Thelema

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Thelema é a filosofia ou religião (dependendo do ponto de vista) baseada nos dois preceitos fundamentais da chamada Lei de Thelema:

  • "Faze o que tu queres, será o todo da Lei."[1]
  • "Amor é a lei, amor sob vontade."

Estes foram apresentados ao mundo, desta forma, no Livro da Lei (Liber AL vel Legis), escrito por Aleister Crowley nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904.

Crowley desenvolveu o sistema thelêmico a partir de uma série de experiências metafísicas experimentadas por ele e sua então esposa, Rose Edith Kelly Crowley, no início de 1904. A partir dessas experiências ele alegava ter sido contactado por uma inteligência não-corpórea denominada Aiwass (a quem identificou mais tarde como seu Sagrado Anjo Guardião), que ditou a ele, entre o meio-dia e as 13 horas dos dias 8, 9 e 10 de abril daquele ano, o Livro da Lei (Liber AL vel Legis). Sabe-se, além disso, que pensadores anteriores a Crowley apresentaram traços da cosmovisão e sistema contidos no livro, de modo que o conhecimento thelêmico, embora coroado pelo Liber AL, não se restringe a ele.

O livro contém tanto a frase "Faze o que tu queres será o todo da Lei" quanto o termo θέλημα, que Crowley tomou como nome do sistema filosófico, místico e religioso que veio a se desenvolver a partir do texto daquele livro, considerado sagrado pelos thelemitas, ou seja, aqueles que seguem a filosofia ou religião de Thelema. O sistema thelêmico inclui uma série de referências de magia, ocultismo, misticismo e religião, tanto ocidentais quanto orientais, tais como a Cabala e a Yoga. Segundo Crowley, Thelema representaria um novo sistema ético e filosófico para a humanidade, caracterizando um Novo Aeon (Nova Era).

É comum que a Lei de Thelema seja compreendida, à primeira leitura, como uma licença para que se executem todos os desejos e caprichos que uma pessoa tenha, sem que haja responsabilidade ou consequências por seus atos. Contudo, esta filosofia prega justamente o oposto, partindo da ideia de que cada ser humano, por possuir livre arbítrio, é inteiramente responsável por sua existência e por suas ações, sem ser absolvido ou culpado por nenhum Deus ou Diabo no que tange o destino de sua própria vida. A liberdade de todo Homem e toda Mulher é, portanto, cultuada, uma vez que, como consta no Liber AL, "Todo homem e toda mulher é uma estrela". O resultado disso é um profundo respeito a si próprio, a cada indivíduo e a cada forma de vida como sendo expressões particulares do Divino.

Além disso, Thelema conclama cada um à descoberta e realização de sua Vontade (a inicial maiúscula sendo utilizada para diferenciar esta da vontade trivial, a expressão Verdadeira Vontade também sendo utilizada para tanto). Cada um de nós tem por obrigação descobrir e cumprir essa Verdadeira Vontade, deixando de lado todo capricho e distração que possa nos afastar deste objetivo máximo. Ao realizá-la, estamos nos integrando perfeitamente à nossa Natureza, que reflete a ordem do Universo. Portanto, realizar a Verdadeira Vontade é despertar para a Vontade do Universo.

Em Thelema, considera-se a Divindade como algo imanente: isto é, que vive dentro de tudo. Logo, conhecer sua Vontade mais íntima também é conhecer a Vontade de seu Deus Interno. Esse processo de descoberta da Vontade além dos desejos do Ego constitui um método de realização espiritual baseado principalmente no autoconhecimento. Infelizmente, os escritos de Crowley são usualmente mal interpretados e incrivelmente tomados no sentido oposto ao original, dando origem a comportamentos anti-sociais que nada têm a ver com Thelema.

A nível social, Thelema pode ser entendida como a luta pela vivência da Liberdade de cada indivíduo, de modo que ele possa se realizar de acordo com sua órbita particular, isto é, dentro de suas vivências e escolhas específicas. Considerar a importância essencial do indivíduo para o mundo pode ser uma postura menos pragmática do que a tradição política adotada por sociedades opressoras e massificantes. No entanto, pelo que foi explicado anteriormente, está claro que a tirania e os regimes totalitários nada têm a ver com Thelema.

Antecedentes históricos[editar | editar código-fonte]

Hexagrama Unicursal, um dos mais comuns símbolos de Thelema.

A palavra Thelema é incomum no Grego Clássico, significando o desejo, mesmo o sexual. Porém já se torna comum na Septuaginta (versão da Bíblia hebraica para o dialeto grego Koiné). Antigas escrituras cristãs utilizavam esta palavra por vezes para se referir à vontade humana, mas era mais usual como referência à vontade de Deus. Na oração do Pai Nosso, por exemplo, em "Venha a nós o Vosso reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu;" (Mateus 6:10), o original de "vontade" é θέλημα. Ainda no mesmo evangelho, em Mateus 26:37, tem-se Jesus dizendo a Deus: "Faça-se a Tua vontade", novamente com o termo Thelema no original. Ainda além, Santo Agostinho, em um sermão do Séc. V d.C., utiliza a frase "Dilige et quod vis fac" ("Ama e faze o que tu queres").

O texto renascentista "Hypnerotomachia Poliphili", creditado ao monge dominicano Francesco Colonna e com primeira publicação em 1449, possui uma personagem chamada Thelemia, representativa da vontade ou desejo, que em conjunto com Logistica (a razão) guiavam o protagonista Polifilo por sua jornada em busca de sua amada. Quase sempre, ao ser obrigado a escolher entre os conselhos de Logistica e Thelemia, Polifilio dava ouvidos à seus impulsos sexuais e não à lógica. Esse livro teve grande influência sobre outra obra de grande importância para a base filosófica thelêmica, a novela do século XVI, "Gargantua e Pantagruel", do monge franciscano François Rabelais. Neste texto clássico se descreve a "Abadia de Thélème", cuja única regra consistia em "Faix çe que tu veux" ("Faze o que tu queres"). Já em meados do século XVIII, Sir Francis Dashwood inscreve este adágio, que se tornaria o lema do Hellfire Club, na porta de entrada de sua própria abadia, em Medhenmam, Inglaterra. "Gargantua e Pantagruel" também é referenciado na novela de Sir Walter Besant e de James Rice, "Os Monges de Thelema" (1878), e na utopia "A Construção de Thelema" (1910), de C. R. Ashbee.

François Rabelais[editar | editar código-fonte]

François Rabelais.

Rabelais, que viveu no século XVI, foi inicialmente um monge franciscano e posteriormente beneditino que depois deixou o monastério para estudar medicina em Lyon (1532). Lá escreveu "Gargantua e Pantagruel", uma série de livros satírica sobre dois gigantes, respectivamente pai e filho, e suas aventuras divertidas e extravagantes, a partir de uma perspectiva humanista cristã. Nestas histórias, thelema é referenciada sempre como a vontade divina, a qual seria a suprema regente da Abadia. Ainda que os textos apresentem elementos de estoicismo e caridade cristã, estes são considerados precursores diretos da filosofia thelêmica.

