Born This Way

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o álbum. Para a canção, veja Born This Way (canção).
Born This Way
Álbum de estúdio de Lady Gaga
Lançamento 23 de Maio de 2011
Gravação 2010–11
Género(s) Pop · electropop · dance-rock · electrorock · dance · electrónica
Duração 61:12
Formato(s) CD · vinil · USB flash drive · download digital
Editora(s) Interscope Records, Streamline Records, Kon Live Distribution
Produção Vincent Herbert (exec.) · Clinton Sparks · DJ White Shadow · DJ Snake · Fernando Garibay · Jeppe Laursen · Lady Gaga · RedOne · Mutt Lange
Cronologia de Lady Gaga
The Remix
(2010)
Born This Way:
The Remix

(2011)
Singles de Born This Way
  1. "Born This Way"
    Lançamento: 11 de Fevereiro de 2011
  2. "Judas"
    Lançamento: 15 de Abril de 2011
  3. "The Edge of Glory"
    Lançamento: 9 de Maio de 2011
  4. "Yoü and I"
    Lançamento: 23 de Agosto de 2011
  5. "Marry the Night"
    Lançamento: 15 de Novembro de 2011

Born This Way é o segundo álbum de estúdio da cantora, compositora e produtora musical norte-americana Lady Gaga. Foi lançado a 23 de Maio de 2011 e distribuído pela Interscope Records. Born This Way é notavelmente diferente dos álbuns anteriores de Gaga, como incorpora uma vasta gama de elementos de vários géneros musicais, inclusive a ópera, o heavy metal, o disco e o rock and roll, e funde os elementos com sons de electropop e dance. Também é fortemente inspirado pelo synthpop e pela música electrónica das décadas de 80 e 90. Na gravação das canções, Gaga trabalhou com vários produtores, incluindo RedOne, Fernando Garibay, Jeppe Laursen e DJ White Shadow, e contou com a participação de artistas como Clarence Clemons e Brian May. Com Born This Way, a cantora teve mais controle de sua direcção musical e composição.

De Born This Way surgiram cinco singles. A faixa homónima alcançou o topo das tabelas de trinta e um países, incluindo os Estados Unidos, onde tornou-se o terceiro single de Gaga a atingir o pico nessa posição. Ele tornou-se o single com a venda mais rápida da história da iTunes Store, tendo vendido mais de um milhão de cópias nos seus primeiros cinco dias. "Judas" atingiu o pico entre as dez melhores colocações de dezanove países, incluindo os EUA. "The Edge of Glory" tornou-se em pouco tempo o terceiro single do álbum devido a boas vendas no iTunes. Estreou no número três nos EUA e liderou as tabelas do Brasil, Eslováquia, Coreia do Sul e Japão. "Yoü and I" estreou nos Estados Unidos no número trinta e seis, tendo mais tarde atingido o pico no número seis. "Marry the Night" estreou na tabela nacional no número setenta e nove, e no Canadá no número noventa e nove. "Hair" foi lançado como o único single promocional do disco.

Considerado um dos álbuns mais esperados de 2011,[1] foi recebido com opiniões positivas pela crítica contemporânea especialista, que elogiou os vocais da artista e os estilos musicais variados do álbum. Porém, o uso repetitivo da palavra "Jesus", bem como o emprego de sinos de igreja e vozes de monge em muitas das faixas, provocaram reacções negativas de algumas sociedades cristãs, incluindo as do Líbano, onde Born This Way foi temporariamente banido. Apesar de tais conflitos, o disco liderou as tabelas em vinte e três países. Estreou no topo nos EUA, com a primeira semana de vendas igual a um milhão e cento e oito mil cópias. Mais de 430 mil destas vendas foram a um preço especial de USD 0,99, que a Amazon.com ofereceu por dois dias durante a primeira semana de lançamento do álbum.

Antecedentes e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A artista a interpretar "Yoü and I" no The Today Show a 9 de Julho de 2010.

Em Março de 2010, em entrevista à MTV britânica, Gaga afirmou que havia começado a trabalhar no seu novo álbum e que já havia terminado de escrever o tema central do mesmo: "... sem dúvida este é o meu melhor trabalho até hoje. A mensagem, a melodia, a direcção, o sentido. É uma libertação total."[2] Três meses depois, em entrevista à Rolling Stone, afirmou que a produção do seu segundo disco já havia sido concluída, mas o projecto não seria lançado até 2011: "Eu tenho trabalhado nisto há meses, e sinto fortemente que foi concluído agora. Alguns artistas levam anos. Mas eu não. Foi rápido, pois escrevo todos os dias... Ele [será] o hino da nossa geração. Ele inclui a melhor música que eu já escrevi. Eu já escrevi o primeiro single do novo álbum e prometo a você que este álbum é o maior da minha carreira."[3] Em uma entrevista em Setembro, ela afirmou que "o álbum é o melhor trabalho perfeito que alguma vez fiz e estou muito animada com isso."[4] A 9 de Julho de 2010, a cantora cantou "Yoü and I" no The Today Show diante de uma multidão de aproximadamente vinte mil pessoas e, embora a mesma já vinha sendo interpretada desde concertos da The Monster Ball Tour, afirmou que ela não era um indicativo do som do novo álbum que, segundo a cantora, seria "o hino para a geração da próxima década".[5][6] Embora tenha inicialmente dito que apenas anunciaria o nome do disco no fim do ano, Gaga acabou revelando o mesmo ao vencer na categoria "Vídeo do Ano" por "Bad Romance" na cerimónia dos prémios Video Music da MTV.[7][8]

"Born This Way é a minha resposta para muitas questões ao longo dos anos: Quem é você? De que fala você? [...] O tema mais supremo na gravação é eu tentando entender como posso existir como mim própria como alguém que vive entre a fantasia e a realidade ao mesmo tempo."

— Gaga em uma entrevista sobre Born This Way à MTV.[9]

Na paragem da The Monster Ball Tour em Gdansk, Polónia a 26 de Novembro de 2010, Gaga prometeu que o disco seria o álbum da década e que já estava completamente terminado e cheio de "batidas dançantes".[10][11] Foi confirmado em uma entrevista à Vogue que das dezassete faixas gravadas para o álbum, quatorze delas iriam aparecer na edição final da versão padrão e as três restantes seriam lançadas em uma edição deluxe exclusiva na loja digital Target.[12][13] Contudo, a parceria com a loja foi terminada devido a uma doação de 150 mil dólares desta última à organização anti-homossexual Minnesota Forward.[14] Na véspera de Ano Novo foram reveladas datas de lançamento do álbum.[15] Em entrevista à BBC, a cantora confirmou que o primeiro single seria lançado em Fevereiro de 2011 e o álbum "em breve".[16][17] A 2 de Março de 2011, foi revelada a obra "Government Hooker" e ainda realizada uma ante-estreia de uma versão remixada de "Scheiße" no desfile de moda do designer Thierry Mugler, para o qual Gaga havia sido nomeada directora musical.[18][19] DJ White Shadow, o produtor de "Government Hooker", declarou que a música era "uma besta" e afirmou que Born This Way "não é um álbum pop, mas sim uma obra de arte de música pop".[20] Em uma entrevista à KISS FM, Gaga confirmou que o álbum não teria colaborações com outros cantores.[21]

"O álbum é a união da música electrónica com melodias com muitas batidas de dança. Está terminado e tudo, [agora] é simplesmente ajuste de afinação a tudo. É como um tipo de etapa pós-operatória do álbum. Já fiz a cirurgia de coração inteiro. Estou apenas costurando-me novamente. Liricamente, acho que este álbum é mais poético. É realmente escrito pelos fãs, que realmente escreveram isso para mim, pois toda noite eles canalizam muito em mim. Então eu escrevi para eles. Born This Way é toda sobre os meus little monsters e também sobre mim, mother monster."

