Estúdios Disney entre 1922 a 1937

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Estúdios Disney entre 1922 a 1937
Séries de curtas-metragens animadas
O curta-metragem Alice's Day at Sea (1924).
Períodos
Estúdios Disney entre 1937 a 1941

A história dos estúdios Disney entre 1922 a 1937 é caracterizada por uma produção centrada exclusivamente em curtas-metragens de animação. O período começa em 1921 com a criação do primeiro estúdio de Walt Disney em Kansas City, o Laugh-O-Gram Studio, e contínua em 1923 com a formação da Disney Brothers Studios em Hollywood. A primeira produção foi Alice Comedies, seguido em 1927 por Oswald the Lucky Rabbit. Devido a problemas com os direitos de produção de Oswald, a Disney foi forçada a criar um personagem, o Mickey Mouse. Com o Mickey Mouse, a Disney revolucionou a indústria cinematográfica, inovando ao sincronizar a imagem com o som. As inovações continuaram com a série Silly Symphonies, que foi a primeira produção em cores, devido ao processo Technicolor.

O período termina com o lançamento do primeiro longa-metragem de animação do estúdio, Branca de Neve e os Sete Anões (1937), seguido de outros longas-metragens, uma época conhecida como a "Primeira Idade de Ouro" do estúdio.

História[editar | editar código-fonte]

1922–1923: Criação do Laugh-O-Gram Studio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Laugh-O-Gram Studio
Cena do curta-metragem Alice Comedies.

A história dos estúdios Disney deu-se com a série de curtas-metragens Alice Comedies, que foi produzido pelo primeiro estúdio fundado por Walt Disney em Kansas City em 1922, o Laugh-O-Gram Studio. O estúdio teve um contrato de 11 mil dólares para produzir seis animações baseadas em contos de fadas e histórias infantis.[1] Entre os funcionários do estúdio destacam-se Ub Iwerks, Hugh Harman, Rudolf Ising, Carman Maxwell e Friz Freleng.[2]

Na primavera de 1923, Walt Disney teve a ideia de associar seus interesses em filmes de animação com live-action, com intuito de popularizar o seu estúdio.[3] Antes do verão, Walt e seus animadores produziram o piloto de Alice Comedies, o filme Alice's Wonderland.[2] No entanto, a empresa entrou em falência em julho de 1923.[2]

1923–1927: Introdução da Disney em Hollywood e Oswald the Lucky Rabbit[editar | editar código-fonte]

Edifício na Kingswell Avenue em Los Feliz, Los Angeles, Califórnia, onde a Walt Disney Company foi fundada como Disney Brothers Studios.

Em 1923, Walt Disney e seu irmão Roy Oliver fundaram a Disney Brothers Studios, um estúdio de animação.[4] Walt teve um contrato com a Winkler Pictures, estúdio dirigido por Margaret Winkler e seu futuro marido Charles B.  Mintz. Neste acordo inclui seis produções de curtas-metragens,[5] com adição de mais seis, e um filme a ser lançado em 15 de dezembro de 1923.[6] A empresa conseguiu renovar seu contrato por três vezes e produziu cerca de 50 episódios de Alice Comedies. Em 1925, a equipe dos irmãos Disney mudou-se para os estúdios na Hyperion Avenue, no distrito de Silver Lake, em Los Angeles.[7] Em 1926, o estúdio dos irmãos Disney foi renomeado para Walt Disney Studios.

Acerca de janeiro de 1927, Charles Mintz que produziu os últimos curtas-metragens de Alice Comedies, pediu à Walt Disney, que criassem um coelho como novo personagem do estúdio. No decorrer do mês, Walt enviou-lhe uma série de esboços com diferentes modelos de coelhos.[8] Em 4 de março de 1927, Mintz assinou um contrato com a Universal Pictures para produzir 26 curtas-metragens.[9][10] Oswald the Lucky Rabbit estreou em 1927, e tornou-se um grande sucesso.[11] Confiante, graças ao sucesso da série e com o fim do contrato com Mintz, Walt Disney foi a Nova Iorque em meados de fevereiro em 1928, para se encontrar com o Mintz e pedir-lhe, para renovar seu acordo com os estúdios Disney.[12] A Universal detinha os direitos da série, sendo Winkler uma mera intermediária que tinha encomendado à Disney a sua produção. Maureen Thomas e François Penz afirmam que "Winkler roubou os direitos de Oswald da Disney".[13][14]

1928: Criação do Mickey Mouse[editar | editar código-fonte]

Mickey Mouse em 1928.

