Masorti

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde Fevereiro de 2008).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.

O Movimento massorti é o nome utilizado fora dos Estados Unidos da América e do Canadá para denominar a corrente judaica também conhecida como "Judaísmo Conservador".

Surgido ao final do século XIX o Movimento Conservador ficou conhecido como a denominação “do meio” no Judaísmo americano do século XX. Ou seja, um meio termo entre a “esquerda” religiosa representada pelo Movimento Reformista e a “direita” representada pela Ortodoxia.

O judaísmo conservador se caracteriza por:

  • um comprometimento com as leis e costumes judaicos tradicionais;
  • um ensinamento deliberadamente não fundamentalista dos princípios judaicos de fé;
  • uma atitude positiva frente à cultura moderna;
  • uma integração dos métodos rabínicos tradicionais de estudo e com o método cientifico modernos.

O judaísmo conservador tem suas raízes na escola de pensamento conhecida como judaísmo histórico positivo, desenvolvido na Alemanha nos idos de 1850, como reacção às posições religiosas mais liberais assumidas pelo judaísmo reformista. O termo conservador foi escolhido para indicar que os judeus devem conservar a tradição judaica, ao invés de reformá-la ou abandoná-la. O termo não implica que os participantes do movimento sejam politicamente conservadores. Dado este potencial para confusão, um número de rabinos conservadores propôs renomear o movimento (dentro) e fora dos Estados Unidos, ele é conhecido como judaísmo Masorti (termo hebraico para “Tradicional”).

História[editar | editar código-fonte]

Como o judaísmo reformista, o movimento conservador desenvolveu-se na Europa e nos Estados Unidos, no século XIX, quando os judeus reagiram às mudanças advindas do Iluminismo e da emancipação judaica. Na Europa o movimento era conhecido por judaísmo histórico positivo, e ainda é conhecido como “escola histórica.”

O judaísmo histórico positivo, o precursor do judaísmo conservador, desenvolveu-se como uma escola de pensamento entre 1840 e 1850, na Alemanha. Seu principal fundador foi o Rabino Zecharias Frankel, que rompeu com o judaísmo reformista alemão em 1845, pela rejeição do movimento reformista à primazia da língua hebraica nas orações judaicas. Em 1854, Frankel tornou-se o chefe do Seminário Teológico Judaico de Breslau, Alemanha. No seminário, Frankel ensinava que a lei judaica não era estática, ao contrário, sempre se desenvolvera em resposta à mudança de condições. Ele chamou seu enfoque de “Judaísmo Histórico Positivo”, que significa que a pessoa deveria ter uma atitude positiva na aceitação da lei e tradição judaicas como normativas, ainda que devesse estar aberto ao desenvolvimento da lei do mesmo modo como ela sempre se desenvolveu historicamente. Frankel rejeitava as inovações do judaísmo reformista como sem base suficiente na história judaica e na prática comunitária.

Entretanto, o uso por Frankel de métodos modernos de estudo histórico na análise de textos judaicos e desenvolvimento da lei judaica, colocaram-no à parte do judaísmo neo-ortodoxo, que estava se desenvolvendo na mesma época sob a liderança do Rabino Samson Raphael Hirsch. Na segunda metade do século XIX, os debates ocorridos no judaísmo europeu replicaram nos Estados Unidos. O judaísmo conservador começou, de maneira semelhante, como uma reacção à rejeição do judaísmo reformista à lei e à prática judaicas tradicionais. As diferenças entre as vertentes mais modernas e tradicionais do judaísmo americano vieram à tona em 1883, no “Trefa Banquet” – onde crustáceos e outros pratos não casher foram servidos na celebração da formatura da primeira classe do Hebrew Union College, em Cincinnati. A adopção da Plataforma ideológica radical de Pittsburgh, em 1885, que rejeitava a observância dos mandamentos rituais e das idéias de povo judeu e a nacionalidade judaica como “anacronismo”, criou um permanente atrito entre o movimento reformista e os judeus americanos mais tradicionais. Em 1886, os rabinos Sabato Morais e H. Pereira Mendes fundaram o Seminário Teológico Judaico (JTS), na cidade de Nova York, como uma alternativa mais tradicional ao Seminário Reformista Hebrew Union College. A breve afiliação do seminário com as congregações tradicionais que estabeleceram a União das Congregações Ortodoxas da América, em 1898, deveu-se fortemente à rejeição ortodoxa do enfoque académico, ou seja a possibilidade de estudar com os mesmos critérios da Universidade de Judaísmo do seminário com relação ao estudo judaico.