A Abadia de Thelema é descrita no primeiro livro (capítulos 52 a 57). Construída por Gargantua, a Abadia é uma clássica utopia concebida como crítica à sociedade nos tempos de Rabelais. Nela, os desejos de todos eram plenamente satisfeitos. Ainda que satíricos, os princípios ali colocados correspondem aos ideais considerados por Rabelais como os mais elevados. Os habitantes da Abadia eram governados apenas por sua livre vontade e por seu prazer, sendo o "Faze o que tu queres" a única regra. Rabelais acreditava que o ser humano livre, bem nascido e com suas necessidades supridas seria pleno de honra; o que terminaria por resultar em atos virtuosos. A natureza nobre do ser humano, entretanto, seria suprimida juntamente com sua liberdade, pois quando os desejos são negados busca-se alcançá-los por quaisquer meios.

Alguns thelemitas contemporâneos consideram o trabalho de Crowley como visando justamente a natureza intrinsecamente nobre do homem, tal como no pensamento de Rabelais. Assim, credita-se ao franciscano a criação da base filosófica de Thelema, tendo sido um dos primeiros a se referirem a tais ideias. Muitas vezes, Rabelais é chamado de "O Primeiro Thelemita". Contudo, nas palavras de Sabazius, o atual Rei (Grande Mestre Nacional) da Ordo Templi Orientis para os Estados Unidos:

"São Rabelais jamais considerou que sua ficção satírica fosse um esquema para uma sociedade humana real… [A filosofia de] Thelema é aquela do Livro da Lei e dos escritos de Aleister Crowley".

Por outro lado, Aleister Crowley escreveu no texto "Os Antecedentes de Thelema" (1926) que Rabelais, tanto quanto possível, chegou muito perto da Lei de Thelema conforme Crowley a compreendia, antecipando-se, assim, à escritura do Livro da Lei. Porém, afirmava também que seu próprio trabalho era mais profundo, apresentando uma metodologia praticável por qualquer pessoa, baseada nos mesmos princípios da pesquisa científica, revelando mistérios que Rabelais guardou para si mesmo ao buscar um ideal, ao invés de uma forma prática de se pensar questões políticas, econômicas e sociais. Sem esse trabalho prático, segundo Crowley, é impossível a realização da Lei.

Rabelais está incluído entre os Santos da Ecclesia Gnostica Catholica, juntamente com 70 outros nomes como Virgílio, Catullus, Swinburne, Friedrich Nietzsche, Richard Wagner e William Blake.

Francis Dashwood e o Clube do Inferno (Hellfire Club)[editar | editar código-fonte]

Retrato de Francis Dashwood, 15º Barão de le Despencer, por William Hogarth, final dos anos 1750.

Sir Francis Dashwood adotou alguns dos ideais de Rabelais e aplicou a regra do "Faze o que tu queres" no grupo fundado por ele, os Monges de Medmenham (grupo mais conhecido como Hellfire Club). Uma abadia foi estabelecida em Medmenham, uma propriedade que englobava as ruínas de uma abadia cisterciense fundada em 1201. O grupo era conhecido como "franciscanos", ainda que sem ligação com a ordem católica dos Franciscanos ou com São Francisco de Assis, mas sim por conta de seu fundador. Dentre os membros do clube destacam-se políticos como John Wilkes e George Dodington. Há poucas evidências das atividades ou crenças praticadas no Clube do Inferno. Os poucos testemunhos existentes foram deixados por Wilkes, que jamais entrou na capela principal ou chegou a ser membro do círculo interno. Contudo, ele descreve os membros como hedonistas que "se encontravam para celebrar as mulheres e o vinho" e acrescentavam às suas atividades as ideias dos antigos apenas para tornar a experiência mais decadente.

Na opinião do Tenente-Coronel Towers, o grupo tinha pouco mais com Rabelais do que a inscrição "Faze o que tu queres" sobre a porta de entrada. O pesquisador acredita que eles usavam o complexo de cavernas na propriedade como um templo oracular dionisíaco, baseando-se nas próprias interpretações dos capítulos de "Gargantua e Pantagruel" que interessavam a Dashwood. Sir Nathaniel Wraxall, em suas "Memórias Históricas" (1815), acusou os monges de realizarem rituais satânicos, porém os membros do Clube alegaram que isso era uma heresia. Gerald Gardner e outros como Mike Howard alegam que os monges adoravam a Deusa mãe. Daniel Willens, que estariam ligado à Maçonaria (o que é negado por instituições maçônicas) bem como que Dashwood poderia ter conhecimentos sobre sacramentos secretos da Igreja Católica, sem entretanto apresentar qualquer evidência de tanto.

Aleister Crowley[editar | editar código-fonte]

Aleister Crowley (18751947) foi um ocultista, montanhista, pintor e escritor inglês. Em 1904, em uma experiência mística, teve o Livro da Lei ditado a ele por uma entidade denominada Aiwass, livro sagrado que atua como pedra fundamental para o sistema filosófico, religioso, social e mágico chamado Thelema.

O Livro da Lei[editar | editar código-fonte]

O sistema thelêmico tem início com a escritura do Livro da Lei, cujo nome oficial é Liber AL vel Legis. Foi escrito no Cairo, Egito, durante a lua de mel de Crowley e sua primeira esposa, Rose Kelly. Este pequeno livro contém três capítulos, cada um escrito durante o período entre o meio-dia e as 13h00, dos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904. Crowley dizia que escreveu o livro segundo o que lhe foi ditado por uma entidade "preter-humana" de nome Aiwass, a qual posteriormente identificou como sendo o seu próprio Sagrado Anjo Guardião. Israel Regardie, discípulo e secretário particular de Crowley, preferia atribuir a voz ao próprio subconsciente de Crowley, mas as opiniões sobre a identidade de Aiwass variam enormemente entre os thelemitas. Apesar das referências a Rabelais, a análise de Dave Evans do Livro da Lei apresenta maiores semelhanças com o texto "O Amado de Hathor e a Capela do Gavião Dourado", peça de Florence Farr, do que com "Gargantua e Pantagruel". Evans diz que isso pode resultar do fato de que tanto Farr quanto Crowley terem sido membros da Ordem Hermética da Aurora Dourada e dela tenham absorvido os ensinamentos e a simbologia, e que Crowley talvez conhecesse o material anterior e tenha se inspirado nos textos de Farr. Sutin também encontra similaridades com o trabalho de W. B. Yeats, atribuindo tais similaridades a "inspirações compartilhadas" (como uma espécie de zeitgeist) ou talvez ao conhecimento por parte de Yeats do trabalho do próprio Crowley.

Crowley escreveu vários comentários sobre o Livro da Lei, o último dos quais em 1925. Este breve trabalho, intitulado apenas "O Comento" avisa sobre os perigos do estudo do Livro e da discussão de seu conteúdo, deixando claro que:

"Todas as questões da Lei são para serem decididas apenas por apelos aos meus escritos, cada pessoa por si mesma".

