Maria da Escócia

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Maria
Rainha dos Escoceses
Rainha da Escócia
Reinado 14 de dezembro de 1542
a 24 de julho de 1567
Coroação 9 de setembro de 1543
Predecessor Jaime V
Sucessor Jaime VI
Regentes
Rainha Consorte da França
Reinado 10 de julho de 1559
a 5 de dezembro de 1560
Predecessora Catarina de Médici
Sucessora Isabel da Áustria
Maridos Francisco II de França
Henrique Stuart, Lorde Darnley
Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell
Descendência
Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra
Casa Stuart
Pai Jaime V da Escócia
Mãe Maria de Guise
Nascimento 8 de dezembro de 1542
Palácio de Linlithgow, Linlithgow, Escócia
Morte 8 de fevereiro de 1587 (44 anos)
Castelo de Fotheringhay, Fotheringhay, Northamptonshire, Inglaterra
Enterro Catedral de Peterborough
Abadia de Westminster
Religião Catolicismo
Assinatura

Maria Stuart ou Maria I da Escócia [nota 1] (Linlithgow, 8 de dezembro de 1542Northamptonshire, 8 de fevereiro de 1587), foi rainha do Escócia, de 14 de Dezembro de 1542 a 24 de Julho de 1567, e rainha consorte de França, de 10 de Julho de 1559 a 5 de Dezembro de 1560.

Maria, a única sobrevivente dos filhos do rei Jaime V da Escócia, tinha apenas seis dias de idade quando o seu pai faleceu, sucedendo-lhe ao trono. Nove meses depois foi coroada. Maria passou grande parte da sua infância em França enquanto a Escócia era governada por regentes. Em 1558, casou com Francisco, Delfim da França. Francisco foi coroado rei como Francisco II em 1559 e Maria tornou-se rainha consorte, por pouco tempo, até à data da morte do seu marido a 5 de Dezembro de 1560. Maria regressou à Escócia, chegando a Leith a 19 de Agosto de 1561, dando início à sua governação como rainha. Quatro anos mais tarde, casou com o seu primo, Henrique Stuart, Lorde Darnley, mas a sua união não foi feliz. Em Fevereiro de 1567, a sua residência foi destruída por uma explosão e Darnley foi encontrado morto no jardim.

James Hepburn, 4.º conde de Bothwell, foi considerado o principal suspeito da morte de Darnley, mas foi absolvido de qualquer culpa em Abril de 1567, e, no mês seguinte, casou com Maria. No seguimento de uma insurreição contra o casal, Maria foi feita prisioneira no Castelo de Loch Leven. A 24 de Julho de 1567, Darnley forçou Maria a abdicar a favor do seu filho de onze anos, Jaime. Após uma tentativa fracassada de recuperar o trono, Maria fugiu para sul procurando a protecção da sua prima, rainha Isabel de Inglaterra. Maria tinha, no passado, reclamado o trono de Isabel para si e era considerada a legítima soberana de Inglaterra por muitos católicos ingleses, incluindo os participantes de uma rebelião conhecida como Rebelião do Norte. Tomando-as como uma ameaça, Isabel limitou os seus movimentos em vários castelos e mansões no interior de Inglaterra. Depois de 18 anos e meio de confinamento, Maria foi considerada culpada de planear o assassinato de Isabel, e foi executada.

Infância e início de reinado[editar | editar código-fonte]

Tanto Maria, como o seu pai, nasceram no Palácio de Linlithgow.[1]

Maria nasceu no dia 8 de Dezembro de 1542 no Palácio de Linlithgow, em Linlithgow, na Escócia, filha de Jaime V e da sua segunda esposa, Maria de Guise. Diz-se que nasceu prematuramente e que era a única filha legítima, sobrevivente, de Jaime.[2] Maria era sobrinha-neta do rei Henrique VIII de Inglaterra, pois a sua avó paterna, Margarida Tudor, era irmã de Henrique. A 14 de Dezembro, seis dias depois do seu nascimento, tornou-se Rainha da Escócia quando o seu pai morreu, provavelmente devido a um colapso nervoso após a Batalha de Solway Moss[3] ou de beber água contaminada enquanto estava em campanha.[4]

De acordo com uma lenda popular, primeiramente descrita por John Knox, refere que James, já moribundo, ao ouvir que a sua esposa tinha dado à luz uma menina, exclamou, lamentando, «Veio como uma rapariga, e irá embora como uma rapariga!» (It came with a lass, it will pass with a lass!)<[nota 2] A sua Casa conquistou o trono da Escócia com o casamento de Marjorie Bruce, filha de Robert the Bruce, com Walter Stuart. A Coroa passou para a sua família através de uma mulher, e seria perdida por uma mulher. Esta lendária declaração tornou-se realidade, não com Maria, cujo filho de um dos seus primos Stewart se tornou rei, mas através da sua descendente Ana da Grã-Bretanha.[5]

Maria foi baptizada na Igreja Paroquial de St Michael, em Linlithgow, pouco depois de ter nascido.[6] HAvia rumores de que era fraca e frágil,[7] mas um diplomata inglês, Ralph Sadler, que viu a bebé no Palácio de Linlithgow, em Março de 1543, destapada pela sua ama, descreveu a criança como saudável.[8]

Como Maria era ainda bebé quando herdou o trono, a Escócia foi governada por regentes até atingir a maioridade. Desde o início, eram duas as pretensões à regência: uma Católica, do Cardeal Beaton, e outra Protestante, do conde de Arran, que era o próximo na linha de sucessão ao trono. A pretensão de Beaton era baseada numa versão do testamento do falecido rei, que os seus oponentes descartaram como uma falsificação.[9] Arran, com o apoio dos seus amigos e relacionamentos, tornou-se regente até 1554, quando a mãe de Maria conseguiu afastá-lo e lhe sucedeu.[10]

Tratado de Greenwich[editar | editar código-fonte]

Moeda de 1553: anverso, brasão da Escócia; reverso, monograma real.

O rei Henrique VIII de Inglaterra aproveitou a oportunidade da regência para propor o casamento entre Maria e o seu filho, Príncipe Eduardo, na esperança de uma união entre a Escócia e a Inglaterra. A 1 de Julho de 1543, quando Maria tinha seis meses de idade, foi assinado o Tratado de Greenwich, o qual estabelecia que quando Maria tivesse dez anos de idade, casaria com Eduardo e iria viver para Inglaterra, onde Henrique podia supervisionar a sua educação.[11] O tratado estabelecia, também, que os dois países permaneceriam legalmente separados, e que, caso o casal não tivesse filhos, a união temporária seria dissolvida.[12] No entanto, o cardeal Beaton subiu ao poder novamente, e começou a defender a igreja católica e a França, o que enfureceu Henrique, que queria por fim à aliança entre a Escócia e a França.[13] Beaton queria que Maria saísse da zona costeira e fosse morar para o Castelo de Stirling. O regente Arran não se queria mudar, mas acabou por ceder depois de o apoio armado de Beaton se juntou em Linlithgow.[14] O conde de Lennox escoltou Maria e a sua mãe para Stirling a 27 de Julho de 1543 com 3500 homens armados.[15] Maria foi coroada na capela do castelo a 9 de Setembro de 1543,[16] com «toda a solenidade que é habitual neste país, a qual não é muito onerosa» de acordo com a descrição de Ralph Sadler e Henry Ray.[17]

