Brasil Paralelo

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Brasil Paralelo
Proprietário(s) Lucas Ferrugem, Henrique Viana, Filipe Valerim
Requer pagamento? parcialmente
Gênero conservadorismo,[1][2][3][4] negacionismo,[5] anti-intelectualismo[6]
País de origem Brasil
Idioma(s) português
Lançamento 2016 (4 anos)
Endereço eletrônico brasilparalelo.com.br
Estado atual ativo

Brasil Paralelo é nome fantasia da LHT HIGGS LTDA, uma empresa brasileira fundada em 2016 em Porto Alegre, que produz documentários nos quais faz ciberativismo[7][8] sob o viés de direita política (especificamente a Nova Direita) e do cristianismo.[9][10][11][12][13][2] Intitula-se mídia independente e desvinculada de partidos políticos;[14][13] por outro lado obteve acesso privilegiado na posse presidencial em janeiro de 2019[15] e a veiculação gratuita de uma de suas séries pelo canal estatal TV Escola durante o governo Jair Bolsonaro.[16][17][18][19][20]

Seus documentários tratam de política, história e atualidades e se descreve como "empresa de comunicação" cujos filmes são de caráter "jornalístico e historiográfico".[21][22] Entretanto, serviços de checagem de fatos identificaram que os dois vídeos sobre as urnas eletrônicas, feitos próximos à eleição de 2018 transmitem notícias falsas.[23][24][3] O discurso de alguns documentários foi considerado milenarista e conspiracionista.[25][26][13][2] Historiadores também criticaram a empresa pelo conteúdo negacionista e anti-intelectualista[6] dos vídeos, que distorcem fatos históricos como a ditadura militar, a escravidão e a colonização do Brasil e promovem teorias conspiratórias e negacionistas[27][28][29][30] usadas por Olavo de Carvalho,[13][31] Jair Bolsonaro.[32][16] e Ernesto Araújo.[26]

No início de 2017 o Brasil Paralelo contava com mais de cinco mil assinantes. Em apenas seis meses de existência, a empresa faturou mais de 1,5 milhão de reais, conforme noticiado no jornal O Estado de S. Paulo (o que não foi confirmado pelos fundadores).[33][13] A empresa declara que seu faturamento tem origem na venda de cursos e conteúdos exclusivos a assinantes e na monetização dos vídeos subidos no YouTube, ao mesmo tempo afirmou que seus documentários são gratuitos.[21] Em setembro de 2020, informou que esta última fonte não está mais em funcionamento, tendo todo seu faturamento na venda de cursos e conteúdos a assinantes.[21]

Histórico

A empresa LHT HIGGS LTDA[22] foi fundada em Porto Alegre em 2016, por Lucas Ferrugem, Henrique Viana e Felipe Valerim,[2] que abandonaram[13] a Escola Superior de Propaganda e Marketing para fundar o Brasil Paralelo.[10] Um dos proprietários da empresa, Felipe Valeri, afirmou que o Brasil Paralelo surgiu por meio de "[...] um grupo de jovens empreendedores, hoje sócios do projeto, que entendiam que o país estava passando por um momento novo. Diante do cenário político de 2014, com a reeleição de Dilma Roussef, um despertar de consciência política ganhava cada vez mais força a partir do sentimento de revolta da maioria da população".[34] No entanto, as afirmações foram alvo de contestação pelo jornal Le Monde Diplomatique Brasil, que argumenta que desde sua origem a Brasil Paralelo esteve ligada a uma série de privilégios no acesso a personalidades políticas pouco acessíveis a pessoas comuns, além da facilitação em captar recursos da Agência Nacional de Cinema (Ancine) para a produção de um documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro.[35]

Um olhar mais de perto mostra que as coisas não são bem assim. Em 2016, ano de seu lançamento, o site da produtora anuncia a venda de 68 palestras por R$ 360 à vista ou 12x de R$ 36,14. Dentre os luminares da República que deveriam fazer o público literalmente pagar para ver estavam o então ministro da Educação Mendonça Filho, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o clã Bolsonaro, além, claro, de Olavo de Carvalho. Deixando de lado juízo de valores sobre o gosto peculiar da audiência, há de se reconhecer a capacidade de alcançar figuras importantes, como deputados, senadores e três ministros – personalidades pouco acessíveis a pessoas comuns [...] Para fins de comparação, o documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro produzido por Josias Teófilo (que colaborou com a Brasil Paralelo) foi autorizado pela Ancine a captar R$ 530 mil da iniciativa privada. Se os valores forem minimamente parecidos, alguém achou a galinha dos ovos de ouro.[36]