Verdadeira Vontade[editar | editar código-fonte]

De acordo com Crowley, todo indivíduo é dotado de uma Verdadeira Vontade, a qual deve ser diferenciada das vontades ordinárias e dos desejos do Ego. A Verdadeira Vontade é, essencialmente, o "chamado" ou "propósito" da vida de alguém. Alguns magos recentes concluem que o ato de chegar à auto-realização deve ser feito por seus próprios esforços, sem a ajuda de Deus ou qualquer outra autoridade divina. De trabalhos como o "Liber II - A Mensagem de Mestre Therion" pode-se entender que a Verdadeira Vontade do indivíduo é nada mais que uma porção da própria Vontade Divina. "Faze o que tu queres será o todo da Lei" não se refere ao hedonismo, acatando-se qualquer desejo mundano, mas no atender do chamado desse propósito maior. O thelemita é um místico que, de acordo com Lon Milo Duquette, baseia suas ações no sentido de descobrir e executar essa Vontade; quando alguém a realiza é como se encontrasse sua própria órbita entre os demais corpos celestes na ordem universal, e o universo passa a auxiliá-lo. Não se deve confundir esta ideia com a chamada "Lei da Atração", apresentada pelo Movimento Novo Pensamento. Thelema não implica o desejo por algo, mas sim a descoberta da sua própria natureza íntima, de modo a se alcançar paz e unidade com o Universo. De forma a alguém se tornar capaz de seguir sua Verdadeira Vontade, as inibições instiladas pela sociedade no Self devem ser quebradas por um processo de descondicionamento. Crowley acreditava que isso seria alcançado pela libertação de todos os desejos inconscientes e pelo controle da mente consciente, especialmente das restrições colocadas à expressão sexual, que é associada ao poder da criação divina. Thelema associa a Verdadeira Vontade de cada indivíduo com o Sagrado Anjo Guardião, o daimon único de cada ser humano. A busca espiritual para se alcançar e cumprir essa Verdadeira Vontade também é conhecida em Thelema como parte da chamada Grande Obra.

Cosmologia[editar | editar código-fonte]

A Estela da Revelação, onde se vêem Nuit, Hadit como o globo solar alado, Ra-Hoor-Khuit sentado em seu trono, e o criador da estela, o escriba Ankh-af-na-khonsu .

Thelema utiliza como principais divindades de sua cosmologia os deuses e deusas da religião do Antigo Egito. Os três principais deuses são os relativos aos três capítulos do Livro da Lei. Estes deuses são:

  • Nuit: representada na arte antiga como uma mulher cujo corpo estrelado e curvado é a própria abóboda celeste. Ela é percebida como a Grande Mãe, a fonte primal de todas as coisas. Está ligada ao Primeiro Capítulo do Livro da Lei.
  • Hadit: o ponto infinitesimal, complemento e consorte de Nuit. Hadit simboliza a manifestação, o movimento e o tempo. Também é descrito no Livro da Lei como "a chama que queima em todo coração humano, e no âmago de cada estrela" (Liber Al vel Legis II:6). Está ligado ao Segundo Capítulo do Livro da Lei.
  • Ra-Hoor-Khuit: uma das manifestações de Hórus. Ele é simbolizado como o homem entronado com cabeça de falcão, carregando um cetro. É associado ao Sol e às energias ativas na magia thelêmica. Está ligado ao Terceiro Capítulo do Livro da Lei.

Outras divindades de importância em Thelema são:

Magia e Ritualística[editar | editar código-fonte]

Thelema possui um conjunto próprio de práticas mágicas que recebe o nome de "Magick". Esta denominação foi utilizada por Crowley (a partir da forma vitoriana do termo "magic") para diferenciar seu sistema mágico da magia de salão, também conhecida como ilusionismo ou prestidigitação (no idioma inglês, não existem termos distintos para magia e mágica). É um sistema metafísico completo, englobando exercícios e práticas que buscam levar o adepto ao encontro de seu Sagrado Anjo Guardião e, através dele, ao conhecimento da Verdadeira Vontade e sua consecução. Crowley foi um autor prolífico, integrando práticas místicas orientais com práticas ocultistas ocidentais, muitas advindas do trabalho da Aurora Dourada. Ele recomendava uma série básica destas práticas a seus discípulos, incluindo o básico do Yoga (asana e pranayama), o Ritual Menor do Pentagrama, da Aurora Dourada, a Missa da Fênix e o Liber Resh, sendo que este último consiste de quatro adorações diárias ao Sol (representando o Self). São também práticas criadas ou recomendadas por Crowley várias de magia sexual e de origem gnóstica. Muito de seu trabalho pode ser encontrado tanto em livros como o "Magick Without Tears" ("Magick sem Lágrimas") e o "Gems of the Equinox" ("Jóias do Equinox"), bem como em diversos sites da Internet.

Em ordens thelêmicas como a Ordo Templi Orientis ou a Astrum Argentum o trabalho mágico é feito através de uma série de graus iniciáticos. Thelemitas que seguem seus caminhos de forma autônoma costumam se basear em trabalhos de Crowley disponíveis publicamente como um guia e em sua própria intuição.

A ênfase da magia thelêmica não é a obtenção de resultados materiais (para tanto, os thelemitas costumam recorrer a outros sistemas mágicos como a Goécia, a Sigilização ou a Feitiçaria), mas sim no desenvolvimento espiritual através do auto-conhecimento e do contato com o Sagrado Anjo Guardião, sendo este seu principal objetivo. Este contato consciente é conhecido como o "Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião" e leva ao conhecimento da Verdadeira Vontade. Ainda que Crowley considerasse o Sagrado Anjo Guardião como uma entidade separada da pessoa, muitos thelemitas atuais o vêem como uma manifestação do Self, isto é, o centro da totalidade psíquica do ser humano, o que para a psicologia jungiana, equivale a Deus.

Nas linhas de trabalho por graus mágicos, os Graus mais altos são alcançados através do cruzar do Abismo com o auxílio do Sagrado Anjo Guardião e o abandonar do Ego. Contudo, caso o adepto não esteja preparado adequadamente, será tragado por seu próprio ego, tornando-se um Irmão Negro. Dessa maneira, em vez de se tornar uno com Deus, derramando seu sangue na taça de Babalon e se abrindo pela fórmula do Amor para todo o Universo, o Irmão Negro passa a considerar seu Ego como sendo Deus, fechando-se nele. De acordo com Crowley, o Irmão Negro desintegra-se gradualmente, passando a depender da adoração de outras pessoas para seu próprio auto-engrandecimento.

Crowley pregava um exame cético sobre todos os resultados obtidos através da meditação ou da magia. Ele insistia na necessidade da manutenção de um diário mágico, que deveria conter todas as condições observáveis de um evento para posterior análise e comparação. Com isso, buscava uma metodologia para a experiência mística ou mágica semelhante à metodologia empregada pela ciência tradicional e, com isso, separar ''Magick'' do misticismo barato e da superstição. Crowley definia Magick como "o método da ciência e o objetivo da religião", alegando que toda experiência mágica deveria ser passível de comprovação e repetição não acidental. Sendo a magia, porém, uma ciência empírica, os resultados são quase sempre subjetivos, de modo que o que pode ser visto como sucesso por um praticante pode ser entendido como fracasso por outro ou como fantasia por um cético. Contudo, a ideia é que se um mesmo praticante repete o mesmo processo nas mesmas condições, os resultados obtidos devem ser reconhecíveis como sendo suficientemente próximos para que se aceitem como verdadeiros.

Não é necessário, entretanto, que se pratique qualquer forma de sistema mágico para ser um thelemita. Considera-se como sendo um thelemita todo aquele que aceita o Livro da Lei como seu livro sagrado e siga a filosofia ali expressa segundo suas próprias interpretações.

Ética[editar | editar código-fonte]

O Liber AL vel Legis coloca alguns preceitos básicos para a conduta individual. O principal é o "Faze o que tu queres", que representa tanto a primeira instância da Lei como um direito inerente a todo ser humano. Posto que os thelemitas utilizam a Lei de Thelema também como um cumprimento, entende-se que esse direito inclui a obrigação de permitir que o outro cumpra também sua Vontade sem interferências, ainda que tal pensamento não esteja presente no Liber AL vel Legis de forma explícita.