Pouco tempo depois da coroação de Maria, mercadores escoceses que se dirigiram para França foram presos por Henrique e os seus bens confiscados. As detenções causaram revolta na Escócia, e Arran decidiu juntar-se a Beaton e tornar-se católico.[18] O Tratado foi rejeitado pelo Parlamento da Escócia em Dezembro.[19] A rejeição do tratado sobre o casamento e a renovação da Velha Aliança entre a França e a Escócia, deram início à guerra entre a Escócia e a Inglaterra (1543-1550), uma campanha militar concebida para impor o casamento de Maria com o filho de Henrique VIII. As forças inglesas efectuaram uma série de ataques aos territórios escoceses e franceses.[20] Em Maio de 1544, conde de Hertford (mais tarde Duque de Somerset), atacou Edimburgo, e os escoceses levaram Maria para Dunkeld, para a proteger.[21]

Em Maio de 1546, Beaton foi assassinado por membros protestantes da nobreza rural,[22] e, a 10 de Setembro de 1547, nove meses depois da morte de Henrique VIII, os escoceses sofreram uma pesada derrota na Batalha de Pinkie Cleugh. Os guardiões de Maria, temendo pela sua segurança, enviaram-na para o Priorado de Inchmahome por cerca de três semanas, e pediram ajuda aos franceses.[23]

O rei francês, Henrique II, propôs unir França e Escócia pelo casamento da jovem rainha com o pequeno Delfim de França, Francisco, de três anos de idade. Com a promessa de ajuda militar de França, e de um ducado francês para si próprio, Arran concordou com o casamento.[24] Em Fevereiro de 1548, Maria foi, de novo, transferida, por questões de segurança, para o Castelo de Dumbarton.[25] Os ingleses deixaram um rasto de destruição, mais uma vez, cercando a estratégica cidade de Haddington. Em Junho, a muito esperada ajuda francesa chegou a Leith para cercar e tomar Haddington. A 7 de Julho de 1548, um Parlamento escocês instalado num convento de freiras perto da cidade, concordou em assinar um tratado francês de casamento.[26]

Vida em França[editar | editar código-fonte]

Maria com cerca de treze anos.

Depois de assinado o tratado, Maria, agora com cinco anos de idade, foi enviada para França para aí passar os treze anos seguintes da corte francesa. A frota francesa enviada por Henrique II, comandada por Nicolas de Villegagnon, rumou com Maria de Dumbarton, a 7 de Agosto de 1548, e chegou cerca de uma semana depois a Roscoff ou Saint-Pol-de-Léon, na Bretanha.[27] Maria foi acompanhada pela sua própria corte, incluindo dois meio-irmãos, e as "quatro Marias" (quatro raparigas da sua idade com o nome Maria), que ram filhas de algumas das famílias mais nobres da Escócia: Beaton, Seton, Fleming e Livingston.[28] Janet, Lady Fleming, a mãe de Maria Fleming e meia-irmã de Jaime V, foi escolhida para governanta.[29]

Alegre, bonita e esperta (de acordo com relatos da época), Mary teve uma infância promissora.[30] Na sua estadia na corte francesa, era a favorita de todos, à excepção da esposa de Henrique II Catarina de Médici.[31] Maria aprendeu a tocar flauta e virginais, sabia prosa, poesia, equitação, falcoaria e costura; também aprendeu francês, italiano, latim, espanhol e grego, para além da sua língua natal, escocês.[32] A sua futura cunhada, Isabel de Valois, tornou-se amiga íntima de Maria que «tinha memórias nostálgicas no final da sua vida».[33] A sua avó materna, Antoinette de Bourbon, foi outra grande influência na sua vida infância,[34] e foi uma das suas principais conselheiras.[35]

Retratos de Maria mostram que ela tinha uma cabeça pequena, de forma oval, um pescoço longo e elegante, cabelo-castanho avermelhado, olhos de côr de avelã sob umas pálpebras grossas, sobrancelhas finas e arqueadas, pele pálida e suave, testa alta e feições firmes. Era considerada uma criança engraçada e, mais tarde, como mulher, era vista como muito atraente.[36] A dada altura na sua infância, ou adolescência, contraiu varíola, mas não ficou com marcas.[37]

Mary era expressiva e alta para os padrões do século XVI – cerca de 1,80 m - [38] enquanto o filho de Henrique II, Francisco, era gago e anormalmente baixo. Henrique comentou que «desde o primeiro dia em que se conheceram, o meu filho e ela deram-se tão bem, como se se conhecessem já há muito tempo».[39] A 4 de Abril de 1558, Maria assinou um tratado secreto legando a Escócia e a pretensão a Inglaterra ao trono francês, se ela morresse sem gerar filhos.[40] Vinte dias mais tarde, casou-se com o Delfim no Notre Dame de Paris, e Francisco tornou-se rei-consorte da Escócia.[41] [42]

Pretensão ao trono inglês[editar | editar código-fonte]

Após a morte da filha mais velha de Henrique VIII, rainha Maria I de Inglaterra, em Novembro de 1558, a coroa passou para a sua meia-irmã, Isabel I. Com base na Terceira Lei da Sucessão, de 1543, emitida pelo Parlamento de Inglaterra, Isabel era a herdeira de Maria I de Inglaterra, e o testamento de Henrique VIII excluía os Stuart da sucessão ao trono inglês. No entanto, na perspectiva de muitos católicos, Isabel era ilegítima e Maria Stuart, como descendente mais velha da irmã de Henrique VIII, era a rainha por direito de Inglaterra.[43] Henrique II de França, proclamou o seu filho mais velho e a sua cunhada, rei e rainha de Inglaterra e, em França, quartelaram as Armas Reais da Inglaterra com as suas.[44] A sua pretensão ao trono inglês era um ponto de discórdia entre ela e Isabel I.[45]

Quando Henrique morreu, a 10 de Julho de 1559, de ferimentos sofridos numa justa, Francisco, de 15 anos de idade, tornou-se rei de França, e Maria, de 16, a sua rainha consorte.[46] Dois dos tios de Maria, Duque de Guise e Carlos, Cardeal de Lorraine, eram agora duas presenças dominantes na política francesa,[47] desfrutando de um ascendente designado por alguns historiadores por la tyrannie Guisienne ("a tirania de Guise").[48]

Na Escócia, o poder dos Lordes da Congregação protestantes estava a aumentar à custa da mães de Maria que, na realidade, mantinha o controlo efectivo apenas com recurso às tropas francesas.[49] Os Lordes protestantes convidaram as tropas inglesas para virem à Escócia numa tentativa de assegurarem o protestantismo; e uma revolta Huguenot em França, chamada de Conjuração de Amboise, em Março de 1560, tornou impossível aos franceses enviar mais apoios.[50] Em vez disso, os irmãos Guise enviaram embaixadores para negociar um acordo.[51] A 11 de Junho de 1560, Maria de Guise morreu, pressionando o problema da sucessão e das futuras relações entre franceses e escoceses. Com base no Tratado de Edimburgo, assinado pelos representantes de Maria, a 6 de Julho de 1560, a França e a Inglaterra acordaram retirar as tropas da Escócia, e a França reconheceram o direito de Isabel governar a Inglaterra. No entanto, a jovem Maria de 17 anos, ainda em França, de luto pela sua mãe, recusou assinar o tratado.[52]

Regresso à Escócia[editar | editar código-fonte]

Maria de luto com um vestido branco, recebeu a alcunha de La Reine Blanche ("a Rainha Branca").[53]

