Reino Visigótico

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Regnum Visigothorum
Gutthiuda Thiudinassus

Reino Visigótico
Reino dos Visigodos

Reino

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Localização de Reino Visigótico
Reino Visigótico por volta de 500
Continente Europa
Capital Tolosa (até 507)
Narbona (507)[1]
Barcelona (até 531)[2]
Toledo (a partir ca. 567)[3]
Governo Monarquia
Rei
 • 418-451 Teodorico I
 • 714-721 Ardão
Período histórico Antiguidade/Idade Média
 • 418 Romanos concedem terras aos visigodos na Gália Aquitânia.
 • 721 Conquista pelo Califado Omíada

O Reino Visigótico foi um Estado germânico fundado pelos visigodos que ocupou o sudoeste da Gália (atual França) e a península Ibérica dos séculos V-VIII. Sucessor do Império Romano do Ocidente, foi originalmente criado quando os visigodos sob o rei Vália (r. 415–419) foram assentados pelos romanos na província da Aquitânia e começaram a se expandir em direção à península Ibérica. O reino manteve-se independente do Império Bizantino, que tentou restabelecer no século VI a autoridade romano na Hispânia. Pelo século VI, o território do reino na Gália foi perdido para os francos, salvo a estreita faixa costeira da Septimânia, mas o controle visigodo da Ibéria foi assegurado até o final do século com a submissão do Reino Suevo e dos vascões. Muito do Reino Visigótico foi conquistado pelo Califado Omíada em 711, com apenas as porções do extremo norte da Espanha permanecendo nas mãos dos nativos. Estas terras deram origem ao Reino das Astúrias com um senhor local chamado Pelágio sendo aclamado príncipe pelos asturianos.

Os visigodos e seus primeiros reis eram cristãos arianos e entraram em conflito com a Igreja Católica, mas após se converterem ao cristianismo niceano, a Igreja exerceu enorme influência em assuntos seculares através dos Concílios de Toledo. Após se converterem em 589, a língua gótica, que estava em franco declínio devido ao gradual desaparecimento dos visigodos, que haviam miscigenado com a população hispano-romana, perde sua função como língua eclesiástica.[4] Os visigodos também desenvolveram um código de leis altamente influente na Europa Ocidental chamado Código Visigótico (Liber Iudiciorum em latim), que tornou-se a base para o direito espanhol através da Idade Média.

História[editar | editar código-fonte]

Reino federado[editar | editar código-fonte]

No rescaldo da queda do oficial romano Estilicão, mulheres e filhos dos federados visigodos foram sistematicamente assassinados em toda a península Itálica. Como consequência, os homens, que somaram 30 000, uniram-se com o rei visigodo Alarico I (r. 395–410) em busca de vingança e o último começou em 408 o cerco à Roma que culminaria no saque da cidade em 410;[5] neste cerco Gala Placídia, a irmã do imperador romano do ocidente Honório (r. 395–423), foi capturada.[6] Em 412, sob Ataúlfo (r. 410–415), os visigodos partiram para a Gália e, dada uma aliança selada com Honório, derrotaram e capturaram os usurpadores Jovino (r. 411–413) e Sebastiano (r. 412–413).[7] As relações de Ataúlfo e Honório melhoraram e foram cimentadas com o casamento do rei visigodo com Gala Placídia em 1 de janeiro de 414,[6] porém Ataúlfo seria assassinado em 415. Placídia deu a ele um filho chamado Teodósio, que morreu no começo de 415, eliminando a possibilidade de uma linhagem romano-visigoda.[8] [9]

