Ramez Tebet

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Ramez Tebet
Senador por Mato Grosso do Sul
Período 1º de fevereiro de 1995
a 17 de novembro de 2006
(2 mandatos consecutivos)
61.° Presidente do Senado Federal do Brasil
Período 20 de setembro de 2001
a 1º de fevereiro de 2003
Antecessor(a) Edison Lobão
Sucessor(a) José Sarney
2.º Ministro da Integração Nacional do Brasil
Período 20 de junho de 2001
a 15 de setembro de 2001
Presidente Fernando Henrique Cardoso
Antecessor(a) Fernando Bezerra
Sucessor(a) Ney Suassuna
5.° Governador de
Mato Grosso do Sul
Período 14 de maio de 1986
a 14 de março de 1987
Vice-governador Nenhum
Antecessor(a) Wilson Barbosa Martins
Sucessor(a) Marcelo Miranda Soares
1.º Vice-governador de
Mato Grosso do Sul
Período 15 de março de 1983
a 14 de maio de 1986
Governador Wilson Barbosa Martins
Deputado estadual de
Mato Grosso do Sul
Período 1º de janeiro de 1979
a 14 de março de 1983
30.° Prefeito de Três Lagoas
Período 3 de maio de 1975
a 5 de agosto de 1978
Antecessor(a) Hélio Congro
Sucessor(a) Altair Cabral Tranin
Dados pessoais
Nascimento 7 de novembro de 1936
Três Lagoas, MS
Morte 17 de novembro de 2006 (70 anos)
Campo Grande, MS
Alma mater Universidade do Brasil (UFRJ)
Prêmio(s) Ordem do Mérito Militar[1]
Primeira-dama Fairte Tebet
Filhos Simone Tebet, Eduarda Tebet, Rodrigo Tebet, Ramez Tebet
Partido MDB (1974–1979)
PMDB (1980–2006)
Profissão professor, advogado, promotor de justiça, sociólogo, político

Ramez Tebet GOMM (Três Lagoas, 7 de novembro de 1936Campo Grande, 17 de novembro de 2006) foi um professor, advogado, promotor de justiça, sociólogo e político brasileiro de ascendência libanesa filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Foi presidente do Senado Federal, ministro da Integração Nacional durante o governo Fernando Henrique Cardoso, governador e deputado estadual do Mato Grosso do Sul e prefeito de Três Lagoas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Taufic Tebet e Angelina Jaime Tebet, vindo de uma tradicional família árabe-brasileira[2] de Três Lagoas, próxima a outras famílias como a de Martins Rocha. Ramez Tebet formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1959.[3]

Casado com Fairte Nassar Tebet, teve os seguintes filhos: Simone, Senadora da República por Mato Grosso do Sul; Eduarda, médica; e os gêmeos Rodrigo, professor, e Ramez, também advogado.

Entre 1961 e 1964 Ramez exerceu o cargo de promotor público em sua cidade natal, Três Lagoas. Nos anos seguintes, dividiu-se entre a advocacia e o magistério.

Política[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos

Em 1975 foi nomeado prefeito de sua cidade natal. Como prefeito, suas maiores obras em Três Lagoas foram: a rodoviária municipal e o Ginásio de Esportes Cacilda Acre. Deixou o cargo ao ser empossado como secretário de Justiça do estado de Mato Grosso do Sul.

No ano seguinte, tornou-se deputado estadual na primeira legislatura, da então recém-nascida, Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Nesses anos como deputado estadual, foi o relator da constituinte e participou ativamente dos trabalhos de elaboração da primeira Constituição do estado.

Deixou a Assembleia Legislativa para ocupar a vaga de vice-governador de Wilson Barbosa Martins (PMDB) na chapa que seria eleita para governar o Estado na primeira eleição direta para os governos estaduais desde a implantação da ditadura militar. Em 14 de março de 1986, quando Wilson se afastou para concorrer ao Senado, Ramez assumiu o governo. Seu mandato se estendeu até 15 de março de 1987, quando deu a posse ao sucessor Marcelo Miranda Soares (PMDB).

Entre 1987 e 1989 atuou como Superintendente de Desenvolvimento do Centro-Oeste, no Sudeco.

Ministro da Integração e presidente do Senado

Em 1994 foi eleito senador.

Destacou-se no Senado brasileiro na presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito - que investigou o Poder Judiciário - e do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. À frente desses cargos, investigou o episódio da quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado em 2001 e o esquema de desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Assim, levou à inédita cassação de um senador - Luís Estêvão, em 2000 - e à renúncia de outros três - Antônio Carlos Magalhães (PFLBA), Jader Barbalho (PMDB-PA) e José Roberto Arruda (PSDB-DF).

