Centro Histórico de Porto Alegre

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Centro
—  Bairro  —
Centro histórico de Porto Alegre mapa.JPG
Cidade Porto Alegre
Área
 - Total 228 hectares
População
 - Total 36,862 hab (2 000)
16,076 homens
20,786 mulheres
 - Densidade 162 hab/ha/km2 
Taxa de crescimento (-) 1,70% (de 1991 a 2000)
Domicílios 17.254
Rendimento médio mensal 12,61 salários mínimos
A antiga Matriz e o Palácio do Governador, os dois primeiros edifícios importantes da cidade, erguidos a partir da década de 1770. Aquarela de Herrmann Wendroth, c. 1851
Mapa de Porto Alegre em 1840, definindo a parte mais antiga do Centro Histórico, e vendo-se à esquerda a linha de fortificações erguidas para defesa durante a Revolução Farroupilha
Paço Municipal de Porto Alegre em 1920

O Centro Histórico é um bairro da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Foi criado pela lei 2022 de 7 de dezembro de 1959 com o nome de Centro e alterado pela lei 4685 de 21 de dezembro de 1979. Em 22 de janeiro de 2008 sua denominação atual foi fixada pela lei nº 10.364.[1]

Seus limites são: Avenida Loureiro da Silva; Avenida João Goular até seu encontro com a Avenida Mauá; desta, até a sua convergência com a Avenida Presidente Castelo Branco; desta, até seu encontro com o Largo Vespasiano Júlio Veppo; deste, até o Complexo Viário Conceição (túnel, elevadas, acessos e Rua da Conceição), em seu prolongamento até a Rua Sarmento Leite; desta, até a Rua Engenheiro Luiz Englert; desta, até seu encontro com a Avenida Perimetral; e, desta, até a confluência da Avenida Loureiro da Silva.[1]

Índice

[editar] Origens e evolução

As origens do Centro Histórico se confundem com a própria história de formação de Porto Alegre, e durante muito tempo esse único bairro correspondeu ao limite de toda a cidade.[2] Seu povoamento iniciou quando em torno de 1732 fixaram-se algumas famílias à beira do lago Guaíba, na ponta da península que define o Centro e junto à desembocadura do arroio Dilúvio, onde havia um atracadouro que foi chamado de Porto do Viamão, ou Porto do Dornelles, uma corruptela de "Ornellas", em referência ao sesmeiro Jerônimo de Ornellas, que havia recebido terras na área do Morro Santana. Na península, onde hoje é a Rua da Praia, os colonos ergueram uma diminuta capela consagrada a São Francisco das Chagas, elevada a curato em 1747, e em torno desta capela começou a se organizar efetivamente a primeira urbanização da futura Porto Alegre.[3]

Em 1750 o governador de Santa Catarina, Manoel Escudeiro de Souza, recebeu ordens de enviar ao Porto do Viamão parte dos casais que estavam para chegar dos Açores para colonizar o sul do país. Em 1751 foram selecionadas 60 famílias, perfazendo um total de cerca de 300 pessoas, que chegaram ao local em janeiro de 1752, sendo encaminhadas a terras já demarcadas no Morro Santana. Mas o local era pobre em fontes de água e foi abandonado, tendo a população se fixado junto do porto, que por esta razão passou a ser conhecido como Porto dos Casais. Em 1752 chegou nova leva de açorianos, que se juntaram a cerca de 60 milicianos do destacamento do Coronel Cristóvão Pereira de Abreu. Junto com a tropa veio o primeiro religioso, um capelão militar Carmelita, Frei Faustino Antônio de Santo Alberto. Ainda em 1752 a área da península foi desapropriada e disponibilizada legalmente para os colonos já assentados, mas a partilha e entrega efetiva dos lotes rurais individuais só aconteceria em 1772. O primeiro logradouro construído foi o cemitério, na beira do Guaíba e nas proximidades da Praça da Harmonia que, em seguida, foi transferido para o Morro da Praia, atual Praça da Matriz.[3]

Continuou recebendo outros colonos, mas ainda era apenas um pobre povoado composto principalmente de casas de barro cobertas de palha, que foi elevado a freguesia em 26 de março de 1772, data oficial de fundação da atual capital gaúcha, sob o nome de Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. Na ocasião foi delimitada uma área de 141 ha para a consolidação do centro urbano, ocupando toda a península. Seu destino mudaria radicalmente quando, no ano seguinte, foi transformada em capital da Capitania pelo governador Marcelino de Figueiredo, substituindo Viamão. Ao mesmo tempo seu orago passou de São Francisco das Chagas para a Nossa Senhora Madre de Deus, denominando-se então Freguesia da Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre.[3]

