Teresa de Lisieux

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Santa Teresinha do Menino Jesus, O.C.D.
Santa Teresinha de Lisieux
Freira/Irmã Carmelita e
Doutora da Igreja (Doctor Amoris)
Nascimento 2 de Janeiro de 1873 em Alençon, Baixa-Normandia
 França
Morte 30 de setembro de 1897 (24 anos) em Lisieux, Baixa-Normandia
 França
Veneração por Igreja Católica
Canonização 17 de maio de 1925, Roma por Papa Pio XI
Festa litúrgica 1 de outubro
Atribuições Rosa
Padroeira Missionários católicos, Rússia
Gloriole.svg Portal dos Santos

Teresa de Lisieux (Alençon, 2 de janeiro de 1873Lisieux, 30 de setembro de 1897) foi uma religiosa carmelita francesa e Doutora da Igreja. É conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face ou, popularmente, Santa Teresinha.[1]

Nascida Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin), era filha de Louis Martin e Zélie Guérin. Quando nasceu, era muito franzina e doente e, desde o nascimento, exigia muitos cuidados.

Infância e adolescência[editar | editar código-fonte]

Aos dois anos de idade, Teresa já tem ideia de seguir a vida religiosa, para grande alegria da sua mãe, mas para desgosto do seu tio Isidore Guérin (seu futuro tutor sub-rogado).

Em agosto de 1876, sua mãe toma conhecimento de que padece de câncer.

Com a morte da esposa, no ano seguinte, o pai de Teresa muda-se com as quatro filhas para Lisieux.

A prematura morte da sua mãe, quando tinha apenas quatro anos, fez com que Teresa se apegasse a sua irmã Pauline, que elegeu para sua "segunda mãe". A repentina entrada dessa irmã no Carmelo fez a jovem Teresa adoecer. Curada por intercessão da ‘Virgem do Sorriso’, Imaculada Conceição por quem seus pais tinham afeição, tomou uma forte resolução de entrar para o Carmelo.

Estudou no colégio feminino da Abadia das Monjas Beneditinas de Lisieux, por cinco anos, participando da Congregação Mariana para moças.[2]
Porém, após sofrer muitas humilhações, saiu do Colégio e passou a receber aulas particulares.

Quase ao completar quatorze anos, no Natal de 1886, Teresa passa por uma experiência que chamou de "noite da minha conversão": ao voltar da missa e procurar seus presentes, percebe que seu pai se aborrecia com seu comportamento infantil. A menina decide então a renunciar à infância e toma o acontecido como um sinal inspirador de força e coragem para o porvir.

Clausura no Carmelo[editar | editar código-fonte]

Santa Teresinha, aos pés da Virgem Maria e do Menino Jesus (imagem na Igreja de Santa Teresinha, em Porto Alegre).

Seis meses depois, Teresa decide que quer entrar para o Carmelo (Ordem das Carmelitas Descalças). Como a pouca idade a impede, é levada por familiares, em novembro de 1887, para uma audiência com o Papa, em Roma, para pedir a exceção, a chorar, ao Papa Leão XIII, contra a vontade do então Bispo de Lisieux. Em abril do ano seguinte é finalmente aceita. Concedida a autorização ingressou em 9 de abril de 1888 e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus.

Fez sua profissão religiosa, em 8 de setembro de 1890, e tomou o nome de Thérèse de l'Enfant Jesus et de la Sainte Face, mas ficou conhecida após sua morte como Thérèse de Lisieux.

Inclinada por temperamento à calma e a tristeza, Thérèse com lindos cabelos castanhos, olhos claros e traços delicados, quando escrevia no seu diário “Oh! Sim, tudo me sorrirá aqui na terra”, atravessava uma época em que experimentava injustiças e incompreensões. Já atingida pela tuberculose, debilitada nas forças, não rejeitava trabalho algum e continuava a “jogar para Jesus flores de pequenos sacrifícios”.