Na virada do século, o seminário fechou uma fonte de fundo permanente e passou a ordenar uma média de não mais que um rabino por ano. A sorte do judaísmo conservador passou por uma alteração dramática quando, em 1902, o famoso estudioso Solomon Schechter aceitou o convite para se tornar presidente do JTS, atraindo um corpo docente importante tornando-se um centro de renome, de alta reputação de estudo judaico. Em 1913, o movimento conservador fundou seu braço congregacional. A United Synagogue da América.

O judaísmo conservador passou por um rápido crescimento na primeira metade do século XX, tornando-se a maior denominação judaica americana. Sua combinação de inovação moderna (como assentos mistos – homens e mulheres sentando junto e prática tradicional) foi particularmente atractiva para a primeira e segunda gerações dos imigrantes judeus do leste europeu, que achavam a ortodoxia restritiva, mas o judaísmo reformista estranho. Depois da Segunda Guerra Mundial, o judaísmo conservador continuou a prosperar. Os anos 1950 e início dos 1960 apresentaram um “boom” na construção de sinagogas quando os judeus americanos se mudaram para os subúrbios.

A coalizão conservadora se rompeu em 1963, quando defensores da filosofia reconstrucionista do Rabino Mordechai Kaplan se retiram do movimento para formar um judaísmo reconstrucionista distinto. Kaplan tinha sido um líder do JTS durante 54 anos, e pressionou reformas e inovações litúrgicas na prática ritual dentro da estrutura do judaísmo conservador. Frustrados com a predominância das vozes mais tradicionalistas no JTS, os companheiros de Kaplan decidiram que as ideias do reconstrucionismo seriam melhor aproveitadas através da criação de uma denominação separada. Em 1968, a ruptura se formalizou com o estabelecimento do Reconstructionist Rabbinical College.

Nos anos 1970 e início dos anos 1980 o judaísmo conservador estava dividido quanto a assuntos referentes à igualdade de género. Em 1973, o Comitê de Lei e Conduta Judaica votou, sem adoptar uma teshuva (responsa rabínica), permitindo que mulheres contassem para minian, mas deixando a decisão de ser ou não igualitárias para cada congregação individualmente. Após toda uma década de debates, em 1983 o JTS votou por admitir a ordenação de mulheres como rabinas conservadoras. Certos oponentes desta decisão deixaram o movimento conservador para formar a União pelo Judaísmo Tradicional, grupo que hoje não tem expressão.

Nos anos 1990, a University of Judaism em Los Angeles estabeleceu a Ziegler School of Rabinic Studies como uma escola rabínica independente. Na época da Pesquisa sobre a População Judaica Nacional de 1990, o judaísmo conservador permanecia sendo a maior denominação na América, com 45% de famílias judaicas afiliadas a uma sinagoga conservadora (comparados aos 35% de reformistas e 16% de ortodoxo). Dez anos mais tarde, o NJPS demonstrou que o movimento conservador tinha sofrido sério desgaste, com somente 33% dos judeus americanos filiados a uma sinagoga pertencendo a uma sinagoga conservadora. Pela primeira vez em cerca de um século, o judaísmo conservador não era mais a maior denominação na América. Ao mesmo tempo, entretanto, certas instituições conservadoras, em particular escolas, demonstraram crescimento significativo. Líderes conservadores concordam que estas tendências indicam que o movimento havia alcançado uma encruzilhada na chegado do século XXI.

