Companhia de Carris de Ferro de Lisboa

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A Companhia de Carris de Ferro de Lisboa (C.C.F.L., CCFL, ou simplesmente Carris) é uma empresa de transporte público de passageiros da cidade de Lisboa, Portugal. Foi fundada em 1872 e é desde 1975 tutelada pela Secretaria de Estado das Obras Públicas, dos Transportes e das Comunicações dependente do Ministério da Economia (e equivalentes diacrónicos).

Logótipo desde 1997.

Empresa[editar | editar código-fonte]

Eléctrico remodelado da Carris.
Eléctrico articulado na Praça da Figueira.
Autocarro standard da Carris.

O presidente da Carris é Pedro Bogas, sucessor de José Silva Rodrigues que ocupou o cargo entre 2003 e 2013. O quadro seguinte identifica a evolução do número de funcionários e da frota que compõe a empresa 1

2005 2008 2009 2010 2011 2012
Funcionários 2787 2766 2761 2771 2634 2396
Tripulantes 17632 1855 1866 1836 1738 1560
Autocarros 785 749 752 755 707 632
Elétricos 58 57 57 57 57 57
Ascensores 6 6 6 6 6 6
Elevadores 2 2 2 2 2 2

O serviço é oferecido de acordo com princípios de "prestação do serviço de transporte público urbano de superfície de passageiros, orientada por critérios de Sustentabilidade, contribuindo para um desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades."3 A rede da Carris efetua-se 24 horas por dia em três escalões:

  • Serviço Diurno: das 05h00 às 21h30, aproximadamente;
  • Serviço Noturno: das 21h30 às 01h00, aproximadamente;
  • Rede da Madrugada: das 23h45 às 05h35, aproximadamente.

Autocarros[editar | editar código-fonte]

A rede de autocarros da Carris tem um comprimento de 670 km1 , dos quais 65 km se desenvolvem em corredores reservados (vias BUS), e é composta por 80 carreiras:

  • 55 urbanas;
  • 4 cintura (706, 712, 742 e 750);
  • 16 suburbanas;
  • 1 cintura (728)
  • 3 especializadas (91, 96 e 400);
  • 6 nouturnas (Rede da Madrugada: entre as 23:45 e as 05:30);

A frota atual 1 conta com cinco tipos de veículos:

Em reserva estratégica encontram-se 97 veículos MB O405.

O grau de cobertura, que se obtém dividindo a receita direta pelos gastos diretos antes das indemnizações compensatórias, do modo autocarro é de 90,78% em 2012, um aumento de 9,74 pontos percentuais face à realidade de 2011. Para tal, segundo a Carris 1 , contribuiu o acréscimo da receita e uma redução "muito significativa"[sic] nos gastos. Cada passageiro transportado num autocarro da Carris custa à empresa 0,514 euros e está-lhe associada uma receita de 0,466 euros.

Elétricos[editar | editar código-fonte]

A Rede de elétricos da Carris é composta por 5 carreiras de elétricos e percorre um total de 48 km, sendo 13 km em faixa reservada.

Em 2012, a frota que opera as carreiras de eléctricos 1 é constituída por 10 carros elétricos articulados (série 500), por 39 remodelados (série 540) e por 8 ligeiros (série 700) que se encontram automatizados. Os articulados apenas podem percorrer a carreira 15, enquanto as restantes séries podem alcançar toda a rede. Os carros ligeiros apenas entram ao serviço quando a disponibilidade dos outros veículos não é suficiente para as necessidades. As 5 carreiras de elétricos prestam serviço na zona urbana da Carris, mas a carreira 15 sai da cidade de Lisboa e serve a vila de Algés, no concelho de Oeiras.

O grau de cobertura, que se obtém dividindo a receita direta pelos gastos diretos antes das indemnizações compensatórias, do modo elétrico é de 146,9% em 2012, um aumento de 59,2 pontos percentuais face à realidade de 2011. Para tal, segundo a Carris 1 , contribuiu o acréscimo da receita e uma redução "muito significativa"[sic] nos gastos. Com esta realidade, em 2012 o modo elétrico teve uma margem bruta positiva de 3,8 milhões de euros. Por passageiro, o resultado económico por cada passageiro transportado passou a positivo dado o aumento da receita direta do modo elétrico. Cada passageiro transportado num elétrico da Carris custa à empresa 0,625 euros e está-lhe associada uma receita de 0,919 euros.

Ascensores / Elevadores / Funiculares[editar | editar código-fonte]

A Carris também opera três funiculares (Glória, Bica, e Lavra) e um elevador vertical — Santa Justa. Desde 2002 que estes modos de transporte são Monumentos Nacionais.