— Gaga em entrevista à coluna Newsbeat da BBC.[16]

A capa de Born This Way foi revelada a 15 de Abril de 2011.[36] Ela apresenta a cantora fundida em uma motocicleta.[37] O seu nome não aparece na mesma — o único texto é escrito na parte superior, a ler o nome do álbum.[38] A capa foi recebida com opiniões negativas por parte de críticos e fãs. Sean Michaels, do The Guardian, achou que "... se parece mais com um trabalho de Photoshop barato do que de um dos álbuns mais esperados do ano... foram-se os óculos futuristas, os cortes de cabelo assimétricos, até mesmo os chifres mágicos de Gaga, ao invés, uma moto mutante com os braços e cabeça de Gaga, além de uma fonte de texto cromado de porcaria". Michaels fez referência a várias mensagens de fãs no fórum oficial de Gaga que expressavam o seu desagrado pelo trabalho.[39] Andrew Martin, da Prefix Magazine, descreveu a capa como "uma rejeição do último filme Terminator", bem como Rick Porter, do Zap2it, que acrescentou que ela é "estranha" e muito diferente das capas dos seus lançamentos anteriores.[40][41] Tris McCall, do The Star-Ledger, achou que foi "uma das piores artes relacionadas com CD alguma vez feita".[42] A capa da versão especial de Born This Way foi lançada dois dias depois e é apenas um recorte da imagem versão padrão que apresenta apenas a cabeça da artista. Os nomes da artista e do disco aparecem no canto superior esquerdo, digitadas na fonte Impact, com o nome do álbum destacado com fundo branco e letras pretas. Nenhuma das palavras "especial" ou "deluxe" não aparecem em algum lugar pois Gaga quis assim.[43]

A 17 de Abril seguinte, a cantora relatou que o disco teria duas versões: a versão especial, consistente em dezassete canções e cinco remixes, e a versão padrão, com quatorze músicas.[44] Internacionalmente, Born This Way estreou a 18 de Maio de 2011 no Spotify da Suécia, Noruega, Países Baixos, Finlândia e Espanha, assim como pela página online do jornal britânico Metro.[45][46] O lançamento mundial ocorreu a 23 de Maio de 2011.[47] O Amazon.com vendeu a versão padrão do disco por USD 0,99 na data de lançamento, para promover o seu serviço de Cloud Drive nos EUA. "Hair" foi lançada como um single promocional a 16 de Maio.[48] "Marry the Night" foi lançada no jogo virtual FarmVille a 17 de Maio,[49] seguida por "Eletric Chapel" no dia seguinte,[50] e "Fashion of His Love" no dia após este.[51] O remix do DJ White Shadow desta canção tornou-se disponível no Farmville, bem como "Government Hooker", "Americano", "Scheiße", "Bad Kids", "Yoü and I" e "Born This Way (Jost & Naaf Remix)", e foram transmitidas online entre 20 e 23 de Maio de 2011.[52]

Estrutura musical e conteúdo lírico[editar | editar código-fonte]

"É como Whitney, mas imagine se Bruce Springsteen tivesse um bebé com Whitney — é isso que é. [...] E foi isso! Fizemos um bebé. Finalmente! Após toda aquela fornicação miseravelmente longa e tediosa, Fernando e eu finalmente concebemos."

— Gaga a falar sobre a concepção de "Marry the Night".[53]

Em termos de composição musical, Born This Way é considerado um afastamento notável dos trabalhos anteriores de Gaga, que consistiam em elementos de electropop, house music e dance-pop,[54] enquanto Born This Way, apesar de ser composto principalmente por músicas dance de ritmo moderado,[55] incorpora uma ampla gama de elementos multi-géneros, inclusive ópera, new wave e mariachi, além de apresentar uma maior variedade de instrumentos e estilos musicais.[56][57]

Canções como "Marry the Night", "Hair", "Highway Unicorn (Road to Love)" e "The Edge of Glory" contêm influências de Bruce Springsteen.

O álbum abre com "Marry the Night", uma canção escrita como homenagem à Nova Iorque e gravada em um estúdio dentro do autocarro da The Monster Ball Tour.[58] Musicalmente, é um tema dance-pop com batida de música house influenciada por disco, techno e funk.[59][57][60] A faixa seguinte, "Born This Way", tem sonoridade eurodisco e contém um órgão. Gravada no Abbey Road Studios em Londres e Germano Studios em Nova Iorque, o seu conteúdo lírico aborda a igualdade e incentiva o ouvinte a perseguir os seus sonhos. Composta por Gaga e Jeppe Laursen, e produzida pelos dois com o auxílio de Fernando Garibay e DJ White Shadow, foi bastante comparada a "Express Yourself" de Madonna.[61][62][63] A terceira canção, "Government Hooker", foi gravada no Studio at the Palms em Las Vegas e inclui elementos de ópera,[64] com uma melodia techno[65]/trance/música industrial,[66] bem como influências de hip hop nas batidas.[65] Gravada no Gang Studios em Paris, a canção seguinte, "Judas", é uma obra sobre traição influenciada pela personagem bíblica de mesmo nome,[67] com sonoridade dance-pop e electropop influenciada por música industrial.[68][69]

"Bem, eu queria levar a música pop para um novo caminho, e você sabe como são as coisas do costume. Eles [os meu fãs] têm se comportado nos últimos dois anos como um culto, um culto de heavy metal. Tenho estado a ouvir metal por um período tão longo, eu fui a muitos concertos diferentes, eu vi Iron Maiden ao vivo e fiquei muito inspirada. E percebi que queria criar um álbum híbrido, uma gravação avant-garde techno-rock que é realmente muito pesada e industrial em uma extremidade, e muito alegre e pop em outra. Por isso, é música pop com uma mensagem muito muito muito forte e muito desconfortável."

— Gaga, em entrevista ao Yahoo!, a abordar a sua inspiração na composição das canções do álbum.[70]
Fernando Garibay, frequente colaborador de Gaga, trabalhou em onze faixas de Born This Way.

