Felipe Jorge Loureiro

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Felipe
Informações pessoais
Nome completo Felipe Jorge Loureiro
Data de nasc. 2 de setembro de 1977 (43 anos)
Local de nasc. Rio de Janeiro (RJ), Brasil
Altura 1,75 m[1]
canhoto
Apelido Maestro
Informações profissionais
Equipa atual sem clube
Posição meia
Função treinador
Clubes de juventude
1987–1996 Vasco da Gama
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1996–2002
2001
2001
2002–2003
2003–2004
2005
2005–2010
2010–2012
2013
Vasco da Gama
Palmeiras (emp.)
Atlético Mineiro (emp.)
Galatasaray
Flamengo
Fluminense
Al-Sadd
Vasco da Gama
Fluminense

Total

0268 000(42)
0000 0000(0)
0007 0000(0)
0014 0000(2)
0077 000(19)
0008 0000(0)
0107 000(45)
0110 000(13)
0042 0000(0)

0633 000(121)

Seleção nacional3
1999
1998–2004
Seleção Brasileira Sub-23
Seleção Brasileira
0001 0000(0)
0007 0000(0)
Times/Equipas que treinou3
2017 Tigres

Felipe Jorge Loureiro (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1977) é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como meia.

Chegou ao Vasco da Gama ainda menino, aos seis anos de idade, onde iniciou sua trajetória dentro do clube no futsal em 1983. Tendo logo se destacado, a transição para o campo foi inevitável. Considerado por muitos o melhor lateral esquerdo da história do clube (posição pela qual iniciou a carreira profissional e se tornou ídolo), é um dos jogadores mais habilidosos já revelados por este.[2] O meia tem mais de 350 jogos pela equipe,[2] e com sete títulos de expressão conquistados com a camisa cruzmaltina, é o jogador mais vitorioso da história vascaína.[3] Em sua carreira também soma rápidas passagens por Palmeiras, Atlético Mineiro e Galatasaray, bem como passagens de destaque por Flamengo e Al-Sadd do Qatar, além de polêmica passagem por Fluminense, onde anos depois, atuou profissionalmente pela última vez antes de encerrar sua carreira. Também possui convocações para a Seleção Brasileira entre 1998 e 2004.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Vasco da Gama[editar | editar código-fonte]

Felipe surgiu no cenário nacional durante o Campeonato Brasileiro de 1996, atuando em sua posição de origem que era lateral esquerdo, lançado pelo técnico Antônio Lopes. Dotado de grande habilidade e dono de um passe refinado, pode ser facilmente incluído entre os maiores talentosos do futebol brasileiro desta geração. Aos 19 anos, foi integrado ao elenco profissional graças ao filho de Lopes que lhe viu jogar na base e gostou de seu futebol[4]. Surpreendeu Lopes logo de cara: "No primeiro treino foi logo metendo bolas no meio das pernas dos titulares", afirmou[5]. Fez sua estreia no dia 3 de novembro, na vitória por 2 a 1 diante do Botafogo[6]. As pessoas não imaginavam que ali surgira um dos grandes ídolos da história do clube[7].

No ano seguinte, as coisas começariam a acontecer não só para o Vasco da Gama como para Felipe que já era titular absoluto na posição. Em uma campanha avassaladora, o clube sagrou-se campeão do Campeonato Brasileiro de 1997 em final contra o Palmeiras. Mesmo o peso da conquista estando sobre os ombros do ídolo maior Edmundo, que foi o craque do campeonato, artilheiro e principal responsável pelo título vascaíno[8], Felipe que também via seu melhor amigo desde a base, Pedrinho, despontar na equipe[9], cravava seu nome na história do clube, sendo premiado pela CBF como o melhor lateral esquerdo do campeonato[10] e também se tornando sensação no País, principalmente entre os mais jovens, graças a seus dribles e lindas jogadas.

