Euclides Scalco

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Euclides Scalco
Deputado Federal do  Paraná
Período 1º de fevereiro de 1979
até 31 de janeiro de 1991
(3 mandatos consecutivos)
Dados pessoais
Nascimento 16 de setembro de 1932 (87 anos)
Nova Prata-RS
Esposa Therezinha Marcolin Scalco
Partido PSDB
Profissão Farmacêutico
linkWP:PPO#Brasil

Euclides Girolamo Scalco (Nova Prata, 16 de setembro de 1932), filho de Elias Scalco e Adele Zanotto Scalco, é um farmacêutico e político brasileiro.

Cursou o ginasial no Colégio Imaculada Conceição em Guaporé (RS), concluindo o curso científico no Colégio Rosário, em Porto Alegre, em 1951. No mesmo ano ingressou no curso de farmácia-química na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, concluído em 1954. Após se formar, exerceu a profissão de farmacêutico-químico e foi proprietário de farmácias em Mussum (RS) e Bento Gonçalves (RS). Em 1959 transferiu-se para o município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, onde foi dono da farmácia São Vicente de Paula (1959-1975) e, posteriormente, da policlínica do mesmo nome (1968-1975).

Logo após radicar-se no interior paranaense iniciou as atividades políticas, tornando-se secretário do diretório municipal do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Francisco Beltrão (1960-1962), município no qual se elegeu vereador (1960-1962) e, em seguida, prefeito (1963-1964), sempre na legenda do PTB. Depois do término de seu mandato de prefeito, atuou em movimentos de trabalhadores rurais ligados à Igreja Católica, militando na Juventude Agrária Católica (JAC) e participando do trabalho de catequese familiar. Foi assessor da Associação de Estudos de Orientação e Assistência Rural na região de Francisco Beltrão, entidade da qual seria presidente de 1967 a 1970.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, e com a extinção dos antigos partidos políticos em conseqüência do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), foi um dos fundadores, em 1966, da seção paranaense do partido oposicionista, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), por cuja legenda foi eleito novamente vereador em Francisco Beltrão, tendo exercido o mandato até 1969. Nesse período, foi secretário do diretório municipal do MDB na cidade (1966-1970) e desempenhou intensa atividade de organização do partido no sudoeste do Paraná.

Em 1970 realizou estudos de pós-graduação de economia agrária na Universidade de Louvain, na Bélgica, e de economia no Instituto Lebret, em Paris, França. De volta ao Brasil, retomou suas atividades profissionais e foi eleito presidente da Associação Comercial e Industrial de Francisco Beltrão (1971-1973).

Em novembro de 1974 elegeu-se suplente do senador Francisco Leite Chaves na legenda do MDB, sendo escolhido em seguida presidente do diretório regional do partido no Paraná, cargo que exerceu de 1975 a 1979. No pleito de novembro de 1978 elegeu-se deputado federal pelo MDB, filiando-se à agremiação que o sucedeu, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), após a extinção do bipartidarismo no final de 1979. Exerceu o mandato até março de 1983.

Nessa legislatura, foi membro titular da Comissão de Saúde (1979-1981), da comissão parlamentar de inquérito sobre o excesso de aditivos químicos em alimentos (1979-1980) e suplente das comissões do Interior (1979) e de Economia, Indústria e Comércio (1979) da Câmara dos Deputados. Foi, ainda, coordenador do segundo simpósio nacional de Saúde da Câmara (1981). Foi primeiro-secretário (1980-1981) e, em seguida, segundo-secretário da executiva nacional do PMDB (1981-1983). Integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o terror no Congresso Nacional (1982). Foi ainda representante do Brasil na reunião do Parlamento Latino-Americano, em São José da Costa Rica em 1981.

Reeleito em novembro de 1982 pelo PMDB, iniciou novo mandato em fevereiro do ano seguinte. Logo em seguida, porém, licenciou-se para exercer o cargo de chefe da Casa Civil (1983-1986) do governador paranaense José Richa, a quem era politicamente ligado desde o início dos anos 1970. Após afastar-se da chefia da Casa Civil, reassumiu seu mandato de deputado federal, tendo sido membro das comissões de Saúde e de Previdência e de Assistência Social da Câmara dos Deputados.

Nesse período, foi chefe da missão oficial do governo do Paraná ao Japão (1984), participou ativamente da campanha das Diretas Já, no início de 1984, e das articulações que levaram à formação da Aliança Democrática e à vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985. Tancredo, contudo, por motivo de doença, não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice-presidente José Sarney, que já vinha exercendo interinamente a Presidência da República desde 15 de março daquele ano.

Em 1986 integrou a missão brasileira à reunião da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) sobre tendências e políticas de organização dos sistemas nacionais de saúde, em Caracas, Venezuela. Ainda em 1986, apoiado pela tendência peemedebista denominada “esquerda independente”, substituiu o senador paranaense Afonso Camargo no posto de primeiro-secretário da Executiva Nacional do PMDB (1986-1987).

