Eleições estaduais no Rio Grande do Norte em 1986

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1982 Brasil 1990
Eleições estaduais no  Rio Grande do Norte em 1986
15 de novembro de 1986
(Turno único)
Joao Faustino.jpg
Candidato Geraldo Melo João Faustino
Partido PMDB PFL
Natural de Campo Grande, RN Recife, PE
Vice Garibaldi Alves Antônio Florêncio
Votos 464.559 450.488
Porcentagem 50,11% 48,60%


Brasão do Rio Grande do Norte.svg
Governador do Rio Grande do Norte

As eleições estaduais no Rio Grande do Norte em 1986 ocorreram em 15 de novembro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 23 estados brasileiros e nos territórios federais do Amapá e Roraima. Foram eleitos o governador Geraldo Melo, o vice-governador Garibaldi Alves, os senadores José Agripino Maia e Lavoisier Maia, oito deputados federais e vinte e quatro deputados estaduais na última eleição para governador onde não vigiam os dois turnos.[1] Quatro nomes disputaram o pleito, mas a vitória foi de Geraldo Melo que foi eleito indiretamente vice-governador do estado pela ARENA em 1978 e liderou uma dissidência do PDS em favor de Aluizio Alves em 1982.[2] Agora filiado ao PMDB conduziu o partido à sua primeira vitória no Rio Grande do Norte.[nota 1][nota 2]

Nascido em Campo Grande o governador Geraldo Melo é jornalista, cursou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e esteve junto a Celso Furtado na criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) ocupando duas diretorias no órgão. Após um novo curso de especialização no Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos no México cumpriu estágios no Banco Interamericano de Desenvolvimento e no Banco Mundial e de volta ao Rio Grande do Norte foi convidado pelo governador Aluizio Alves para ser o primeiro secretário de Planejamento do estado. De volta à iniciativa privada atuou no setor sucroalcooleiro em Ceará-Mirim até ingressar na política como vice-governador de Lavoisier Maia em 1978 e após romper com seus correligionários na ARENA e no PDS entrou no PMDB em 1983 a convite de Aluizio Alves.[3][nota 3]

Irmão de Aluizio Alves e pai de Garibaldi Alves Filho, o político Garibaldi Alves, nascido em Natal, foi eleito vice-governador do estado pelo PMDB em 1986. Antes foi diretor, em terras potiguares, do Serviço Social da Indústria e da empresa Telecomunicações do Rio Grande do Norte. Eleito deputado estadual pelo PSD em 1962 e reeleito pela ARENA em 1966, foi cassado pelo Ato Institucional Número Cinco em 1969 e por isso seus direitos políticos foram suspensos por dez anos.[4][5][nota 4]

A vitória do PMDB na disputa pelo Palácio Potengi teve uma prévia quando Garibaldi Alves Filho foi eleito prefeito de Natal em 1985 ao derrotar Wilma de Faria,[nota 5] ora esposa de Lavoisier Maia, e com o apoio de José Agripino Maia, os dois últimos governadores do estado que acabariam eleitos senadores. Ressalte-se que a dinastia Maia começou em 1974 com a indicação de Tarcísio Maia ao governo pelo presidente Ernesto Geisel e teve fim com a renúncia de José Agripino Maia para disputar um mandato de senador este ano e entregar o governo a Radir de Araújo.

Natural de Mossoró o engenheiro civil José Agripino Maia diplomou-se pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1967 e trabalhou na iniciativa privada até seu ingresso na ARENA e a subsequente nomeação como prefeito de Natal em 1979 pelo governador Lavoisier Maia.[6] Filiado ao PDS foi eleito governador do Rio Grande do Norte em 1982 e com a vitória da Nova República entrou no PFL e nele foi eleito senador em 1986,[7] mandato que seu pai, Tarcísio Maia, não foi capaz de conquistar em 1962.

Paraibano de Catolé do Rocha, o médico Lavoisier Maia é graduado pela Universidade Federal da Bahia e possui especialização em ginecologia e obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e em Planejamento Hospitalar na Universidade de São Paulo. Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, serviu ao governador Tarcísio Maia como secretário de Saúde e secretário de Justiça. Foi ainda presidente da Comissão de Fiscalização Estadual de Entorpecentes do Ministério da Saúde em Natal e do Conselho Diretor do Fundo Estadual de Saúde.[8] Filiado à ARENA foi indicado governador do Rio Grande do Norte em 1978 pelo presidente Ernesto Geisel. Criado o PDS, manteve-se fiel à legenda no apoio a Paulo Maluf na sucessão de João Figueiredo em 1985 e em 1986 foi eleito senador.[9][10]

Comparado a 1982, o PMDB elevou o número de deputados federais de três para quatro, embora o recorde nominal de votos pertencesse a Wilma de Faria e de nove para dez o número de deputados estaduais eleitos.[nota 5]

