Brasil Paralelo

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Brasil Paralelo
LHT HIGGS Produções Audiovisuais LTDA[1]
Proprietário(s) Lucas Ferrugem, Henrique Viana, Filipe Valerim
Requer pagamento? Parcialmente
Gênero Documentários, ciberativismo
País de origem Brasil
Idioma(s) Português
Lançamento 2016 (5 anos)
Endereço eletrônico brasilparalelo.com.br
Estado atual Ativo

A LHT HIGGS Produções Audiovisuais LTDA, mais conhecida por seu nome fantasia Brasil Paralelo, é uma empresa brasileira fundada em 2016, em Porto Alegre, que produz documentários de caráter jornalístico e historiográfico sobre política, história e atualidades.[2][3] Os vídeos são publicados no YouTube e são exibidos desde 9 de dezembro de 2019 na TV Escola, canal de televisão estatal vinculado ao Ministério da Educação[4][5] e, desde 6 de abril de 2021, na plataforma Panflix do grupo Jovem Pan.[6]

Surgiu no contexto da onda conservadora no Brasil na década de 2010.[7] A produtora se coloca como uma "conexão com uma realidade paralela"[8] e se propõe a produzir conteúdo dissonante das perspectivas de mundo mainstream entre intelectuais e jornalistas brasileiros,[7][8] as quais considera dominadas pela esquerda.[9][10][11][12] Suas produções apresentam conteúdos que defendem valores da direita política e do cristianismo.[13][14][12][15][4][16][9][17]

A empresa tem sido definida como próxima ao governo Bolsonaro[17][18] e suas produções têm sido apontadas como alinhadas às ideias de personalidades da extrema direita brasileira como Olavo de Carvalho,[16][19] Jair Bolsonaro[20][21] e Ernesto Araújo[22] e têm sido criticadas por distorcer a história do Brasil e de Portugal.[13][14][12][15][4][16][9][17] A exibição na TV Escola foi repudiada pela regional São Paulo da Associação Nacional de História, que classificou o material como "propaganda ideológica de um grupo extremista", contendo "versões mentirosas e negacionistas da história".[23] A produtora afirma que seus conteúdos são despidos de qualquer ideologia política e rechaça as críticas de acadêmicos e jornalistas e as contidas no verbete sobre a empresa na Wikipédia.[8]

Em abril de 2021, o canal do YouTube listava 421 vídeos, contava 1,71 milhão de inscritos e mais de 100 milhões de visualizações.[24] Segundo levantamento da agência Aos Fatos, a Brasil Paralelo também é o segundo maior canal bolsonarista no Telegram, com 80 mil inscritos, perdendo apenas para o perfil de Allan dos Santos, do Terça Livre.[25]

Histórico

O logotipo da empresa se assemelha à imagem de um disco de acreção de um buraco negro

A LHT HIGGS Produções Audiovisuais LTDA[1] foi fundada em Porto Alegre em 2016 por Lucas Ferrugem, Henrique Viana e Felipe Valerim,[9] ex-alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing[12] em meio à ascensão da onda conservadora no Brasil.[7] Felipe Valerim, afirmou que a empresa surgiu por meio de "um grupo de jovens empreendedores, hoje sócios do projeto, que entendiam que o país estava passando por um momento novo. Diante do cenário político de 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff, um despertar de consciência política ganhava cada vez mais força a partir do sentimento de revolta da maioria da população".[26]

Antes de decidir o nome fantasia, a equipe havia decidido pelos nomes Brado, palavra encontrada no Hino Nacional Brasileiro, e Paralelo 15, o paralelo que passa sobre Brasília. O nome Brasil Paralelo foi inspirado no filme Interstellar (2014), apreciado pelos sócios. Segundo eles, o "nome é uma referência a uma forma de agir, totalmente independente do Estado. Afinal, duas retas paralelas nunca se encontram." O logotipo da empresa, um buraco negro, remete à ideia "de conexão com uma realidade paralela",[8] uma vez que a empresa se propõe a produzir conteúdo dissonante das perspectivas de mundo mainstream entre intelectuais e jornalistas brasileiros,[7][8] as quais considera dominadas pela esquerda.[9][10][11][12] O logotipo também foi inspirado no filme:[8]

Nesse filme, o protagonista precisa salvar a humanidade do apocalipse terrestre, entrando em um buraco de minhoca no espaço e encontrando um planeta habitável em um universo paralelo. O logotipo da empresa tem o formato de um buraco negro precisamente para dar a ideia de que a marca é a conexão com uma realidade paralela. Nesse caso, paralela ao que as pessoas estavam acostumadas a ver na mídia convencional.
— Redação da Brasil Paralelo, 15 de fevereiro de 2021.[8]

A Brasil Paralelo afirma que a produção é feita de forma independente, apartidária, isenta e com base em um grande acervo informativo analisado por especialistas. Segundo a empresa, todos os recursos provêm da venda de assinaturas, que permitem acesso a conteúdo adicional.[8]

A interpretação dos sócios-fundadores é rígida no fato de que a cultura brasileira decaiu por causa da interdependência com o Estado. Isto é exatamente o que limita a liberdade dos meios de comunicação.
Desde o primeiro momento, mesmo contraindo empréstimos com bancos privados, os sócios decidiram não ser partidários, não fazer campanha política, não se beneficiar de editais, leis de incentivo ou qualquer fonte de dinheiro público.
Eles já previam que estas relações com o Estado diminuiriam a credibilidade da empresa.
— Redação da Brasil Paralelo, 15 de fevereiro de 2021.[8]

No entanto, informações divergentes foram publicadas pelo jornal Le Monde Diplomatique Brasil, que argumenta que desde sua origem a produtora esteve ligada a uma série de privilégios na cobertura de personalidades políticas pouco acessíveis a pessoas comuns, além de se beneficiar da facilitação em captar recursos da Agência Nacional de Cinema (Ancine) para a produção de um documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro.[27]

Um olhar mais de perto mostra que as coisas não são bem assim. Em 2016, ano de seu lançamento, o site da produtora anuncia a venda de 68 palestras por R$ 360 à vista ou 12x de R$ 36,14. Dentre os luminares da República que deveriam fazer o público literalmente pagar para ver estavam o então ministro da Educação Mendonça Filho, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o clã Bolsonaro, além, claro, de Olavo de Carvalho. Deixando de lado juízo de valores sobre o gosto peculiar da audiência, há de se reconhecer a capacidade de alcançar figuras importantes, como deputados, senadores e três ministros – personalidades pouco acessíveis a pessoas comuns [...] Para fins de comparação, o documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro produzido por Josias Teófilo (que colaborou com a Brasil Paralelo) foi autorizado pela Ancine a captar R$ 530 mil da iniciativa privada. Se os valores forem minimamente parecidos, alguém achou a galinha dos ovos de ouro.
— Diego Martins Dória Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil, 18 de maio de 2020[28]

Em nota publicada em 15 de fevereiro de 2021 criticando o verbete na Wikipédia em português sobre a empresa, a Brasil Paralelo explica:[8]

Por exemplo, é dito [na Wikipédia] que a empresa teve um edital do governo aprovado em 530 mil reais para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. A fonte é o jornal Le Monde Diplomatique Brasil. Entretanto, embora a fonte tenha sido utilizada para confirmar que a Brasil Paralelo recebeu dinheiro público, o fato não está comprovado.

No próprio Le Monde, pode-se encontrar a informação de que Josias Teófilo, de outra empresa, é o responsável pelo dinheiro e pelo filme, e não a Brasil Paralelo.