Mickey Mouse protagonista da série de desenhos animados homônimo, foi criado em 1928 para tentar substituir o personagem Oswald the Lucky Rabbit, pois, Walt Disney tinha perdido os seus direitos autorais.[15][16] Em fevereiro de 1928, Walt Disney foi a Nova Iorque para negociar com Charles B. Mintz uma quota maior dos lucros de cada filme. Contudo, Walt ficou confuso[17] — Leonard Mosley afirmou que [Walt] ficou: "aborrecido com a falsidade, e de coração partido pela deslealdade"[18] — quando o empresário lhe disse que não só quer cortar os custos de produção, mas também estaria contratando a maioria de seus principais animadores.[19]

Walt Disney deixou Nova Iorque em 13 de março de 1928, e retornou a Los Angeles, após três semanas de negociações.[20] Walt perdeu então a maior parte de sua equipe de animação. Walt, Iwerks e alguns "leais" (incluindo Les Clark) começaram então a trabalhar secretamente num novo personagem para substituir Oswald the Lucky Rabbit, enquanto o resto da equipe continuava a produzir Oswald.

1929–1934: Organização da empresa, inovação e internacionalização[editar | editar código-fonte]

Acerca de 1929, os estúdios Disney tinham então apenas poucos animadores divididos em duas equipes:[21]

Posteriormente, a equipe de produção expandiram-se para garantir a importante produtividade dos estúdios. Havia dezesseis animadores para produzir o curta-metragem The Busy Beavers (1931).[22] Em 1930, Roy Disney assinou um contrato com a companhia George Borgfeldt & Company para fabricar brinquedos dos mais famosos personagens da Disney na época.[23][24] Em 16 de fevereiro de 1931, a Motion Picture Association of America pediu aos estúdios Disney que reduzisse ou removesse os úberes de vaca das animações, considerados superdimensionados e indecentes, inclusive os da personagem Clarabela.[25][26] Walt Disney em 1931, criou uma divisão de roteiristas, então dirigido por Ted Sears, formado por animadores que, como o próprio Walt explicou, "pensam em desenhos, e é com esses projetos que contamos nossas histórias, não com palavras".[27] Está divisão, segundo Walt, era para analisar os personagens de suas animações, tais como sua personalidade.[28] O estúdio também criou em 15 de novembro de 1932, uma escola interna para seus animadores, a Disney Art. School.[29]

O estúdio começou a produzir em 1932, sob o impulso de Walt, os curtas-metragens de Silly Symphonies com o novíssimo processo Technicolor. A primeira animação em cores foi o curta Flowers and Trees, que tinha acabado de ser concluído, mas em preto e branco.[30][31] Frank Thomas e Ollie Johnston explicam que o departamento de efeitos especiais, do estúdio, no início da década de 1930 consistia apenas em dois animadores, Ugo D'Orsi e Cy Young, e por vezes um assistente.[32] Em termos de som, Parade of the Award Nominees (1932) foi o primeiro curta-metragem da Disney a utilizar o sistema RCA Photophone, seguido por Santa's Workshop (1932) e Building a Building (1933).[33]

Em dezembro de 1932, foi lançado em Itália a HQ Topolino, com o personagem Mickey Mouse.[34] Em julho de 1933, a subsidiária Mickey Mouse Ltd. foi fundada em Londres, responsável por administrar as produções da Disney no mercado europeu.[35] Cerca de julho de 1934, foi fundada em Paris a filial Mickey Mouse SA para o mercado francês.[35] A filial italiana Creazioni Walt Disney S.A.I. foi fundada alguns anos mais tarde, em 8 de maio de 1938.[34][35] Com a saída de Burton Gillett em 1934, Ben Sharpsteen foi nomeado produtor de vários longas-metragens dos estúdios Disney.[36] Sharpsteen foi promovido ao cargo de produtor, devido ao seu trabalho em 97 dos 116 curtas-metragens produzidos entre 1929 e 1934 pelo estúdio.[36]

1934–1937: Nascimento de um grande estúdio[editar | editar código-fonte]

Em meados da década de 1930, o estúdio produzia cerca de vinte curtas-metragens por ano sob contrato com a United Artists, o custo médio de produção era cerca de 50 mil dólares com um lucro razoável de 120 mil dólares, arrecadando anualmente 660 mil dólares, somente com filmes.[37] O estúdio também recebeu royalties por licenciamento de produtos derivados e, em 1937, a Disney assinou um contrato ainda mais favorável com a RKO Pictures.[37] Porém, desde 1934, esta grande quantia de dinheiro tem sido investida em muitos projetos, tanto técnicos quanto artísticos.[37]

O contrato com a RKO deu à Disney maior liberdade e o estúdio lançou várias séries de curtas-metragens, incluindo uma dedicada ao Pato Donald em 1937.[38]

Produções[editar | editar código-fonte]

Curtas-metragens de animação[editar | editar código-fonte]

Longas-metragens de animação[editar | editar código-fonte]

Análises[editar | editar código-fonte]

Produções da década de 1920[editar | editar código-fonte]

Para Russel Merritt e J.B. Kaufman, os primeiros filmes da Disney produzidos na década de 1920, antes de Mickey Mouse e as Silly Symphonies têm a peculiaridade de não terem um sentido particular, ou nenhum marco, e são resumidos por uma acumulação de elementos díspares.[46] Os filmes feitos pela Laugh-O-Grams em Kansas City são bastante inovadores, mas tecnicamente muito próximos de Oswald the Lucky Rabbit e Alice Comedies.[46]

Impacto do Mickey Mouse[editar | editar código-fonte]

Pôster do curta-metragem Steamboat Willie (1928).

