Aeroporto Internacional de Florianópolis

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Florianópolis
Aeroporto
Aeroporto Internacional Hercílio Luz
IATA: FLN - ICAO: SBFL
Características
Tipo Público / Militar
Administração Infraero (atual), Flughafen Zürich (a partir de 2018)
Serve Região Metropolitana de Florianópolis
Localização Florianópolis, SC Brasil Brasil
Inauguração 21 de junho de 1927 (90 anos)
Coordenadas 27° 40' 13" S 48° 33' 09" O
Altitude 5 m (16 ft)
Movimento de 2016
Passageiros 3 536 435 passageiros
Carga 3 227 635 kg
Aéreo 22 129 decolagens
Mapa
SBFL está localizado em: Brasil
SBFL
Localização do aeroporto no Brasil
Pistas
Cabeceira(s) Comprimento Superfície
03 / 21 1 500 m (4 921 ft) Concreto
14 / 32 2 300 m (7 546 ft) Asfalto
Notas
Dados do DECEA[1] e da Infraero[2]

O Aeroporto Internacional de Florianópolis – Hercílio Luz (IATA: FLNICAO: SBFL) é um aeroporto internacional no município de Florianópolis, em Santa Catarina. É o principal aeroporto do estado de Santa Catarina. Possui uma área de aproximadamente 908 hectares. O nome do aeroporto é uma homenagem ao governador Hercílio Luz, importante político de Santa Catarina. É atualmente administrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Durante a alta temporada, nos meses de verão, o aeroporto chega a receber centenas de voos extras, dentre eles charters, de países como Argentina, Chile e Uruguai, e de outras regiões do Brasil[3]. Na temporada 2015/2016, foi autorizado o pouso de 312 voos extras nacionais e de 370 voos charter vindo de outros países da América Latina[4].

O atual terminal de passageiros ficou modesto para o crescimento de Florianópolis. Por isso, o aeroporto foi incluído no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal e será concedido à Flughafen Zürich AG, da Suíça, vencedora do leilão realizado em 16 de março de 2017[5].

História[editar | editar código-fonte]

A história do Aeroporto Internacional de Florianópolis – Hercílio Luz retrata os primórdios da aviação na América do Sul. Em 1922, a capital de Santa Catarina, Florianópolis, foi a escolhida para abrigar as instalações do Sistema de Defesa Aérea do litoral do Brasil. No ano seguinte, em 1923, começaram as obras no campo da Ressacada, que abrigaria o Centro de Aviação Naval de Santa Catarina. À época, o céu era exclusividade dos hidroaviões.[6]

Pátio de aeronaves do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, durante a década de 1970.

O Ministério da Aeronáutica inaugurou no ano de 1955 um terminal de passageiros sob administração do então Departamento de Aviação Civil. Entre outras instalações, existia uma torre de controle, um pátio para aeronaves e a pista compartilhada com a Base Aérea de Florianópolis, que se mantém até os dias de hoje.

Em 1974, a empresa estatal Infraero recebeu a jurisdição do aeroporto. Nos anos seguintes foram inaugurados o terminal de cargas e novo terminal de passageiros. A pista principal 14/32, com 2 300 x 45 m, foi aberta ao tráfego público em 1978.

Na década de 1980, foram realizadas uma série de melhorias na infraestrutura aeroportuária em Florianópolis.

Em 3 de outubro de 1995, o Aeroporto de Florianópolis – Hercílio Luz foi elevado à categoria de Internacional pelo então Ministério da Aeronáutica. Em 2000, o aeroporto foi climatizado e ampliado em 2 000 m². A última intervenção no atual terminal de passageiros ocorreu em 2010, com a instalação de um módulo operacional de 1 000m² nas salas de embarque e de desembarque.