A própria fonte utilizada para confirmar a acusação, na verdade, desmente o que foi dito. A fonte é a própria prova de que a alegação é uma mentira.
— Redação da Brasil Paralelo, 15 de fevereiro de 2021.[8]

Em fevereiro de 2017, para o sexto episódio da série de filmes documentários, a empresa colheu 88 depoimentos com formadores de opinião da direita para lançarem um filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, como contraponto à versão homônima produzida com apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), focado na narrativa de que o impeachment teria sido um golpe de Estado. O título do episódio sexto foi Impeachment - Do apogeu à queda, cujo lançamento oficial ocorreu em 21 de março de 2017 em São Paulo e Porto Alegre.[29] Na capital paulista, a estreia se deu no Cinemark Metrô Santa Cruz e após a exibição do filme, houve um debate ao vivo com Henrique Viana, Ícaro de Carvalho, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, Hélio Beltrão e Joice Hasselmann. Na capital gaúcha, a estreia ocorreu no Cinemark Barra Shopping Sul e, após a exibição, houve debate com Lucas Ferrugem, Felipe Moura Brasil, Guilherme Macalossi e Diego Casagrande. Esses foram os primeiros eventos presenciais da Brasil Paralelo.[12][não consta na fonte citada] No dia seguinte foi realizado o seminário "O que esperar de 2017", na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com a presença do jornalista e arquiteto Percival Puggina, do diplomata Paulo Roberto de Almeida e do deputado Marcel van Hattem, no qual foram debatidos as atividades da Brasil Paralelo.[30]

Em abril de 2017, a empresa participou da 30.ª edição do Fórum da Liberdade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e a edição aconteceu no Centro de Eventos da PUC/RS com palestras de João Doria Jr., Pedro Malan, Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé, dentre outros. Nesse evento, os representantes da Brasil Paralelo expuseram, no salão Unconference, o trabalho da entidade na produção de conteúdo e como alternativa de mídia independente.[14]

No início de 2017, a produtora contava com mais de cinco mil assinantes. Em apenas seis meses de existência, a empresa faturou mais de 1,5 milhão de reais, conforme noticiado no jornal O Estado de S. Paulo, dado que foi contestado por seus fundadores.[31][16] A empresa declara que seu faturamento tem origem na venda de cursos e conteúdos exclusivos a assinantes e na monetização dos vídeos enviados ao YouTube, ao mesmo tempo afirmou que seus documentários são gratuitos.[2] Em setembro de 2020, informou que essa última fonte de renda não estava mais em funcionamento, tendo todo seu faturamento na venda de cursos e conteúdos a assinantes.[2]

Em 28 de setembro de 2019, a empresa assinou contrato com a TV Escola, canal de televisão estatal vinculado ao Ministério da Educação.[5] Com validade de três anos, o contrato autorizou a cessão gratuita e não exclusiva pela empresa dos direitos de exibição de uma de suas séries para o canal.[5] Assim, em 9 de dezembro de 2019, a série Brasil, a Última Cruzada começou a ser exibida na TV Escola.[4]A exibição foi criticada em nota de repúdio emitida pela regional São Paulo da Associação Nacional de História (ANPUH-SP) que classificou o material como "uma peça de propaganda ideológica de um grupo extremista", contendo "versões mentirosas e negacionistas da história", sem amparo na historiografia nacional e internacional.[23]

Segundo levantamento da agência Aos Fatos publicado 4 de fevereiro de 2021, a Brasil Paralelo é o segundo maior canal bolsonarista no Telegram, com 80 mil inscritos, perdendo apenas para o perfil de Allan dos Santos, do Terça Livre. O canal, no entanto, foi o único dos 20 estudados que apresentou no mês de janeiro daquele ano redução no número de visualizações e de mensagens publicadas.[25]

Crítica especializada

Historiadores criticaram a empresa pelo conteúdo negacionista e anti-intelectualista[32] de seus vídeos, por distorcerem fatos históricos como a ditadura militar, a escravidão e a colonização do Brasil e disseminarem teorias conspiratórias e negacionistas[33][34][35][36] promovidas por Olavo de Carvalho,[16][19] Jair Bolsonaro.[20][21] e Ernesto Araújo.[22] Especialistas apontaram também que o conteúdo dos vídeos tem cariz ciberativista[37][38][39][40] e distorce o passado[41][42] com o viés da direita política, especificamente da nova direita e do cristianismo[14][12][15][4][16][9][38] e classificaram o discurso de alguns documentários como milenarista e conspiracionista.[43][22][16][9]

Paulo Pachá, professor de história medieval da Universidade Federal Fluminense, apontou que o documentário Brasil: A Última Cruzada tem ideologias da extrema direita em publicação na Pacific Standard:

Brazil: The Last Crusade foi produzido e lançado no YouTube pela organização de extrema direita Brasil Paralelo ("Parallel Brazil"), um canal com mais de 700 mil assinantes; o documentário agora tem mais de 1,5 milhão de visualizações. O primeiro episódio, "A Cruz e a Espada", apresenta uma breve história da civilização ocidental na Idade Média. Repleto de islamofobia, o episódio centra-se na conquista árabe da Península Ibérica e nas Cruzadas, destacando o papel dos Cavaleiros Templários na história europeia e portuguesa, incluindo a chamada Reconquistae a expansão para o exterior. Os cineastas enfatizam como a conquista portuguesa e o domínio colonial estabeleceram o patrimônio europeu como a essência mais profunda do Brasil, ligando a futura nação ao legado da Idade Média européia.

Na verdade, a ideia de civilização ocidental é uma construção política recente destinada a legitimar processos políticos e históricos específicos, entre eles o imperialismo e o colonialismo. Ao retratar a Idade Média européia como o verdadeiro passado da nação, a extrema direita brasileira branqueia tanto sua própria história verdadeira quanto a crueldade de sua prática política contínua, especialmente (mas não apenas) a persistência de racismo ativo, misoginia, homofobia e intolerância religiosa .

O racismo é um elemento estrutural da sociedade brasileira. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. [...] o Brasil oferece um terreno fértil para uma versão imaginária da Idade Média européia que a extrema direita apresenta como branca, patriarcal e cristã . Ao enfatizar a relação entre Brasil e Portugal, a extrema direita apaga a importância dos povos indígenas e africanos na história do Brasil e ignora suas contribuições sociais, culturais e econômicas. Neste passado imaginário, Portugal não é enquadrado como uma potência colonial distante, mas como a "pátria" que deu aos brasileiros uma língua e cultura europeias.
— Paulo Pachá, Pacific Standard, 12 de março de 2019.[44]

E depois em texto na Agência Pública:

A primeira coisa é entender qual é o papel da Cruzada ou dessa nova Cruzada no pensamento da extrema direita, que é semelhante no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia. Isso vem aparecendo de maneira congruente, o que é um pouco assustador.

Essas ideias de Cruzada e de Idade Média têm a ver com uma visão bastante idealizada e bastante parcial do que foi o período. O que atrai esses grupos é pensar que foi um tempo patriarcal, branco e cristão. Essa Idade Média nunca existiu, mas tem esse papel no pensamento desses grupos.

As Cruzadas são especialmente exaltadas porque são um momento no qual esses três elementos [patriarcal, cristã e branca] estão muito bem representados. Nessa visão das Cruzadas, você teria um movimento bélico liderado por um grupo visto como majoritariamente masculino; um elemento que envolve a questão religiosa – as Cruzadas como primordialmente um conflito religioso entre cristianismo e islamismo – e, além disso, a ideia de uma disputa plurissecular entre Ocidente e Oriente.