Nas eleições de 15 de novembro de 1986, elegeu-se deputado federal constituinte pelo PMDB paranaense. Empossado em 1º de fevereiro de 1987, quando foram abertos os trabalhos da Assembléia Constituinte, foi membro da Subcomissão de Garantia da Constituição, Reformas e Emendas, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e de Garantia das Instituições, e suplente da Comissão de Sistematização. Primeiro vice-líder do PMDB, desempenhou papel de destaque nas articulações políticas durante a Constituinte, tendo sido um dos líderes do “grupo do consenso”, um dos agrupamentos suprapartidários formados no processo constituinte, reunindo parlamentares de centro-esquerda com o objetivo de defender propostas de conteúdo social e democrático na nova Constituição.

Além disso, exerceu a liderança do PMDB durante os trabalhos da Comissão de Sistematização, em virtude do afastamento do líder do partido na Constituinte, senador Mário Covas (PMDB-SP), que se submeteu na época a uma cirurgia no coração. No período em que exerceu a liderança de seu partido, Scalco foi um dos responsáveis pela inclusão, no texto elaborado pela Comissão de Sistematização, de conquistas sociais e reivindicações dos grupos de centro-esquerda na Constituinte, as quais levaram à reação do agrupamento conservador que posteriormente ficou conhecido como Centrão, e que se formou para tentar derrotar em plenário essas propostas aprovadas na Comissão de Sistematização. Entre as propostas defendidas por Scalco estavam a adoção do parlamentarismo e a limitação ao direito de propriedade privada.

Ainda durante o processo constituinte, Scalco trabalhou intensamente por um posicionamento crítico do PMDB em relação ao governo Sarney, tendo sido um dos principais defensores, no partido, do mandato presidencial de quatro anos. Chegou a defender uma ruptura do PMDB com o governo no caso de este último se afastar das diretrizes programáticas fundamentais da agremiação, tese que acabou sendo derrotada no interior do PMDB.

Na Constituinte, foi favorável à proteção das empresas nacionais, ao rompimento de relações diplomáticas do Brasil com países que desenvolvessem uma política de discriminação racial, ao mandato de segurança coletivo, à proteção dos trabalhadores contra demissões sem justa causa, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional, à unicidade sindical, à nacionalização do subsolo, ao limite de 12% ao ano para os juros reais, à proibição do comércio de sangue, à direito de sindicalização do servidor público, à limitação dos encargos da dívida externa, à anistia aos micro e pequenos empresários, à limitação do direito de propriedade privada e à desapropriação das propriedades rurais produtivas para a reforma agrária.

Manifestou-se contrariamente à pena de morte, à jornada semanal de 40 horas, ao presidencialismo, à estatização do sistema financeiro e ao mandato de cinco anos para Sarney. Destacou-se por sua postura nacionalista e por sua defesa da reforma agrária, não obstante ser proprietário de terras no interior do Paraná.

Foi autor da proposta, aprovada, da jornada de trabalho de 44 horas semanais.

Quase ao término dos trabalhos constituintes, em junho de 1988, ao lado de outros peemedebistas como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro, José Serra, Pimenta da Veiga, João Gilberto e José Richa, foi um dos principais organizadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tendo sido secretário-geral de sua comissão provisória nacional e, logo a seguir, eleito na convenção de fundação do partido secretário-geral de sua primeira Executiva Nacional.

Vice-presidente do grupo brasileiro no Parlamento Latino-Americano (1988), representante do PSDB no X Congresso do Partido Socialista Francês (1990) e na reunião dos Partidos Social-Democratas da América Latina com o Partido Socialista (PS) francês em 1991, desempenhou outras missões no exterior. Após a promulgação da Constituição, em outubro de 1988, tornou-se líder do PSDB na Câmara dos Deputados. Em outubro de 1990, foi candidato a vice-governador do Paraná na chapa do governador José Richa, que não passou para o segundo turno da eleição. José Carlos Martinez, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), e Roberto Requião, do PMDB, que acabou sendo eleito para o governo estadual, disputaram o segundo turno, realizado em novembro do mesmo ano. Exerceu o mandato até janeiro de 1991, após o que foi eleito vice-presidente do diretório nacional do PSDB, exercendo o cargo até 1993.

Em 1994 Euclides Scalco coordenou por um curto período a campanha do candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, à presidência da República, afastando-se do posto em virtude de doença de sua mulher. Foi substituído na coordenação da campanha pelo futuro ministro das Comunicações, Sérgio Mota. Logo após a vitória de Fernando Henrique no primeiro turno das eleições, em outubro de 1994, Scalco coordenou o grupo que estudou a organização do sistema de assistência social do novo governo, do qual resultou a iniciativa da criação do programa Comunidade Solidária.