Em 1998, a excelente sina do clube continuou e a fase espetacular de Felipe também. No ano de seu centenário, o Vasco foi campeão do Campeonato Carioca de 1998 vencendo os dois turnos e posteriormente campeão da Copa Libertadores da América de 1998 pela primeira vez, sobre o Barcelona de Guayaquil[11], com Felipe brilhando e sendo eleito para o onze ideal da América do Sul pelo jornal uruguaio El País[12][13]. Classificado para o Mundial de Clubes de 1998 disputado no Japão, onde enfrentaria o Real Madrid, a equipe em si desprezou o Campeonato Brasileiro de 1998, poupando-se para a partida no fim do ano. Mesmo assim, Felipe foi premiado mais uma vez como o melhor lateral esquerdo do campeonato[14]. O grande futebol demonstrado, lhe proporcionou sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, pelo técnico Vanderlei Luxemburgo[15].

No dia 1 de dezembro de 1998, o Vasco da Gama enfrenta o Real Madrid no Estádio Olímpico de Tóquio. Felipe faz uma partida memorável, desferindo seus dribles rápidos e talentosos, faz os espanhóis sofrerem para marcá-lo, sendo protagonista de diversas oportunidades que não resultaram em gol por capricho do destino, sendo considerado o melhor jogador da equipe vascaína[16][17][18]. Porém, a exibição de Felipe não foi o reflexo do resultado do jogo, que terminou com um placar de 2 a 1 para a equipe do Real Madrid que sagrou-se campeão mundial[19][20]. Anos depois, em votação realizada pela internet, a atuação do Vasco seria eleita a melhor de um time brasileiro contra um time europeu em finais de Mundiais[21]. Felipe daria uma entrevista se referindo ao jogo e ao prêmio de melhor jogador daquela partida com os seguintes dizeres: "O Vasco jogou muito melhor, massacrou. Eu tenho a consciência de que fui o melhor [daquele jogo]. Se tivesse vencido, eu ganharia o carro, e não o Raúl. É uma perda muito grande e que não tem cura."[22]

O estilo de jogo de Felipe, que sempre deixou muito claro: "Não sou muito de marcar gols, prefiro driblar"[23] e "ver a cara de espanto do meu marcador depois de uma entortada me enche de prazer"[24], encantou o Brasil e lhe fez se tornar unanimidade naquele ano para se tornar titular da Seleção Brasileira pós Copa do Mundo de 1998 no lugar de Roberto Carlos, contudo, o treinador da seleção, Vanderlei Luxemburgo, entendia que Felipe deveria atuar como meia: "É um desperdício esse rapaz jogar na lateral, ele sabe das coisas", afirmou[25].

Em 1999, Felipe não parou de conquistar titulo. Com o lateral sendo um dos principais jogadores da competição, contribuindo com assistências e entortadas nos adversários, o Vasco foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1999 diante do Santos[26]

Na Seleção Brasileira, ao passo que fora convocado outras vezes, é utilizado no meio-campo[25] e Luxemburgo lhe pede para que assim atue no Vasco[27]. Todavia, o clube possuía em seu plantel outros grandes jogadores na posição como Juninho Pernambucano, Ramon Menezes e Pedrinho. Assim, para não existir concorrência quanto a titularidade, Lopes mantém Felipe em sua posição de origem.

Suas belas atuações pelo Vasco chamaram a atenção dos europeus e neste mesmo ano, o craque foi alvo de uma grande polêmica que chegou aos tribunais da FIFA. Depois do Vasco ter concretizado sua transferência para a Roma da Itália por nada menos que US$ 22 milhões (22 milhões de dólares), maior valor de uma transferência do futebol brasileiro na época, Felipe foi recusado pelo novo treinador da equipe que assumira antes que o jogador pudesse chegar (Felipe iria após o término do Estadual, no entanto, houve mudança de técnico neste tempo).[28][29] Depois de consultar observadores brasileiros, o técnico Fabio Capello convenceu os dirigentes romanos que o investimento em Felipe seria excessivo, devido ao caráter e ao estilo de jogo do atleta (Capello achava que Felipe não se adaptaria ao futebol italiano bem como acreditava que se tratava de um jogador "bad boy"). O Vasco por sua vez, não aceitou a recusa após o fechamento do negócio e o caso foi parar na FIFA. Por causa do imbróglio entre Vasco e Roma, Felipe que chegou a sofrer de uma depressão, ficou três meses parado, mas retornou ao Vasco.[30][31][32]