Recuperar as Cruzadas é desenvolver [uma narrativa sobre] como esses três elementos desempenharam papel fundamental durante a Idade Média. Você teria uma defesa da religião cristã contra o islamismo, um movimento militar – e, aí, todas as características de masculinidade, de virilidade, de força – e essa questão Oriente versus Ocidente, que leva à construção de uma ideia de civilização ocidental.
— Paulo Pachá, Agência Pública, 10 de agosto de 2019.[45][a]

Em dezembro de 2019, o filósofo Paulo Ghiraldelli definiu a Brasil Paralelo como "a produtora de Olavo [de Carvalho]", ideólogo da nova direita brasileira, e disse que se tratava de aparelhamento ideológico. Também criticou a qualidade do conteúdo:

A produtora do Olavo, Brasil Paralelo, está fazendo a programação. Olavo começou a aparelhar ideologicamente os professores. O nível é de terraplanismo para além, com direito a campanhas de antivacinação e a conversão da História do Brasil em disciplina sem pé nem cabeça. Daqui a pouco veremos pré-vestibulandos jurando que a lei da gravidade nunca existiu e Zumbi dos Palmares chicoteava escravos.
— Paulo Ghiraldelli Júnior, revista IstoÉ, 13 de dezembro de 2019. [46]

Sobre a exibição na TV Escola da série Brasil: a última cruzada, a regional São Paulo da Associação Nacional de História (ANPUH-SP) emitiu nota conjunta com docentes e estudantes da Universidade de São Paulo, no qual classificou o material como "uma peça de propaganda ideológica de um grupo extremista", contendo "versões mentirosas e negacionistas da história", sem amparo na historiografia nacional e internacional:[23]

A série é, de fato, uma peça de propaganda ideológica de um grupo extremista.

Profissionais sem trabalhos de pesquisa e sem formação específica em História dedicam-se a construir uma narrativa fantasiosa, equivocada e preconceituosa do processo de colonização do Brasil. É uma produção alheia aos métodos avalizados pelas instituições e profissionais que têm trabalhado com afinco durante muitos anos.

O objetivo da série é defender uma posição política de extrema direita, alinhada com o pensamento do atual grupo que exerce a Presidência da República e sua guerra particular contra a cultura e o conhecimento científico.
— Regional São Paulo da Associação Nacional de História (ANPUH-SP)[23]

Em maio de 2020, o Le Monde Diplomatique Brasil também classificou o material produzido como extrema-direita:

A reflexão sobre a irracionalidade como motor da ação política – que encontra no mito uma de suas expressões consagradas – ganha especial relevância com o surgimento da produtora de extrema-direita Brasil Paralelo. A empresa do olavismo cultural falsifica o debate acadêmico e apela aos instintos mais primitivos do público que tenta alcançar. Nesta quarentena, um turbilhão de mensagens publicitárias convocava os "patriotas" a apoiarem a iniciativa em sua cruzada contra a educação brasileira. Considerá-la como produtora de mitos evidencia não apenas os mecanismos de sua atuação, mas também a função que ela cumpre no arco maior de forças que são coligidas no pacto bolsonarista-olavista, do qual faz parte.
— Diego Martins Dória Paulo, Le Monde Diplomatique Brasil, 18 de maio de 2020.[47]

O historiador Ítalo Nelli Borges apontou propaganda política no conteúdo da empresa:

Ao atuar fora dos ambientes educacionais institucionalizados, o Brasil Paralelo leva isto à risca com muita habilidade propagandística para o seu público alvo

[...]

As redes socais, em linhas gerais, tornaram-se plataforma onde se concentra a maior e mais diversa plateia disposta a consumir conteúdos históricos, e neste sentido, com o desenho atual de nossa conjuntura sociopolítica, a extrema-direita tem se adaptado melhor a essa forma de comunicação. O Brasil Paralelo e o sucesso de público de seu filme é exemplo inegável
— Ítalo Nelli Borges, Revista Expedições, 2019[13]

A produtora nega apresentar qualquer ideologia política e afirma já ter criticado "absolutamente todos os grupos políticos da história do Brasil".[8] Também explica que entrevista personalidades de esquerda:

Até mesmo o Gilmar Mendes foi entrevistado quando era presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Ministro do STF. Outros entrevistados foram: Mariana Carvalho, liderança do PSDB; Simon Schwartzman, presidente do IBGE; e Paulo Rezzutti, escritor.

Vários foram entrevistados e muitos outros foram convidados e não aceitaram.

O próprio Haddad foi convidado, afinal era Ministro da Educação e sua versão dos fatos foi solicitada. Mário Sérgio Cortella foi convidado para falar sobre sua visão de Paulo Freire e também recusou.

As entrevistas são escassas, mas o que muitos podem não saber é que os autores considerados "de esquerda" são lidos.
— Redação da Brasil Paralelo, 15 de fevereiro de 2021.[8]

Produção

A Brasil Paralelo produziu diversas séries de documentários, entre elas estão:[48]

  • Congresso Brasil Paralelo (2016)[49]
  • Brasil: A Última Cruzada (2017)
  • O Dia Depois da Eleição (2018)
  • O Teatro das Tesouras (2018)
  • Era Vargas: o crepúsculo de um ídolo (2018)
  • Pátria Educadora: A Trilogia (2020)
  • 1964: O Brasil entre Armas e Livros (2019)[2]
  • 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 (2020)[2]
  • Os Donos da Verdade (2020)[2]
  • O Fim das Nações (2020)
  • Os 11 Supremos (2020)
  • As Grandes Minorias (2020)
  • Especial de Natal 2020 (2020)
  • A Queda Argentina (2021)

A série Congresso Brasil Paralelo foi a primeira da empresa e foi feita a partir de depoimentos em vídeo de personalidades do conservadorismo brasileiros, como Hélio Beltrão, Olavo de Carvalho, Janaina Paschoal, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, Luiz Felipe Pondé, Lobão, Rodrigo Constantino, Joice Hasselmann e Jair Bolsonaro.[50] Sucedendo Congresso Brasil Paralelo, foram lançados os episódios de Brasil: A Última Cruzada entre 18 de setembro de 2017 e 9 de abril de 2018.[carece de fontes?] Uma análise do discurso do conteúdo apresentado no segundo capítulo da série constatou a divulgação de ideias milenaristas e teorias da conspiração, apresentando um conteúdo político-ideológico e revisionista disfarçado de histórico. A análise foi feita em junho de 2018 pelo professor de história Roldão Carvalho Pires e comunicadora social Mara Rovida, da Universidade de Sorocaba.[43] Em 9 de dezembro de 2019, a série passou a ser exibida no canal de televisão estatal TV Escola.[4]

Com estreia em 21 de agosto de 2018, O Teatro das Tesouras abordou bastidores de sete eleições presidenciais do Brasil após o fim da Ditadura Militar instaurada pelo golpe civil-militar de 1964. E, intitulada em alusão ao lema do segundo governo de Dilma Rousseff ("Brasil: Pátria Educadora"), Pátria Educadora: A Trilogia fez críticas à educação no Brasil e a Paulo Freire em três episódios.[51][52]

De 2019, o lançamento do documentário 1964: O Brasil entre Armas e Livros na rede de salas de cinema Cinemark foi cancelado em função de protestos contra a relativização da repressão e tortura do Estado durante a ditadura militar brasileira.[2] O historiador e professor de literatura comparada, João Cezar de Castro Rocha, no entanto, afirma, em sua coluna na revista Veja, que "o documentário não apoia a ditadura e condena explicitamente a tortura", embora também afirme que a premissa do filme "favorece a explicação de processos complexos por meio de teorias conspiratórias" e dá "amparo à política beligerante de Jair Bolsonaro".[53] Rocha também comparou o papel da produtora na ascensão do Bolsonarismo à participação do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais no preparo do Golpe de Estado no Brasil em 1964.[40]