O aeroporto[editar | editar código-fonte]

Sítio aeroportuário[editar | editar código-fonte]

Área: 9 086 589,53 m²

Pistas[editar | editar código-fonte]

Pouso e decolagem

Principal (14/32):

  • Comprimento: 2 300 m
  • Largura: 45 m
  • Tipo de pavimento: asfalto
  • Resistência (PCN): 48/F/B/X/T

Auxiliar (03/21):

  • Comprimento: 1 500 m
  • Largura: 30 m
  • Tipo de pavimento: concreto
  • Resistência (PCN): 26/R/B/X/T

Capacidade (mov/h): 24

Táxi

  • A: saída diagonal (PPD 03/21 - pátios)
  • B: saída ortogonal (PPD 14/32 - pátios)
  • C: saída diagonal (PPD 03/21 - pátio da Base Aérea de Florianópolis)

Pátio das aeronaves[editar | editar código-fonte]

Área:

  • Pátio do terminal de passageiros: 21 735 m²
  • Pátio do terminal de cargas e aviação geral: 26 888 m²

Posições:

  • Pátio do terminal de passageiros: 5 posições
  • Pátio do terminal de cargas e aviação geral: 21 posições (5 para aeronaves de cargas e 17 para aeronaves de aviação geral)

Terminal de passageiros[editar | editar código-fonte]

Área:

  • saguão de embarque: 870 m²
  • área de check-in: 535 m²
  • sala de embarque: 825 m²
  • saguão de desembarque: 300 m²
  • área de restituição de bagagens: 655 m²
  • área de concessões: 1 650 m²
  • total: 12 585 m²

Balcões de check-in: 41

Esteiras de restituição de bagagens: 2

Capacidade de processamento (pax/ano): 4,1 milhões

Terminal de cargas[editar | editar código-fonte]

Área:

  • terminal: 1 750 m²
  • pátio de manobras: 740 m²

Aviação geral[editar | editar código-fonte]

Área:

  • hangares: 2 680 m²
  • pátio de manobras: 5 170 m²

Estacionamento[editar | editar código-fonte]

Vagas: 539

Distância ao centro da cidade[editar | editar código-fonte]

15 km

Movimento[7][editar | editar código-fonte]

Ano Movimento (Passageiros) Variação (%)
2003 1 282 994 Estável
2004 1 382 577 7,8 Aumento
2005 1 548 883 12,0 Aumento
2006 1 630 141 5,2 Aumento
2007 1 948 010 19,5 Aumento
2008 2 080 342 6,8 Aumento
2009 2 108 383 1,3 Aumento
2010 2 672 250 26,7 Aumento
2011 3 121 936 16,8 Aumento
2012 3 395 253 8,8 Aumento
2013 3 872 637 14,1 Aumento
2014 3 632 940 -6,2 Baixa
2015 3 693 486 1,7 Aumento
2016 3 536 435 -4,3 Baixa
2017 2 208 061 (até julho) -

Concessão[editar | editar código-fonte]

No mês de janeiro de 2015, o então prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, e o governador do Estado de Santa Catarina, Raimundo Colombo, foram até Brasília para pedir a privatização da administração do Aeroporto Internacional Hercílio Luz.[8] Em junho do mesmo ano, o governo federal anunciou a concessão do aeroporto para a iniciativa privada[9], juntamente com os aeroportos de Fortaleza, Salvador e Porto Alegre. Com isso, houve a paralisação definitiva das obras de construção do novo terminal e das novas pistas de estacionamento e de taxiamento, que devem ser aproveitadas pelo concessionário[10].

Histórico[editar | editar código-fonte]

Em 2004, a Infraero, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), promoveu concurso público de projetos arquitetônicos para a ampliação do aeroporto[11]. As três propostas finalistas foram apresentadas pelos arquitetos Mário Biselli (SP), Marcelo Consiglio Barbosa (SP) e Sérgio Roberto Parada (DF); a vencedora, anunciada em 14 de junho de 2014, foi a idealizada pelos arquitetos paulistas Mário Biselli e Artur Katchborian, do escritório Biselli Katchborian Arquitetos Associados.

O projeto, em formato que remete a uma asa de avião, previa a construção de um terminal de passageiros em dois níveis operacionais, com quatro pontes de embarque, e um terceiro piso destinado à administração, estendendo sua fachada por 250 metros. A obra exigiria também a construção de um novo pátio de aeronaves e de um novo acesso, pois o espaço previsto para a ampliação localiza-se a sudoeste do atual terminal.

