Éter (mitologia)

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Éter
Éter em batalha com um gigante com cabeça de leão
Casado(a) com Hemera
Pais Érebo e de Nix
Irmão(s) Hemera
Filho(s) Júpiter e (Urano)

Éter (em grego: Αἰθήρ, do verbo αἵθω, aíthô, "queimar"), na mitologia grega, é a personificação do conceito de "céu superior", o "céu sem limites", diferente de Urano. É o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses, contrapondo-se ao ar obscuro, aér (ἀήρ), que os mortais respiravam, sendo deus desconhecido da matéria, em consequência as moléculas de ar que formam o ar e seus derivados.

É considerado por Hesíodo como sendo filho de Érebo e de Nix, tendo por irmã Hemera. A lista do poeta romano Higino atribui-lhe como filhos de sua união com Hemera, Terra, Coelum e Mare, e depois com (Gaia), de Dolor (dor), Dolus, (engano), Ira (fúria), Luctus (luto), Mendacium (mentiras), Jusiurandum (juramento), Ultio (punição), Intemperantia (intemperança), Altercatio (altercação), Oblivio (esquecimento), Socordia (preguiça), Timor (medo), Superbia (soberba), Incestum (incesto), e Pugna (contenda)[1] . Cícero lhe atribui paternidade sobre Júpiter e (Urano). Também era considerado por Aristófanes como pai das Néfeles, ninfas das nuvens.

Assim como Érebo, que personifica as trevas superiores, tem como seu correspondente Nix, as trevas superficiais (e, em algumas versões, este aparece como filho daquela), pode ser interpretado que Éter tem seu correspondente em Urano (de quem ora aparece como filho, ora como pai).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Derivado do verbo aítho, "queimar", "fazer brilhar", é usado na Hélade genericamente para "queimado de sol". Desse modo, conforme o contexto, pode significar tanto "fazer brilhar" quando "tornar-se escuro como fuligem". Éter está entre Urano e o ar. Por personificar o céu superior, considera-se sua camada mais pura que aquela próxima da terra. Entretanto, Éter é luz que queima ao iluminar. Há uma tensão no verbo do qual deriva. Significa tanto "fazer luzir" quanto "escurecer", conforme o contexto. Em Urano, esta dinâmica específica está ausente.

Junito Brandão faz a aproximação com o sânscrito i-n-ddhé, "ele inflama", édha, "floresta incendiada", e com o latim aedes, "lareira", aestas, "verão, estio", aestus, "ardor", "calor ardente".

Carlo Rusconi relaciona o étimo à origem da palavra Etiópia: ahithou, "arder", remontando a raiz aidh, que em grego seria aith.

Referências