No segundo semestre de 2020, lançou dois documentários.[2] Os Donos da Verdade buscou defender falas de Abraham Weintraub por meio do argumento da liberdade de expressão, enquanto que 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 direcionou críticas à medida do distanciamento físico no combata à pandemia de COVID-19 e seus formuladores e disseminadores.[2] As duas produções motivaram a observação de adesão pela Brasil Paralelo à "tropa de choque digital do presidente" Jair Bolsonaro, expressa pelo jornalista Fábio Zanini.[2][54]

Notícias falsas e acusação de fraude nas urnas

As agências de checagem de fatos do Estadão e do O Globo identificaram a transmissão de notícias falsas em dois vídeos lançados próximos às eleições presidenciais de 2018 sobre as urnas eletrônicas brasileiras.[55][56]

Em outubro de 2018, durante as campanhas das eleições gerais, o grupo publicou um vídeo no YouTube. Um homem identificado como Hugo Cesar Hoeschl afirmou que "estudos internacionais indicam que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial foi de 73,14%". Essa informação foi considerada falsa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu uma nota desmentido o que foi informado no vídeo, onde afirmou que "não há registro [...] de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".[55][56]

Ainda quando das campanhas de 2018, especialistas desmentiram a acusação da Brasil Paralelo de que houve fraude nas urnas das eleições de 2014 no Brasil. A acusação teve como base a Lei de Benford, porém, o Projeto Comprova checou a acusação e a desmentiu concluindo que a Lei de Benford por si só não é suficiente para provar irregularidades. Não obstante, o vídeo da Brasil Paralelo já contava aproximadamente dois milhões de visualizações na época em que a checagem foi publicada.[57]

Proximidade à mídia pró-governo Bolsonaro

Apesar de autodenominar-se mídia independente e desvinculada de partidos políticos,[58][16] a Brasil Paralelo obteve acesso privilegiado na posse presidencial de Jair Bolsonaro[59] e também à veiculação de uma de suas séries pelo canal estatal TV Escola durante o governo desse presidente,[21][5][60][61] além de receber amplo apoio de Eduardo Bolsonaro através de sua conta no Facebook divulgando vídeos e planos de assinatura.[17]

Em janeiro de 2019, as condições de trânsito livre na posse do presidente Jair Bolsonaro foram concedidas à Brasil Paralelo, Terça Livre TV, Conexão Política, enquanto jornalistas de vários veículos relataram limitações ao trabalho de cobertura jornalística da posse, inclusive quanto à alimentação, banheiro e acesso a autoridades e fontes.[59]

Em março de 2019, após ouvir especialistas, a Deutsche Welle noticiou o Brasil Paralelo ao lado de outros revisionistas históricos no artigo "O negacionismo histórico como arma política":

Está em curso no Brasil um revisionismo histórico com base na negação e na manipulação de fatos. Ele é promovido por seguidores da "nova direita" e pelo próprio governo Bolsonaro. E vai além do "nazismo de esquerda."[...] Há um revisionismo histórico, com fins políticos, em curso no Brasil. Ele é baseado na negação e manipulação de fatos e é promovido por integrantes do governo Jair Bolsonaro e seguidores da "nova direita". Dizer que não houve golpe em 1964 e que o nazismo foi um movimento de esquerda, como afirmou o próprio presidente, são apenas alguns exemplos. Esses exemplos, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, fazem parte de uma estratégia maior, de um movimento que busca legitimar os seus projetos políticos a partir de uma visão distorcida da historiografia acadêmica praticada por historiadores no Brasil e no mundo com base em métodos científicos. Promovido pelo ideólogo Olavo de Carvalho e seus seguidores, entre eles o chanceler Ernesto Araújo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, esse negacionismo histórico é carregado de teorias de conspiração, imprecisões e omissões.
[...]
Teses deste revisionismo foram condensadas numa série de documentários produzidos por um canal simpático à extrema direita e à linha de pensamento de Olavo de Carvalho no Youtube. Em seus vídeos, o grupo Brasil Paralelo alega querer apresentar uma História "livre de narrativas ideológicas", porém, segundo historiadores ouvidos pela DW Brasil, faz justamente o contrário ao não mencionar as fontes de onde vieram as informações citadas pelo narrador.
— Clarissa Neher, Deutsche Welle Brasil, 3 de abril de 2019.[62]

Em abril de 2019, a rede de cinema Cinemark retirou de cartaz 1964: O Brasil entre Armas e Livros dizendo que não se envolve com "questões político-partidárias [...] não autorizamos em nossos complexos divulgação de mídia partidária tampouco eventos de cunho político [...] não apoiamos organizações políticas ou partidos." Após isso, defensores da ditadura se manifestaram em rede social pedindo boicote a Cinemark.[63] Escrevendo para a revista Piauí, Eduardo Escorel disse que uma das produções da Brasil Paralelo é propaganda política didática:[64]

1964: O Brasil entre Armas e Livros não é propriamente um filme; parece mais uma versão atualizada das conferências feitas na época do cinema silencioso para financiar as incursões de exploradores e viajantes por terras distantes e exóticas. Nessas ocasiões, as palavras do palestrante eram ilustradas pelas imagens captadas em suas viagens. O panfleto de Valerim e Ferrugem, conduzido por um narrador, com imagens de arquivo meramente ilustrativas, além de depoimentos, regride dessa maneira um século em termos de linguagem, situando-se fora do campo do documentário, na acepção contemporânea do termo. Trata-se, na verdade, de uma peça de propaganda política com pretensões didáticas.
— Eduardo Scorel, revista Piauí, 30 de abril de 2019.[64]

Em maio de 2019, um monitoramento de perfis das redes sociais feito pela Agência Pública listou a Brasil Paralelo como "parte de sites alternativos de apoio ao governo Bolsonaro" ao lado do Terça Livre, Senso Incomum, Conexão Política, Reaçonaria e Renova Mídia. O monitoramento foi feito para entender como um grupo de 54 simpatizantes de Olavo de Carvalho tentam influenciar a agenda da educação do governo.[18] Em 25 de junho de 2019, a empresa teve seu direito de resposta publicado pelo jornal O Globo, uma vez que foi concedido pela 6.ª Vara Cível de Porto Alegre por causa da acusação de caráter difamatório presente em texto publicado pelo jornal no início daquele ano sobre o filme 1964 – O Brasil entre Armas e Livros produzido pela empresa.[3]

No segundo semestre de 2020, lançou dois documentários.[2] Os Donos da Verdade buscou defender falas de Abraham Weintraub por meio do argumento da liberdade de expressão, enquanto que 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 direcionou críticas à medida do distanciamento físico no combata à pandemia de COVID-19 e seus formuladores e disseminadores.[2] As duas produções motivaram a observação de adesão pela Brasil Paralelo à "tropa de choque digital do presidente" Jair Bolsonaro, expressa pelo jornalista Fábio Zanini.[2][54]

Em relação aos lançamentos de Os Donos da Verdade e 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19, o jornalista Fábio Zanini criticou a menor qualidade da produção e a proximidade com as as ideias de Bolsonaro e comparou a produtora ao canal Terça Livre:[2][54]

Desta vez, a produtora parece ter assumido seu papel na tropa de choque digital do presidente, talvez porque precise energizar sua base de assinantes. Poderia ser um documentário feito pelo canal Terça Livre, e não apenas pelo tom, mas também em razão da qualidade.
— Fábio Zanini, Folha de S.Paulo, 3 de julho de 2020.[54]