Crença[editar | editar código-fonte]

Durante a maior parte da história do movimento, o judaísmo conservador evitou publicar explicações sistemáticas sobre os princípios judaicos de fé. Isto era uma tentativa consciente de manter uma ampla coligação. Esta preocupação foi posta de lado em grande parte depois que a ala à esquerda do movimento se separou em 1968 para formar o movimento de reconstrucionista, e depois que a ala à direita se separou em 1985 para formar a União pelo Judaísmo Tradicional.

Em 1988, o conselho de liderança do judaísmo conservador finalmente emitiu uma declaração oficial de fé, Emet Ve-Emuna: Declaração dos Princípios do Judaísmo Conservador. De acordo com o judaísmo rabínico clássico, os judeus devem manter certos credos. Entretanto, a tradição judaica nunca desenvolveu nenhum catecismo obrigatório. Assim, é difícil, se não impossível, destacar somente credo formal da pessoa e mantê-lo como obrigatório. Ao contrário, Emet Ve-Emunah permite uma gama de credos judaicos que os rabinos conservadores acreditam serem autenticamente judeus e justificáveis, destacando o pluralismo e adversidade judaica.

Assim Emet Ve-Emuna afirma a crença em Deus e na inspiração divina da Torá; entretanto também afirma a legitimidade de múltiplas interpretações sobre esses assuntos. Ateísmo, visões trinitárias de Deus e politeísmos estão todos descartados. O judaísmo conservador rejeita explicitamente o relativismo, mas rejeita também o literalismo e o fundamentalismo.

Deus[editar | editar código-fonte]

O judaísmo conservador afirma o monoteísmo. Seus membros têm várias crenças sobre a natureza de Deus, e nenhum entendimento sobre Deus é mandatário. Entre as crenças afirmadas estão: racionalismo mainonideano; misticismo cabalista; panteísmo chassídico (neo-chassidismo, renovação judaica); teísmo limitado (como em “Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”, de Harold Kushner); pensamento orgânico no estilo de Whitehead and Hartshorne, processo teológico a.k.a (tal como rabinos Max Kadushin e William E. Kaufman).

O naturalismo religioso de Mordechai Kaplan (judaísmo reconstrucionista) costumava ter um lugar influente no movimento, mas uma vez que o reconstrucionismo desenvolveu um movimento independente, esta influência se enfraqueceu. Folhetos de uma recente conferência da Rabbinical Assembly sobre teologia foram editados como suplemento especial do jornal Conservative Judaism (inverno de 1999); os editores observam que o naturalismo de Kaplan parece ter caído na tela do radar do movimento.

Crença[editar | editar código-fonte]

Em concordância com o judaísmo tradicional, o judaísmo conservador mantém que Deus inspirou os profetas para escreverem a Torá (os cinco livros de Moisés) e a Bíblia hebraica. Entretanto, por razões teológicas, a maioria dos judeus conservadores rejeita a idéia judaica tradicional que Deus ditou as palavras da Torá a Moisés no Monte Sinai, em uma revelação verbal. A revelação divina, entretanto, enquanto mantida como real, é aceita geralmente como não verbal – quer dizer, a revelação não incluía as palavras em particular dos textos divinos. O judaísmo conservador admite uma vasta gama de visões quanto ao assunto da revelação.

Os judeus conservadores sentem-se à vontade com as decisões do estudo cientifico da Bíblia, incluindo a hipótese documentária, a ideia de que o texto actual da Torá foi composto de diversas fontes anteriores produzidas em diferentes momentos da história do povo de Israel. Eles vão além e as autoridades rabínicas do movimento e comentário da Torá oficial (Etz Hayim: Um Comentário da Torá) afirma que os judeus deveriam fazer uso de uma análise histórica e literária crítica moderna para compreender como a Bíblia se desenvolveu.

