Wicca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wicca
Wiccan five elements 1.PNG

Wicca é uma religião neopagã influenciada por crenças pré-cristãs e práticas da Europa ocidental que afirma a existência do poder sobrenatural (como a magia) e os princípios físicos e espirituais masculinos e femininos que interam a natureza, e que celebra os ciclos da vida e os festivais sazonais, conhecidos como Sabbats, os quais ocorrem, normalmente, oito vezes por ano.[1] Autoridades como Alex Sanders referem-se a ela como religião natural, "a mais antiga do mundo".[2] É muitas vezes referida como Witchcraft (em português: "bruxaria") ou the Craft[3] por seus seguidores, que são conhecidos como Wiccanos ou Bruxos. Suas origens contestadas residem na Inglaterra no início do século XX,[4] mas foi popularizada nos anos 50 por Gerald Gardner, que na época chamava a religião de "culto às bruxas" e "bruxaria", e seus seguidores "a Wicca".[5] A partir dos anos 60 seu nome foi normalizado para "Wicca".[6]

A Wicca é uma religião politeísta, de culto basicamente dualista, que crê tradicionalmente na Mãe Tríplice e no Deus Cornífero, ou religião matriarcal de adoração à deusa mãe. Estas duas deidades são muitas vezes vistas como faces de uma divindade panteísta maior, ou que se manifestam como várias divindades politeístas. A Wicca também envolve a prática ritual da magia, em grande parte influenciada pela magia cerimonial do passado, muitas vezes em conjunto com um código de moralidade liberal conhecida como a Wiccan Rede, embora não seja uma regra. Embora algumas tradições adorem o celta Cernuno, símbolo da virilidade, e por vezes seja confundida com Satanismo, os wiccanos não creem em Lúcifer ou em Satã.[2]

Existem diversas tradições dentro da Wicca. Algumas, como a Wicca Gardneriana e a Alexandrina, seguem a linhagem iniciática de Gardner; ambas são frequentemente denominadas de wicca tradicional britânica, e muitos dos seus praticantes consideram que o termo "Wicca" possa ser aplicado unicamente a elas. Outras, como o cochranianismo, Feri e a Tradição Diânica, tomam como principal influência outras figuras e não insistem em qualquer tipo de linhagem iniciática. Alguns destes não usam o termo "Wicca", preferindo "Bruxaria", enquanto outros crêem que todas estas tradições podem ser consideradas wiccanas.[7] [8]

História[editar | editar código-fonte]

Origem e crescimento, 1921-1959[editar | editar código-fonte]

Goya, O Grande Bode (1821-1823). O Culto Bruxo afirma que essas histórias são baseadas em um antigo culto pagão que reverenciava um deus cornífero, mas não o Satã.

Desde meados do século XX, a Bruxaria tornou-se a autodesignação de uma sucursal do neopaganismo, especialmente na tradição Wicca, cujo pioneiro foi Gerald Gardner, que alegava ter resgatado uma antiga tradição religiosa da bruxaria com raízes pré-cristãs (alguns wiccanos dizem que é a mais antiga religião do mundo).[2] [9] Na década de 1920 e na década de 1930, a egiptóloga Dr. Margaret Murray publicou diversos livros influentes detalhando suas teorias de que as bruxas e bruxos caçados durante a Idade Média não eram, como alegavam seus perseguidores cristãos, adeptas do Satanismo, mas simpatizantes de uma religião pagã pré-cristã que adorava um deus cornífero — o Culto Bruxo.[10] Antes de Murray, nomes como Girolamo Tartarotti, Matilda Joslyn Gage, Jacob Grimm, Karl Pearson, Jules Michelet e Charles Leland já escreviam linhas ou livros inteiros sobre o contraste entre as duas religiões na Idade Média e Renascimento.[11] [12] [13] Embora nos dias de hoje a pesquisa histórica aprofundada tenha desacreditado de Murray, suas teorias foram amplamente aceitas e apoiadas na época.[14]

Nos anos 30, apareceu a primeira evidência de uma prática pagã de religião de bruxaria[15] [16] (o que hoje é reconhecida como Wicca) na Inglaterra. Diversos grupos em todo o país, em lugares como Norfolk,[17] e Cheshire[18] se autoproclamaram continuadores da tradição do Culto Bruxo de Murray, embora estivessem abertos a influências de diversas outras fontes, tais como a Magia Cerimonial, a Maçonaria, a Teosofia, o Romantismo, o Druidismo, a mitologia clássica e as religiões asiáticas.[19]

A Bruxaria tornou-se mais proeminente, contudo, na década de 1950 com a revogação da Lei de Feitiçaria de 1735, da qual diversas figuras, como Charles Cardell, Cecil Williamson e notavelmente Gerald Gardner, começaram a propagar suas próprias versões do ofício. Gardner foi iniciado no New Forest coven em 1939, antes de formar sua própria tradição, mais tarde chamada Gardnerianismo. Sua tradição, auxiliada por sua Alta Sacerdotiza Doreen Valiente e com a publicação de seus livros A Bruxaria Hoje (1954) e O Sentido da Bruxaria (1959), logo se tornou a tradição dominante no país, e se espalhou para outras regiões das Ilhas Britânicas.[20]

São comuns os boatos de que o verdadeiro autor por detrás dos escritos de Gerald Gardner, tenha sido o mago inglês Aleister Crowley. Contudo, não existem evidências que dêem sustentação a esta teoria. Por outro lado, Gardner não apenas foi um membro iniciado de VIIº da Ordo Templi Orientis (ordem liderada e reformada por Crowley de uma academia maçônica para uma organização indepentende seguidora da filosofia conhecida como Thelema) como recebeu autorização para liderar os trabalhos da Ordem na Inglaterra.[21] Com isto, é clara a herança thelemica dentro da Wicca. O postulado "faze o que tu queres desde que não faças mal a ninguém" é facilmente percebido como uma adaptação do primeiro postulado da Lei de Thelema: "Faze o que tu queres será o todo da Lei". Fora isso, trechos de rituais da Wicca Gardneriana.[22] são cópias literais de trechos de ritos thelemicos[23] .

Adaptação e propagação, 1960-atual[editar | editar código-fonte]

Adeptos seguram vassouras representando o pentagrama em evento wiccano nos Estados Unidos, 2009.

Com a morte de Gardner em 1964, o Ofício continuou a crescer inabalável apesar do sensacionalismo e das opiniões negativas publicadas pelos tablóides britânicos, com novas tradições propagadas por figuras como Robert Cochrane, Sybil Leek e Alex Sanders, criador da Tradição Alexandrina, que, baseada no Garderianismo, embora com uma ênfase na magia cerimonial, espalhou-se rapidamente e ganhou muita atenção da mídia. Nesta época, o termo "Wicca" começou a ser adotado ao lado de "Bruxaria" e suas crenças e tradições exportadas para países como Austrália e os Estados Unidos.[24]

Marido e esposa se beijam em cerimônia de casamento Wicca.

Foi nos Estados Unidos e na Austrália que novas tradições da Wicca surgiram, muitas vezes baseada em folk regionais e às vezes misturadas com a estrutura básica da Wicca de Gardner, gerando diversas formas de Wicca como o Dianismo de Zsuzsanna Budapest, cada uma delas enfatizando diferentes aspectos do ofício.[25] Na década de 1970, a literatura Wicca também cresceu, e muitos livros ensinando pessoas a se tornarem bruxos sem iniciações formais começaram a ser publicados em grandes quantidades pelo mundo, como o Mastering Witchcraft (1970) de Paul Huson, um manual "faça você mesmo" que se tornou muito famoso e influenciou novos bruxos.[26] [27] [28] [29] Livros da mesma ordem continuaram a serem publicados através dos anos 80 e anos 90, com a autoria de nomes como Doreen Valiente, Janet Farrar, Stewart Farrar e Scott Cunningham, que popularizou a ideia de auto-iniciação ao Ofício com seu Wicca: Um Guia Para o Praticante Solitário (1988).[30]

Nos anos 90, as poucas mas pioneiras comunidades wiccanas no Brasil procuravam se solidificar em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, e fazer conexões com associações européias a fim de regulamentar a religião Wicca no país.[31] A partir de então, a Wicca e a Bruxaria em geral têm crescido expressivamente no Brasil, especialmente em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, nos dias de hoje.[32] O primeiro livro traduzido do inglês para o português trazendo o termo wiccaniano(a) foi Wicca: A Feitiçaria Moderna, de Gerina Dunwich. Posteriormente, outros livros traduzidos passaram a apresentar o termo "wiccano" como uma alternativa para a palavra inglesa "wiccan", termo usual para designar um adepto da religião em questão naquele idioma. Na década de 90, onde cada vez mais a Bruxaria ganhava novos adeptos, surgiram filmes como Jovens Bruxas (1996), dirigido por Andrew Fleming, e seriados como Charmed (1998-2006), introduzindo aos jovens uma ideia de religião bruxa. Mas, criticando a forma como a Wicca veio sendo encarada desde então, como moda, como ecletismo, e sendo engajada em movimentos como a Nova Era, muitos bruxos, notavelmente Andrew Chumbley, voltaram-se para a antiga tradição de Gardner, como uma forma de "levar a sério" o Ofício.[24]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "Wicca" foi primeiramente aceito nas décadas de 1960 e 70 como parte da religião Wicca da época.[6] Antes disso, o termo "Witchcraft" era utilizado de forma mais histórica e ampla. Apesar de baseada na palavra wiccian do inglês antigo, que se referia apenas e exclusivamente aos feiticeiros (sendo wicce utilizada para se referir às feiticeiras do sexo feminino),[33] o indivíduo real que cunhou o termo "Wicca" é desconhecido, embora especula-se que tenha sido Charles Cardell, muito certamente na década de 1950.[34] Gardner usava a palavra wiccian com o sentido de "jogar com a sorte".[35] Nos dias de hoje, trata-se o praticante da religião através da sua linhagem tradicional. Assim, ao invés de dizer que alguém é Bruxo ou Wiccano ou Wiccaniano ou Wiccan, trata-se o praticante da religião como Gardneriano, Xandrino, Georgino, etc. para que estas situações se resolvam por vez.[36]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Número de wiccanos por país de acordo com recentes estimativas (Clique na imagem para ampliar)