Ainda que Crowley tenha dito não haver necessidade de se detalhar uma ética thelêmica, uma vez que tudo está incluso na própria Lei de Thelema, escreveu vários documentos apresentando sua visão pessoal de conduta individual à luz da Lei thelêmica, sendo que alguns fazem referência à questão da interferência sobre o caminho alheio, sendo eles "Liber Oz", "Dever", "Liber II". "Liber Oz", considerado por muitos como uma Carta de Direitos Humanos, enumera uma série de direitos individuais derivados do "Faze o que tu queres", que incluem, entre outros, o direito de viver por sua própria lei, trabalhar como desejar, morrer como e quando desejar, amar quem, como e quando desejar, etc... Estas declarações, contudo, não devem ser interpretadas como uma licença para que se ignore a legislação ou o direito alheio, uma vez que em Thelema considera-se que cada um deve assumir integralmente a responsabilidade por seus atos e suas consequências.

"Dever" é descrito como "uma nota sobre as principais práticas de conduta a serem observadas por aqueles que aceitam a Lei de Thelema". Divide-se em quatro sessões:

  • A - Seu dever para consigo mesmo: descreve o Self como o centro do universo, com um chamado a que cada um aprenda sua natureza interna. Incita o leitor a desenvolver cada faculdade sua de forma equilibrada, estabelecendo sua própria autonomia e devotando-se ao serviço de sua própria Verdadeira Vontade.
  • B - Seu dever para com os outros: explica que se deve eliminar a ilusão de que exista uma separação entre alguém e todos os outros, a lutar quando necessário, a evitar a interferência com a Vontade alheia, a iluminar os outros quando necessário e a adorar a natureza divina de todas os outros seres.
  • C - Seu dever para com a Humanidade: coloca que a Lei de Thelema deveria ser a única base de conduta, que as leis mundanas deveriam ter como objetivo assegurar a liberdade maior de cada indivíduo, sendo o crime descrito como uma violação da Verdadeira Vontade de alguém.
  • D - Seu dever para com todos os outros seres e coisas: diz que a Lei de Thelema deveria ser aplicada a todos os problemas e usada para se decidir toda questão ética, sendo uma violação da Lei utilizar um animal ou objeto para um propósito distinto daquele para o qual foi criado, tal como arruinar algo de forma que se torne inútil a seu propósito. Os recursos naturais podem ser utilizados pelo ser humano, mas isso deve ser feito sabiamente ou a quebra da Lei seria vingada, como por exemplo o desflorestamento causando erosão do solo ou o desmatamento de encostas ocasionando deslizamentos).

Em "Liber II - A Mensagem de Mestre Therion", a Lei de Thelema é apresentada sucintamente como sendo "Faze o que tu queres, então não faça mais nada". Crowley descreve a busca da Vontade não apenas como alheia a qualquer resultado como também com incansável energia. É o Nirvana alcançado e mantido de forma dinâmica e não estática. A Verdadeira Vontade é descrita como uma órbita individual e os obstáculos que impedem sua consecução devem ser eliminados.

De forma geral, cada thelemita é instigado a estabelecer seu próprio código de conduta e sua própria ética, de acordo com sua interpretação individual do Livro da Lei e de sua própria experiência de vida, seus estudos e suas conclusões. Em Thelema um código padronizado de conduta é impossibilitado pela inexistência de dogmas ou interpretações oficiais ou "corretas" de qualquer um de seus textos sagrados.

O Fim do Aeon[editar | editar código-fonte]

Ao contrário da absoluta maioria das religiões, que se baseiam em uma continuidade eterna de suas verdades espirituais, dentro do próprio Liber AL vel Legis já se prenuncia o fim da validade da fórmula atual de Thelema (Liber AL III:34), na chamada queda do Grande Equinócio:

"Quando Hrumachis erguer-se-á e aquele da dupla baqueta assumirá meu trono e lugar, um outro profeta deverá erguer-se, e trazer febre fresca dos céus. Uma outra mulher despertará a volúpia e a adoração da Serpente. Uma outra alma de Deus e da besta misturar-se-á no sacerdote englobado, um outro sacrifício maculará a tumba. Um outro rei deverá reinar e a bênção não mais será derramada ao místico Senhor da cabeça de Falcão".

Isso se deve à ideia thelêmica de que a evolução espiritual humana baseia-se em ciclos, chamados Aeons, cada um regido por um arquétipo, normalmente representado por uma divindade egípcia. Até hoje dois ciclos foram completados:

  • Aeon de Ísis: a época da Deusa Mãe, quando o ser humano cultuava os aspectos femininos da criação. O ser humano é visto espiritualmente como um bebê de colo.
  • Aeon de Osíris: a época do Deus Pai, quando os aspectos masculinos da ordem e do sacrifício eram cultuados. Entende-se o ser humano espiritualmente como uma criança que já não mais se nutre do leite materno, porém necessita ainda do amparo e da disciplina paternas.

Thelema atua dentro do terceiro ciclo, o chamado Novo Aeon:

  • Aeon de Hórus: a época do Deus Interior, na qual se cultua a individuação (não o individualismo), nos aspectos hermafroditas, equilibrando o masculino e o feminino. O ser humano evolui até a maturidade, não necessitando mais de divindades externas, tornando-se ele próprio seu deus e redentor.

Crowley presume que o próximo Aeon, que deve ocorrer por volta do ano 3900, será o de Maat, a deusa egípcia da Justiça, quando a fórmula atual já terá cumprido seu objetivo e não será mais necessária, devendo deixar um novo pensamento tomar lugar no mundo.

Lugares Importantes[editar | editar código-fonte]

Cefalú[editar | editar código-fonte]

Em 1920, Crowley fundou na cidade de Cefalú, no sul da Itália, uma comunidade a qual deu o nome de Abadia de Thelema. Nessa comunidade foi escrito um de seus mais pungentes livros, "Diary of a Drug Fiend" ("Diário de um Viciado em Drogas"), onde conta sua luta para livrar-se do vício em heroína (adquirido como forma de tratamento da época para a asma) e sua derrota. Sua filha, Anna Leah, morreu ali de febre tifóide ainda na infância, ocasionando um dos momentos de maior dor na vida de Crowley.

Raoul Loveday, discípulo de Crowley e morador da Abadia, morreu no local de infecção e sua esposa, Betty May, narrou o caso de forma sensacionalista para tablóides britânicos. Isso resultou em um escândalo que fez com que o governo fascista de Benito Mussolini expulsasse Crowley da Itália em 1923. As ruínas da Abadia, cujas paredes ainda exibem pinturas murais de Crowley, atraem turistas até hoje. Próximo a elas, algumas vezes encontram-se pequenas cruzes de madeira cobertas de rosas.

Boleskine[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1899 Crowley comprou uma mansão às margens do lago Loch Ness, próximo à Inverness, na Escócia, chamada de Boleskine. Lá realizou o rito de Abramelin, cuja execução completa durou um ano e meio. Por este motivo, Boleskine é considerada como o "Leste Mágico" de Thelema, similar à Meca dos muçulmanos. Lá foi também executada pela primeira vez o mais importante rito da Ordo Templi Orientis, a Missa Gnóstica (Liber XV).

A casa mudou de dono várias vezes e chegou a ser propriedade do músico Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, banda britânica de Heavy rock. Page é um dos maiores colecionadores de materiais relativos a Crowley e permitia que turistas acampassem na propriedade enquanto esta era sua.