A contratação da empresa para a execução dos serviços de engenharia e obras de construção do novo terminal de passageiros e dos demais sistemas de apoio foi formalizada em 27 de dezembro de 2012, ao custo de R$ 188 milhões. O consórcio vencedor, formado pelas Construtoras Espaço Aberto e Viseu, chegou a realizar 7,48% do total previsto da obra, porém o reiterado atraso no cronograma motivou a rescisão do contrato em outubro de 2014[12][13].

Ao mesmo tempo, houve a contratação das obras de terraplenagem, drenagem, pavimentação e balizamento luminoso do novo complexo terminal do aeroporto, destinada à construção de pistas de táxi, saídas rápidas e do pátio de aeronaves. No entanto, em virtude do anúncio da concessão do aeroporto, as obras foram suspensas e os contratos rescindidos apesar da execução superar os 70%[12].

As quatro pontes de embarque adquiridas a um custo de R$ 7,4 milhões, que desde 2014 aguardavam a conclusão das obras para sua instalação no novo terminal de passageiros, foram destinadas ao Aeroporto Internacional de Maceió[14].

Estudos de viabilidade[editar | editar código-fonte]

Os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental do aeroporto foram realizados por consórcio liderado pela empresa de consultoria BF Capital Participações Ltda. e integrado pelas empresas Infraway Engenharia Ltda. JGP Consultoria e Participações Ltda., Logit Engenharia Construtiva Ltda., Moysés e Pires S/S e Proficenter Planejamento e Orçamento de Obras Ltda.

Os relatórios apresentados apontaram a necessidade de expansão do sítio aeroportuário em função do aumento projetado da demanda para os próximos anos. Para tanto, foi sugerida a adoção de um Plano Conceitual de Desenvolvimento para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz pelos próximos trinta anos, estruturado em três fases em conformidade com as previsões de movimentação de passageiros e aeronaves. O investimento esperado é de aproximadamente R$ 988 milhões.

Projeta-se que em 2046, ano do término da concessão, o aeroporto movimentará 13,6 milhões de passageiros e 8 mil toneladas de carga, esperando-se um crescimento anual médio do número de passageiros na ordem de 4,2%.

Fases de expansão[editar | editar código-fonte]

Fase 1 (2017 - 2025)[editar | editar código-fonte]

Período de implantação dos projetos: 27 meses

Início das obras: imediatamente após a concessão

Investimentos estimados: R$ 617 milhões

Sistema de pistas e pátios de aeronaves

  • ampliação da pista 14/32 em 245 m no sentido da cabeceira 32, alcançando 2 400 m de comprimento;
  • ampliação do acostamento da pista 14/32 em 2,5 m para cada lado;
  • implantação de áreas de escape (RESA) nas cabeceiras 14 e 32 e nas cabeceiras 03 e 21;
  • nivelamento da faixa preparada da pista 14/32;
  • remoção de obstáculos e adequação dos suportes de auxílios imprescindíveis na faixa da pista e das pistas de táxi;
  • recapeamento da pista 14/32;
  • recuperação das placas de concreto e revitalização da sinalização horizontal da pista 03/21;
  • recapeamento das quatro pistas de táxi existentes;
  • construção da pista de táxi paralela à pista 14/32 em toda sua extensão ampliada, com acostamentos;
  • construção de ligações, pistas paralelas, de saída e de acesso aos pátios, com acostamentos;
  • construção do novo pátio de aviação regular em frente ao novo terminal de passageiros, com área de 63 000 m²;
  • recuperação de 30% da área total de placas de concreto do pátio de aeronaves de aviação geral e de carga.

Terminal de passageiros

  • construção de um novo terminal de passageiros, com 66 000 m² divididos em 2 pavimentos operacionais;
  • construção de dez pontes de embarque, com capacidade para estacionamento de nove aeronaves código C e uma aeronave código E;
  • construção de um estacionamento aberto com área total de 65 500 m².

Terminal de Aviação Geral

  • reforma do atual terminal de passageiros, transformando-o em um terminal de aviação geral com área de 12 585 m²;
  • reforma do estacionamento de veículos.