Não é sabido oficialmente o número de wiccanos no mundo inteiro e constatou-se que é mais difícil estabelecer o número de membros de religiões neo-pagãs do que de qualquer outra religião devido à sua estrutura familiar ou clãns.[37] O site independente Adherents.com, no entanto, que se dedica a informar demografias religiosas pelo mundo, cita mais de trinta fontes com as estimativas do número de wiccanos (principalmente nos EUA e no Reino Unido). A partir daí, eles desenvolveram uma estimativa média de 800 mil adeptos.[38] Comparando o número de adeptos estado-unidenses na década de 1990 até 2001, houve um aumento de cerca de 126.000 membros.[39] De maneira curiosa, 1.434 pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos se identificam como wiccanos, tornando a Wicca a maior religião não-cristã dentro dessa comunidade.[40]

"O wiccano é um homem de quarenta anos, ou uma mulher de trinta anos, caucasiano, razoavelmente bem educado, não ganha muito, mas provavelmente não é muito preocupado com coisas materiais, alguém que faz parte do que os demógrafos chamariam de classe média baixa."

Leo Ruickbie, 2004.[41]

No Brasil, de acordo com o gráfico mostrado, até o ano de 2000, haviam cerca de 10.000 a 50.000 wiccanos, embora não haja uma diversificação entre a Wicca e as outras tradições neopagãs; isso fez com que no Censo 2000 os wiccanos fossem incluídos nos grupos de "outras religiões" e "Religiosidade não Determinada".[42] De qualquer forma, desde a década de 1990 a Wicca, ou a Bruxaria em geral, têm crescido muito no país, especialmente em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e em agumas cidades do Nordeste.

De 2000 à 2010, a religião Wicca teve um crescimento absurdo e, por mais que no Censo 2010 realizado pelo IBGE, a religião Wicca, o Paganismo e o Neo-paganismo não tivessem sido incluídos na relação das religiões existentes no país, pode-se dizer que muitos dos seguidores das religiões pagãs e neo-pagãs, como é o caso da religião Wicca, foram distribuídos entre as tradições esotéricas (74.013 seguidores), outras religiões (11.306 seguidores) ou religiosidade não determinada/mal definida (628.219 seguidores).[43] .

Contudo, como já foi mencionado acima, existem vários segmentos dentro do paganismo e do neo-paganismo, mas sendo a Wicca a religião que mais tem crescido no Brasil dentre as demais religiões pagãs e neo-pagãs, principalmente por conta de sua constante presença nos diálogos inter-religiosos de nosso país, a coloca também como a de maior expressão, conseguinte, a de maior número junto às demais, pegando uma fatia de pelo menos 2/5 de praticantes diretos e indiretos. Desta forma, de acordo com alguns levantamentos, há uma estimado de que haja em torno de 250 mil à 300 mil seguidores da religião Wicca no Brasil. Isso não significa que sejam todos sacerdotes ou sacerdotisas, mas também seguidores da religião. Contudo, cabe lembrar mais uma vez que estes números são baseados em estimativa, uma vez que ainda não temos no Censo demográfico realizado pelo IBGE a opção Wicca, Paganismo ou Neo-paganismo.[44]

No Reino Unido, da mesma forma, os censos não permitem uma separação dentro do contexto pagão, fazendo com que os wiccanos sejam marcados ao lado de outras tradições neo-pagãs como a dos druidas e dos heathens através de um acordo em comum realizado em 2001. Recentemente, pela primeira vez os entrevistados foram capazes de se inscrever numa afiliação não abrangidos pela lista comum das religiões, e um total de 42.262 pessoas da Inglaterra, Escócia e País de Gales se declararam pagãos por este método. Estes valores não foram imediatamente analisados pelo Instituto Nacional de Estatística, mas foram liberados após um pedido da Federação Pagã da Escócia.[45]

Crenças[editar | editar código-fonte]

As crenças Wicca variam muito entre as diferentes tradições. No entanto, existem vários pontos em comum entre esses diferentes grupos, que geralmente incluem pontos de vista sobre teologia, vida após a morte, magia e moralidade.

Teologia[editar | editar código-fonte]

Embora as opiniões sobre a teologia da Wicca sejam variadas, a grande maioria dos Wiccanos veneram tanto um Deus quanto uma Deusa. Essas duas divindades são entendidas de várias formas através de perspectivas do panteísmo (como os aspectos duais de uma única divindade), duoteísmo (como dois pólos opostos) ou o politeísmo (sendo composta por muitas divindades menores). Em algumas concepções panteístas e duoteísticas, divindades de diferentes culturas podem ser vistas como aspectos da Deusa ou do Deus.[8]

O altar de Doreen Valiente mostra estátuas do Deus Cornífero (esquerda) e da Deusa Mãe, representando a dualidade sexual na divindade da Wicca.

A tradição de Gardner prega que o Deus Cornífero é associado à morte, caça e magia, um deus que reina sobre um paraíso pós-mundo (às vezes referido como Summerland), enquanto que a Deusa Mãe (simultaneamente a Virgem Eterna e a Feiticeira Primordial) é associada ao amor pela vida e à regeneração e ao renascimento das almas dos mortos.[46] No entanto, existem também outros pontos de vista teológicos a serem encontrados dentro da Bruxaria, incluindo o monoteísmo, o conceito de que há apenas um divindade, que é visto por alguns, como no Dianismo, como a Deusa, enquanto que para outros é um ser sem gênero, como na Church and School of Wicca. Existem outros que são ateus ou agnósticos, que não acreditam em qualquer divindade real, mas veem os deuses como arquétipos psicológicos da mente humana que podem ser evocados.[47]

De acordo com a bruxa Janet Farrar e com Gavin Bone, a Wicca está se tornando cada vez mais politeísta à medida que amadurece, ao mesmo tempo que também abraça uma cosmovisão pagã mais tradicional.[48] Para Janet e Stewart Farrar, que apoiam uma visão panteística, duoteística e animista da teologia, Wiccanos "veem todo o cosmos como vivo, como um todo e em todas as suas partes", mas que "tal visão orgânica do cosmos não pode ser totalmente expressa e vivida, sem o conceito de Deus e Deusa. Não há manifestação sem polarização, assim, ao mais alto nível criativo, que da Divindade, a polarização deve ser o mais claro e poderoso de todos, refletindo e espalhando-se por todos os níveis microcósmicos".[49]

O Deus e a Deusa[editar | editar código-fonte]

Para a maioria dos Wiccanos, o Deus e Deusa são vistos como polaridades complementares no universo, existindo um equilíbrio entre um e outro, e desta forma têm sido comparados com o conceito de yin e yang, encontrado no Taoísmo.[50] Como tal, são muitas vezes interpretados como sendo "encarnações de uma força de vida manifesta na natureza",[51] com alguns Wiccanos acreditando que eles são simplesmente simbólos dessas polaridades, enquanto outros acreditam que o Deus e a Deusa são seres verdadeiros que existem de forma independente. Às duas divindades são dadas frequentemente associações simbólicas, com a Deusa comumente sendo simbolizado como a Terra (ou seja, a Mãe Terra), mas também às vezes como a Lua, a qual complementa o Deus, visto como o Sol.[52]

"Os deuses são reais, e não como pessoas, mas como veículos do poder. Resumidamente, pode-se dizer que a personificação de um tipo particular de energia cósmica, sob a forma de um deus ou deusa, realizado por fiéis e devotos ao longo dos séculos, cria uma forma de Deus ou imagem mágica em uma potente realidade nos Planos Internos, e torna-o um meio pelo qual esse tipo de poder cósmico pode ser contatado."