Celebrações[editar | editar código-fonte]

Conforme definido pelos versículos II:36 a II:44 do Liber AL vel Legis, uma série de celebrações são festejadas anualmente ou esporadicamente pelos thelemitas.

Celebrações Anuais[editar | editar código-fonte]

  • As Festas das Estações: são os Equinócios e os Solstícios, comemorados no dia 20 dos meses de março, junho, setembro e dezembro.
  • O Supremo Ritual: comemorado durante o Ano Novo Astrológico, no Solstício de março (corresponde ao Ano Novo Thelêmico).
  • Os Três Dias de Escritura do Livro da Lei: uma celebração à escrita do Liber AL vel Legis, nos dias 8, 9 e 10 de abril.
  • Primeira Noite do Profeta e Sua Noiva: comemora a união de Crowley e Rose Kelly, que resultou no Livro da Lei, no dia 12 de agosto.
  • O Equinócio dos Deuses: comemorado durante o Equinócio de Outono.

Também é muito comum entre os thelemitas que se comemore o Nascimento do Profeta (12 de outubro) e a Morte do Profeta (1º de dezembro).

Celebrações Esporádicas[editar | editar código-fonte]

  • Festa para o Fogo: maturidade de um menino, em seu aniversário de 14 anos.
  • Festa para a Água: maturidade de uma menina, no dia de sua menstruação.
  • Festa para a Vida: nascimento de uma criança.
  • Festa para a Morte: também chamado de Grande Celebração, ocorre no falecimento de um thelemita.

Números Importantes[editar | editar código-fonte]

Já na leitura do Liber AL vel Legis percebe-se que os números ocupam um lugar importante dentro da simbologia thelêmica. Em Liber AL I:3 há uma pista em relação a isso quando se diz que "Todo número é infinito, não há diferença". Assim, todo número assume uma condição especial, com um denominador comum. Alguns números são conhecidos por seu uso regular na simbologia thelêmica:

  • 31 - Não está presente no Liber AL vel Legis, mas de acordo com Crowley é "A chave para o Livro da Lei", uma vez que o termo hebraico "EL", que geralmente é utilizado para representar Deus, possui esse valor dentro da Gematria, ou seja, a numerologia cabalística.
  • 93 - É o próprio valor numérico de Thelema, bem como de Ágape (o Amor sublime que é citado na segunda injunção da Lei de Thelema). Desta forma, Vontade e Amor são correspondentes dentro da filosofia thelêmica.
  • 11 - Corresponde à soma de 5 (o Microcosmo) com 6 (o Macrocosmo). Representa o todo, a Grande Obra. É também relativo à 11ª Esfera da Árvore da Vida, Daath, cujo Abismo deve ser cruzado para que se chegue ao pleno auto-conhecimento.
  • 220 - É a totalidade do Universo.
  • 418 - Valor numérico da palavra "Abrahadabra", considerada por Crowley como a fórmula mágica do Novo Eon.
  • 666 - Número de catálogo da Estela da Revelação no Museu Boulaq, onde estava. Costuma ser considerado pelo cristianismo como o número do Anticristo, mas dentro do ocultismo (vide quadrado mágico do Sol para mais detalhes) é o número correspondente ao Sol, símbolo do Self para a filosofia thelêmica, não recebendo conotações ligadas ao mal absoluto pregado pela doutrina cristã.

Thelema Hoje[editar | editar código-fonte]

A Diversidade do Pensamento Thelêmico[editar | editar código-fonte]

O núcleo do pensamento thelêmico é a Lei de Thelema: "Faze o que tu queres será o todo da Lei. Amor é a lei, amor sob vontade." Contudo existe uma vasta variedade de interpretações para esta Lei, sendo que cada adepto de Thelema possui a sua e cada uma delas é considerada correta dentro do escopo individual. Thelemitas evitam fortemente todo tipo de pensamento dogmático ou fundamentalista, o que torna Thelema, nos dias de hoje, uma filosofia ou religião altamente sincrética. Crowley colocou forte ênfase na natureza única da Vontade inerente a cada indivíduo, insistindo que não deveria ser seguido em suas ideias particulares ou em seu caminho individual, dizendo que não desejava ser mais um em meio a muitos.

Desta forma, thelemitas contemporâneos podem praticar mais de uma religião, incluindo Wicca, Discordianismo, Gnosticismo, Satanismo, Setianismo, Luciferianismo, Vodum ou até mesmo. Reconhecendo as ligações entre as práticas thelêmicas e as de outras linhas de magia ou religiões, muitos thelemitas praticam métodos provenientes das mais diversas fontes como o Taoísmo, o Tantra, a Astrologia, a Cabala, Magia do Caos e outras.

Alguns thelemitas aceitam o Liber AL vel Legis, mas não os outros trabalhos de Crowley (sejam ou não "inspirados"), ou seus ensinamentos. Outros tomam aspectos específicos do sistema como um todo, tal como as práticas de Magick, e ignoram o resto. Alguns preferem criar seus próprios sistemas, sem problemas em distanciar-se do pensamento original de Crowley, tal como Maggie Ingalls e sua "Maat Magick", ou Keneth Grant. Todos estes são considerados thelemitas.

Literatura Thelêmica Crowleyana[editar | editar código-fonte]

Aleister Crowley escreveu intensamente sobre Thelema durante mais de 35 anos e muitos dos seus livros estão em catálogo até os dias de hoje, sendo que vários textos podem ser encontrados livremente na Internet. Os textos clássicos de Crowley dividem-se em dois tipos básicos: os Libri (plural de Liber) e os textos escritos como cartas, livros, artigos e outros livremente criados. Os Libri, em sua marioria escritos "inspirados" (sagrados) ou criados como instruções para a Astrum Argentum ou ritos são classificados da seguinte forma:

  • Classe A - Textos considerados sagrados e que não podem ser modificados de forma alguma.
  • Classe B - Textos considerados inspirados mas não sagrados.
  • Classe C - Textos considerados de grande importância.
  • Classe D - Rituais e instruções oficiais.
  • Classe E - Explicações e ensaios.

Literatura Thelêmica Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Outros autores têm produzido uma extensa literatura thelêmica, ampliando o conhecimento e o campo de visão sobre Thelema, sua filosofia, seus rituais, etc... Dentre os grandes autores podem ser citados Charles Stansfeld Jones (Frater Achad), cujos trabalhos sobre Cabala ainda são publicados.

Jack Parsons, cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, um dos primeiros discípulos estadunidenses de Crowley e membro líder de um grupo local da Ordo Templi Orientis. Ele escreveu vários textos durante sua vida, alguns deles compilados no livro "Freedom is a Two-Edged Sword" ("A Liberdade é uma Espada de Dois Gumes"). Morto em uma explosão em seu laboratório particular, teve sua vida descrita em duas biografias: "Sex and Rockets" ("Sexo e Foguetes"), de John Carter, e "Strange Angel" ("Estranho Anjo"), de George Pendle.

Israel Regardie não apenas editou muitos trabalhos de Crowley como escreveu uma biografia sobre ele, intitulada "The Eye in the Triangle" ("O Olho no Triângulo"). Sua obra thelêmica é restrita, sendo mais conhecidos seus trabalhos sobre Cabala (como "O Jardim das Romãs") ou sobre a Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Kenneth Grant escreveu vários livros sobre Thelema e sobre ocultismo em geral, tais como "O Renascer da Magia", "Aleister Crowley e o Deus Oculto", "Fora dos Círculos do Tempo" e "A Fonte de Hécate".

