Yazidi

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Iazidis das montanhas Sinjar, na região fronteiriça sírio-iraquiana

Os iazidis,[1] yazidis, yezidi, êzidi ou yazdani (em árabe: يَزِيدِيَّةٌ; transl.: yazīdīyya; em persa: یزِیدِیَ; transl.: yazīdī; em curdo: ئێزیدی; transl.: êzidî ou êzidîtî; em arménio: Եզդի , ezdi; em turco: yezîdîler) constituem uma comunidade étnico-religiosa curda cujos membros praticam uma antiga religião sincrética, o iazidismo, uma espécie de iazdânismo ligada ao zoroastrismo e a antigas religiões da Mesopotâmia. A maior parte dos seus membros vive ou é originária da província de Ninawa, no norte do Iraque, cuja capital é Mossul, uma região que fez parte da antiga Assíria e foi o centro do Império Neoassírio, mas também há comunidades na Arménia, Geórgia e Síria, as quais têm registado um acentuado declínio desde a década de 1990, devido à emigração para a Europa Ocidental, sobretudo para a Alemanha.[nt 1]

Segundo os próprios iazidis, a sua religião tem origem no antigo Irão e há numerosas semelhanças entre o iazidismo atual e as antigas religiões persas, o que leva muitos autores a considerá-lo um vestígio sobrevivente do mitraísmo iraniano que se adaptou a jum ambiente hostil absorvendo elementos exógenos. Entretanto outros estudos consideram que o iazidismo tem origem movimento heterodoxo do islão sunita do século XII protagonizado pelo xeque Adi, que misturou elementos islâmicos e com outros elementos pré-islâmicos conservados no Curdistão.[nt 2] Os iazidis acreditam em Deus como criador do mundo, que colocou sob o cuidado de sete "seres sagrados" ou anjos, cujo "chefe" (arcanjo) é Melek Taus, o Anjo Pavão. Como governante do mundo, este Anjo Pavão é a causa de tudo o que sucede de bom e de mau aos humanos e este caráter ambivalente surge em mitos da sua queda em desgraça junto de Deus, antes das suas lágrimas de arrenpendimento terem apagado os fogos do seu cárcere infernal e de ter-se reconciliado com Deus. Esta crença tem origem nas reflexões místicas sufistas (um ramo místico do islão) sobre o anjo Iblis (o equivalente islâmico do Diabo), que se recusa orgulhosamente a violar o monoteísmo adorando Adão e Eva apesar da ordem expressa de Deus para o fazer. [nt 1]

Devido a essa relação com a tradição sufista de Iblis, alguns seguidores de outras religiões monoteístas identificam o Anjo Pavão com o espírito maligno não redimido Satanás, o que está na origem de de séculos de perseguição dos iazidis como "adoradores do Diabo". Nas últimas décadas do século XX os iazidis, como o resto dos curdos, foram perseguidos e deslocalizados das suas terras pelo regime de Saddam Hussein. Após o início da Guerra do Iraque a comunidade iazidis sofreu vários ataques por parte de fundamentalistas sunitas e em agosto de 2014 foi alvo de massacres por parte do chamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, como parte da campanha para extirpar o Iraque e os países vizinhos de quaisquer influências não muçulmanas. [nt 1]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Historicamente os iazidis viviam principalmente em áreas que atualmente se situam no Iraque, Síria e Turquia, havendo também vários grupos significativos na Arménia e na Geórgia. Entretanto, os eventos históricos ocorridos a partir do início do século XX resultaram em movimentações demográficas consideráveis e emigração em massa. As estimativas populacionais são incertas em muitas regiões e os cálculos da população iazidis total apresentam grandes variações — por exemplo, as estimativas do número de iazidis que vivem no Iraque variam entre 70 000 e 500 000. [nt 1]