Em 2000, logo no início da temporada, Felipe teve um problema com a Seleção Olímpica. O jogador foi convocado para disputar o Pré-Olímpico de Londrina, entretanto o Vasco na figura de seu mandatário Eurico Miranda não o liberou visando o Mundial de Clubes da FIFA de 2000[33]. Assim, Felipe pediu para apresentar-se ao time Sub-23, que disputaria o torneio, somente depois da final do Mundial (uma semana após o início do treinamento da Seleção para a competição qualificatória). A ideia de Eurico era utilizar Felipe, vencer o mundial e depois vendê-lo por uma quantia ainda maior do que a transferência não concretizada para a Roma[29]. Luxemburgo porém, não aprovou o pedido e acabou cortando Felipe da equipe, que venceu o Pré-Olímpico e obteve vaga para os Jogos Olímpicos de Verão de 2000 em Sydney. Desta forma, também ficou fora das Olimpíadas e posteriormente com a saída do treinador do comando da seleção, Felipe deixou de ser convocado.

Atuando como apoiador nessa temporada, marca um golaço, acertando belo chute de fora da área, na primeira partida do Mundial na vitória do Vasco por 2 a 0 sobre o South Melbourne[34]. Contudo, após também vencer o Manchester United por 3 a 1[35] e o Necaxa por 2 a 1[36], o Vasco sofre duro golpe perdendo o título do Mundial de Clubes em pleno Maracanã para o Corinthians em decisão por pênaltis[37]. Em seguida, outro golpe: o time perde a final do Torneio Rio-São Paulo de 2000 para o Palmeiras[38]. Após isso, o clube com seu elenco estrelado, foca em conquistar outros títulos pela temporada e começa muito bem: A equipe cruzmaltina aplica uma goleada histórica no maior rival, Flamengo, por 5 a 1, com Felipe brilhando e marcando um gol, partida que ficou conhecida pela torcida vascaína como "chocolate" em alusão a goleada aplicada em um domingo de páscoa, após o mandatário Eurico Miranda distribuir 40.000 ovos de páscoa para a torcida antes do apito inicial[39][40]. Esse jogo consagrou o Vasco como campeão da Taça Guanabara 2000. Porém a equipe perde a final do Estadual para o próprio Flamengo, deixando escapar mais um título no primeiro semestre. Contudo, o segundo semestre seria incrível para o Vasco da Gama, liderados pela estrela maior, Romário, os títulos perdidos na primeira parte da temporada seriam compensados com a conquista da Copa Mercosul em final histórica contra o Palmeiras[41] e com a conquista do campeonato brasileiro no formato de Copa João Havelange contra o São Caetano[42]. Felipe, no entanto, sofreria uma fratura no tornozelo durante a disputa do campeonato, que o tiraria dos gramados por três meses e o impediria de participar da reta final da temporada do clube[43].

Empréstimos a Palmeiras, Atlético-MG e volta ao Vasco[editar | editar código-fonte]

Por conta de conflitos com a diretoria, Felipe foi emprestado pelo Vasco e teve rápidas passagens por Palmeiras e Atlético Mineiro em 2001. A ideia principal do clube e dos empresários era colocá-lo na vitrine do futebol mundial e vendê-lo para o exterior. Por isso, no Palmeiras foi contratado para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA de 2001, no entanto a competição foi cancelada em razão da falência da empresa de marketing esportivo suíça ISL, que detinha os direitos de exploração do torneio[44]. Atuando como lateral-esquerdo, disputou com destaque a Copa Libertadores da América de 2001, caindo na semi-final diante da equipe do Boca Juniors da Argentina em disputa de pênaltis[45]. Após a eliminação, reivindicou um lugar no meio-campo, afirmando que não atuaria mais na lateral, enfrentando o então técnico Celso Roth, que insistia em colocá-lo na posição. O conflito com o treinador foi primordial para a saída de Felipe do clube[46][47]. Por conta disso, ficou 3 meses sem atuar antes de ser anunciado pelo Atlético Mineiro para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2001 onde foi semi-finalista[48].

