Neve no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Neve na zona rural de São Joaquim, agosto de 2010
Neve em Caxias do Sul, 1994.

No Brasil, a neve ocorre praticamente todos os anos nos planaltos dos estados da Região Sul, enquanto que no resto do país, onde o clima é predominantemente tropical e subtropical, é considerado um fenômeno raro. Nos estados Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão encravadas entre montanhas as cidades consideradas as mais frias do país: São Joaquim (SC), Urubici (SC) e São José dos Ausentes (RS), dentre outras cidades que fazem divisa com essas, como Bom Jesus (RS), Urupema (SC), Bom Jardim da Serra (SC) e Cambará do Sul (RS), ou também do estado do Paraná, como Palmas.

Além dos estados da Região Sul, outros já tiveram registros de neve: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.[1] O fenômeno, no Brasil, ocorre principalmente nos meses de junho, julho e agosto, mas há registros de nevadas precoces nos meses de abril (17 de abril de 1999 em São Joaquim) e maio e também nevadas tardias, em setembro e mesmo em outubro, já em plena primavera (em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, registrou-se o fenômeno em 3 de outubro de 1999 e 2006, sendo a nevada mais tardia registrada no país).

No ano de 2000, a neve ocorreu em mais de 70 municípios espalhados nos três estados da Região Sul. Em 2010, o fenômeno voltou a ocorrer com força em 21 municípios das serras catarinense e gaúcha. No ano de 2013, um episódio histórico em julho levou neve a mais de 140 municípios da região.[2] Foi a última vez que se registrou neve com relativamente boa acumulação. Em termos de abrangência territorial, destacam-se na Região Sul os anos de 1975 e 2013, tendo também o fenômeno ocorrido de forma simultânea e forte em muitos municípios espalhados pelos três estados do sul em 1928, 1942, 1955, 1975, 1994 e 2000.

Recordes[editar | editar código-fonte]

A mais forte precipitação de neve já registrada no Brasil ocorreu na cidade de Vacaria no Rio Grande do Sul, no dia 7 de agosto de 1879, na qual a neve acumulou cerca de dois metros. Nevascas desse porte são frequentes em países como Canadá e Rússia, acima da latitude 50°. Vale ressaltar que precipitações de neve com grandes acúmulos no solo são extremamente raras no Brasil, sendo, as três citadas abaixo, as únicas com acúmulos que atingiram (ou superaram) a marca de um metro.

  • 7 de agosto de 1879, em Vacaria, Rio Grande do Sul, com 2 metros de neve.[3]
  • 20 de julho de 1957, em São Joaquim, Santa Catarina, com 1,30 metro de neve. Considerada, às vezes, como a mais abundante precipitação de neve do país, dado o tempo bastante remoto da nevada de Vacaria, de 1879.[4]
  • Junho de 1985, em Itatiaia (nas proximidades do Pico das Agulhas Negras), Rio de Janeiro. 1,00 metro de neve.

Histórico de nevadas[editar | editar código-fonte]

Ocorrência de neve na Região Sul[editar | editar código-fonte]

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

O Estado de Santa Catarina pode ser considerada a unidade da federação em que o fenômeno ocorre com mais frequência por causa do seu planalto sul. Não tanto por sua localização geográfica, já que a latitude é menor do que em muitas regiões gaúchas onde o fenômeno é bem mais raro, mas graças à altitude, entre 900m e 1800m acima do nível do mar. O Planalto é, juntamente com os Campos de Cima da Serra no Rio Grande do Sul, a região do Brasil onde a neve ocorre com mais frequência. Pode-se dizer que as duas regiões formam uma unidade geográfica, a qual recebeu o apelido de "Planalto da Neve".

Cambirela coberta de neve na manhã de 23 de julho de 2013, em Palhoça, na Grande Florianópolis.