Demais intervenções

  • disponibilizar áreas para apoio às operações, instalações de carga doméstica, manutenção das companhias aéreas, atividades de comissaria, serviços aeroportuários e de locadoras de veículos;
  • construção de uma central de utilidades e de uma nova estação de tratamento de esgoto;
  • construção de vias de acesso às instalações do aeroporto, incluindo uma plataforma dupla para meio-fio de embarque e desembarque com viaduto.

Fase 2 (2026 - 2035)[editar | editar código-fonte]

Período de implantação dos projetos: 24 meses

Início das obras: processamento anual de 7 milhões de passageiros ou processamento simultâneo de 1 870 passageiros/hora

Investimentos estimados: R$ 204 milhões

Sistema de pistas e pátios de aeronaves

  • ampliação do pátio de aviação regular em frente ao novo terminal de passageiros em aproximadamente 16 000 m² para possibilitar o estacionamento de mais cinco aeronaves categoria C;
  • construção e ampliação de pistas de táxi de acesso ao pátio do terminal de passageiros, com acostamento.

Terminal de passageiros

  • ampliação do novo terminal de passageiros em 24 000 m² divididos em 2 pavimentos operacionais;
  • construção de três novas pontes de embarque para aeronaves categoria C;
  • construção de um estacionamento aberto com área total de 27 000 m².

Demais intervenções

  • ampliação da central de utilidades e da estação de tratamento de esgoto;
  • disponibilizar áreas para ampliação do apoio às operações, instalações de manutenção das companhias aéreas, atividades de comissaria, serviços aeroportuários e de locadoras de veículos.

Fase 3 (2036 - 2046)[editar | editar código-fonte]

Período de implantação dos projetos: 24 meses

Início das obras: processamento anual de 9,7 milhões de passageiros ou processamento simultâneo de 2 550 passageiros/hora

Investimentos estimados: R$ 167 milhões

Sistema de pistas e pátios de aeronaves

  • ampliação do pátio de aviação regular em frente ao novo terminal de passageiros em aproximadamente 20 000 m² para possibilitar o estacionamento de mais quatro aeronaves categoria C;
  • construção e ampliação de pistas de táxi de acesso ao pátio do terminal de passageiros e à área de manutenção de aeronaves, com acostamento.

Terminal de passageiros

  • construção de uma nova área no terminal de passageiros com 18 000 m² divididos em 2 pavimentos operacionais, destinada a operações internacionais;
  • construção de três novas pontes de embarque para aeronaves categoria C;
  • construção de um estacionamento aberto com área total de 29 500 m².

Demais intervenções

  • ampliação da central de utilidades e da estação de tratamento de esgoto;
  • disponibilizar áreas para ampliação do apoio às operações, instalações de manutenção das companhias aéreas, atividades de comissaria, serviços aeroportuários e de locadoras de veículos;
  • disponibilizar área para instalação de bases de manutenção de aeronaves próximo às instalações de aviação geral.

Lançamento do edital[editar | editar código-fonte]

O edital de concessão do aeroporto foi publicado no dia 1º de dezembro de 2016 no Diário Oficial da União[15], com previsão inicial de realização do leilão no dia 16 de março de 2017 na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo. A minuta do edital, bem como dos demais documentos anexos, foi submetida a consulta pública no período entre 4 de maio de 20 de junho de 2016.

Seria considerado vencedor o grupo econômico que oferecer o maior valor de outorga, ou seja, o maior valor pela concessão do aeroporto. O prazo previsto para a concessão do sítio é de trinta anos, prorrogáveis por mais cinco anos. Para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, foi estabelecida uma outorga mínima de R$ 211 milhões, sendo que 25% desse valor (R$ 53 milhões) deverá ser pago na assinatura do contrato, acrescido do ágio ofertado. O valor restante da outorga será pago em contribuições fixas anuais atualizadas pelo IPCA, sendo prevista uma carência de cinco anos. Entre o 6º ano e o 9º ano da concessão, as parcelas anuais terão valores crescentes; a partir do 10º ano, os valores serão iguais. Além dessa parcela fixa, o concessionário destinará uma contribuição variável ao sistema em valor equivalente a 5% de sua receita bruta anual. A parcela variável será revertida em favor do Fundo Nacional de Aviação Civil, criado pela Lei nº 12.462, de 4 de agosto de 2011[16], com o objetivo de desenvolver e fomentar o setor de aviação civil e as infraestruturas aeroportuária e aeronáutica civil.