Os judeus conservadores reconciliam estas crenças, mantendo que Deus, de alguma forma, revelou Sua vontade a Moisés e aos profetas posteriores. Entretanto, relatos da revelação devem ter passado através dos séculos de muitas maneiras, inclusive documentos escritos, folclore, poemas épicos, etc. Esses relatos foram eventualmente compilados para formar a Torá e, a partir daí, os outros livro do Tanach (Bíblia hebraica).

Revelação[editar | editar código-fonte]

Em concordância com o judaísmo tradicional, o judaísmo conservador mantém que Deus inspirou os profetas para escreverem a Torá (os cinco livros de Moisés) e a Bíblia hebraica. Entretanto, por razões teológicas, a maioria dos judeus conservadores rejeita a idéia judaica tradicional que Deus ditou as palavras da Torá a Moisés no Monte Sinai, em uma revelação verbal. A revelação divina, entretanto, enquanto mantida como real, é aceita geralmente como não verbal – quer dizer, a revelação não incluía as palavras em particular dos textos divinos. O judaísmo conservador admite uma vasta gama de visões quanto ao assunto da revelação.

Os judeus conservadores sentem-se à vontade com as decisões do estudo cientifico da Bíblia, incluindo a hipótese documentária, a ideia de que o texto actual da Torá foi composto de diversas fontes anteriores produzidas em diferentes momentos da história do povo de Israel. Eles vão além e as autoridades rabínicas do movimento e comentário da Torá oficial (Etz Hayim: Um Comentário da Torá) afirma que os judeus deveriam fazer uso de uma análise histórica e literária crítica moderna para compreender como a Bíblia se desenvolveu.

Os judeus conservadores reconciliam estas crenças, mantendo que Deus, de alguma forma, revelou Sua vontade a Moisés e aos profetas posteriores. Entretanto, relatos da revelação devem ter passado através dos séculos de muitas maneiras, inclusive documentos escritos, folclore, poemas épicos, etc. Esses relatos foram eventualmente compilados para formar a Torá e, a partir daí, os outros livro do Tanach (Bíblia hebraica).

Halachá (lei judaica)[editar | editar código-fonte]

O judaísmo conservador vê a lei judaica como normativa e obrigatória. Entretanto, toma a posição de que a halachá pode e deve evoluir para ir de encontro à mudança da realidade da vida judaica. O judaísmo conservador, portanto, vê que esses códigos legais judaicos devem ser vistos através das lentes da crítica académica. Como observava Solomon Schechter, “por maior valor literário que um código possa ter, isto não lhe dá infalibilidade, nem isenta o estudante ou o rabino que faça uso dele da obrigação de examinar cada parágrafo por seus próprios méritos e o sujeitar às mesmas normas de interpretação que sempre foram aplicadas à tradição”. Os judeus conservadores acreditam que seu ponto de vista quanto à lei judaica como evolutiva e adaptável é de facto consistente com a tradição judaica. O judaísmo conservador mantém que ambos requisitos, éticos e rituais, são normativos. Os judeus conservadores portanto estão obrigados a observar leis rituais, incluindo o Shabat; manter-se Casher; a prática de reza três vezes ao dia; observar as festas judaicas e os eventos do ciclo de vida.

Diversos estudos têm demonstrado que há uma grande brecha entre o que o movimento conservador ensina e o que a maioria da comunidade tem incorporado às suas vidas diárias. A prática judaica conservadora é frequentemente indistinguível daquela do judaísmo reformista com respeito à observância das leis do Shabat ou do cashrut. Os judeus conservadores que são moderadamente ligados, entretanto, estão mais de acordo em seguir a doutrina conservadora na observância do ciclo de vida ou feriados (tal como ir à sinagoga nos dois dias de Rosh Hashaná ou manter as leis de Pessach). Há um significativo grupo de judeus conservadores comprometidos, formado por lideranças leigas, rabinos, chazanim, educadores e aqueles formados por escolas religiosas do movimento e acampamentos, que levam a lei judaica muito seriamente. Estudos recentes têm demonstrado um crescimento na observância dos membros do movimento.