Seis outras faixas do álbum foram também gravadas no estúdio do autocarro de digressão: "Americano", "Hair", "Scheiße", "Bloody Mary", "Bad Kids" e "Highway Unicorn (Road to Love)". A primeira é uma obra essencialmente pop influenciada por house, techno e disco-pop que incorpora fortemente o mariachi cujas letras abordam o "Sonho Americano" e contêm vários assuntos religiosos, culturais e políticos, inclusive a Lei de Imigração do Arizona, a Arizona SB 1070, uma medida extremamente rígida implantada contra a imigração ilegal para aquele estado.[66][71] A seguir vem "Hair", um tema sobre expressar a liberdade individual através do cabelo com melodia dance-pop influenciada por rock e heavy metal similar ao popularizado por artistas como Bruce Springsteen, Iron Maiden e Kiss.[72] "Hair", bem como "The Edge of Glory", são obras distinguíveis do resto do álbum pois um saxofone, tocado por Clarence Clemons, pode ser ouvido.[73] Idealizada após Gaga ter passado uma noite de curtição com os seus amigos em uma discoteca em Berlim, "Scheiße" contém letras em alemão e uma mensagem de feminismo, acompanhada por uma melodia dance-pop que levemente incorpora elementos notórios de música techno e electroclash, bem como o eurodisco.[57] "Bloody Mary", a oitava faixa, é uma canção de ritmo lento com inúmeras referências religiosas e uma melodia influenciada por trance. Um dos seus segmentenos inclui um coro vocal masculino inspirado em canto gregoriano.[64][71] "Bad Kids", a faixa seguinte, é um tema pop influenciado por heavy metal e synthpop dos anos 1980 com uma batida disco comparada à de obras de Donna Summer e instrumentação acompanhada por piano e guitarras eléctricas características de música rock. O seu conteúdo lírico foi descrito como uma "ode aos jovens delinquentes que atribuem a culpa dos seus falhanços aos seus pais".[66] "Highway Unicorn (Road to Love)", a décima faixa de Born This Way, foi descrita como um tema de electropop influenciado por música dance e rock com elementos de música industrial. Gaga revelou que Springsteen foi uma enorme influência enquanto compunha as letras e produzia a faixa. Clemons também tocou o saxofone em "Highway Unicorn (Road to Love)".[71]

Brian May, guitarrista da banda Queen, tocou uma guitarra eléctrica em "Yoü and I", faixa na qual usou uma amostra de "We Will Rock You".

"Heavy Metal Lover", gravada nos Paradise Studios em Hollywood, é uma faixa electropop com um toque de synthpop e tendências de música techno. Foi considerada como a "faixa mais eléctrica e futurista do álbum", com produção baseada em sintetizadores e batidas electro-industriais. O seu conteúdo lírico contém várias referências sexuais implícitas, nas quais a cantora chama pelo seu "amante de heavy metal", que especula-se ser o modelo Lüc Carl, ex-namorado de Gaga.[57][71][74] "Heavy Metal Lover" foi a última canção a ser gravada para Born This Way, e nem sequer estava quotada para fazer parte da versão padrão do disco. De seguida vem "Electric Chapel", um tema pop/rock que contém uma vasta gama de diferentes influências sonoras notórias durante a década de 1980, inclusive o heavy metal e o jazz. Foi gravada nos Sing Sing Studios em Camberra e nos Officine Mechaniche Studios em Milão. A artista declarou que canalizou a banda Duran Duran enquanto gravava a faixa, cuja letra combina questões sobre amor monogámico, sexo e pureza espiritual. Em uma entrevista, o conceito de "capela eléctrica" ​​foi descrito por si como "um lugar onde os fãs vão à procura de amor".[57][66] Co-produzida por Robert John "Mutt" Lange e gravada no Warehouse Productions em Omaha e no estúdio Allertown Hill no Reino Unido,[75] "Yoü and I" é uma balada rock and roll de ritmo lento com elementos de country rock e instrumentação consistente em piano e guitarra eléctrica tocada por Brian May, guitarrista dos Queen, que usa uma amostra de "We Will Rock You".[76][77] "Yoü and I" havia sido interpretada na paragem de Phoenix, Arizona, da The Monster Ball Tour, onde a intérprete contestou a lei de imigração do Arizona, e dedicou a sua actuação para um rapaz cuja família fora afectada pela lei.[78] Gaga descreveu May como "alguém lendário".[79][80] Gravada nos The Living Room Studios em Oslo, "The Edge of Glory" é a faixa de encerramento do disco, A principal inspiração de Gaga ao compor a canção foi a morte do seu avô em Setembro de 2010, que ela afirmou tê-la afectado profundamente. Acompanhada por um solo de saxofone por Clemons, tem uma melodia semelhante a trabalhos de Springsteen e contém várias qualidades similares a obras musicais de adult contemporary da década de 1980.[81]

Gaga declarou ter canalizado a banda Duran Duran enquanto gravava "Electric Chapel".

Três faixas bónus foram inclusas na versão especial de Born This Way. "Black Jesus † Amen Fashion", a primeira das quais, é fruto de uma colaboração com o DJ White Shadow e é um tema pop com elementos notáveis de música electrónica e instrumentação simples consistente em teclado, bateria, baixo, entre outros. Gravada no Hotel Setai em Miami Beach, o seu conteúdo lírico contém inúmeras referências relativas à moda, religião e a Cidade de Nova Iorque, na qual Gaga nasceu e cresceu, e sua sonoridade foi comparada a obras lançadas por de Madonna e pela dupla Justice na década de 1980.[82][82][83] Uma das primeiras faixas compostas para Born This Way, "Fashion of His Love", fruto de uma colaboração com Garibay gravada nos Sing Sing Studios, é uma obra dance-pop cujo conteúdo lírico contém uma referência ao falecido estilista britânico Alexander McQueen, que era um grande amigo da cantora. A sua instrumentação recebeu comparações a "I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)", canção de Whitney Houston.[84] A última das faixas bónus é "The Queen", uma outra colaboração com Garibay gravada no The Living Room Studios. Musicalmente, é uma canção disco com elementos notáveis de rock e instrumentação simples consistente em teclado, sinos, guitarras eléctricas, entre outros. O seu conteúdo lírico foi visto por analistas musicais como contendo referências à valentia, feminismo e também a McQueen.[85] A voz de Gaga em "The Queen" foi comparada à da artista Gwen Stefani e a sua produção comparada à de "The Edge of Glory".[86][87]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Crítica profissional[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic 71/100[88]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
AllMusic 3.5 de 5 estrelas.[89]
The Independent 3 de 5 estrelas.[90]
Los Angeles Times 4 de 5 estrelas.[91]
NME (positiva)[54]
Rolling Stone 4 de 5 estrelas.[92]
Slant 4 de 5 estrelas.[93]
Spin 8 de 10 estrelas.[59]
Time (mista)[94]
The Washington Post (negativa)[95]
Yahoo! Music (positiva)[96]

No geral, Born This Way recebeu críticas positivas pelos críticos especialistas em música contemporânea. O Metacritic, um sítio musical agregador que atribui uma classificação normalizada de cem a cada opinião dos críticos de música mainstream, atribuiu ao álbum uma média de pontuação de 71, com base em 32 comentários, o que significa "opiniões geralmente favoráveis".[88]

Um resenhista encontrou semelhanças entre Born This Way e Sam's Town, segundo trabalho dos The Killers (imagem).