A maior parte dos iazidis vivem no Iraque, onde constituem uma minoria importante. Concentram-se principalmente na província de Ninawa, no norte do país. As maiores comunidades habitam Shekhan, a nordeste de Mossul, e Sinjar, na fronteira com a Síria, 80 km a oeste de Mossul. Em Shekhan, mais precisamente em Lalish (Laliş) encontra-se o local mais sagrado para os iazidis, o santuário e mausoléu do xeque Adi ibn Musafir. Durante o século XX, a comunidade de Shekhan lutou pela liderança com a comunidade mais conservadora de Sinjar. É provável que o perfil demográfico tenha mudado consideravelmente desde o início da Guerra do Iraque em 2003 e da queda do regime de Saddam Hussein. [nt 1]

Os iazidis da Síria encontram-se principalmente em duas comunidades: uma na área de Al-Jazira e outra no Kurd-Dagh. A dimensão da população iazidis síria é muito incerta — segundo o censo nacional de 1963, a comunidade tinha cerca de 10 000 membros, mas em 1987 não havia dados disponíveis. Em 2004 estimava-se que poderia haver entre 12 000 e 15 000 iazidis na Síria, mas mais de metade da comunidade pode ter emigrado da Síria na década de 1980. As estimativas são ainda mais complicadas devido à chegada de milhares de refugiados iazidis devido à Guerra do Iraque, cujo número pode ascender a 50 000. [nt 1]

A comunidade iazidis na Turquia declinou acentuadamente durante o século XX. Em 1982 tinha diminuído para cerca de 30 000 e em 2009 eram menos de 500. A maior parte dos iazidis turcos emigrou para a Europa Ocidental, sobretudo para a Alemanha. Os que permaneceram na Turquia residem principalmente em Tur Abdin, que no passado foi a região mais iazidis do país. [nt 1]

As estimativas das populações iazidis na Geórgia e na Arménia variam, mas todas apontam para um grande declínio nas últimas décadas. Na Geórgia os números desceram de cerca de 30 000 para menos de 5 000 durante a década de 1990. Os números na Arménia paracem ser mais estáveis; calcula-se que pode haver cerca de 40 000 iazidis ainda a viver naquele país. A maior parte dos iazidis geórgianos e arménios emigraram para a Rússia, onde segundo o censo de 2002 viviam 31 273 iazidis. [nt 1]

A emigração em massa originou o aparecimento de grandes comunidades da diáspora no estrangeiro. A mais significativa delas é a da Alemanha, que tem mais de 40 000 iazidis. A maior parte deste imigrantes é originária da Turquia e, mais recentemente, também do Iraque; vivem sobretudo nos estados ocidentais da Renânia do Norte-Vestfália e Baixa Saxónia. Desde 2008 que a comunidade iazidis na Suécia aumentou consideravelmente, atingindo 4 000 em 2010.. Há também uma comunidade mais pequena na Holanda. Outros grupos da diáspora menores vivem na Bélgica, Dinamarca, França, Suíça, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália, cuja população total conjunta provavelmente não chega a 5 000. [nt 1]

Perseguições mais recentes[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2007, aproximadamente 500 iazidis numa série de atentados bombistas coordenados em Kahtaniya, naquilo que foi o ataque suicida mais mortífero da Guerra do Iraque. Em agosto de 2009, pelo menos 20 pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas num bombardeamento suicida no norte do Iraque. Este atentado foi levado a cabo por dois bombistas envergando coletes com explosivos, que se fizeram explodir num café em Sinjar, uma cidade a ocidente de Mossul. Uma parte significativa da população de Sinjar é iazidis. [nt 1]

O chamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, um grupo radical sunita de inspiração salafista, que considera os iazidis adoradoradores do diabo, capturou Sinjar em agosto de 2014, na sequência da retirada das tropas Peshmerga, o que levou a que cerca de 50 000 iazidis fugissem para as montanhas vizinhas para escaaparem a serem massacrados. Esta fuga, em condições muito precárias, teve cobertura mediática internacional, que levou a que o presidente americano Obama ordenasse o lançamento por via aérea de alimentos e água nas montanhas de Sinjar e bombardeamentos contra os militantes islâmicos que perseguiam os iazidis. A ajuda humanitária americana teve início em 7 ede agosto de 2014, a que se juntou pouco depois a Força Aérea Britânica. Outros países europeus e a Austrália também apoiaram a ajuda humanitária e o fornecimento de armamento mais avançado aos combatentes Peshmerga que tentam proteger os iazidis. Apesar destas tropas curdas terem conseguido resgatar vários milhares de refugiados iazidis através de um corredor humanitário, ajudando-os a atravessar o rio Tigre para a Síria, a situação no monte Sinjar foi descrita como "um genocídio" por um elemento das organizações de ajuda humanitária, que viu centenas de cadáveres. [nt 1]