Em 418, Honório recompensou os federados visigodos sob Vália (r. 415–419) dando a eles terras no vale do Garona, na Gália Aquitânia, para que se assentassem. Isto provavelmente ocorreu sob hospitalitas, as leis para alojar soldados do exército. Parece provável que no começo não foi cedido a eles uma grande quantidade de propriedades na região (como provavelmente se acreditou), mas coletaram os impostos, com os aristocratas gauleses agora pagando os impostos aos visigodos ao invés do governo romano.[10] Da capital deles em Tolosa, mantiveram-se de facto independentes, e logo começaram a se expandir em território romano em detrimento do débil império ocidental. Sob Teodorico I (r. 418–451), os visigodos atacaram Arles (em 425 e 430) e Narbona (436), mas foram reprimidos por Flávio Aécio com ajuda de mercenários hunos, e Teodorico foi derrotado em 438. Por 451, a situação mudou e os hunos invadiram a Gália; Teodorico lutou sob Aécio contra Átila (r. 434–453) na subsequente batalha dos Campos Cataláunicos. Átila retirou-se, mas Teodorico foi morto em batalha.[11]

Por 454, os vândalos conquistaram o Norte da África e os suevos tomaram muito da Hispânia. O imperador romano Ávito (r. 455–456) enviou os visigodos para a Hispânia. Teodorico II (r. 453–466) invadiu e derrotou o rei dos suevos, Requiário I (r. 448–456), na batalha de Órbigo em 456, próximo de Astúrica Augusta (atual Astorga) e então saqueou Bracara Augusta (atual Braga), a capital sueva. Os godos saquearam brutalmente as cidades na Hispânia: massacraram uma porção da população e até mesmo atacaram alguns lugares sagrados, provavelmente devido ao apoio do clero aos suevos.[12] Teodorico tomou controle sobre as províncias de Bética, Cartaginense e sul da Lusitânia. Em 461, os godos receberam a cidade de Narbona do imperador Líbio Severo (r. 461–465) em troca da ajuda deles. Isto levou a uma revolta do exército e dos galo-romanos sob Egídio; como resultado, os romanos sob Severo e os visigodos de Teodorico II lutaram contra outras tropas romanas, e a revolta foi suprimida apenas em 465.[13]

Reino de Tolosa[editar | editar código-fonte]

Iluminura de ca. 1325-1335 representando a batalha de Clóvis I (r. 481–511) contra os visigodos
Trecho dum manuscrito do Breviário de Alarico preservado na Universidade de Auvérnia

Em 466, Eurico (r. 466–484), que foi o filho mais novo de Teodorico I, assumiu o trono visigótico. É famoso por assassinar seu irmão mais velho Teodorico II que tinha se tornado rei por assassinar seu irmão mais velho Turismundo (r. 451–453). Sob Eurico, os visigodos começaram a se expandir na Gália e consolidaram a presença deles na Hispânia. Eurico lutou uma série de guerras com os suevos que mantiveram alguma influência na Lusitânia, e trouxe muito da região sobre controle visigótico, tomando Emérita Augusta (atual Mérida) em 469. Eurico também atacou o Império Romano do Ocidente, capturando Tarraconense em 472, o último bastião do poder romano na Hispânia. Por 476, estendeu seu domínio para os rios Reno e Loire que compreenderam muito do sul da Gália. Também ocupou as cidades romanas chave de Arles e Marselha. Em suas campanhas, contou com uma porção da aristocracia galo-romana e hispano-romana que serviu sob ele como generais e governadores. O Reino Visigótico estava formalmente reconhecido quando o imperador ocidental Júlio Nepos (r. 473–480) assinou uma aliança com Eurico, garantindo a ele as terras ao sul do Loire e leste do Reno em troca de serviço militar e as terras de Provença (incluindo Arles e Marselha). As terras na Hispânia permaneceram sob controle visigótico. Após Odoacro depôr o último imperador romano do Ocidente, Rômulo Augusto (r. 475–476), Eurico rapidamente recapturou Provença, um fato que Odoacro formalmente aceitou em um tratado.[14]