O rei Francisco II morreu a 5 de Dezembro de 1560, com uma otite média a qual lhe provocou uma abcesso no cérebro. Maria ficou desolada.[54] A sua sogra, Catarina de Médici, tornou-se regente, pois o herdeiro do trono, e irmão do falecido rei, Carlos IX, tinha apenas dez anos de idade.[55]

Maria regressou à Escócia nove meses depois da morte do seu marido, chegando a Leith a 19 de Agosto de 1561.[56] Ela tinha vivido em França desde os cinco anos, não tendo, assim, muita experiência na complexa e perigosa situação política na Escócia.[57] Devota católica, ela era vista com suspeição por muitos dos seus súbditos, tal como por Isabel, prima do seu pai.[58] A Escócia estava dividida entre facções protestantes e católicas, e o meio-irmão ilegítimo de Maria, conde de Moray, era líder do grupo protestante.[59] O reformador protestante, John Knox também estava contra Maria, condenando-a por assistir a missas, dançar e vestir de forma muito elaborada.[60] Ela chamou-o à sua presença para protestar com ele sem sucesso e, mais tarde, acusou-o de traição, mas ele foi absolvido e libertado.[61]

Para desapontamento do partido católico, porém, Maria tolerava o novo ascendente protestante,[62] e mantinha o seu meio-irmão, Lord Moray, como principal conselheiro.[63] O seu conselho privado, criado a 6 de Setembro de 1561, era constituído por 16 homens que já detinham os ministérios do estado e era dominado por líderes protestantes da crise da reforma de 1559–1560: os condes de Argyll, Glencairn e Moray. Apenas quatro dos conselheiros eram católicos: os condes de Atholl, Erroll, Montrose e Huntly, que era Lord Chanceler.[64] O historiador, Jenny Wormald, caracterizou esta situação como notável, sugerindo que o insucesso de Maria para nomear um conselho constituído por simpatizantes católicos e franceses era uma indicação do seu objectivo - o trono de Inglaterra - em vez dos problemas internos da Escócia. Até o membro que mais tarde entrou para o conselho, em Dezembro de 1563, Patrick Ruthven, 3.º Lorde Ruthven, era um protestante de quem Maria não simpatizava.[65] Deste modo, Maria demonstrava a sua falta de poder militar efectivo perante os Lords protestantes, enquanto seguia uma política que fortalecia os seus laços com Inglaterra. Maria encontrou-se com o Lord Moray após a queda do principal homem de negócios católico da Escócia, Lord Huntly, em 1562, depois de liderar uma rebelião nas Terras Altas contra ela.[66]

Brasão de armas real de Maria em 1565, do Tolbooth. o principal edifício municipal, em Leith|Leith (actualmente na Igreja Paroquial de South Leith).

Maria enviou William Maitland de Lethington como embaixador para a corte Inglesa para apresentar a pretensão de Maria como herdeira presuntiva ao trono inglês. Isabel recusou indicar um potencial herdeiro, temendo que, ao fazê-lo, poderia dar origem a conspirações para a substituir com o sucessor nomeado.[67] Contudo, Isabel garantiu a Maitland que a pretensão de Maria era a melhor.[68] No final de 1561, ou início de 1562, foi organizada a reunião das duas rainhas em Inglaterra, nas cidades de York ou Nottingham, em Agosto ou Setembro de 1562, mas Isabel enviou Sir Henry Sidney para cancelar o encontro em Julho por causa da guerra civil em França.[69]

Maria decidiu procurar por um marido que pertencesse à realeza europeia. Contudo, quando o seu tio, Cardeal de Lorena, iniciou negociações com o Arquiduque Carlos da Áustria sem o seu consentimento, Maria opôs-se e as negociações terminaram.[70] A sua própria tentativa de negociar um casamento com o príncipe das Astúrias, o herdeiro, mentalmente instável, de Filipe II de Espanha, foi recusada por Filipe.[71] Isabel tentou neutralizar Maria sugerindo que ela casasse com o protestante inglês Robert Dudley, conde de Leicester (cunhado de Sir Henry Sidney e o favorito da rainha inglesa favorito), o qual Isabel confiava e pensava poder controlar.[72] Isabel enviou o embaixador Thomas Randolph para dizer a Maria que caso ela casasse com um nobre inglês, Isabel iría "abrir um processo para defender o seu direito e título de ser o nosso próximo herdeiro".[73] Esta proposta não deu qualquer resultado, até porque o provável noivo não estava disponível.[74]

Pelo contrário, um poeta francês da corte de Maria, Pierre de Boscosel de Chastelard, estava, aparentemente, apaixonado por ela.[75] No Início de 1563, foi descoberto, durante um controlo de segurança, escondido debaixo da sua cama a planear, pensava-se, surpreendê-la quando ela estivesse sozinha, e declarar o seu amor. Maria ficou tão assustada que o baniu da Escócia. Pierre ignorou a ordem, e dois dias depois entrou , de novo, no seu quarto quando ela se encontrava a despir. Maria reagiu com fúria e medo, e quando Moray corria para o seu quarto, ouvindo os seus gritos, ela gritou «Espeta a tua faca no bandido!», ordem que Moray se recusou a cumprir pois Pierre já se encontrava detido. Pierre foi julgado por traição e decapitado.[76] Maitland argumentou que o amor de Pierre era fingido, e que era parte de um plano de Huguenot para fazer desacreditar Maria manchando sua reputação.[77]

Casamento com Lord Darnley[editar | editar código-fonte]

Maria com o segundo marido, Henrique Stuart, Lorde Darnley

Maria conheceu o seu primo, natural de Inglaterra, Henrique Stuart, Lorde Darnley, em Fevereiro de 1561, enquanto estava de luto pela morte de Francisco. Os pais de Darnley, conde e condessa de Lennox, aristocratas escoceses e proprietários de terras ingleses, enviaram o filho a França para este apresentar as condolências, e esperando uma possível união entre ele e Maria.[78] Tanto Maria como Darnley eram netos de Margaret Tudor, irmã de Henrique VIII de Inglaterra. Darnley também era membro da Casa de Stuart (ou Stewart), tal como Maria, mas não era descendente do lado paterno dos réis Stewart, antes era dos avós, os Altos Stewards da Scotland. Darnley partilhava uma linhagem mais recente com a família Hamilton, pois descendia de Mary Stewart, condessa de Arran, filha de Jaime II da Escócia. A segunda vez que se encontraram foi num sábado, dia 17 de Fevereiro de 1565, no Castelo de Wemyss, na Escócia;[79] após o encontro, Maria ficou apaixonada pelo "alto rapaz" (como a rainha Isabel o chamava, pois tinha mais de 1,80 m de altura).[80] Casaram-se no Palácio de Holyrood no dia 29 de Julho de 1565, embora ambos fossem católicos e não tivessem obtido a dispensa papal para um casamento de primos em primeiro grau.[81] [82]

Os estadistas ingleses William Cecil e Robert Dudley, conde de Leicester tentaram obter uma licença para que Darnley viajasse da sua casa em Inglaterra até à Escócia.[83] Apesar de os seus conselheiros tivessem unido o casal, Isabel sentiu-se pressionada pelo casamento pois, sendo descendentes da sua tia, tanto Maria como Darnley eram pretendentes ao trono inglês[84] e os seus filhos herdariam uma ainda mais forte pretensão.[85] Contudo, a insistência de Maria no casamento baseou-se mais na paixão do que na razão. O embaixador inglês Nicholas Throckmorton disse que "diz-se que ela [rainha Maria] está enfeitiçada",[86] acrescentando que o casamento só poderia evitado "pela violência".[87] A união enfureceu Isabel que achava que o casamento não deveria ter sido realizado sem a sua permissão, pois Darnley era, ao mesmo tempo, seu primo e súbdito inglês.[88]

