Proteu

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Proteu
Proteus-Alciato.gif
Proteu
Xilogravura de Andrea Alciato, 1531
Outro(s) nome(s) Velho Homem do Mar, Oráculo da Ilha.
Morada Ilha de Faros, delta do Rio Nilo. Às vezes na Ilha de Cárpato no Mar Egeu
Arma(s) Geralmente representado com um tridente.
Cônjuge(s) Torone, Psamathe e outras.
Pais Posídon e Fenície.
Irmão(s) Pelo mesmo pai e mesma mãe: Torone. Pelo mesmo pai: Teseu, Tritão, Polifemo, Órion, Belo, Pégaso, Crisaor, Atlas, Agenor, Cimopoleia, Neleus e outros.
Filho(s) Poligôno, Telegôno, Eioneu, Teoclímeno, Teonoe, Cabeiro, Roetéia, Thebis, Taicrucia e outros.

Proteu (em grego clássico: Πρωτεύς), na mitologia grega, é uma deidade marinha, um dos primeiros deuses gregos associado aos rios e corpos oceânicos de água, filho de Posídon e Fenícia. Considerado o deus da "mudança elusiva do mar", sugere a constante mudança na natureza do mar e a qualidade líquida da água, reverenciado como profeta, tinha o dom da premonição e atraía o interesse de muitos que queriam saber as artimanhas do poderoso destino, e mudaria de forma para evitar que o fizesse; Proteu só responderia àqueles que fossem capazes de o capturar.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Proteu[1], deve ter como significado "O Primeiro", já que seu nome é composto, aparentemente, apenas pelo radical proto[2] (do grego "πρῶτος", prōtos, "primeiro"). Não é certo ao que Proteu seria o "primeiro", mas nos contos onde Proteu seria filho de Posídon, este seria seu filho primogênito, mais velho ainda que Tritão. A primeira amostra do nome Proteu, ainda que não se saiba se se refere ao deus ou a uma pessoa, foi escrita em Linear B durante a Grécia Micênica, e aparece como po-ro-te-u.[3] Na linguagem moderna, o adjetivo "proteano",[carece de fontes?] significa "mutável", "versátil" ou "capaz de assumir muitas formas", no mercado de trabalho[4] proteano tem conotações positivas de flexibilidade e adaptabilidade.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Proteu foi geralmente representado como filho primogênito de Posídon e de Fenície, uma das várias filhas do rei Fênix da Fenícia, sendo irmão mais velho de Torone. Proteu e sua irmã, Torone, tiveram dois filhos: Poligôno, (às vezes Timôlo[5]) e Telegôno, ambos desafiaram e morreram nas mãos de Hércules, enquanto este cumpria seu nono trabalho[6]. Outro filho de Proteu, Eioneu, se tornou pai de Dimas, um rei da Frígia. Proteu teve dois filhos com a neirídie Psâmate[7][8]: o rei Teoclímeno e sua irmã Eidotéia, (que passou a ser chamada de , Teônoe, Idotéia ou Eurínome, quando alcançou a adolescência) figura muito presente nos textos em que seu pai é mencionado. Cabeiro, mãe dos três Cabeiri[9] e das três ninfas cabeirianas e esposa de Hefestos, às vezes é dada como uma filha de Proteu. Proteu também teve outras três filhas: Roetéia, que deu nome à cidade anatólia de Rhoiteion[10], na Trôade; Thebe, que se tornou epônimo da cidade egípcia de Thebis[11]; e Taicrucia, mãe de Ninfeus com Zeus[12].

Mitologia[editar | editar código-fonte]

Proteu, deus profético do mar.[editar | editar código-fonte]

De acordo com Homero, na Odisséia[13], Proteu morava na pequena ilha de Pharos[14][15], situada na costa leste do delta do Rio Nilo, onde era conhecido nos arredores como o Oráculo, O Velho Homem do Mar, ou o Pastor dos Rebanhos de Netuno[16][17]; ainda na Odisséia, Menelau relata ao seu filho Telêmaco que ele descansou na ilha em sua viagem de retorno da Guerra de Tróia, onde a filha de Proteu, Eidoteia[18], ("a própria imagem da deusa"), disse a Menelau, que apenas se ele fosse capaz de capturar o pai dela, ela o forçaria a dizer qual Deus ele ofendeu e como Menelau poderia apaziguá-lo e retornar para casa. Mais tarde Proteu saiu do mar, para descansar com seu rebanho de focas, mas Menelau o agarrou[19], então Proteu assumiu a forma de um leão, de uma serpente, de um leopardo, de um porco, de uma árvore e até a forma líquida da própria água do mar, onde mesmo nessa forma Menelau conseguiu o segurar[20]. Julgando-o digno de seus poderes[21], Proteu informou verdadeiramente, que seu irmão, Agamemnom tinha sido assassinado por Aégisto[22] em sua volta para casa, que Ajax naufragou por um ataque de Atenas e foi morto por Netuno[23], e que Ulisses foi abandonado na Ilha Ogígia, lugar de descanso de Calípso[24].