O curta-metragem Steamboat Willie (no Brasil, O Vapor Willie),[47] lançado originalmente em 18 de novembro de 1928,[48] foi a primeira animação sonora e o aparecimento do Mickey Mouse. Em menos de um ano, Mickey tornou-se uma das figuras mais conhecidas nos Estados Unidos e internacionalmente.[49] Felix the Cat foi então, ofuscado por Mickey.[50]

O premiado diretor Frank Capra na sua autobiografia The Name Above the Title: An Autobiography sobre o curta, afirmou que as imagens e o som estavam soberbamente sincronizados e que era novo e cativante.[51] Neil Sinyard afirma que nos anos 30, foi a década em que os padrões de animação evoluíram consideravelmente à medida que a Disney estabeleceu-se sua preeminência no campo das animações.[51]

Primeiros curtas-metragens em cores[editar | editar código-fonte]

Acerca de 1926, a Disney queria produzir curtas-metragens em cores, mas os processos técnicos da época eram muito caros e não se adaptavam à animação,[52] o mais conhecido era um sistema Technicolor de duas bandas. Cerca de 1930, a Disney começou a produzir curtas-metragens em cores usando o processo Technicolor (em três tiras) no curta Flowers and Trees (1932), que estreou em 15 de julho no TCL Chinese Theatre.[52] Em julho de 1933, a Disney conseguiu assinar um contrato de três anos com a RKO-UA para produzir Silly Symphonies apenas em cores,[53] graças ao acordo exclusivo de cinco anos obtido pela Technicolor para a utilização do seu processo.[52] Em 1934, com o longo do desenvolvimento do filme Branca de Neve e os Sete Anões, a série Silly Symphonies serviu como um banco de testes para melhorar as técnicas de animação em Branca de Neve e dos Sete Anões.[54] Muitos anões e bruxas apareceram nos curtas-metragens do estúdio durante este período, tal como em Babes in the Woods, entre outros.[55][56][57]

Produção de curtas-metragens após 1937[editar | editar código-fonte]

Cena de abertura do filme Flowers and Trees (1932), primeiro curta-metragem em cores.

Para Neil Sinyard, a produção de curtas-metragens na Disney mudou a partir de meados dos anos 30, tornando-se menos fantasiosa, mais didática e idealista como The Flying Mouse (1934) ou The Hare and the Turtle (1935).[58] Sinyard menciona o fato de Walt Disney estava indo para um novo desafio, o dos longas-metragens.[58] Em 1941, o curta-metragem How to Ride a Horse lançou a sub-série How to Ride... estrelada por Pateta.[59] Durante a Segunda Guerra Mundial houve vários tipos edcativos e essencialmente militares. O primeiro filme relacionado a guerra foi Four Methods of Flush Riveting (1942) produzido para a Lockheed Aircraft Corporation para treinar técnicos aprendizes nas fábricas dos fabricantes de aeronaves.[60] No início dos anos 50, a produção de filmes educativos surgiu com History of Aviation, trecho animado de Victory Through Air Power (1952).[61] Ao mesmo tempo, a produção de curtas-metragens diminuiu.[62] Em 1959, com Donald in Mathmagic Land, o objectivo educacional foi intensificado.[63] O filme foi exibido nas escolas estadunidenses para "estimular o interesse do aluno pela matemática".[64] Durante os anos 60, ainda foram produzidos alguns filmes com Pato Donald e Pateta, e até mesmo um filme que quase poderia ser chamado de "propaganda" porque Family Planning (1967), apoiava o planejamento familiar.[65][66][67]

