Ucraniano-brasileiro

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Brasileiros de ascendência ucraniana
Cerimonia de bencao dos alimentos.jpg
Descendentes de ucranianos no Paraná
População total

600 mil descendentes de ucranianos
0.3% da população brasileira[1]

Regiões com população significativa
Paraná
Línguas
ucraniano, português.
Religiões
católica oriental, ortodoxa.

O Brasil abriga hoje a maior comunidade ucraniana da América Latina, contando com mais de um milhão pessoas,[2] entre ucranianos e descendentes, 80% deles vivendo no estado do Paraná.[3] As cidades com maiores concentrações de descendentes de ucranianos no Brasil são Prudentópolis (com aproximadamente 38 mil descendentes), Curitiba (com aproximadamente 33 mil descendentes) e União da Vitória (com aproximadamente 26400 descendentes).

O Brasil tem uma das maiores comunidades ucranianas fora da Ucrânia, perdendo apenas para a Rússia, Estados Unidos e o Canadá. Actualmente, a maior diáspora ucraniana encontra-se na Federação Russa, a qual conta com mais de 3 milhões de pessoas. A comunidade ucraniana no Brasil provém de ondas migratórias mais antigas em relação àquelas da América do Norte, e a maioria da população ucraniana-brasileira vive em comunidades rurais onde cultivam arroz, feijão, trigo, erva-mate e outras ervas locais.

Imigração[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Imigração ucraniana no Brasil

Os ucranianos formaram o segundo maior contingente eslavo a imigrar para o Brasil, perdendo apenas para os poloneses. A imigração de ucranianos para o Brasil começou efetivamente nos anos de 1895-96. Em apenas dois anos, cerca de 15 mil ucranianos desembarcaram no Brasil. A grande maioria foi encaminhada para o Paraná, onde tornaram-se pequenos agricultores. Até a década de 1920, aproximadamente 50 mil ucranianos imigraram para o Brasil, a maior parte proveniente da Galícia. O número de imigrantes, de fato, deve ter sido ligeiramente maior, tendo em vista que parte da Ucrânia estava dominada pelo Império Austro-Húngaro e pela Polônia, e muitos imigrantes possuíam passaporte austríaco ou polonês. A imigração ucraniana no Brasil está vinculada a uma política do governo que apostava nas imigrações como uma solução para o desenvolvimento do país e, no caso particular dos imigrantes eslavos, para a colonização do Paraná. Visando atrair os ucranianos, o governo brasileiro financiou e organizou a propaganda no exterior. Alguns agentes do governo brasileiro prometiam aos ucranianos a libertação dos tiranos, terras férteis e mesmo a formação de um reino ruteno no Brasil.

A imigração ucraniana no Brasil ocorreu em três etapas principais. A primeira delas, aconteceu antes da Primeira Guerra Mundial, a partir do período conhecido como "A Febre Brasileira", quando aproximadamente 20 mil pequenos camponeses da região da Galícia (pertencente ao Império Austro-Húngaro) chegaram ao Brasil. Os camponeses que chegavam no Brasil não recebiam a assistência adequada do governo e sofriam com o clima estranho e o ambiente hostil. O sofrimento dos ucranianos no Brasil foi tema de um poema famoso do ucraniano Ivan Franko, chamado "Para o Brasil".[4] A segunda leva de imigrantes chegou ao Brasil no período entre guerras. Os imigrantes desse grupo vieram da Bucovina, da Galícia, da Volínia e de outras regiões. A terceira leva de imigrantes ucranianos migrou para o Brasil entre 1947 e 1951, fugindo da violência da União Soviética.