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral os 927.040 votos nominais assim distribuídos:[1][11]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Geraldo Melo
PMDB
Garibaldi Alves
PMDB
15
Novos Tempos, Novos Ventos
(PMDB, PCB, PCdoB)
464.559
50,11%
João Faustino
PFL
Antônio Florêncio
PDS
25
Aliança Popular
(PFL, PDS, PTB)
450.488
48,60%
Aldo Tinoco
PDT
Geraldo Magela
PDT
12
PDT (sem coligação)
6.700
0,72%
Sebastião Carneiro
PT
Raimundo Lima
PT
13
PT (sem coligação)
5.293
0,57%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral houve 1.691.225 votos nominais enquanto os votos em branco e nulos foram 99.528.[1][nota 6]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
José Agripino Maia[nota 7]
PFL
Dario Pereira[nota 7]
PFL
253
Aliança Popular
(PFL, PDS, PTB)
426.869
25,24%
Lavoisier Maia
PDS
Luís Maria Alves
PDS
111
Aliança Popular
(PFL, PDS, PTB)
408.510
24,16%
Martins Filho
PMDB
Não disponível
PMDB
152
Novos Tempos, Novos Ventos
(PMDB, PCB, PCdoB)
395.449
23,38%
Wanderley Mariz
PMDB
Não disponível
PMDB
153
Novos Tempos, Novos Ventos
(PMDB, PCB, PCdoB)
393.754
23,28%
Miranda Sá Neto
PDT
Não disponível
PDT
122
PDT (sem coligação)
23.764
1,41%
Moacir Duarte
PDS
Não disponível
PDS
112
Aliança Popular
(PFL, PDS, PTB)
15.742
0,93%
Laércio Bezerra de Melo
PSB
Não disponível
PSB
401
PSB, PH
11.046
0,65%
Maria Nazaré Batista
PT
Não disponível
PT
132
PT (sem coligação)
8.968
0,53%
Damião de França Pinheiro
PT
Não disponível
PT
133
PT (sem coligação)
7.123
0,42%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[12] Ressalte-se que os votos em branco eram incluídos no cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[13]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Wilma de Faria[nota 5] PDS 143.583 Mossoró  Rio Grande do Norte
Henrique Eduardo Alves PMDB 90.884 Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Flávio Rocha PFL 71.208 Recife  Pernambuco
Jessé Freire Filho PFL 61.557 Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Ismael Wanderley PMDB 44.852 João Pessoa  Paraíba
Iberê Ferreira PFL 39.669 Natal  Rio Grande do Norte
Vingt Rosado PMDB 38.837 Mossoró  Rio Grande do Norte
Antônio Câmara PMDB 38.732 João Câmara  Rio Grande do Norte

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte o PMDB levou dez, o PFL nove e o PDS cinco.[1]

Notas

  1. O Distrito Federal elegeu três senadores e oito deputados federais de acordo com a Emenda Constitucional 25 de 15/05/1985.
  2. Amapá e Roraima elegeram quatro deputados federais cada, sendo que em Fernando de Noronha não houve escolha de representantes.
  3. Segundo a Fundação Getúlio Vargas e o Senado Federal seu nascimento aconteceu em Natal.
  4. O banco de dados do TSE informa que Garibaldi Alves foi eleito suplente de deputado estadual em 1958, embora em outras fontes, como o próprio Senado Federal, o mesmo seja tratado como parlamentar efetivo.
  5. a b c Na época estava casada com Lavoisier Maia razão pela qual usava o nome de Wilma Maia. Por ocasião das eleições municipais de 1988 conquistou a prefeitura de Natal quando já estava no PDT e por isso renunciou ao mandato parlamentar sendo efetivado Marcos Formiga.
  6. Após a promulgação da Emenda Constitucional Número Um, a Constituição de 1967 dizia (Art. 41 § 2º) que cada senador seria eleito com o seu suplente. Em 1986 os candidatos ao Senado Federal concorriam ao lado de dois suplentes (exceto em casos de sublegenda), porém citamos aqui apenas o primeiro de cada chapa sem, contudo, deixar de referenciar o outro quando necessário.
  7. a b Com a eleição de José Agripino Maia para governador do Rio Grande do Norte em 1990, seu mandato de senador foi entregue ao suplente.

Referências

  1. a b c d «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 4 de junho de 2016 
  2. Derrotado, vice do RN renuncia (online). O Estado de S. Paulo, 25/11/1982. Página visitada em 22 de setembro de 2013.
  3. «Senado Federal do Brasil: senador Geraldo Melo». Consultado em 14 de agosto de 2017 
  4. «Senado Federal do Brasil: senador Garibaldi Alves». Consultado em 15 de agosto de 2017 
  5. «Aos 87 anos, Garibaldi Alves assume mandato de senador (senado.leg.br)». Consultado em 15 de agosto de 2017 
  6. MDB não aprova prefeito de Natal (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 04/03/1979. Política e Governo, p. 05. Página visitada em 14 de agosto de 2017.
  7. «Senado Federal do Brasil: senador José Agripino Maia». Consultado em 14 de agosto de 2017 
  8. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Lavoisier Maia». Consultado em 14 de agosto de 2017 
  9. Alves e Maia, rivais hoje, foram aliados há sete anos (online).Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 05/11/1985. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 17 de agosto de 2017.
  10. «Senado Federal do Brasil: senador Lavoisier Maia». Consultado em 14 de agosto de 2017 
  11. COSTA, Andrea Maria Linhares. Da aliança ao democratismo: a trajetória do PFL no Rio Grande do Norte (1985-2006). Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2012.
  12. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 14 de agosto de 2017 
  13. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 14 de agosto de 2017