História[editar | editar código-fonte]

  • 1872 - Início da exploração do serviço público da Carris, prestado por carros americanos, ligando a estação de Santa Apolónia a Santos (Aterro da Boavista)
  • 1901 - Início da exploração do serviço público de carros eléctricos, com a electrificação da linha entre o Cais do Sodré e São José de Ribamar, actual Algés.
  • 1912 - Experiência da Carris com pequenos autocarros de ligação ao serviço dos eléctricos. Por não terem tido a adesão suficiente, rapidamente foram descontinuados.
  • 1928 - Os novos sentidos de circulação nas estradas Portuguesas obrigam a um esforço hercúleo por parte da Carris na modificação de diversas agulhas e terminais de eléctricos de modo a adaptá-los às normas vigentes.
  • 1944 - Início da exploração do serviço público com autocarros com duas carreiras de ligação da Baixa de Lisboa ao Aeroporto e duas carreiras circulares em torno da zona central da cidade de Lisboa.
  • 1960 - Reorganização do serviço de eléctricos na zona central da cidade, motivado pelo início do serviço de metropolitano entre a Baixa e Sete Rios/Entrecampos, locais onde se construíram terminais de transferência. Foram ainda criados bilhetes de transferência entre os eléctricos e o metropolitano.
  • 1988 - Reorganização do serviço nocturno da Carris, aproximando-o da configuração actual.
  • 1998 - Reestruturação do serviço da Carris com o objectivo de oferecer um maior número de lugares para o acesso à Expo'98, criando 4 carreiras Expresso do recinto da Expo'98 para Cais do Sodré (301), Algés via Cais do Sodré (302), Odivelas (303) e Damaia (304). Lançamento da rede da Madrugada.
  • 2002 - Classificação do elevador de Santa Justa e dos ascensores do Lavra, Glória e Bica como Monumentos Nacionais.
  • 2006 - Introdução da Rede 7, o culminar do processo de reestruturação interna da empresa e da sua rede de transportes. Sendo uma homenagem às sete colinas da cidade de Lisboa, a rede 7 será introduzida em quatro fases distintas de modo a acompanhar a evolução do sistema de transportes públicos da cidade.
  • 2011 - Devido ao esforço de contenção financeira decretado pelo Estado Português às empresas públicas, a Carris altera a sua oferta a em Fevereiro e Março através da supressão de 7 carreiras (1, 7, 39, 92, 204, 752 e 780), do encurtamento de 3 e da redução do período de funcionamento de 5 carreiras 4 5 .

Renovação da Frota, das Carreiras e da Bilhética[editar | editar código-fonte]

Em 2003 foi iniciado o Processo de Reestruturação da Carris que culminou com a Rede 7, que entrou em funcionamento em 9 de Setembro de 2006. Foram introduzidas neste período várias melhorias. Os novos autocarros que foram adquiridos trouxeram mais qualidade ao serviço prestado. Melhores acessibilidade para pessoas idosas ou em cadeiras de rodas, ar condicionado, videovigilância, redução da emissão de gases com efeito de estufa, são as significativas melhorias introduzidas. Para além dos novos autocarros, novos serviços foram criados. O SIP (Sistema de Informação ao Passageiro), os painéis de informação do tempo de chegada do próximo autocarro em algumas paragens e o carregamento do passe no Multibanco. O sistema de bilhética também sofreu alterações: o Lisboa Viva (para uma utilização regular) e o 7 Colinas (para uma utilização esporádica) são os novos suportes de bilhética sem contacto. Todos os autocarros e eléctricos da Carris estão equipados com validadores. Em todas as viagens é obrigatório validar o título de transporte.

Carreiras Certificadas[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2006 a empresa obteve o Certificado de Qualidade. As carreiras de autocarros e elétricos têm obtido certificado de qualidade por fases:

  • 1ª - Fevereiro de 2006 - incluiu quatro carreiras (15E, 56, 60 e 83).
  • 2ª - Maio de 2007 - incluiu dezoito carreiras (5, 16, 17, 24, 37, 47, 48, 76, 81, 708, 718, 723, 726, 729, 738, 751, 755 e 759).
  • 3ª - Agosto de 2008 - incluiu dezoito carreiras (21, 22, 34, 49, 64, 74, 79, 701, 706, 711, 713, 714, 720, 727, 765, 768, 777 e 782).
  • 4ª - Julho de 2009 - incluiu doze carreiras (12, 40, 44, 78, 108, 702, 709, 732, 746, 767, 773 e 790).
  • 5ª - Outubro de 2010 - incluiu doze carreiras (7, 10, 39, 735, 753, 757, 758, 780, 794, 796, 797, 799).


