Lobo de Mesquita

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José Joaquim Emerico[1] Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, atual Serro, 12 de Outubro de 1746 --- Rio de Janeiro, Maio de 1805), foi um organista, regente e compositor brasileiro. É patrono da cadeira número 4 da Academia Brasileira de Música.

Estudou música com o padre Manuel da Costa Dantas[2] , mestre-de-capela da matriz de Nossa Senhora da Conceição do Serro. Foi para Arraial do Tijuco (1776), hoje Diamantina, para provavelmente ser responsável pela instalação na Matriz de Santo Antônio de um órgão fabricado pelo Padre Manuel de Almeida e Silva, onde desenvolveu Missa para Quarta-Feira de Cinzas (1778)[2] e seguiu sua carreira como organista e compositor (Regina caeli laetare, 1779 até que entrou para a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo em 1789 e permaneceu em 1795[2] . Também foi filiado, entre 1783 e 1798, como organista à Irmandade do Santíssimo Sacramento, na igreja de Santo Antônio. Ainda no Tejuco, atuou na Igreja de Nossa Senhora das Mercês e em outras irmandades, como na Confraria de Nossa Senhora das Mercês dos Homens Crioulos (1788-1789), em cargo administrativo[2] .

Alferes do Terço de Infantaria dos Pardos, foi o encarregado de um oratório para a Semana Santa (1792) e em outras cerimônias locais[2] .

Em Vila Rica, para onde foi em 1798 por prováveis problemas financeiros[2] , regeu a música para o tríduo do período (1798-1799), na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, e as Quarenta Horas, do período seguinte (1800-1801). Nesse período, ligado à Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Vila Rica, também conviveu com os compositores Marcos Coelho Neto (pai e filho), Francisco Gomes da Rocha, Florêncio José Ferreira Coutinho e Jerônimo de Souza Lobo[2] .

A partir daí até sua morte, tocou nas missas da igreja da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro, cidade onde morreu. Um de seus ofícios de defuntos foi apresentado na vila de Caeté, MG, em 25 de janeiro de 1827, em memória da Imperatriz Leopoldina, o que mostra que o compositor era ainda reconhecido e lembrado mais de vinte anos depois do seu falecimento.

Existem apenas três manuscritos autógrafos do compositor, a Antífona de Nossa Senhora (1787) —que se encontra no Museu da Inconfidência— a Dominica in Palmis (1782) e o Tercio que se encontra no Museu da Música de Mariana (1783), mas há muitas cópias do restante de sua obra, como ladainhas missas, ofícios e novenas. Todas as outras obras conhecidas de sua vasta produção aparecem em cópias de fins do século XVIII e, em sua maioria, do século XIX.

Foi o mais celebrado compositor do período em Minas Gerais, e o que mais assimilou o chamado estilo pré-clássico, segundo sugeriu Curt Lange[2] .


Composições[editar | editar código-fonte]

Música Sacra[editar | editar código-fonte]

Partitura autógrafa do Salve Regina
  • Missa para Quarta-Feira de Cinzas, para solistas, coro misto, violoncelo e órgão (1778)
  • Regina caeli laetare (1779)
  • Missa em fá nº 2, para solistas, coro misto e cordas (1780)
  • Missa em mi bemol nº 1, para solistas, coro misto e cordas (1782)
    1. Kyrie eleison
    2. Christe eleison
    3. Et in terra pax
    4. Laudamus te
    5. Gratias
    6. Domine Deus
    7. Qui tollis
    8. Suscipe
    9. Qui sedes
    10. Quoniam
    11. Cum Sancto Spiritu
  • Dominica in Palmis (1782)
  • Ofício e Missa para Domingo de Ramos (1782)
  • Tercio, para 4 vozes e cordas (1783)
  • Tractus para o Sábado Santo (1783)
    1. Cantemus Domino
    2. Vinea facta est
    3. Attende cælum
    4. Sicut cervus
  • Vésperas de Sábado Santo (1783)
  • Antiphona de Nossa Senhora (1787)
  • Salve Regina (1787)
  • Antífonas para Quarta e Quinta-feira Santas
  • Antífonas para Quarta, Quinta e Sexta-feira Santas
  • Ária ao Pregador - Ave Regina
  • Ave Regina coelorum
  • Beata Mater
  • Credo em dó, para 4 vozes e cordas
  • Credo em fá
  • Christus factus est e Ofertório
  • Diffusa est gratia, concerto para solistas, coro misto e cordas
  • Domingo da Ressurreição
  • Heu Domine, para a procissão do Enterro do Senhor
  • Heus, para a Procissão do Enterro do Senhor
  • In honorem Beatae Mariae (Ladainha)
  • In pacem in idipsum
  • Ladainha alternada
  • Ladainha de Nossa Senhora do Carmo
  • Ladainha do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
  • Laudate Dominum, para o Sábado de Aleluia
  • Matinas de Natal
  • Magnificat
  • Magnificat alternado
  • Memento a quatro, em sol menor
  • Missa concertada e Credo
  • Missa de Sábado Santo e Magnificat
  • Missa de Santa Cecília
  • Missa de Réquiem
  • Novena das Mercês
  • Novena de Nossa Senhora da Conceição
  • Novena de Nossa Senhora do Rosário
  • Novena de São Francisco de Assis
  • Novena de São José
  • Ofício das violetas
  • Officium defunctorum
  • Ofício e Missa de Defuntos
  • Ofício de Semana Santa, para 4 vozes e cordas
  • Ofício de defuntos ("Ofício das violetas"), para 4 vozes e cordas
  • Ofício de defuntos nº 2, para solistas, coro misto, violoncelo e órgão
  • Paixão, Bradados e Adoração da Cruz, para Sexta-feira Santa
  • Procissão de Ramos - Cum appropinquaret
  • Responsório de Santo Antônio - Si quaeris miracula
  • Salmo nº 112 - Laudate Pueri
  • Setenário de Nossa Senhora das Dores
  • Sequência Stabat Mater
  • Te Deum, para 4 vozes e cordas
  • Te Deum, em lá menor
  • Te Deum em ré