Dan Martin, para a revista NME, elogiou a artista por puxar os seus limites musicais até o "último nível", afirmando que "Gaga não sabe quando deve se reter — e isto é uma coisa muito boa".[54] Atribuindo ao álbum a pontuação máximo de cinco estrelas, Bill Lamb, para o portal About.com, afirmou que "Gaga solda disco e guitarras de metal descaradamente, a abraçar todas as suas influências musicais em um confronto de estilos loucos com os quais não trabalha frequentemente", e concluiu que "Born This Way começa e termina muito próximo da perfeição".[97] Sal Cinquemani, para a Slant Magazine, encontrou semelhanças com o segundo trabalho dos The Killers, Sam's Town, descrevendo ambos trabalhos como "inchado, auto-importante, com orgulho americano, um exercício em excesso extraordinário".[93] James Montgomery, para a MTV, elogiou a mescla eclética de canções, comentando: "minha primeira impressão é esta: Born This Way é um álbum enorme. É valente e audaz, e um pouco tonto às vezes, mas Gaga leva tudo perfeitamente. [...] É algo para todos."[98] Um resenhista do BBC Music descreveu o álbum como um "projecto maravilhoso" e elogiou Gaga por "realmente colocar um pouco de esforço e imaginação de volta ao pop".[99] Rob Sheffield, para a Rolling Stone, elogiou os vocais e o estilo musical da cantora, afirmando que "não há um momento subtil no álbum" e que "a música é cheia de detalhes emocionais bem notáveis."[92] Por outro lado, a edição espanhola da mesma revista fez uma análise menos favorável, dizendo que "houve tanto barulho que quando o fim chega, este disco fica com um gosto antiquado". Contudo, destacou o talento de Gaga e opinou que "apesar de bruto, Born This Way é variado e divertido às vezes."[100] Diego Mancusi, da versão argentina da revista, deu três estrelas de um máximo de cinco, escrevendo que Born This Way "é uma espécie de compilação apócrifa de canções — pura [música] sintetizada dos anos 80 ideal para um canto inglês de merda que assenta em auto-tune." Todavia, destacou "Bloody Mary" e "Yoü and I".[101]

"Born This Way tem todas as batidas electrónicas e refrães de eurodance que The Fame Monster possui. Mas a surpresa é a forma com que Gaga rouba as letras de Bon Jovi, Pat Benatar, e Eddie Mony. O que torna Born This Way tão grande é que Gaga soa quente e humana. Não há um único momento no disco onde a música não está cheia de detalhes emocionais. Gaga adora as declarações fortes, pela mesma razão que ama a dance e as guitarras do metal pop, porque soam como ecos de seu coração torcido de rock and roll. Essa é a realização de Born This Way."

— Rob Sheffield na sua análise do álbum para a revista Rolling Stone.[92][102]
Um crítico fez uma comparação negativa entre a voz de Gaga no álbum com a da cantora Bonnie Tyler.

Kitty Empire, para o jornal The Guardian, elogiou a audácia da cantora por incluir um saxofone em música pop e, embora tenha criticado "Heavy Metal Lover" por não conter nenhum género metal, achou que a faixa foi um dos momentos mais inesperavelmente doces do álbum. Ela concluiu atribuindo ao disco uma pontuação de três de um máximo de cinco: "Muitas canções aqui foram criadas de géneros radicalmente diferentes e colocadas juntas para uma geração com défice de atenção: uma canção pode iniciar com um interlúdio de um género, seguir de um verso para outro, ir de novo para um pré-refrão supresa, acompanhado de um refrão de levantar o punho, antes de inserir um middle eight grave."[103] Um resenhista da revista Spin achou que "[o álbum] faz um argumento convincente de que Gaga está a evoluir para a nossa estrela pop mais surrealmente brilhante".[59] Adam Markovitz, para a revista eléctronica Entertainment Weekly, classificou o álbum como "gratificante, mas descontroladamente desigual".[104] Apesar de criticar a cantora por "nunca deixar as habilidades escaparem como uma compositora nem por tão pouco", Stephen Thomas Erlewine, editor do Allmusic, deu ao álbum três estrelas e meia de um máximo de cinco, e elogiou a "sensibilidade" de Gaga na composição e a sua "destreza considerável em entregar o básico".[89] Arwa Haider, para o jornal britânico Metro, apontou "Americano", "Government Hooker" e "Heavy Metal Lover" como futuros êxitos e descreveu o disco como "implacável".[105] Na sua resenha para o The Star-Ledger, Tris McCall fez uma comparação negativa da voz de Gaga com a de Bonnie Tyler e descreveu a produção como "descomunal, um desenho animado, implacável e exaustiva". Todavia, notou "The Edge of Glory" como o melhor trabalho.[42] Um resenhista da Time Out fez uma análise mista ao álbum, escrevendo que questiona-se "quanto sentido um trabalho feito tão bem para impacto máximo na pista de dança faz fora da discoteca" e que Gaga "é a coisa mais próxima a Grace Jones que não é Grace Jones. E eu aplaudo-a por isso."[106] Jacqueline Smith, para o The New Zealand Herald, atribuiu ao disco três estrelas e meia de um máximo de dez e descreveu-o como uma "concepção imaculada".[107]

"...Born This Way vem após um trabalho intenso com The Fame e The Fame Monster nos últimos anos. A faixa homónima apresenta uma visão expandida na personalidade de 'voz das massas' de Gaga que ela constrói desde que explodiu na popularidade..."