Contudo, é no lado Catarinense, onde se registram as maiores altitudes, que o fenômeno ocorre usualmente com maior intensidade e frequência. Em Santa Catarina, os municípios de São Joaquim, Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra são agraciados com o fenômeno da neve praticamente todos os anos. Entretanto, são numerosos os municípios localizados nos planaltos catarinenses, em que o fenômeno da precipitação de neve ocorre com uma frequência apreciável, embora não chegando a ocorrer todos os anos, como Lages, Curitibanos, Itaiópolis, Itapiranga, Iporã do Oeste, Jaborá, Pinhalzinho, Pinheiro Preto, Santo Amaro da Imperatriz, São Miguel do Oeste, São Bonifácio, Tangará, Timbó Grande, Timbé do Sul, Três Barras, Urussanga, Vidal Ramos, Otacílio Costa, Painel, Correia Pinto, Bom Retiro, Ponte Alta do Norte, Ponte Alta, Santa Cecília, Fraiburgo, Caçador, Monte Castelo, Campos Novos, Catanduvas, Chapecó, Coronel Freitas, Dona Emma, Erval Velho, Herval do Oeste, Joaçaba, Ascurra, Aurora, Água Doce, Atalanta, Antônio Carlos, Apiúna, Anitápolis, Bela Vista do Toldo, Benedito Novo, Botuverá, Doutor Pedrinho, Guabiruba, Campo Alegre, Indaial, Ituporanga, Imbuia, Jaborá, José Boiteux, Leoberto Leal, Lebon Régis, Luis Alves, Lontras, Major Gercino, Mirim Doce, Nova Trento, Papanduva, Pouso Redondo, Presidente Getúlio, Presidente Nereu, Pomerode, Rio do Campo, Rio Negrinho, Rio dos Cedros, Rodeio, Santa Terezinha, Vitor Meireles, Águas Mornas, Chapadão do Lageado, Irineópolis, Ibirama, Joinville, Laurentino, Salete, São Cristóvão do Sul, São Pedro de Alcântara, Calmon, Campo Belo do Sul, Canelinha, Capão Alto, Frei Rogério, Ilhota, Matos Costa, Rio Rufino, São José do Cerrito, Cerro Negro, Vargem Bonita, Videira, Abelardo Luz, Biguaçu, Bom Jesus do Oeste, Cerro Negro, Itajaí, Paulo Lopes, Brusque[5][6][7][8] e com um frequência um pouco menor, no planalto norte do Estado, como Porto União, São Bento do Sul, Mafra, Major Vieira e Canoinhas. Ademais, em muitos municípios da parte ocidental do Planalto Catarinense (regiões oeste e meio-oeste) como Chapecó, Xaxim, Xanxerê, Irani e Ponte Serrada não é incomum a ocorrência de neve.

Além das regiões mais altas, algumas ocorrências raras acontecem nas regiões mais baixas do estado, como foi registrado no Morro do Cachorro em Blumenau no ano de 1984, em junho de 2000 e em 2013. No dia 23 de julho de 2013, além de nevar no Morro do Cachorro em quantia considerável, ocorreu a incidência de neve em locais nunca antes registrados, como no alto do Morro do Spitzkopk, do Morro do Macaco, além de regiões mais baixas da cidade de Blumenau, como nos bairros Nova Rússia, Progresso, Velha Central e Passo Manso. Nessa mesma data a neve ainda foi registrada em outros municípios do Vale do Itajaí, como Rio do Sul, Ibirama, Benedito Novo, Timbó, Brusque entre outros, além de municípios da Grande Florianópolis como Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado, Alfredo Wagner e Angelina. A neve foi, inclusive, registrada na ilha de Florianópolis, no alto do Morro da Virgínia, bairro Ratones.[9] A neve que caiu nos dias 22 e 23 de julho de 2013 foi considerada histórica,[7] atingindo mais de um terço das cidades do estado (cerca de 127 cidades registraram o fenômeno).[10]

O Morro da Igreja, situado na tríplice divisa Urubici/Orleans/Bom Jardim da Serra, a 1822 metros de altitude, é o ponto habitado mais frio do estado e do país, e lá a temperatura já chegou a -17,8°C, em 29 de junho de 1996 (registro extra-oficial). São Joaquim - segundo produtor regional de maçã - é a área urbana que recebe a maior incidência de neve e, por consequência, o maior número de visitantes da região.[11]

Em agosto de 2010 foi registrado o maior acúmulo de neve em Santa Catarina desde o ano de 1991, com 50cm de neve no Morro da Igreja.