A partir daí a pequena urbe começou a ser reorganizada para cumprir seu novo papel. Em 1774 foram construídos o Arsenal de Guerra, a primeira Igreja Matriz e o Palácio do Governador, e quatro anos depois foram levantadas fortificações no perímetro oposto ao lago. Nas duas décadas seguintes já havia diversas olarias em atividade, indicando uma crescente atividade edilícia, estaleiros já construíam navios sob encomenda para o Rio de Janeiro, o comércio em geral se estruturava, e os vereadores se preocupavam com o embelezamento e limpeza das ruas e logradouros. Também começavam a tomar forma alguma das praças mais antigas de Porto Alegre, como a Praça XV, a Praça da Matriz e a Praça da Alfândega.[3]

Durante a Revolução Farroupilha o Centro foi cercado de fortificações, mas a despeito do aumento populacional a malha urbana só voltaria a crescer em 1845, com o fim da Revolução e a derrubada das linhas de defesa. A importância do porto da cidade para a circulação de gentes e bens pela Província toda crescia de acordo, o que iria iniciar um processo de ampliação da cidade à custa do lago, com a construção de sucessivas benfeitorias e aterros no litoral. No Centro se realizavam melhorias em diversos equipamentos públicos, construindo-se fontes para abastecimento de água, modernizando-se a iluminação pública, estendendo-se ruas, criando novos cemitérios, uma nova cadeia, asilos e uma nova Câmara, uma grande casa de ópera (o Theatro São Pedro), ampliando o Mercado Público e estruturando o atendimento médico com a consolidação da Santa Casa de Misericórdia e da Beneficência Portuguesa. Na década de 1880 começava a se fazer notar a tendência da conurbação do Centro com os arrabaldes mais próximos.[3]

Pouco depois, numa nova ordem política orientada pelo Positivismo e amparada por um surto de crescimento industrial e populacional, foi dada ênfase à modernização da cidade, que passou a ser vista como o cartão de visitas do Rio Grande do Sul. De acordo com esta visão, o Centro recebeu muitas melhorias em infraestrutura, ao mesmo tempo que se desencadeava um intenso programa de obras para construção de prédios públicos imponentes.[4][5]

Esta aceleração, durando até meados da década de 1930, foi conhecida como a fase áurea da arquitetura portoalegrense, renovando a paisagem urbana segundo a estética do ecletismo, a qual, por influência da prestigiada comunidade alemã, foi rapidamente imitada pelas elites para a construção de seus novos palacetes. Foi quando se ergueram alguns dos mais significativos e luxuosos prédios públicos da capital, alguns carregados de simbolismos éticos, sociais e políticos, que se revelavam mais conspicuamente na decoração alegórica das fachadas. São exemplos bem ilustrativos dessa tendência o Palácio Piratini, o Paço Municipal, a Biblioteca Pública, o Banco da Província, os Correios e Telégrafos e a Delegacia Fiscal, boa parte deles construídos pela parceria entre o arquiteto Theodor Wiederspahn, o engenheiro Rudolf Ahrons e o decorador João Vicente Friedrichs, todos de origem alemã.[6][3] Essa evolução urbanística acompanhava o surgimento de uma nova cultura burguesa, estimulada pelo afluxo de novos migrantes e imigrantes, agora incluindo judeus, espanhóis, ingleses, franceses, platinos e outros; pela introdução de novas tecnologias na área dos transportes e engenharia, e pela consolidação de uma elite capitalista, o que tornou a sociabilidade e os espaços urbanos mais complexos, exclusivos e diversificados.[7]

Construção do Viaduto Otávio Rocha e abertura da avenida Borges de Medeiros, década de 1920-1930
A notável sede antiga da Caixa Econômica Federal em Porto Alegre, demolida nos anos 70 para dar lugar a um arranha-céu modernista