— Jeremy Gordon na sua análise de Born This Way para a Prefix Magazine.[108]

Greg Kot, para o Chicago Tribune, sentiu que o álbum foi feito às pressas, expressando que o mesmo soa como o trabalho de "uma grande artista a correr contra o tempo para agradar a todos o tempo todo".[109] Randall Roberts, do Los Angeles Times, criticou a faltou inovação por parte de Gaga, afirmando que a "aventura musical não é um de seus pontos fortes".[91] Ele continuou: "Ela é nada subtil em sua mensagem, nada subtil em seu vestido, e mais importante, nada subtil esteticamente. [...] Se Gaga tivesse passado tanto tempo a empurrar as fronteiras musicais, Born This Way teria sido muito melhor sucedido".[91] Chris Richards, do The Washington Post, achou o álbum "enfadonho", escrevendo: "... no seu pior, parece-se com as sobras de algumas bandas sonoras reaquecidas de filmes dos anos 80."[95] James Reed, para o The Boston Globe, chamou o álbum de "o momento mais vazio na música pop neste ano", descrevendo-o como incoeso com composições insípidas.[110] Embora tenha elogiado o alcance vocal de Gaga, o The Independent deu a Born This Way três estrelas de um máximo de cinco, criticando a diversidade e afirmando que "quanto mais amplo ela estende suas armadilhas musicalmente, menos distintiva a sua arte se torna."[90] Evan Sawdey, do PopMatters, deu cinco estrelas de um máximo de dez, apelidando o trabalho de "o seu álbum mais fraco até hoje", comentando que "funde algumas composições ousadas com alguns temas extremamente repetitivos e batidas".[111] Rich Juzwiak, do The Village Voice, comentou que "o sentimento de 'nós-iremos-superar' de Gaga é expresso da forma mais eficaz através da utilização igualitária de batidas de house do que através de seus slogans", que ele achou "banais" e "[não] perspicazes".[112] Em seu guia do consumidor para o MSN Music, Robert Christgau viu o álbum como não emparelhado com The Fame ou The Fame Monster, mas acrescentou que "ambos continuam a crescer, e com seu ímpeto louco e temáticas malucas, este poderia também."[113]

A faixa "Fashion of His Love" foi comparada com os trabalhos iniciais da cantora Whitney Houston, por quem Gaga revelou ter sido inspirada ao longo do processo de composição das canções do álbum.

Claire Suddath, para a Time, descreveu as experiências de álbuns de estúdio de Gaga como "fracas", argumentando que Gaga "confia muito em sintetizadores e efeitos vocais, que suavizam todas as suas arestas até ela soar como uma versão eurodance de Madonna ('Scheiße'), Sister Sledge ('Born This Way') ou Whitney Houston nos seus primeiros estágios ('Fashion of His Love')." Suddath disse que "Judas" é um "clichê" e apontou "Born This Way" e "The Edge of Glory" como os destaques do álbum. "Música dance não tem de mudar o mundo, claro. Born This Way tem o seu mérito e irá definitivamente fazê-lo querer mover. Eu queria apenas que fosse muito mais. [...] Eu esperava que a sua música soasse tão interessante como ela parece."[94] Channing Freeman, para o Sputnikmusic, também fez uma análise negativa, opinando que "o álbum foi escrito para os seus little monsters, e eu tenho a certeza que eles vão adorar, mas para todos os outros (a maioria dos seus fãs), não há grande coisa aqui." Freeman achou que "as músicas do disco soam como Gaga, mas são mais abrasivas, menos focadas, e isso não é uma coisa boa. [...] a criatividade desapareceu, modificada a favor de vocais balbuciantes distorcidos e electrónicos que gritam títulos de canções por vezes sem conta."[114] Adrian Thrills, para o Daily Mail, descreveu Born This Way como uma "mistura energética excelente de pop, dança electrónica e rock lustroso dos anos 80" e achou que as influências de Bruce Springsteen foram subtis.[115]

Vários críticos apontaram Madonna como uma das maiores influências de Gaga no álbum. Inclusive, Gaga foi acusada por muitos de imitar os trabalhos da artista.

Por outro lado, Joanna Holcombe, para o Yahoo! Music, escreveu que o som de Born This Way "é uma progressão natural dos seus estilismos originais e liricismo". Holcombe elogiou os ganchos das músicas e terminou a análise dando oito estrelas a partir de uma escala de dez.[96] Melinda Newman, para o HitFix, achou que Born This Way é o trabalho mais desafiante de Lady Gaga. No entanto, não sentiu empatia para com o álbum, "apesar da toda a alma e coração que Gaga colocou dentro dele", e opinou que os refrães das faixas são repetições de outras obras da artista, comparando o de "Judas" com os de "Bad Romance" e "Paparazzi". "Eu admiro muito Born This Way, eu só desejo ter gostado mais."[116] Natalie Kaye, para o Contact Music, achou que as dezassete faixas do álbum poderiam ter sido resumidas em "doze excelentes canções".[117] Sean Daly, para o Tampa Bay Times, classificou Born This Way com um B+ e disse que ele é "tedioso mas não terrível. De facto, é vivo, forte e arrojado. Que pena que não se nota isso em todo o álbum." Daly condenou a intérprete por copiar a música e traje de Madonna "em vez da sua habilidade subestimada: sobrevivência."[118] Möhammad Choudhery, para o Consequence of Sound, avaliou com três estrelas de um máximo de cinco e afirmou que quase todas as faixas do álbum são "fortemente encharcadas pelas mesmas grandes explosões de sintetizadores de discoteca e batidas básicas dolorosas".[119] Thomas Conner, para o Chicago Sun-Times, atribuiu duas estrelas de um máximo de cinco, descrevendo o seu novo som como "ambicioso", e afirmou que o disco "mostra as suas capacidades vocais". Todavia, criticou a falta de criatividade ao copiar Madonna.[120]

Peter Buchanan, para o portal Examiner.com, escreveu que "Born This Way é o pior álbum por uma grande superestrela desde que Madonna lançou American Life há quase uma década", explicando que a causa principal é a tentativa esforçada de Gaga de emular Madonna e os resultados "desesperados" disto. Contudo, Buchanan apontou "Government Hooker", "Marry the Night" e "Americano" como os destaques do disco.[121] Miguel Dumaual, para o portal ABS-CBN, também fez uma análise negativa à obra, chamando a faixa homónima de "cópia". Porém, destacou "Marry the Night" e "Yoü and I".[122] Genevieve Koski, para o The A.V. Club, classificou o álbum com um B a de uma escala de A a F, afirmado que ele é "uma declaração de decisão que é indesculpável desde a primeira nota à última" e "o tipo de álbum que apenas poderia vir de alguém que diz, 'Eu prefiro uma dose gigante de treta em qualquer dia do que a verdade.'"[123] Nathan Jolly, para o The Music Networks, escreveu que gostou do álbum, principalmente dos pianos de "Marry the Night" e da influência de Kate Bush em "Government Hooker", mas criticou Gaga por imitar Madonna e David Bowie.[124] Craig Jenkins, para a Prefix Magazine, avaliou o disco com um seis de um máximo de dez, considerando Born This Way como "uma carta de amor gigante para a música dos anos 80." Jenkins apontou que as músicas do álbum não trazem algo de novo e criticou Gaga por deixar as músicas serem influenciadas pelos seus "cometimentos conceituais arrogantes".[125] Elysa Gardner, para o USA Today, deu três estrelas e meia de um máximo de quatro e descreveu o novo som da cantora como sendo "mais frio e mais calculado". Gardner indicou que a nostalgia descarada da obra é o seu aspecto mais ousado.[126] Darryl Sterdan, para o Jam!, ofereceu três estrelas de um máximo de cinco: "Se a sua ideia do paraíso são hinos de disco complicados de tum-tum polvilhados com letras absurdas de apertar botões e acenos ruidosos a artistas como Madonna, Queen, Def Leppard, Elton John e até Bruce Springsteen, o disco de uma hora de duração será a sua salvação."[127]