Para a arrematação do aeroporto de Florianópolis, é exigida a presença na sociedade de operador aeroportuário que comprove a operação, por pelo menos cinco anos, de um aeroporto com processamento mínimo de 4 milhões de passageiros em pelo menos um dos últimos cinco anos. Segundo as regras do novo edital, o operador aeroportuário deve deter participação societária de, pelo menos, 15%, sendo admitida a soma da participação de até dois operadores desde que ambos cumpram o requisito de operação mínima de processamento de passageiros. Também será admitida a participação de companhia aérea no consórcio, desde que não ultrapasse 2% da composição societária, assim como a arrematação de mais de um aeroporto pelo mesmo grupo econômico, desde que não situados na mesma região geográfica.

Em 9 de dezembro de 2016, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou as condições de financiamento para a concessão do aeroporto[17]. Ao contrário das concessões anteriores, não haveria mais a concessão do chamado empréstimo-ponte, contratado entre a assinatura do contrato de concessão e a aprovação do crédito de longo prazo[18][19]. O percentual do valor financiado também foi reduzido de 70%[20] para 40%[21] do total de investimentos financiáveis, devendo a empresa responsável aportar pelo menos 20% de recursos próprios. Além das condições regulares de financiamento, haverá a inclusão de dispositivos de governança e de transparência, como por exemplo auditorias externas anuais e divulgação de dados operacionais e de balancetes contáveis.

Em fevereiro de 2017, o BNDES anunciou o incremento de sua participação no financiamento das concessões aeroportuárias no Brasil, incluindo a do aeroporto de Florianópolis[22]. O Banco poderá adquirir até 100% das debêntures emitidas pela concessionária, viabilizando ainda o empréstimo da parcela adicional, caso haja, a juros de mercado. Com isso, a participação do banco nos investimentos financiáveis chega a 80%, mantido o aporte mínimo de 20% de recursos próprios do consórcio vencedor.

Leilão[editar | editar código-fonte]

O leilão para a concessão do Aeroporto Internacional Hercílio Luz ocorreu em 16 de março de 2017, às 10h, na BM&F Bovespa, em São Paulo. O lance inicial pela concessão do aeroporto era de R$ R$ 52.735.236,00[23], a ser pago na assinatura do contrato. A sessão foi transmitida ao vivo via Internet. Duas operadoras estrangeiras ofereceram lances iniciais: a suíça Flughafen Zürich AG, assessorada pela corretora Santander, e a francesa Vinci Airports, representada pela corretora BTG Pactual.

Empresa Zurich Vinci
Lance inicial R$ 58.333.333,33 R$ 52.735.237,00

Com a proposta da Zurich sendo a oferta titular, ou seja, a maior oferta apresentada, as empresas foram consideradas habilitadas para prosseguirem à segunda fase do leilão, momento em que os lances eram emitidos por viva-voz. A variação mínima definida entre os lances ofertados para o aeroporto de Florianópolis foi de R$ 5 milhões. As interessadas apresentaram dez propostas, fazendo do Aeroporto de Florianópolis o mais disputado dentre os concedidos na ocasião[24]:

Lance Empresa Valor
Vinci R$ 59.000.000,00
Zurich R$ 63.333.333,33
Vinci R$ 64.000.000,00
Zurich R$ 68.333.333,33
Vinci R$ 69.000.000,00
Zurich R$ 73.333.333,33
Vinci R$ 74.000.000,00
Zurich R$ 78.333.333,33
Vinci R$ 79.000.000,00
10º Zurich R$ 83.333.333,33

Sagrou-se vencedora a empresa Flughafen Zürich AG[5], responsável, desde 2010, pela gestão do Aeroporto de Zurique, na Suíça. A empresa administra ainda o Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá, Colômbia; o Aeroporto Internacional Hato, em Curaçao, nas Antilhas Neerlandesas; o Aeroporto Internacional Diego Aracena, em Iquique, e o Aeroporto Internacional Cerro Moreno, em Antofagasta, Chile[25]. No Brasil, integra juntamente com o Grupo CCR o consórcio BH Airport, que controla 51% do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, que atende a Belo Horizonte[26].