Em fevereiro de 2017, para o sexto episódio da série de filmes documentários, eles colheram 88 depoimentos com formadores de opinião da direita para lançarem um filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, como contraponto à versão homônima produzida com apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), focado na narrativa de que o impeachment foi um golpe de Estado. O título do episódio sexto foi "Impeachment - Do apogeu à queda", cujo lançamento oficial ocorreu em 21 de março de 2017 em São Paulo e Porto Alegre.[37] Na capital paulista, ocorreu no Cinemark Metrô Santa Cruz e após a exibição do filme, houve um debate ao vivo com os seguintes convidados; Henrique Viana; Ícaro de Carvalho; Luiz Philippe de Orléans e Bragança; Hélio Beltrão e Joice Hasselmann. Na capital gaúcha, foi no Cinemark Barra Shopping Sul e também após a exibição houve debate com Lucas Ferrugem, Felipe Moura Brasil, Guilherme Macalossi e Diego Casagrande. Esse foi o primeiro evento presencial do Brasil Paralelo.[10] No dia seguinte foi realizado o seminário "O que esperar de 2017", na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com a presença do jornalista e arquiteto Percival Puggina, do diplomata Paulo Roberto de Almeida e do deputado Marcel van Hattem, no qual foi debatido as atividades do Brasil Paralelo.[38]

Em abril de 2017, o Brasil Paralelo participou da 30.ª edição do Fórum da Liberdade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) no Centro de Eventos da PUC/RS com palestras de João Doria Jr., Pedro Malan, Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé, dentre outros. Nesse evento, os representantes do Brasil Paralelo expuseram no salão Unconference o trabalho da entidade na produção de conteúdo e como alternativa de mídia independente.[9][ligação inativa]

Em 28 de setembro de 2019, a empresa assinou contrato com a TV Escola, canal de televisão estatal vinculado ao Ministério da Educação.[17] Com validade de três anos, o contrato autorizou a cessão gratuita e não exclusiva pela empresa dos direitos de exibição de uma de suas séries para o canal.[17] Assim, em 9 de dezembro de 2019, a série Brasil, a Última Cruzada começou a ser exibida na TV Escola.[12]

Controvérsias

Notícias falsas e acusação de fraude nas urnas

Em outubro de 2018, durante as campanhas das eleições gerais, o grupo publicou um vídeo de notícias falsas no YouTube. Um homem identificado como Hugo Cesar Hoeschl afirmou que "estudos internacionais indicam que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial foi de 73,14%". Essa informação foi considerada falsa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu uma nota desmentido o que foi informado no vídeo, onde afirmou que “não há registro [...] de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".[23][24]

Ainda quando das campanhas de 2018, especialistas desmentiram a acusação do Brasil Paralelo de que houve fraude nas urnas das eleições de 2014 no Brasil. A acusação teve como base a Lei de Benford, porém, o Projeto Comprova checou a acusação e a desmentiu concluindo que a Lei de Benford por si só não é suficiente para provar irregularidades. Apesar disso, o vídeo do Brasil Paralelo já contava aproximadamente dois milhões de visualizações na época em que a checagem dos fatos foi publicada.[39]

Proximidade com membros e mídia pró-governo

Em janeiro de 2019, as condições de trânsito livre na posse do presidente Jair Bolsonaro foram concedidas ao Brasil Paralelo, Terça Livre TV, Conexão Política, enquanto jornalistas de vários veículos relataram limitações ao trabalho de cobertura jornalística da posse, inclusive quanto à alimentação, banheiro e acesso a autoridades e fontes.[15]

Em março de 2019, após ouvir especialistas, a Deutsche Welle noticiou o Brasil Paralelo ao lado de outros revisionistas históricos no artigo "O negacionismo histórico como arma política":

Está em curso no Brasil um revisionismo histórico com base na negação e na manipulação de fatos. Ele é promovido por seguidores da "nova direita" e pelo próprio governo Bolsonaro. E vai além do "nazismo de esquerda."(...) Há um revisionismo histórico, com fins políticos, em curso no Brasil. Ele é baseado na negação e manipulação de fatos e é promovido por integrantes do governo Jair Bolsonaro e seguidores da "nova direita". Dizer que não houve golpe em 1964 e que o nazismo foi um movimento de esquerda, como afirmou o próprio presidente, são apenas alguns exemplos. Esses exemplos, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, fazem parte de uma estratégia maior, de um movimento que busca legitimar os seus projetos políticos a partir de uma visão distorcida da historiografia acadêmica praticada por historiadores no Brasil e no mundo com base em métodos científicos. Promovido pelo ideólogo Olavo de Carvalho e seus seguidores, entre eles o chanceler Ernesto Araújo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, esse negacionismo histórico é carregado de teorias de conspiração, imprecisões e omissões.
(...)
Teses deste revisionismo foram condensadas numa série de documentários produzidos por um canal simpático à extrema direita e à linha de pensamento de Olavo de Carvalho no Youtube. Em seus vídeos, o grupo Brasil Paralelo alega querer apresentar uma História "livre de narrativas ideológicas", porém, segundo historiadores ouvidos pela DW Brasil, faz justamente o contrário ao não mencionar as fontes de onde vieram as informações citadas pelo narrador.[5]

Em maio de 2019, um monitoramento de perfis das redes sociais feito pela Agência Pública listou o Brasil Paralelo como "parte de sites alternativos de apoio ao governo Bolsonaro" ao lado do Terça Livre, Senso Incomum, Conexão Política, Reaçonaria e Renova Mídia. O monitoramento foi feito para entender como um grupo de 54 simpazitantes de Olavo de Carvalho tentam influenciar a agenda da educação do governo.[40] Em 25 de junho de 2019, a empresa teve seu direito de resposta publicado pelo jornal O Globo, uma vez que foi concedido pela 6.ª Vara Cível de Porto Alegre por causa da acusação de caráter difamatório presente em texto publicado pelo jornal no início daquele ano sobre o vídeo 1964 – O Brasil entre Armas e Livros (produzido pela empresa).[22]

Ideologia de extrema direita

Paulo Pachá, professor de história medieval da Universidade Federal Fluminense apontou que o documentário do Brasil Paralelo, "Brasil – A última Cruzada" tem ideologias da extrema direita:

A primeira coisa é entender qual é o papel da Cruzada ou dessa nova Cruzada no pensamento da extrema direita, que é semelhante no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia. Isso vem aparecendo de maneira congruente, o que é um pouco assustador.