James Hepburn, 4.º conde de Bothwell

O casamento de Maria com um católico levou a que o seu meio-irmão, conde de Moray, se juntasse aos lordes protestantes, onde se incluíam os conde de Argyll e de Glencairn, numa rebelião declarada.[89] Maria saiu de Edimburgo a 26 de Agosto de 1565 para lhes fazer frente e, no dia 30, entrou na cidade, saindo pouco depois por não ter conseguido tomar o castelo. Maria regressou a Edimburgo no mês seguinte para juntar mais tropas.[90] Naquele que ficou conhecido como a Incursão de Chaseabout, Maria e as suas forças, e Moray com os seus lordes revoltosos percorreram a Escócia sem nunca terem entrado em combate directo. Com a libertação do filho do Lord Huntly, e o regresso de James Hepburn, 4.º conde de Bothwell, do exílio em França, as tropas de Maria ficaram em desvantagem.[91] Incapaz de obter apoio suficiente, em Outubro Moray deixou a Escócia exilando-se em Inglaterra.[92] Maria alargou o seu conselho privado com a entrada de católicos (Bispo de Ross John Lesley e Simon Preston de Craigmillar) e protestantes (o novo Lord Huntly, Bispo de Galloway Alexander Gordon, John Maxwell de Terregles e Sir Sir James Balfour).[93]

Em pouco tempo, Darnley tornou-se arrogante. Não satisfeito com a sua posição de rei-consorte, exigiu o Matrimónio da Coroa, que faria dele co-soberano da Escócia com o direito de manter o trono escocês para ele próprio de sobrevivesse à sua esposa.[94] Maria recusou o seu pedido, e o seu casamento começou a passar por uma fase negativa apesar de Maria ter engravidado em Outubro de 1565. Ele tinha ciúmes da sua amizade com o seu secretário privado católico, David Rizzio, o qual era suspeito de ser o pai do seu filho.[95] Em Março de 1566, Darnley estava envolvido numa conspiração secreta com lordes protestantes, incluindo os nobres que se tinham revoltado contra Maria na incursão de Chaseabout Raid.[96] A 9 de Março, um grupo de conspiradores, acompanhados de Darnley, assassinaram Rizzio à frente de Maria num jantar no Palácio de Holyrood Palace.[97] Nos dois dias seguintes, um desiludido Darnleytrocou de lado, e Maria recebeu Moray em Holyrood.[98] Na noite de 11 para 12 de Março, Darnley e Maria fugiram do palácio, refugiando-se no Castelo de Dunbar antes de regressarem a Edimburgo no dia 18 de Março.[99] Os antigos lordes rebeldes, Moray, Argyll e Glencairn, regressaram ao conselho.[100]

Assassinato de Darnley[editar | editar código-fonte]

O filho de Maria e Darnley, James, nasceu a 19 de Junho de 1566 no Edinburgh Castle, mas o assassinato de Rizzio provocou o fim do casamento de Maria.[101] Em Outubro, quando estava em Jedburgh na Scottish Borders, efectuou um passeio a cavalo durante cerca de quatro horas, em cada sentido, para visitar o conde de Bothwell no Hermitage Castle, onde este estava a recuperar de ferimentos sofridos numa luta com salteadores.[102] O passeio foi, mais tarde, utilizado como evidência - para os seus inimigos - de que Maria e o conde eram amantes, embora não houvessem suspeitas na altura e Maria tivesse ido acompanhada pelos seus conselheiros e guardas.[103] Após regressar a Jedburgh, ficou doente com gravidade, com vómitos frequentes, perda de visão e de voz, convulsões e períodos de inconsciência. Pensou-se que estaria a morrer. A sua recuperação a partir de 25 de Outubro deveu-se à experiência dos seus médicos franceses.[104] As causas do seu problema não são conhecidas; o diagnóstico incluía cansaço físico e psicológico,[105] hemorragia devido a uma úlcera gástrica,[106] e porfíria.[107]

No Craigmillar Castle, perto de Edimburgo, no final de Novembro de 1566, Maria juntamente com alguns nobres, reuniram-se para discutir o "problema de Darnley".[108] A questão do divórcio foi discutida, mas também terá sido ponderado, pelos lordes presentes, livrarem-se de Darnley por outros meios:[109] «Foi pensado ser de grande utilidade para o bem comum... que um este jovem tolo e orgulhoso tirano não devia reinar ou ter qualquer forma de poder sobre eles... que ele devia ser eliminado, de uma forma ou de outra; e seja quem for que fique com essa responsabilidade, ou a delegue a outrem, deve ser protegido.»[110] Darnley temia pela sua segurança, e após o baptizado do seu filho em Stirling, pouco antes do Natal, mudou-se para Glasgow para as propriedades do seu pai.[111] No início da viagem, ficou febril, possivelmente (varíola, sífilis ou o resultado de envenenamento), e manteve-se doente durante algumas semanas.[112]

No final de Janeiro de 1567, Maria pediu ao seu marido para voltar pra Edimburgo. Ele recuperou da sua doença numa casa pertencente ao irmão de Sir James Balfour na antiga abadia de Kirk o' Field, dentro dos muros da cidade.[113] Maria visitou-o diariamente, o que aparentava ser uma tentativa de reconciliação.[114] Na noite de 9 para 10 de Fevereiro de 1567, Maria visitou o seu marido ao início da noite, e depois foi para o casamento de um membro da sua casa, Bastian Pagez.[115] Ao início da manhã, uma explosão destruiu Kirk o' Field e Darnley foi encontrado morto no jardim, aparentemente sufocado.[116] Não tinha qualquer vestígio de estrangulamento ou violência no corpo.[117] [118] Bothwell, Moray, Maitland, o conde de Morton e a própria Maria, estavam entre os suspeitos da morte de Darnley.[119] Isabel escreveu a Mary informando-a dos boatos: "Ficaria muito doente se não cumprisse com o meu dever de prima ou de amigo íntimose não te informasse;... dizer-te o que todo o mundo está a pensar. Diz-se que, em vez de procurares prender os assassinos, estás a olhar para o outro lado, enquanto eles escapam; que não procurarás vingança naqueles que te deram tanto prazer, embora as though the deed would never have taken place had not the doers of it been assured of impunity. Da minha parte, peço-te que acredites que tal nunca me passou pela cabeça."[120]

No final de Fevereiro, Bothwell era o principal suspeito de ter assassinado Darnley.[121] Lennox, pai de Darnley, solicitou que Bothwell fosse julgado perante o Parlamento da Escócia, pedido que Maria aceitou; no entanto, o pedido de Lennox para adiar o processo para reunir mais provas, foi negado. Na ausência de Lennox, e sem a apresentação de provas, Bothwell foi absolvido de pois de um julgamento de sete horas a 12 de Abril.[122] Uma semana mais tarde, Bothwell conseguiu que mais de duas dúzias de lordes e bispos assinassem o Ainslie Tavern Bond, no qual concordavam em apoiá-lo na sua pretensão de casar com a rainha.[123]

Abdicação e prisão na Escócia[editar | editar código-fonte]

Maria e o seu filho, James VI and I; na realidade, a última vez que Maria terá visto o seu filho, este tinha dez meses de idade.