Em comparação com a oferta mínima, o ágio ofertado pela empresa vencedora da licitação foi de 58% sobre o valor originalmente previsto.

Assinatura do contrato[editar | editar código-fonte]

Em solenidade realizada em 27 de julho de 2017 no Palácio do Planalto, o Presidente da República Michel Temer anunciou a assinatura dos contratos de concessão dos aeroportos leiloados em março de 2017, dentre os quais inclui-se o Aeroporto Internacional de Florianópolis – Hercílio Luz. A assinatura ocorreu na sede da Agência Nacional de Aviação Civil em 28 de julho de 2017[27]. No ato da assinatura, a concessionária deveria pagar o importe de R$ 83.333.333,33, lance que arrematou a delegação do aeroporto pelo prazo de 35 anos. O valor da parcela é composto por 25% do valor mínimo estimado pelo Governo Federal para a outorga acrescido ao ágio oferecido pela empresa vencedora, de R$ 30.598.097,33[28].

Transição[editar | editar código-fonte]

As atividades de transição da gestão do Aeroporto Internacional de Florianópolis – Hercílio Luz tiveram início informal com a instalação de um escritório da Flughafen Zürich, futura concessionária do sítio, no atual terminal de passageiros[29].

Com a assinatura do contrato de concessão, em 28 de julho de 2017, a transição foi formalmente deflagrada. Durante os primeiros 70 dias, a partir de 1º de agosto de 2017, a Flughafen Zürich acompanhará a operação da Infraero no sítio aeroportuário[30]. Após este período, terá início a administração compartilhada do aeroporto, fase em que a concessionária operará com uma equipe de transição. A partir de 1º de janeiro de 2018, a gestão plena do sítio aeroportuário será transferida para a Flughafen Zürich.

Em 31 de agosto de 2017, a ANAC publicou no Diário Oficial da União a ordem de serviço autorizando o início da fase de transferências das operações para a concessionária.[31]

O projeto do novo terminal de passageiros foi refeito pela Racional Engenharia, empresa de São Paulo responsável pela construção do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins/MG, para atendimento às exigências do edital de concessão. Segundo a concessionária, as obras de fundação já iniciadas e paralisadas em 2015 serão mantidas no novo empreendimento.

Estima-se que as obras do novo terminal, assim como a ampliação do estacionamento, a conclusão da pista de taxiamento a ampliação em 100 metros da pista principal 14/32, sejam entregues no último trimestre de 2019, com um investimento estimado em R$ 500 milhões nos primeiros trinta meses de concessão[32].

Acesso ao novo terminal[editar | editar código-fonte]

O novo terminal de passageiros está sendo construído a sudoeste da estrutura existente. Para implementar o acesso ao empreendimento, o governo do Estado de Santa Catarina tem sob sua responsabilidade intervenções no trânsito da região.

As obras, divididas em quatro lotes, preveem a duplicação da avenida Diomício Freitas, entre o entroncamento com o elevado Oscar Manoel da Conceição (Trevo da Seta) e o futuro elevado a ser construído nas proximidades do Estádio da Ressacada[33]. Ademais, está prevista a construção de uma nova via em pista dupla entre o atual trevo da Ressacada e o Rio Fazendinha, na interseção com a Rodovia Aparício Ramos Cordeiro, e o acesso ao novo terminal.

A fase mais atrasada é justamente a construção da nova via entre o trevo da Ressacada e o trevo de acesso ao novo aeroporto, que cortará o Loteamento Santos Dumont. As obras ainda pendem de licenciamento ambiental pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em razão de sua proximidade com terrenos de mangue que compõem a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé.

As autoridades do governo do Estado comprometeram-se a entregar as obras até 2019, antes da data prevista para a inauguração do novo terminal[34].

Companhias aéreas e destinos[editar | editar código-fonte]

Segundo o registro de vôos da Agência Nacional de Aviação Civil[35], os voos autorizados vigentes em Florianópolis servem destinos no Brasil e em outros países da América Latina.