Por 500, o Reino Visigótico, centrado em Tolosa, controlava a Gália Aquitânia e Gália Narbonense e muito da Hispânia, com a exceção do Reino Suevo da Galiza e pequenas áreas controladas por povos hispânicos independentes, tais como os bascos e cântabros. O filho de Eurico, Alarico II (r. 484–507), emitiu um novo conjunto de leis, o Breviário de Alarico (em latim: Breviarium Alaricianum), e realizou um concílio da Igreja em Agde, ambos em 506. Os visigodos entraram em conflito com os francos sob o rei Clóvis I (r. 481–511), que conquistou o norte da Gália. Após uma breve guerra, Alarico foi forçado a acabar com uma rebelião em Tarraconense, provavelmente causada pela recente imigração visigótica para a Hispânia devido a pressão dos francos. Em 507, os francos atacaram novamente, desta vez aliados com os burgúndios. Alarico II foi morto na batalha de Vouillé, próximo de Poitiers, e Tolosa foi saqueada. Por 508, os visigodos perderam muitas de suas possessões gálicas, salvo Septimânia no sul.[15]

Reino ariano da Hispânia[editar | editar código-fonte]

Reino Visigótico em 586 depois das conquistas de Leovigildo

Após a morte de Alarico II, seu filho ilegítimo Gesaleico (r. 507–511) tomou o poder até ser deposto por Teodorico, o Grande (r. 493–526), governante do Reino Ostrogótico, que invadiu e derrotou-o em Barcelona. Gesaleico fugiu e reagrupou, mas foi derrotado novamente em Barcelona, e foi capturado e morto.[16] Teodorico então instalou seu neto Amalarico (r. 511–531), o filho de Alarico II, como rei. Amalarico, contudo, ainda era uma criança e o poder da Hispânia permaneceu sob o general e regente ostrogodo Têudis.[17] Apenas após a morte de Teodorico (526), Amalarico obteve controle de seu reino. Porém, seu reinado não duraria muito, pois seria derrotado em 531 pelo rei merovíngio Childeberto I (r. 511–558) e mais tarde assassinado em Barcelona.[18] Depois, Têudis (r. 531–548) tornou-se rei. Ele expandiu o controle visigótico sobre as regiões do sul, mas foi também morto após uma invasão falha à África.[19] A Hispânia visigótica sofreu uma guerra civil sob o rei Ágila I (r. 549–554), que levou o imperador bizantino Justiniano (r. 527–565) enviar um exército sob comando de Libério e esculpir a pequena província da Espânia para o Império Bizantino ao longo do sul da Hispânia.[20] [21] Ágila foi morto, e seu inimigo Atanagildo (r. 552–568) tornou-se o novo rei. Ele atacou os bizantinos, mas foi incapaz de desalojá-los do sul da Hispânia, e foi obrigado a reconhecer formalmente a suserania do império.[22]

O próximo rei visigótico foi Leovigildo (569 21 de abril de 586). Foi um líder militar eficaz e consolidou o poder visigótico na Hispânia. Leovigildo fez campanha contra os bizantinos no sul nos anos 570 e retomou Córdova após outra revolta. Também lutou no norte contra os suevos e vários estados pequenos independentes, incluindo os bascos e os cantábrios. Pacificou o norte da Hispânia, mas foi incapaz de completar a conquista daqueles povos. Quando Leovigildo estabeleceu seu filho Hermenegildo como governante conjunto, uma guerra civil eclodiu. Hermenegildo tornou-se o primeiro rei visigótico a se converter ao cristianismo niceno devido a seus laços com os romanos, mas foi derrotado em 584 e morto em 585.[23] Pelo fim de seu reinado, Leovigildo uniu a península Ibérica inteira, incluindo o Reino Suevo que ele conquistou em 585 durante a guerra civil sueva que se seguiu à morte do rei Miro (r. 570–583) Leovigildo estabeleceu termos amigáveis com os francos através de casamentos reais, e eles permaneceram em paz durante a maior parte de seu reinado. Leovigildo também fundou novas cidades, tais como Recópolis e Victoriaco, o primeiro rei bárbaro a fazê-lo.[24] [25]