Entre 21 e 23 de Abril de 1567, Maria visitou o seu filho em Stirling pela última vez. NO seu regresso a Edimburgo a 24 de Abril, Maria foi raptada, com ou sem o seu consentimento, por Lord Bothwell e seus homens, e levada para o Castelo de Dunbar, onde a terá violado.[124] A 6 de Maio, Maria e Bothwell regressaram a Edimburgo e, a 15 de Maio, no Palácio de Holyrood ou na Abadia de Holyrood, casaram-se de acordo com os rituais protestantes.[125] Bothwell e a sua primeira mulher, Jean Gordon, irmã de Lord Huntly, tinha-se divorciado doze dias antes.[126]

De início, Maria acreditava que vários nobres apoiavam o seu casamento, mas depressa a situação se complicou entre Bothwell (feito Duque de Orkney e consorte da rainha) e os seus antigos pares, e o casamento tornou-se pouco bem-visto. Os católicos consideravam o casamento ilegal pois não reconheciam o divórcio de Bothwell ou a validade do serviço protestante. Tanto protestantes como católicos ficaram surpresos com o facto de Maria se ter casado com o homem suspeito de ter assassinado o seu marido.[127] A relação entre os dois era difícil, complicando o casamento, e Maria estava desiludida.[128] Cerca de 26 pares escoceses, conhecidos como os lordes confederados, viraram-se contra Maria e Bothwell, organizando um exército para lhes fazer frente. Maria e Bothwell enfrentaram os lordes Carberry Hill, a 15 de Junho, mas não chegou a haver batalha pois a forças de Maria viram o seu número reduzir-se à medida que iam desertando durante as negociações.[129] Bothwell pode sair em segurança do campo de batalha, e os lordes levaram Maria para Edimburgo, onde uma multidão a acusou de adultério e assassinato.[130] Nessa noite, foi feita prisioneira no Castelo de Loch Leven, numa ilha no meio de Loch Leven.[131] Entre 20 de Julho e 23 de Julho, Maria abortou de gémeos.[132] A 24 de Julho, foi forçada a abdicar a favor do seu filho de um ano, James.[133] Moray foi feito regente,[134] enquanto Bothwell foi exilado. Foi preso na Dinamarca, ficou louco e morreu em 1578.[135]

Fuga e prisão em Inglaterra[editar | editar código-fonte]

A 2 de Maio de 1568, Maria fugiu de Loch Leven com a ajuda de George Douglas, irmão de Sir William Douglas, dono do castelo.[136] Maria conseguiu organizar um exército de 6000 homens e, a 13 de Maio, ficou frente-a-frente com uma pequena força de Moray na Batalha de Langside.[137] Foi derrotada e fugiu para sul; depois de passar a noite na Abadia de Dundrennan, atravessou o Estuário de Solway até Inglaterra, num barco de pesca, no dia 16 de Maio.[138] Desembarcou em Workington, Cumberland, no Norte de Inglaterra, e passou a noite na câmara de Workington.[139] A 18 de Maio, foi levada para prisão preventiva para o Castelo de Carlisle pelas autoridades locais.[140]

Aparentemente, Maria esperava que Elizabeth a ajudasse a recuperar o seu trono.[141] Contudo, Elizabeth estava cautelosa e ordenou um inquérito à conduta dos lordes confederados e à questão sobre se MAria era ou não culpada do assassinato de Darnley.[142] Maria foi transferida pelas autoridades inglesas para o Castelo de Bolton em meados de Julho de 1568, pois ficava mais afastado da fronteira escocesa, mas não tão perto de Londres.[143] Uma comissão de inquérito, ou de conferência como era então conhecida, teve lugar em York e, mais tarde, em Westminster, entre Outubro de 1568 e Janeiro de 1569.[144]

Cartas do cofre[editar | editar código-fonte]

O regente e meio-irmão de Maria após a abdicação em 1567, James Stewart, conde de Moray, por Hans Eworth, 1561

Maria reusou-se a reconhecer o poder de qualquer tribunal para a julgar, pois era rainha, e recusou estar presente no inquérito em York (enviou representantes); de qualquer forma, Isabel proibiu-a de lá ir.[145] Como prova contra ela, Moray mostrou as chamadas "cartas do cofre"[146] — oito cartas não assinadas, alegadamente de Maria para Bothwell, dois contratos de casamento e um soneto (ou sonetos) de amor, que terão sido encontrados num pequeno cofre em parta dourada, de 30 cm de comprimento, decorada com o monograma do rei Francisco II.[nota 3] Maria negou ter escrito aqueles documentos e alegou que a sua escrita não era difícil de imitar[147] insisitiu que eram cópias.[148] As cartas são cruciais para se saber se Maria é cúmplice da morte de Darnley.[149] O presidente da mesa da comissão de inquérito, duque de Norfolk, descreve as cartas como cartas mal escritas e várias bas baladas, e enviou cópias a Isabel, dizendo que se elas forem genuínas, então podiam provar a culpabilidade de Maria.[150]

A autenticidade das cartas tem sido assunto de grande controvérsia entre os historiadores. è impossível provar seja o que fôr. Os originais, escritos em francês, terão sido destruiods em 1584 pelo filho de Maria.[151] As cópias existentes, em francês ou traduzidas para inglês, estão incompletas. Existem transcrições impressas, incompletas, em inglês, escocês, francês, e latim da década de 1570.[152] Outros documentos analisados incluem o divórcio de Bothwell e Jean Gordon. Moray enviou um mensageiro em Setembro, a Dunbar, para obter uma cópia do processo dos registos da cidade.[153]

Os biógrafos de Maria, como Antonia Fraser, Alison Weir ou John Guy, chegaram à conclusão de que, ou os documentos eram falsificações,[154] ou que as passagens incriminatórias foram inseridas nas cartas verdadeiras,[155] ou ainda que as cartas foram escritas para Bothwell por outras pessoas ou por Maria para outra pessoa.[156] Guy salienta que as cartas não fazem sentido, e que a gramática e a linguagem em francês em que os sonetos foram escritos é demasiado pobre para a educação de Maria.[157] No entanto, certas frases das cartas (incluindo versos ao estilo de Ronsard) e algumas características de estilo são compatíveis com o modo de escrever de Maria.[158]

As cartas do cofre só vieram a público na Conferência de 1568, apesar de o conselho privado escocês as ter visto em Desembro de 1567.[159] Maria foi forçada a abdicar e foi detida por um ano na Escócia. As cartas nunca foram tornadas públicas, mantendo-a, assim, presa, e forçando-a a abdicar. O historiador Jenny Wormald acredita que a relutância dos escoceses em exibir as cartas, e a sua destruição em 1584, fosse qual fosse o seu conteúdo, é uma prova de que continham provas verdadeiras contra Maria.[160] [161] Os contemporâneos de Maria que viram as cartas não tinham dúvidas de que eram genuínas. Entre eles estava o duque de Norfolk,[162] que conspirou, secretamente, casar co Maria durante a comissão de inquérito, embora o tenha negado quando Isabel referiu os seus planos de casamento, dizendo "ele quis dizer que nunca casaria com uma pessoa com a qual tivesse receio de se deitar".[163]