De grupos religiosos e censura em países[editar | editar código-fonte]

Vários grupos religiosos condenaram o álbum, em particular, pela incorporação de ícones religiosos do Cristianismo e pela acomodação da sexualidade. No Líbano, o projecto foi temporariamente banido pelo Departamento do Secretário Geral, que afirmou que o álbum tem mau gosto e goza do Cristianismo.[128] Abdo Abu Kassm, director do Centro da Informação Católica do Líbano, criticou severamente os temas do álbum, expressando que "se eles nos vão ofender, nós vamos suspender o álbum. [...] Nós não iremos aceitar que alguém insulte a Virgem Maria ou Jesus ou o Cristianismo. [...] Chamem-nos de tradicionais, chamem-nos de antiquados, chamem-nos do que quiserem. Nós não iremos aceitar isso."[129] Este banimento durou até 9 de Junho.[128] Na Malásia, onde a homossexualidade é considerada uma ofensa criminal, o governo criticou o álbum pela acomodação da sexualidade e do feminismo.[130] Após o lançamento da faixa homónima, as estações de rádio por todo o país editaram várias partes dela, como o ordenado pelo governo.[131] Rosnah Ismail, o vice-ministro da Universidade Malaysia Sabah, condenou a canção, opinando: "O Islão proíbe isto. Nós temos que nos habituar às leis do país."[132] O vídeo musical de "Judas" foi criticado por Bill Donahue, o presidente da Liga Católica, principalmente pela representação de Maria Madalena por Gaga. Pouco tempo após o seu lançamento, "Judas" foi também banido no Líbano.[133]

"Eu acho Gaga irrelevante. Ela pensa que vai ser inovadora. Ela está a tentar arrancar o idolatrismo Cristo para aumentar as suas apresentações mundanas, chatas e com falta de talento. Outra ex-Católica cuja cabeça está desviada. Isto é uma acrobacia. Pessoas têm talento, e depois vem Lady Gaga. Esta será a única maneira de sabotar a sua actuação?"

— Bill Donahue na análise do vídeo de "Judas".[134]

No entanto, nem todos grupos religiosos reagiram negativamente ao álbum. Helen Lee, do Busted Halo, sentiu que Gaga estava a "espalhar a [boa] nova de Jesus Cristo, quer intencionalmente quer não. [...] Os seus pensamentos sobre o celibato, força pessoal, e individualismo, são certamente audíveis [...] e muito mais compelativo é o que ela tem a dizer sobre a natureza humana e o sofrimento humano."[135]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

A Rolling Stone, na lista dos "50 Melhores Álbuns de 2011", classificou-o em sexto lugar, escrevendo que "nenhum dos exercícios anteriores de Gaga de aumentar o tamanho musical preparou-nos para este tipo de extravagância".[136] O The Guardian, na lista dos "Melhores Álbuns de 2011", listou Born This Way no número trinta e um.[137] A Slant Magazine colocou o disco no terceiro lugar da lista dos "25 Melhores Álbuns de 2011", chamando-o de um "magnum opus" e descrevendo-o como uma "ode sincera aos corações ofuscados dos intrusos do passado e presente".[138] Além disso, a MTV classificou-o como o décimo melhor álbum de 2011, alegando que é "o primeiro álbum pop multi-nacional e multi-sexual do nosso tempo", e chamou-lhe de "a sua afirmação mais grandiosa até à data".[139] O About.com listou Born This Way como o segundo álbum mais pop de 2011, afirmando que é um "marco pop" e uma "montanha-russa louca de música".[140] A revista Spin listou Born This Way como o vigésimo nono melhor álbum do ano de 2011, assim como o melhor álbum pop do ano.[141] Em Fevereiro de 2012, a NME publicou a lista dos "Álbuns Mais Pretensiosos de Todos os Tempos", posicionando a obra no topo.[142]

Prémios e nomeações[editar | editar código-fonte]

Born This Way recebeu nomeações em onze cerimónias de entrega de prémios para treze categorias. Em 2011, foi nomeado para "Álbum Pop/Rock Favorito" nos American Music Awards,[143] e venceu as categorias "Melhor Álbum Dance/Electrónico" e "Melhor Álbum" nos Billboard Year-End Charts Awards e Virgin Media Music Awards, respectivamente.[144][145] Em 2012, venceu a categoria "Álbum Adult Contemporary do Ano" nos Billboard Japan Music Awards,[146] "Álbum do Ano" e "Álbum Estrangeiro do Ano" nos Japan Gold Disc Awards, e "Álbum Favorito do Ano" nos People's Choice Awards.[147][148] O disco recebeu duas nomeações nos Grammy Awards: "Álbum do Ano" e "Melhor Álbum Pop Vocal". Porém, perdeu em ambas para 21, de Adele.[149] Em território internacional, recebeu uma nomeação para os Premios Oye! na categoria "Álbum do Ano", e para os JUNO Awards na categoria "Álbum Internacional do Ano".[150][151] Contudo, nem todas as nomeações foram favoráveis, como a na categoria "Pior Álbum" nos NME Awards, que perdeu para Under the Mistletoe, de Justin Bieber.[152]

Promoção e divulgação[editar | editar código-fonte]

Singles[editar | editar código-fonte]

Clarence Clemons fez uma participação em "The Edge of Glory", bem como no seu vídeo musical, a tocar um saxofone.

O primeiro single foi a faixa-título. Declarada pela MTV como o "hino dos marginalizados",[153] foi recebida com opiniões mistas pela crítica especialista, que notou semelhanças com "Express Yourself" e elogiou-a pela sua "dançabilidade".[154] Nos EUA, tornou-se no terceiro número um de Gaga e, ao redor do mundo, alcançou o primeiro posto em mais de vinte países, quebrando várias barreiras de vendas digitais e entradas nas rádios,[155] tendo sido o single com venda mais rápida da história da iTunes Store naquele momento.[156] "Judas" foi confirmada por Gaga como o segundo single em Fevereiro de 2011 no American Top 40.[157] Embora grande parte da sua recepção crítica tenha sido favorável, alguns analistas repudiaram-na pelas semelhanças à "Bad Romance" e "Poker Face". Atingiu a primeira posição da tabela de singles da Coreia do Sul e posicionou-se dentro dez melhores colocações de vários outros países, incluindo os EUA.[158]

Embora inicialmente divulgada a 9 de Maio de 2011 como um single promocional, "The Edge of Glory" rapidamente tornou-se no terceiro single oficial do álbum devido ao seu sucesso nas tabelas do iTunes em todo o mundo.[159] O conteúdo lírico e o saxofone tocado por Clarence Clemons foram elogiados pela crítica. Foi recebida com sucesso comercial elevado, alcançando os dez melhores lugares em dezanove países, inclusive os EUA.[160] O vídeo musical de "The Edge of Glory" é notavelmente simples em comparação a trabalhos anteriores da artista, como não tem coreografia nem bailarinos, e a cantora não varia o vestuário.[161] "Yoü and I", o quarto single, teve a sua estrutura musical amplamente elogiada, além de alcançar um sucesso comercial moderado.[162] "Marry the Night" foi confirmada em Setembro de 2011 como o quinto e último single a ser lançado. Os críticos reagiram positivamente à faixa, bem como o público, que fez com que a canção entrasse nas tabelas musicais de quinze países.[163][164]

Apresentações ao vivo[editar | editar código-fonte]

Gaga a interpretar "Born This Way" como parte da série de concertos de verão do Good Morning America.