Em reportagem publicada em 28 de setembro de 2020, O Estado de S. Paulo define a empresa de "'Netflix' dos bolsonaristas".[17] Na mesma reportagem, Lucas Ferrugem, sócio da empresa, declarou que a Brasil Paralelo não tem relação com Eduardo Bolsonaro nem com as pautas do governo, embora tenha simpatia por Bolsonaro e se sinta representado em algumas pautas.[17]

Críticas à Wikipédia

Quadro de vídeo veiculado no YouTube pela empresa criticando a Wikipédia pela forma como a descreve.[65]

Em setembro de 2020, o advogado da empresa, identificado como Fmdonadel[b] na Wikipédia em português, solicitou na página de discussão do verbete que o conteúdo fosse alterado e sugeriu substituir o conteúdo por uma versão fornecida por ele,[c] já que entendia que o artigo trazia informações inverídicas e "escritas para denegrir a imagem da empresa". Segundo ele, a Brasil Paralelo é "absolutamente independente, apartidária, despida de viés ideológico".[66] O verbete sobre a empresa estava protegido,[d] isto é, contas recém criadas estavam impedidas de editá-lo. Lucas Ferrugem, um dos fundadores da empresa, classificou o verbete como "absurdo e difamatório" e explicou que a produtora tentara colaborar na página da Wikipédia, mas "não podia mais editar, corrigir informações e submeter fontes novas" e que por isso seu escritório jurídico teria entrado em cena".[66] Henrique Viana, outro fundador da empresa, declarou no Gazeta do Povo:

A Wikipédia se propõe inicialmente à livre edição, porém bloqueou as edições na página sobre a Brasil Paralelo e deu a liberação de editar apenas a um indivíduo,[e] que está inserindo fake news sobre a nossa empresa. A página da Wikipédia sobre a Brasil Paralelo tornou-se um repositório de fake news e narrativas ideológicas, sem que nenhum outro usuário possa editar e promover a autorregulação, que é a essência da plataforma. Estamos tentando dialogar com a plataforma para que outras pessoas possam editar nossa página e inserir as informações verdadeiras.
Sobre a nossa definição, seria bom que quem fizesse definições sobre a Brasil Paralelo primeiro conhecesse o nosso trabalho, para que conseguisse fazer isso de forma honesta. Somos uma empresa de mídia, privada e 100% independente, orientada à busca da verdade e contrária à ideologização em produção de conteúdo.
— Henrique Viana, 18 de setembro de 2020.[7]

Em 15 de fevereiro de 2021, a redação da produtora emitiu pronunciamento explicando não ser uma farsa, conforme propagado em diversos meios tanto jornalísticos como acadêmicos, criticou o verbete na Wikipédia sobre a empresa e rebateu críticas de professores de história, jornalistas e membros de partidos políticos. Na nota, a produtora rechaça as classificações de empresa de extrema direita, anti-intelectualista, negacionista, ciberativista, milenarista e revisionista.[8][f]

Algo que parece simples e inofensivo gera uma série de problemas.
1. Não há direito de resposta. O acesso é bloqueado e nada pode ser corrigido;[e]
2. Pessoas que não conhecem o conteúdo da Brasil Paralelo pesquisam na Wikipédia sobre a empresa e acabam acreditando nas informações contidas no texto;
3. O debate é sufocado. O artigo da Wikipédia omite os fatos sobre uma empresa séria que emprega dezenas de funcionários, manchando a reputação da marca.
— Redação da Brasil Paralelo, 15 de fevereiro de 2021.[8]

Ver também

Notas

  1. O documentário 1964: O Brasil entre Armas e Livros foi assistido por Bolsonaro no avião presidencial, enquanto ele retornava de viagem oficial a Israel. O momento foi divulgado em rede social por Felipe G. Martins.
  2. A conta realizou duas edições nos dias 15 e 27 de julho de 2020: 58772978] e 58881656].
  3. A versão sugerida foi: A Brasil Paralelo é uma empresa de comunicação, que tem como foco de atuação a produção de conteúdo informativo relacionado ao contexto social, político e econômico brasileiro, o qual é disponibilizado, quase que exclusivamente, pela Internet, por meio de seus perfis de redes sociais e/ou de sua própria página de internet (www.brasilparalelo.com.br). Tratando-se de uma empresa independente, apartidária e imparcial, e que se financia unicamente a partir de recursos próprios, o objetivo principal da Brasil Paralelo é oferecer ao público conteúdo essencialmente informativo com relação aos temas tratados, o que sempre faz com apoio em robusto arcabouço documental, examinado por uma equipe de mais de 30 especialistas. Tratam-se, portanto, de produções com incontestável credibilidade, sendo essa referida credibilidade um dos fatores que ensejam a audiência da qual goza a Brasil Paralelo perante o público em geral. O sucesso da Brasil Paralelo junto ao público decorre em grande parte da imparcialidade com que examina e analisa os temas que são objeto de seus conteúdos. Sendo uma empresa desvinculada de grupos políticos, a Brasil Paralelo tem plena liberdade para tratar temas políticos de forma imparcial, sem a necessidade de beneficiar “A” ou “B”, e sem qualquer tipo de restrição à realização de críticas a quem quer que seja. Reitere-se: o único objetivo da Brasil Paralelo é informar o público, de sorte que os seus conteúdos são totalmente despidos de qualquer ideologia política. Em suma, pretende a Brasil Paralelo revisitar a história do Brasil, sem alterá-la à sua própria vontade, mas derrubando o muro simbólico que permanece erigido nas narrativas legadas à nossa população, e que ainda polariza dicotomicamente a população de nosso país, especialmente no que tange à discussão político-partidária, que é de cunho reduzidamente democrático, lógico e parcimonioso.
  4. Proteger uma página é uma medida extrema, reservada normalmente aos casos nos quais a discussão não surte mais efeito. Para mais informações, veja Wikipédia:Página protegida.
  5. a b A empresa alega que a página ficou restrita a um único editor, isto é impossível, conforme a política de páginas protegidas da Wikipédia lusófona. Devido a sucessivas alterações no conteúdo contrárias à política de edição, o artigo foi temporariamente protegido para edição por usuários não autoconfirmados. As proteções vêm acontecendo desde outubro de 2018 com o objetivo de conter edições não construtivas. O mais alto grau de proteção já aplicado a essa página foi entre abril e junho de 2019 para usuários autorrevisores, o que restringia a edição a um público de mais de 800 usuários.
  6. No dia que a nota foi publicada, a versão do artigo era esta.