Reino católico da Hispânia[editar | editar código-fonte]

Os reis visigodos Chindasvinto, Recesvinto e Égica segundo o Codex Vigilanus

Ao tornar-se rei, Recaredo I (r. 586–601), filho de Leovigildo, converteu-se ao cristianismo católico. Isto levou a alguma agitação no reino, notadamente uma revolta pelo bispo ariano de Mérida que foi derrubado; ele também repeliu outra ofensiva franca no norte. Recaredo I, em seguida, supervisionou o Terceiro Concílio de Toledo em 589, onde anunciou seu fé no credo niceno e denunciou o arianismo. Adotou o nome Flávio, o nome familiar da dinastia constantiniana, e denominou-se como sucessor dos imperadores romanos. Recaredo também lutou contra os bizantinos na Bética após eles iniciarem uma nova ofensiva.[26] Liúva II, o filho de Recaredo, tornou-se rei em 601, mas foi deposto pelo nobre visigótico Viterico (r. 603–610), terminando a dinastia de curta duração. Houve vários reis visigóticos entre 610 e 631, e este período viu constante regicídio. Além disso, o período foi marcado pela retomada de conflitos com os bizantinos, e a guerra constante com bascos e asturianos, que acabaria se estendendo por todo o resto da existência do Reino Visigótico. Estes reis também trabalharam na legislação religiosa, especialmente o rei Sisebuto (r. 612–621), que aprovou várias leis severas contra os judeus e forçou muitos deles a conversão ao cristianismo. Sisebuto foi também bem sucedido contra os bizantinos, tomando várias de suas cidades, incluindo Málaga. Os bizantinos foram finalmente derrotados por Suíntila (r. 621–631), que capturou todas as possessões hispânicas deles por 625. Suíntila foi deposto pelos francos e substituído por Sisenando.[27]

A instabilidade deste período pode ser atribuída ao luta pelo poder entre os reis e a nobreza. A unificação religiosa fortaleceu o poder político da Igreja, que exercitou-o através de concílio da Igreja em Toledo junto com os nobres. O quarto concílio, ocorrido durante o breve reinado de Sisenando em 633, excomungou e exilou o rei, substituindo-o por Chintila (r. 636–639). Os concílio da Igreja eram agora a mais poderosa instituição do Estado visigótico; eles assumiram o papel de regular o processo de sucessão para o trono pela eleição do rei por "senadores" nobres góticos e oficiais da Igreja. Eles também decidiram reunir-se em uma base regular para discutir assuntos eclesiásticos e políticos que afetavam a Igreja. Finalmente, eles decidiram que os reis deveriam morrer em paz, e declararam a pessoas deles sagrada, procurando acabar a violência e regicídios do passado. Apesar de tudo isso, outro golpe ocorreu e Chintila foi deposto em 639, e Tulga (r. 640–641) tomou seu lugar; foi também deposto no terceiro ano de seu reinado e o concílio elegeu o nobre Chindasvinto (r. 642–653).[28]

Os reinados de Chindasvinto e seu filho Recesvinto (r. 553–572) viu a compilação do mais importante livro do direito visigótico, o Código Visigótico (Liber Iudiciorum; completado em 654). O código incluiu leis antigas de reis passados, tais como Alarico II em seu Breviário, e Leovigildo, mas muitas também foram leis novas. O código foi baseado quase inteiramente no direito romano, com alguma influência do direito germânico em raros casos. Chindasvinto fortaleceu a monarquia em detrimento da nobreza, executou cerca de 700 nobres, exilou outros, forçou dignitários a jurar, e no Sétimo Concílio de Toledo afirmou seu direito de excomungar clérigos que atuaram contra o governo. Ele também foi capaz de manobrar seu filho Recesvinto ao trono, o que provocou uma rebelião da nobreza gótica que aliou-se com os bascos, que acabou debelada. Recesvinto realizou outro concílio de Toledo, que reduziu sentenças de traição e afirmou o poder dos concílios para eleger reis.[29]