Gaga apresentou "Born This Way" pela primeira vez a 13 de Fevereiro de 2011 na cerimónia dos prémios Grammy.[165] A 17 de Abril, interpretou "Judas" na discoteca Kennedy Lounge em Tampa, Flórida,[166] bem como no The Ellen DeGeneres Show a 28 de Abril.[167] Quando a canção terminou, a artista fez uma pose e deu um beijo na bochecha da apresentadora do programa.[168]

A 3 de Maio, uma versão acústica de "Americano" foi interpretada na paragem da The Monster Ball Tour em Guadalajara, México.[169] Dois dias depois, Gaga cantou "Yoü and I" e a faixa-título no The Oprah Winfrey Show;[170] nesta apresentação, foram revelados fragmentos da letra da primeira canção anteriormente desconhecidos.[171] A 21 de Maio, a artista cantou o primeiros três singles do álbum no Saturday Night Live.[172] Durante o Festival de Cannes de 2011, Gaga cantou uma versão energética de "Yoü and I" no Le Grand Journal em um palco em frente ao Mar Mediterrâneo.[173] A 15 de Maio, a cantora realizou um concerto no segmento Big Weekend da BBC Radio 1, em Carlisle, Cumbria, no qual além dos três primeiros singles de Born This Way, cantou também "Bad Romance", "Alejandro", "Poker Face", "Telephone", "Just Dance", "Speechless" e "Orange Colored Sky".[174] Dez dias depois, a intérprete, acompanhada por Clemons, apresentou a versão final de "The Edge of Glory" na gala final do American Idol.[175] A 27 de Maio, apareceu no Good Morning America como parte da Série de Concertos de Verão no Central Park. O concerto iniciou com uma apresentação de "Bad Romance" e todas as músicas de Born This Way foram executadas.[176]

Gaga a interpretar "The Edge of Glory" na cerimónia dos prémios de vídeo do MuchMusic, 2011.

A 9 de Junho, ela se apresentou na gala final do Germany's Next Top Model em Colónia, Alemanha, na qual[177] cantou pedaços de "Scheiße", sentou-se ao piano para tocar "Born This Way" e caminhou ao longo da passarela enquanto cantava "The Edge of Glory".[178] Gaga interpretou "Judas" como uma mistura com "The Edge of Glory" no The X Factor em Paris no dia 14 seguinte.[179][180] Poucos dias depois, Gaga viajou para Roma para realizar um concerto no Europride.[181] Vestindo um top preto lustroso com uma saia xadrez desenhada por Gianni Versace, apresentou várias canções do álbum, denunciou discriminação contra a comunidade LGBT e expressou o descontentamento em relação a países como a Rússia e a Polónia por suas atitudes em relação à homossexualidade.[181] Ainda na Europa, "Judas", "Hair", "The Edge of Glory" e "Born This Way" foram mais tarde interpretadas no Paul O'Grady Live em Londres.[182] Gaga fez uma aparição na cerimónia dos prémios de vídeo do MuchMusic, onde abriu a apresentação com "The Edge of Glory" terminou com "Born This Way".[183] Enquanto em digressão no Japão, uma versão acústica de "Born This Way" foi apresentada junto com "The Edge of Glory" na cerimónia dos prémios Video Music Aid Japan da MTV.[184] No programa francês Taratata, Gaga fez uma apresentação de "Hair" que foi mais tarde publicada no seu canal do YouTube.[185][186] Durante suas actuações promocionais das canções de Born This Way em Taiwan, a artista também cantou "Hair" e tocou piano.[187] Depois de ser entrevistada no The Howard Stern Show, Gaga cantou "The Edge of Glory" para fechar o programa a 18 de Julho.[188] Alguns dias mais tarde, "Yoü and I" foi interpretada no Jimmy Kimmel Live! e no The View.[189][190]

Em Fevereiro de 2017, Gaga interpretou "Born This Way" no concerto da cerimónia do evento desportivo Super Bowl, decorrido em Houston, Texas.[191]

Alinhamento de faixas[editar | editar código-fonte]

Versão padrão[192]
N.º TítuloCompositor(es)Produtor(es) Duração
1. "Marry the Night"  Stefani Germanotta · Fernando GaribayLady Gaga · F. Garibay 4:24
2. "Born This Way"  S. Germanotta · Jeppe LaursenLady Gaga · J. Laursen · F. Garibay · DJ White Shadow 4:20
3. "Government Hooker"  S. Germanotta · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · DJ White Shadow · F. Garibay* · DJ Snake* 4:14
4. "Judas"  S. Germanotta · Nadir KhayatLady Gaga · RedOne 4:10
5. "Americano"  S. Germanotta · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · F. Garibay · DJ White Shadow 4:06
6. "Hair"  S. Germanotta · N. KhayatLady Gaga · RedOne 5:08
7. "Scheiße"  S. Germanotta · N. KhayatLady Gaga · RedOne 3:45
8. "Bloody Mary"  S. Germanotta · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · DJ White Shadow · F. Garibay* · Clinton Sparks* 4:04
9. "Bad Kids"  S. Germanotta · J. Laursen · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · J. Laursen · F. Garibay · DJ Shite Shadow 3:50
10. "Highway Unicorn (Road to Love)"  S. Germanotta · N. Khayat · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · RedOne · F. Garibay · DJ White Shadow 4:15
11. "Heavy Metal Lover"  S. Germanotta · F. GaribayLady Gaga · F. Garibay 4:12
12. "Electric Chapel"  S. Germanotta · P. BlairLady Gaga · DJ White Shadow 4:12
13. "Yoü and I"  S. GermanottaLady Gaga · Mutt Lange 5:07
14. "The Edge of Glory"  S. Germanotta · F. Garibay · P. BlairLady Gaga · F. Garibay 5:20
Duração total:
61:12
  • Versão especial

* indica um co-produtor
** indica um remisturador

Desempenho nas tabelas musicais[editar | editar código-fonte]

Born This Way tornou-se um enorme sucesso em todo o mundo, vendendo, até ao fim de 2011, mais de 5 773 100 cópias, além de ter se tornado também num êxito em mais de trinta países, e ter se posicionado entre as cinco melhores posições em quarenta e dois.[197] Na sua primeira semana de lançamento, vendeu 2 024 500 cópias no mundo e 507 100 na sua segunda semana, tendo sido o disco mais vendido das semanas de 23 de Maio a 12 de Junho de 2011.[198]

Trajecto de Born This Way nos Estados Unidos ao longo das suas primeiras 43 semanas na Billboard 200.