Gerald Gardner[53]

Tradicionalmente, o Deus é visto como um Deus Cornífero, associado com a natureza selvagem, a sexualidade, a caça e o ciclo de vida.[54] Ao Deus Cornífero é dado vários nomes de acordo com a tradição, e estas incluem Cernuno, , Atho e Karnayna. Embora este valor não seja igualado com a figura tradicional de Satã, que é visto como sendo uma entidade dedicada ao mal no cristianismo, uma pequena minoria de Wiccanos, de acordo com as acusações dos julgamentos históricos de bruxas, referem-se a seu Deus Cornífero com alguns dos nomes de Satanás, como "Diabo"[55] ou como "Lúcifer", um termo latino que significa "portador da luz".[56] Em outras ocasiões, o Deus é visto como o Homem verde,[57] uma figura tradicional na arte e da arquitetura européia, e muitas vezes interpretado como sendo associado com o mundo natural. O Deus é frequentemente descrito como um Deus Sol,[58] em especial no festival de Litha, ou o solstício de verão. Outra representação de Deus é a do Rei Carvalho e o Rei Azevinho, aquele que governa a primavera e o verão, esse que governa o outono e o inverno.[57]

A Deusa é geralmente retratada como uma Deusa tríplice, sendo assim uma divindade triádica composta de uma deusa virgem, uma deusa-mãe e uma deusa anciã, cada um dos quais tem associações diferentes, ou seja, a virgindade, a fertilidade e a sabedoria.[59] Ela também é comumente descrita como uma Deusa Lua,[60] e muitas vezes é dado o nome de Diana após a divindade romana. Alguns wiccanos, especialmente a partir da década de 1970, têm visto a Deusa como a mais importante das duas divindades, que é pré-eminente de que ela contém e concebe tudo. A este respeito, o Deus é visto como a centelha de vida e inspiração dentro dela, ao mesmo tempo seu amante e seu filho.[61] Isto se reflete na estrutura tradicional do coven.[62] Para uma forma monoteísta da Wicca, o Dianismo, a Deusa é a divindade única, um conceito que tem sido criticado por membros de outras tradições mais igualitárias.

O conceito de ter uma religião e venerar um Deus Cornífero acompanhado de uma Deusa tinha sido elaborado pela egiptóloga Margaret Murray durante a década de 1920. Ela acreditava que, com base em suas próprias teorias sobre os primeiros ensaios da bruxaria moderna na Europa, que essas duas divindades, mas principalmente o Deus Cornífero, tinha sido adorado por um culto bruxo, desde que a Europa Ocidental sucumbiu ao cristianismo. Embora amplamente desacreditada, Gerald Gardner foi um defensor de sua teoria, e acreditava que a Wicca foi uma continuação do histórico culto bruxo, e do Deus Cornífero e da Deusa, eram, portanto, antigas divindades das ilhas britânicas.[63] A sabedoria moderna refutada as suas pretensões, porém vários diferentes deuses corníferos e deusas mãe eram de fato adorados nas ilhas britânicas durante os períodos antigo e medieval.[64]

Panteísmo, Politeísmo, Animismo[editar | editar código-fonte]

Escultura do Deus Cornífero no Museu de Bruxaria em Boscastle, Cornwall.

Existem muitos adeptos da Wicca que acreditam que a Deusa e o Deus são meramente dois aspectos de uma mesma Deidade, às vezes vista como uma deidade panteística, abrangendo, assim, tudo o que existe no Universo. Em seus escritos, Gardner se refere a este ser como o Motor Primordial que permaneceu desconhecido durante os séculos,[65] embora nos rituais da sua tradição chamada Gardnerianismo ele seja referido como Dryghten,[66] originalmente uma palavra que significa "Lord" ("Senhor") na Língua inglesa antiga. A partir disso, diversos outros nomes foram dados a este "Motor Primordial"; Scott Cunningham, por exemplo, chamava-no de "The One".[67]

Assim como o panteísmo e o duoteísmo, muitos adeptos da Wicca são politeístas, acreditando, assim, que existem diversos deuses existentes. Alguns aceitam a ideia expressa pelo ocultista Dion Fortune de que "todos os deuses são um deus, e todas as deusas são uma deusa". Com tal mentalidade, um wiccano pode crer que a germânica Eostre, a hindu Kali, e a cristã Virgem Maria são manifestações de uma Deusa Suprema e, da mesma forma, que o celta Cernuno, o grego Dionísio e o judaico-cristão Yahweh são aspectos de um mesmo Deus Supremo. Numa abordagem estritamente mais antiga da crença politeísta, os deuses e deusas são em seu próprio direito criaturas distintas uma das outras, não sendo, assim, aspectos nem elementos de uma outra "entidade maior". Os escritores wiccanos Janet Farrar e Gavin Bone postularam que a Wicca é cada vez mais politeísta à medida que amadurece, tendendo a adotar uma visão pagã cada vez mais tradicional.[68] Outros wiccanos concebem as deidades não como personalidades literais mas como arquétipos metafóricos ou uma tulpa, fazendo com que estes sejam decidamente adeptos do ateísmo.[69] Essa visão foi adotada pela Alta Sacerdotiza Vivianne Crowley, que também era psicóloga, e que considerava as divindades da Wicca como arquétipos Junguianos que existem no subconsciente e que poderiam ser evocados através dos rituais. Por esta razão, Crowley dizia que "A Deusa e o Deus se manifestam para nós em sonho e em visão."[70]

A Wicca é, essencialmente, uma religião imanente, e para grande parte dos wiccanos esta idéia também envolve elementos do animismo. Esta crença diz que a Deusa e o Deus (ou os deuses e as deusas) são capazes de se manifestarem fisicamente, na forma de uma pessoa, ao vivo, sobretudo nos corpos do Sacerdote e da Sacerdotiza, para fornecerem uma mensagem espiritual direta aos integrantes do ritual.

Vida após a morte[editar | editar código-fonte]

Os rituais wiccanos contêm elementos das lendas de Ishtar (a virgem-mãe da Babilônia, conhecida, também, por Astarte e Cibele) e de Deméter (a Ceres romana); tais lendas são interpretadas como um símbolo contínuo de morte e ressurreição.[2]

Porém, a crença na reencarnação varia entre os wiccanos,[71] embora ela tivesse sido tradicionalmente ensinada na década de 1930 nos New Forest coven. O influente Alto Sacerdote Raymond Buckland escreveu que uma alma humana reencarna nas mesmas espécies durante muitas vidas para aprender lições e progredir espiritualmente,[72] mas essa crença não é universal no mundo da Wicca, uma vez que outros acreditam que a reencarnação da alma acontece em espécies distintas. Contudo, um ditado popular entre os wiccanos é que "uma vez bruxo, sempre bruxo", indicando que os wiccanos são reencarnações de bruxas do passado.[73]

Os wiccanos que crêem em reencarnação acreditam que as almas vivem entre o Outro Mundo e a Terra de Verão, conhecida nas escritas de Gardner como o "êxtase da Deusa".[74] Da mesma forma, estes wiccanos acham ser possível se comunicar com espíritos que residem no Outro Mundo através da mediunidade ou do tabuleiro ouija, principalmente durante o Sabbat de Samhain, embora alguns discordem com esta prática, como o Alto Sacerdote Alex Sanders, que dizia "estão mortos; deixem-os em paz."[75] No entanto, a crença do contato foi muito influenciada pelo Espiritualismo, que estava popular na época do surgimento da Wicca, e na qual Gardner e outros wiccanos como Buckland e Sanders tiveram experiências diretas.[76]

Apesar de alguns wiccanos acreditarem na vida após a morte, este não é o principal foco da Wicca, nem mesmo para estes grupos. A Wicca tende a se concentrar na vida atual porque, como observou Ronald Hutton, "se alguém faz seu melhor na vida presente, em todos os aspectos, a vida seguinte vai ser mais ou menos benéfica dentro do processo, então pode-se assim concentrar-se no presente."[77]

Magia[editar | editar código-fonte]

Altar wicca usado em ritual a céu aberto.

Boa parte dos wiccanos crêem na magia — uma força que eles vêem como sendo capazes de manipulação através da prática de bruxaria ou feitiçaria. Alguns a denonimam "magick", variação cunhada pelo influente ocultista Aleister Crowley, embora esta grafia é mais comumente associada com a religião da Thelema de Crowley do que com a Wicca. De fato, muitos wiccanos concordam com a definição de magia oferecida pelos mágicos cerimoniais,[78] como Aleister Crowley, que declarava que a magia é "a ciência e a arte de provocar mudança de ocorrência em conformidade com a vontade", enquanto que outro mágico cerimonial proeminente, MacGregor Mathers, afirmou que era "a ciência do controle das forças secretas da natureza."[78] Os wiccanos também acreditam que a magia é a lei da natureza ainda incompreendida ou ignorada pela ciência contemporânea,[78] e, como tal, não a vêem como sendo sobrenatural, mas sendo uma parte dos "super poderes que residem no natural", como escrevia Leo Martello.[79] Alguns adeptos da Wicca preferem acreditar que a magia é fazer pleno uso dos cinco sentidos a fim de se obter resultados surpreendentes,[79] ao passo que outros wiccanos não pretendem saber como ela funciona, apenas acreditando que ela funciona.[80]

"A vontade, o amor e a imaginação são poderes mágicos que todos possuem, mas só aquele que sabe a maneira de desenvolvê-los e servir-se deles de um modo consciente e eficaz é um verdadeiro Mago."