Essas ideias de Cruzada e de Idade Média têm a ver com uma visão bastante idealizada e bastante parcial do que foi o período. O que atrai esses grupos é pensar que foi um tempo patriarcal, branco e cristão. Essa Idade Média nunca existiu, mas tem esse papel no pensamento desses grupos.

As Cruzadas são especialmente exaltadas porque são um momento no qual esses três elementos [patriarcal, cristã e branca] estão muito bem representados. Nessa visão das Cruzadas, você teria um movimento bélico liderado por um grupo visto como majoritariamente masculino; um elemento que envolve a questão religiosa – as Cruzadas como primordialmente um conflito religioso entre cristianismo e islamismo – e, além disso, a ideia de uma disputa plurissecular entre Ocidente e Oriente.

Recuperar as Cruzadas é desenvolver [uma narrativa sobre] como esses três elementos desempenharam papel fundamental durante a Idade Média. Você teria uma defesa da religião cristã contra o islamismo, um movimento militar – e, aí, todas as características de masculinidade, de virilidade, de força – e essa questão Oriente versus Ocidente, que leva à construção de uma ideia de civilização ocidental.[41][nota 1]

A revista Pacific Standard também apontou o Brasil Paralelo e o documentário Brasil: A Última Cruzada como parte da extrema direita:

Brazil: The Last Crusade foi produzido e lançado no YouTube pela organização de extrema direita Brasil Paralelo ("Parallel Brazil"), um canal com mais de 700.000 assinantes; o documentário agora tem mais de 1,5 milhão de visualizações. O primeiro episódio, "A Cruz e a Espada", apresenta uma breve história da civilização ocidental na Idade Média. Repleto de islamofobia, o episódio centra-se na conquista árabe da Península Ibérica e nas Cruzadas, destacando o papel dos Cavaleiros Templários na história europeia e portuguesa, incluindo a chamada Reconquistae a expansão para o exterior. Os cineastas enfatizam como a conquista portuguesa e o domínio colonial estabeleceram o patrimônio europeu como a essência mais profunda do Brasil, ligando a futura nação ao legado da Idade Média européia.

Na verdade, a ideia de civilização ocidental é uma construção política recente destinada a legitimar processos políticos e históricos específicos, entre eles o imperialismo e o colonialismo. Ao retratar a Idade Média européia como o verdadeiro passado da nação, a extrema direita brasileira branqueia tanto sua própria história verdadeira quanto a crueldade de sua prática política contínua, especialmente (mas não apenas) a persistência de racismo ativo, misoginia, homofobia e intolerância religiosa .

O racismo é um elemento estrutural da sociedade brasileira. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888.(...) o Brasil oferece um terreno fértil para uma versão imaginária da Idade Média européia que a extrema direita apresenta como branca, patriarcal e cristã . Ao enfatizar a relação entre Brasil e Portugal, a extrema direita apaga a importância dos povos indígenas e africanos na história do Brasil e ignora suas contribuições sociais, culturais e econômicas. Neste passado imaginário, Portugal não é enquadrado como uma potência colonial distante, mas como a “pátria” que deu aos brasileiros uma língua e cultura europeias.[43]

Vídeos

Título Estreia
Congresso Brasil Paralelo
Brasil, a Última Cruzada 18 de setembro de 2017[44]
O Dia Depois da Eleição[45]
O Teatro das Tesouras 21 de agosto de 2018[46]
Pátria Educadora: A Trilogia
1964: o Brasil entre armas e livros 2019[21]
7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 Junho de 2020[21]
Os Donos da Verdade 17 de agosto de 2020[21]
O Fim das Nações[47] 26 de outubro de 2020[47]

A série Congresso Brasil Paralelo foi a primeira da empresa e foi feita a partir de depoimentos em vídeo de expoentes da direita e da extrema-direita brasileiras.[48]

Sucedendo Congresso Brasil Paralelo, foram lançados os episódios de Brasil, a Última Cruzada entre 18 de setembro de 2017[44] e 9 de abril de 2018. Uma análise do discurso do conteúdo apresentado no segundo capítulo da série "Brasil, a Última Cruzada" constatou a divulgação de ideias milenaristas e teorias da conspiração, apresentando um conteúdo político-ideológico e revisionista disfarçado de histórico. A análise foi feita em junho de 2018 pelo professor de história Roldão Carvalho Pires e comunicadora social Mara Rovida, da Universidade de Sorocaba.[25] No dia 9 de dezembro de 2019, a série começou a ser exibida no canal de televisão estatal TV Escola.[12]