Assim, em 2002, Felipe regressa ao Vasco da Gama[49] e com a vaga no meio-campo aberta, o clube aproveitando-se da visão de jogo apurada de Felipe e sua capacidade para colocar o companheiro na cara do gol, lança o craque definitivamente como o "maestro" do time. Assim, o jogador deixa de usar a camisa 6 com a qual se consagrou no clube, e recebe a camisa 10 dividindo posto de protagonista da equipe com Romário[50]. Contudo, o acordo de Felipe com o clube era de ser liberado sem nenhum problema caso surgisse uma boa proposta para ele. Assim, permaneceu no clube também por pouco tempo, apenas o primeiro semestre. Ainda antes de ir embora, Felipe faz algumas belas partidas com a camisa do Vasco, dentre as quais, as duas contra o Sergipe na Copa do Brasil de 2002, onde fez gol no empate por 1 a 1 na ida, jogo marcado por uma confusão com policiais[51] e também marcou gol e deu assistência na volta, além de esbanjar talento nas jogadas individuais, na vitória por 2 a 1[52]. Outra partida de destaque foi contra o arquirrival, Flamengo, válida pelo Torneio Rio-São Paulo de 2002, na qual o Vasco venceu por 3 a 1, com direito a assistências e belos dribles do craque, eliminando o rival da competição[53].

Galatasaray (Turquia)[editar | editar código-fonte]

Devido as boas exibições do meia e principalmente o desgaste relacionado a gestão do então presidente Eurico Miranda, Felipe deixa o Vasco novamente. Com seu inquestionável futebol, o jogador tinha tudo para se firmar em um grande clube do alto escalão europeu e fazer sucesso por lá também, todavia isso não aconteceu. O meia é comprado pelo Galatasaray da Turquia para ser o camisa 10 da equipe. Marcou um gol logo na estreia[54], contudo, por conta de falta de pagamento dos turcos, jogou apenas meia temporada pelo clube, atuando na Liga dos Campeões e no Campeonato Turco. Sem receber salários, surge o desejo de regressar ao Brasil, e após rescindir junto a FIFA o seu contrato com o Galatasaray, retorna ao País[55]. A volta ao clube que lhe revelara e se tornara ídolo seria algo natural, contudo, o Vasco não se manifestou, afinal, tinha fechado o seu meio-campo com nomes como Marcelinho Carioca e Petković, diferentemente do rival, Flamengo, que logo se interessou pelo meia. Prevaleceu a vontade de Felipe em regressar ao Rio de Janeiro e assim o Flamengo confirmou a contratação[56].

Flamengo[editar | editar código-fonte]

Felipe chega ao Flamengo em 2003 anunciado como o grande reforço pra temporada, assinando contrato por dois anos, recebendo a camisa 10 e a faixa de capitão da equipe rubro-negra[57][58]. Entretanto, acometido por lesões, atua em poucos jogos e o Flamengo não consegue atingir os objetivos na temporada, não chegando sequer a final do Campeonato Carioca de 2003, assistindo o maior rival Vasco ser campeão[59]. Após isso, a equipe vem em uma crescente, e tem a chance de conquistar um título nacional. O clube e o meia conseguem chegar a final da Copa do Brasil de 2003, porém acabam por amargar o vice perdendo o título para o Cruzeiro no Mineirão[60]. Restando desta forma, uma campanha mediana no Campeonato Brasileiro de 2003. Felipe porém, sofreu com lesões musculares e principalmente na região do púbis que lhe tirou de diversas partidas na competição, atuando em menos da metade dos jogos, retornando somente no fim do campeonato[61][62].

O ano seguinte, é o grande ano de Felipe com a camisa do clube. O meia faz um Campeonato Carioca de 2004 inesquecível. Atuando como ponta-direita por opção do técnico Abel Braga, foi o principal responsável pela conquista do Flamengo em cima do ex-clube e agora arquirrival Vasco da Gama[63]. Antes disso, em duelo também contra o Vasco, válido pela semi-final da Taça Guanabara faz uma partida memorável, comandando a vitória do Flamengo por 2 a 0, marcando um belo gol e esbanjando seus dribles desconsertantes, ficando parado com a bola por vários segundos na frente do marcador sem sofrer tentativa de desarme, o que sugeria medo do adversário em ser driblado[64][65]. A incrível performance dentro de campo e seus atos, como a comemoração extravasada, deixaram no ar algum tipo de raiva contra o ex clube ou contra o seu mandatário. No decorrer da competição, Felipe continuou mostrando seu inquestionável futebol frente aos adversários através de suas jogadas geniais e dribles imparáveis, levando o treinador Abel Braga a fazer declarações como: "O Felipe atesta contra as leis da física" e "No momento, parar o Felipe só com tiro"[66]. Após a vitória de virada por 4 a 3 contra o Fluminense naquele campeonato, com uma bela partida de Felipe, dando assistência e marcando gol[67], a torcida cantou a música "Poeira, levantou poeira", hit de sucesso lançado pela cantora Ivete Sangalo que a partir dali, embalou o time no estadual[68]. Além disso, passou a ser comparado a Garrincha por conta de seu estilo irreverente frente aos adversários dentro de campo[69][70][66]. Ao final do campeonato, foi coroado como o melhor jogador da competição.

