Eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1990

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1986 Brasil 1994
Eleições estaduais no  Rio Grande do Sul em 1990
3 de outubro de 1990
(Primeiro turno)
25 de novembro de 1990
(Segundo turno)
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Candidato Alceu Collares Nelson Marchezan
Partido PDT PDS
Natural de Bagé, RS Santa Maria, RS
Vice João Gilberto Maria do Carmo Bueno
Votos 2.319.400 1.472.356
Porcentagem 61,17% 38,83%


Brasão do Rio Grande do Sul.svg
Governador do Rio Grande do Sul

As eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1990 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal e em 26 estados. Foram escolhidos o governador Alceu Collares, o vice-governador João Gilberto, o senador Pedro Simon, 31 deputados federais e 55 estaduais. Como nenhum candidato a governador atingiu a metade mais um dos votos válidos, um segundo turno foi realizado em 25 de novembro e segundo a Constituição, o governador foi eleito para um mandato de quatro anos com início em 15 de março de 1991 sem direito a reeleição.[nota 1][1]

O novo governador do Rio Grande do Sul é o advogado Alceu Collares. Nascido em Bagé e formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul,[2] ele foi quitandeiro, carteiro e telegrafista. Presidente da União dos Servidores Postais Telegráficos em Porto Alegre, ingressou no PTB e foi eleito vereador na capital gaúcha em 1962 e com a imposição do bipartidarismo entrou no MDB como opositor do Regime Militar de 1964. Reeleito vereador em 1968 e eleito deputado federal em 1970, 1974 e 1978, acompanhou Leonel Brizola no regresso ao PTB durante o governo do presidente João Figueiredo, entretanto com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral em conceder o registro do partido ao grupo de Ivete Vargas[3] levou à criação do PDT no qual Alceu Collares perdeu a eleição para o Palácio Piratini em 1982 sendo, porém, eleito prefeito de Porto Alegre em 1985.[1]

A vitória na eleição para senador foi do advogado e professor Pedro Simon. Nascido em Caxias do Sul, ele se diplomou pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul com especialização em Direito Penal e pós-graduação em Economia Política. Foi professor da Universidade de Caxias do Sul e na política foi eleito vereador em sua cidade natal pelo PTB em 1958 e deputado estadual em 1962 reelegendo-se pelo MDB em 1966, 1970 e 1974 chegando a presidir o diretório estadual. Eleito senador em 1978, perdeu a eleição para o governo gaúcho para Jair Soares em 1982 e no ano seguinte foi escolhido vice-presidente nacional do PMDB na gestão de Ulysses Guimarães. Escolhido Ministro da Agricultura por Tancredo Neves e mantido no posto por José Sarney, renunciou e foi eleito governador do Rio Grande do Sul em 1986.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Primeiro turno[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul houve 4.060.165 votos nominais (77,71%), 616.775 votos em branco (11,81%) e 547.545 votos nulos (10,48%) resultando no comparecimento de 5.224.485 eleitores.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Alceu Collares
PDT
João Gilberto Lucas Coelho
PSDB
12
Frente Progressista Gaúcha
(PDT, PSDB, PCdoB)
1.464.181
36,06%
Nelson Marchezan
PDS
Maria do Carmo Bueno
PFL
11
União por um novo Rio Grande
(PDS, PFL, PL, PRN, PSC)
1.349.903
33,25%
José Fogaça
PMDB
José Ernesto Pasquotto
PMDB
15
PMDB (sem coligação)
833.530
20,53%
Tarso Genro
PT
Sebastião Pinheiro
PT
13
Frente Popular Gaúcha
(PT, PSB, PCB)
412.551
10,16%
  Segundo turno