Nos EUA, as estimativas de vendas para a sua semana de estreia eram de 450 a 750 mil unidades físicas e digitais.[199] Contudo, o álbum foi além das expectativas, estreando no número um da Billboard 200 com vendas aproximadas de 288 mil cópias no primeiro dia e 1 milhão e 108 mil cópias até ao fim da semana, tornando-se no primeiro de Gaga a atingir o número um naquele país, na venda mais alta para uma semana de estreia desde The Massacre de 50 Cent (1 milhão e 141 mil), no décimo sétimo álbum a vender mais de um milhão de cópias em uma semana e no oitavo a vender mais de um milhão de cópias na sua primeira semana de comercialização.[200]. Gaga é a quinta mulher a vender um milhão de cópias em uma semana, após Whitney Houston, Britney Spears,[201] Norah Jones,[202] e Taylor Swift.[203] O Amazon.com vendeu 440 mil cópias nos primeiros dois dias de lançamento a um preço de USD 0,99 (uma perda de mais de três mil dólares),[204] algo que contribuiu para as suas 662 mil vendas digitais, a maior da história da Nielsen SoundScan até aquele momento.[205] As vendas digitais ajudaram em 60% do total da primeira semana de vendas de Born This Way.[206] Antes de estrear na Billboard 200, Born This Way estreou nas dez melhores posições da Dance/Electronic Albums.[207] Na semana seguinte, saltou para a primeira posição, removendo The Fame do topo.[208] Embora tenha vendido apenas 174 mil exemplares, uma baixa de 84,28% em vendas, o álbum manteve-se no número um da Billboard 200 na sua segunda semana.[209][210] Digitalmente, teve uma baixa ainda maior de 94%, vendendo 38 mil exemplares.[211] Na sua terceira semana foram vendidas 100 mil unidades, uma baixa de 42% nas vendas, sendo mandado ao número dois por 21 (2011) de Adele.[212] Na semana seguinte vendeu 68 mil exemplares, caindo para o número quatro.[213] Até Julho de 2011, Born This Way já havia vendido 1 milhão e 540 mil unidades nos EUA.[214] Em Março de 2014, foi reportado que 2 milhões e 400 exemplares do disco já haviam sido comercializadas em território norte-americano.[215] Na semana que terminou a 25 de Fevereiro de 2017, Born This Way fez uma ré-entrada no número 25 da Billboard 200 após Gaga ter se apresentado no evento Super Bowl dias antes, registando um acumulado de 17 mil unidades comercializadas.[191]

"Sinto-me muito honrada por ter o maior volume de vendas durante a primeira semana em 2011 no Reino Unido. Escrevi o meu primeiro single em Manchester, porque ele foi inspirado pela confiança e pela coragem dos meus fãs. Para o Reino Unido, obrigado por acreditar em mim."

— O comentário de Gaga após vender 215 mil cópias no Reino Unido.[216]

Na Europa, Born This Way estreou na primeira posição na Irlanda e na Suécia,[217][218] e no número dois na Finlândia.[219] De acordo com a Universal Music, Born This Way vendeu mais de trinta mil cópias nos seus primeiros dois dias de lançamento na Rússia.[220] Na França, estreou no número um na tabela musical de álbuns, com mais de 55 050 cópias vendidas, das quais 48 251 foram físicas e 6 808 foram digitais.[221] Estas vendas digitais conseguiram bater o melhor recorde de vendas em uma semana desde The Resistance dos Muse, que vendera 6 mil cópias digitais em 2009.[221] No Reino Unido, o disco estreou na primeira posição depois de atingir 215 639 cópias vendidas, o que fez dele o álbum mais vendido na sua primeira semana de comercialização do ano.[216] Naquela semana, a obra vendeu mais do que o total combinado do resto dos álbuns entre as dez melhores colocações e marcou a melhor primeira semana da Itália por qualquer álbum de uma artista a solo feminina norte-americana desde Confessions on a Dance Floor de Madonna, que vendera 217 610 unidades.[216][222] Na sua segunda semana no Reino Unido, o álbum continuou no número um,[223] caindo para o terceiro lugar na semana seguinte, no qual permaneceu por duas semanas consecutivas.[224] No entanto, de acordo com a edição de 2 de Julho de 2011, que é equivalente à sua quinta semana na lista dos álbuns lançados pela The Official Charts Company (OCC), Born This Way subiu de volta ao número um com mais de 47 183 cópias vendidas, removendo Progress dos Take That. Em Setembro de 2014, foi reportado que 986 847 unidades do disco já haviam sido comercializadas em território britânico.[225]

Na sua primeira semana de comercialiação no Japão, 184 mil unidades de Born This Way foram vendidas, garantindo ao álbum uma estreia no primeiro posto da na Oricon. Após alcançar a marca dos 500 mil exemplares, recebendo o certificado de platinapor duas vezes pela Recording Industry Association of Japan (RIAJ).[226][227] Ao estrear no primeiro lugar das tabelas de álbuns, o álbum tornou-se no segundo consecutivo da cantora a alcançar o primeiro posto em ambas Austrália e Nova Zelândia, após The Fame Monster. Devido ao seu sucesso, rapidamente recebeu o certificado de disco de platina nos dois países.[228][229]

Troy Carter, gerente de Gaga, revelou a 20 de Setembro de 2011 que as vendas mundiais do disco superavam a marca dos 8 milhões de cópias,[230] uma figura que tem sido amplamente relatada na média, mesmo não tendo uma confirmação.[231] Outras fontes alegaram que as vendas provavelmente encontravam-se na região dos 5,4 e os 5,7 milhões de cópias,[232][233] com embarques de cerca de 8 milhões de unidades.[234] Isto conduziu Melinda Newman, do HitFix, a sugerir que o álbum era "uma bomba rapidamente afundando".[235] No relatório anual "Recording Industry in Numbers" de 2012 da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o selo da cantora recusou-se a fornecer o número de vendas do álbum.[236] Born This Way foi o segundo álbum mais vendido do mundo em 2011, perdendo apenas para 21.[233] Com 2 milhões e 101 mil unidades, foi o terceiro mais vendido nos Estados Unidos, perdendo para os 2 milhões e 452 mil de Christmas de Michael Bublé, e para os 5 milhões e 824 mil de 21.[237]

Posições[editar | editar código-fonte]

Vendas e certificações[editar | editar código-fonte]

Créditos[editar | editar código-fonte]

Todo o processo de elaboração do álbum atribuem os seguintes créditos pessoais:[310][311]

Notas de rodapé

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