A maioria dos comissários aceitaram as cartas como sendo genuínas, depois de as analisarem e compararem com a caligrafia de Maria.[164] Isabel, como desejava, concluiu o inquérito com o veredito de que nada tinha sido provado, tanto contra os lordes ou contra Maria.[165] Por razões políticas, Isabel não queria nem condenar nem absolver Maria do crime, e não havia intenção de proceder judicialmente; a conferência tinha a intenção de se um mero exercício político. No final, Moray regressou à Escócia como sua regente, e Maria permaneceu sob custódia em Inglaterra. Isabel conseguiu manter um governo protestante na Escócia, sem condenar ou libertar a sua congénere.[166] Segundo Fraser, foi um dos "julgamentos" mais estranhos da história legal, terminando sem demonstrar a culpa para ambas as partes, com uma delas a voltar para casa, enquanto a outra permanecia detida.[167]

Conspiração[editar | editar código-fonte]

Maria em cativeiro, por Nicholas Hilliard, c. 1578

Em 26 de Janeiro de 1569, Maria foi transferida para o Castelo de Tutbury,[168] e colocada sob custódia do conde de Shrewsbury e da sua mulher Bess de Hardwick.[169] Elizabeth considerava as ideias de Maria sobre o trono de Inglaterra uma séria ameaça e, assim, limitou os movimento de Maria à propriedade de Shrewsbury, incluindo Tutbury, Castelo de Sheffield, Wingfield Manor e Chatsworth House,[170] que ficam numa região interior de Inglaterra, a meio caminho da Escócia e Londres, e distante do mar.[171] Foi-lhe permitido ter o seu próprio pessoal de apoio, nunca inferior a 16 serviçais,[172] e precisou de 30 carros para transportar os seus pertences de casa em casa.[173] Os seus aposentos estavam decorados por tapeçarias e carpetes finas, tal como a sua roupa oficial na qual tinha a frase em francês En ma fin est mon commencement ("No meu fim está o meu início") bordada.[nota 4] A sua roupa de cama era mudada diariamente,[174] e os seus cozinheiros preparavam 32 refeições servidos em pratos de prata.[175] Por vezes, era-lhe permitido sair, com vigilância,[176] passando sete Verões na estância termal de Buxton, e passava muito do seu tempo a bordar.[177] A sua saúde foi piorando, talvez devido a porfíria ou falta de exercício, e, por volta da década de 1580, começou com reumatismo grave nos seus membros, tornando-a coxa.[178]

Em Maio de 1569, Elizabeth tentou mediar a restauração de Maria em troca de garantias da religião Protestante, mas uma convenção em Perth recusou a proposta.[179] Norfolk continuou a desenhar um plano para um casamento com Maria, e Elizabeth prendeu-o na Torre de Londres entre Outubro de 1569 e Agosto de 1570.[180] No início do ano seguinte, Moray foi assassinado. A morte de Moray coincidiu com a rebelião no Norte de Inglaterra, liderada por condes católicos, os quais persuadiram Elizabeth de que Maria constituía uma ameaça. As tropas inglesas intervieram na guerra civil escocesa, consolidando o poder das forças anti-Maria.[181] Os principais secretários de Elizabeth - William Cecil, 1.º Barão Burghley e Sir Francis Walsingham - vigiaram Maria com muito cuidado, com a ajuda de espiões infiltrados na casa de Mary.[182]

Em 1571, Cecil e Walsingham puseram a descoberto a conspiração Ridolfi, que consistia num plano para substituir Elizabeth por Maria, com a ajuda de tropas espanholas e do duque de Norfolk. Norfolk foi executado, e o Parlamento inglês introduziu um projecto-lei que impedia Maria de chegar ao trono, mas que Elizabeth recusou aceitar.[183] Para desacreditar Maria, as suas cartas foram publicadas em Londres.[184] As conspirações centradas em Maria continuaram, e depois da Conspiração Throckmorton, Walsingham introduziu o Bond of Association e o Decreto para a segurança da Rainha, o qual aprovava a morte de todos aqueles que conspirassem contra Elizabeth, e tinha por objectivo prevenir uma sucessão putativa pelo resultado da sua morte.[185] Em Abril de 1585, Maria foi colocada na custódia de Sir Amias Paulet,[186] e no Natal foi transferida para uma mansão rodeada por um fosso em Chartley.[187]

Morte[editar | editar código-fonte]

Julgamento[editar | editar código-fonte]

No dia 11 de Agosto de 1586, Maria foi detida depois de ter sido implicada na conspiração Babington.[188] Numa tentativa bem-sucedida de a a fazer cair numa armadilha, Walsingham conseguiu fazer com que as cartas de Maria fossem roubadas de Chartley. Maria pensava que as suas cartas estavam seguras quando, na realidade, elas foram decifradas e lidas por Walsingham.[189] Pelas cartas, era claro que Maria tinha aprovado a tentativa de assassinato de Elizabeth.[190] Maria foi transferida para o Castelo de Fotheringay numa viagem que durou quatro dias, terminando em 25 de Setembro, e, em Outubro, foi levada a julgamento por traição com base no Decreto da segurança da Rainha, perante um tribunal de 36 nobres,[191] incluindo Cecil, Shrewsbury e Walsingham.[192] [193] Maria negou as acusações.[194] Disse aos seus acusadores: "Olhem para as vossas consciências e lembrem-se de que o teatro de todo o mundo é maior que o reino de Inglaterra".[195] Chamou a atenção para o facto de que lhe foi negada a oportunidade de rever as provas ou os seus documentos que lhe tinham sido retirados; que lhe foi negado o acesso a um conselho legal; e que, sendo uma rainha estrangeira, nunca tinha sido cidadã inglesa e, portanto, não podia ser condenada por traição.[196]

Maria foi julgada culpada e condenada à morte a 25 de Outubro, co apenas um dos comissários, Lorde Zouche, a discordar.[197] Apesar do resultado do julgamento, Elizabeth hesitou em ordenar a sua execução, mesmo com a pressão do Parlamento inglês para fazer cumprir a sentença. Estava preocupada com o facto de que a morte de uma rainha abira um precedente, e tinha receio das onsequências, em particular, se, em retaliação, o filho de Maria, James, formasse uma aliança com as potências católicas, e invadisse Inglaterra.[198] Elizabeth perguntou a Paulet, o último guarda de Maria, se ele podia arranjar uma forma discreta de "encurtar a vida" de Maria, mas aquele recusou argumentando que ele he não iria "ficar de consciência pesada, ou deixar uma mancha na minha humilde posteridade".[199] No dia 1 de Fevereiro de 1587, Elizabeth assinou a sentença de morte, e entregou-a a William Davison, um conselheiro privado.[200] No dia 3,[201] dez membros do Conselho Privado de Inglaterra, tendo sido convocados por Cecil sem o conhecimento de Elizabeth, decidiu cumprir a sentença o mais rápido possível.[202]

Execução[editar | editar código-fonte]