O craque ainda conduziu o Flamengo para a final da Copa do Brasil de 2004, dessa vez contra a inexpressiva equipe do Santo André. Porém, a atuação do meia foi despercebida, a equipe sofre apagão e amarga o vice da competição novamente, deixando escapar o título em pleno Maracanã, causando-lhe contestações[71][72].

A excelente fase individual, lhe rendeu bons frutos, Felipe foi convocado por Carlos Alberto Parreira para a disputa da Copa América de 2004 pela Seleção Brasileira, repetindo assim o feito dos tempos de Vasco da Gama[73]. Sagrou-se campeão da competição frente a Seleção Argentina[74].

No Campeonato Brasileiro de 2004, o Flamengo passou um grande sufoco na luta contra o rebaixamento. O elenco era limitado e dependente de Felipe. Sendo assim, na última rodada do campeonato, o Flamengo precisaria de uma vitória para se livrar da queda e enfrentaria o Cruzeiro em Volta Redonda. Felipe, que por ser o craque do time carregava um fardo maior, era pressionado por alguns torcedores que não esqueciam o vexame da final da Copa do Brasil daquele ano, bem como não admitiam a situação que se encontrava o clube no campeonato. O Flamengo venceu incontestavelmente o Cruzeiro por 6 a 2, com uma bela partida do camisa 10, que por sua vez deu duas assistências e marcara um gol antológico, na ocasião driblando o zagueiro adversário e encobrindo o goleiro com um toque magistral, onde na comemoração jogou a camisa do Flamengo para o alto como um ato de extravaso e resposta a torcida, garantindo assim a permanência do clube na primeira divisão[75][76]. Porém, para alguns torcedores, a atitude foi tida como desrespeito, abalando assim a relação do meia com o Flamengo. O mal entendido só foi resolvido tardiamente, quando o craque estava de malas prontas para deixar a Gávea, rumo ao rival Fluminense.

Fluminense[editar | editar código-fonte]

Em 2005, Felipe vai jogar pelo Fluminense[77]. Sua passagem foi rápida e extremamente problemática. Sob o comando de Abel Braga que lhe treinara no Flamengo e dado como a grande a contratação da temporada do clube, o camisa 10 participa das primeiras partidas do time no Campeonato Carioca de 2005, onde o clube viria a conquistar o titulo depois[78]. Entretanto, o primeiro problema se dá em partida válida pela Copa do Brasil de 2005 contra o Campinense Clube. Felipe, que havia dado assistência e marcara um golaço na partida, agride o jogador adversário, Marcos Mendes, com um soco no rosto e é expulso, aguçando ainda mais a sua fama de jogador "bad boy"[79]. No dia 8 de março, o craque foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, sendo punido com 180 dias de suspensão, colocando assim o seu contrato em risco[80]. Porém o Fluminense resolve manter Felipe no clube. Retornou somente dia 4 de agosto[81] e a partir daí fez 10 jogos com a camisa do clube no Campeonato Brasileiro de 2005 e na Copa Sul-Americana de 2005 com as boas atuações e assistências que todos esperavam. Após o fim da longa suspensão do meia, buscando qualificar mais ainda o elenco, o Fluminense contratou o sérvio Petković, que pediu a camisa 10, mas Felipe, grande astro do time, lembrando-se que tinha um contrato publicitário com a Nike para um programa de televisão que explorava o jogador vinculado a numeração, não cedeu e o sérvio acabou ficando com a camisa 8 [82][83]. Em outubro, o último problema. O meia que se recuperava de lesão faltou a treinos e fora multado pelo clube, todavia, não concorda, reclama da multa e critica o trabalho do preparador físico, Cristiano Nunes, publicamente, atitude que gerou insatisfação dos dirigentes, rompendo o vínculo do meia com o Fluminense, alegando pouco retorno pelo alto investimento no atleta e chegando a insinuar que o jogador forjava lesões[84][85].

