António Fernandes (compositor)

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António Fernandes (Sousel, séc. XVI – séc. XVII; fl. 1600 – 1625) foi um presbítero português com atividade como músico, compositor e tratadista durante o Renascimento tardio e Barroco precoce.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Arte de Musica de Canto Dorgam (1626)

António Fernandes nasceu em Sousel no século XVI. Foi discípulo do célebre compositor português Duarte Lobo provavelmente durante o tempo em que este ensinou na Sé de Lisboa[1] e a sua atividade está registada do período de 1600 a 1625.[2] Foi presbítero e mestre de capela na Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai em Lisboa.[1][3]

Diogo Barbosa Machado refere que "abrindo escola ensinou a muitos discípulos" enquanto que Francisco Manuel de Melo o classificou, numa carta a Manuel Temudo da Fonseca, como um dos "grandiosos sujeitos" da Música portuguesa.[3][4] Viveu, pelo menos até à idade de 85 anos como referia no título de uma das suas obras manuscritas.[3]

Escreveu várias obras de teoria musical mas só publicou uma delas, em 1626 e que dedicou ao seu mestre e mecenas Duarte Lobo.[1] Outros quatro tratados foram deixados em manuscritos que em certa altura se encontravam na Biblioteca Real de Música e na biblioteca particular de Francisco de Valhadolid.[3]

Obras[editar | editar código-fonte]

Obras impressas[editar | editar código-fonte]

  • 1626 - Arte de Musica de Canto Dorgam, e Canto Cham, & Proporçoens de Musica divididas harmonicamente (Lisboa: Pedro Craesbeeck)[1]

Obras perdidas[editar | editar código-fonte]

  • Biblioteca Real de Música:
    • S/D - Especulação de segredos de Musica, em a qual brevemente se expende as causas das principaes cousas que se contem na mesma Arte (Manuscrito)[3][5]
  • Biblioteca de Francisco de Valhadolid:
    • S/D - Arte da Musica de Canto de Orgaõ composta por hum modo muito diferente do costumado por hum Velho de 85. annos dezejoso de evitar o ocio (Manuscrito)[3]
    • S/D - Theorica do Manicordio, e sua explicaçaõ (Manuscrito)[3]
    • S/D - Mappa universal de qualquer cousa assim natural, como accidental, que se contem na Arte da Musica com os seus generos, e demonstraçoens Mathematicas (Manuscrito)[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Fernandes, António (1626). Arte de Musica de Canto Dorgam, e Canto Cham, & Proporçoens de Musica divididas harmonicamente. Lisboa: Pedro Craesbeeck. Louuo tambem o author de saber escolher Mecenas a quem dedicasse o seu liuro pois foi seu proprio mestre no que se mostrou agradecido (...) Verdadeiramente insigne mestre, & senhor (...) & copia de discipulos que de trinta annos a esta parte tem sahido do Claustro da nossa sancta Sè de Lisboa pera muitas, & diuersas destes Reinos de Portugal, & Castella. 
  2. «Fernandes, Antonio». Biblioteca do Congresso 
  3. a b c d e f g h Machado, Diogo Barbosa (1741). Bibliotheca Lusitana. Lisboa: Oficina de António Isidoro da Fonseca 
  4. Melo, Francisco Manuel de (1752). Cartas familiares. Lisboa: Oficina dos herdeiros de António Pedroso Galram 
  5. Primeira Parte do Index da Livraria de Música do Muito Alto, e Poderoso Rei Dom João o IV, Nosso Senhor. Porto: Imprensa Portuguesa. 1649 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]