Tremisse cunhado sob Ervígio (r. 680–687)

Após Recesvinto, rei Vamba (r. 672–680) foi eleito rei. Teve que lidar com revoltas em Tarraconense, e devido a isto, sentiu a necessidade de reformar o exército. Aprovou uma lei declarando que todos os duques, condes e outros líderes militares, bem como bispos, tinham que vir em auxílio do reino uma vez que a ameaça tornou-se conhecida, com perigo de severa punição. Vamba foi finalmente deposto em um golpe. Rei Ervígio (r. 680–687) realizou mais concílios da Igreja e revogou as leis de Vamba, embora ainda fez provisões ao exército. Ervígio fez rei seu genro Égica (r. 687–702). Apesar de uma rebelião do bispo de Toledo o concílio décimo sexto, realizado em 693, denunciou a revolta do bispo. O décimo sétimo concílio em 694 aprovou leis severas contra os judeus, citando uma conspiração, e muitos foram escravizados, especialmente aqueles que tinham se convertido ao cristianismo. Égica também elevou seu filho Vitiza (r. 698–710) como co-governante em 698. Pouco é conhecido de seu reinado, mas um período de guerra civil rapidamente se seguiu entre seu filhos (Ágila II e Ardão) e o rei Rodrigo (r. 710-711), que havia capturado Toledo.[30]

Conquista muçulmana[editar | editar código-fonte]

Representação do século XIX de Tárique

Em 711, Tárique, um berber muçulmano cliente de Musa ibn Nusair, o governador da África islâmica, invadiu a Hispânia com ca. 7000 homens, enquanto Rodrigo estava no norte lutando com os bascos. Historiadores muçulmanos, tais como Ibn Khaldun, contam a lenda de um nobre ibérico baseado no Norte da África, Juliano, que pediu a ajuda de Tárique, um líder militar muçulmano no Norte da África, para derrubar Rodrigo. Além de ser um tirano opressivo, Rodrigo havia sequestrado e estuprado a filha de Juliano. Ao final de Julho, uma batalha ocorreu no rio Guadalete na província de Cádis. Rodrigo foi traído por suas tropas, que apoiaram seus inimigos, e o rei foi morto em batalha. Os muçulmanos então tomaram muito do sul da Hispânia com pouca resistência, e continuaram para capturar Toledo, onde eles executaram vários nobres visigóticos. Em 712, Musa, o governador de Ifriqiya, chegou com outro exército de 18000 homens com grandes contingentes árabes. Ele tomou Mérida em 713 e invadiu o norte, tomando Saragoça e Leão, que estava ainda sob o rei Ardão, em 714. Após ser chamado de volta pelo califa, Musa deixou seu filho Abd al-Aziz ibn Musa no comando. Por 716, muito da península Ibérica estava sob comando islâmico, com a Gália Narbonense tomada entre 721 e 725. A única resistência efetiva foi nas Astúrias, onde um nobre visigótico chamado Pelágio revoltou-se em 718, aliado com os bascos e derrotou os muçulmanos na batalha de Covadonga. A resistência também continuou em regiões ao redor dos Pireneus e as regiões montanhosas do norte da Hispânia, onde os muçulmanos estavam desinteressados em mantar a autoridade. Os berberes se estabeleceram no sul de Meseta Central, em Castela. Inicialmente, os muçulmanos geralmente deixaram os cristãos sozinhos para praticar a religião deles, embora não-muçulmanos fossem sujeitos a lei islâmica e foram tratados como cidadãos de segunda classe.[31] [32]

Direito visigótico[editar | editar código-fonte]