Com estreia em 21 de agosto de 2018, O Teatro das Tesouras abordou bastidores de sete eleições presidenciais do Brasil após o fim da Ditadura Militar instaurada pelo golpe civil-militar de 1964.[46] E, intitulada em alusão ao lema do segundo governo de Dilma Rousseff ("Brasil: Pátria Educadora"), Pátria Educadora: A Trilogia fez críticas à educação no Brasil e a Paulo Freire em três episódios.[49][50] De 2019, o lançamento do documentário 1964: o Brasil entre armas e livros na rede de salas de cinema Cinemark foi cancelado em função de protestos contra a relativização da repressão e tortura do Estado durante a ditadura militar brasileira.[21]

No segundo semestre de 2020, lançou dois documentários.[21] Os Donos da Verdade buscou defender falas de Abraham Weintraub por meio do argumento da liberdade de expressão, enquanto que 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 direcionou críticas à medida do distanciamento físico no combata à pandemia de COVID-19 e seus formuladores e disseminadores.[21] As duas produções motivaram a observação de adesão pela Brasil Paralelo à "tropa de choque digital do presidente" Jair Bolsonaro, expressa pelo jornalista Fábio Zanini.[21]

Ver também

Notas

  1. O documentário 1964: o Brasil entre armas e livros foi assistido por Bolsonaro no avião presidencial, enquanto ele retornava de viagem oficial a Israel. O momento foi divulgado em rede social por Felipe G. Martins.[42]