Al-Saad (Qatar)[editar | editar código-fonte]

Não podendo mais atuar por equipes brasileiras na temporada após a saída do Fluminense e com a janela de transferências pro exterior aberta, Felipe recebeu diversas propostas de clubes, mas por razões financeiras optou por jogar no Oriente Médio. O craque arrumou as malas e foi jogar pelo Al-Sadd do Qatar. No Qatar, o meia conseguiu facilmente se adaptar e exibir o seu inquestionável futebol. Deixando a camisa 10 de lado, e usando a camisa 23, permaneceu cinco anos por lá, se tornou capitão da equipe e conquistou duas Liga do Qatar, uma Copa do Emir de Qatar e duas Copa do Qatar, recebeu prêmios, ganhou a alcunha de "mágico" pelos torcedores e eternizou-se na história do clube como um dos maiores ídolos[86][87][88].

Retorno ao Vasco da Gama[editar | editar código-fonte]

Em 2010, Felipe, aos 32 anos, recebeu diversas propostas de clubes do Brasil e a renovação no Al-Sadd, porém em 9 de junho anunciou seu retorno ao Vasco da Gama, 8 anos após sua saída, assinando contrato até o fim de 2012. Adotando a mesma camisa com a qual começou a carreira e se tornou ídolo, o número 6, o meia deu a seguinte declaração: "O bom filho a casa torna"[89].

Aos gritos de "o maestro voltou" e com tapete vermelho, Felipe foi reapresentado em São Januário perante cerca de 1.500 torcedores, que por sua vez, não escondiam a felicidade em ter novamente no time um ídolo que participou e contribuiu para as maiores conquistas do clube. Ao lado de seu amigo e também ídolo do clube, Pedrinho, que lhe entregou a camisa 6, recebeu das mãos do presidente e maior ídolo da história do Vasco, Roberto Dinamite, o título de sócio proprietário do clube[90][91].

Fez sua estreia no dia 1 de agosto diante do rival Flamengo, no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2010 e que empatou por 0 a 0. Na ocasião, o meia apresentou seu cartão de visita: um lindo drible, colocando a bola entre as pernas do atacante do Flamengo, Cristian Borja, que sem entender muito foi vitima da habilidade do craque[92][93]. Mesmo com uma readaptação difícil, Felipe teve uma boa média em suas atuações ao decorrer da competição, ajudando a manter o Vasco no meio da tabela.

Em 2011, o clube inicia o pior começo de temporada de sua história até então com derrotas na Taça Guanabara[94]. Com a crise instalada e vaias para o time, Felipe foi alvo de questionamentos por parte de alguns torcedores que acreditavam em "corpo mole" do meia, principalmente após não interpretarem bem uma declaração do jogador dizendo: "se eles acham que ninguém presta, vou ser o primeiro a pedir pra sair"[95], o que culminou na queda do técnico PC Gusmão e no afastamento de Felipe[96]. Com a chegada do novo treinador, Ricardo Gomes, Felipe é reintegrado na equipe, e começa a brilhar novamente.[97][98]

Na Taça Rio, o time vem em uma ascensão incrível com Felipe sendo o cérebro da equipe e comandando o meio-campo, liderando o seu grupo[99][100]. As boas atuações do meia e da equipe, levaram o Vasco até a final da taça, que acabou por ser derrotado nos pênaltis para o maior rival Flamengo[101]. Como recompensa do futebol demonstrado, Felipe é premiado como o melhor meia do Campeonato Carioca de 2011[102][103].

Com o "maestro" nas graças da torcida e a boa fase do time nas competições disputadas, a coroação do seu retorno estava por vir[104]. Felipe comanda a equipe para a decisão da Copa do Brasil de 2011, onde pela primeira vez o meia e o Vasco são campeões da competição, em pleno Couto Pereira contra o Coritiba.[105][106]

Questionado sobre se teria algo a declarar com relação as criticas do inicio do ano, o craque foi categórico e simples em dizer:[107]

A conquista inédita proporcionou dias de festas no Brasil inteiro e colocou o meia como o maior campeão na galeria dos maiores vencedores pelo clube[108].