Música para órgão[editar | editar código-fonte]

  • Difusa est Gratia Tércio
  • Domine, tu mihi lavas pedes

Referências

  1. Emerico (sem acento) era a forma como o compositor assinava o próprio nome. Cf: Projeto recupera partituras inéditas de compositores mineiros dos séculos XVIII, XIX e XX
  2. a b c d e f g h CASTAGNA, Paulo. (2004). A música religiosa mineira no século XVIII e primeira metade do século XIX. <http://www.ia.unesp.br/docentes/castagna/hmb/HMB_2004_apostila06.pdf>. São Paulo: Apostila do curso História da Música Brasileira - Instituto de Artes da UNESP

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Jozef Robijns, Miep Zijlstra: Algemene muziek enciclopedie, Haarlem: De Haan, (1979)-1984, ISBN 978-9022849309
  • Vasco Mariz: História da Música no Brasil, 6ª edição ampliada e atualizada; Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira, 2005. 550 p., ISBN 85-209-1763-1
  • Vasco Mariz: História da Música no Brasil, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1994. ISBN 978-8520001936
  • Vasco Mariz: História da Música no Brasil (Coleção Retratos do Brasil), Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1981. 331 p.,
  • Miguel Fischer, Martha Furman Schleifer, John M. Furman: Latin American classical composers - A biographical dictionary, Lanham, Md: Scarecrow Press, Inc., 1996, 407 p., ISBN 978-0810831858
  • Hildred Roach: Black American music : past and present, 2nd Revised edition edition, Malabar, Florida: Krieger Publishing Company, 1992, 390 p., ISBN 978-0894645808
  • Hildred Roach: Black American music. Past and present, Vol. II, Malabar, Florida: Robert E. Krieger, 1985, ISBN 978-0898748154
  • Ary Vasconcelos: Raízes da música popular brasileira (1500-1889), São Paulo: Livraria Martins Editora, 1991, 324 p., ISBN 85-852-9711-5
  • Ary Vasconcelos: Raízes da música popular brasileira (1500-1889), São Paulo: Livraria Martins Editora, 1977. 362 p.
  • Heitor Geraldo Magella Combat: Um "Magnificat" de J.J. Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805). Pesquisa sobre cópias encontradas em Cássia-M.G., em 1960, II. Encontro Nacional de Pesquisa em Música. Belo Horizonte 1986. S. 67-87.
  • Marcos Antônio Marcondes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular, São Paulo: Art Editora, 1977
  • Francisco Curt Lange: Os compositores na Capitania Geral das Minas Gerais, Marília, 1965, 111 p.
  • Maria Inês Junqueira Guimarães : "L'œuvre de Lobo de Mesquita compositeur brésilien (?1746 - 1805) (transcription [messe Dominica in Palmis - 1782 ]- analyse - discographie - catalogue thématique - contexte historique)- thèse de doctorat, Presses du septentrion, 1996, 659 p., ISBN 2-284-00401-6
  • Maria Luíza de Queiroz Amâncio dos Santos: Suplemento biográfico dos músicos que influíram em nossa cultura musical do XVI ao XIX século, in: Origem e evolução da música em Portugal e sua influência no Brasil, Comissão Brasileira dos Centenários de Portugal, 1942, 343 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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