Otávio Rocha empenhou-se ainda mais para a reforma da cidade, desejando transformá-la em uma "nova Paris". O projeto urbano já passava a ser consideravelmente determinado pelo rápido aumento no número de veículos circulantes. Desta forma, seu programa enfatizava o aspecto de circulação, sendo prevista a construção de avenidas largas, bulevares e rótulas e, para isso, especialmente na área central, foram derrubados dezenas de antigos casarões e cortiços decadentes, que simbolizavam pobreza e atraso, ao mesmo tempo em que se incrementava diversos outros equipamentos e serviços públicos.[8][9] Também foi iniciada uma campanha de "saneamento moral" do centro, com o combate à prostituição, à mendicância, ao jogo e ao alcoolismo.[10]

Os ideais positivistas também influenciaram o plano cultural. Como consequência disso, foram fundados muitos estabelecimentos que mostravam o interesse do governo pelas diversas áreas da vida social e intelectual do Estado republicano, como o o Arquivo Público do Estado,[11] o Instituto Livre de Belas Artes,[12] e o Museu Júlio de Castilhos,[13] ao mesmo tempo em que começava a dar frutos a atividade das primeiras faculdades, instaladas no ocaso do século XIX: Farmácia e Química em 1895, Engenharia em 1896, Medicina em 1898 e Direito em 1900,[3] criando com isso uma nova categorai social: a dos estudantes acadêmicos, com hábitos e até mesmo uma gíria peculiares.[14]

A década de 1950 foi o auge do Centro de Porto Alegre; já era densamente edificado e tinha a Rua da Praia como a principal passarela da elite, transformada de ponto dos atacadistas em zona do comércio elegante, atraindo também a instalação de inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes. Se tornou além disso o local preferido para a reunião popular em eventos cívicos e manifestações políticas, algumas vezes testemunhando cenas de violência coletiva.[15] Na verdade, nesta época somente se consagrou definitivamente o papel que a Rua da Praia já vinha desempenhando na cultura urbana desde muito antes, o de coluna vertebral e principal artéria de circulação de bens e ideias da cidade, centro aglutinador e irradiador de tendências e cultura, e emblema de identidade para os portoalegrenses. Passara até ela mesma a se tornar um tema ou cenário recorrente na produção cultural da cidade.[16]

Thompson Flores, assumindo a Prefeitura em 1969, fez um governo caracterizado por grandes obras, em especial na área dos transportes, favorecido pelo surto econômico do Milagre Brasileiro. Construiu grandes viadutos, mas a abordagem tecnicista dos projetos como regra desconsiderou a vontade popular na priorização dos investimentos e aspectos elementares de paisagismo urbano, e nesse afã progressista desapareceram inúmeros edifícios antigos, alguns de grande significado histórico e arquitetônico. A fisionomia do Centro empobreceu, pois a qualidade geral das novas edificações decaiu e, salvo rara exceção, não pôde ocupar o lugar icônico de tantas edificações históricas valiosas que haviam sido destruídas.[17][18]

[editar] Declínio e revitalização

Comércio informal no Centro, antes da construção do camelódromo.

A decadência do Centro Histórico iniciou quando se deu permissão nos anos 1960 para que ali atuassem camelôs cegos. Entretanto, logo não somente os cegos se instalaram, mas uma multidão de outros comerciantes informais. A situação se tornou caótica quando o prefeito Alceu Collares expediu alvarás reconhecendo a atividade, acrescentando-se ao número autorizado uma enorme quantidade de ativos ilegais. À medida que os camelôs tomavam conta de todas as ruas centrais, o comércio tradicional se retraía, e muitas lojas tradicionais, como a Bromberg, Marinha Magazine e Guaspari encerraram suas atividades. Vários outros estabelecimentos que deram glamour ao Centro em anos anteriores também fecharam suas portas, incluindo vários cinemas, confeitarias, cafés e restaurantes.[19][20]

Ainda nos anos 80 vários outros fatores entraram em jogo para desvitalizar o Centro: o declínio do seu antigo distrito industrial; a formulação de um novo padrão de zoneamento urbano, perdendo muito de sua função residencial; as escassas condições de corresponder à crescente demanda habitacional; a especulação imobiliária; o aumento da criminalidade; a descentralização de investimentos e a construção de diversos grandes centros comerciais nos bairros, e o deslocamento de diversos órgãos administrativos estaduais e municipais para outros locais. Ao mesmo tempo a área central começou a se despovoar de residentes e do comércio de luxo, tornando inexorável sua degradação.[21][20] Segundo Brawers et alii,