Há um artigo em separado que detalha a responsa conservadora, opiniões legais e normas do judaísmo conservador e Masorti. A responsa conservadora foi redigida pelo Rabbinical Assembly’s Committee on Jewish Law and Standards.

Visões de outras denominações judaicas[editar | editar código-fonte]

O judaísmo conservador contrasta com outras denominações em duas áreas maiores de diferença:

Com referência ao grau de revelação da Torá: aqui o judaísmo conservador mantém que a crença ortodoxa na revelação verbal da Torá escrita e oral não é necessária ou mandatária para a crença judaica. Entretanto, eles também rejeitam a visão reformista da Torá como sendo somente inspiração humana. Ao contrário, aceitam a crença na divindade da revelação não verbal da Torá escrita como visão judaica correcta, histórica e autêntica. Nesta visão, a Torá oral é considerada inspirada pela Torá, mas não necessariamente de origem divina.

Com relação à interpretação da Halachá (lei judaica): Devida a tradição legal do judaísmo, as diferenças fundamentais entre as modernas denominações judaicas também envolvem a interpretação e a aplicação da lei e da tradição judaica. O judaísmo conservador acredita que seu enfoque é a mais autêntica expressão do judaísmo como ele era tradicionalmente praticado. Os judeus conservadores acreditam que os movimentos à sua esquerda, como o judaísmo reformista e o reconstrucionista, têm errado ao rejeitar a autoridade tradicional da lei e da tradição judaicas. Eles acreditam que os movimentos judaicos ortodoxos, à direita teológica, têm errado em refrear ou parar o desenvolvimento histórico da lei judaica: “O judaísmo conservador acredita que o estudo dos textos judaicos indica que o judaísmo tem estado constantemente envolvido no sentido de ir ao encontro das necessidades do povo judeu em circunstâncias variadas, e que a autoridade halachica central pode continuar a evolução da halachica hoje.” O movimento conservador faz um esforço consciente para usar as fontes históricas para determinar que tipo de mudanças têm ocorrido na tradição judaica, como e por que ocorreram, e em que contexto histórico. Com tais informações, eles acreditam que podem compreender melhor a maneira apropriada para os rabinos interpretarem e aplicarem a lei judaica às nossas condições hoje em dia.

Mordechai Waxman, um líder da Rabbinical Assembly, escreve que “a reforma tem afirmado o direito de interpretação, mas rejeita a autoridade da tradição legal. A ortodoxia apega-se rapidamente ao princípio da autoridade, mas tem em gerações recentes e na nossa própria rejeitado o direito a quaisquer interpretações menores. A visão conservadora é que ambas são necessária para um judaísmo vivo. Portanto, o judaísmo conservador mantém-se ligado à tradição legal judaica, mas reafirma o direito de seu corpo rabínico agir como um todo para interpretar e aplicar a lei judaica.” (Mordecai Waxman Tradition and Change: The Development of Conservative Judaism)

Um dos líderes do movimento conservador escreveu sobre enfoques legais do movimento, comparando a halacha a um jogo de xadrez. Nos século XVI e XVII (correlato à publicação de Shulkan Aruch e seus comentários), o movimento ortodoxo colocou um domo de vidro sobre o tabuleiro. Os judeus conservadores simplesmente tiraram o domo e começaram as mover as peças novamente de acordo com as normas. Os judeus reformistas rejeitam as normas do jogo. O judaísmo conservador vê os processos pelo qual o judaísmo reformista e o reconstrucionista fazem mudanças nas tradições judaicas como inválidos. Assim, o judaísmo conservador rejeita a descendência por parte de pai e manteria que uma criança filha de mãe não judia que cresceu como judeu reconstrucionista ou reformista não é legalmente judia e deveria passar pela conversão para tornar-se judeu. Da mesma forma, enquanto os serviços reformistas e reconstrucionistas ou outros rituais não são inerentemente inválidos, se eles não estiverem de acordo com os requisitos da halacha (p. ex. um serviço que omita uma reza legalmente necessária), eles não seriam reconhecidos como legalmente significantes. Apesar do desacordo do movimento conservador com os movimentos mais liberais, ele está de acordo com o pluralismo judaico e respeita o direito dos judeus reconstrucionistas e reformistas de praticarem o judaísmo de sua própria maneira. Assim o movimento conservador reconhece seu clero como rabinos, ainda que frequentemente não aceite suas decisões específicas como válidas.