Ondas migratórias[editar | editar código-fonte]

  Migração Recente
  Migração Antiga
Data de Migração Número de Famílias Origem País Destino
1 1895 1897 22400 Galícia Império Austro-Húngaro Curitiba, São José dos Pinhais, Colônia Santa Bárbara, União da Vitória, Marechal Mallet, Prudentópolis, São Mateus do Sul, etc. 1
2 1897 1899 1500 Galícia Império Austro-Húngaro Prudentópolis, Marechal Mallet, Dorizon, Cruz Machado, União da Vitória, São Mateus do Sul, Antonio Olinto
3 1901 1907 6000 variada variados Mesmos 2
4 1908 1914 18500 Galícia Império Austro-Húngaro Rio Azul, Irati, Cândido de Abreu, Paula Freitas 3
5 1914 1939 9000 variada Polônia, Rússia Mesmos 4
6 1945 1951 7000 variada URSS Pato Branco, Roncador, Apucarana, Ivaí, Ponta Grossa, Campo Mourão, Juranda, Nova Cantu, Mamborê. 5
Igreja Ucraniana em Curitiba.

Religião[editar | editar código-fonte]

Memorial Ucraniano em Curitiba

Os ucranianos são um povo extremamente religioso. O primeiro príncipe ucraniano a se converter ao cristianismo foi São Vladimir I, em 988, durante o período da Rússia de Quieve. Para isso concorreram fatores como os interesses políticos, a proximidade com o Império Bizantino e a simpatia do príncipe pela nova religião. Seu filho, Jaroslau I, o Sábio, foi responsável pela construção de uma das mais belas catedrais ucranianas, a Catedral de Santa Sofia de Quieve. Com o cisma de 1054, a Igreja Católica se dissociou da Igreja Ortodoxa, sendo que esta última permaneceu influente no Oriente.

Não obstante, a Igreja Greco-Católica Ucraniana é a mais influente entre os descendentes de ucranianos no Brasil, uma vez que estes vieram sobretudo da antiga província de Galícia. A Galícia havia sido dominada pela Polônia, país católico que teria forçado muitos ucranianos a seguirem sua religião. A Igreja Greco-Católica Ucraniana surgiu como uma forma de afirmação nacional com o Tratado de Brest, opondo o catolicismo ucraniano ao polonês. Existem também, porém em menor número, descendentes ucranianos da religião ortodoxa e protestantes. No Brasil, a arquitetura da imigração compreende sobretudo igrejas Católicas e Ortodoxas de estilo oriental, características por suas cúpulas "Bizantinas". As igrejas de rito oriental também possuem em comum a iconóstase, um painel carregado de ícones que é colocado entre a nave e o santuário, demarcando simbolicamente os limites do sagrado e do profano. As iconóstases possuem uma estrutura padronizada, de forma que sua primeira fileira normalmente carrega as imagens dos quatro evangelistas, ícones dos anjos Miguel, Gabriel, de Maria e de Cristo, acompanhados pelos santos locais. As igrejas dos descendentes também possuem estruturas tradicionais como os campanários e os cruzeiros.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Bordados ucranianos

Os descendentes de ucranianos no Brasil preservam elementos antigos da cultura ucraniana, modificados a partir do contato com a cultura brasileira e a geografia paranaense. A língua ucraniana foi preservada por meio de instituições educacionais, igrejas e imprensas. A produção de pêssankas e bordados, traço característico da cultura ucraniana, permanece no Brasil. As pêssankas são ovos coloridos inteiramente a mão pelos ucranianos, entregues na páscoa sob os cumprimentos "Hréstos Voskrés" (Cristo ressuscitou) e "Voístenu Voskrés" (Em verdade ressuscitou). Os bordados são uma arte milenar da cultura ucraniana associados à religião, colocados sob os altares ou sobre os ícones religiosos. A dança folclórica também foi trazida pelos imigrantes, e é praticada no Brasil por muitos grupos locais. Sua prática antiga é associada aos festivais e cerimonias religiosas.