"Enquanto a população de Porto Alegre crescia 26% no ultimo quarto do século XX, o Centro perdia um terço de seus habitantes. Quinze mil pessoas debandaram, reduzindo a população da área de 49 mil em 1980 para 34 mil hoje (2006). O bairro apresentou taxa de crescimento negativa de 1,70% ao ano no período de 1991 a 2000. Segundo a Secretaria do Planejamento Municipal, um de cada 10 imóveis do bairro está desocupado.... O Centro é hoje, entre os 78 bairros de Porto Alegre, aquele com maior número de imóveis usados à venda, 8% do total da cidade".[22]

Paralelamente, enquanto as instâncias administrativas procuravam reorganizar o tecido urbano em bases mais objetivas, com a criação em 1981 da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural iniciou-se um processo de estudo e resgate dos bens culturais de propriedade do Município de especial interesse histórico, social e arquitetônico, sistematizando os tombamentos, que haviam iniciado poucos anos antes, em 1979. Também se reconheceu finalmente a existência do "Centro Histórico" como um núcleo urbano de interesse social e cultural específico, propondo-se medidas de conservação e desenvolvimento sustentável.[23][24] Essa iniciativa teve um marco importante na recuperação da Usina do Gasômetro, transformada em centro cultural em 1991, desencadeando uma mudança na maneira como a população via o Centro Histórico.[25] Entretanto, os problemas não foram resolvidos de pronto. Escrevendo em 2006, o jornalista Luiz Carlos Vaz ainda lamentava o estado de abandono em que a região caíra:

"Pensava-se que a humanização se faria presente quando foram implantados os calçadões. A idéia era que, restringindo-se a circulação de carros, as pessoas poderiam se movimentar com mais facilidade e que, até mesmo, os comerciantes experimentariam dias melhores. Mas esses foram se retraindo à medida que se desvirtuavam as intenções do poder público. Ambulantes, desocupados e a bandidagem tomaram as ruas principais, afugentando, por óbvio, qualquer empreendimento, especialmente no ramo de alimentação e lazer. Há anos que as administrações prometem intervir no Centro, mas tudo segue piorando. Os calçadões estão virados em colchas de retalhos, conseqüência de sucessivas obras subterrâneas. Sujeira se acumula em calçadas encardidas e, por vezes, repugnantes, em que pese o trabalho do DMLU. Igualmente vergonhosa é a situação das avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho e da Praça XV, cujo entorno é outro caos permanente". [25]
Obras de revitalização da Praça da Alfândega e Avenida Sepúlveda, 2010

Em 2009, na tentativa de pacificar a questão dos camelôs, a prefeitura inaugurou um grande camelódromo com espaços alugados aos comerciantes. O projeto, porém, de 19 mil m², chamado Centro Popular de Compras, se revelou polêmico, recebendo críticas e elogios.[26] Por outro lado, o desafogo de comerciantes do coração do Centro Histórico propiciou a reorganização da tradicional Praça XV, incluindo o restauro e ampliação do seu famoso Chalé.[27][28] Outros programas foram implementados pela Prefeitura a fim de revitalizar o Centro Histórico. O Programa de Arrendamento Residencial (PAR), integrante do Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais conduzido pelo Ministério das Cidades, e em parceria com o Departamento Municipal de Habitação e a Caixa Econômica Federal, busca diminuir o déficit habitacional através da compra de imóveis prontos, ociosos ou em construção, incentivando a ocupação residencial do Centro. Outro é o Programa Monumenta, coordenado pelo Ministério da Cultura em parceria com o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural, que identificou grande número de edificações e espaços de interesse histórico e cultural no bairro e tem feito grandes investimentos para sua recuperação.[20] Também está sendo desenvolvido o Projeto Viva o Centro, um plano de governança solidária da área central da cidade buscando tornar o Centro um bairro de oportunidades para todos, organizando-se em três diretrizes básicas: qualificação do espaço urbano, valorização da imagem pública do Centro e fortalecimento de sua dinâmica funcional. [29][30]