João Ribeiro Júnior[81]

Os feitiços da Wicca são realizados durante as práticas rituais (estes rituais são explicados de forma melhor na seção "Ritual" abaixo), na tentativa de provocar mudanças reais no mundo físico. Assim, os feitiços da Wicca geralmente são usados para a cura, a proteção, o banimento de influências negativas e, principalmente, a fertilidade.[82] Os pioneiros da Wicca, Alex Sanders, Sybil Leek e Doreen Valiente, chamavam suas práticas de "magia branca", para separá-la da "magia negra", que é associada ao mal e ao Satanismo e é usada contra um objeto, uma pessoa, um lugar.[83] Sanders também utilizava a terminologia "Caminho da Mão Esquerda" para descrever a magia maléfica e "Caminho da Mão Direita" para descrever a magia realizada com boas intenções;[84] terminologia esta que teve sua origem com a ocultista Madame Blavatsky no século XIX. Alguns wiccanos, contudo, alegam que a cor preta não é necessariamente uma associação ao Mal.[85]

A magia na Wicca define-se como a arte de enviar consciência a vontade, em ocasiões respaldando estes pensamentos ou está com objectos como velas, talismãs, ou ervas que representem a intenção do Mago Wicca. Símbolos, cores, artefatos, o círculo, movimentos, música e mantras fazem parte do conjunto fundamental de elementos na magia wicca a fim de se obter o efeito buscado, que varia de grupo a grupo.[86] Scott Cunningham escreveu: "O poder pessoal é a força vital que sustenta nossas existências terrenas. Ela move nossos corpos. [...] Na magia, o poder pessoal é gerado, imbuído de um propósito específico, liberado e direccionado ao seu objectivo."[87]

Moralidade[editar | editar código-fonte]

"Oito palavras a Rede Wiccaniana respeita: se nenhum mal causar, faz o que desejar."

Lady Gwen Thompson[88]

Não existe nenhum dogma moral ou código ético universalmente seguido pelos wiccanos de todas as tradições, no entanto a maioria segue um código conhecido como a Wiccan Rede que afirma "sem ninguém prejudicar faz o que tu quiseres". Geralmente, essa frase é interpretada como uma declaração de liberdade para atuar na vida, juntamente com a necessidade de assumir a responsabilidade por aquilo que resulta de nossas ações e minimiza danos a si mesmo e aos outros.[89] Outro elemento típico da moralidade wiccana é a Lei Tríplice que diz que qualquer ação malévola ou benéfica retornará ao autor três vezes mais forte, ou com igual força a nível do corpo, da mente e do espírito.[90] Tanto a Rede como a Lei Tríplice foram introduzidas no Ofício por Gerald Gardner e posteriormente adotadas pelas outras tradições.

Muitos wiccanos também procuram cultivar um conjunto de oito virtudes mencionadas na Carga da Deusa de Doreen Valiente,[91] que são: alegria, reverência, honra, humildade, força, beleza, poder e compaixão. No poema de Valiente, eles são ordenados em pares de opostos complementares, reflectindo uma dualismo que é comum em toda a filosofia da Wicca. Quanto à sexualidade, embora Gerald Gardner tivesse demonstrado uma aversão à homossexualidade, alegando que ela derrubasse a "maldição da deusa",[92] agora ela é geralmente aceita em todas as tradições da Wicca, e até mesmo alguns grupos como a Irmandade Minoan elaboram sua filosofia em torno dela,[93] e certas figuras primordiais da Wicca, como Alex Sanders e Eddie Buczynski, sendo declaradamente homossexuais ou bissexuais.

Os Cinco Elementos[editar | editar código-fonte]

Pentagrama com os Quatro Elementos acrescidos do Éter, ou Espírito.

Em grande parte das tradições da Wicca, há a crença nos Quatro Elementos, mas ao contrário da filosofia na Grécia Antiga, elas são vistas como simbólicas em vez de literal, ou seja, são representações das fases da matéria. Esses elementos são geralmente evocados durante os rituais mágicos da Wicca e nomeados ao se consagrar um círculo mágico. Os quatro elementos são: Ar, Fogo, Água e Terra, acrescido de um quinto, o Éter (ou Espírito), que une todos os outro quatro elementos.[94] Para se explicar o conceito dos Cinco Elementos, foram criadas diversas analogias, como a da wiccana Ann-Marie Gallagher, que usava o exemplo de uma árvore, que é composta de terra (com o solo e matéria vegetal), água (seiva e umidade), fogo (através da fotossíntese) e ar (a criação de oxigênio e de dióxido de carbono), que se acredita serem unidos pelo Espírito.[95]

Tradicionalmente, no Gardnerianismo, cada elemento é associado a um ponto cardeal da bússola, sendo o ar oriental, o fogo sul, a água oeste, a terra o norte e o Espírito o centro.[8] No entanto, alguns wiccanos, como Frederic Lamond, alegaram que os pontos cardeais foram definidos apenas visando a geografia do sul da Inglaterra, onde a Wicca emergiu, e que os wiccanos devem determinar os pontos de acordo com sua região; por exemplo, aqueles que vivirem na costa leste da América do Norte deve chamar água o leste e não o ocidente, porque o corpo colossal de água, no Oceano Atlântico, é a seu leste.[96] Outros grupos da Craft têm associado os elementos com diferentes pontos cardeais; Robert Cochrane da Clan of Tubal Cain, por exemplo, associava o sul à terra, o fogo ao leste, o oeste com a água e o ar com o norte onde cada um dos quais eram controlados por um deus diferente, que eram vistos como filhos do Deus Cornífero e da Deusa.[97] Cada elemento também possui uma ferramenta exclusiva nos rituais, sendo a varinha para o ar, o athame para o fogo, o cálice para a água, o pentáculo para a terra e o próprio círculo mágico (ou o caldeirão mágico) para o espírito.[98] Cada um dos Cinco Elementos são representados por cada ponta do pentagrama, o símbolo mais utilizado da Wicca, com o Éter (ou o Espírito) no ponto mais alto.[99]

Práticas[editar | editar código-fonte]

Este pentáculo, usado como pingente, representa um pentagrama circunscrito, usado como símbolo da Wicca por muitos adeptos.

Ao que concerne todas as tradições wiccanas, pode-se dizer que as práticas e os rituais são o foco principal da Wicca. A pesquisadora de neopaganismo e Alta Sacerdotisa Margot Adler, que definiu o ritual como "um método de reintegração de indivíduos e grupos para o cosmos, e um vínculo com as actividades da vida quotidiana com o significado, muitas vezes esquecido, do presente", escreveu que os rituais, celebrações e ritos de passagem da Wicca não são "experiências secas, formais, repetitivas", e sim realizadas com o objetivo de induzir uma experiência religiosa nos participantes, alterando assim sua consciência.[100] Adler também notou que, embora existam muitos wiccanos céticos quanto a existência dos deuses, vida após a morte, etc., eles continuam envolvidos com bruxaria sobretudo por conta da experiência de seus rituais, alegando que "Eu amo mitos, sonhos, a arte visionária. O Ofício é um lugar onde todas essas coisas se encaixam: beleza, pompa, música, dança, sonhos."[101]

Até mesmo o Alto Sacerdote e historiador Aidan Kelly clamou que as práticas e experiências da Wicca são atualmente mais importantes que suas crenças, dizendo que a Wicca é "uma religião ritualista, e não teológica. O ritual vem primeiro, o mito vem em segundo. E acreditar que os mitos do Ofício são 'histórias reais' tal qual o sentido fundamentalista das lendas do Gênesis realmente parece maluquice."[102] Por essa razão Adler afirmou que "ironicamente, considerando os muitos pronunciamentos contra a bruxaria como uma ameaça para a razão, a Craft é um dos poucos pontos de vista religiosos totalmente compatível com a ciência moderna, permitindo total ceticismo sobre até mesmo seus próprios métodos, mitos e rituais."[103]

Ritual[editar | editar código-fonte]

O athame, muito utilizado nas tradições wiccanas e que é um símbolo do falo do Deus.

Existem muitos rituais na Wicca que são usados para celebrar os Sabás, adorar as divindades ou fazer feitiçaria. Geralmente são realizados em lua cheia, ou durante a lua nova, que é conhecida como Esbat. Nos ritos típicos, o coven ou os bruxos solitários reúnem-se dentro de um círculo mágico. Pode ocorrer a evocação dos "Guardiões" dos pontos cardeais, ao lado de seus respectivos elementos clássicos: Ar, Fogo, Água, Terra. Uma vez com o círculo traçado, podem ocorrer um ritual sazonal, orações ao Deus e a Deusa, e/ou feitiços à algum tema em especial.

Estes ritos incluem ferramentas mágicas: como uma faca chamada athame, uma varinha, um pentagrama, um cálice, às vezes um cabo de vassoura, um caldeirão mágico, velas, incensos e uma lâmina curva conhecida como bolline. Na maioria das vezes, o altar é obrigatório dentro do círculo, onde todas ou parte das ferramentas citadas são colocadas e, às vezes, junto a representações do Deus e da Deusa.[104] Antes de entrar no círculo, algumas tradições se banham. Depois de um ritual terminado, os adeptos agradecem os deuses e o círculo é fechado.

Círculo Mágico, de John William Waterhouse (1886).

