Campeonato Pernambucano de Futebol Feminino

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Campeonato Pernambucano de Futebol Feminino
Pernambucano Feminino
Bandeira de Pernambuco.svg
Dados gerais
Organização FPF
Edições 18 (17 desde 2005, de forma interrupta)
Outros nomes Troféu Garra da Mulher
Local de disputa Pernambuco
Número de equipes Varia conforme o ano
Sistema Pontos corridos - (1ª Fase)
Mata-mata - (2ª Fase)
Divisões
Divisão única
Soccerball current event.svg Edição atual
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O Campeonato Pernambucano de Futebol Feminino, também conhecido como Pernambucano Feminino (anteriormente denominado Troféu Garra da Mulher Pernambucana), é a liga pernambucana de futebol profissional entre clubes de Pernambuco, na categoria feminina e sendo a principal competição futebolística no estado. É por meio dela que são indicados os representantes pernambucanos para o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino - Série A2. Anteriormente, classificava para a disputa da Copa do Brasil de Futebol Feminino.

Ao contrário do que ocorre em outros países da América do Sul e no restante do mundo, há hoje em dia muitos desafios para que o futebol feminino no Brasil, possa ser mais profissional e desenvolvido a nível nacional.[1][2] Além da grande dimensão geográfica do país, contribuíram para essa situação a origem e a consolidação do futebol no país a partir dos grandes centros urbanos, além da desvalorização e a falta de interesses políticos e financeiros, algo que fortaleceu uma organização por federações estaduais; as intensas rivalidades pelo poder entre dirigentes paulistas e cariocas, os maiores centros futebolísticos do Brasil. Em 2018 a CONMEBOL, entidade máxima do futebol na América do Sul, ratificou a importância e o desenvolvimento do futebol feminino nos dez países membros da entidade. Entidade sul-americana, em seu novo estatuto e regulamento, determina que clubes precisarão de equipes femininas para estarem nas disputas masculinas que organiza.[3]

Seu atual campeão é o Náutico, vencedor da edição de 2020, quando conquistou seu terceiro título na competição. De acordo com a contagem da Federação Pernambucana de Futebol, os maiores campeões da competição são: o Vitória das Tabocas, com 8 conquistas e o Sport[4] com 7 títulos, seguido pelo Náutico com 3 conquistas. Em toda sua história, apenas três equipes foram campeãs da competição.

História[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Campeonato Pernambucano Feminino é um dos campeonatos estaduais femininos do Brasil que, assim como os demais, sofre com o preconceito, pouco interesse e com fraco investimento e devido às peculiaridades históricas, tem uma história relativamente curta dentre os outros estaduais com maior tradição no País. A sociedade, por muitas vezes, discrimina as atletas e, por questão cultural, a menina ainda ganha uma boneca ao invés de ganhar uma bola. Neste caso, somente as conquistas e os ídolos poderão levar a modalidade ainda mais longe, fugindo deste “destino” discriminatório.

Com a revogação da lei desportiva n° 3.199/1941 que proibia a prática de esportes que "contrariassem a natureza feminina", entre eles o futebol[5] e o surgimento de várias competições desde os aos 1980, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) passou a enxergar com bons olhos a disseminação do futebol feminino em alguns estados, como o Campeonato Amazonense de Futebol Feminino, realizado desde 1980 pela a FAF, e o Campeonato Carioca de Futebol Feminino organizado pela FERJ em 1983, este que vinha se popularizando quatro anos após a revogação da lei desportiva.

Anos 1990: Primeiro campeonato[editar | editar código-fonte]

Imediatamente após a lei ser revogada, várias equipes e ligas foram sendo criadas pelo Brasil, dentre elas a equipe carioca do Radar, que a partir de 1982 conquistou diversos títulos nacionais e internacionais. Em São Paulo, o SAAD, surgiu com força máxima, dando um toque especial de rivalidade no esporte. Com a grande popularização da modalidade no país, a Federação Pernambucana de Futebol via uma oportunidade de popularizar o futebol no estado. Com o intuito de criar uma competição voltada para o futebol feminino, a FPF organiza seu 1° campeonato estadual no ano de 1999 tendo o Sport Club do Recife como sua primeira equipe campeã do certame.