Os resultados parecem animadores: segundo dados da Prefeitura, a tendência recente da população é aumentar: entre 2000 e 2010 passou-se de 36.862 para 39.154 moradores, habitando 17.254 domicílios.[1] Uma pesquisa de opinião indicou em 2006 que embora a população ainda tivesse certas ressalvas a respeito da segurança, higiene e outras questões, o tema do Centro Histórico despertava grande engajamento nos entrevistados em respostas entusiasmadas e cheias de variados comentários espontâneos, principalmente sobre a rica história do local.[31][32] Em fevereiro de 2011 o jornal Zero Hora publicou uma matéria sobre a volta do Centro como um local atraente para residir e empreender. Conforme a notícia, isso se deve, sobretudo, aos grandes investimentos em restaurações de prédios e ao maior controle do comércio informal. Para os novos moradores, muitos deles designers, arquitetos, publicitários e artistas interessados em apartamentos que lembram o glamour dos anos 40 e 50, o Centro voltou a ficar elegante como no passado.[33]

[editar] Marcos

  • Praça da Matriz, cujo nome oficial é Praça Marechal Deodoro, foi um dos primeiros logradouros públicos a serem estabelecidos em Porto Alegre e logo se tornou o principal centro político, religioso e cultural da cidade. A praça e seu entorno são patrimônio nacional. Possui um enorme Monumento a Júlio de Castilhos com várias esculturas em bronze e em seu entorno existem importantes edifícios, destacando-se:
  • Palácio Piratini, sede do governo estadual, um suntuoso palácio em estilo eclético, desde 1986 tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e desde 2000 tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
  • Catedral Metropolitana de Porto Alegre, construção neoclássica erguida a partir de 1921, continuando em obras até 1986. Impressiona pela sua monumentalidade e atrai o olhar pela originalidade de soluções plásticas na fachada. Foi tombada pelo município junto com o prédio da Cúria Metropolitana.
  • Palácio do Ministério Público, sede de um museu e centro cultural, é um dos mais antigos edifícios públicos de Porto Alegre, sendo tombado pelo IPHAE.
  • Solar Palmeiro, exemplo típico das edificações da elite abastada do início do século XX, com rica ornamentação de fachada e um aspecto elegante.
  • Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa, é um prédio modernista erguido nos anos 50, sendo um dos melhores exemplos deste estilo na cidade.
  • Theatro São Pedro, construção neoclássica inaugurada em 1858, foi considerado por todos os viajantes do século XIX como digno de qualquer capital europeia. Depois de brilhante carreira até meados do século XX, recebendo companhias de ópera e teatro e músicos de renome internacional, caiu em abandono e esteve prestes a ser demolido nos anos 70 em vista de seu péssimo estado de conservação. Restaurado, hoje é um dos teatros mais celebrados do Brasil.
  • Praça da Alfândega, datada de fins do século XVIII, surgindo no local onde era o antigo porto fluvial da cidade. A praça é uma das mais tradicionais da cidade, e possui diversos monumentos e esculturas em seus recantos. Tombada pelo IPHAE junto com o seu entorno e incluída no Programa Monumenta, atualmente está sendo reformada para readquirir as características que possuía no início do século XX. Em seu entorno se agrupam diversos prédios históricos importantes, destacando-se:
  • Cúria Metropolitana de Porto Alegre (Rua do Espírito Santo 95), sede administrativa da Arquidiocese de Porto Alegre, é um grande palacete neoclássico construído entre 1865 e 1888. Tombada pela Prefeitura, no dizer de Athos Damasceno, é o mais importante monumento da cidade.
  • Cais do Porto (Avenida Mauá, n.º 1050), administrado pela Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), distribui-se entre os cais Mauá, Navegantes e Marcílio Dias. Além de receber e embarcar insumos e produtos de diversos segmentos, destaca-se como ponto turístico por sua beleza.
  • Santa Casa de Misericórdia (Rua Prof. Annes Dias, n.° 295), um grande complexo de hospitais de referência na América Latina, cuja história está intimamente ligada à história da cidade. Em 2003, ela comemorou sua presença de dois séculos na assistência à saúde e na pesquisa e no ensino da Medicina no Estado. Está ligada, desde 1961, à prestigiada UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). Anexa à Santa Casa está sua Capela Nosso Senhor dos Passos.
  • Biblioteca Pública do Estado (Rua Riachuelo, n.° 1190), criada em 1871, abriga um vasto acervo bibliográfico, com uma significativa seção de obras raras. Em 2000 seu prédio, de arquitetura influenciada pelo Positivismo, foi tombado pelo IPHAN.
  • Paço Municipal (Praça Montevidéu, n.° 10), chamado também de Paço dos Açorianos ou Prefeitura Velha, foi um dos primeiros edifícios locais a apresentar uma decoração de fachada com influência positivista. Tem à sua frente a Fonte Talavera de La Reina, executada na Espanha para a comemoração do centenário da Revolução Farroupilha. Foi tombado pelo município.
  • Igreja Nossa Senhora das Dores (Rua Riachuelo, n.° 630), construída inicialmente em estilo barroco colonial, teve sua pedra fundamental lançada em 2 de fevereiro de 1807. Sua construção foi morosa e teve o projeto modificado. Foi terminada somente em 1904, quando se finalizou a fachada, já em estilo eclético. A Igreja é a mais antiga da cidade ainda em existência. Na década de 2000, passou por duas grandes reformas, uma interior e outra exterior. É tombada como munumento nacional pelo IPHAN desde 1938.
  • Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, n.° 1223), mantido pela CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica), este centro cultural é dedicado à memória do escritor Erico Verissimo, autor de O Tempo e o Vento, e ao Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul. Funciona no antigo prédio "Força e Luz", de 1929.
  • Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, nº 1031), criado em 8 de março de 1906 e funcionando em um prédio tombado pelo IPHAE, o Arquivo Público mantém o maior acervo documental do estado, com cerca de 18 milhões de itens, e é de importância fundamental para o resgate e divulgação da história gaúcha, atendendo a pedidos de consulta de qualquer cidadão, de pesquisadores e de outros órgãos do governo.
  • Solar dos Câmara (Rua Duque de Caxias, nº 968), construído entre 1818 e 1824 como residência de José Feliciano Fernandes Pinheiro, mais tarde nobilitado como Visconde de São Leopoldo. Foi residência também do Visconde de Pelotas e de seu neto Armando Pereira da Câmara. É o mais antigo prédio residencial da cidade, com espaços requintados em seu interior, tendo sido tombado pelo IPHAN em 1963. Hoje funciona como um centro cultural sob a administração da Assembléia Legislativa.
  • Casa da Junta (Rua Duque de Caxias, nº 1029), erguida em 1790, é o mais antigo remanescente edificado da época da fundação da cidade. Ali funcionou a Junta de Administração e Arrecadação da Fazenda, que emprestou o nome ao prédio, e entre 1835 e 1967 a Assembléia Legislativa ali manteve sua sede. Em 1981 foi tombada pelo IPHAE.
  • Catedral da Santíssima Trindade (Rua dos Andradas, nº 880), concluída em 1903, desde 1949 é a sede da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. De estilo neogótico de influência inglesa, possui importante coro de madeira entalhada em sua capela-mor. Foi tombada pelo Patrimônio Histórico do Município em 1981.
  • Confeitaria Rocco (Praça Conde de Porto Alegre), erguida entre 1910 e 1912, pela suntuosidade de seus espaços e excelente atendimento logo se tornou um dos pontos de encontro prediletos da elite portoalegrense. Tem uma fachada eclética muito ornamental onde se destacam grandes atlantes. Foi tombada pela Prefeitura em 1997.
  • Galeria Chaves (Rua dos Andradas), tradicional galeria comercial de Porto Alegre, seu projeto é do importante arquiteto e escultor Fernando Corona, que também foi professor de uma geração de escultores gaúchos. Nilo de Lucca colaborou no planejamento, e as obras estiveram a cargo da empresa Azevedo, Moura & Gertum, datando de 1936. Seu estilo remete aos palácios renascentistas, e foi tombada pelo Município em 1986.
  • Viaduto Otávio Rocha (Cruzamento da rua Duque de Caxias sobre a avenida Borges de Medeiros), com projeto de Manoel Barbosa Assumpção Itaqui e Duilio Bernardi, foi entregue à população em 1932. O viaduto é uma imponente estrutura de concreto armado, com três vãos. No centro, ao nível da avenida, existem dois pórticos transversais com dois grandes nichos, onde há grupos escultóricos criados por Alfred Adloff. Desde sua construção o Viaduto é um importante ponto de referência de Porto Alegre. Suas características arquitetônicas, bem como sua relevância sociocultural, levaram o município a tombá-lo em 1988.
  • Chalé da Praça XV, um dos mais tradicionais bares e restaurantes de Porto Alegre, localiza-se em frente ao Mercado Público, na Praça XV de Novembro. Inaugurado em 1885, como um quiosque para venda de sorvetes, foi reformado em 1909 e 1911, e novamente em 1971, após um incêndio. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, mantendo contudo sua função de restaurante. Constitui até os dias de hoje uma área de encontros e lazer bastante frequentada, graças principalmente à sua localização, às árvores a seu redor, à sua culinária saborosa e à música ao vivo. Conta ainda com um cyber café no seu interior.
  • Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230), com um acervo constituído por máquinas, instrumentos de trabalho, fotografias, documentos e outros materiais que retratam a evolução das atividades produtivas no Rio Grande do Sul e seus reflexos na sociedade gaúcha.
  • Prédios históricos da UFRGS, localizados no campus central da UFRGS, que se divide entre os bairros Centro e Farroupilha, conta com um importantíssimo grupo de edificações, algumas de dimensões palacianas. O conjunto é tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul desde 15 de setembro de 2000, e alguns prédios também fazem parte do patrimônio histórico nacional.
  • Solar do Conde de Porto Alegre (Rua Gen. Canabarro, 363), um bom exemplo de edificação aristocrática de meados do século XIX, embora reformada no início do século XX, é importante por ter sido a residência do Conde de Porto Alegre, ilustre personagem da história riograndense, sendo tombado pelo município em 1998.
  • Esquina Democrática, formada pelo cruzamento da Avenida Borges de Medeiros com a Rua da Praia, desde o século XIX desempenha uma função social importante na vida da cidade, sendo palco de várias manifestações políticas e culturais notáveis. O espaço se firmou no imaginário popular como uma entidade distinta a partir dos anos 70, e nos anos 80 recebeu seu nome atual. Por sua importância histórica e social a Esquina foi tombada pelo municipio em 17 de setembro de 1997.
  • Edifício Ely (Rua Conceição nº 283), foi projetado e construído entre 1922 e 1923 pelo destacado arquiteto teuto-brasileiro Theodor Wiederspahn, sendo a primeira construção com estrutura de concreto armado em Porto Alegre e um dos mais espetaculares exemplares de sua produção.
  • Igreja Metodista Central (Rua Duque de Caxias 1676), é uma edificação neogótica que, embora simples e despojada, se torna rara por ser inspirada na versão norteamericana do estilo e especial por ser o berço do Metodismo no estado.
  • Edifício à rua Riachuelo 933, raro remanescente de edificação residencial eclética com vários pisos, permanece em condições praticamente originais. Tem uma rica e delicada decoração na fachada, com sacadas com gradis de ferro trabalhado em desenho bombée e pilastras coríntias, e foi tombado em 1997 pela Prefeitura Municipal.
  • Igreja São José, projeto do insigne arquiteto e pintor José Lutzenberger, é uma de suas obras mais importantes, com uma original interpretação do estilo eclético, já com traços Déco.
  • Livraria do Globo (Rua dos Andradas nº 268), foi a sede da famosa livraria que em meados do século XX foi uma das mais destacadas casas editoriais do Brasil.


