caiu para a oitava posição na tabela, vendendo quarenta e seis mil cópias, o que representou uma queda de 82% em sua comercialização; Essa foi, na época, a quarta maior queda nas vendas na segunda semana.[217] Na terceira semana — graças à Black Friday e a participação da intéprete no especial de televisão Muppets — o disco reatribuiu uma posição, comercializando cento e dezesseis mil réplicas.[218] Em menos de dois meses de lançamento, o material já se encontrava na centésima terceira posição entre os mais bem-sucedidos na Billboard 200, enquanto na tabela de álbuns dance/eletrônico, ocupava a segunda colocação, atrás apenas do Random Access Memories, de Daft Punk.[219][220] Em outubro de 2017, a Recording Industry Association of America (RIAA) creditou uma certificação de platina a obra por sua comercialização exceder um milhão de unidades — entre cópias digitais e streaming — em todo território americano.[221] Foi relatado que até 25 de fevereiro de 2018, mais de setecentas mil réplicas do produto já haviam sido adquiridas no páis.[222] No Canadá, alcançou a terceira posição em sua tabela semanal e, com apenas três dias à venda, recebeu uma certificação de platina pela Music Canada por ter excedido oitenta mil cópias no páis.[223][224] Em adição, em outros países da América também teve boa receptividade comercial; no Brasil, foi certificado de platina por vender quarenta mil cópias, enquanto na Argentina e Colômbia foi certificado de ouro por vender vinte mil e cinco mil cópias, respectivamente.[225][226][227]

Artpop apresentou maior desempenho na Europa. Em território austriaco, a obra estreou em primeiro lugar, dando a Gaga seu terceiro álbum consecutivo a alcançar a liderança no país.[228] A IFPI Áustria também condecorou as vendas do projeto com um certificado de ouro, por ter vendido mais de sete mil unidades por lá.[229] Tanto na região flamenga como na valoniana da Bélgica, a obra conquistou a vice liderança.[230][231] Na Irlanda, Itália e Suíça, estreou na segunda posição de suas tabelas.[232][233][234] Nesses dois últimos, ele foi certificado de ouro pela venda de trinta mil e dez mil cópias, respectivamente.[235][236] Enquanto na Alemanha e França conseguiu conquistar a terceira colocação.[237][238] Em território britânico, durante a edição de 17 de novembro de 2013, Artpop estreou na primeira colocação dando a Gaga seu terceiro pódio consecutivo.[239] Mais tarde, foi certificado como ouro pela British Phonographic Industry (BPI), após vender cem mil réplicas no país.[240] A única nação europeia em que o Artpop não conquistou o top dez foi a Hungria, onde alcançou apenas a décima sétima colocação.[241] Apesar disso, o material conseguiu obter um certificado de ouro no páis.[242]

O sucesso da obra continuou na Australásia. No Japão, Artpop estreou na posição máxima.[243] Com apenas vinte e cinco dias à venda, um certificado de platina foi emitido pela Recording Industry Association of Japan (RIAJ) depois de serem exportadas mais de duzentas mil réplicas do produto na nação.[244] Na Coréia do Sul entrou na terceira posição de sua parada semanal, sendo sua melhor posição alcançada e meses depois ele receberia a certificação de ouro pela venda de cinco mil cópias no páis.[245][246][247] Tanto na Austrália como na Nova Zelândia estreou em segundo lugar, logo atrás de The Marshall Mathers LP 2 de Eminem. Além de não receber nenhuma certificação nos dois países, o disco permaneceu por algumas semanas dentro de sua contagem semanal.[248][249]

Tabelas semanais[editar | editar código-fonte]

Notas de rodapé

  1. No original: "Do you wanna see the girl who lives behind the aura, behind the aura?".
  2. No original: "We could belong together, Artpop".
  3. No original: "Do what u want/ What u want with my body/ Do what u want/ What u want with my body/ Write what you want, say what you want about me/ If you're wondering, know that I'm not sorry".
  4. No original: "My artpop could mean anything".
  5. No original: "I don't wanna be alone forever, but I can be tonight".
  6. No original: "I stand here waiting for you to bang the gong/ To crash the critic saying 'Is it right or is it wrong?".

Referências

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