Após seis anos na ordem, em 1894, almejando o caminho da santidade, Teresa percebe que não conseguiria pelas tradicionais mortificação, disciplina e sacrifício observadas pelos santos a quem se dedica a estudar. Inspirada nas palavras de um padre, Teresa adota a "Pequena Via", um caminho pequeno e reto para a santidade, que consiste simplesmente em se entregar ao amor de Jesus Cristo, para que Ele conduza pelo caminho.

Morreu em 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Disse, na manhã de sua morte: “eu não me arrependo de me ter abandonado ao amor”, e na iminência de sua morte disse às religiosas que estavam à sua volta: "Farei cair uma chuva de rosas sobre o mundo!". No dia 4 de outubro de 1897, foi sepultada no cemitério de Lisieux.

Teresa escreveu três manuscritos : chamado manuscrito A no ano de 1895, autobiografia escrita a mando de sua irmã Paulina, madre Agnese ; chamado manuscrito B no ano 1897 ; chamado manuscrito C. Ficam admirados também pelo grande número de cartas enviadas à família e das 54 poesias que compôs.[3]

Canonização[editar | editar código-fonte]

Monumento dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus, em Évora (Portugal).

A sua irmã, Paulina, também carmelita, publicou em 1898 os escritos de Santa Teresinha, intitulados "História de uma alma". No dia 17 de maio de 1925, Teresinha foi canonizada pelo Papa Pio XI. O mesmo Papa a declara Patrona Universal das Missões Católicas em 1927. O Papa João Paulo II a declara Doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997.

Na celebração do Angelus em 2 de outubro de 2005, o Papa Bento XVI recordou o fervoroso espírito apostólico e a clausura de Santa Teresa de Lisieux.[4]

Alguns anos depois, em 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI em sua mensagem pelo XXI Dia Mundial do Doente, se refere a Santa Teresa do Menino Jesus como exemplo de sofrimento na sua doença, continuando em união com Cristo.[5] [6]

Beatificação dos Pais[editar | editar código-fonte]

No dia 31 de outubro de 2008, Dia Mundial das Missões, em Lisieux, na basílica dedicada precisamente à sua filha, os pais de Santa Teresinha, Luís Martin e Zélia Guérin foram beatificados pela Igreja, em cerimônia presidida pelo cardeal José Saraiva Martins. Na ocasião Saraiva Martins conclamou as famílias presentes "para que imitem os dois esposos e se tornem eles próprios lares santos e missionários." Foi o segundo casal a ser beatificado pela Igreja Católica.[7]

Veneração dos Brasileiros[editar | editar código-fonte]

Paróquia Santa Teresinha no bairro homônimo, distrito de Santana zona norte de São Paulo.
Igreja Matriz de Embu-Guaçu

Inaugurado em setembro de 1929, na cidade de Taubaté, o Santuário de Santa Teresinha de Lisieux, foi a primeira homenagem no Brasil. Dom Epaminondas Nunes de D´Avila e Silva - 1º Bispo de Taubaté, foi grande divulgador da vida e doutrina de Irmã Teresa do Menino Jesus, e em conjunto com a população, ergueu o Santuário, com estilo de arquitetura gótica, inspirado na Igreja de Saint Pierre de Lisieux, na França.[8]

Em 1960, nas terras da Fazenda Intans, no Município de Santa Quitéria, Ceará, foi construída e inaugurada a Capela de Santa Teresinha do Menino Jesus, a terra para a construção da Capela foi doada à Igreja Católica por Milton Araújo, a Capela foi idealizada pelo Padre Odilon, arquitetada e construída por Antonio Alberto (Mestre de Obras). A população da localidade começou a fazer suas casas ao redor da capela, a localidade cresceu, foi elevada ao grau de Distrito e recebeu o nome de Distrito de Lisieux, em homenagem a Santa Teresinha de Lisieux.

O Distrito de Lisieux aguarda plebiscito para emancipação desde o ano de 2010. Lisieux hoje é um Distrito com cerca de 9000 habitantes , 2 colégios de ensino fundamental e médio e comércio local forte.

Em Ribeirão Preto (SP), há duas paróquias dedicadas à Santa. A Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no bairro Vila Tamandaré, reconhecida como paróquia desde 1971, e a Santa Teresinha Doutora, no bairro Ribeirânia, criada em 2001. Além disso, uma capela, no Santuário de Sete Capelas, ponto turístico da cidade, também é dedicada a ela.