Em 2013 a neve foi registrada 12 vezes no estado de Santa Catarina, tendo sido possível a pratica do snowboard no Morro da Igreja.[12]

O fenômeno voltou a repetir-se com intensidade menor em julho e agosto 2016, e junho de 2017 nos municípios mais altos do Estado. Entre os dias 17 e 18 de julho de 2017, vários municípios registraram-no em fraca intensidade, entre eles, São Joaquim, Lages e Fraiburgo.

Neve nos arredores de São Joaquim, 4 de Agosto de 2010.

Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

No Estado do Rio Grande do Sul, as cidades mais frequentemente atingidas pelo fenômeno estão localizadas nas regiões serranas do nordeste do Estado, principalmente nas regiões de maior altitude, de aproximadamente 900m a 1400m, denominadas de Campos de Cima da Serra, que estão entre as cidades mais frias do país, com mínimas de temperatura frequentemente negativas, como São José dos Ausentes, Bom Jesus e Cambará do Sul, acima de 1.000 m de altitude, e Vacaria e São Francisco de Paula, acima da cota de 900m. São locais em que o fenômeno ocorre praticamente em todos os anos, geralmente com fraca intensidade.

Neve em Canela em 29 de agosto de 2013

Também já houve uma partida de futebol durante uma nevada, entre Esportivo e Grêmio, em 1979, na cidade de Bento Gonçalves.[13] A partida ficou conhecida como o Jogo da Neve.[14][15]

Em Vacaria, houve o registro de uma intensa precipitação de neve, de 7 a 9 de agosto de 1879, com um acúmulo que chegou aos 2 metros, provavelmente a maior da história do Brasil.[16] A neve também ocorre em várias outras cidades serranas, como Caxias do Sul, Canela, Muitos Capões, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Gramado, Lagoa Vermelha, Guaporé, Veranópolis, Farroupilha, Jaquirana, Flores da Cunha, Nova Prata, Garibaldi e São Marcos.[17]

Há outros locais do estado onde a precipitação de neve também é ocasional, porém muito menos frequente, como é o caso das cidades localizadas nos planaltos do noroeste como Cerro Largo, Ijuí, Passo Fundo, Erechim, Cruz Alta, Soledade, Arvorezinha, Fontoura Xavier, entre outras, além das cidades das Serras de Sudeste, como Caçapava do Sul, Encruzilhada do Sul, Canguçu, Santana da Boa Vista, Pinheiro Machado, Santiago, Júlio de Castilhos, Horizontina, Ilópolis, Itaara, Lavras do Sul, Antônio Prado, Fontoura Xavier, Ibiraiaras, Ibirubá, Ipê, Itapuca, Nova Pádua, Paraí, Sananduva.[18][19][20][21] Historicamente, boa parte do território sul-riograndense já registrou alguma precipitação de neve, por menor que tenha sido a intensidade. Mesmo cidades com pouca altitude, como Porto Alegre (1879, 1910, 1984,[22] 1994,[23] 2000[24] e 2006), Pelotas, Jaguarão, Campo Bom, Novo Hamburgo, Santa Maria, Barra do Quaraí e Lajeado, entre outras localizadas a menos de 100 m do nível do mar, como São Francisco de Assis, na região Oeste, já presenciaram o fenômeno, com neve em forma de flocos, granular ou de aguaneve.

Em setembro de 2006 foi registrada a maior ocorrência de neve no Rio Grande do Sul, em termos de abrangência, desde o ano 2000, tendo sido registrado o fenômeno em mais de 50 municípios entre os dias 3 e 5 de setembro de 2006, inclusive com a presença d e neve em flocos e com acumulação nos bairros da zona sul de Novo Hamburgo em alguns bairros de Porto Alegre sem acumular,[25][26] cidade onde a queda de neve em flocos havia sido registrada pela última vez em agosto de 1984, já que em 1994 e 2000 a capital do estado registrou a queda de neve granular.

Em agosto de 2010 dezenas de cidades gaúchas registraram a ocorrência de neve em flocos e neve granular.

