Guerra na Somália (2006–2009)

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Guerra na Somália (2006–2009)
Parte da(o) the Guerra Civil Somali e Guerra ao Terrorismo
Political situation in Somalia following the Ethiopian withdrawal.png
Situação da guerra na Somália em 3 de fevereiro de 2009.
Data 20 de Dezembro de 2006 – 30 de Janeiro de 2009
Local Sul da Somalia
Desfecho
Status vitória política da Aliança para a Relibertação da Somália (ARS)
  • Derrubada da UTI do governo em Mogadishu
  • Soldados etíopes e do GTF estabelecem temporariamente controle sobre Mogadíscio e no sul da Somália (2006–2008)
  • Reemergência da insurgência islâmica
  • Islamitas retomam Mogadíscio e boa parte do sul e centro da Somália, incluindo a sede do GTF em Baidoa, que foi tomado por Al-Shabaab (2008-2009)
  • As tropas etíopes retiram-se do país
  • Acordo de partilha do poder assinado entre o GTF e os islamitas da ARS, ARS ganha o controle político do GTF
  • Líder islâmico moderado e presidente da ARS Sharif Ahmed se torna o novo presidente da Somália
  • A guerra civil continua com o conflito entre radicais islâmicos e moderados
  • Aplicação da Sharia pela administração de Sharif Ahmed
Combatentes
Invasão:

União das Cortes Islâmicas
Insurgência:
Aliança para a Relibertação da Somália
al-Shabaab
Brigadas Ras Kamboni
Jabhatul Islamiya
Muaskar Anole
Alegados:
Al-Qaeda e outros estrangeiros mujahideen

 Etiópia

Somália Governo Federal de Transição
Flag of Puntland.svg Puntland
Somália Galmudug
Somália senhores da guerra pró-Etiópia
Somália grupos Sufistas[1]
 Estados Unidos
AMISOM

Principais líderes
Sharif Ahmed

Hassan Aweys[3]
Yusuf Indacade
Fuad Mohamed Qalaf
Adan Ayrow  
Abu Mansur
Hasan Turki
Mohamed Ibrahim Hayle
Mukhtar Abu Ali Aisha Ali Saleh Nabhan
Abu Taha al-Sudan  

Etiópia Meles Zenawi

Etiópia Gabre Heard
Etiópia Siraj Fergessa
Etiópia Kuma Demeksa
Etiópia Samora Yunis
Etiópia Bacha Debele
Somália Abdullahi Yusuf Ahmed (em exílio)
Somália Mohamed Omar Habeb (feito prisioneiro de guerra, encarcerado pela Coalizão ARS)
Somália Abdi Hasan Awale
Somália Abdirisak Afgadud Flag of Puntland.svg Mohamud Muse Hersi
Naval Jack of the United States.svg Patrick M. Walsh
Reino Unido Bruce Williams

Forças
8,000 militantes ICU

forças alegadas:[4]
3,000, 4,000 ou 8,000 militantes estrangeiros[5]

Somalia: 10,000 soldados[6]
Etiópia:10,000 soldados[7]
AMISOM: 5,250 soldados
Vítimas
6,000-8,000 mortos[8] [9]
7,000 feridos(reivindicação da Etiópia)[10] [11]
Etiópia:
2,773 mortos (375 mortos em ação)[12]
Somalia (TFG):
891+ mortos
15,000 desertores[13]
Uganda:
7 mortos
Quênia:
6 mortos
Burundi:
2 mortos
Total:3,679+ mortos

Guerra na Somália ou intervenção etíope na Somália[nota 1] foi um conflito armado envolvendo forças da Etiópia e do Governo Federal de Transição somaliano (GFT) e as tropas somalis de Puntlândia contra a "organização guarda-chuva" islamista somaliana, a União das Cortes Islâmicas (UCI), aliada a outras milícias, disputando o controle do país. A guerra começou oficialmente pouco depois de 20 de julho de 2006, quando as tropas etíopes, apoiadas pelos Estados Unidos, invadiram a Somália para apoiar o Governo Federal de Transição na cidade de Baidoa.[19] [20] Subsequentemente o líder da UCI, o xeique Hassan Dahir Aweys, declarou: "A Somália está em estado de guerra, e todos os somalianos devem participar desta resistência contra a Etiópia."[21] No dia 24 de dezembro daquele ano a Etiópia declarou que passaria a combater ativamente a UCI.[22]