Com a reestruturação da rede e respectivas mudanças de terminais e designações, encontram-se certificadas as carreiras 15E, 701, 702, 705, 706, 708, 709, 711, 712, 713, 714, 716, 717, 718, 720, 722, 723, 724, 726, 727, 729, 732, 734, 735, 737, 738, 744, 746, 747, 748, 749, 751, 753, 755, 756, 757, 758, 759, 760, 764, 765, 767, 768, 773, 774, 776, 778, 779, 781, 782, 783, 794, 796, 797, 798 e 799.

Rede 7[editar | editar código-fonte]

A Rede 7 é a designação do projecto que, a ser implementado em quatro fases, permitirá renovar a rede da Carris e oferecer aos seus clientes um conjunto de carreiras melhor ligadas entre si e às restantes redes de transporte público de Lisboa.

A primeira fase foi introduzida em 9 de Setembro de 2006, na qual foram definidas as linhas-mestras de actuação. Para melhor identificar as novas carreiras da Rede 7, estas passaram a ter um 7 antes do número da carreira. Foram também definidas cinco zonas de actuação da rede da Carris na cidade, correspondendo a cada uma das áreas uma cor identificativa. Esta divisão permite aos clientes da Carris pesquisar diferente informação de um modo mais prático, como a rede de vendas ou as carreiras de serviço público que servem cada uma das áreas. Daí que todas as carreiras tenham ganho uma cor identificativa, de acordo com a sua área primordial de actuação. A cor de cada carreira pode ser encontrada no portal da Carris, no mapa de rede, nas paragens ou mesmo nos veículos ou através de um pequeno círculo colorido situado no vidro frontal, ou através da bandeira colorida. As carreiras transversais, que geralmente servem mais do que uma ou duas zonas, são identificadas por uma cor própria. Ainda na primeira fase, foram criadas 28 novas carreiras, modificadas 7 carreiras e eliminadas 8 carreiras.

Elétrico 510 fazendo a carreira 15E em 2009: Note-se o indicador circular rosa (Ajuda-Belém), e a mesma cor na chapa de circulação («15E/1»).
Cor Zonas
Vermelho Marvila/Olivais
Verde Alvalade/Lumiar
Azul Benfica/Carnide
Rosa Ajuda/Belém
Cinzento carreiras circulares/transversais
Laranja Centro

A segunda fase da rede 7 foi introduzida no dia 5 de Janeiro de 2008, com a criação de 8 carreiras, alteração de 6 e a eliminação de 9. Nesta fase foi reestruturada a rede da Carris na zona central da cidade, em virtude do prolongamento da rede do metropolitano às estações do Sul e Sueste e de Santa Apolónia.

A terceira fase da rede 7 foi introduzida no dia 26 de Junho de 2010, com a alteração de algumas carreiras de modo a serem integradas na rede 7 e a supressão de alguns trajectos que passaram a ser servidos pela conclusão da linha do Oriente do Metropolitano de Lisboa, com a função de ligação transversal na rede.

A quarta fase da rede 7 foi introduzida no dia 21 de julho de 2012, com a alteração da rede da Carris na zona dos Olivais e Aeroporto de Lisboa, em virtude da chegada da linha do Oriente do Metropolitano de Lisboa àqueles locais.

Tarifas[editar | editar código-fonte]

Com a introdução da Rede 7, o tradicional bilhete pré-comprado, o BUC, foi eliminado. Em sua substituição, os clientes da Carris podem utilizar o 7 colinas que pode ser carregado com os novos bilhetes horários que substituem os antigos BUC e que permitem viajar na rede da Carris, efectuando transbordos sem pagar mais por isso, durante a validade do bilhete que pode ser de 1h (1 zona) ou de 1h30m (2 zonas). O suporte - 7 Colinas ou Viva Viagem - é adquirido e é válido por um ano.

Carreiras da Carris[editar | editar código-fonte]

Em 2013 a Carris opera um total de 80 carreiras, numa rede que funciona 24 horas por dia. Destas 80 carreiras:

  • 6 pertencem à rede da Madrugada
  • 66 pertencem à rede 7.

Algumas destas carreiras são adaptadas ao transporte de pessoas de mobilidade reduzida, oferecendo veículos com rampas de acesso e audio-guias que permitem a compreensão do percurso e ligações de cada carreira.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Relatório e Contas 2012. CARRIS. 2013. Disponível na internet em http://www.carris.pt/fotos/editor2/relatorio_e_contas_2012_site.pdf. Consultado a 8 de março de 2014.
  2. Dos quais 165 eram guarda-freios
  3. Carris - Missão, Visão e Valores. Disponível na internet em http://www.carris.pt/pt/missao-visao-e-valores/. Consultado a 8 de março de 2014.
  4. Ajustamentos da Rede CARRIS 2011. Portal CARRIS. Consultado a 3 de Março de 2011.
  5. Carris vai alterar e suspender carreiras. Jornal de Notícias. 2 de Março de 2011. Consultado a 3 de Março de 2011