Em anos mais recentes, destaca-se a forte e abrangente nevada ocorrida em dezenas de municípios da escarpa de planalto (serra) e do planalto gaúcho (Campos de Cima da Serra), ocorrida entre a noite e madrugada dos dias 26 e 27 de agosto de 2013; a precipitação em algumas cidades, a exemplo de Caxias do Sul, começou por volta das 20h, ainda sob a forma de flocos de neve semi derretidos, passando a precipitar exclusivamente sob a forma de flocos de neve após às 22h, assim continuando até por volta das 5h da madrugada, com apreciável acumulação entre 3cm e 10cm, que se fez presente mesmo no centro da cidade. Acumulados na ordem de 20/30cm foram observados no interior da região, porém muito decorreram do efeito do vento (snowdrift). Esta nevada foi a mais intensa no estado desde o ano de 1994.[27] Em Caxias do Sul houve registro de chuva congelada em junho de 2016, e de neve de fraquíssima intensidade misturada a chuva congelada em agosto de 2016 e em 17 de julho de 2017 (nesta mesma data, houve neve fraca em Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Soledade e outros municípios do Estado, no dia anterior, neve Granular em Pinheiro Machado, no Sul do Estado)

Neve em Caxias do Sul, 27 de agosto de 2013. Parque de exposições da Festa da Uva, com a réplica de Caxias antiga.
Neve em Caxias do Sul, 27 de agosto de 2013.

Paraná[editar | editar código-fonte]

Neste estado, a região de Palmas, no extremo sul do Estado, a 1090m de altitude, é a região paranaense onde o fenômeno ocorre com maior frequência. Entretanto, precipitações com acúmulos no solo são raras.[28] Em outros municípios paranaenses, o fenômeno ocorre com menor frequência, mas dificilmente ficam uma década inteira sem presenciá-lo, como Guarapuava, Cruz Machado, Inácio Martins, General Carneiro, União da Vitória, Clevelândia, Cascavel, Pato Branco, Irati, Francisco Beltrão, São Mateus do Sul, Rio Negro, Pinhão, Paulo Frontin, Campo Largo, Candói, Mallet, Lapa e Araucária,Antônio Olinto, Apucarana, Cambira, Campo Magro, Cantagalo, Colombo, Fazenda Rio Grande, Jaguariaíva, Paula Freitas, Porto Vitória, São José dos Pinhais, Piraí do Sul, Goioxim, Ponta Grossa, Carambeí, Itaperuçu, São João do Triunfo, entre alguns outros municípios de altitude superior a 900 m localizados no sudoeste do Estado.[29][30] Em outros municípios paranaenses, a neve também já foi registrada, embora com uma frequência bem mais rara, como Carambeí, Castro, Pitanga, Toledo, Campo Mourão (1975), Curitiba, onde oficialmente a precipitação de neve ocorreu em 1889, 1892, 1912, 1928 (dois dias), 1943, 1955, 1957, 1963, 1975, 1979 (30 de maio), 1981 (neve granular em pontos isolados, relatados na mídia impressa local) e 2013,[31] e na cidade de Castro, entre outros, dentre os quais merece destaque, a cidade de Foz do Iguaçu, que, a pouco mais de 150m do nível do mar, registrou o fenômeno em 1975. Há relatos da ocorrência do fenômeno também no norte do Estado, em 1965, na Serra do Mulato e também em cidades como Arapongas e Maringá, ainda em 1955 e 1965 na zona rural do município de Ibaiti, norte pioneiro do estado do Paraná, cidade que fica a 850[32] metros de altitude.

No inicio da noite do dia 22 de julho de 2013 nevou no município de Guarapuava - local que apresentou maior quantidade de neve do estado - e precipitação e durou até o inicio do dia seguinte, acumulando neve nas ruas, árvores e telhados. Alguns outros municípios paranaenses também obtiveram precipitação dos flocos como Cruz Machado, Pinhão, União da Vitória, Lapa, São Mateus do Sul, Toledo, Palmas, Paula Freitas, Irati.