Origens[editar | editar código-fonte]

Os iazidis são maioritariamente falantes de língua curda que professam a religião iazidismo, um dos ramos do iazdânismo, uma religião com raízes nas religiões persas, com mistura de elementos pré-islâmicos das tradições religiosas mesopotâmicas/assírias, mitraísmo, cristianismo e islão. Além da maioria curdófona, há um número significativo de comunidades iazidis cuja língua nativa é o árabe. A etnia dos iazidis é obscura apesar do facto da maior parte deles falarem curdo. Eles são identificados como predominantemente curdos mas segundo algumas fontes eles tendem a ver-se a si próprios como não curdos. As Nações Unidas reconhecem-nos como um grupo étnico distinto. Um relatório da Human Rights Watch (HRW) de 2009 declarava que para incorporar territórios em disputa no norte do Iraque — particularmente na província de Ninawa — na região curda, o Governo Regional do Curdistão e as autoridades curdas empreenderam uma estratégia dupla de incitamento e repressão, com uso de táticas violentas. Segundo o relatório, o objetivo dessas táticas era levar a que os chabaques e yazidis fossem identificados etnicamente como curdos. [nt 1]

Os iazidis chamam-se a si próprios êzidî, êzîdî or, em algumas áreas, dasinî (estritamente falando esta última é um nome tribal). Para alguns estudiosos a origem do nome é o termo yazata do persa antigo (ser divino). Para os iazidis, o o seu nome deriva de yezdan ou "deus" êzid, negando a ideia muito divulgada que é uma derivação do nome do califa omíada Yazid I (Yazid bin Muawiya), reverenciado como Sultão Ezi. [nt 1]

Nas suas práticas culturais, os iazidis usam a língua curda e quase todos falam o dialeto curmânji, à exceçãod das aldeias de Bashiqa e Bahazane, onde se fala árabe. Quase todas as tradições religiosas orais dos iazidis são transmitidas em curmânji.[carece de fontes?] [nt 1] O iazidismo é um espécie de iazdânismo e tem muitas influências: a influência sufista e imagística encontra-se no vocabulário religioso, especialmente na terminologia da literatura esotérica dos iazidis, mas grande parte da teologia é não islâmica. Aparentemente as cosmogonias iazidis têm muito em comum com as religiões da antiga Pérsia. Os primeiros autores tentaram descrever as origens do iazidismo como sendo islâmicas, persas ou até outras religiões pagãs; contudo, os estudos publicados desde a década de 1990 têm demonstrado que essas abordagens são muito simplistas. [nt 1]

Para os estudiosos atuais, a origem do iazidismo é vista como um processo complexo de sincretismo, pelo qual o sistema de crença e praticas religiosas locais tiveram uma profunda influencia na religiosidade dos adeptos da ordem sufista 'Adawiyya que viviam nas montanhas Yezidi e levaram a um desvio das normas islâmicas relativamente pouco tempo depois da morte do seu fundador, o xeque Adī ibn Musafir, que se diz ter sido descendente dos Omíadas. No início do século XII, Adī ibn Musafir instalou-se no vale de Laliş, situado cerca de 60 km a norte de Moçul. Ele era uma figura indubitavelmente ortodoxa, que tinha uma influência bastante forte e disseminada. Morreu em 1162 e o seu túmulo em Laliş é um ponto fulcral das peregrinações iazidis. [nt 1]