Em contraste, enquanto o judaísmo conservador vê o enfoque ortodoxo sobre a halachá como rígida e muito diferente ao precedente passado, também o vê como legalmente válido. Deste modo um judeu conservador poderia satisfazer suas obrigações halachicas participando de rituais ortodoxos. O judaísmo ortodoxo, entretanto, vê o enfoque conservador à halacha como inválida. Em particular, eles criticam a posição conservadora de que o precedente halachico não é obrigatório e o uso de posições minoritárias na literatura rabínica como suporte às normas conservadoras. Uma crítica mais profunda é que o processo conservador é dirigido mais por um desejo de alcançar resultados preferidos pelos seculares do que pelas considerações haláchicas tradicionais. Como resultado, o judaísmo ortodoxo não reconhece os rituais conservadores e alguns elementos do judaísmo ortodoxo não reconhecem os rabinos conservadores como rabinos autênticos.

O Judeu Masorti ideal[editar | editar código-fonte]

Oito Expectativas de Comportamento, segundo o rabino Jerome Epstein:

  1. o Judeu Masorti ideal apoia uma sinagoga Masorti, participando de suas actividades;
  2. o Judeu Masorti ideal estuda, pelo menos uma hora por semana;
  3. o Judeu Masorti ideal emprega os valores judaicos aprendidos para orientar seu comportamento, mesmo quando entram em conflito com seus sentimentos ou inclinações pessoais;
  4. o Judeu Masorti ideal incrementa sua vida judaica, graças ao seu compromisso com o Judaísmo e a uma séria consideração dos valores judaicos, agregando um mínimo de três mitzvot novas por ano;
  5. o Judeu Masorti ideal emprega os valores de tikun olam para ajudar no contínuo reparo do mundo;
  6. o Judeu Masorti ideal só toma decisões sobre o comportamento judaico após ter considerado seu efeito em klal Israel;
  7. o Judeu Masorti ideal aumenta seus vínculos e conexões com Israel;
  8. o Judeu Masorti ideal estuda para aumentar seu conhecimento do hebraico.

Muitas pessoas pensam equivocadamente que o Judaísmo Masorti é um Judaísmo “em que cada um escolhe o que lhe apetece” – em que não há regras nem expectativas. Entretanto, na verdade, o Judaísmo Masorti é comprometido com a tradição judaica e com a observância das mitzvot.

Os ensinamentos de nosso Movimento deveriam afectar a forma como vivemos nossas vidas – porque se o Judaísmo não der forma às nossas decisões diárias e ao nosso estilo de vida, então não faz sentido. O Judeu Masorti ideal é um judeu que se esforça, um judeu que está sempre a crescer em compromisso e em conhecimento. Cada um de nós deveria subir continuamente pela escada da observância. O Judaísmo Masorti pede-nos para aprendermos e crescermos.

O Judaísmo Masorti ou Conservador no Brasil[editar | editar código-fonte]

Há várias comunidades filiadas ao Conselho Mundial das Sinagogas Conservadoras e Masorti, sendo que algumas têm filiação dupla - a este organismo, ou a outros movimentos judaicos não-ortodoxos.

Destacam-se a Congregação Israelita Paulista, esta afiliada também ao organismo mundial do Judaísmo liberal a Comunidade Shalom, ambas em São Paulo, e a Congregação Judaica do Brasil, no Rio de Janeiro e a Congregação Israelita do Paraná em Curitiba.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]