Neve no ano de 2013 em Guarapuava - PR

No dia 23 de julho de 2013 várias cidades do Paraná também registraram neve, dentre elas Ponta Grossa e Curitiba.[21] O fenômeno natural voltou a ocorrer na capital paranaense após 38 anos sem ser registrado com intensidade (17 de julho de 1975, quando nevou por mais de 3 horas). A neve em Curitiba ocorreu nas primeiras horas da manhã, a partir das 8h, nevando com mais intensidade em bairros como o Campo Comprido, a Ecoville, o Umbará, o Xaxim e a Cidade Industrial, embora o fenômeno também tenha se registrado em forma menos intensa na região central da cidade, a exemplo da Avenida Batel. Apesar de a mídia ter divulgado amplamente que fazia 38 anos que a cidade não registrava o fenômeno, em 30 de maio de 1979 ocorreu neve fraca, bem como em 1981, quando chegou a ocorrer neve granular em pontos isolados, mas que também é neve. Na realidade, havia 38 anos que não se registrava em Curitiba neve com certa intensidade e na maioria das regiões da cidade.[33] A data também é digna de nota por ter registrado uma das menores máximas da história da Capital paranaense, com apenas 5,2° C. Em 2010, Curitiba havia registrado máxima de 6,3ºC, mas sem registro de neve, e em 17 de julho de 1975, a cidade havia registrado máxima de 8ºC no início da madrugada anterior à nevada, e máxima de 3,8ºC no período da tarde.[34] No evento de 2013, destaca-se também a ocorrência com intensidade nos municípios de Jaguariaíva e Carambeí, a 24ºS de latitude, onde a neve caiu em flocos; na mesma ocasião, Maringá, município localizado a cerca de 450 metros de altitude e cruzado pelo Trópico de Capricórnio, registrou-se chuva congelada; ao todo, contabilizou-se 32 municípios no Paraná com a ocorrência de neve e/ou chuva congelada. Em 2010 e 2011, a cidade Palmas havia registrado neve fraca, e, em 2011, Ponta Grossa, Pitanga e Prudentópolis já haviam registrado neve granular.

Em 18 de julho de 2017 o fenômeno voltou a ser registrado, com menor intensidade no Estado do Paraná, mais precisamente no Município de Palmas, ocorrendo também, chuva congelada em Cascavel Curitiba e outros municípios na metade sul do Estado.[35]

É interessante o registro de nevoeiro congelado (sincelo) ocorrido no sudoeste do estado em 2003. Era possível até fazer bonecos de gelo.

Ocorrência de neve na Região Sudeste[editar | editar código-fonte]

Na Região Sudeste, por estar mais próximo do Equador e ter clima mais seco durante o inverno, o fenômeno da neve é mais raro e esparso do que na Região Sul.[36]

São Paulo[editar | editar código-fonte]

No estado de São Paulo, há relatos de ocorrência de neve na própria capital (25 de junho de 1918), na região metropolitana e em boa parte do estado.[37] Algumas anotações meteorológicas parecem indicar que o fato ocorrido na capital paulista em 1918 foi uma sublimação de nevoeiro, juntamente com geada, causada pelo frio intenso da madrugada, e não neve em si.[38] Essa onda de frio fez com que a temperatura caísse para até 12 graus negativos, ao relento, em regiões do planalto. Próximo à cidade de Cunha, foi possível atravessar um curso d´água sobre uma espessa camada de gelo e verdadeiras quedas de neve foram observadas em vários pontos do estado. Na Avenida Paulista, houve o congelamento da água exposta ao relento e em depósitos de pequena profundidade. O documento registra que várias cidades tiveram o abastecimento interrompido porque a água congelou nos encanamentos.

Existem registros de neve em Campos do Jordão nos anos de 1928, 1942, 1947 e em 1966;[39] no ano de 1975 em Apiaí e Guapiara; quase todo o sul do estado (com exceção do Vale do Ribeira) em 1928 e 1975. Outros relatos também nos mostram neve em anos anteriores no estado de São Paulo, nas cidades de Botucatu, São Manuel, Itaí, Sorocaba, Itapetininga, Jundiaí e Vargem Grande Paulista (cidade mais fria da RMSP) em 1879.

Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

O estado de Minas Gerais possui um clima muito seco durante o inverno, possuindo fortes geadas nas regiões central, oeste e sul.[40][41] Apesar de registrar geada com relativa frequência nos municípios mais elevados, nunca foi registrada oficialmente alguma precipitação de neve.[42] Há registros não oficiais de neve em Monte Verde em 1979 e agosto de 1999.[43] No Diário Oficial da União de 10 de junho de 1893, no entanto, consta um relato de queda de neve em Ouro Preto em 19 de junho de 1843.[44]

Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

No Rio de Janeiro, em Itatiaia (Parque Nacional do Itatiaia) em 1928, 1970, 1973, 1975, 1985, 1988, 1991, 1994, 1999, 2001, 2004, 2006 e 2012.[45][46][47]

Espírito Santo[editar | editar código-fonte]