As novas leis foram aplicadas tanto para as populações góticas como para as hispânicas que estavam sujeitas a diferentes leis no passado, e substituíram todos os códigos de direito antigos. Entre as leis antigas eliminadas estavas as leis severas contra os judeus. O Código Visigótico mostrou que o velho sistema de divisões militares e civis na administração estava mudando, e duques (duces provinciae) e condes (comes civitatis) começaram a receber mais responsabilidades fora de seus deveres civis e militares originais. Os servos ou escravos do rei tornaram-se muito proeminentes na burocracia e exerceram amplos poderes administrativos. Com os códigos de direito visigótico, mulheres poderiam herdar terra e título e administrá-la independentemente de seus maridos ou parentes masculinos, dispor de propriedade em testamentos levais, e podiam representar-se e testemunhar em tribunal aos 14 anos e organizar seus próprios casamentos aos 20.[33]

Referências

  1. Barnish 2007, p. 368
  2. Barnish 2007, p. 369
  3. Collins 2004, p. 44
  4. Pohl 1998, p. 119-121
  5. Kulikowski 2008, p. 246
  6. a b GALLA PLACIDIA (em inglês). Visitado em 30-11-2013.
  7. Western Roman Emperors of the First Quarter of the Fifth Century (em inglês). Visitado em 30-11-2013.
  8. ATAULF (em inglês). Visitado em 30-11-2013.
  9. Galla Placidia (em inglês). Visitado em 30-11-2013.
  10. Cameron 2008, p. 48
  11. Cameron 2008, p. 113
  12. Fouracre 2005, p. 165
  13. Cameron 2008, p. 24
  14. Fouracre 2005, p. 167-171
  15. Cameron 2008, p. 113-114
  16. Fouracre 2005, p. 174
  17. Fouracre 2005, p. 175
  18. Fouracre 2005, p. 177-178
  19. Fouracre 2005, p. 179-182
  20. Bury 1923, p. 286-288
  21. Evans 2005, p. 11
  22. Fouracre 2005, p. 179-183
  23. Previte-Orton 1979, p. 145
  24. Fouracre 2005, p. 183-209
  25. Cameron 2008, p. 122-124
  26. Fouracre 2005, p. 346-350
  27. Fouracre 2005, p. 350-353
  28. Fouracre 2005, p. 353-356
  29. Fouracre 2005, p. 356-360
  30. Fouracre 2005, p. 360-369
  31. Fouracre 2005, p. 369-370
  32. McKitterick 1995, p. 256-258; 275-276
  33. Fouracre 2005, p. 357-358

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barnish, S. J. B.. The Ostrogoths from the Migration Period to the Sixth Century: An Ethnographic Perspective. [S.l.]: Boydell & Brewer Ltd, 2007.
  • Bury, John Bagnall. History of the Later Roman Empire. [S.l.]: Macmillan & Co, 1923. ISBN 0-7905-4544-6.
  • Cameron, Averil; Bryan Ward-Perkins; Michael Whitby. The Cambridge Ancient History Volume 14: Late Antiquity: Empire and Successors, AD 425–600. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 9780521325912.
  • Collins, Roger. Visigothic Spain, 409–711. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.
  • Evans, James Allan Stewart. The Emperor Justinian and the Byzantine Empire. Westport: Greenwood, 2005. ISBN 0-313-32582-0.
  • Fouracre, Paul. The New Cambridge Medieval History Volume 1. c.500–c.700. [S.l.: s.n.], 2005. ISBN 9780521362917.
  • McKitterick, Rosamond. The New Cambridge Medieval History, Volume II c. 700 — c. 900. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.
  • Pohl, Walter; Helmut Reimitz. Strategies of Distinction: The Construction of the Ethnic Communities, 300-800. [S.l.]: Brill, 1998. ISBN 9004108467.
  • Previte-Orton, Charles W.. The Shorter Cambridge Medieval History. [S.l.]: Cambridge University Press, 1979.