Referências

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  4. a b c d e f Saldaña, Paulo (9 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC vai exibir série sobre história com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2019. No documentário, a história é narrada de forma a engrandecer o papel da Igreja Católica e da fé na empreitada de Portugal na chegada ao território que seria o Brasil. O genocídio indígena e a história dos negros escravizados são minimizados. 
  5. a b c d Silva, Cedê (9 de dezembro de 2019). «Exclusivo: contrato da TV Escola com Brasil Paralelo é de três anos». O Antagonista. Consultado em 27 de setembro de 2020 
  6. «Panflix exibe documentários da produtora Brasil Paralelo a partir desta terça – Jovem Pan». Panflix exibe documentários da produtora Brasil Paralelo a partir desta terça – Jovem Pan. 5 de abril de 2021. Consultado em 14 de abril de 2021 
  7. a b c d e Desideri, Leonardo (18 de setembro de 2020). «Brasil Paralelo quer 1 milhão de membros até 2022 e mira entretenimento». Gazeta do Povo. Consultado em 24 de fevereiro de 2021 
  8. a b c d e f g h i j k l m n o «A Brasil Paralelo é uma farsa? A descrição na Wikipédia diz que sim». Brasil Paralelo. 15 de fevereiro de 2021. Consultado em 2 de março de 2021 
  9. a b c d e f g Zanini, Fabio (12 de agosto de 2019). «Produtora Brasil Paralelo revisa a história em filmes e livros com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2019. Nos vídeos, uma temática é comum: a infiltração de ideias de esquerda na mídia, na academia e no meio cultural. É recorrente a crítica a um suposto complô de partidos de esquerda, reunidos no Foro de São Paulo, para promover ideias marxistas. 
  10. a b Rosa, Pablo Ornelas; Rezende, Rafael Alves; Martins, Victória Mariani de Vargas (11 de dezembro de 2018). «As consequências do etnocentrismo de Olavo de Carvalho na produção discursiva das novíssimas direitas conservadoras brasileiras». Revista NEP - Núcleo de Estudos Paranaenses da UFPR (2): 164–203. ISSN 2447-5548. doi:10.5380/nep.v4i2.63832. Consultado em 26 de março de 2021. [...] os cursos do Brasil Paralelo, que se fundamentam na ideia de que o Brasil vive sob a égide do socialismo e/ou comunismo desde a década de 1990. 
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  13. a b c «Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia». www.revista.ueg.br. Consultado em 6 de março de 2021 
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  15. a b c Gonçalves, Talita (2016). «Meio Desligado – Congresso Brasil Paralelo: a direita acordou». Gazeta do Triângulo. Cópia arquivada em 12 de junho de 2018. A programação ainda não foi definida, mas salvo algumas exceções, o "line up" dos palestrantes confirmados é de encher os olhos: Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Hélio Beltrão, Rodrigo Gurgel, Felipe Moura Brasil, Janaína Paschoal, Gilmar Mendes, Alexandre Borges. 
  16. a b c d e f g h Meireles, Maurício; Menon, Isabella; Zanini, Fábio (8 de agosto de 2019). «Como uma produtora virou uma das principais difusoras de ideias de direita no país». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2019. Os vídeos da produtora, que surgiu em 2016, somam 14 milhões de visualizações. Ela é uma peça relevante na chamada guerra cultural, o embate entre esquerda e direita no campo da cultura. Com seus produtos, a Brasil Paralelo se propõe a enfrentar as narrativas de esquerda com versões alternativas para a análise política e a história do país. 
  17. a b c d e f «'Netflix' dos bolsonaristas gastou R$ 328 mil em anúncios de Facebook e Instagram - Política». Estadão. Consultado em 27 de fevereiro de 2021 
  18. a b Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira (7 de maio de 2019). «O que os olavistas querem do Ministério da Educação». Agência Pública. Consultado em 7 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2020. A pública analisou mais de 2.200 tuítes de 54 simpatizantes de Olavo de Carvalho para entender como buscam influenciar a agenda da educação no governo Bolsonaro 
  19. a b «Análise: Com Olavo em dose dupla, direita ganha nova batalha cultural». Folha de S.Paulo. 8 de abril de 2019. Cópia arquivada em 9 de abril de 2019. O palavrório é mais para iniciados do que iniciantes, salpicado de expressões como "andares ontológicos", "ternário", "anima vs. corpus". Não é exatamente o que espera um bolsonarista afeito ao Olavo das redes sociais, aquele que fala em "cu" e "piroca", que solta pílulas como esta aqui de quinta-feira (4): "Só quem se fode nas revoluções socialistas são os pobres. Os ricos vão para Nova York, Paris ou Londres". 
  20. a b Nicolazzi, Fernando (17 de janeiro de 2020). «Brasil Paralelo, uma empresa colaboracionista». Sul 21. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2020. Entre as pessoas físicas e jurídicas que se ocupam de espalhar a palavra de Olavo pelo país, encontra-se a produtora Brasil Paralelo. Como se sabe, a empresa é responsável pela criação de conteúdos de história que conciliam falsificação documental, distorções interpretativas, preconceito religioso, inverdades históricas e desonestidade intelectual. Não é difícil comprovar este argumento. 
  21. a b c Filho, João (1 de março de 2020). «Todos nessa foto prometeram jamais receber dinheiro do governo. A maioria recebeu.». The Intercept. Consultado em 28 de maio de 2020. Cópia arquivada em 1 de março de 2020. Com Bolsonaro no poder, o Brasil Paralelo passou a ganhar muito espaço no MEC. A TV Escola, aquela que Bolsonaro pretendia fechar, tem transmitido o conteúdo do canal em sua programação. A série "Brasil: a última cruzada", do Brasil Paralelo, foi transmitida na íntegra pela TV Escola. O bolsonarismo aparelhou uma emissora pública para divulgar revisionismo histórico de quinta categoria, sempre com o viés católico e reacionário ensinado por Olavo de Carvalho. 
  22. a b c Neher, Clarissa (28 de março de 2019). «"Nazismo de esquerda": o absurdo virou discurso oficial em Brasília». Deutsche Welle Brasil. Cópia arquivada em 28 de março de 2020. "Uma coisa que eu falo muito é dessa tendência da esquerda de pegar uma coisa boa, sequestrar, perverter e transformar numa coisa ruim. É mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários. Isso tem a ver com o que eu digo que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda", destacou Araújo, na entrevista divulgada em 17 de março pelo "Brasil Paralelo", grupo que propaga a linha de pensamento do ideólogo Olavo de Carvalho. 
  23. a b c d «ANPUH-SP APOIA NOTA DE ALERTA». anpuh.org.br. Consultado em 20 de março de 2021 
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  25. a b «Pressionados por redes sociais, bolsonaristas levam desinformação ao Telegram e quintuplicam audiência no app em um mês | Aos Fatos». aosfatos.org. Consultado em 3 de março de 2021 
  26. Valeri, Felipe (19 de julho de 2018). «Brasil Paralelo: em entrevista exclusiva, conheça a origem dos documentários que fazem sucesso na Internet». Boletim da Liberdade. Consultado em 7 de novembro de 2020. Tínhamos uma câmera emprestada – na verdade eram duas T5I Canon -, uma sala de seis metros quadrados e algum dinheiro, emprestado a juros, para pagar as viagens e o aluguel da pequena sala. 
  27. «Os mitos da Brasil Paralelo - Le Monde Diplomatique Brasil». diplomatique.org.br. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  28. Paulo, Diego (18 de maio de 2020). «Os mitos da Brasil Paralelo - Le Monde Diplomatique Brasil». diplomatique.org.br. Le Monde Diplomatique Brasil. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  29. «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017 - Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul». Consultado em 15 de Abril de 2017 
  30. Luiza Veber (24 de março de 2017). «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017». Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  31. Fucs 2017, Talvez o caso de maior sucesso seja o do pessoal do site Brasil Paralelo, que vendeu milhares de assinaturas do conteúdo que produz. Segundo informações não confirmadas pelos fundadores, a empresa teria amealhado R$ 1,5 milhão em seis meses. É sinal de que, ao menos para alguns, a onda da direita na internet pode ser sustentável.
  32. Bruno Antonio Picoli; Vanessa Chitolina; Roberta Guimarães (29 de outubro de 2020), Revisionismo histórico e educação para a barbárie: A verdade da "Brasil Paralelo", ISSN 1677-9037, Revista UFG, 20, pp. e64896, doi:10.5216/REVUFG.V20.64896, Wikidata Q101243432, O anti-intelectualismo é grosseiro por, pelo menos, duas razões. A primeira é que isso implica inutilidade de estudar um tema ou período histórico: nunca seremos capazes de compreender a escravidão, a Inquisição, a vida na pólis grega. A segunda é que insinua que a realidade se mostra para o observador como ela de fato é, o que é um princípio avesso a toda produção científica desde, pelo menos, Galilei. O pensamento científico exige distanciamento. Esta frase, por si só, já coloca todo o documentário em terrível contradição: se apenas quem viveu 1964 pode falar com propriedade sobre os episódios, como os entrevistados mais jovens, que sucedem Puggina, teriam condições de analisar esses fatos? Como os espectadores nascidos após este período podem posicionar-se? Tal afirmativa, assim como o parco rigor, postula a irrelevância da pesquisa histórica séria e profissional. 