Durante o século XIV, a influência de tribos iazidis importantes tinha-se estendido até o que é hoje o interior da Turquia edurante algum tempo os governantes do Principado de Jazira são mencionados nas fontes históricas como sendo iazidis.[carece de fontes?] [nt 1]

O ano 6 762 do calendário iazidi começou em abril de 2012, pelo que o ano 1 iazidi corresponde a 4 750 a.C. no calendário gregoriano[nt 1]

Nas palavras de Moḥammed Aš-Šahrastani, «Os iazidis são seguidores de Yezîd bn Unaisa, que (disse que ele) foi amigo do primeiro Muhakkama, antes da Azariḳa». Daqui depreende-se que para Aš-Šahrastani o fundador da seita iazidi foi bn Unaisa, cujo nome é a também a origem da designação iazidi. O termo "primeiro Muhakkamah" é uma designação aplicada aos muçulmanos cismáticos chamados Al-Ḫawarij, pelo que se pode inferir que os iazidis eram originalmente uma subseita Ḫarijite. Diz-se também que os iazidis estiveram relacionados com al-Abaḍiyah, uma seita fundada por 'Abd-Allah ibn Ibaḍ. [nt 1]

Religião[editar | editar código-fonte]

Os iazidis são monoteístas, que acreditam num só Deus, que criou o mundo e confiou-o aos cuidados de um grupo de sete "Seres Divinos", frequentemente chamados anjos ou heft sirr ("Sete Mistérios"). Dentre estes destaca-se Melek Taus (ou Tawusê Melek), o "Anjo Pavão. O iazidismo não é um ramo de outra religião, mas apresenta influências de muitas religiões do Médio Oriente. O essencial da cosmologia iazidis tem origem iraniana pré-zoroastriana, mas o iazidismo também integra elementos de antigos cultos da natureza, bem como influências do cristianismo e zoroastrismo. O conjunto de sete anjos são emanações de deus que são formadas pela luz de Deus. Deus delega muitas das suas ações a esses anjos, que por isso são apresentados de uma forma algo deísta em algumas ocasiões.[carece de fontes?] [nt 1]

Um dos epítetos mais frequentes ao longo da história para os iazidis é a de "adoradores do diabo", o qual tem sido usado tanto por vizinhos que não gostam deles como por ocidentais fascinados. Essa designação é considerada muito ofensiva pelos iazidis e não tem qualquer fundamento. É relativamente comum ver Melek Taus identificado com Satã (ou o seu equivalente árabe Shaitan). Um dos nomes de Melek Taus (Shaitan) é também um dos nomes usados para designar o diabo no Alcorão[nt 1]

Além disso, a história iazidis sobre a ascensão de Tawûsê Melek como favorito de Deus é quase idêntica à história do jinn Iblis no islão, com a diferença que os iazidis reverenciam Tawûsê Melek[carece de fontes?] por ele se ter recusado a obedecer a Deus submetendo-se a Adão, enquanto que os muçulmanos acreditam que a recusa de submisão de Iblis resultou na sua caída em desgraça junto de Deus e mais tarde na sua transformação em Satã. [nt 1]

Tawûsê Melek é usualmente identificado com Shaitã (Satã) por muçulmanos e cristãos, mas para os iazidis ele não é uma fonte de mal nem um anjo caído, mas sim o líder dos arcanjos. Os iazidis estão proibidos de mencionar o nome de Shaitã e afirmam que a fonte do mal encontra-se no coração e espírito dos próprios humanos, não em Tawûsê Melek. As forças ativas na sua religião são Tawûsê Melek e o Xeque Adi.[carece de fontes?] [nt 1]

O Kitêba Cilwe (Livro da Iluminação), que os iazidis reclamam conter as palavras de Tawûsê Melek, que se presume representar a crença iazidis, diz que ele concede responsabilidades, bençãos e desgraças como lhe aprouver e a raça de Adão não tem nada que o questionar. O Xeque Adi acreditava que o espírito de Tawûsê Melek era o mesmo que o seu próprio, talvez como uma reencarnação. Ele teria dito:

Eu estava presente quando Adão vivia no Paraíso e também quando Ninrode pôs Abraão em chamas. Eu estava presente quando Deus me disse: "Tu és o governante e senhor na Terra". Deus, o compassivo, deu-me sete terras e trono no céu.[carece de fontes?] [nt 1]

O mito de criação iazidis difere dos do judaísmo, cristianismo e islão. Os iazidis acreditam que Deus começou criou primeiro Tawûsê Melek por sua (de Deus) própria ilumnação (Ronahî) e ordenou-lhe que não se submetesse a outros seres. Deus criou depois os outros seis arcanjos e ordenou-lhes que lhe trouxessem poeira (Ax) da Terra (Erd) e moldassem o corpo de Adão. Em seguida Deus deu vida a Adão da sua própria respiração e ordenou a todos os arcanjos que se submetessem a Adão. Todos eles obedeceram exceto Tawûsê Melek, que respondeu à ordem «Como posso eu submeter-me a outro ser?! Eu sou da tua iluminação enquanto que Adão é feito de poeira.». Deus elogiou-o e fê-lo o líder de todos os anjos e seu representante na Terra. Este episódio supostamente reforça a ligação que alguns fazem de Tawûsê Melek com o Shaytan (Satã) islâmico, o qual, segundo o Alcorão, também se recusou a submeter-se a Adão quando Deus lho ordenou, apesar de neste caso a recusa ser interpretada como um sinal do orgulho pecaminoso de Shaytan. Desta forma, os iazidis acreditam que Tawûsê Melek é o representante de Deus na Terra e que desce à Terra na primeira quarta-feira de Nissan (abril), o mesmo em que foi criado por Deus e que é também celebrado como dia de Ano Novo. Para os iazidis, a ordem de submissão a Adão foi apenas um teste a Tawûsê Melek, pois se Deus ordena o que quer que seja, isso tem de acontecer inevitavelmente (Bibe, dibe). Deus poderia tê-lo obrigado a obedecer, mas deu-lhe a escolha para o testar. Os iazidis crêm que o seu respeito e louvor é uma forma de reconhecer a sua natureza majestosa e sublime. Esta ideia é chamada "Conhecimento do Sublime" (Zanista Ciwaniyê). O Xeque Adi observou a história de Tawûsê Melek e acreditou nele. Uma das crenças fundamentais dos iazidis sobre a criação é que eles são descendentes de Adão através do seu filho Shehid bin Jer e não através de Eva. Os iazidis acreditam que tanto o bem como o mal existem na mente e espírito dos seres humanos e saõ estes que escolhem um ou outro. A devoção a Tawûsê Melek é essencial neste processo, pois foi a ele que Deus deu a escolher entre bem e mal e ele escolheu o bem.[carece de fontes?] [nt 1]

Os livros sagrados iazidis são alegadamente o Kitêba Cilwe (Livro da Revelação) e o Mishefa Reş (Livro Negro), mas os estudiosos concordam que os manuscritos de ambos os livros publicados em 1911 e 1913 eram falsificações escritos por não iazidis motivados pelo interesse de viajantes ocidentais na religião iazidi. Apesar disso, o conteúdo desses livros é consistente com a autênticas tradições iazidis. Podem ter existido textos verdadeiros com aqueles nomes, mas não há certezas sobre isso. Os verdadeiros textos nucleares da religião iazidi atualmente existentes são os hinos conhecidos como qawls. Estes foram transmitidos oralmente durante a maior parte da sua história, mas estão atualmente a ser reunidos com o assentimento da comunidade. Os qawls estão cheios de alusões crípticas e geralmente precisam de ser acompanhados por čirōks ou "histórias" que explicam o seu contexto.[nt 1]

Duas características chave e interrelacionadas do iazidismo são a preocupação com a pureza religiosas e a crença na metempsicose. A primeira refelete-se no sistema de castas, nas regras sobre alimentação, nas preferências tradicionais para viver em comunidades iazidis e em vários tabus sobre muitos aspetos da vida. A metempsicose é crucial; tradicionalmente os iazidis acreditam que os Sete Espíritos Sagrados reencarnam periodicamente na forma humana, a que se chama koasasa.[carece de fontes?] [nt 1]