No decorrer da temporada, o meia continuou primordial para o time servindo os companheiros e articulando o meio-campo, na Copa Sul-Americana de 2011 onde caiu na semi-final diante da Universidad do Chile e na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro de 2011, ficando na segunda colocação. Foi também nesse ano, que bateu o seu recorde de gols em uma temporada pelo Vasco, marcando 7 gols, o que nunca foi seu forte. Dentre os quais, se destacam os belos gols marcados no Brasileiro, como na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-GO, pegando de primeira após rebote na meia lua da área sem chances para o goleiro[109]; Na vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo, tabelando na entrada da área e acertando belo chute no ângulo[110]; Contra o Bahia, também tabelando e de fora da área acertando um lindo chute, ajudando o Vasco a vencer por 2 a 0[111] e por fim, o golaço marcado na vitória por 2 a 0 sobre o Avaí, aplicando um drible de futsal no marcador e chutando de trivela de fora da área, acertando o ângulo[112][113].

O inicio do ano seguinte é o inverso do anterior. O Vasco chega a final da Taça Guanabara de forma invicta, contudo perde para o Fluminense.[114] O treinador Cristóvão Borges tinha dificuldades em escalar Felipe e Juninho Pernambucano juntos, o que irritava a torcida e causou certa insatisfação em Felipe que chegou a afirmar: "Particularmente, esse negócio de Juninho e Felipe não jogarem juntos me incomoda. O dia que me falarem que dois jogadores de qualidade não podem ficar em campo juntos, eu paro de jogar futebol"[115]. Com o problema aparentemente resolvido, o Vasco chega a semi-final da Taça Rio para enfrentar o Flamengo. Antes da partida, o atacante rubro-negro, Vágner Love, provocou o Vasco após alguns jogadores conseguirem efeito suspensivo para atuar[116]. No dia 22 de abril, o Vasco venceu a partida por 3 a 2, de virada, com uma estupenda partida de Felipe, marcando um belo gol e outro de pênalti[117] Assim, mais uma vez o Vasco despacha o maior rival em um jogo decisivo na temporada (já o tinha feito no primeiro turno[118]), dessa vez sob a regência de seu maestro, que por sua vez, respondeu a provocação do jogador adversário com a seguinte declaração:[119]

Contudo, o Vasco perde a final do segundo turno para a equipe do Botafogo, concluindo assim duas derrotas nas finais dos dois turnos do Campeonato Carioca de 2012.[120] Mais uma vez, Felipe recebeu o prêmio de melhor meia do campeonato[121].

Após a eliminação nas quartas de final da Copa Libertadores da América de 2012 e a frustração no Campeonato Brasileiro de 2012, que apesar do excelente primeiro turno, sofrera desmanche em seu elenco e fez péssimo returno, saindo da zona de classificação para a Libertadores e escancarando enorme problema financeiro. Felipe que recentemente havia renovado seu contrato por pelo menos mais 1 ano, se concentrava para o ano seguinte. Todavia, no dia 21 de dezembro, teve seu contrato rescindindo com o Vasco pelo novo diretor, René Simões, que mesmo não tendo história alguma dentro do clube ganhou uma espécie de "queda-de-braço" contra o ídolo. Felipe havia declarado que o clube não precisava de mais um diretor e sim de jogador e teceu duras críticas a diretoria que havia pago salário atrasado de apenas uma pequena parcela do elenco[122][123].

O diretor-técnico, Ricardo Gomes, foi pego de surpresa e lamentou o fato: "Perdi meu melhor jogador", afirmou[124]. Apesar de ter se desligado do clube, o Felipe teve, através de uma carta, a permanência pedida por torcedores vascaínos junto ao gerente de futebol, René Simões. O motivo alegado foram as complicações, principalmente financeiras, que cercavam o Vasco, fator que poderia interferir negativamente na contratação de reforços, além dos fatores de idolatria e qualidade[125]. O elenco era limitado e a torcida previa o que poderia acontecer. Entretanto, apesar das tentativas dos fãs de demover René da ideia, o gerente de futebol confirmou, em 9 de janeiro de 2013, a rescisão contratual de Felipe, rescisão esta tida pelo dirigente como "amigável"[126][127].