Lon Milo Duquette é um dos mais prolíficos escritores thelêmicos atuais, com vários livros explorando o sistema mágico de Crowley, como "Understanding Aleister Crowley's Thoth Tarot" ("Entendendo o Tarot de Thoth de Aleister Crowley"), "The Chicken Qabalah of Rabbi Lamed Ben Clifford" ("A Cabala Galinácea do Rabi Lamed Ben Clifford"), "The Magick of Aleister Crowley" ("A Magia de Aleister Crowley") e "The Key to Solomon's Key." ("A Chave para a Clavícula de Salomão").

Maggie Ingalls apresenta uma visão própria de Thelema, com elementos maatianos. Dentre seus vários livros destaca-se "A Magia Thelêmica de Maat".

Outros notáveis escritores contemporâneos de Thelema incluem Jerry Edward Cornelius, Gerald del Campo, J. Daniel Gunther, Allen H. Greenfield, Christopher Hyatt, Richard Kaczynski, Jason Augustus Newcomb, Rodney Orpheus, James Wasserman, e Sam Webster.

Além disso, várias publicações especializadas em Thelema podem ser encontradas como "Doomsayer's Digest", "Cornelia", "Journal of Thelemic Studies", "Light In Extension", "Lion & Serpent" e "The Scarlet Letter", em sua maioria editadas por grupos afiliados à Ordo Templi Orientis. No Brasil, a revista "Safira Estrela" foi muito conhecida durante o início dos anos 90 mas atualmente não é mais publicada. Em português existiu também a revista eletrônica "eMagick", editada pela Loja Quetzalcoatl, grupo da O.T.O. radicado no Rio de Janeiro, que hoje edita a revista eletrônica "Estrela Rubi", publicada durante os Solstícios e os Equinócios.

Organizações Thelêmicas[editar | editar código-fonte]

Selo da Astrum Argentum.

Várias organizações contemporâneas seguem os preceitos thelêmicos, aceitando ou não o Livro da Lei como sua obra sagrada. As mais importantes foram comandadas por Aleister Crowley durante sua vida. São elas: a Astrum Argentum (fundada por Crowley tendo por base os graus iniciáticos da Aurora Dourada) e a Ordo Templi Orientis, originalmente uma organização maçônica que sob o comando de Crowley afastou-se da Maçonaria em termos de filosofia e ritualística, não possuindo mais ligação nenhuma com esta. Dentro da O.T.O. encontra-se também a Ecclesia Gnostica Catholica, seu braço religioso.

Desde a morte de Crowley em 1947 várias organizações foram formadas sob a égide de Thelema ou adotaram-na como filosofia principal. Dentre estas podemos citar o Colégio de Thelema de Phyllis Seckler, o Templo de Thelema, a Ordem Typhoniana de Kenneth Grant, a Sociedade O.T.O. de Marcelo Ramos Motta (sem ligação com a Ordo Templi Orientis), a Ordem Thelêmica da Aurora Dourada, a Sagrada Ordem de Ra-Hoor-Khuit, a Ordem Aberta da Aurora Dourada, a Ordem dos Cavaleiros Thelêmicos e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema de Euclydes Lacerda (sem ligação com a Ordem dos Cavaleiros Thelêmicos).

Outros grupos, ainda que não adotem Thelema como sua filosofia principal, buscam inspiração nesta filosofia e em seus métodos, como os Illuminati de Thanateros e o Templo de Set. Alguns grupos aceitam a Lei de Thelema mas omitem certos aspectos do sistema de Crowley, incorporando o trabalho de outros místicos, filósofos ou sistemas religiosos. Dentre estes podemos citar a Fraternitas Saturni, ordem alemã que adota o Luciferianismo; a Sociedade de Thelema, também alemã; a Loja Horus-Maat de Maggie Ingalls; e o Movimento gnóstico de Samael Aun Weor e as ordens ligadas a ele. A presidente da Igreja de Todos os Mundos, LaSara Firefox, identifica-se como thelêmica e maga sexual, sendo que uma pequena parte de seus seguidores também se identifica como thelemita.

Influência cultural[editar | editar código-fonte]

Ainda que em grande parte desconhecida das pessoas, a filosofia thelêmica exerceu influência em vários setores da cultura mundial, principalmente na cultura pop e no meio musical.

Música[editar | editar código-fonte]