Segundo turno[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul foram apurados 3.791.756 votos nominais (74,65%), 210.398 votos em branco (4,14%) e 1.077.017 votos nulos (21,21%) resultando no comparecimento de 5.079.171 eleitores.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Alceu Collares
PDT
João Gilberto Lucas Coelho
PSDB
12
Frente Progressista Gaúcha
(PDT, PSDB, PCdoB, PCB, PT, PSB, PMDB)
2.319.400
61,17%
Nelson Marchezan
PDS
Maria do Carmo Bueno
PFL
11
União por um novo Rio Grande
(PDS, PFL, PL, PRN, PSC)
1.472.356
38,83%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul houve 3.518.955 votos nominais (67,35%), 1.191.143 votos em branco (22,80%) e 514.387 votos nulos (9,85%) resultando no comparecimento de 5.224.485 eleitores.[1][nota 2]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Pedro Simon
PMDB
Leônidas Xausa
PMDB
151
PMDB (sem coligação)
1.576.664
44,80%
Sanchotene Felice
PL
Edwino Bruno Brackmann
PL
221
União por um novo Rio Grande
(PDS, PFL, PRN, PL, PSC)
918.335
26,10%
Matheus Schmidt
PDT
Américo Copetti
PDT
121
Frente Progressista Gaúcha
(PDT, PSDB, PCdoB)
772.590
21,96%
Delmar Steffen
PT
Carlos Alberto Frank
PT
131
Frente Popular
(PT, PSB, PCB)
251.366
7,14%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[4] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[5]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Mendes Ribeiro PMDB 109.744 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Germano Rigotto PMDB 94.077 Caxias do Sul  Rio Grande do Sul
Paulo Paim PT 71.298 Caxias do Sul  Rio Grande do Sul
Ibsen Pinheiro[nota 3] PMDB 64.546 São Borja  Rio Grande do Sul
Odacir Klein PMDB 51.814 Getúlio Vargas  Rio Grande do Sul
Victor Faccioni PDS 51.533 Caxias do Sul  Rio Grande do Sul
Nelson Proença PMDB 51.440 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Antônio Britto[nota 3] PMDB 50.957 Santana do Livramento  Rio Grande do Sul
Adão Pretto PT 44.704 Redentora  Rio Grande do Sul
Telmo Kirst PDS 42.983 Santa Cruz do Sul  Rio Grande do Sul
Carlos Azambuja PDS 41.314 Bagé  Rio Grande do Sul
Adylson Motta PDS 39.193 São Luiz Gonzaga  Rio Grande do Sul
Celso Bernardi PDS 38.719 Augusto Pestana  Rio Grande do Sul
Adolfo Fetter Júnior PDS 37.989 Pelotas  Rio Grande do Sul
Osvaldo Bender PDS 37.646 Santo Cristo  Rio Grande do Sul
Fernando Carrion PDS 37.430 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Carrion Júnior PDT 35.455 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Nelson Jobim PMDB 34.921 Santa Maria  Rio Grande do Sul
José Fortunati PT 33.808 Flores da Cunha  Rio Grande do Sul
Arno Magarinos PFL 33.126 Concórdia  Santa Catarina
Luís Roberto Ponte PMDB 32.690 Fortaleza  Ceará
Valdomiro Lima PDT 32.538 Rio Grande  Rio Grande do Sul
João de Deus Antunes PDT 31.713 Santo Ângelo  Rio Grande do Sul
Wilson Müller PDT 30.962 Santa Cruz do Sul  Rio Grande do Sul
Raul Pont[nota 3] PT 29.859 Uruguaiana  Rio Grande do Sul
Éden Pedroso PDT 29.645 Passo Fundo  Rio Grande do Sul
Ivo Mainardi PMDB 29.545 Arroio do Tigre  Rio Grande do Sul
Amaury Müller PDT 29.284 Cruz Alta  Rio Grande do Sul
Carlos Cardinal PDT 27.682 Bossoroca  Rio Grande do Sul
Aldo Pinto PDT 23.915 Palmeira das Missões  Rio Grande do Sul
Adroaldo Streck PSDB 19.649 Cachoeira do Sul  Rio Grande do Sul

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Estavam em jogo 55 vagas no Palácio Farroupilha.[1]

Notas

  1. A posse dos governadores eleitos em 1990 foi fixada no Art. 4º, § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, enquanto os governadores do Amapá, Distrito Federal e Roraima tomariam posse em 1º de janeiro de 1991 conforme o Art. 28 da Carta de 1988.
  2. Embora cada senador deva ser eleito com dois suplentes (Art. 46 § 3º– CF), mencionamos apenas o primeiro sem prejuízo de citar o outro quando necessário.
  3. a b c Durante a legislatura foram efetivados três suplentes: Waldomiro Fioravante assumiu com a eleição de Raul Pont a vice-prefeito de Porto Alegre em 1992, enquanto em 1994 Hilário Braun foi efetivado após a cassação de Ibsen Pinheiro e Antenor Ferrari herdou o último mês de mandato de Antônio Britto, que se elegeu governador do Rio Grande do Sul.

Referências