Estação Ferroviária do Barreiro (Sul do Tejo)

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a primeira estação ferroviária do Barreiro, que funcionou entre 1861 e 1884. Para outros resultados para gares ferroviárias do Barreiro, veja Estação do Barreiro (desambiguação).
Barreiro (Sul do Tejo)
A primeira estação do Barreiro, nos primeiros anos.
Inauguração 1 de Fevereiro de 1861
Encerramento 1884
Linha(s) Linha do Alentejo (PK 0,0)
Coordenadas 38° 39′ N 9° 4′ W
Concelho Barreiro

A Estação Ferroviária do Barreiro, originalmente denominada de Estação de Caminho de Ferro do Barreiro, foi uma infra-estrutura ferroviária da Linha do Alentejo, construída pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo para servir de interface entre os vários serviços ferroviários ao sul do Rio Tejo com os transportes fluviais para Lisboa, em Portugal.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

O edifício, de grandes dimensões, possuía uma frente com cerca de 65 metros de largura, 16 vãos para janelas e portas, e 3 portões.[1] O frontão era de forma triangular, e tinha um relógio.[2]

Locomotiva Badajoz, a manobrar no Barreiro. Ao fundo, vê-se a antiga estação.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Alentejo

Antecedentes e planeamento[editar | editar código-fonte]

Na Década de 1850, iniciou-se o planeamento de uma via férrea na margem Sul do Rio Tejo, que seria ligada por via fluvial à cidade de Lisboa.[1] Em 24 de Julho de 1854, o governo assinou um contrato com o Marquês de Ficalho e e José Maria Eugénio de Almeida, que representavam uma sociedade para a construção de um caminho de ferro desde a margem Sul até Vendas Novas, com início em Aldeia Galega do Ribatejo.[3] Posteriormente, o ponto inicial foi mudado para o Barreiro, uma vez que este local tinha um porto natural para as embarcações no Vale do Zebro, enquanto que no Montijo teria de ser construído um porto artificial, obra que seria muito dispendiosa.[1] Em 26 de Agosto desse ano, foi assinado um contrato adicional entre o governo e a sociedade, para a construção de uma segunda linha desde a margem Sul do Tejo, no Barreiro, até Setúbal.[3]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

O troço entre o Barreiro e Bombel do Caminho de Ferro do Sul (posteriormente denominado de Linha do Sul e depois integrado na Linha do Alentejo) foi aberto à exploração a 15 de Junho de 1857, pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo.[1] Porém, esta linha só foi oficialmente inaugurada em 1 de Fevereiro de 1861, ano em que foi concluída a ligação a Vendas Novas e a Setúbal.[4]

Mudança de bitola[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o Caminho de Ferro do Sul utilizava uma bitola de 1,44 m.[5]

Em 7 de Agosto desse ano, a Companhia Nacional foi nacionalizada, tendo o Caminho de Ferro do Sul e o ramal para Setúbal sido entregues à Companhia dos Caminhos de Ferro do Sueste em 21 de Abril de 1864.[6] Ainda nesse ano, as vias foram alteradas para bitola ibérica.[6]

Planta das novas oficinas no Barreiro. na Década de 1930. O grande edifício rectangular no centro é a antiga estação do Barreiro, que foi transformada num complexo oficinal.

Declínio e encerramento[editar | editar código-fonte]

Apesar de se considerar que a estação tinha condições ideais para o serviço dos comboios, foi construído a cerca de 2 Km de distância do cais fluvial, no Mexilhoeiro, obrigando a uma difícil deslocação entre os dois pontos.[1][7]

Assim, em 1884 foi substituída pela Estação do Caminho de Ferro Sul e Sueste, que se situava junto ao embarcadouro,[8] sendo a ligação ferroviária entre ambas as infra-estruturas aberta à exploração apenas em 20 de Dezembro do mesmo ano.[9] A antiga interface passou a ser utilizada como oficina de tracção, sendo, posteriormente, aqui baseado o Grupo Oficinal do Barreiro, que foi integrado na Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário em 1994.[7][10]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

Na sua obra Narrative of a Spring Tour in Portugal, o referendo Alfred Charles Smith descreve as dificuldades em seguir do cais fluvial até à primeira gare ferroviária do Barreiro:

No livro Uma Visita a Portugal em 1866, Hans Christian Andersen relata a sua passagem pela estação do Barreiro, durante uma viagem de Lisboa até Setúbal:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e SANTOS, 1995:107-108
  2. MARTINS et al, 1996:71
  3. a b MARTINS et al, 1996:240-241
  4. SARAIVA e GUERRA, 1998:77
  5. REIS et al, 2006:19
  6. a b MARTINS et al, 1996:242-243
  7. a b «O Caminho de Ferro e o Barreiro». Reservas Museológicas Visitáveis. Consultado em 4 de Outubro de 2010. 
  8. «Estação do Caminho de Ferro Sul e Sueste». Câmara Municipal do Barreiro. Consultado em 4 de Outubro de 2010. 
  9. «Cronologia». Comboios de Portugal. Consultado em 4 de Outubro de 2010. [ligação inativa] 
  10. «A Empresa». Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário. Consultado em 4 de Outubro de 2010. 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre as Estações do Barreiro

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ANDERSEN, Hans Christian (1984). Uma Visita a Portugal em 1866 2.ª ed. Lisboa: Instituto da Cultura e Língua Portuguesa. 134 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SANTOS, Luís Filipe Sousa (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 
  • SARAIVA, José Hermano; GUERRA, Maria (1998). Diário da História de Portugal. Volume 3 de 3. Lisboa: Difusão Cultural. 208 páginas. ISBN 972-709-060-5 
  • SMITH, Alfred (1870). Narrative of a Spring Tour in Portugal (em inglês). Londres: Longmans, Green, and Co. 220 páginas 



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