Tifão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Zeus lançando seu raio em Tifão. Cerca de 550 a.C., Coleções Estatais de Antigüidades (Inv. 596)

Tifão ou Tifeu (em grego antigo Τυφωευς, Τυφων, Τυφαων, Τυφως, transl. Typhôeus, Typhôn, Typhaôn, Typhôs), é um deus da mitologia a quem imputavam os gregos a paternidade dos ventos ferozes e violentos.[1] Era filho de Gaia) e de Tártaro.[2]

No sincretismo com o mito egípcio de Osíris, Tifão era identificado com o gigante Seb, responsável pela seca do Nilo e deus da morte, e que por inveja da fecundidade daquele o matara, sendo vingado por seu filho Anúbis (identificado com Apolo).[1]

Junto à esposa Equidna foi pai de vários dos monstros que povoam as aventuras de heróis e deuses, como o Leão de Neméia, combatido por Hércules, a Hidra de Lerna ou a Esfinge, na fusão com os mitos nilóticos,[1] dos cães Ortros e Cérbero.[3]

Hesíodo descreve-o assim:

"As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de um medonho dragão, e de cada uma se projetava uma língua negra; dos olhos das monstruosas cabeças jorrava uma chama brilhante; espantosas de ver, proferiam mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz ; muitas vezes — ó prodígio! — o ladrar de um cão, ou os clamores penetrantes de que ressoavam as altas montanhas."[2]

Índice

[editar] Descrição

Gaia, a Terra, para vingar a derrota de seus filhos pelos crônidas na Titanomaquia, uniu-se a Tártaro e gerando Tifão, identificado como a personificação do terremoto. Morava numa gruta, cuja atmosfera envenenava com vapores tóxicos.[2]

Era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. Suas asas abertas podia tapar o Sol, dos seus ombros saiam Dragões, 50 de cada ombro no total 100. Ele era tão horrendo que todos o rejeitavam, até seus irmãos, os titãs. De sua boca cuspia fogo em torrentes, e lançava rochas incandescentes aos céus.[2]

[editar] Luta contra o Olimpo

A fim de dar cabo à vingança materna, Tifão começou a escalar o Monte Olimpo provocando a fuga dos seus moradores todos; os deuses se metamorfosearam em animais e fugiram para o Egito (razão pela qual, segundo os gregos, esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas)[2]. Apolo tornou-se um falcão] (Hórus), Hermes um íbis (Thoth), Ares um peixe (Onúris), Ártemis uma gata (Neith ou Bastet), Dioniso um bode (Osíris ou Arsafes), Héracles um cervo, Hefesto um boi (Ptah) e Leto um musaranho (Wadjet). Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana.

Do Egito Zeus veio a se refugiar no Monte Cássio, na Síria, local em que enfrentou o gigantesco inimigo. Dali atingia Tifão com seus raios mas este consegue derrubá-lo e, com uma harpe, cortou-lhe os músculos dos membros e deles fazendo um pacote que guardou numa pele de urso. Os raios e os membros amputados foram confiados a Delfim - um dragão - no antro córciro, na Cilícia.[2]

No ataque Tifão invocara todos os dragões que, tantos eram, escureceram o dia. Tendo perdido seus raios Zeus propusera a Cadmo que, disfarçando-se em pastor, fizesse uma choupana e, com o som de sua flauta, atraísse o monstro. Nonos assim registra o episódio: "Canta, disse-lhe ele, Cadmo; tornarás a dar aos céus a primitiva serenidade. Tifão arrebatou-me o raio; só me resta a égide; mas de que pode valer-me contra as poderosas chamas dos raios? Sê pastor por um dia e sirva a tua flauta para devolver o império ao eterno pastor do mundo. Os teus serviços não ficarão sem prêmio; serás o reparador da harmonia do universo e a bela Harmonia, filha de Marte e de Vênus, será tua esposa."[2]

Atraído pela música, Tifão se aproxima; Cadmo (noutros mitos teria sido Hermes) finge estar assustado com os raios e o monstro, para acalmá-lo, deixa os relâmpagos numa caverna onde Zeus, fazendo baixar uma nuvem para não ser percebido, recupera suas armas e músculos.[2]

De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos.[2]

Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo, morto.[2]

[editar] Relação com outros mitos

Hades, incomodado com as estranhas agitações do Etna provocadas por Tifão, saíra à superficie para ver o que ocorria, dando início assim ao episódio do rapto de Perséfone.[2]

Cadmo, pela ajuda, fora presenteado por Zeus com a noiva Harmonia, para cujas núpcias acorreram vários deuses.[3]

As nove filhas de Piero, rei da Macedônia desafiaram as Musas, ridicularizando a fuga dos deuses cobardemente disfarçados em animais, por medo a Tifão.[4]

[editar] Descendência

Vários monstros tiveram atribuída a paternidade a Tifão e sua esposa Equidna, a única que podia suportar a sua terrivel aparencia, já que outras Titanides e deusas primordiais o rejeitavam, nascida de Crisoé que, por sua vez, nascera - assim como Pégaso - do sangue derramado por Medusa.[4]

Referências

  1. a b c Alexander S. Murray. Quién es Quién en la Mitología. [S.l.]: ME Editores, Madri, 1997. ISBN 84-495-0421-X
  2. a b c d e f g h i j k René Menard. Mitologia greco-romana, volume I. [S.l.]: Opus ed. São Paulo, 2ª ed, 1991.
  3. a b c d e f René Menard. Mitologia greco-romana, volume III. [S.l.]: Opus ed. São Paulo, 2ª ed, 1991.
  4. a b c d e René Menard. Mitologia greco-romana, volume II. [S.l.]: Opus ed. São Paulo, 2ª ed, 1991.


Ferramentas pessoais
Espaços nominais

Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas
Noutras línguas