  33. Avila, Arthur de Lima (29 de abril de 2019). «Qual passado usar? A historiografia diante dos negacionismos». Café História. Cópia arquivada em 4 de maio de 2020. Dessas visões para afirmações descabidas é um passo curto – vale lembrar aquela proferida pelo atual Presidente, quando em campanha eleitoral, sobre filhos de Portugal "nunca terem escravizado ninguém" (os africanos é que teriam feito isso, segundo o político). De minimização em minimização, chegamos ao negacionismo. 
  34. Baggenstoss, Grazielly Alessandra; Pianta, Lucas Tubino (2019). «Para que(m) serve o nosso conhecimento?». Carta Capital. Cópia arquivada em 18 de abril de 2019. Esse confronto ao trabalho das pesquisadoras e pesquisadores culmina em um projeto chamado Brasil Paralelo, em que os nomes citados e alguns outros conhecidos conservadores e pensadores da direita e da extrema direita brasileiras são entrevistados e apresentam a história brasileira de forma extremamente eurocentrada e sua perspectiva enquanto uma verdade histórica única, imutável, violada pelos professores e professoras "comunistas", "doutrinadores", etc. 
  35. Borges, Ítalo Nelli (2019). «O Paralelismo do Absurdo: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros e seus Desserviços Históricos e Sociais». Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia. 10 (2): 152–166. ISSN 2179-6386. Os autores que me refiro cujas teses alimentam um projeto do Brasil Paralelo de distorção interpretativa do golpe e da ditadura são o que Melo (2014) chama de revisionistas. O autor aponta que este revisionismo historiográfico se ancora em três teses; a primeira que esquerda e direita foram igualmente responsáveis pelo golpe, a segunda que havia dois golpes em curso na conjuntura de 1964 e a terceira de que a resistência à ditadura não passou de um mito (MELO, 2014, p. 158). No filme, a resistência – independentemente de sua modalidade de operação – é a responsável pelo endurecimento do regime, o que se trata aqui é nada menos do que transformar a vítima em culpada pela própria violência que sofre. Em se tratando das duas primeiras teses, o documentário é explícito em adotá-las. 
  36. Nicolazzi, Fernando (22 de março de 2019). O Brasil Paralelo produz História?. Historiar-se – via Youtube. Como veremos nesse vídeo de análise de uma das séries do empreendimento Brasil Paralelo que tem como tema a história do país, a direita brasileira busca uma narrativa histórica que sirva a suas demandas do presente. 
  37. Bardini, Elvis Dieni (2017). «A cibercultura da intolerância política, ou como a linguagem do ódio desconstrói a cidadania». Consultado em 5 de março de 2021 
  38. a b Ferreira Luiz, Isabella (2020). «Negacionismo em rede: a negação da escravidão e da ditadura militar no Brasil ganhou a internet» (PDF). XVII Encontro Regional de História da ANPUH-PR. Consultado em 24 de março de 2021. É importante levar em consideração os objetivos por trás da empresa de ciberativismo intitulada “Brasil Paralelo” ao utilizar a internet para divulgar informações com um caráter de “pseudociência”: disseminar conteúdos históricos sob um viés político autodeclarado como de direita política e cristão, estimulando um ataque a conteúdos que fujam dessa perspectiva. 
  39. Gruner, Clóvis; Cleto, Murilo (23 de julho de 2020). «"Sete denúncias" sobre a Covid-19 e o sequestro da ciência». Jornal Plural. Plural Curitiba. Consultado em 25 de março de 2021. A empresa se consolidou, desde sua criação, como a mais robusta entre as empresas que, utilizando as plataformas digitais, e mais especificamente o YouTube, assumiram a linha de frente na chamada “guerra cultural”, peça fundamental da ascensão da extrema-direita e, no caso brasileiro, do bolsonarismo. 
  40. a b Rocha, Joao Cezar de Castro (2021). Guerra cultural e retórica do ódio. Goiânia: Caminhos. [A] produtora Brasil Paralelo, fundada em 2016, representou para a chegada ao poder do bolsonarismo o papel que o IPES desempenhou na preparação do golpe civil-militar de 1964. 
  41. Buzalaf, Márcia Neme (2019). «A construção estereotipada do comunista na produção 1964 – o Brasil entre armas e livros» (PDF). In: Pelegrinelli, André Luiz Marcondes; Molina, Ana Heloisa; Silva, Gustavo do Nascimento. Anais do VII Encontro Nacional de Estudos da Imagem [e do] IV Encontro Internacional de Estudos da Imagem. Londrina: Universidade Estadual de Londrina. pp. 34–42. A utilização manipuladora de imagens fora de seus contextos, bem como o excesso de narração em off na condução do roteiro do filme, por si só são elementos que inviabilizam caracterizar 1964 como um documentário histórico. A falta de vínculos com entidades científicas de seus realizadores e entrevistados (que também podem ser considerados coprodutores, já que participam da estrutura do Brasil Paralelo) demonstra que a "caça aos comunistas" é uma construção estereotipada de um grupo sem nenhuma rigidez enquanto pesquisa acadêmica ou pesquisa documental, e que busca eternizar o mesmo discurso que antecedeu o golpe de 64. Um discurso retrógrado e que se propõe a ser revisionista quando, na verdade, se configura, de fato, como apenas mais uma propaganda política do mesmo temor que justificou atrocidades. 
  42. Villaça, Pablo (2019). 1964: Brasil - Entre Armas e Livros - Comentários. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...e um ponto de vista ético me incomoda muito a posição de um documentário, por exemplo, que não só faz um revisionismo histórico terrível, e que é um revisionismo histórico tão sem, é tão sem base na realidade que eles são obrigados a manipular a realidade ou em alguns casos mentir... 
  43. a b Carvalho, Roldão Pires; Rovida, Mara. «Os Movimentos Milenaristas Modernos–Uma Análise Sobre o Discurso da Propaganda Ideológica» (PDF). XXIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Belo Horizonte - MG – 7 a 9/6/2018. Outras características no discurso apontam o milenarismo do movimento. Na realidade proposta pelo Brasil Paralelo é construída a teoria conspiratória de que as mídias e as escolas estão contaminando o imaginário popular. 
  44. Paulo Pachá (18 de fevereiro de 2019). «WHY THE BRAZILIAN FAR RIGHT LOVES THE EUROPEAN MIDDLE AGES». PSMagazine. Consultado em 6 de novembro de 2020 
  45. Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira (30 de abril de 2019). «Deus vult: uma velha expressão na boca da extrema direita». Agência Pública. Consultado em 7 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2020 
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  47. Paulo, Diego (18 de maio de 2020). «Os mitos da Brasil Paralelo - Le Monde Diplomatique Brasil». diplomatique.org.br. Le Monde Diplomatique Brasil. Consultado em 7 de novembro de 2020 
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  55. a b Mota, Marina; Couto, Marlen; Rocha, Gessyca (6 de outubro de 2018). «Mensagens com conteúdo #FAKE sobre fraude em urnas eletrônicas se espalham nas redes». O Globo - Fato ou Fake. Cópia arquivada em 25 de outubro de 2018. O Fato ou Fake não localizou a publicação do estudo em nenhuma revista científica nacional ou internacional. Os autores do novo vídeo do "Brasil Paralelo" afirmam que a nota técnica foi apresentada no Conclave da Democracia em Washington, realizado em 2015. O evento, porém, não é científico. 
  56. a b «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão Verifica. 10 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 15 de abril de 2020. No vídeo, o engenheiro Hugo César Hoeschl afirma haver "estudos com reconhecimento internacional" apontando 73,14% de "probabilidade de fraude" na eleição de quatro anos atrás. O Comprova não encontrou artigos acadêmicos de revisão independente mencionando esse número. Esse percentual consta de um "relatório técnico" de 11 páginas do qual ele mesmo participou da elaboração. No vídeo, Hoeschl anuncia que aplicará o método ao resultado do 1º turno das eleições presidenciais brasileiras. 
  57. «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão. 10 de outubro de 2018. Consultado em 29 de Maio de 2020 
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  60. Dia, O. (10 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC exibirá série histórica com Olavo de Carvalho». O Dia - Brasil. Consultado em 30 de outubro de 2020 
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Bibliografia