No Espírito Santo, apesar de relatos dos funcionários mais antigos do Parque Nacional do Caparaó (localizado na divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais) indicando ocorrência de neve,[48] não há nenhuma comprovação por órgãos de meteorologia da ocorrência do fenômeno.[48]

Ocorrência de neve na Região Centro-Oeste[editar | editar código-fonte]

Mato Grosso do Sul[editar | editar código-fonte]

Mato Grosso do Sul é o único estado desta região com registro de neve. Em 23 de julho de 2013, nevou fraco e por alguns minutos em Paranhos, cidade situada na pequena faixa do extremo sul do Estado, a 23° 53" de latitude Sul, abaixo do Trópico de Capricórnio.[49] Neste município, o último registro de neve anterior ocorreu em 1975.[50][51] Visto que o município de Paranhos localiza-se abaixo do Trópico de Capricórnio, sua latitude é aproximadamente a mesma que a de Guaíra, Campo Mourão e Faxinal do Céu, no Paraná, já fazem parte da zona temperada austral da Terra.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Mato Grosso do Sul pode registrar neve após 38 anos, afirma Inmet». G1 - Mato Grosso do Sul. 22 de julho de 2013 
  2. Aguiar, Alexandre (24 de julho de 2013). «Nevada histórica nas capas dos principais jornais do Sul do Brasil Metsul Blog - Meteorologia». www.metsul.com. METSUL Meteorologia. Consultado em 25 de junho de 2016 
  3. «Especial A neve e os gaúchos - Zerohora.com». www.clicrbs.com.br. Consultado em 1 de março de 2017 
  4. «Maior nevasca da história do Brasil faz 50 anos». Overmundo. 23 de julho de 2007. Consultado em 1 de março de 2017 
  5. «Sobe para 113 o número de cidades que registraram neve em SC». Santa Catarina. 29 de julho de 2013 
  6. «Sobe para 107 o número de cidades com neve em Santa Catarina». Santa Catarina. 26 de julho de 2013 
  7. a b «Neve histórica atinge um terço das cidades catarinenses em dois dias». Santa Catarina. 24 de julho de 2013 
  8. «Neve é registrada em mais de 80 cidades em Santa Catarina». Santa Catarina. 23 de julho de 2013 
  9. «Climaterra confirma neve no Morro da Virgínia, em Ratones, Norte da Ilha». Tudo Sobre Floripa. Consultado em 26 de junho de 2016 
  10. «Registro de neve em 127 cidades de Santa Catarina completa um ano». Santa Catarina. 23 de julho de 2014 
  11. «Os Caminhos da Neve». Governo de Santa Catarina. 16 de novembro de 2012. Consultado em 1 de março de 2017 
  12. «Neve atinge São Joaquim pela 6ª vez e iguala ao recorde de 1990». Climaterra. 24 de setembro de 2013 
  13. «(Video) Esportivo 0 0 Gremio 1979 O Jogo Da Neve». Pega Cifras. 2 de novembro de 2013. Consultado em 1 de março de 2017 
  14. «Portal Oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense - Curiosidades». Portal Oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Consultado em 1 de março de 2017 
  15. «Esportivo x Grêmio: o Jogo da Neve». Última Divisão. 14 de agosto de 2010 
  16. «Veja imagens de neve no Rio Grande do Sul». g1. Consultado em 1 de março de 2017 
  17. «Galeria de Fotos - Pioneiro». Pioneiro. Consultado em 1 de março de 2017 
  18. «Neve chega a 30cm e suspende aulas em São José dos Ausentes». Rio Grande do Sul. 27 de agosto de 2013 
  19. «Após neve, frio deve chegar a -6º no Rio Grande do Sul». Jornal do Comércio. 24 de julho de 2013 
  20. «Nevou em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina». Vai & Vem da Vida. Consultado em 2 de março de 2017 
  21. a b «Forte onda de frio provoca neve em mais de 70 cidades do Brasil». Meio Ambiente. 23 de julho de 2013 
  22. «Climatologia Urbana - 24 de agosto de 1984: A neve cai sobre Porto Alegre». www.metsul.com. Metsul. Consultado em 2 de março de 2017 