Vigílio em sua quarta Geórgica[25] conta que um dia as abelhas de Aristeu, filho de Apolo, morreram de alguma doença. Aristeu buscou sua mãe, Cirene, à procura de respostas, e esta disse que Proteu, filho de Netuno morador da ilha de Cárpatos[26], poderia contá-lo como prevenir outro desastre, mas só faria isso se obrigado. Aristeu teve de segurar Proteu, não importasse que forma física ele assumisse. Após o desafio, Proteu se cansou e contou à Aristeu que a morte das abelhas eram uma punição a ele ter causado a morte de Eurídicie[27]. Para perdoa-lo, Aristeu precisaria sacrificar 12 animais aos deuses, deixar os corpos no lugar do sacrifício e retornar 3 dias depois. Ele seguiu estas instruções, e após retornar, achou sobre os corpos um enxame de abelhas vivas que ele levou ao seu apiário. As abelhas de Aristeu nunca mais sofreram pela doença.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Proteus" em Infopédia
  2. Proto em Dicio, Dicionário Online de Português
  3. "po-ro-te-u" em Palaexicon. Word study tool of ancient languages.
  4. «Carreira proteana: conheça esse conceito e saiba por que ele está em alta.». Estácio blog. 20 de novembro de 2019. Consultado em 24 de dezembro de 2021 
  5. Tzetzes, João. Chiliadas, Livro II. [S.l.: s.n.] p. ff320, (em inglês) 
  6. Cavalcanti, Pedro (2018). Apolodoro, Livro Segundo. Sítio digital.: Tradução digital. p. [2.5.9.], último parágrafo 
  7. de Salamina, Eurídipes (412 a.C.). Helena. Grécia Macedônia: Edição indefinida. 
  8. Com uma das virgens do mar ele casou-se, Psâmate, depois que essa deixara o leito de Éaco e, nesse palácio, ela deu à luz dois filhos: o varão Teoclímeno, [assim chamado porque sempre temente aos deuses], e a nobre virgem Eidó, 10 ornamento da mãe quando pequenina, [...]
  9. «Cabeiri, divindades antigas». Páginas de Delphi. 25 de outubro de 2020. Consultado em 24 de dezembro de 2021 
  10. Disponível em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Rhoiteion
  11. Santiago, Emerson (1 de julho de 2012). «Tebas». InfoEscola. Consultado em 24 de dezembro de 2021 
  12. «The Recognitions of Clement 10.21». Compassionate Spirits. 22 de agosto de 2004. Consultado em 24 de dezembro de 2021 [ligação inativa] 
  13. Mendes, Manoel Oderico (2009). Homero Odisséia (PDF). [S.l.]: eBooksBrasil. p. 49-52. 267 páginas 
  14. Proteu, enquanto vivia, era o rei dessa terra, habitando a ilha de Faros, mas senhor de todo o Egito. Eurídipes, Helena ff4
  15. «ToposText». topostext.org. Consultado em 24 de dezembro de 2021 
  16. [ Bulfinch, Thomas, O Livro de Ouro da Mitologia, Ediouro, 2002.]
  17. Do Egito o velho, De Netuno ministro, aqui se aloja, Proteu meu pai, que as úmidas entranhas 305 Tem sondado e conhece. [...]
  18. Desesperava já, quando Idotéia, Do potente Proteu marinha prole, 290 Ocorreu compassiva a mim sozinho; [...] Ficas-te, hóspede, em mágoas te apascentas, 295 E enquanto aqui sem termo estás detido, Langue e definha o coração dos sócios.”
  19. 350 “Merídio vem Proteu; conta, examina, Por nós principiando, o gado obeso, E sem dar pelo engano ali se estende. A vozearmos súbito o agarramos [Menelau e Idotéia]: [...]
  20. Sem lhe esquecer o ardil, muda-se o velho [Proteu] 355 Em jubado leão, drago, pantera, Cerdo, riacho, ou tronco de alta copa; Mas, com tenacidade urgido, o astuto Lasso vociferou: — Que deus, Atrida [Menelau], A forçar-me instruiu-te? que pretendes? — [...]
  21. 370 O teu desejo então será cumprido. — “Magoado [Menelau] por de novo irmos ao rio, Longa árdua rota em borrascoso pego, Inda insisti: “Proteu, quanto me ordenas Preencherei; mas dize-me sincero [...]
  22. 410 O traidor [Aégisto], meditando, em coches parte O Atrida [Agamemnom] a convidar, que à ceia incauto, Como a rês no presepe, é trucidado; Nem sócio deste, nem de Egisto mesmo Poupam na régia os brutos matadores. — [...]
  23. 390 Eis, da blasmêmia azedo, o rei dos mares [Netuno] Pega do seu tridente e fere a penha Aos pés de Ajax, que se abismou no fundo Com porção do rochedo. Em cavo bojo [...]
  24. 425 “Prossegue o vate [Proteu]: — É o Ítaco Laércio. Na ilha o vi [Ulisses] desfeito em grossas lágrimas. Por Calipso retido, e sem navio Para vogar no páramo salgado. Genro de Jove, tu [Menelau] de Helena esposo [...]
  25. dos Santos, Gilson José (2015). Tradução de Geórgicas IV, de Virgílio. [S.l.]: Rónai – Revista de Estudos Clássicos e Tradutórios. p. 12. 17 páginas 
  26. Há no mar carpátio um vate de Netuno, o cerúleo Proteu, que percorre o vasto mar sobre peixes, em um carro atrelado de bípedes cavalos. Neste momento, ele revisita os portos da Emátia e Palene, sua pátria; e nós, as Ninfas, e o próprio ancião Nereu veneramo-lo, porque o vate conhece todas as coisas, aquelas que existem, aquelas que existiram e aquelas futuras, que logo hão de sobrevir.
  27. Eurídice foi picada ao pisar em uma víbora, ao tentar fugir de um admirador, Aristeu, o que acarretou em sua morte.