  • Os Beatles, na capa de seu icônico disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" colocaram imagens de várias personalidades que influenciaram sua música e ideias, dentre as quais está uma fotografia de Aleister Crowley.
  • O tecladista Graham Bond, líder da banda Graham Bond Organization gravou uma música intitulada "Holy Magick", baseada na Missa Thelemica (Liber XV) de Crowley.
  • A música "Quicksand", de David Bowie, do álbum "Hunky Dory'" traz o trecho "sou ligado à Aurora Dourada, imerso no imaginário uniforme de Crowley".
  • Crowley aparece no início da música "Bal-a Versailles", do grupo australiano de pub rock Cold Chisel.
  • Um sem número de bandas e músicos de Heavy metal incorporaram o nome de Crowley às suas letras, ainda que pelo viés "satanista" do ocultista do que por seu trabalho real. Tais letras costumam citar o uso por vezes sarcástico ou blasfemo de Crowley do imaginário cristão, como o número 666.
  • Ozzy Osbourne, em seu álbum solo "Blizzard of Ozz", gravou a música "Mr. Crowley", sobre as crenças e posturas de Crowley.
  • O grupo Ministry faz referências a Crowley na letra de "Golden Dawn", do disco "Rape and Honey", na qual samplearam gravações de sua voz. No álbum "Psalm 69", nos versos finais da música de mesmo nome, traz o trecho "A forma de se ter sucesso ou o modo de sugar ovos", plagiada de "The Book of Lies" ("O Livro das Mentiras"), de Crowley.
  • A banda de heavy metal Iron Maiden também faz referências a Crowley em várias de suas músicas (como em "Moonchild, título de um romance de Crowley, do álbum "Seventh Son of a Seventh Son"). Bruce Dickinson, líder do grupo é fã de ocultismo e costuma fazer referências a Crowley em seus projetos solo.
  • Na Suécia existe a banda de Metal sinfônico chamada Therion, abertamente ligada a Thelema.
  • A banda de Thrash metal/Black metal suíça Celtic Frost gravou um álbum intitulado "To Mega Therion", um dos nomes mágicos adotados por Crowley.
  • O grupo alemão de Power metal Edguy tem uma música chamada "Out of Control", que cita Crowley nominalmente.
  • O roqueiro performático Marilyn Manson já declarou ser Crowley um de seus autores favoritos. Em seu álbum "Antichrist Superstar", a frase "Quando estiver sofrendo, saiba que eu terei te traído" alegadamente baseia-se em um versículo do Livro da Lei: "Debandai! vós zombadores; ainda que gargalheis em minha honra, vós não gargalhareis por muito tempo; então quando estiverdes tristes sabereis que eu vos abandonei." (AL II:56). Também na letra de "Disposable Teens" está a frase "Jamais odiei um deus verdadeiro mas o deus daqueles a quem odeio", parafraseada de "Confessions" ("Eu não odeio Deus ou Cristo, mas apenas o Deus ou o Cristo daqueles a quem eu odiei"). Ainda na música "Misery Machine" o coro canta "Tomemos o caminho da Abadia de Thelema".
  • O grupo experimental Coil, próximo ao final de seu remake do vídeo da música "Tainted Love" (uma referência à AIDS) mostra as frases "LOVE IS THE LAW" e "LOVE UNDER WILL", tiradas diretamente da segunda parte da Lei de Thelema.
  • O grupo britânico Current 93, que recebeu seu nome de um termo diretamente referente à filosofia thelêmica, também chamada de Corrente 93, manifesta extensa inspiração na obra de Crowley. O líder do grupo, David Tibet, ex-membro da Ordo Templi Orientis, escreveu um artigo para a revista Flexipop sobre a influência de Crowley na música contemporânea.
  • O grupo polonês de Blackened death metal Behemoth possui um disco intitulado Thelema.6. E no disco Zos Kia Cultus (Here and Beyond) há um trecho sampleado no qual Crowley está falando.
  • A banda de Gothic metal portuguesa Moonspell faz referência a Crowley no disco Irreligious. Na música "Awake!", o grupo sampleou uma gravação de Crowley declamando um de seus poemas.
  • A banda de Gothic rock britânica Fields of the Nephilim faz várias referências a Thelema em seu trabalho, como nas músicas "Moonchild" e "Love Under Will". O álbum " Elizium" traz trechos da gravação da voz de Crowley lendo um de seus trabalhos.
  • O grupo de música pop Alphaville, que possui em sua obra vários exemplos de influência mística, gravou a faixa "Red Rose" em homenagem à primeira esposa de Crowley, Rose Kelly, co-responsável pelo Liber AL vel Legis, com referências a Thelema e outras ligações com o ocultismo.
  • O grupo estadunidense de Folk music Annwn gravou uma música intitulada "The Scarlet Muse", sobre Leila Waddell, amante de Crowley. O mesmo grupo, com o nome Nuit, gravou o álbum "Mother Night", parcialmente baseado em conceitos thelêmicos.
  • O quarteto de Nu metal estadunidense Mudvayne tem em seu álbum "The End of All Things to Come" a sentença "A dor da divisão é como nada, e a alegria da dissolução é tudo", retirado diretamente do Livro da Lei (AL I:30). A Lei de Thelema é parafraseada em "(K)now F(orever)" como "Faça o que quiser, faça isso a totalidade de sua lei".
  • A banda de rock britânica Manic Street Preachers mostra uma imagem de Crowley no vídeo de sua música "You Love Us".
  • O guitarrista Jimmy Page, da banda Led Zeppelin é conhecido por seus estudos de ocultismo dentro da filosofia thelêmica, influência esta que passou para várias músicas do grupo. Page também foi o proprietário de Boleskine, antiga residência de Crowley, entre os anos 1971 e 1992.
  • John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers é um admirador de Crowley e suas músicas "666", "I'm Around", "Emptiness" e "Look On" (do álbum solo "Inside of Emptiness") são todas de inspiração thelêmica.
  • Raul Seixas não apenas teve uma série de músicas influenciadas por Thelema, em parceria com Paulo Coelho e Marcelo Ramos Motta como gravou uma versão musicada do "Liber Oz" e baseou nessa filosofia a criação de sua Sociedade Alternativa.
  • O grupo Os Mutantes, de Rita Lee possui também influência de Thelema em algumas de suas músicas.
  • A banda de Rock industrial The Cassandra Complex tem suas músicas diretamente inspiradas na filosofia thelêmica, bem como o grupo experimental de seu líder Rodney Orpheus, o Sun God.
  • A banda canadense de rock, Rush, lembra, em suas letras, de princípios do Thelema, não que os tenham lido ou algo do tipo.

Cinema e televisão[editar | editar código-fonte]

Vários cineastas tiveram suas obras ou mesmo alguns de seus filmes baseados nas ideias de Thelema ou fizeram filmes onde elementos desta filosofia estão presentes.

  • No filme "House of 1000 Corpses", do roqueiro Rob Zombie, foi utilizada uma gravação da voz de Crowley lendo seu poema "The Poet" ("O Poeta").
  • O cineasta experimental Kenneth Anger possui obras inteiras baseadas tanto na ritualística quanto na filosofia de Thelema. Os filmes "Lucifer Rising" teve a trilha sonora composta por Jimmy Page enquanto a de "Invocation of My Demon Brother" foi escrita por Mick Jagger.
  • No curta-metragem "Crowley", de 1987, apresenta um monólogo no qual o próprio Crowley (Ricardo Islas) fala sobre Thelema.
  • O documentário uruguaio de 1990, ""Las cenizas de Crowley" busca estabelecer uma biografia do ocultista inglês.
  • O curta-metragem "Apocrifi sul caso Crowley", de 1994, é um pequeno documentário sobre os acontecimentos na Abadia de Thelema.
  • Crowley é citado como uma das inspirações das religiões satânicas estadunidenses no documentário "America's Best Kept Secret", (EUA, 1998).
  • A série de documentários britânica "Masters of Darkness" teve um episódio dedicado a Aleister Crowley: Aleister Crowley - The Wickedest Man in the World" (2002)
  • O curta-metragem biográfico espanhol "Perdurabo" (um dos nomes mágicos de Crowley), de 2003, conta um pouco da vida na Abadia de Thelema.
  • O curta-metragem canadense "Aleister Crowley: The Beast 666" (2007) mostra outra biografia de Crowley.
  • O filme estadunidense "Abbey of Thelema", de 2007, também conta, de forma mais romanceada, a história da Abadia em Cefalú.
  • A animação de micro-metragem tcheca "The Adventure of a Worm: A Short Tribute to Mr. Aleister Crowley, the Magus" (2008) faz uma brincadeira com a vida e as idéias de Crowley.
  • Na série televisiva Supernatural, Crowley é o nome de um demônio negociador, passando posteriormente a rei do inferno e possuidor da alma de Sam Winchester, um dos personagens principais da série, mas o personagem não tem nenhuma espécie de ligaçao com a Thelema.
  • O longa-metragem brasileiro "Bellini e o Demônio" (2010) utiliza o Livro da Lei e o nome de Aleister Crowley em seu roteiro, mas de forma descontextualizada e com grosseiros erros históricos.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Fora a extensa literatura thelêmica própria, vários autores incorporaram os ideais de Thelema em seus escritos. Alguns dos mais famosos são Aldous Huxley, W. Somerset Maugham e Robert A. Heinlein. Fora da literatura clássica, os quadrinistas e novelistas ingleses Neil Gaiman e Alan Moore são fortemente influenciados pela obra e pensamento crowleyanos. A série de quadrinhos "Promethea", de Moore traz numerosas referências não apenas à filosofia de Thelema, mas ao seu sistema de magia também, sendo que o próprio Crowley é citado ou aparece em diversos pontos da história. Gaimann, em seu livro "As Belas e Terríveis Maldições" tem como um dos personagens centrais um demônio bem humorado chamado Crowley, que termina ajudando a salvar o mundo do Apocalipse. A visão do divino de Thelema aparece em sua série de romances interligados "Deuses Americanos", "Os Filhos de Anansi", dentre outros.