Referências

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  2. Brauwers, Ana Paula et alii. Percepção do Portoalegrense sobre o Centro de Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS, 2006, p. 10
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  8. Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: EdiUFRGS, 2006
  9. Grill, Igor Gastal. Parentesco, redes e partidos: as bases das heranças políticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EdiUFRGS, 2003
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  23. Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural. Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
  24. Bello, Helton Estivalet. "Modelos, planos e realizações urbanísticas em Porto Alegre". In: ArquiteturaRevista. UNISINOS, nº 2, vol. 2, jul-dez 2006
  25. a b Brawers et alii, p. 16
  26. As duas faces do Camelódromo de Porto Alegre
  27. "Novo Chalé será entregue à população hoje". In: Jornal do Comércio, 24/01/2011
  28. "Começa a ampliação do Chalé da Praça XV em Porto Alegre". In: Zero Hora, 07/09/2010
  29. Viva o Centro. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
  30. Brawers et alii, p. 29
  31. Brawers et alii, p. 99
  32. Fantinel, Letícia & Cavedon, Neusa. "A Cultura Organizacional do Restaurante Chalé da Praça XV em Porto Alegre: Espaços e Tempos sendo Revelados". In: Revista de Administração Mackenzie, vol. 11, n. 1. São Paulo, jan/fev 2010. pp. 19-21
  33. Melo, Itamar. "Centro de Porto Alegre volta a ser atraente para morar e empreender". In: Zero Hora, 19/02/2011

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