O município de Cerqueira César, no interior de São Paulo foi um dos primeiros no mundo a ser dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus,. pois instantes após sua canonização pelo Papa Pio XI, em 1925, o então Arcebispo da Cúria de Botucatu, transferiu o orago da antiga Paróquia da Sagrada Família, para Santa Teresinha do Menino Jesus, em devoção à "santinha das rosas".

Em junho de 1988, a antiga Matriz de Santa Teresinha, em foi implodida, pois o templo apresentava rachaduras. O fato ganhou repercussão por ter sido a primeira igreja católica a ser implodida no mundo. Mais tarde, foi erguido no local o Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus, pertencente à Arquidiocese de Botucatu. Atualmente o Santuário abriga as Relíquias de Santa Teresinha, vindas especialmente de Lisieux na França.

Na cidade de Mogi Guaçu - SP, há a Igreja Matriz de Santa Teresinha do Menino Jesus, localizada no bairro Santa Teresinha I, sede da Paróquia homônima criada em 30 de janeiro de 1998, por Dom Dadeus Grings, 3° bispo de São João da Boa Vista. O início da devoção à virgem e doutora nesta localidade foi em 20 de junho de 1976, quando o padre Lauro Vollering, A.A. fundou a comunidade e colocou a primeira cruz no terreno onde hoje está a Igreja.[9] A Igreja guarda as relíquias da Santa (fios de cabelo de Teresinha) em um relicário sob a imagem da padroeira.

Santa Teresinha também é a padroeira de Miracema do Tocantins (Catedral de Santa Teresinha do Menino Jesus), uma das cinco dioceses do estado de Tocantins. Padroeira também de Embu-Guaçu, município da Região Metropolitana de São Paulo, e de Seropédica, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

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Referências

  1. Ordem dos Carmelitas_Sítio oficial. Santa Teresinha do Menino Jesus. Página visitada em 19 de Julho de 2013.
  2. Santa Teresinha do Menino Jesus: uma congregada mariana colegial. Página visitada em 19 de Julho de 2013.
  3. Bernard Bonnejean, La Poésie thérésienne, préface Constant Tonnelier, éditions du Cerf, Paris, 2006, II-292 p., (ISBN 978-2-204-07785-9), (Notice BNF no FRBNF40238743k)(em francês). « Finalmente, um estudo sobre a poesia de Teresa ! O livro de Bernard Bonnejean é uma agradável surpresa entre os estudos em que a santa de Lisieux, após a proclamação como Doutora da Igreja, foi tomado de uma leitura mais atenta dos textos ainda menos conhecidos », MOSTARDA Paola, laureata in Storia dell'arte e dottore in Teologia Spirituale e prof.ssa invitata di Spiritualità, Teresianum, Roma, Rivista di Vita Spirituale.
  4. Papa Bento XVI - Angelus - Domingo, 2 de Outubro de 2005. "...Santa Teresa de Lisieux, jovem carmelita, da qual fizemos memória precisamente ontem. Ela viveu na clausura o seu fervoroso espírito apostólico, merecendo ser proclamada, juntamente com São Francisco Xavier, padroeira da actividade missionária da Igreja."
  5. Teresa Ferrer Passos, Santa Teresa do Menino Jesus e a força dos seus pequenos caminhos, Edições Carmelo, Marco de Canaveses, 2013, pág.133.
  6. Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para o XXI Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro de 2013). "A propósito, desejo recordar algumas figuras, dentre as inúmeras na história da Igreja, que ajudaram as pessoas doentes a valorizar o sofrimento no plano humano e espiritual, para que sirvam de exemplo e estímulo. Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, soube viver em profunda união com a Paixão de Jesus, a doença que a levou à morte através de grandes sofrimentos"
  7. Seus Pais. Página visitada em 19 de Julho de 2013.
  8. Cathédrale Saint-Pierre de Lisieux (em francês). Wikipedia. Página visitada em 8 de setembro de 2013.
  9. Ata da Fundação da Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, guardada na Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus de Mogi Guaçu-SP

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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