Pêssankas ucranianas

Sobrenomes Ucranianos[editar | editar código-fonte]

Os sobrenomes ucranianos tem algumas terminações padrões, e são diferentes daqueles de seus vizinhos eslavos orientais. Em geral, o sobrenome ucraniano termina em "ko" (ex: Shevchenko), "uk" (ex: Bondaruk), "in", "y", "Ch", "tz" (ex: Pysklevitz) e, também, em "r" [6]

A comunidade ucraino-brasileira hoje[editar | editar código-fonte]

Residindo em sua imensa maioria no Paraná e, em menor medida, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo, os descendentes de ucranianos ainda preservam seus costumes em diversos municípios brasileiros, com destaque para Prudentópolis, Guarapuava, Mallet, Antônio Olinto e a Região Metropolitana de Curitiba. A língua ucraniana ainda é falada pelas gerações mais antigas, todavia a maioria dos jovens atualmente fala apenas o português.

Brasileiros famosos de origem ucraniana e judaico-ucraniana[editar | editar código-fonte]

Clarice Lispector, judia-ucraniana, uma das maiores escritoras brasileiras, nasceu em 10 de dezembro de 1920, em Chechelnyk, na Ucrânia, e imigrou com a família para o Brasil quando tinha dois anos de idade, por causa da perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Passou sua infância e adolescência no Recife, em Pernambuco. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977. Sua inumação deu-se no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro. Seu verdadeiro nome era Haia Pinkhasovna Lispector.

Andree Guittcis, designer de joias premiado com o Diamond International Awards, nasceu em 21 de fevereiro de 1961, no Recife, em Pernambuco. Primo da escritora Clarice Lispector.

Héctor Babenco, cineasta, filho de judeus-ucranianos, nasceu em Mar del Plata, na Argentina, em 7 de fevereiro de 1946. Emigrou para o Brasil quando tinha 19 anos de idade. É naturalizado brasileiro desde 1977.

Leôncio Basbaum, historiador judeu-ucraniano, nasceu no dia 6 de novembro de 1907 no Recife, em Pernambuco, filho de imigrantes ucranianos.

Noel Nutels, renomado médico e indigenista, nasceu em 24 de abril de 1913 em Ananiev, na Ucrânia. Ainda menino, veio para o Brasil com os pais para morar no Recife, em Pernambuco.

Clarice Lispector, 1972. Arquivo Nacional.

Rafael Sobis, Nascido na cidade gaúcha de Erechim, é futebolista, se destacou no Internacional, é tem ascendência ucraniana.

Roberto Minczuk, neto de ucranianos e bielorrussos, é um dos ucranianos brasileiros de maior destaque no cenário artístico brasileiro e internacional. Sua família sempre manteve as tradições eslavas: foram membros da maior comunidade evangélica eslava do Brasil, que se situava na área de maior concentração de descendentes de ucranianos na cidade de São Paulo: Vila Zelina e Vila Bela, no limite da capital paulista com a cidade de São Caetano do Sul. Foi maestro assistente da OSESP por vários anos e atualmente é o diretor musical da OSB e da Calgary Philharmonic Orchestra

Sarita Tabatchnik - Filha de pai judeu ucraniano é artista plástica e escultora, além de Consultora de Imagem e Estilo, tendo exposições por todo Brasil e Menções Honrosas da Assembléia Legislativa de Pernambuco e da Câmara Municipal de Recife, por sua contribuição como Artista Plástica à cidade de Recife e ao Estado de Pernambuco.

Deborah Blando, cantora, compositora e multi-instrumentista italiana, filha de pai italiano e mãe brasileira. Seus avós maternos imigraram da Ucrânia para Santa Catarina, mais especificamente para Florianópolis, onde a mãe da cantora nasceu, mas assim como a grande parte dos ucranianos, fixaram residência no Paraná, onde a mãe da cantora foi criada.

Referências

  1. People of Ukrainian descent in Brazil
  2. [1]
  3. [2]
  4. [3], "Ukrainian Diaspora"
  5. Igrejas Ucranianas: Arquitetura da Imigração no Paraná
  6. [4], "Sobrenomes Ucranianos"