O círculo mágico é de suma importância para a magia e é considerado um lugar de reunião, de amor, de alegria, de verdade; na Wicca, é um escudo contra o mal e serve também para preservar e conter o poder mágico.[105] Síntese ideológica da coincidência dos opostos e o equilíbrio dos contrários, o Círculo Mágico é traçado às vezes com giz, carvão ou mesmo simbolicamente com a vareta, no chão, e pode ser considerado um baluarte que inclui figuras que correspondem ao triângulo, ao quadrado, ao pentágono, ao hexágono.[105] Em grandes círculos, o Mago pode incluir os nomes das entidades a serem evocadas, ao passo que nos círculos menores, que correspondem aos quatro pontos cardeais, muitas vezes são postas figuras da Cabala e, no centro, mantras ou signos, cujo valor símbolo devem estar de acordo com a potência evocada. O Mago nunca deve sair do Círculo Mágico antes do término da operação e geralmente atua com as costas voltadas para o Oriente.[106]

Um aspecto sensacional da Wicca, especialmente no Gardnerianismo e na Tradição Alexandrina, e que faz parte dos elementos sexuais que são fundamentais na religião, é despir-se e fazer o ritual com todos os membros nus, prática conhecida como skyclad. A nudez indica o abandono da persona social "em face de um mistério".[107] Outras tradições usam roupas com cordões amarrados na cintura ou até mesmo vestimenta normal. Em certas tradições, a magia sexual é realizada sob a forma do Grande Rito, onde o Alto Sacerdote e a Alta Sacerdotisa invocam o Deus e a Deusa, que se apossam deles, antes de realizarem uma real relação sexual a fim de aumentar a energia mágica da feitiçaria.[108] Em casos mais comuns, no entanto, essa relação sexual é feita simbolicamente, usando o athame como o falo do Deus e o cálice como a vulva da Deusa.[108]

A Roda do Ano[editar | editar código-fonte]

Pintura da Roda do Ano no Museu de Bruxaria, Cornualha, Inglaterra, Reino Unido, exibindo todos os oito Sabás.

Os Wiccanos celebram diversos festivais sazonais do ano, que são conhecidos como Sabás; estas reuniões são geralmente conhecidas como Roda do Ano e festejam as estações anuais e suas colheitas.[109] Wiccanos mais ecléticos, ou até mesmo os adeptos do Gardnerianismo, celebram um conjunto de oito Sabás, enquanto em outros grupos, como o Clan of Tubal Cain, eles celebram somente quatro.[110] Os quatro Sabás que são comuns a todos esses grupos são conhecidos como cross-quarter day, e geralmente são referidos como Grandes Sabás. Sua origem provém dos antigos celtas da Irlanda, e possivelmente de outras regiões da Europa ocidental.[111] Nos livros The Witch-Cult in Western Europe (1921) e The God of the Witches (1933) da egiptologista Margaret Murray, interessada no histórico Culto Bruxo, ela afirma que estes quatro festivais de cristianização tinham sobrevivido e haviam sido celebrados na religião pagã de bruxaria. Consecutivamente, quando a Wicca começou a se desenvolver na década de 1930 e na década de 1960, muitos grupos, como o de Gerald Gardner, adotaram a comemoração desses quatro Sabás descritos por Murray. Gardner fez uso dos nomes em inglês desses feriados, dizendo que "os quatro grandes Sabás são o Candlemass, May Eve, Lammas, e o Halloween; os equinócios e solstícios também são celebrados."[112]

Os outros quatro festivais comemorados por grande parte dos wiccanos são conhecidos como Sabás Menores, que compreendem o solstícios e os equinócios, foram adotados somente em 1958 por membros do coven Bricket Wood,[113] antes de influenciarem e serem adotados por outros membros da tradição de Gardner, e eventualmente a Tradição Alexandrina e o Dianismo. Os atuais nomes desses feriados foram retirados dos festivais do paganismo germânico e do politeísmo celta. No entanto, os festivais não são de reconstrução na natureza nem muitas vezes se assemelham a suas contrapartes históricas, em vez de exibir uma forma de universalismo. As observações dos rituais podem mostrar a influência cultural dos festivais a partir dos nomes que tomaram, bem como a influência de outras culturas independentes.[114]

Sabá Hemisfério Norte Hemisfério Sul Origens Históricas Associações
Samhain, aka Halloween 31 de Outubro 30 de Abril, ou 1 de Maio Politeísmo celta Morte e ancestrais.
Yuletide 21 ou 22 de Dezembro 21 de Junho Paganismo nórdico Solstício de Inverno e renascimento do sol.
Imbolc, aka Candlemass 1º ou 2 de Fevereiro 1º de Agosto Politeísmo celta Primeiros sinais da primavera.
Ostara 21 ou 22 de Março 21 ou 22 de Setembro Paganismo nórdico Equinócio e começo da primavera.
Beltaine aka May Eve 30 de Abril ou 1º de Maio 1 de Novembro Politeísmo celta Pleno florescimento da primavera. Contos de fada.[115]
Litha 21 ou 22 de Junho 21 de Dezembro Possivelmente Neolítico Solstício de Verão.
Lughnasadh aka Lammas 1º ou 2 de Agosto 1º de Fevereiro Politeísmo celta A colheita de grãos.
Mabon aka Modron[116] 21 ou 22 de Setembro 21 de Março Nenhum equivalente histórico. Equinócio de Outono. Colheira de frutas.

Ritos de passagem[editar | editar código-fonte]

Existem diversos ritos de passagem dentro da Wicca. Talvez o mais significante deles seja o ritual de iniciação, através do qual alguém se junta à Craft e torna-se um wiccano. Gerald Gardner alegava que havia um período tradicional de "um ano e um dia" entre o momento em que uma pessoa começa a estudar o Ofício e quando ele é iniciado, embora ele tenha frequentemente quebrado esta regra.[117] Na Wicca tradicional britânica (WTB), a iniciação somente aceita alguém no primeiro grau, e para prosseguir ao segundo grau, o iniciado precisa ir a outra cerimônia, onde se nomeia e se usa as ferramentas do ritual.[118] É nessa cerimônia que o iniciado recebe o craft name, seu nome na Bruxaria.[118] Ao manter o posto de segundo grau, um iniciado na BTW, portanto, é capaz de iniciar outros no Ofício, ou fundar seus próprios covens semi-autônomos.[118] O terceiro grau é o mais alto dentro da BTW, e envolve a participação do Grande Rito, seja real ou simbólico, assim como o ritual de flagelação.[119] Ao realizar esta classificação, um iniciado já é capaz de formar covens que são totalmente autônomos da sua "coven-mãe".[119]

Wiccanos de mãos dadas numa cerimônia em Avebury, Inglaterra, que ocorreu durante o Beltane de 2005.

Este sistema de ensino superior em três níveis que seguem a iniciação é em grande medida exclusiva da BTW, embora algumas tradições se baseiem nela. Alguns wiccanos solitários também realizam rituais de iniciação a si mesmo, dedicando-se a se tornarem um wiccano. O primeiro deles a ser publicado foi em Mastering Witchcraft (1970) de Paul Huson, que envolvia a recitação do Pai Nosso de trás para frente como um símbolo de rebeldia contra a histórica Caça às bruxas.[120] Posteriormente, de forma mais abrangente os rituais de auto-iniciação pagãos foram publicados em livros por wiccanos solitários como Doreen Valiente, Scott Cunningham e Silver Ravenwolf.

O handfasting também é uma outra celebração dos wiccanos, e é um termo usado para os casamentos. Alguns wiccanos observam a prática da união experimental por um ano e um dia. A promessa de casamento na Wicca é "por quanto tempo durar o amor", em vez da tradicional cristã "até que a morte nos separe".[121] O primeiro casamento wiccano aconteceu em 1960 no Bricket Wood coven, entre o bruxo Frederic Lamond e sua primeira esposa, Gillian.[122]

As crianças, por sua vez, que são criadas por famílias wiccanas, recebem o Wiccaning, que é análogo ao batizado cristão. Sua proposta é apresentar a criança ao Deus e à Deusa para proteção. Apesar disso, de acordo com o livre arbítrio pregado pelos wiccanos, a criança não deve ser obrigada a ser adepta da Wicca ou simplesmente aderir outras formas de paganismo por simples vontade dos adultos.

Livro das Sombras[editar | editar código-fonte]

Ao contrário da Bíblia e do Qur'an, a Wicca não possui um texto sagrado, embora existam algumas escrituras e textos que várias tradições diferentes suportam como importante e influente para suas crenças e práticas. Gerald Gardner usava um livro contendo diversos textos em seus covens, chamado de Livro das Sombras, que ele usualmente adaptava. No Livro das Sombras, há textos retirados de várias fontes, incluindo o Evangelho das Bruxas (1899) de Charles G. Leland e obras do ocultista Aleister Crowley, que Gardner conheceu pessoalmente. Além disso, o Livro traz poesias escritas por Gardner e sua Alta Sacerdotisa Doreen Valiente, sendo o mais famoso "Carga da Deusa".

"O Livro das Sombras não é uma Bíblia ou um Alcorão. É um livro pessoal de magias que funciona para seu dono. Estou dando a vocês o meu para copiarem e começarem: para ganharem experiência descartando aqueles feitiços que não servirem e substituindo pelos seus próprios feitiços."