Referências

  1. Nelli Borges, Ítalo (agosto de 2019). «O Paralelismo do Absurdo: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros e seus Desserviços Históricos e Sociais». Revista Expedições. O Paralelismo do Absurdo: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros e seus Desserviços Históricos e Sociais: 154. ISSN 2179-6386. Certamente o produto de maior sucesso do Brasil Paralelo, embora existam séries sobre política e história do brasil, é o documentário sobre 1964. Entretanto, desperta nossa curiosidade o fato da Organização também possuir um núcleo de formação para assinantes. No site atualmente não há explicitação sobre do que se trata especificamente esta formação, apenas que haverá aulas semanais ao vivo com professores como os já citados Olavo de Carvalho e Pondé e, entre outros, com os historiadores Rafael Nogueira e Thomas Giulliano. Consequentemente, o Brasil Paralelo não se restringe a produções audiovisuais, mas sim expande sua atuação para formação intelectual e ideológica que condensa aspectos do '''conservadorismo''' e do neoliberalismo. Ainda que não haja uma especificação do que seja tal formação, pelo perfil dos professores e pelo próprio conteúdo produzido por eles, é possível chegar nesta conclusão. 
  2. a b c d Zanini, Fabio (12 de agosto de 2019). «Produtora Brasil Paralelo revisa a história em filmes e livros com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2019. Nos vídeos, uma temática é comum: a infiltração de ideias de esquerda na mídia, na academia e no meio cultural. É recorrente a crítica a um suposto complô de partidos de esquerda, reunidos no Foro de São Paulo, para promover ideias marxistas. 
  3. a b «Eduardo Bolsonaro estuda história em canal acusado de 'fake news'». Veja. 27 de agosto de 2019. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  4. Carvalho & Rovida 2020
  5. a b Clarissa Neher (3 de abril de 2019). «O negacionismo histórico como arma política». DW. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  6. a b Bruno Antonio Picoli; Vanessa Chitolina; Roberta Guimarães (29 outubro 2020), «Revisionismo histórico e educação para a barbárie: A verdade da "Brasil Paralelo"», Revista UFG, Revista UFG, 20, doi:10.5216/REVUFG.V20.64896, O anti-intelectualismo é grosseiro por, pelo menos, duas razões. A primeira é que isso implica inutilidade de estudar um tema ou período histórico: nunca seremos capazes de compreender a escravidão, a Inquisição, a vida na pólis grega. A segunda é que insinua que a realidade se mostra para o observador como ela de fato é, o que é um princípio avesso a toda produção científica desde, pelo menos, Galilei. O pensamento científico exige distanciamento. Esta frase, por si só, já coloca todo o documentário em terrível contradição: se apenas quem viveu 1964 pode falar com propriedade sobre os episódios, como os entrevistados mais jovens, que sucedem Puggina, teriam condições de analisar esses fatos? Como os espectadores nascidos após este período podem posicionar-se? Tal afirmativa, assim como o parco rigor, postula a irrelevância da pesquisa histórica séria e profissional. Wikidata Q101243432
  7. Buzalaf, Márcia Neme (2019). «A construção estereotipada do comunista na produção 1964 – o Brasil entre armas e livros» (PDF). In: Pelegrinelli, André Luiz Marcondes; Molina, Ana Heloisa; Silva, Gustavo do Nascimento. Anais do VII Encontro Nacional de Estudos da Imagem [e do] IV Encontro Internacional de Estudos da Imagem. Londrina: Universidade Estadual de Londrina. pp. 34–42. A utilização manipuladora de imagens fora de seus contextos, bem como o excesso de narração em off na condução do roteiro do filme, por si só são elementos que inviabilizam caracterizar 1964 como um documentário histórico. A falta de vínculos com entidades científicas de seus realizadores e entrevistados (que também podem ser considerados coprodutores, já que participam da estrutura do Brasil Paralelo) demonstra que a “caça aos comunistas” é uma construção estereotipada de um grupo sem nenhuma rigidez enquanto pesquisa acadêmica ou pesquisa documental, e que busca eternizar o mesmo discurso que antecedeu o golpe de 64. Um discurso retrógado e que se propõe a ser revisionista quando, na verdade, se configura, de fato, como apenas mais uma propaganda política do mesmo temor que justificou atrocidades. 
  8. Villaça, Pablo (2019). 1964: Brasil - Entre Armas e Livros - Comentários. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...e um ponto de vista ético me incomoda muito a posição de um documentário, por exemplo, que não só faz um revisionismo histórico terrível, e que é um revisionismo histórico tão sem, é tão sem base na realidade que eles são obrigados a manipular a realidade ou em alguns casos mentir... 
  9. a b Brasil Paralelo (2017). «O que é o Congresso Brasil Paralelo?». congressobrasilparalelo.com.br. Consultado em 9 de junho de 2017 
  10. a b c Fucs, José (2017). «Política Estadão - A maquina barulhenta da direita na internet». O Estado de S. Paulo. Consultado em 14 de setembro de 2018. Arquivado do original em 26 de março de 2017. Merece crédito também o site Brasil Paralelo, criado em 2016 por uma dupla de empreendedores de Porto Alegre, para produzir documentários em vídeo e contribuir para a melhoria da educação e da formação em política e história, sem o viés de esquerda que, na opinião deles, predomina nas escolas do País. Já colheram 88 depoimentos com influenciadores da direita e na semana passada lançaram um filme sobre o impeachment, como contraponto à versão produzida com apoio do PT, focado na ideia do “golpe”. 
  11. Gonçalves, Talita (2016). «Meio Desligado – Congresso Brasil Paralelo: a direita acordou». Gazeta do Triângulo. Cópia arquivada em 12 de junho de 2018. A programação ainda não foi definida, mas salvo algumas exceções, o “line up” dos palestrantes confirmados é de encher os olhos: Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Hélio Beltrão, Rodrigo Gurgel, Felipe Moura Brasil, Janaína Paschoal, Gilmar Mendes, Alexandre Borges. 