Segundo o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, o país teria entrado no conflito por sofrer uma ameaça direta às suas fronteiras. "As forças de defesa etíopes foram obrigadas a entrar em guerra para proteger a soberania da nação", disse. "Não estamos tentando instalar um governo para a Somália, nem temos a intenção de interferir com os assuntos internos da Somália. Apenas fomos forçados pelas circunstâncias."[23]

A UCI, que controlava as áreas litorâneas do sul da Somália, entrou em combate com as forças do GFT da Somália e dos governos autônomos regionais da Puntlândia e de Galmudug, todos apoiados por tropas etíopes. O início das batalhas mais intensas ocorreu em 20 de dezembro com a Batalha de Baidoa, ocorrida após o decorrer de um prazo de uma semana imposto pela UCI para que a Etiópia se retirasse da Somália.[24] A Etiópia, no entanto, se recusou a abandonar suas posições em torno da capital provisória do GFT, em Baidoa. Em 29 de dezembro, depois de diversas batalhas bem-sucedidas, as tropas governamentais e etíopes entraram na capital do país, Mogadíscio, com relativa facilidade. As Nações Unidas declararam que diversos países árabes, como a Líbia e o Egito, também estavam apoiando a UCI, através da Eritreia. Embora o fato só tenha sido divulgado posteriormente, um pequeno grupo de forças especiais norte-americanas acompanhou as tropas governamentais e da Etiópia depois do colapso e da retirada da UCI, para dar auxílio militar e localizar militantes da Al-Qaida.[25]

Em janeiro de de 2007, a Etiópia afirmou que retiraria-se "dentro de algumas semanas" [26] , porém o GFT, os Estados Unidos e oficiais da ONU se opuseram à retirada etíope porque isso criaria um "vácuo de segurança", enquanto a UCI exigiu a retirada etíope imediata.

Os países da África Oriental e observadores internacionais temiam a ofensiva etíope pode levar a uma guerra regional, envolvendo a Eritreia, que tem uma relação complexa com a Etiópia e o qual a Etiópia afirma ser um apoiante da UCI. [27]

Em janeiro de de 2009, as tropas etíopes se retiraram da Somália na sequência de uma insurgência de dois anos, o que levou à perda de território e eficiência do GFT e um acordo de partilha do poder entre o grupo dissidente islamita liderado por Sharif Ahmed, Aliança para a Relibertação da Somália (ARS) e o primeiro-ministro do GFT Nur Hassan em Djibouti. O al Shabaab, que se separou da UCI, rejeitou o acordo de paz e continuou a tomar territórios, incluindo Baidoa. Outro grupo islâmico, Ahlu Sunnah Waljama'ah, que é aliado ao governo de transição e apoiado pela Etiópia, continuou a atacar al Shabab e tomar cidades também. [28] [29]

Após o Parlamento assumir 200 autoridades da oposição islamita moderada, Sheikh Ahmed foi eleito presidente do GFT em 31 de janeiro de 2009. [30] Desde então, os radicais islâmicos do al Shabab acusam o novo presidente do GFT de aceitar o governo de transição secular e continuam a guerra civil desde que ele chegou ao palácio presidencial em Mogadíscio. [31]

Notas

  1. Considera-se que esta guerra é parte da Guerra Civil da Somália, mas também se faz referência a esta guerra como "intervenção da Etiópia na Somália" [17] [18]