Gerald Gardner a seus seguidores.[123]

Semelhante ao uso de grimórios na magia cerimonial,[124] o Livro contém instruções de como realizar rituais e feitiços, como também poesia religiosa e cantos como o Eko Eko Azarak a serem usados durante os rituais do mago. A verdadeira intenção de Gardner era que cada cópia do Livro fosse diferente, porque o aluno teria uma cópia próprio da que fosse de seus iniciadores, mas entre muitos adeptos do Gardnerianismo, especialmente nos Estados Unidos, todas as cópias são mantidas idênticas à versão que a Sacerdotisa Monique Wilson copiou de Gardner, sem alterar nada.[125] O Livro das Sombras foi originalmente concebido para ser mantido em segredo aos não-iniciados na BTW, mas partes do livro foram publicadas por autores como Charles Cardell, Lady Sheba, Janet Farrar e Stewart Farrar.[125] [126]

Hoje em dia, os adeptos de muitas tradições não-BTW adotaram também o conceito de Livro das Sombras, com muitos solitários mantendo suas próprias versões, feitiços, práticas, por vezes com material retirado da publicação do Livro das Sombras garderiana. Em outras tradições, no entanto, as práticas nunca são escritas em livro ou papel algum, significando que para elas não há necessidade de um Livro das Sombras.

Símbolos[editar | editar código-fonte]

Mãe Tríplice, símbolo da lua crescente, cheia e minguante (do Hemisfério Norte)

Os diversos símbolos na Wicca são a linguagem criadora que expressam o que "não pode ser dito claramente".[127] Algumas tradições utilizam o símbolo de uma mulher pisando numa serpente ou um homem derrotando um dragão, símbolo da dominação ou da vitória diante das vontades fracas, e que pode ser um símbolo análogo às imagens católicas de Nossa Senhora de Imaculada Conceição e de São Jorge.[128] A serpente representa a ambivalência de toda manifestação e é maléfica sobre a aparência de Tifão e de Píton ou também pode representar sabedoria, como indica seu nome grego Ophis, anagrama por uma letra da sabedoria, Sophia.[128] O culto à serpente é encontrado em todas as partes do mundo e em todas as religiões e é associado à transcendência e à iluminação.[129] A serpente é citada por Buda, pela Bíblia (serpente do paraíso [130] ) por Jesus Cristo, pelos egípcios (deusa Ísis, Uadjit, entre ouros), gregos (Pítia), e romanos.

Além desses, existem muitos outros símbolos, como o da Mãe Tríplice, também usada no Dianismo e no neo-Druidismo, baseada nos escritos de Robert Graves, retratando as três faces da Deusa: A Donzela/Virgem, a Mãe, e a Anciã. A Donzela representa encantamento, criação, expansão, a promessa de novos começos, nascimento, juventude e entusiasmo juvenil, representada pela lua crescente; a Mãe representa maturação, fertilidade, sexualidade, respeito, estabilidade, poder, vida e é representada pela lua cheia; A Anciã representa a sabedoria, o repouso, a morte e terminações, e é representada pela lua minguante (imagens ao lado).[131]

Outro símbolo menos usado nas tradições da Wicca mas bastante constante em outras formas de neopaganismo é a Estrela de David, a estrela de seis pontas. É de se notar sua composição, onde na alquimia o triângulo apontado para cima e o triângulo apontado para baixo diferem em signos mas juntos formam a Estrela de David:[132]

Pentagrama Wicca (circunscrito) representando os quatro elementos e o Espírito

O pentagrama, a estrela de cinco pontas, por sua vez, é um outro símbolo, mais utilizado pelos wiccanos que a Estrela de David, e praticamente obrigatório na maior parte das tradições wiccanas.[99] Este não é exclusivamente Wicca; o pentagrama era o signo secreto dos Pitagóricos.[132] Embora haja distinção entre a doutrina exotérica de Pitágoras (que concerne a conexão entre música e aritmética e o vínculo da matemática à ciência) e a esotérica, dirigida aos iniciados, pode-se dizer que tanto para um quanto para outro o pentagrama é uma indicação da vida e da inteligência, e para os Wiccanos simboliza ainda os quatro elementos acrescentado do Espírito, no ponto mais alto do ângulo.[94]

No entanto, no Satanismo, e exclusivamente nele, invertido ou com uma representação de um bode negro o pentagrama simboliza o mal.[133] Agora, na Wicca, ao que concerne de uso mais pessoal e individual, existem os talismãs, muitas vezes representados com pentagramas como o da figura acima, que garantem aos magos a prevenção contra os eventuais "Choques de Retorno". O talismã não pode ter em sua fabricação um elemento de fetiche (como os amuletos) mas um elemento natural: ossos, pedras, dentes, conchas, etc.[134] O talismã não protege, como o amuleto, contra todo mal, senão apenas contra tal ou qual influência determinada em tal ou qual caso.[134] Sua virtude se apóia em quatro elementos: a) o momento da sua criação; b) a matéria de que é feito; c) as figuras que comporta; d) as inscrições que nele estão gravadas.[135]

A crença em sua influência depende de seu material, mas sempre é lógica e simbólica: se o talismã suporta rubi, p.ex., imediatamente terá conexões com Marte, tanto o planeta quanto o ser mitológico.[135] O Pantáculo, por sua vez, é a forma mais evoluída de talismã e procede da ideia de um objeto que contém o todo, que resume o todo, que é a síntese do macrocosmo.[135] Outros símbolos menores na Wicca são o Tríscele, a Triquetra, e as Três Lebres.

Preconceitos à Wicca[editar | editar código-fonte]

O pentagrama invertido e com o bode negro, usado na Igreja de Satã, tem levado a muitos identificarem incorretamente os wiccanos como satanistas.

A Wicca surge na Inglaterra, país predominantemente cristão, e desde seu início sofreu preconceito de alguns grupos de outras religiões e de tablóides populares como o News of the World. Esse tipo de preconceito continua nos dias de hoje, com alguns cristãos dizendo que a Wicca é uma forma de Satanismo, apesar de existir uma grande diferença entre as duas religiões.[136] Os wiccanos, por exemplo, não crêem em Lúcifer ou em Satã, tampouco na vinda de um deles à Terra.[2] Devido à conotação negativa associada à Bruxaria moderna, muitos wiccanos mantém suas práticas em sigilo, ocultando sua fé por medo de perseguição. Por conta disso existe a brincadeira entre wiccanos de "sair do armário de vassouras", ou seja, revelar-se socialmente que se é wiccano.[137]

Da mesma forma, muitas pessoas acusam a Wicca de ser anti-cristã, uma afirmação contestada por wiccanos como Doreen Valiente que escreveu que, embora conheça muitos adeptos da Wicca admiradores de Jesus Cristo, "as bruxas têm pouco respeito pelas doutrinas das igrejas, por as considerarem como um monte de dogmas feito pelos homens."[138] De acordo com a história da Wicca dada por Gerald Gardner, a Wicca é uma religião sobrevivente do Culto Bruxo que ocorreu na Europa, e que foi largamente perseguido durante o que os historiadores denominam "Caça às bruxas" porque verenciava um deus cornífero, mas não o Diabo. Modernas investigações acadêmicas revelaram, no entanto, que tais perseguições foram substancialmente menores do que as indicadas por Gardner, e raramente a mando de autoridades religiosas.[10] As teorias de um culto bruxo europeu organizado, bem como julgamentos de bruxas em massa, também têm sido amplamente desconsideradas por alguns acadêmicos, mas ainda assim os wiccanos sentem solidariedades com as vítimas das perseguições de bruxas durante a Idade Média e o Renascimento.[14]