  12. a b c Saldaña, Paulo (9 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC vai exibir série sobre história com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2019. No documentário, a história é narrada de forma a engrandecer o papel da Igreja Católica e da fé na empreitada de Portugal na chegada ao território que seria o Brasil. O genocídio indígena e a história dos negros escravizados são minimizados. 
  13. a b c d e f Meireles, Maurício; Menon, Isabella; Zanini, Fábio (8 de agosto de 2019). «Como uma produtora virou uma das principais difusoras de ideias de direita no país». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2019. Os vídeos da produtora, que surgiu em 2016, somam 14 milhões de visualizações. Ela é uma peça relevante na chamada guerra cultural, o embate entre esquerda e direita no campo da cultura. Com seus produtos, a Brasil Paralelo se propõe a enfrentar as narrativas de esquerda com versões alternativas para a análise política e a história do país. 
  14. «Brasil Paralelo: O Brasil que a TV não mostra.». Congresso Brasil Paralelo. 2016. Arquivado do original em 14 de setembro de 2018. O projeto Brasil Paralelo é uma das principais iniciativas da mídia independente do Brasil no ano de 2016, no que diz respeito ao volume de material e busca por vozes que sejam relevantes no atual cenário. 
  15. a b «Site engana ao dizer que não há restrições a jornalistas na posse de Bolsonaro». Aos Fatos. Consultado em 10 de outubro de 2020. O privilégio foi concedido pela equipe de Bolsonaro a essa e outras páginas, como o Conexão Política e o Brasil Paralelo. 
  16. a b Filho, João (1 de março de 2020). «Todos nessa foto prometeram jamais receber dinheiro do governo. A maioria recebeu.». The Intercept. Consultado em 28 de maio de 2020. Cópia arquivada em 1 de março de 2020. Com Bolsonaro no poder, o Brasil Paralelo passou a ganhar muito espaço no MEC. A TV Escola, aquela que Bolsonaro pretendia fechar, tem transmitido o conteúdo do canal em sua programação. A série “Brasil: a última cruzada”, do Brasil Paralelo, foi transmitida na íntegra pela TV Escola. O bolsonarismo aparelhou uma emissora pública para divulgar revisionismo histórico de quinta categoria, sempre com o viés católico e reacionário ensinado por Olavo de Carvalho. 
  17. a b c Silva, Cedê (9 de dezembro de 2019). «Exclusivo: contrato da TV Escola com Brasil Paralelo é de três anos». O Antagonista. Consultado em 27 de setembro de 2020 
  18. Dia, O. (10 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC exibirá série histórica com Olavo de Carvalho». O Dia - Brasil. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  19. «Criticada por Bolsonaro por ser 'de esquerda', TV Escola exibiu documentário com Olavo de Carvalho». O Globo. 16 de dezembro de 2019. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  20. «Canal de TV exibirá série com Olavo de Carvalho». pleno.news. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  21. a b c d e f g h i j «Brasil Paralelo faz 'guerra de edições' e disputa narrativas na Wikipédia». tab.uol.com.br. Consultado em 20 de setembro de 2020 
  22. a b c «Direito de Resposta Brasil Paralelo». O Globo. 25 de junho de 2019. Cópia arquivada em 19 de março de 2020 
  23. a b Mota, Marina; Couto, Marlen; Rocha, Gessyca (6 de outubro de 2018). «Mensagens com conteúdo #FAKE sobre fraude em urnas eletrônicas se espalham nas redes». O Globo - Fato ou Fake. Cópia arquivada em 25 de outubro de 2018. O Fato ou Fake não localizou a publicação do estudo em nenhuma revista científica nacional ou internacional. Os autores do novo vídeo do "Brasil Paralelo" afirmam que a nota técnica foi apresentada no Conclave da Democracia em Washington, realizado em 2015. O evento, porém, não é científico. 
  24. a b «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão Verifica. 10 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 15 de abril de 2020. No vídeo, o engenheiro Hugo César Hoeschl afirma haver “estudos com reconhecimento internacional” apontando 73,14% de “probabilidade de fraude” na eleição de quatro anos atrás. O Comprova não encontrou artigos acadêmicos de revisão independente mencionando esse número. Esse percentual consta de um “relatório técnico” de 11 páginas do qual ele mesmo participou da elaboração. No vídeo, Hoeschl anuncia que aplicará o método ao resultado do 1º turno das eleições presidenciais brasileiras. 
  25. a b Carvalho, Roldão Pires; Rovida, Mara. «Os Movimentos Milenaristas Modernos–Uma Análise Sobre o Discurso da Propaganda Ideológica» (PDF). XXIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Belo Horizonte - MG – 7 a 9/6/2018. Outras características no discurso apontam o milenarismo do movimento. Na realidade proposta pelo Brasil Paralelo é construída a teoria conspiratória de que as mídias e as escolas estão contaminando o imaginário popular. 
  26. a b Neher, Clarissa (28 de março de 2019). «"Nazismo de esquerda": o absurdo virou discurso oficial em Brasília». Deutsche Welle Brasil. Cópia arquivada em 28 de março de 2020. "Uma coisa que eu falo muito é dessa tendência da esquerda de pegar uma coisa boa, sequestrar, perverter e transformar numa coisa ruim. É mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários. Isso tem a ver com o que eu digo que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda", destacou Araújo, na entrevista divulgada em 17 de março pelo "Brasil Paralelo", grupo que propaga a linha de pensamento do ideólogo Olavo de Carvalho. 
  27. Avila, Arthur de Lima (29 de abril de 2019). «Qual passado usar? A historiografia diante dos negacionismos». Café História. Cópia arquivada em 4 de maio de 2020. Dessas visões para afirmações descabidas é um passo curto – vale lembrar aquela proferida pelo atual Presidente, quando em campanha eleitoral, sobre filhos de Portugal “nunca terem escravizado ninguém” (os africanos é que teriam feito isso, segundo o político). De minimização em minimização, chegamos ao negacionismo. 