Referências

  1. "Somalia signs deal with militia - Africa". Al Jazeera English. 2010-03-16. Consultado em 2011-07-09. 
  2. "Malawi to send peacekeepers to Somalia | ReliefWeb". Reliefweb.int. 2006-01-22. Consultado em 2011-07-09. 
  3. allAfrica.com: Somalia: Islamist Groups Merge to Fight Sheikh Sharif (Page 1 of 1)
  4. "Fighting erupts in northern Somalia as peace talks falter, says Islamic official" International Herald Tribune, Associated Press [S.l.] 2006-11-06. Consultado em 2007-01-05. 
  5. "Somali prime minister says government is surrounded" [S.l.: s.n.] Associated Press. 2006-11-06. Consultado em 2007-01-05. 
  6. "Somalia 'needs peace force soon'". BBC News [S.l.: s.n.] 2007-01-05. Consultado em 2010-05-27. 
  7. Ignatius, David (2007-05-13). "Ethiopia's Iraq". The Washington Post [S.l.: s.n.] Consultado em 2010-05-27. 
  8. "Ethiopian army accomplished 75% of mission in Somalia - Zenawi". SudanTribune article. Consultado em 2011-07-09. 
  9. Ignatius, David (2007-05-13). "Ethiopia's Iraq" Washington Post [S.l.] Consultado em 2007-05-16. 
  10. "Ethiopian army accomplished 75% of mission in Somalia - Zenawi" Sudan Tribune [S.l.] 2006-12-29. Consultado em 2007-01-05. 
  11. "Ethiopian PM says Somalia's Islamists have suffered thousands of casualties" International Herald Tribune, Associated Press [S.l.] 2006-12-26. Consultado em 2007-01-05. 
  12. GEESKA AFRIKA MAGAZINE AND HAN- geeskaafrika.com[ligação inativa]
  13. "'Thousands' desert Somalia forces". BBC News [S.l.: s.n.] 2008-12-12. Consultado em 2010-05-27. 
  14. "Sharif back in Mogadishu as death toll hits 16,210". Reuters [S.l.: s.n.] 2008-12-11. 
  15. "ReliefWeb ť Document ť Nearly 9,500 Somalis die in insurgency-group". Reliefweb.int. 2008-09-16. Consultado em 2011-07-09. 
  16. "Home". Garowe Online. 2009-03-10. Consultado em 2011-07-09. 
  17. "União Africana apóia intervenção etíope na Somália". BBC. 
  18. Forças da Etiópia aliadas do Governo somali chegam perto de Mogadíscio - Público
  19. "Somalian Islamists Demand Ethiopian Troops Withdraw", 20 de julho de 2006, Dow Jones International News.
  20. Tropas etíopes entran en Somalia ante el avance de los islamistas, El País, 21 de julho de 2006
  21. Apunyu, Bonny (22 de dezembro de 2006). "Carnage as Somalia 'in state of war'" CNN [S.l.] 
  22. "Ethiopian prime minister says his country is at war with Islamists in Somalia" International Herald Tribune, Associated Press [S.l.] 24 de dezembro de 2006. 
  23. "Ethiopia launches open war in Somalia" New York Times [S.l.] 26 de dezembro de 2006. Consultado em 17-1-2007. 
  24. Abdinur, Mustafa Haji (23 de dezembro de 2006). "Somali Islamists give Ethiopia one-week deadline to withdraw troops" Agence France Presse [S.l.] Consultado em 5-1-2007. 
  25. "Al-Qaida suspects still alive in Somalia" AP [S.l.] 11 de janeiro de 2007. 
  26. Rice, Xan (2007-01-03). "Ethiopian troops to leave Somalia 'within weeks'". The Guardian (London [s.n.]). 
  27. International Crisis Group (2006-11-27). Somalia Conflict Risk Alert. Press release.
  28. "Moderate Islamists seize town from Somali insurgents". Monstersandcritics.com. 2009-01-29. 
  29. "Moderate Islamic group claims victory over rival hardline group". Mareeg.com. 
  30. "Moderate Islamist picked as Somali president" Edition.cnn.com [S.l.] 2009-01-31. 
  31. Sheikh, Abdi (2009-02-07). "Rebels target new president" In.reuters.com [S.l.] 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]