Joaquim Marques Lisboa

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O Marquês de Tamandaré
Tamandaré em 1873
Nome completo Joaquim Marques Lisboa
Apelido "O Almirante Tamandaré"
Nascimento 13 de dezembro de 1807
Rio Grande, Rio Grande de São Pedro, Flag Princes of Brazil.svg Brasil Colônia
Morte 20 de março de 1897 (89 anos) Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
 Brasil
País Império do Brasil
Força Armada Imperial Brasileira
Anos de serviço 1822–1866
Hierarquia Almirante
Batalhas Independência do Brasil
Guerra da Cisplatina
Revolução Farroupilha
Guerra do Uruguai
Guerra do Paraguai

Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré (Rio Grande, 13 de dezembro de 1807[1]Rio de Janeiro, 20 de março de 1897), foi um militar da Armada Imperial Brasileira. Na carreira, atingiu o posto de almirante. Herói nacional, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil. O dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.

Participou nas lutas da guerra da Independência do Brasil, na Bahia, da Confederação do Equador e da repressão às revoltas ocorridas durante o Período Regencial: a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha, a Balaiada e a Praieira.

No plano externo, participou da Guerra contra Oribe e Rosas e, com a eclosão da Guerra do Paraguai, comandou as forças navais em operação na bacia do Rio da Prata, em apoio à batalha do Passo da Pátria, à batalha de Curuzu e à batalha de Curupaiti.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Armas do marquês de Tamandaré, as mesmas das famílias Ribeiro, Soares de Oliveira, Lima e Pais.

Era filho de Francisco Marques Lisboa (nascido na antiga província portuguesa de Estremadura em 1767) e de Eufrásia Joaquina de Azevedo Lima (nascida em Viamão)[1] , radicados na vila vizinha ao município do Rio Grande e atual município de São José do Norte. Irmão de Henrique Marques de Oliveira Lisboa [2] . Aos treze anos de idade, alistou-se como voluntário na Marinha do Brasil, onde iniciou carreira como praticante de piloto na Fragata Niterói, sob o comando de John Taylor.[1] Nesse posto tomou parte em vários combates navais no litoral da então Província da Bahia, inclusive na perseguição à força naval portuguesa que se retirava em 1823.

Em 1825, durante a Guerra da Cisplatina (1825-1828) - em que as Províncias Unidas do Rio da Prata pretendiam anexar a Província Cisplatina, então pertencente ao Império do Brasil - Tamandaré, como tenente, se destacou em muitos combates pela liderança e coragem. Capturado com outros brasileiros, arrebatou ao inimigo o navio de guerra que os levava prisioneiros, assumindo o seu comando aos 18 anos de idade.

Aos vinte anos de idade, no comando da escuna "Bela Maria", depois de travar combate de artilharia com um navio argentino e vencendo, demonstrou o seu espírito humanitário com o inimigo, o que lhe valeu o reconhecimento dos vencidos (1827). No mesmo ano foi capturado pelo navio argentino "Patagonia".[1]

Em 1840 já era capitão-de-Fragata e, em 1847, Capitão de Mar-e-Guerra.

Em 1848 recebeu na Grã-Bretanha a Fragata D. Afonso, primeiro navio misto - a vela e a vapor - de grande porte da Armada brasileira. Durante esse comando, tendo a bordo o príncipe de Joinville, Francisco Fernando de Orléans, os duques de Aumale e o chefe da esquadra almirante John Grenfell, teve a oportunidade de socorrer o navio Ocean Monarch, incendiado próximo ao porto de Liverpool, resgatando mais de cem pessoas.[1] Em 6 de março de [1850 socorreu a nau Vasco da Gama, perdida a avariada ao largo da barra do Rio de Janeiro, depois de uma forte tempestade.[1]

Participou da Guerra contra Rosas, em 1851, na passagem do Tonelero.[1]

Joaquim Marques Lisboa.

Em 1852 foi promovido ao posto de Chefe-de-Divisão, correspondente a comodoro em outra marinhas e, em 1854, a chefe-de-esquadra, correspondente a contra-almirante.

Em 1857, durante uma permanência na Europa para acompanhar o tratamento de saúde da sua esposa, foi incumbido pelo governo imperial de fiscalizar a construção de duas canhoneiras na França e de oito outras na Grã-Bretanha. Eram navios de propulsão mista vela-vapor, que significavam uma atualização necessária para que a marinha brasileira continuasse a defender cabalmente os interesses do país. Esses navios atuaram na Guerra contra Aguirre e na Guerra do Paraguai. Nesta questão, que evoluiu para uma intervenção militar brasileira, antes da rendição de Montevidéu, o Almirante liderou os combates em Salto e Paiçandu, ocupando-as com tropas brasileiras.

Em 1864, já com o título de barão de Tamandaré, assumiu o cargo de Comandante-em-Chefe das operações navais brasileiras no Rio da Prata.

O Visconde de Tamandaré, Vice-almirante da esquadra brasileira.

Durante a Guerra do Paraguai (1864 - 1870), coube ao Marques Lisboa o comando das forças navais no início do conflito, entre 1865 e 1866. Ele estabeleceu o bloqueio naval e organizou o apoio logístico para a força em operação, fundamentais para o seu bom êxito.

Na Batalha Naval do Riachuelo (11 de junho de 1865), Francisco Manoel Barroso da Silva, por ele designado para comandar as divisões em operação no rio Paraná, obteve a vitória que mudou o curso da guerra em favor da Tríplice Aliança.

Marques Lisboa comandou a operação militar do Passo da Pátria em um bem sucedido desembarque de tropas de grande envergadura e assim, com o apoio naval na conquista das fortificações do rio Paraguai, impediu o avanço aliado.

Em 1866, por razões de saúde e políticas, pediu o afastamento do cargo, sendo substituído pelo almirante Joaquim José Inácio, mais tarde visconde de Inhaúma.

Quando da Proclamação da República do Brasil, em 15 de novembro de 1889, o marquês de Tamandaré permaneceu fiel a Pedro II do Brasil, quedando-se cerca de uma hora a sós com o imperador, pedindo-lhe permissão para a Armada Imperial debelar o golpe de Estado, o que lhe foi negado.[3] Aos 82 anos de idade, e o último dos grandes militares monarquistas do passado ainda vivo (Duque de Caxias, marquês do Herval, almirante Barroso, marechal Polidoro e todos os demais já haviam falecido), recusou-se a aceitar o fim da monarquia e permaneceu esperançoso da possibilidade de um contragolpe.[4] Permaneceu ao lado da Família Imperial até seu embarque definitivo no navio Alagoas para o exílio.

Foi reformado em 1890, falecendo sete anos depois.[1]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Monumento ao Almirante Tamandaré no Rio de Janeiro

Testamento do Almirante Tamandaré[editar | editar código-fonte]

A historiografia oficial omite todo o primeiro parágrafo deste documento alterando-lhe com isso o sentido do texto.[carece de fontes?] Em 23 de setembro de 1893, Tamandaré assim dispôs:

Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré.

Referências

  1. a b c d e f g h PORTO-ALEGRE, Achylles. Homens Illustres do Rio Grande do Sul. Livraria Selbach, Porto Alegre, 1917.
  2. Boiteux, Henrique, A República Catharinense - Notas para a sua história. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1927. Página 6
  3. CALMON, Pedro. A Vida de D. Pedro II, o Rei Filósofo. Rio de Janeiro: Bibliex, 1975. p. 278.
  4. CALMON, Pedro. História de D. Pedro II. José Olympio, 1975. p. 1603.
  5. Monumentos de São Paulo
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