  28. Baggenstoss, Grazielly Alessandra; Pianta, Lucas Tubino (2019). «Para que(m) serve o nosso conhecimento?». Carta Capital. Cópia arquivada em 18 de abril de 2019. Esse confronto ao trabalho das pesquisadoras e pesquisadores culmina em um projeto chamado Brasil Paralelo, em que os nomes citados e alguns outros conhecidos conservadores e pensadores da direita e da extrema direita brasileiras são entrevistados e apresentam a história brasileira de forma extremamente eurocentrada e sua perspectiva enquanto uma verdade histórica única, imutável, violada pelos professores e professoras “comunistas”, “doutrinadores”, etc. 
  29. Borges, Ítalo Nelli (2019). «O Paralelismo do Absurdo: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros e seus Desserviços Históricos e Sociais». Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia. 10 (2): 152–166. ISSN 2179-6386. Os autores que me refiro cujas teses alimentam um projeto do Brasil Paralelo de distorção interpretativa do golpe e da ditadura são o que Melo (2014) chama de revisionistas. O autor aponta que este revisionismo historiográfico se ancora em três teses; a primeira que esquerda e direita foram igualmente responsáveis pelo golpe, a segunda que havia dois golpes em curso na conjuntura de 1964 e a terceira de que a resistência à ditadura não passou de um mito (MELO, 2014, p. 158). No filme, a resistência – independentemente de sua modalidade de operação – é a responsável pelo endurecimento do regime, o que se trata aqui é nada menos do que transformar a vítima em culpada pela própria violência que sofre. Em se tratando das duas primeiras teses, o documentário é explícito em adotá-las. 
  30. Nicolazzi, Fernando (22 de março de 2019). O Brasil Paralelo produz História?. Historiar-se – via Youtube. Como veremos nesse vídeo de análise de uma das séries do empreendimento Brasil Paralelo que tem como tema a história do país, a direita brasileira busca uma narrativa histórica que sirva a suas demandas do presente. 
  31. «Análise: Com Olavo em dose dupla, direita ganha nova batalha cultural». Folha de S.Paulo. 8 de abril de 2019. Cópia arquivada em 9 de abril de 2019. O palavrório é mais para iniciados do que iniciantes, salpicado de expressões como "andares ontológicos", "ternário", "anima vs. corpus". Não é exatamente o que espera um bolsonarista afeito ao Olavo das redes sociais, aquele que fala em "cu" e "piroca", que solta pílulas como esta aqui de quinta-feira (4): "Só quem se fode nas revoluções socialistas são os pobres. Os ricos vão para Nova York, Paris ou Londres". 
  32. Nicolazzi, Fernando (17 de janeiro de 2020). «Brasil Paralelo, uma empresa colaboracionista». Sul 21. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2020. Entre as pessoas físicas e jurídicas que se ocupam de espalhar a palavra de Olavo pelo país, encontra-se a produtora Brasil Paralelo. Como se sabe, a empresa é responsável pela criação de conteúdos de história que conciliam falsificação documental, distorções interpretativas, preconceito religioso, inverdades históricas e desonestidade intelectual. Não é difícil comprovar este argumento. 
  33. Fucs 2017, Talvez o caso de maior sucesso seja o do pessoal do site Brasil Paralelo, que vendeu milhares de assinaturas do conteúdo que produz. Segundo informações não confirmadas pelos fundadores, a empresa teria amealhado R$ 1,5 milhão em seis meses. É sinal de que, ao menos para alguns, a onda da direita na internet pode ser sustentável.
  34. Valeri, Felipe (19 de julho de 2018). «Brasil Paralelo: em entrevista exclusiva, conheça a origem dos documentários que fazem sucesso na Internet». Boletim da Liberdade. Consultado em 7 de novembro de 2020. Tínhamos uma câmera emprestada – na verdade eram duas T5I Canon -, uma sala de seis metros quadrados e algum dinheiro, emprestado a juros, para pagar as viagens e o aluguel da pequena sala. 
  35. «Os mitos da Brasil Paralelo - Le Monde Diplomatique Brasil». diplomatique.org.br. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  36. Paulo, Diego (18 de maio de 2020). «Os mitos da Brasil Paralelo - Le Monde Diplomatique Brasil». diplomatique.org.br. Le Monde Diplomatique Brasil. Consultado em 7 de novembro de 2020 
  37. «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017 - Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul». Consultado em 15 de Abril de 2017 
  38. Luiza Veber (24 de março de 2017). «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017». Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  39. «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão. 10 de outubro de 2018. Consultado em 29 de Maio de 2020 
  40. Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira (7 de maio de 2019). «O que os olavistas querem do Ministério da Educação». Agência Pública. Consultado em 7 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2020. A pública analisou mais de 2.200 tuítes de 54 simpatizantes de Olavo de Carvalho para entender como buscam influenciar a agenda da educação no governo Bolsonaro 
  41. Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira (30 de abril de 2019). «Deus vult: uma velha expressão na boca da extrema direita». Agência Pública. Consultado em 7 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2020 
  42. Ethel Rudnitzki e Rafael Oliveira (10 de agosto de 2019). «Produtoras de cinema embarcam em "guerra cultural" de Olavo e ganham apoio». Agência Pública. Exame. Consultado em 7 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2020 
  43. Paulo Pachá (18 de fevereiro de 2019). «WHY THE BRAZILIAN FAR RIGHT LOVES THE EUROPEAN MIDDLE AGES». PSMagazine. Consultado em 6 de novembro de 2020 
  44. a b «História nas redes sociais – Brasil Paralelo lança nova série sobre A Última Cruzada. Acompanhe e compartilhe - A Voz do Cidadão». www.avozdocidadao.com.br 
  45. «O dia depois da eleição – O que sobrou do Brasil? (Série Brasil Paralelo)». Revista O Conservador. 3 de julho de 2018 
  46. a b «Educação política – Lançado o primeiro episódio de "O Teatro das Tesouras" do Brasil Paralelo e você pode assistir gratuitamente». A voz do cidadão. Consultado em 21 de setembro de 2018 
  47. a b
  48. «Brasil Paralelo». Brasil Paralelo. Consultado em 10 de abril de 2017 
  49. «Opinião: Trilogia sobre educação mostra nova trincheira do bolsonarismo contra esquerda». 5 de abril de 2020 
  50. «Trilogia Pátria Educadora | Assista todos episódios.» 