Em Fotheringhay, na tarde de 7 de Fevereiro de 1587, foi dito a Maria que ela seria executada na manhã seguinte.[203] Passou as últimas horas da sua vida em oração, a distribuir os seus bens aos sues servos, e a escrever o seu testamento e uma carta ao rei de França.[204] O cadafalso que foi construido na sala grande, tinha 60 cm de altura e esrava decorado com um tecido preto. Tinha dois degraus, um bloco, uma almofada para os joelhos e três pequenos bancos (um para Maria e os outros para os condes de Shrewsbury e Kent), que serviam de testemunha para a execução.[205] Os carrascos (um de nome Bull e o seu assistente) ajoelharam-se perante ela e pediram que lhes perdoasse. Ela respondeu, "Perdoo-os do fundo do meu coração, espero que, agora termimen com os meus problemas."[206] Os seus criados, Jane Kennedy e Elizabeth Curle, e os carrascos, ajudaram Maria a retirar as suas vestes exteriores, expondo a sua combinação de veludo, corpete de seda e um par de luvas em vermelho escuro, a côr litúrgica do martírio na Igreja Católica.[207] Conforme se ia despindo, sorriu e disse que "nuncatinha tido uns camareiros assim ... nem nunca tinha tirado as suas roupas perante tal companhia".[208] Kennedy colocou-lhe uma venda com um véu branco bordado a ouro, e ajoelhou-se na almofada em frente do bloco. Colocou a cabeça no bloco e esticou os braços. As suas últimas palavras foram, "In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum" ("Nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito").[209]

Cópia da máscara da morte de Maria no Palácio de Falkland

Maria não foi decapitada com o primeiro golpe. O primeiro falhou o pescoço e atingiu-lhe a nuca. O segundo golpe cortou-lhe o pescoço, excepto um pequeno pedaço de tendão, o qual o carrasco cortou com o machado. Depois, ele segurou na cabeça e declarou, "Deus Salve a Rainha!." Naquele momento, a cabeça caiu, e verificou-se que os cabelos ruivos na sua mão eram uma peruca, e que Maria tinha cabelo curto e cinzento.[210] Consta que um pequeno cão da rainha, um skye terrier, estaria escondido nas suas saias, e não tinha sido visto pelos presentes na execução. A seguir à execução, recusou separar-se do corpo da sua dona e estava coberto s«de sangue, até que foi levado à força e lavado.[211] A origem dos objectos usados ou levados pela rainha para a execução, é desconhecido;[212] relatos da época referam qe toda a sua ropua, o bloco e tuo o que ficou sujo com o seu sangue, foi queimado durante o incêndio de Great Hall para impedir que fosse levado por ladrões de relíquias.[211]

Legado[editar | editar código-fonte]

Cópia da efígie de Maria em Westminster, vista de cima.

Quando Isabel soube das notícias, ficou indignada e zangada com o facto de Davison ter desobedecido às suas instruções, e de o Conselho Privado ter agido sem a sua autorização.[213] A indecisão de Isabel e as suas instruções pouco concretas, deram-lhe negação plausível, evitando, assim, responsabilidade directa pela morte de Maria.[214] Davison foi detido, levado para a Torre de Londres, e considerado culpado pelos seus actos. Foi libertado 19 meses ais tarde depois de Cecil e Walsingham terem intercedido em seu nome.[215]

O pedido de Maria para ser enterrada em França foi recusado por Isabel.[216] O seu corpo foi embalsamado e colocado num caixão de chumbo até ser sepultado, numa cerimónia protestante, na Catedral de Peterborough no final de Julho de 1587.[217] Os seus orgão interiores, retirados durante o processo de embalsamamento, foram enterrados em lugar secreto no Castelo de Fotheringay.[218] O seu corpo foi exumado em 1612 quando o seu filho, o rei Jaime, ordenou que ela fosse spultada na Abadia de Westminster, numa capela oposta ao túmulo de Isabel I.[219] Em 1867, o seu túmulo foi aberto para tentar determinar o local de descanso de Jaime I; descobriu-se que ao seu lado estava Henrique VII, assim como muitos dos seus descendentes, incluíndo Isabel da Boémia, Ruperto do Reno e os filhos de Ana da Grã-Bretanha.[220]

A personalidade de Maria, no século XVI, era vista de duas perspectivas diferentes. Por um lado, os protestantes reformistas como George Buchanan e John Knox, criticaram-na sem piedade; por outro, católicos como Adam Blackwood, elogiaram-na e defenderam-na.[221] Depois da subida ao trono de Jaime I na Inglaterra, o historiador William Camden escreveu uma biografia oficial autorizada, retirada de documentos originais. Apontava o trabalho de Buchanan como uma invenção,[222] e "salientava a má sorte de Maria em vez do seu mau carácter".[223] Durante o século, persistiram novas interpretações sobre o carácter de Maria: William Robertson e David Hume, colocaram em causa a veracidade das cartas de Maria, e se ela era culpada de adultério e assassinato, enquanto William Tytler defendia o inverso.[224] Na segunda metade do século XX, o trabalho de Antonia Fraser foi aclamado como "mais objectivo ... livre de excessos de adulação ou ataque", características das anteriores biografias,[225] e os seus contemporâneos como Gordon Donaldson e Ian B. Cowanm, também elaboraram alguns trabalhos mais equilibrados.[226] A historiadora Jenny Wormald concluiu que Maria foi um trágico fracasso, incapaz de cumprir o que lhe era exigido na sua posição,[227] mas discordava da visão pós-Fraser na qual Maria era um fantoche nas mãos de nobres intriguistas.[228] Não existe qualquer prova concreta da sua cumplicidade na morte de Darnley, ou da sua conspiração com Bothwell. Estas acusações têm por base, apenas, presunções,[229] e a biografia de Buchanan, actualmente, está desacreditada e vista como "praticamente uma fantasia".[230] A coragem de Maria na sua execução, ajudou a construir a sua imagem popular como vítima heróica numa tragédia dramática.[231]

Notas

  1. Também grafado como Stewart.
  2. Esta versão é retirada de The History of Scotland from 21 February 1436 to March 1565, de Robert Lindsay of Pitscottie. A frase também é referida como «It cam wi' a lass and it will gang wi' a lass» ou «The devil go with it! It will end as it began: it came from a woman; and it will end with a woman» («Que o Diabo a leve! Terminará tal como começou: veio de uma mulher; e terminará com uma mulher») (Wormald 1988, p. 11).
  3. Para alista de documentos, ver Guy 2004, p. 397 e Wormald 1988, p. 176; para a descrição do cofre, ver Robertson, Joseph. Inventaires de la Royne d'Ecosse. Edinburgh: Bannatyne Club, 1863. p. lviii. e Guy 2004, p. 432.
  4. Tinha sido o lema da sua mãe.(Guy 2004, pp. 443–444)