Companhias Destinos Aeronave
Argentina Aerolíneas Argentinas (SkyTeam) Sazonais: Buenos Aires (Ezeiza) [36] e Cordoba [37] Boeing 737-700 e Boeing 737-800
Bolívia Amaszonas
(operado pela Paraguai Amaszonas Paraguay)
Sazonais: Assunção[38] Bombardier CRJ200ER
Brasil Avianca Brasil (Star Alliance) Brasília, Chapecó, Rio de Janeiro (Galeão) e São Paulo (Congonhas e Guarulhos) Airbus A318, Airbus A319 e Airbus A320
Brasil Azul Linhas Aéreas Brasileiras Campinas, Chapecó, Porto Alegre e São Paulo (Guarulhos)

Sazonais: Caxias do Sul, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Passo Fundo, Rio de Janeiro (Galeão e Santos Dumont) e Uruguaiana [39]

ATR-72, Embraer E-190, Embraer E-195 e Airbus A320neo
Brasil Gol Linhas Aéreas Inteligentes Buenos Aires (Ezeiza), Porto Alegre, Rio de Janeiro (Galeão), São Paulo (Congonhas e Guarulhos) Boeing 737-700 e Boeing 737-800
LATAM países.gif LATAM Airlines Group (Oneworld)
(operado pela Brasil LATAM Airlines Brasil)
Brasília, Rio de Janeiro (Galeão) e São Paulo (Congonhas e Guarulhos)

Sazonais: Montevidéu[40]

Airbus A319, Airbus A320 e Airbus A321
Chile Sky Airline Sazonais: Santiago[41] Airbus A319 e Airbus A320

Serviços[editar | editar código-fonte]

Órgãos públicos[editar | editar código-fonte]

Acidentes e Incidentes[editar | editar código-fonte]

  • Voo Transbrasil 303: Iniciado na manhã de 12 de abril de 1980, o voo Transbrasil 303, realizado pelo Boeing 727 PT-TYS, ligava Belém a Porto Alegre, com escalas em Fortaleza, Brasília, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis. Ao se aproximar da capital catarinense, as condições meteorológicas não eram favoráveis, o que ocasionou o choque do avião contra o lado norte do Morro da Virgínia, na localidade de Ratones, cerca de 24 km ao norte do Aeroporto Hercílio Luz. Dos 58 passageiros e tripulantes, apenas 3 sobreviveram.[42][43]
  • Em 8 de novembro de 2003, o Airbus A320 PT-MZL, da TAM Linhas Aéreas, transportando 122 passageiros e 6 tripulantes, derrapou na pista durante o pouso no Aeroporto Internacional Hercílio Luz. A aeronave saiu de Congonhas, em São Paulo, com destino à capital catarinense. Com a forte chuva que atingia a cidade, o avião sofreu um processo de deslizamento sob a água, ocorrendo a perda de controle do aparelho, que derrapou e acabou indo parar na grama, na pista principal do aeroporto. O trem de pouso dianteiro ficou danificado e a asa direita chegou a tocar no chão. Ninguém se feriu.[44]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Publicação Auxiliar de Rotas Aéreas (ROTAER)» (PDF). Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). 2016. Consultado em 1 de outubro de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 1 de outubro de 2016 
  2. «Dados Estatísticos» (XLSB). Infraero. 2015. Consultado em 14 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2016 
  3. «Aeroporto Hercílio Luz recebe 56 voos extras e 46 charters no Carnaval» 
  4. Catarinense, Diário. «Número de voos charter e extras para Florianópolis cresce 51% na temporada». Diário Catarinense 
  5. a b «Empresa suíça vence leilão e administrará o aeroporto de Florianópolis por 30 anos». Diário Catarinense. 16 de março de 2017. Consultado em 17 de março de 2017 
  6. «Aeroporto Internacional de Florianópolis/Hercílio Luz» 
  7. Administrator. «Estatísticas». www.infraero.gov.br. Consultado em 18 de julho de 2017 
  8. «Governador e prefeito buscam em Brasília a privatização do aeroporto de Florianópolis» 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]