Bibliografia

  • Alcântara, Mauro Henrique Miranda de; Silva, Katiane da (2020). A historia a la carte do Brasil Paralelo e o ensino de história: explicando em sala de aula a importância da pesquisa histórica. 6º Simpósio Eletrônico Internacional de Ensino de História. LAPHIS - Unespar. Trata-se, na verdade, de uma empresa de caráter privado, com o intuito de promover o revisionismo histórico. E por divulgar e propagar seu conteúdo no Youtube, por meio de divulgação paga, um/a estudante, ao buscar nesta plataforma sobre um determinado assunto da História do Brasil, terá acesso, antecipadamente, ao conteúdo desta empresa. Isso impacta, diretamente, no conhecimento histórico que, tanto o/a estudante, quanto o/a professor levará para sala de aula. 
  • Carvalho, Roldão Pires; Rovida, Mara (2020). «A propaganda do ticket conservador-liberal – uma análise do potencial ideológico do discurso do ativismo de direita». Questões Transversais - Revista de Epistemologias da Comunicação. V. 8 (n. 15). ISSN 2318-6372 
  • Dias, André Bonsanto (2019). Um Brasil (em) Paralelo: as “verdades” da ditadura e sua historicidade mediada como um empreendimento político. XII Encontro Nacional de História da Mídia. Natal. ISSN 2175-6945. Nos parece fundamental perceber como este discurso está baseado sob premissas bastante paradoxais, no sentido de que a empresa parece se colocar em cima de um muro que ela mesma pretende derrubar. Ou seja, de acordo com esta perspectiva, existiria uma ideologia dominante responsável por encobrir a “verdadeira” história do país e o Brasil Paralelo, de forma comprometida e ao mesmo tempo “imparcial”, iria revisitá-la não a seu bel prazer, mas para “resgatar” uma narrativa que nos havia sido negada e que todos mereciam receber. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). «Olavo de Carvalho afunda série do Brasil Paralelo». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2018. Atendendo a pedidos, analisei o ep. 1 da série de vídeos de história do Brasil Paralelo, que recebeu o título geral “Brasil: A Última Cruzada”. Resultado: a perspectiva “cruzada” é interessante e importante, mas há uma série de erros bizarros também — dois deles cometidos por ninguém menos que Olavo de Carvalho. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). Brasil Paralelo: Erros bizarros e alguns acertos no ep. 1. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...tem coisas que realmente é um foco interessante e importante. Agora, para quem quer ser ou parece que os caras querem ser a palavra definitiva, a visão revolucionária que vai mostrar a verdade sobre as origens de Portugal e do Brasil. Não. Não é isso e tem problemas sérios que deveriam ser corrigidos na minha opinião. 
  • Nicolazzi, Fernando (23 de março de 2019). «A história da ditadura contada pelo Brasil Paralelo». Sul 21. Cópia arquivada em 1 de abril de 2019. Ou seja, trata-se de uma obra com claro viés político e ideológico, resultando paradoxalmente em algo que seus próprios autores e colaboradores condenam. O problema, gostaria de deixar claro, não é a existência do viés, mas sua vergonhosa negação. Supondo, assim, ser este um produto que mostre como são “todos os conteúdos gerados” pela Brasil Paralelo, podemos já fazer algumas inferências a respeito do vídeo que estreará em 31 de março. 
  • Nicolazzi, Fernando (7 de abril de 2019). «2019 – O Brasil Paralelo entre o passado histórico e a picanha de papelão». Sul 21. Cópia arquivada em 8 de abril de 2019. Estamos diante de uma instrumentalização e de uma falsidade por dois motivos bastante simples: meu artigo não dizia respeito diretamente ao vídeo em questão, tampouco sugeria qualquer tipo de boicote ou censura à sua exibição. Ou seja, ele aparece ali deslocado de seu contexto de origem e utilizado unicamente para repercutir o vídeo veiculado. Trata-se de marketing publicitário, não de uma verdade factual. Em outras palavras, se não estamos diante de uma mentira explicitamente enunciada, é certo que o que vemos é uma falsidade sugerida de forma implícita e que engana o espectador. Seria como, por exemplo, colocar uma imagem de garimpeiros de Serra Pelada realizada pelo fotógrafo Sebastião Salgado após o fim da ditadura para representar supostos guerrilheiros encarados como responsáveis pelo início dessa mesma ditadura. Não apenas um erro cronológico, mas uma falsificação histórica. 
  • Ratier, Rodrigo (16 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC traz História preconceituosa, diz especialista». UOL. Cópia arquivada em 23 de abril de 2020. A gente ainda não encontrou alternativas para fazer frente a esse tipo de estratégia que se ampara na mentira. De toda forma, essa discussão tem uma dimensão positiva, que é trazer para o primeiro plano a importância das demandas sociais pelo passado e do direito à democratização da História. Sobretudo, mostra a relevância do conhecimento histórico e da necessidade de ele ser produzido de forma honesta e com compromisso em relação à democracia. 
  • Vieira, Isadora Muniz (9 de outubro de 2019). «Historiadoras/es e o paralelismo charlatão». HH Magazine: humanidades em rede. Cópia arquivada em 16 de maio de 2020. Sabemos que não se trata de oferecer a um público interessado por essas temáticas um conteúdo de qualidade. Menos ainda, trata-se de um compromisso de formar as pessoas historicamente e “expandir o intelecto”. O objetivo é suprir uma demanda no mercado da conspiração, estabelecer um projeto nacional reacionário e lucrar com a desinformação. Como já pontuou o professor Fernando Nicolazzi, da UFRGS, o lucro por si só não deveria ser considerado um problema se o conteúdo vendido pela empresa não fosse intelectualmente desonesto e não tivesse a finalidade nefasta de desconstruir projetos políticos e sociais da nossa breve experiência democrática com revisionismo histórico barato (no sentido ruim da palavra, porque a assinatura do plano anual é de R$197,90). Acontece que esse paralelismo é paternalista, racista, sexista e avesso à pluralidade de ideias. É antidemocrátivo e autoritário. Vende conteúdo meramente opinativo e desprovido de constatações. 

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