O fato é que, após tal ato, Renê Simões caiu em espécie de "tragédia" para com a torcida e sofrendo pressão, também não permaneceu no clube. Mais tarde, já aposentado, Felipe ainda faria duras críticas ao ex diretor executivo responsável pelo rebaixamento do clube, afirmando que este não tem história alguma no futebol, chamando-o de bom de lábia e aproveitador[128].

Segunda passagem pelo Fluminense[editar | editar código-fonte]

No dia 17 de janeiro de 2013, a pedido do técnico Abel Braga, o Fluminense fechou a contratação de Felipe. Esta foi a segunda passagem dele pelo clube, que ele já havia defendido em 2005.[129][130] Foi apresentado ao clube no dia seguinte.[131][132]

Em 30 de janeiro, pela terceira rodada do Estadual, o veterano Felipe reestreia, depois de oito anos, com a camisa tricolor diante do Friburguense, no Engenhão.[133][134] E jogou a partida contra seu ex-clube, Vasco, em 9 de fevereiro, no Engenhão em um empate por 1 a 1.[135][136]

Não conseguiu se firmar como titular durante a temporada e viu do banco de reservas a péssima colocação do clube no Campeonato Brasileiro de 2013. Entretanto, vindo à tona o polêmico "Lusagate" (jogadores escalados de maneira irregular pelo Flamengo e pela Portuguesa na última rodada do campeonato), com a punição e conseguente perda de pontos sofridas pelo Flamengo e pela Portuguesa, o time tricolor terminou na 15ª posição, à frente do Flamengo em 16ª e da Lusa que ficou na 17ª posição, sendo rebaixada.[137]

Não renovou seu contrato e em dezembro se desvinculou do clube[138].

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

Em março de 2014, aos 36 anos, longe dos holofotes que lhe acompanharam por quase toda a carreira, anunciou sua aposentadoria. Felipe esteve perto de acertar seu retorno ao Vasco, para encerrar sua carreira, mas sem chegar a um acordo com o clube, acabou encerrando fora de São Januário.[139]

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

O seu primeiro jogo pela Seleção Brasileira foi num amistoso em 1998 frente a Seleção Iugoslava. Nessa época o treinador brasileiro era Vanderlei Luxemburgo que convocaria o jogador outras vezes em 1999 e para o Pré-Olímpico em 2000, competição que acabou ficando de fora por não ser liberado pelo Vasco. porém com a saída de Luxemburgo do comando da seleção naquele ano, Felipe deixou de ser convocado e voltaria apenas alguns anos depois.

Em 2004, Felipe estava em boa fase no Flamengo e Carlos Alberto Parreira, então treinador brasileiro, deu uma nova chance ao jogador na Seleção Brasileira. Felipe foi convocado para a disputa da Copa América de 2004, chegando a jogar na fase de grupos contra a Seleção Paraguaia e na final frente a Seleção Argentina, entrando no lugar de Alex. A Seleção Brasileira venceu a competição na disputa por pênaltis. Esta foi a sua última participação em jogos pela Seleção.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Brasil Vasco da Gama
Brasil Flamengo
Brasil Fluminense
Catar Al-Sadd
  • Liga do Qatar: 2005-2006 e 2006-2007
  • Qatar Crown Prince Cup: 2006 e 2008
  • Emir of Qatar Cup: 2007
Brasil Seleção Brasileira

Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

  • Seleção do Campeonato Brasileiro: 1997 e 1998
  • Seleção da América do Sul: 1998
  • Craque do Campeonato Carioca: 2004
  • Melhor Jogador Primeira Divisão Nacional do Qatar: 2005-06 e 2006-07
  • Melhor Jogador da Qatar Crown Prince Cup: 2005-06 e 2007-08
  • Melhor Jogador da Emir Of Qatar Cup: 2006-07
  • Melhor Estrangeiro a jogar pelo Al-Sadd
  • Melhor Jogador da Copa do Brasil: 2004 e 2011
  • Seleção do Campeonato Carioca: 2004, 2011 e 2012

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]