Em junho de 2001, Ramez Tebet foi nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como ministro da Integração Nacional, mas permaneceu no cargo somente três meses. Em setembro de 2001, com a renúncia de Jader Barbalho, um amplo acordo político de emergência resultou na saída de Ramez do ministério para ser eleito presidente do Senado, posição que ocupou até 1 de fevereiro de 2003, tendo dado no dia 1º de janeiro daquele ano posse ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Admitido à Ordem do Mérito Militar em 1998 no grau de Comendador especial pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, Ramez foi promovido por FHC em abril de 2002 ao grau de Grande-Oficial.[4][1]

Mais tarde no mesmo ano, foi reeleito com a maior votação já obtida por um político de Mato Grosso do Sul - mais de setecentos e trinta mil votos. Nessa legislatura, esteve envolvido com temas importantes da agenda política nacional, como a Reforma Tributária. Foi, também, o relator da nova Lei de Falências.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Funeral do senador Ramez Tebet. Na fotografia Renan Calheiros (à esquerda), Luiz Inácio Lula da Silva (de casaco bege) e José Sarney (à direita).

Em março de 1984, curou-se de um câncer no esôfago. Em outubro de 2004, o câncer reapareceu e Ramez lutou contra ele até seu falecimento, dois anos depois.

Quando de sua morte, era senador em segundo mandato pelo PMDB e titular das duas comissões mais poderosas do Senado, a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Assuntos Econômicos. Seu mandato no Senado Federal terminaria em 2011 e foi substituído por seu primeiro suplente, Válter Pereira.

Em seu velório, no Ginásio de Esportes Cacilda Acre, estiveram presentes Luiz Inácio Lula da Silva; o deputado federal Michel Temer, presidente nacional do PMDB; e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) ; Pedro Simon (PMDB-RS) ; Arthur Virgílio (PSDB-AM); e Delcídio Amaral (PT-MS); além de grande multidão de Três Lagoas. Foi enterrado em 18 de novembro de 2006 no cemitério Santo Antônio em sua cidade natal de Três Lagoas.

Herança política[editar | editar código-fonte]

Segundo o senador Pedro Simon (PMDB-RS), Tebet havia sido uma das pessoas “mais corretas, mais dignas” que havia encontrado na vida pública. Ainda, apoiado pelos senadores Paulo Paim (PT – RS) e Mozarildo Cavalcanti (PTBRR), disse que “nunca houve um problema nesta Casa (o Senado) sem que Tebet procurasse ajudar”. Citou, também, um exemplo de dedicação de Tebet: estando o último lutando contra o câncer, saiu do hospital diretamente para o Senado para discursar, mesmo fragilizado.

Ramez Tebet tinha a filosofia de que o Centro-Oeste era uma das mais importantes fronteiras para garantir o desenvolvimento sustentável do Brasil, pelas imensas potencialidades ainda não desenvolvidas de sua terra e de sua gente. Esse objetivo de desenvolver a região e, assim, o Brasil, foi o centro de toda a sua atividade pública, pelo que ele sempre trabalhou.

Deixa, assim, seguidores no palco da política.

Sua filha Simone tornou-se a portadora do legado político do pai. Eleita deputada estadual por Mato Grosso do Sul em 2002, em 2004 deixou a Assembleia para disputar a prefeitura treslagoense, que nos anos 70 foi administrada pelo pai. Venceu a eleição. Dos quatro filhos de Ramez, a advogada Simone é a única que enveredou pela militância política.[carece de fontes?]

Ainda, um dos afilhados políticos do senador foi André Puccinelli (PMDB), governador de Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos (2007—2015), que começou a militar na política nos anos 70 pelas mãos de Ramez.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b BRASIL, Decreto de 3 de abril de 2002.
  2. «Dinheiro, diploma e voto: a saga da imigração árabe». Veja. 4 de outubro de 2000. Consultado em 20 de abril de 2014. Arquivado do original em 2 de janeiro de 2008 
  3. «Senado Federal - Brasil - Portal Senadores». www.senado.gov.br. Consultado em 30 de novembro de 2015. Arquivado do original em 8 de dezembro de 2015 
  4. BRASIL, Decreto de 31 de março de 1998.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Hélio Congro
Prefeito de Três Lagoas
2 de maio de 1975 — 5 de agosto de 1978
Sucedido por
Altair Cabral Tranin
Precedido por
Wilson Barbosa Martins
Governador de Mato Grosso do Sul
14 de março de 1986 — 15 de março de 1987
Sucedido por
Marcelo Miranda Soares
Precedido por
Edison Lobão
Presidente do Senado Federal do Brasil
2001 — 2003
Sucedido por
José Sarney