  23. «Climatologia Urbana - Oscilação Decadal do Pacífico - Cientistas reconstroem o clima do planeta». www.metsul.com. Metsul. Consultado em 2 de março de 2017 
  24. «Climatologia Urbana de São Leopoldo - Previsão do Tempo, Clima, Meteorologia e Ciência». 20 de fevereiro de 2006. Consultado em 2 de março de 2017 
  25. «Neva em várias cidades do Rio Grande do Sul». Terra 
  26. «Climatologia Urbana - Nevada de 2006: Flocos e granizos de neve em Porto Alegre». www.metsul.com. Metsul. Consultado em 2 de março de 2017 
  27. «A primeira grande nevada do Rio Grande do Sul no século XXI Metsul Blog - Meteorologia». www.metsul.com. Consultado em 25 de junho de 2016 
  28. «Neve atinge mais de 80 cidades do Sul do país e fecha rodovias e escolas». Natureza. 23 de julho de 2013 
  29. «Balanço do Simepar mostra que neve caiu em 26 cidades do Paraná». Paraná. 23 de julho de 2013 
  30. «Neve e chuva congelada atingem diferentes cidades do Paraná». Paraná. 23 de julho de 2013 
  31. CELEPAR. «Clima de Curitiba - Turismo no Paraná». www.turismo.pr.gov.br (em pt_BR). Consultado em 2 de março de 2017 
  32. «Caderno Estatístico do Município de Ibaiti» (PDF). IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). Janeiro de 2009. Consultado em 2 de março de 2017 
  33. «Após 38 anos, Curitiba volta a registrar neve nesta terça-feira». Terra 
  34. «Após décadas, Regiões Metropolitanas de Curitiba e Florianópolis têm neve - Notícias - Meio Ambiente». Meio Ambiente 
  35. «Após neve em Palmas, temperaturas despencam no PR e Curitiba tem a manhã mais fria do ano». G1 Paraná. 18 de julho de 2017. Consultado em 19 de julho de 2017 
  36. «26 de junho de 1918 – Registro de Neve em São Paulo?». Jornal do Commercio. 4 de novembro de 2011. Consultado em 2 de março de 2017 
  37. «Quando a neve chega ao Brasil». revistagalileu.globo.com. Revista Galileu. Consultado em 2 de março de 2017 
  38. Samantha Martins (12 de Julho de 2011). «Neve em São Paulo – SP (25/06/1918). Aconteceu ou não?». Consultado em 13 de Julho de 2011 
  39. «Meteorologistas divergem sobre possibilidade de neve em Campos do Jordão». www1.folha.uol.com.br. Folha Online. 21 de julho de 2000. Consultado em 2 de março de 2017 
  40. «Neve No Sul De Minas». 25 de dezembro de 2013. Consultado em 2 de março de 2017 
  41. «Geada preocupa produtores de café do sul de Minas Gerais». Agronegócios. 30 de junho de 2011 
  42. Previsão de tempo - geada em Minas Gerais
  43. «Clima de Monte Verde (MG): Como é o tempo em Monte Verde em cada mês do ano». www.guiamonteverde.com.br. Consultado em 19 de maio de 2016 
  44. Diário Oficial da União. «Diário Oficial da União (DOU) de 10 de Junho de 1893». JusBrasil. Consultado em 24 de dezembro de 2015. Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2015 
  45. «Neve na Serra de Itatiaia, no Rio de Janeiro». Blog Carioca. 10 de novembro de 2012. Consultado em 2 de março de 2017 
  46. «Parque Nacional do Itatiaia registra temperaturas negativas». Penedo Blog. 28 de março de 2012. Consultado em 2 de março de 2017 
  47. AltaMontanha.com. «Neve no Rio de Janeiro? - AltaMontanha.com -». AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras. Consultado em 2 de março de 2017 
  48. a b Natalia Bourguignon (4 de abril de 2015). «Neve no Espírito Santo? Há quem jure de pés juntos que já viu!». Gazeta Online. Consultado em 6 de abril de 2015 
  49. «Histórico: caiu neve em Mato Grosso do Sul». Cassilândia News 
  50. «Município de Mato Grosso do Sul tem neve 38 anos depois do último registro». jornaldotempo.bol.uol.com.br. UOL. Consultado em 2 de março de 2017 
  51. «Após 38 anos, moradores de Paranhos veem queda de neve por 2 minutos». Campo Grande News 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Neve no Brasil