Também existe a crença na reencarnação de espíritos menores. à semelhança dos Ahl-e Haqq, os iazidis usam a metáfora da mudança de roupa para descrever o processo, a que chamam kiras guhorîn in Kurmanji ("mudança de vestuário"). A purificação da alma pode ser alcançada através da reencarnação contínua dentro do grupo de fé, mas pode também ser estancado através da expulsão da comunidade iazidi; esta é o pior que pode acontecer, pois a o progresso espiritual da alma pára e a conversão de volta para a fé é impossível. Além desta noção de renascimento contínuo, a teologia iazidi também inclui descrições do céu e do inferno, com a extinção deste, bem como de outras tradições que incorporam estas ideias num sistema de crenças que inclui a reencarnação. [nt 1]

Práticas religiosas[editar | editar código-fonte]

Os iazidis têm cinco orações diárias: Nivêja berîspêdê (oração da madrugada ), Nivêja rojhilatinê (oração do nascer do sol), Nivêja nîvro (oração do meio-dia), Nivêja êvarî (oração da tarde) e Nivêja rojavabûnê (oração do pôr do sol). Porém, a maior parte dos iazidis observa apenas duas dessas orações: a do nascer e a do pôr do sol. Os fiéis devem virar face para o sol e, durante a oração do meio-dia, deverão virar-se para Laliş. As orações devem ser acompanhadas por certos gestos, que incluem beijar a gola arredondada (gerîvan) da camisa sagrada (kiras). Os servições de oração diários não devem decorrer na presença de forasteiros e são sempre realizados na direção do sol. O dia sagrado é a quarta-feira, mas o dia de descanso é o sábado. Em dezembro há um período de jejum de três dias. [nt 1]

Festas[editar | editar código-fonte]

O Ano Novo iazidi é na primavera, na primeira quarta-feira de abril (alguns dias depois do equinócio). Nesse dia há algumas lamentações nos cemitérios por parte das mulheres, acompanhados por música dos Qewals, mas a data é caracterizada por acontecimentos alegres: a música de dehol (tambor) e zorna (charamela), dança comunal e banquetes, além de ovos decorados. [carece de fontes?] [nt 1]

De forma semelhante e gualmente na primavera, na aldeia de Tawaf ocorre um festival honra do padroeiro do santuário local, com música secular e sagrada, dança e comida. Outro festival importante é o Tawûsgeran ("circulação do pavão"), durante o qual Qewals e outros dignitários religiosos visitam aldeias iazidis, levando consigo senjaq, imagens sagradas de um pavão feito em bronze que simbolizam Tawûsê Melek. Estas são veneradas, são cobradas taxas aos fiéis, são pregados sermões e é distribuída água sagrada. O maior festival do ano para os iazidis comuns é o Cejna Cemaiya ("festa da assembleia"), em Laliş. Com a duração de sete dias, é o foco de uma peregrinação muito popular e marca um período muito importante para contactos sociais e de afirmação de identidade. Os iazidis acreditam que os sete "Seres Divinos" se reúnem anualmente naquele local sagrado. Os rituais sagrados praticados incluem o sacrifício de um touro no santuário de Şêx Shams e a prática de sema (dança sagrada).[carece de fontes?] [nt 1]

Organização social[editar | editar código-fonte]

A sociedade iazidi é hierárquica. O líder secular é um emir hereditário ou princípe, enquanto que um xeque encabeça a hierarquia religiosa. Os iazidis são estritamente endogâmicos; os membros das trẽs castas iazidis (murids, xeques e pirs) só casam com membros da sua própria casta, pois casar fora da casta é considerado um pecado punível com a morte para restaurar a honra perdida. [nt 1]

Notas

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af Trechos baseados no artigo «Yazidis» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  2. Trechos baseados no artigo «Yézidisme» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).

Referências

  1. 2009 Observatório — Liberdade Religiosa no Mundo (PDF) Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre). www.fundacao-ais.pt. Página visitada em 9 de setembro de 2014.


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