Em junho de 1995, desfiliou-se do PSDB devido à entrada do ex-governador Álvaro Dias no partido, permanecendo a partir de então sem vinculação partidária. Em setembro do mesmo ano, assumiu a diretoria-geral do lado brasileiro da hidrelétrica Itaipu Binacional, em substituição a Francisco Gomide. Durante sua gestão foi promovida a renegociação da dívida de 16 bilhões de dólares da empresa com a Eletrobrás e batido o recorde mundial de produção de energia elétrica pela empresa, com 81,7 milhões de megawatts/hora em 1996.

Cogitado, em novembro do ano seguinte, para assumir o Ministério da Saúde, em junho de 1998 Scalco foi convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para assumir a coordenação política de sua campanha à reeleição. Inicialmente, Scalco recusou o convite, afirmando que não se refiliaria ao PSDB, mas em junho, acabou assumindo a tarefa. Fernando Henrique saiu-se vitorioso ainda no primeiro turno do pleito presidencial, realizado em outubro de 1998.

Paralelamente à sua carreira pública, nos anos 1990 Scalco foi ainda diretor-presidente da empresa Habitação Construções e Empreendimentos Ltda., em Curitiba (1992-1995), vice-presidente da Associação de Amigos do Hospital das Clínicas (1994-1997), vice-presidente da Fundação Nossa Senhora da Salete (1994-1998) e coordenador de Instituto Ciência e Fé (1995-1998), em Curitiba.

Scalco continuou a frente da diretoria-geral da hidrelétrica Itaipu Binacional após o pleito de 1998, tendo sido membro do Comitê de Gestão da crise do setor elétrico que atingiu o país em 2001. Em abril do ano seguinte, renunciou à diretoria-geral de Itaipu e aceitou o convite de Fernando Henrique Cardoso para assumir o cargo de ministro-chefe da secretaria geral da presidência da República em substituição a Artur Virgilio. A concordância de Scalco para assumir o cargo, com status de ministério, atendia a um antigo projeto de Fernando Henrique, que sempre almejou ter Scalco entre seus assessores mais próximos em virtude de sua credibilidade e de sua importância para a história do PSDB. Nesse período recebeu ainda a incumbência de fazer as articulações para a transição entre o término do segundo mandato de Cardoso e o início da campanha de José Serra, candidato escolhido pelo PSDB para disputar o pleito presidencial de outubro de 2002. Durante sua passagem pela secretaria participou também ativamente das negociações com o legislativo visando a aprovação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Com a vitória do candidato do Partido dos Trabalhadores Luis Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de outubro de 2002 e o subseqüente término do mandato de Fernando Henrique Cardoso em janeiro de 2003, Scalco retornou ao Paraná concentrando sua atuação na reorganização do PSDB no estado e procurando atrair e consolidar a presença no partido de novas lideranças emergentes a nível estadual tais como Gustavo Fruet e Beto Richa. Em março do mesmo ano recusou convite do presidente Fernando Henrique Cardoso para assumir a presidência do PSDB paranaense, apoiando a escolha de Beto Richa, que acabou sendo eleito para o posto. Em agosto de 2003, foi também favorável à filiação do ex-governador Jaime Lerner ao PSDB que foi no entanto rejeitada pela maioria da Executiva do partido no estado. 

Em julho de 2006 assumiu a coordenação do conselho político da campanha do senador Osmar Dias (PDT) ao governo para as eleições de outubro do mesmo ano. O pleito, bastante disputado, resultou na reeleição de Roberto Requião (PMDB) por estreita margem de votos, tendo Osmar Dias obtido 2.658.132 (49,9%) votos, contra 2.668.611 (50,1%) do governador reeleito. Osmar Dias liderava as pesquisas de opinião até a última semana da campanha eleitoral e a reeleição de Requião foi atribuída ao apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), e à presença do presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, em comícios ao lado de Requião na fase final da campanha.

Em maio de 2008 Scalco assumiu a coordenação geral da campanha de Beto Richa, de quem é padrinho de batismo, a reeleição para a prefeitura de Curitiba, o qual foi eleito ainda no primeiro turno com cerca de 77,0% dos votos válidos. Entretanto, após a vitória de Richa afastou-se do governo em virtude de divergências quanto aos critérios para a nomeação do secretariado do novo prefeito. No ano seguinte, foi novamente sondado pela executiva estadual do PSDB para assumir a presidência do partido no Paraná mas não aceitou o convite preferindo continuar participando das atividades da agremiação como simples militante. Em outubro de 2009 deu declarações à imprensa defendendo uma chapa formada pelos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, para as eleições presidenciais de outubro de 2010.

Como uma das figuras políticas mais respeitadas do Paraná, continuou a escrever artigos em jornais do estado e a ser referência para muitos líderes políticos na política estadual sendo sucessivas vezes cogitado para presidir o PSDB no estado. Foi homenageado pelos estudantes de farmácia da Universidade Estadual de Maringá, com a criação do Centro Acadêmico de Farmácia Euclides Scalco (CAFES).

Casou-se com Teresinha Marcolin Scalco, com quem teve quatro filhos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Arthur Virgílio Neto
Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil
2002
Sucedido por
Luiz Dulci
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