Outro preconceito, menos inofensivo, em relação à religião da Wicca, é dizê-la como uma ramificação do movimento New Age, alegação que é fortemente negada pela maioria dos wiccanos e também por historiadores como Ronald Hutton, que observou que a Wicca não só antecede o movimento de Nova Era como também difere marcadamente de sua filosofia geral.[139]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, p.38, Abril Cultural/Brasiliense.
  2. a b c d e João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, p.37, Abril Cultural/Brasiliense.
  3. Kemp, Anthony. Witchcraft and Paganism Today. London: Michael O'Mara, 1993. p. 3.
  4. Hutton, Ronald. The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft. Oxford, NY: Oxford University Press, 1999. p. vii.
  5. Gardner, Gerald B. Witchcraft Today. Lake Toxaway, NC: Mercury Publishing, 1999. OCLC 44936549
  6. a b Seims, Melissa. (2008). "Wica or Wicca? - Politics and the Power of Words". The Cauldron (129).
  7. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America Today. Boston: Beacon Press, 1979. ISBN 0-8070-3237-9
  8. a b c Gallagher, Ann-Marie. The Wicca Bible: the Definitive Guide to Magic and the Craft. New York: Sterling Publishing, 2005.
  9. Adler, Margot (1979) Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-Worshippers, and Other Pagans in America Today. Boston: Beacon Press. pp. 45–47, 84–5, 105.
  10. a b Briggs, Robin. Witches and Neighbors: The Social and Cultural Context of European Witchcraft. [S.l.]: Penguin, 1998. ISBN 0-14014-438-2
  11. The Triumph of the Moon - The Rise of Modern Pagan Witchcraft, Ronald Hutton, Oxford University Press, 1999, página 137
  12. A New History of Witchcraft, Russell & Alexander, Thames & Hudson, página 147.
  13. The Triumph of the Moon - The Rise of Modern Pagan Witchcraft, Ronald Hutton, Oxford University Press, 1999, pags. 149-150
  14. a b Buckland, Raymond. Witchcraft From The Inside: Origins of the Fastest Growing Religious Movement in America. 3rd ed. St. Paul, MN: Llewellyn Publications, 2002-09-01. OCLC 31781774 ISBN 1-56718-101-5
  15. Heselton, Philip. Wiccan Roots: Gerald Gardner and the Modern Witchcraft Revival. Freshfields, Chieveley, Berkshire: Capall Bann Pub., November-2001. OCLC 46955899 ISBN 1861631103
  16. Nevill Drury. "Why Does Aleister Crowley Still Matter?" Richard Metzger, ed. Book of Lies: The Disinformation Guide to Magick and the Occult. Disinformation Books, 2003.
  17. Bourne, Lois (1998). Dancing With Witches. Hale. Página 51.
  18. Heselton, Philip (2003). Gerald Gardner and the Cauldron of Inspiration. Capall Bann. Página 254.
  19. D. Hudson Frew (Morgann) (1991). [http://www.wildideas.net/temple/library/frew.html Crafting The Art Of Magic: A Critical Review]. Wildideas.net. Página visitada em 14 de novembro, 2010..
  20. Melissa Seims. CHARLES CLARK – Gardnerian High Priest and child of The Wica. Wildideas.net. Página visitada em 1 de Julho, 2010..
  21. Gardner e a O.T.O., verificar texto "Sucessão Após Crowley".
  22. Wicca Gardneriana - Iniciação IIIº Grau
  23. LIber XV - A Missa Gnóstica
  24. a b Alexander, Brooks; Russell, Jeffrey (2007). A New History of Witchcraft. Thames & Hudson. p. 178–185.
  25. Holzer, Hans. The New Pagans. Garden City, NY: Doubleday, 1972. OCLC 281240
  26. Luhrmann, T.M. Persuasions of the Witch's Craft, Cambridge: Harvard University Press, 1989, p.261 "Core Texts in Magical Practice"
  27. Kelly, Aidan A. Crafting the Art of Magic: A History of Modern Witchcraft, Minnesota: Llewellyn, 1991, p.61, on "the First Degree Initiation"
  28. Clifton, Chas S. The Paganism Reader, New York: Routledge, 2004 p.4 "Revival and diversification texts", pp. 170 - 185, "Paul Huson: Preliminary Preparations"
  29. Witches Workshop Australia
  30. Scott Cunningham (1956-1993). Controverscial.Com (Acesso: 12 de Novembro, 2010.).
  31. Revista Planeta, setembro de 1997. Repórter: Romeo Graziano Filho.
  32. Heloísa Noronha. "Atualizada, bruxaria está na moda" (1/08/2010). UOL. Acesso: 13 de novembro, 2010.
  33. Gardner, Gerald. The Meaning of Witchcraft. pp. p. 96.
  34. Frederic Lamond, Fifty Years of Wicca, Green Magic, 2005, p.35. ISBN 0954723015
  35. ABC do Código Da Vinci, Ed. Conex, p.363. ISBN 8575940589
  36. DUNWICH, Gerina. Wicca: A Feitiçaria Moderna. Editora Bertrand Brasil. (ISBN 85-286-0150-1)
  37. Bonewits, I (2005)How Many "Pagans" Are There?
  38. Adherents.com Statistical summary pages: W Acesso: 30 de junho, 2010.
  39. American Religious Identification Survey. City University of New York. Página visitada em 2007-06-05.
  40. Respect healthy for different faiths - Air Force News | News from Afghanistan & Iraq - Air Force Times
  41. Ruickbie, Leo (2004). Witchcraft Out of the Shadows. Hale. Página 177.
  42. IBGE, População residente, por sexo e situação do domicílio, segundo a religião, Censo Demográfico 2000. Acessado em 13 de dezembro de 2007
  43. IBGE, População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil - 2010, Censo Demográfico 2010
  44. UWB - União Wicca do Brasil, levantamento de wiccanos no Brasil, 2012
  45. Pagans and the Scottish Census of 2001 Acessado em 18 de outubro, 2007.
  46. Gardner, Gerald (1988) [1959]. The Meaning of Witchcraft. Lakemont, GA US: Copple House Books. pp. 260–261.
  47. Adler, Margot (1979). Drawing Down the Moon. Boston: Beacon Press. pp. 25, 34–35. ISBN 0-8070-3237-9.
  48. Farrar, Janet e Bone, Gavin Progressive Witchcraft
  49. Farrar, Janet e Farrar, Stewart. (1987). The Witches' Goddess: The Feminine Principle of Divinity. London: Robert Hale. Page 2-3.
  50. Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' Goddess: The Feminine Principle of Divinity. London: Robert Hale, 1987. p. 59. ISBN 0709028008
  51. Pearson, Joanne; Roberts, Richard H; Samuel, Geoffrey. Nature Religion Today: Paganism in the Modern World. Edinburgh: Edinburgh University Press, December-1998. 6 p. OCLC 39533917 ISBN 0-748-61057-X
  52. Ravenwolf, Silver. Teen Witch: Wicca for a New Generation. St Paul, Minnesota: Llewellyn, 1998. p. 25.
  53. Gardner, Gerald. The Meaning of Witchcraft. [S.l.]: Aquarian, 1959. p. 260.
  54. Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' God: Lord of the Dance. London: Robert Hale, 1989. 32–34 p. ISBN 0709033192
  55. Howard, Michael (2009). Modern Wicca. Woodbury, Minnesota: Llewellyn. Page 266-267
  56. Howard, Michael (2009). Modern Wicca. Woodbury, Minnesota: Llewellyn. Page 271.
  57. a b Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' God: Lord of the Dance. London: Robert Hale, 1989. 35–38 p. ISBN 0709033192
  58. Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' God: Lord of the Dance. London: Robert Hale, 1989. 15–17 p. ISBN 0709033192
  59. Farrar, Janet e Farrar, Stewart. (1987). The Witches' Goddess: The Feminine Principle of Divinity. London: Robert Hale. Page 29-37.
  60. Farrar, Janet e Farrar, Stewart. (1987). The Witches' Goddess: The Feminine Principle of Divinity. London: Robert Hale. Page 38-44.
  61. Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' God: Lord of the Dance. London: Robert Hale, 1989. 7–10 p. ISBN 0709033192
  62. Farrar, Janet; and Stewart Farrar. A Witches' Bible: The Complete Witches Handbook. London: Phoenix Publishing, 1981. 181–182 p. OCLC 62866821 ISBN 0919345921
  63. Gardner, Gerald B. The Meaning of Witchcraft. Lakemont, GA: Copple House Books, 1988. 260–261 p.
  64. Hutton, Ronald. The Pagan Religions of the Ancient British Isles. [S.l.]: Blackwell, 1991. 260–261 p. ISBN 0-631-17288-2
  65. Gardner, Gerald B. The Meaning of Witchcraft, Copple House Books, p.26-27.
  66. Crowther, Patricia. Witch Blood! The Diary of a Witch High Priestess!, House of Collectibles. ISBN 0876371616
  67. Cunningham, Scott. Wicca: A Guide for the Solitary Practitioner
  68. Farrar, Janet; Bone, Gave. Progressive Witchcraft: Spirituality, Mysteries, and Training in Modern Wicca, New Age Books, ISBN 1564147193
  69. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America Today, p.25, 34-35, Beacon Press, 1979, ISBN 0-8070-3237-9
  70. Crowley, Vivianne. Wicca: The Old Religion in the New Millennium, p.192.
  71. A Bíblia Wiccana, de Anne-Marie Gallagher, Godsfield, page 34-39
  72. Buckland, Raymond. Buckland's Complete Book of Witchcraft, Llewellyn , p.17, 18, 52.
  73. Valiente, Doreen. An ABC of Witchcraft Past and Present, 1973, Hale, introdução.
  74. Hutton, Ronald. Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Withcraft. [S.l.]: Oxford University Press, 1999. Página 392
  75. Farrar, Stewart. What Witches Do. pp. 88.
  76. Hutton, Ronald. Triumph of the Moon. [S.l.: s.n.], 1999. 392 p.
  77. Hutton, Ronald. Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Withcraft. [S.l.]: Oxford University Press, 1999. Página 393
  78. a b c Valiente, Doreen. An ABC of Witchcraft Past and Present. [S.l.]: Hale, 1973. 231 p.
  79. a b Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America Today. [S.l.]: Penguin, 2006. Páginas 158-159
  80. Hutton, Ronald. The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft. [S.l.]: Oxford University Press, 1999. Páginas 394-395
  81. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p. 29.
  82. Gallagher, Ann-Marie. The Wicca Bible. [S.l.]: Godsfield, 2005. 250 to 265 p.
  83. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.30-31.
  84. Sanders, Alex. The Alex Sanders Lectures. [S.l.]: Magickal Childe, 1984.
  85. Gallagher, Ann-Marie. The Wicca Bible. [S.l.]: Godsfield, 2005. 321 p.
  86. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p. 44-46.
  87. Scott Cunnigham, "Guia essencial da Bruxa Solitária"
  88. Mathiesin, Robert; Theitic (2005). The Rede of the Wiccae. Providence, Rhode Island: Olympian Press. Páginas 60-61,
  89. Harrow, Judy. (Oimelc 1985). "Exegesis on the Rede". Harvest 5 (3).
  90. Lembke, Karl (2002) The Threefold Law.
  91. Farrar, Janet; and Stewart Farrar. Eight Sabbats for Witches. London: Robert Hale Publishing, May-1992. OCLC 26673966 ISBN 0709047789
  92. Gardner, Gerald B. Witchcraft Today. London: Rider and Company, 1954. 69, 75 p. OCLC 1059746
  93. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America Today. [S.l.]: Penguin, 2006 [1986]. 130–131 p.
  94. a b Zell-Ravenheart, Oberon; Zell-Ravenheart, Morning Glory. Creating Circles & Ceremonies. Franklin Lakes: New Page Books, 2006. p. 42. ISBN 1564148645
  95. Gallagher, Ann-Marie. The Wicca Bible: The Definitive Guide to Magic and the Craft. New York: Sterling, 2005. 77–78 p. ISBN 140273008X
  96. Lamond, Frederic R. Fifty Years of Wicca. United Kingdom: Green Magic, 2004. 88–89 p. ISBN 0954723015
  97. Valiente, Doreen (1989). The Rebirth of Witchcraft. London: Hale. Página 124.
  98. Chart of the Wiccan Elements of Nature. Religion Facts (Acesso: 1 de Julho, 2010.).
  99. a b Valiente, Doreen. An ABC of Witchcraft Past and Present. Custer: Phoenix Publishing, 1988. 264 p. ISBN 0-919345-77-8
  100. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America. [S.l.]: Penguin, 2005 [1979]. 164 p.
  101. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America. [S.l.]: Penguin, 2005 [1979]. 172 p.
  102. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America. [S.l.]: Penguin, 2005 [1979]. 173 p.
  103. Adler, Margot. Drawing Down the Moon: Witches, Druids, Goddess-worshippers and Other Pagans in America. [S.l.]: Penguin, 2005 [1979]. 174 p.
  104. Crowley, Vivianne. Wicca: The Old Religion in the New Age (1989) London: The Aquarian Press. ISBN 0-85030-737-6
  105. a b João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.52.
  106. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.53.
  107. João Ribeiro Júnior, O Que é Mistério, Abril Cultura, p.38.
  108. a b Farrar, Janet; Farrar, Stewart. The Witches' Way: Principles, Rituals and Beliefs of Modern Witchcraft. [S.l.]: Phoenix Publishing, 1984. 156–174 p. ISBN 0919345719
  109. Farrar, Janet e Farrar, Stewart. Eight Sabbats for Witches (1981) (published as Part 1 of A Witches' Bible, 1996) Custer, Washington, USA: Phoenix Publishing Inc. ISBN 0-919345-92-1
  110. Gary, Gemma (2008). Traditional Witchcraft: A Cornish Book of Ways. Troy Books. Página 147.
  111. Evans, Emrys (1992). Mythology. Little Brown & Company. ISBN 0-316-84763-1. Página 170.
  112. Gardner, Gerald B. The Meaning of Witchcraft. [S.l.]: Red Wheel, 2004. p. 10.
  113. Lamond, Frederic. Fifty Years of Wicca. Sutton Mallet, England: Green Magic, 2004. 16–17 p. ISBN 0-9547230-1-5
  114. Crowley, Vivianne. Wicca: The Old Religion in the New Age (1989) London: The Aquarian Press. ISBN 0-85030-737-6 p.23
  115. Gallagher, Anne-Marie. (2005). The Wicca Bible: The Definitive Guide to Magic and the Craft. London: Godsfield Press. Página 67.
  116. Gallagher, Anne-Marie. (2005). The Wicca Bible: The Definitive Guide to Magic and the Craft. London: Godsfield Press. Página 72.
  117. (2005) "Witching Culture: Folklore and Neo-Paganism in America". Folklore 116.
  118. a b c Stewart, Farrar. The Witches' Way. [S.l.: s.n.].Chapter II - Second Degree Initiation
  119. a b Stewart, Farrar. The Witches' Way. [S.l.: s.n.].Chapter III - Third Degree Initiation
  120. Huson, Paul. Mastering Witchcraft: A Practical Guide for Witches, Warlocks and Covens. New York: Putnum, 1970. 22–23 p. OCLC 79263
  121. Gallagher, Anne-Marie. (2005). The Wicca Bible: The Definitive Guide to Magic and the Craft. London: Godsfield Press. Página 370.
  122. Hutton, Ronald. The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft. Oxford, NY: Oxford University Press, 1999. p. 325. ISBN 0198207441
  123. Lamond, Frederic (2004). Fifty Years of Wicca. Page 14. Green Magic.
  124. Crowley, Vivianne. Wicca: The Old Religion in the New Age. London: Aquarian Press, 1989. 14–15 p. ISBN 0-85030-737-6
  125. a b Farrar, Janet; Farrar, Stewart. A Witches' Bible. Custer, Washington: Phoenix Publishing, 1996. ISBN 0-919345-92-1
  126. Gardner, Gerald. In: Naylor, A R (ed.). Witchcraft and the Book of Shadows. Thame, England: I-H-O Books, 2004. ISBN 1872189520
  127. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.51.
  128. a b João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.54.
  129. O Graal da Serpente, Philip Gardiner com Gary Osborn, Ed. Pensamento
  130. Serpente
  131. Pike, Sarah M. (2007). "Gender in New Religions" in Bromley, David G. (ed.)(2007) Teaching New Religious Movements. Oxford University Press US. p.214. ISBN 0-19-517729-0, ISBN 978-0-19-517729-9.
  132. a b João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.55.
  133. João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.55-56.
  134. a b João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.57.
  135. a b c João Ribeiro Júnior, O Que é Magia, Abril Cultural, p.58.
  136. Davis, Derek; Hankins, Barry. New Religious Movements and Religious Liberty in America. 2nd ed. Waco: Baylor University Press, 2003. 75 p. OCLC 52895492 ISBN 0918954924
  137. 'Bewitched' (2003-12-04). Witch Way. Slate.com. Página visitada em 2008-05-16. "Believe me, coming out of the "broom closet" is a one-way trip."
  138. Valiente, Doreen. An ABC of Witchcraft Past and Present. [S.l.]: Hale, 1973. Introduction p.
  139. Hutton, Ronald. The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft. [S.l.]: Oxford University Press, 1999. 412 e 413 p.

