Titã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Titã (mitologia))
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde julho de 2013). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Titãs
Oceano
Céos
Crio
Hiperião
Jápeto
Cronos
Tétis
Teia
Febe
Reia
Mnemosine
Têmis

Na mitologia grega Titãs – masculino – e Titânides – feminino - (em grego Τιτάν, plural Τιτᾶνες) estão entre a entidades místicas que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na sua ascensão ao poder. Outros oponentes foram os Gigantes, Tifão e Oríon.

Dos vários poemas gregos da idade clássica sobre a guerra entre os deuses e os Titãs, apenas um sobreviveu. Trata-se da Teogonia atribuída a Hesíodo. Também o ensaio Sobre a música atribuído a Plutarco, menciona de passagem um poema épico perdido intitulado Titanomaquia ("Guerra dos Titãs") e atribuído ao bardo trácio cego Tâmiris, por sua vez um personagem lendário. Além disso, os Titãs desempenharam um papel importante nos poemas atribuídos a Orfeu. Ainda que apenas se conservem fragmentos dos relatos órficos, estes revelam diferenças interessantes em relação à tradição hesiódica.

Os Titãs não formam um conjunto homogêneo. Trata-se, em geral, de divindades muito antigas que, por uma razão ou outra, continuaram a ter uma certa vigência dentro da mitologia grega clássica e, ao constituir-se o esquema genealógico dos deuses, foram incluídas entre os descendentes de Urano.

Os mitos gregos da Titanomaquia caem na classe dos mitos semelhantes na Europa e Médio Oriente, em que uma geração ou grupo de deuses confronta os dominantes. Por vezes os deuses maiores são derrotados. Outras os rebeldes perdem, e são afastados totalmente do poder ou ainda incorporados no panteão. Outros exemplos seriam as guerras dos Aesir com os Vanir e os Jotunos na mitologia escandinava, o épico Enuma Elish babilónico, a narração hitita do "Reino do Céu" e o obscuro conflito geracional dos fragmentos ugaritas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra Titã vêm do latim Titan, que por sua vez tem origem do grego Τιτάν, Ti-tan. Para James Hastings, esta palavra é aproximado, em etimologia popular, de títaks, "rei" e titéne, "rainha", segundo notas de Hesíquio de Alexandria, termos possivelmente de procedência oriental: Nesse Caso, titã significaria "rei" ou "soberano".[1] Carnoy prefere admitir que os Titãs tenham sido primitivamente deuses solares e seu nome se explicaria pelo "pelásgico", tito, que significa "brilho" ou "luz".[2] A primeira hipótese parece mais clara e adequada às funções dos violentos titãs no mito grego, que passou a ter o sentido de "pessoa ou coisa de grande tamanho" registrado pela primeira vez em 1828.[3]

A primeira geração de Titãs[editar | editar código-fonte]

Cabeça de Titã. Museu Arqueológico Nacional de Atenas

Originalmente os Titãs eram filhos de Urano e Gaia:

Titãs:

  • Oceano (Ὠκεανός), o rio que circundava o mundo.
  • Céos (Κοίος), titã da inteligência.
  • Crio (Κρείος), titã do frio e inverno assim como dos rebanhos e das manadas, esposo de Euríbia (filha de Pontos) e pai de Palas, Perses e Astreu
  • Hiperião (Ὑπερίων), o fogo astral e a visão e titã do leste.
  • Jápeto (Ιἀπετος), senhor do oeste, esposo da oceânide Clímene e pai de Prometeu (ancestral da raça humana), Atlas (que foi condenado por Zeus a sustentar o céu em seus braços para sempre), Epimeteu e Menoécio.
  • Cronos (Κρόνος), titã do tempo, que destronou Urano e foi rei dos titãs.

Titânides:

  • Febe (Φοίβη), a da coroa de ouro. Titânide da lua.
  • Mnemosine (Μνεμοσύνη), personificação da memória e mãe das Musas com Zeus.
  • Reia (Ῥεία), rainha dos titãs e consorte de Cronos.
  • Têmis (Θέμις), encarnação da ordem titânica, das leis e costumes, e mãe das Horas com Zeus.
  • Tétis (Τηθύς), titânide do mar.
  • Teia (Θεία), titânide da visão e da luz.

Filhos de titãs[editar | editar código-fonte]

O matrimónio entre irmãos era corrente na mitologia grega, e vários Titãs e Titânides se uniram, dando origem a uma segunda geração de Titãs:

  • Oceano e Tétis geraram as Oceânides, os rios (Potamoi) e os mananciais (Lemnai).
  • Hiperião e Teia geraram Hélio (o sol), Selene (a lua) e Eos (a aurora).
  • Céos e Febe geraram duas filhas, Leto e Astéria.
  • Críos se uniu a Pontíde Euríbia geraram três gigantes, Pallas, Perses e Astreu.
  • Iápeto e Oceânide Clímene ou Asía geraram os gigantes Atlas, Prometeu, Epimeteu e Menécio.
  • Mnemosine não se uniu a nenhum Titã mais sim ao rei dos deuses Zeus com que gerou as nove Musas.
  • Cronos e Reia formaram o casal mais importante, pois são progenitores de seis dos deuses olimpianos e, em algumas versões, também progenitores de Afrodite:
    • Héstia, deusa do lar, que para manter a paz no olimpo, cedeu seu lugar junto aos outros grandes deuses olimpianos para Dionísio.
    • Hera, deusa da fidelidade e rainha do Olimpo.
    • Hades, deus do mundo inferior onde se localizam ambos, o Tártaro e os Campos Elísios.
    • Deméter, deusa da agricultura e da fertilidade, conhecida também por rainha dos trigais.
    • Poseidon, deus dos oceanos.
    • Zeus, rei dos deuses, rei do Olimpo.

Referências

  1. Hastings, James (1922). "Encyclopaedia of Religion and Ethics". 12. Edinburgh: T&T Clark. 
  2. Carnoy, Albert (1976, s.u.). "Dictionnaire Étymologique de la Mythologie Grêco-romaine".. Universitas. 
  3. Titãs.