Thelema no Brasil[editar | editar código-fonte]

A introdução de Thelema no Brasil ocorreu com a chegada da Fraternitas Rosicruciana Antiqua, de Arnold Krumm-Heller, em fevereiro de 1933. Além de ter os seus rituais dos primeiro e segundo graus calcados no Liber Al vel Legis, e de haver publicado, pioneiramente, em sua revista "Gnose" vários artigos de Aleister Crowley, os irmãos da F.R.A. denominavam-se thelemitas, ainda que disso não fizessem alarde, e muito menos proselitismo.

Contudo, a ocultação dos ensinamentos do Mestre Therion acabou, com o ingresso de Marcelo Ramos Motta na A.·. A.·., cerca de trinta anos depois, na década de 1960. Saindo da F.R.A., por não aceitar a maneira velada com que tratavam os ensinamentos thelêmicos, Marcelo Motta tornou-se discípulo de Karl Germer na A.·. A.·., e, baseando-se no fato de seu Mestre ser também líder internacional da Ordo Templi Orientis tentou assumir a liderança desta Ordem na ocasião da morte de Germer. Todavia, perdeu a batalha judicial, mesmo tendo criado, nos EUA, a Society O.T.O., organização sem ligação com a O.T.O., mas, ainda assim, primeiro grupo thelêmico, após a F.R.A., a atuar no Brasil de forma regular. Contudo, após a morte de Motta, as atividades da Sociedade O.T.O. foram diminuindo gradativamente até praticamente não se manterem mais.

Na década de 1980, o Mestre Genelohim, iniciado egresso da F.R.A., criou, em Niterói, no Rio de Janeiro, o Sagrado Círculo de Thelema - S.C.T., com o objetivo de divulgar os ensinamentos do Mestre Therion, já que a F.R.A. permanecia ocultando os mesmos. Mas os mestres do S.C.T. foram surpreendidos com a Ordem Superior da Hierarquia, determinando a recepção de uma nova mensagem de Hórus, o Novo Livro da Lei (N.L.L.), que seria, na visão dos membros do S.C.T., a qual não é compartilhada pela maior parte dos seguidores de Thelema, o continuador e atualizador do Liber Al vel Legis recebido em 1904 pelo Mestre Therion. Ainda hoje o S.C.T. continua atuante, divulgando essa nova mensagem e os elementos que criou: a Spira Legis e o Oráculo de Thelema.

Em novembro de 1995 é fundado o primeiro Corpo Local (grupo oficial) da O.T.O. no Brasil, o Acampamento Sol no Sul, embrião do Oásis Quetzalcoatl, atualmente Loja Quetzalcoatl, grupo thelêmico ainda em atividade no Rio de Janeiro. A Ordo Templi Orientis conta também com outro Corpo Local no estado de Minas Gerais, o Acampamento Opus Solis. Funcionando continuamente desde sua chegada ao Brasil, a O.T.O. é a mais regular presença thelêmica em terras brasileiras e principal fonte de referência.

Outros grupos thelêmicos também existiram, como a Loja Nova Isis, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema. Ainda ativo encontra-se o Collegium ad Lux et Nox, organização não-iniciática voltada para o ensino de magia sob a égide thelêmica.

A Lei de Thelema também foi divulgada no Brasil por Raul Seixas na década de 1970. Inclusive, Raul Seixas e Paulo Coelho chegaram a criar a Sociedade Alternativa baseada nos preceitos do Livro da Lei de Crowley. A música Sociedade Alternativa é um grande exemplo disso. Nas músicas "A Lei" e "Sociedade Alternativa", Raul chega a ditar todos os preceitos de Liber Oz.[carece de fontes?]

Recentemente, no ano de 2010 foi fundada, na cidade de Catanduva, a Ordem Thelemita Brasileira (OTB), uma Organização não governamental cujos seguidores seguem à risca a doutrina de Aleister Crowley, mas tendo como modo prático de vida comunitária algumas características do Movimento rastafári.

Thelema em religião comparada[editar | editar código-fonte]

Thelema vem atraindo muita atenção nos últimos anos de estudiosos de outras linhas religiosas, especialmente dos interessados em novos movimentos religiosos, como o Gnosticismo contemporâneo e o Hermetismo. Talvez a tentativa mais fora do comum tenha sido feita pelo bispo Frederico Tolli, em seu livro (em alemão) "Thelema — Im Spannungsfeld zwischen Christentum, Logentradition und New Aeon" ("Thelema - Na Tensão Entre o Cristianismo, a Tradição e o Novo Aeon"). Para Tolli, Thelema é uma consequência dialética do Cristianismo. A cristandade, para Tolli, existe como uma comunidade em Cristo, de forma que Thelema seria uma resposta individualística para o mundo.

Tomando de um dicionário teológico de 1938 (para o Novo Testamento) o conceito de "salvação histórica" (Heilsgeschichte) teve grande efeito no pensamento de Tolli e é neste conceito que ele discute Thelema. Tolli vê o Heilsgeschichte de Crowley como aquele em que o todo do Universo (logo, a Vontade de Deus) está para se combinar (análogo à fórmula alquímica do "coagula"). O Amor, na forma da combinação atrativa ("Amor é a lei, amor sob vontade") é um princípio universal, estando assim próximo ao conceito de uma religião natural. A principal diferença, para Tolli, é que na cristandade a salvação do Universo como um todo ("Ganzheit") não pode ser feita pelo homem solipsista. O bispo vê Crowley como um artista ou um mistagogo falho, ainda que brilhante, mas não como "satanista". O mérito e contribuição do bispo Tolli para os estudos thelêmicos reside no fato de ter primeiro experimentado uma genuína compreensão de que a ideia de Thelema não necessariamente contradiz os ensinamentos de Jesus, como o próprio Crowley afirmava.

Outras leituras[editar | editar código-fonte]

  • Del Campo, Gerald. Rabelais: The First Thelemite. The Order of Thelemic Knights.
  • Melton, J. Gordon (1983). "Thelemic Magick in America." Alternatives to American Mainline Churches, ed. Joseph H. Fichter. Barrytown, NY: Unification Theological Seminary.
  • Starr, Martin P. (2004) A Hundred Years Hence: Visions of a Thelemic Future (Conference Paper presented at the Thelema Beyond Crowley ).
  • Starr, Martin P. (2003). The Unknown God: W.T. Smith and the Thelemites. Bolingbrook, IL: Teitan Press.
  • van Egmond, Daniel (1998). "Western Esoteric Schools in the Late Nineteenth and Early Twentieth Centuries." in van den Broek, Roelof and Hanegraaff, Wouter J. Gnosis and Hermeticism From Antiquity To Modern Times. Albany: State University of New York Press.

Textos de Aleister Crowley (em inglês)[editar | editar código-fonte]

Textos de Aleister Crowley (em português)[editar | editar código-fonte]

  • Libri de Aleister Crowley - Extensa coleção das obras de Aleister Crowley traduzidas para o Português (incluso a maioria dos libri, de classes A a E).

Notas e referências

  1. Não há um consenso sobre a tradução da Lei de Thelema para o idioma português. Além da tradução apresentada neste artigo existem outras versões como "Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei." (O.T.O Portugal), "Faze o que tu queres pois é tudo da Lei." (Raul Seixas), "Fazei o que tu queres, há de ser o todo da Lei." (Marcelo Motta) e outras. Desde que seja mantido o estilo literário utilizado, não seja alterada a pontuação da frase e que se respeite o uso da maiúscula em "Lei" todas são consideradas válidas. A forma aqui colocada é a utilizada pela O.T.O. brasileira.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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