Referências

  1. Thomas 1991, p. 33.
  2. a b c Watts 1998, p. 27.
  3. Merritt et al. 2000, p. 48.
  4. Smith 1996, p. 593.
  5. Watts 1998, p. 28.
  6. Merritt et al. 2000, p. 53.
  7. Andres, Holly J.; Writer, Staff (25 de março de 2008). «Disney Studios helped put sleepy city on map». New York Daily News (em inglês). Consultado em 7 de julho de 2020. Cópia arquivada em 1 de abril de 2008 
  8. Merritt et al. 2000, p. 86.
  9. Barrier 2007, p. 53.
  10. Davis 2007, p. 74.
  11. Watts 1998, p. 29.
  12. Merritt et al. 2000, p. 149.
  13. Thomas et al. 1981, p. 25.
  14. Merritt et al. 2000, p. 99.
  15. Girveau et al. 2006, p. 66.
  16. Grant 1993, p. 25.
  17. Selden 2005, p. 38.
  18. Mosley 1990, p. 99.
  19. Smith et al. 2001, pp. 23–24.
  20. Barrier 2007, p. 56.
  21. Merritt et al. 2000, p. 60.
  22. Merritt et al. 2000, p. 90.
  23. Johnson 2014, p. 28.
  24. Johnson 2014, p. 47.
  25. «Cinema: Regulated Rodent». Time (em inglês). 16 de fevereiro de 1931. ISSN 0040-781X. Consultado em 12 de julho de 2020 
  26. Rothman, Lily (14 de outubro de 2014). «This Disney Censorship Story Is Udderly Ridiculous». Time (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2020 
  27. Girveau et al. 2006, p. 178.
  28. Sinyard 1988, p. 14.
  29. Finch 2011, p. 59.
  30. Finch 1999, p. 28.
  31. Smith et al. 2001, p. 30.
  32. Thomas et al. 1981, p. 253.
  33. Merritt et al. 2006, p. 118.
  34. a b «La magia Disney in Italia» (em italiano). Disney Itália. Consultado em 13 de julho de 2020. Arquivado do original em 10 de fevereiro de 2007 
  35. a b c Johnson 2014, p. 48.
  36. a b Watts 1998, p. 194.
  37. a b c Watts 1998, p. 66.
  38. Press, Ivy (2004). Heritage Vintage Movie Posters Signature Auction #601 (em inglês). Dallas: Heritage Capital Corporation. p. 67. 352 páginas. ISBN 9780965104159 
  39. «Walt Disney's Laugh-O-grams, 1921-1923» (em inglês). San Francisco Silent Film Festival. Consultado em 19 de julho de 2020 
  40. Vivarelli, Nick (14 de outubro de 2016). «Lumière Festival: Walt Disney's 'Alice Comedies' Being Restored, Distributed by France's Malavida». Variety (em inglês). Consultado em 19 de julho de 2020 
  41. «Oswald The Lucky Rabbit Filmography» (em inglês). Project Gutenberg. Consultado em 19 de julho de 2020 
  42. Nordyke, Kimberly (13 de março de 2014). «Disney Goes Old School With New Mickey Mouse Cartoon Shorts». The Hollywood Reporter (em inglês). Consultado em 19 de julho de 2020 
  43. «Live orchestra to animate Disney 'Silly Symphony' short films from the 1930s». Los Angeles Times (em inglês). 2 de junho de 2016. Consultado em 19 de julho de 2020 
  44. «Academy Award Review of Walt Disney Cartoons (1937)» (em inglês). Filmaffinity. Consultado em 19 de julho de 2020 
  45. «Branca de Neve e os Sete Anões». CinePlayers. Consultado em 19 de julho de 2020 
  46. a b Merritt et al. 2000, p. 14.
  47. «O Vapor Willie». CinePlayers. Consultado em 13 de julho de 2020 
  48. Suddath, Claire (18 de novembro de 2008). «A Brief History Of Mickey Mouse». Time (em inglês). ISSN 0040-781X. Consultado em 13 de julho de 2020 
  49. Mosley 1990, p. 151.
  50. Bungener, Nicole (1972). L'univers inconnu. Col: Le Monde enchanté de Walt Disney (em francês). Paris: Le livre de Paris. p. 206. 256 páginas. ASIN B0000DXTIN 
  51. a b Sinyard 1988, p. 13.
  52. a b c Merritt et al. 2006, p. 36.
  53. «Glorious Technicolor 1932-1955» (em inglês). The American WideScreen Museum. Consultado em 15 de julho de 2020 
  54. Finch 1977, pp. 51–55.
  55. Merritt et al. 2006, pp. 118–119.
  56. Thomas et al. 1981, p. 109.
  57. Maltin 1995, p. 30.
  58. a b Sinyard 1988, p. 17.
  59. O'Brien 1995, p. 35.
  60. Smith 1996, p. 217.
  61. Smith 1996, p. 265.
  62. Finch 1999, p. 78.
  63. «Donald no País da Matemágica». CinePlayers. Consultado em 15 de julho de 2020 
  64. Smith 1996, p. 198.
  65. Knox, Geoffrey (12 de maio de 2014). «Birth Control and the Media: Sanger, Disney and Beyond». Conscience Magazine (em inglês). Consultado em 15 de julho de 2020 
  66. Smith 1996, p. 195.
  67. Sinyard 1988, p. 523.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]