Referências

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  3. Fraser 1994, p. 11; Wormald 1988, p. 46
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  7. Fraser 1994, p. 13; Guy 2004, p. 17
  8. Sadler para Henrique VIII, 23 de Março de 1543, citado em Clifford 1809, p. 88; Fraser 1994, p. 18; Guy 2004, p. 22; Wormald 1988, p. 43
  9. Fraser 1994, p. 15; John Knox referiu que o rei tinha assinado uma folha em branco que o próprio Beaton preencheu, enquanto Arran acusou Beaton de ter pegado na mão do moribundo rei e ter escrito a sua assinatura (Wormald 1988, pp. 46–47). O testamento vem transcrito em Historical Manuscripts Commission. The Manuscripts of the Duke of Hamilton, KT. London: Her Majesty's Stationery Office, 1887. 205, 219–220 p.
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  17. Sadler para Henrique VIII, 11 de Setembro de 1543, citado em Clifford 1809, p. 289; Fraser 1994, p. 21
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  64. Os outros membros eram: Lord Justice Clerk John Bellenden de Auchinoul, Lord Clerk Register James MacGill de Nether Rankeillour, Secretário de Estado William Maitland de Lethington, Lord High Treasurer Robert Richardson, Lord High Admiral conde de Bothwell, os condes de Arran e Morton, o conde de Marischal e John, Lorde Erskine (mais tarde conde de Mar) (Weir 2008, p. 30).
  65. Wormald 1988, pp. 114–116
  66. Fraser 1994, pp. 192–203; Weir 2008, p. 42; Wormald 1988, pp. 123–124
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  68. Fraser 1994, p. 162
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  71. Fraser 1994, pp. 114–117; Guy 2004, pp. 173–174; Wormald 1988, pp. 133–134
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  79. Bain 1900, p. 125; Guy 2004, p. 204; Weir 2008, p. 58
  80. Para a citação e altura, ver Fraser 1994, p. 221 e Weir 2008, pp. 49, 56; para a paixão de Maria ver Fraser 1994, p. 224; Weir 2008, p. 63 e Wormald 1988, p. 149
  81. Fraser 1994, p. 230; Wormald 1988, p. 150
  82. A dispensa, emitida em Roma e datada de 25 de Setembro, tinha efeito retroactivo a 25 de Setembro.(Weir 2008, p. 82).
  83. Bain 1900, p. 124; Fraser 1994, p. 219; Weir 2008, p. 52
  84. Fraser 1994, p. 219; Weir 2008, p. 64
  85. Weir 2008, pp. 64, 91
  86. Bingham 1995, p. 101
  87. Bingham 1995, p. 100
  88. Weir 2008, p. 64
  89. Weir 2008, p. 78; Wormald 1988, pp. 151–153
  90. Weir 2008, pp. 79–82
  91. Guy 2004, pp. 229–230; Weir 2008, pp. 77, 79; Wormald 1988, pp. 151–152
  92. Fraser 1994, p. 234; Guy 2004, p. 231; Weir 2008, p. 83; Wormald 1988, pp. 151–154
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  99. Fraser 1994, pp. 256–258; Guy 2004, p. 259; Weir 2008, pp. 116–117, 121; Wormald 1988, p. 159
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  101. Fraser 1994, p. 259 ff; Wormald 1988, p. 160
  102. Bingham 1995, pp. 158–159; Guy 2004, pp. 273–274; Fraser 1994, pp. 274–275; Weir 2008, pp. 157–160
  103. Fraser 1994, pp. 274–275; Weir 2008, pp. 158–159
  104. Fraser 1994, pp. 275–276; Guy 2004, p. 274; Weir 2008, pp. 161–163
  105. Fraser 1994, p. 276; Weir 2008, p. 161
  106. Guy 2004, p. 275; Weir 2008, p. 161
  107. Weir 2008, p. 161
  108. Bingham 1995, p. 160; Wormald 1988, p. 160
  109. Bingham 1995, pp. 160–163; Fraser 1994, pp. 277–279; Weir 2008, pp. 176–178, 261; Wormald 1988, p. 161
  110. Confissão de James Ormiston, um dos homens de Bothwell, 13 de Dezembro de 1573, citado em Ancient Criminal Trials in Scotland from AD 1488 to AD 1624 de Robert Pitcairn em Weir 2008, p. 177; Fraser 1994, p. 279
  111. Weir 2008, p. 189
  112. Weir 2008, pp. 190–192
  113. Fraser 1994, pp. 285–292; Guy 2004, pp. 292–294; Weir 2008, pp. 227–233
  114. Weir 2008, pp. 232–233
  115. Fraser 1994, pp. 296–297; Guy 2004, pp. 297–299; Weir 2008, pp. 244–247
  116. Weir 2008, p. 296; Wormald 1988, p. 161
  117. Weir 2008, p. 252; Greig 2004
  118. Uma análise após a sua morte revelou lesões internas que teriam sido causadas pela explosão. John Knox acusou os cirurgiões que examinaram o corpo de mentirem, e que Darnley tinha sido estrangulado, mas todos concordavam que não haviam marcas no corpo e que não havia qualquer razão para os cirurgiões estarem a mentir pois Darnley was murdered either way (Weir 2008, p. 255).
  119. Weir 2008, pp. 298–299
  120. A carta original está em francês e esta tradução é de Weir 2008, pp. 308–309. Para outras versões ver Guy 2004, p. 312 and Lewis 1999, p. 86.
  121. Guy 2004, p. 304; Weir 2008, pp. 312–313
  122. Fraser 1994, pp. 311–312; Weir 2008, pp. 336–340
  123. Fraser 1994, p. 313; Weir 2008, pp. 343–345; Wormald 1988, p. 163
  124. James Melville de Halhill, que estava no castelo, escreveu que Bothwell "a forçou a dormir com ela" (citado em Fraser 1994, pp. 314–317). Historiadores contemporâneos veem o rapto como uma mentira (Donaldson 1974, p. 117; Fraser 1994, p. 317). Ver também Guy 2004, pp. 328–329; Weir 2008, pp. 351–355; e Wormald 1988, p. 163.
  125. Weir 2008, pp. 367, 374
  126. Fraser 1994, p. 319; Guy 2004, pp. 330–331; Weir 2008, pp. 366–367
  127. Weir 2008, p. 382
  128. Fraser 1994, pp. 322–323; Guy 2004, pp. 336–337
  129. Weir 2008, pp. 383–390; Wormald 1988, p. 165
  130. Weir 2008, pp. 391–393
  131. Fraser 1994, p. 335; Guy 2004, p. 351; Weir 2008, p. 398
  132. Weir 2008, p. 411
  133. Guy 2004, p. 364; Weir 2008, p. 413; Wormald 1988, p. 165
  134. Fraser 1994, p. 347; Guy 2004, p. 366; Weir 2008, p. 421; Wormald 1988, p. 166
  135. Weir 2008, pp. 422, 501; Wormald 1988, p. 171
  136. Fraser 1994, pp. 357–359; Guy 2004, p. 367; Weir 2008, p. 432; Wormald 1988, p. 172
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  139. Fraser 1994, pp. 368–369
  140. Fraser 1994, p. 369; Weir 2008, p. 435
  141. Fraser 1994, p. 369; Guy 2004, p. 435; Weir 2008, p. 434; Wormald 1988, p. 174
  142. Guy 2004, p. 430; Weir 2008, p. 445
  143. Weir 2008, p. 444
  144. Fraser 1994, pp. 385–390; Wormald 1988, p. 174
  145. Weir 2008, p. 447 Mais tarde, Maria solicitou estar presente em Westminster, mas Isabel não lhe deu permissão e, por causa disto, os enviados de Maria sairam do inquérito(Weir 2008, pp. 461–463).
  146. Guy 2004, p. 432; Weir 2008, p. 464; Wormald 1988, p. 175
  147. Fraser 1994, p. 407; Weir 2008, p. 221
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  149. e.g. Guy 2004, p. 395; Weir 2008, pp. 453, 468
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  193. Dois dos comissários eram católicos(Lewis 1999, p. 22).
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

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  • Marshall, Rosalind. Queen Mary's Women: Female Relatives, Servants, Friends and Enemies of Mary, Queen of Scots. Edinburgh: John Donald, 2006. ISBN 978-0-85976-667-8
  • Swain, Margaret. The Needlework of Mary Queen of Scots. New York: Van Nostrand Reinhold, 1973. ISBN 978-0-442-29962-0
  • Warnicke, Retha M.. Mary Queen of Scots. New York: Routledge, 2006. ISBN 978-0-415-29182-8
  • Wilkinson, Alexander S.. Mary Queen of Scots and French Public Opinion, 1542–1600. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2004. ISBN 978-0-230-28615-3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedida por:
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1542 - 1567
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