  • Alcântara, Mauro Henrique Miranda de; Silva, Katiane da (2020). A historia a la carte do Brasil Paralelo e o ensino de história: explicando em sala de aula a importância da pesquisa histórica. 6º Simpósio Eletrônico Internacional de Ensino de História. LAPHIS - Unespar. Trata-se, na verdade, de uma empresa de caráter privado, com o intuito de promover o revisionismo histórico. E por divulgar e propagar seu conteúdo no Youtube, por meio de divulgação paga, um/a estudante, ao buscar nesta plataforma sobre um determinado assunto da História do Brasil, terá acesso, antecipadamente, ao conteúdo desta empresa. Isso impacta, diretamente, no conhecimento histórico que, tanto o/a estudante, quanto o/a professor levará para sala de aula. 
  • Carvalho, Roldão Pires; Rovida, Mara (2020). «A propaganda do ticket conservador-liberal – uma análise do potencial ideológico do discurso do ativismo de direita». Questões Transversais - Revista de Epistemologias da Comunicação. V. 8 (n. 15). ISSN 2318-6372 
  • Dias, André Bonsanto (2019). Um Brasil (em) Paralelo: as "verdades" da ditadura e sua historicidade mediada como um empreendimento político. XII Encontro Nacional de História da Mídia. Natal. ISSN 2175-6945. Nos parece fundamental perceber como este discurso está baseado sob premissas bastante paradoxais, no sentido de que a empresa parece se colocar em cima de um muro que ela mesma pretende derrubar. Ou seja, de acordo com esta perspectiva, existiria uma ideologia dominante responsável por encobrir a "verdadeira" história do país e o Brasil Paralelo, de forma comprometida e ao mesmo tempo "imparcial", iria revisitá-la não a seu bel prazer, mas para "resgatar" uma narrativa que nos havia sido negada e que todos mereciam receber. 
  • Luiz, Isabella Ferreira (2020). Negacionismo em rede: a negação da escravidão e da ditadura militar no Brasil ganhou a internet (PDF). XVII Encontro Regional de História (ANPUHPR). Maringá. Assim como os discursos negacionista sobre a escravidão no Brasil, tem-se cada vez mais um discurso que ora nega o período ditatorial, as mortes, as torturas e as prisões arbitrárias, ora busca exaltar os generais, o exército, as mortes e prisões, discurso esse que vem acompanhado da “defesa da moral e dos bons costumes” e que vem ganhando o espaço da internet e encontrou em canais como o Brasil Paralelo meios para florescer e alcançar um público ainda maior. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). «Olavo de Carvalho afunda série do Brasil Paralelo». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2018. Atendendo a pedidos, analisei o ep. 1 da série de vídeos de história do Brasil Paralelo, que recebeu o título geral "Brasil: A Última Cruzada". Resultado: a perspectiva "cruzada" é interessante e importante, mas há uma série de erros bizarros também — dois deles cometidos por ninguém menos que Olavo de Carvalho. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). Brasil Paralelo: Erros bizarros e alguns acertos no ep. 1. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...tem coisas que realmente é um foco interessante e importante. Agora, para quem quer ser ou parece que os caras querem ser a palavra definitiva, a visão revolucionária que vai mostrar a verdade sobre as origens de Portugal e do Brasil. Não. Não é isso e tem problemas sérios que deveriam ser corrigidos na minha opinião. 
  • Nicolazzi, Fernando (23 de março de 2019). «A história da ditadura contada pelo Brasil Paralelo». Sul 21. Cópia arquivada em 1 de abril de 2019. Ou seja, trata-se de uma obra com claro viés político e ideológico, resultando paradoxalmente em algo que seus próprios autores e colaboradores condenam. O problema, gostaria de deixar claro, não é a existência do viés, mas sua vergonhosa negação. Supondo, assim, ser este um produto que mostre como são "todos os conteúdos gerados" pela Brasil Paralelo, podemos já fazer algumas inferências a respeito do vídeo que estreará em 31 de março. 
  • Nicolazzi, Fernando (7 de abril de 2019). «2019 – O Brasil Paralelo entre o passado histórico e a picanha de papelão». Sul 21. Cópia arquivada em 8 de abril de 2019. Estamos diante de uma instrumentalização e de uma falsidade por dois motivos bastante simples: meu artigo não dizia respeito diretamente ao vídeo em questão, tampouco sugeria qualquer tipo de boicote ou censura à sua exibição. Ou seja, ele aparece ali deslocado de seu contexto de origem e utilizado unicamente para repercutir o vídeo veiculado. Trata-se de marketing publicitário, não de uma verdade factual. Em outras palavras, se não estamos diante de uma mentira explicitamente enunciada, é certo que o que vemos é uma falsidade sugerida de forma implícita e que engana o espectador. Seria como, por exemplo, colocar uma imagem de garimpeiros de Serra Pelada realizada pelo fotógrafo Sebastião Salgado após o fim da ditadura para representar supostos guerrilheiros encarados como responsáveis pelo início dessa mesma ditadura. Não apenas um erro cronológico, mas uma falsificação histórica. 
  • Ratier, Rodrigo (16 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC traz História preconceituosa, diz especialista». UOL. Cópia arquivada em 23 de abril de 2020. A gente ainda não encontrou alternativas para fazer frente a esse tipo de estratégia que se ampara na mentira. De toda forma, essa discussão tem uma dimensão positiva, que é trazer para o primeiro plano a importância das demandas sociais pelo passado e do direito à democratização da História. Sobretudo, mostra a relevância do conhecimento histórico e da necessidade de ele ser produzido de forma honesta e com compromisso em relação à democracia. 
  • Vieira, Isadora Muniz (9 de outubro de 2019). «Historiadoras/es e o paralelismo charlatão». HH Magazine: humanidades em rede. Cópia arquivada em 16 de maio de 2020. Sabemos que não se trata de oferecer a um público interessado por essas temáticas um conteúdo de qualidade. Menos ainda, trata-se de um compromisso de formar as pessoas historicamente e "expandir o intelecto". O objetivo é suprir uma demanda no mercado da conspiração, estabelecer um projeto nacional reacionário e lucrar com a desinformação. Como já pontuou o professor Fernando Nicolazzi, da UFRGS, o lucro por si só não deveria ser considerado um problema se o conteúdo vendido pela empresa não fosse intelectualmente desonesto e não tivesse a finalidade nefasta de desconstruir projetos políticos e sociais da nossa breve experiência democrática com revisionismo histórico barato (no sentido ruim da palavra, porque a assinatura do plano anual é de R$197,90). Acontece que esse paralelismo é paternalista, racista, sexista e avesso à pluralidade de ideias. É antidemocrátivo e autoritário. Vende conteúdo meramente opinativo e desprovido de constatações. 

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