Bibliografia complementar[editar | editar código-fonte]

  • BUCKLAND, Raymond. Wicca: Um estilo de vida, Religião e Arte: Nova Era, 2003. - 196 p.
  • CUNNINGHAM, Scott. Vivendo a Wicca: Guia Avançado para o Praticante Solitário. São Paulo: Gaia, 2002. 203 p. (ISBN 8575550012)
  • DANIELS, Estele & TUITEAN, Paul. Wicca Essencial. São Paulo: Pensamento, 2002. 387 p. (ISBN 8531513375)
  • GARDNER, Gerald. A Bruxaria Hoje. São Paulo: Madras, 2003. 149 p. (ISBN 8573747293)
  • GRIMASSI, Raven. Enciclopédia de Wicca e Bruxaria. São Paulo: Gaia, 2004. 320 p. (ISBN 8575550330)
  • GRIMASSI, Raven. Mistérios Wiccanos: Antigas Origens e Ensinamentos, Os. São Paulo: Gaia, 2001. 283 p. (ISBN 8585351780)
  • LASCARIZ, Gilberto. Ritos e Mistérios Secretos do Wicca, Sintra. Zéfiro, 2008. 448 pp. (ISBN 9789728958527)
  • MARTINEZ, Mario. Wicca Gardneriana. São Paulo: Gaia, 2005. - (Coleção Além da Lenda). 185 p. (ISBN 85-7555-068-3)
  • PRIETTO, Claudiney. Wicca: a Religião da Deusa. São Paulo: Gaia, 2001. 301 p. (ISBN 8585351845)
  • PRIETTO, Claudiney. Wicca: Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna. São Paulo: Germinal, 1999. 203 p. (ISBN 8586439053)
  • SHEBA, Lady. Livro das Sombras: os Rituais Sagrados dos Wicca, O. São Paulo: Madras, 2002. 134p (ISBN 8573745150)
  • McCOY, Edain. Se Você Quer Ser Uma Bruxa. São Paulo: Pensamento, 2004. 207p. (ISBN 85-315-1407-X)
  • GONZÁLEZ-WIPPLER, Migene. Livro Das Sombras, O. São Paulo: Pensamento, 2002. 200p (ISBN 85-315-1295-6)
  • ATEN, James. The Truth About Wicca And Witchcraft-Finding Your True Power, 2008. (ISBN 9780615209456)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Wicca