Desde então, com o incentivo da Confederação Brasileira de Futebol, o futebol feminino pernambucano vem buscando seu espaço em âmbito nacional, tendo o Vitória das Tabocas, seu representante com maior participação em competições nacionais como a Copa do Brasil de Futebol Feminino e atualmente na primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. O Vitória é um dos maiores campeões do estado de Pernambuco, conquistando o certame de forma invicta duas vezes de 2015 a 2016 e um heptacampeonato consecutivo, mas em 2017, as leoas do Sport impediram o Octacampeonato e no ano seguinte elas conquistam seu primeiro campeonato invicto e seu segundo Bicampeonato.

Dias atuais[editar | editar código-fonte]

Com o incentivo e reformulação em seu novo estatuto e regulamento, a CONMEBOL estabeleceu em 2018 a exigência dos clubes interessados em disputar suas competições masculinas tenham investimentos em torneios femininos.[6] Essa regra passou a valer já em 2019. Dessa forma, clubes que possam disputar as competições organizadas pela entidade, só confirmarão sua vaga nos torneios se tiverem times femininos disputando campeonatos. A CBF também trabalha nesse sentido. Em 2017, criou o licenciamento dos clubes para a disputa de suas competições oficiais. Nessas regras, tornou obrigatório que cada clube que vá disputar o Brasileirão da Série A de 2019 seja obrigado a participar de competições femininas.

Dessa forma a partir de 2019, o futebol no país passaria a ser mais organizado. Clubes que não tinham ou tinham seus departamentos desativados, poderiam formar parcerias com clubes que possuíam elencos femininos. Um caso mais recente no estado de Pernambuco, foram as equipes do Santa Cruz e do Vitória das Tabocas.[7] Que formaram parceria para disputa do Brasileirão Feminino de 2019, o que culminou em uma das melhores campanhas do estadual de 2019 com um aproveitamento de mais de 80% de aproveitamento e ganhando o campeonato de forma invicta.

Em 2020, o futebol de Pernambuco sofreu um dos maiores baques de sua história, tanto no futebol masculino, quanto no feminino. Com a disseminação de uma das maiores pandemias mundiais, a Pandemia de COVID-19, o Brasil fora afetado com a suspensão de varias atividades, dentre elas o futebol. A pandemia no Brasil obrigou a paralização das competições estaduais e nacionais entre Março e Julho.[8] O que fez alguns clubes dispensarem parte de seus quadros de funcionários e jogadores. Com a retomada do futebol em Pernambuco e o inicio do estadual feminino, fez com que a competição tivesse o menor número de participantes - a menor quantidade de clubes participantes da década desde o surgimento da competição. Equipes tradicionais como Central, América-PE e o campeão de 2019 Vitória das Tabocas, ficaram de fora da competição. O que refletiu na saída do Vitória, na segunda divisão do Brasileiro Feminino de 2020.

Reformulação do futebol nacional feminino em 2022-23[editar | editar código-fonte]

Com nova reformulação do futebol nacional feminino, em 18 de maio de 2021, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a criação da competição.[9][10] Afim de desenvolver e valorizar ainda mais o futebol profissional feminino e com o desnivelamento na primeira fase da Série A2, foi uma medida tomada pela a entidade máxima do futebol brasileiro, de tirar todas as equipes que não brigaram pelo título da competição e uma possível promoção a divisão superior, de uma "Zona de conforto". Já que sabem que têm cinco jogos garantidos e uma premiação para cumprir essa tabela.

Dessa forma, a partir de 2022, será disputada uma nova divisão nacional, o Campeonato Brasileiro Feminino - Série A3. No seu primeiro ano de existência, a competição contara com 32 equipes/associações com elenco feminino. Participarão da competição, os representante das 27 unidades federativas do pais (número de vagas definidas pela CBF, para cada campeonato estadual), os 4 melhores no Ranking da CBF (Masculino) que não estiverem já na Série A1 ou Série A2 e um clube da melhor federação do Ranking da CBF (Feminino). Já no ano de 2023, o critério de participação da série A3 será igual ao que acontece na ultima divisão do campeonato brasileiro - masculino. Será um representante de cada um dos 27 estados, os 4 rebaixados da Série A2 do ano anterior e um clube da melhor federação do Ranking da CBF (Feminino).

Campeões[editar | editar código-fonte]

Edição Ano Campeão Vice-campeão Terceiro colocado Quarto colocado
1999 Sport (1) Santa Cruz Não informado Não informado
2000 Sport (2) Náutico Não informado Não informado
2001 - 04 Campeonato não realizado
2005 Náutico (1) Sport Barreirense FC Geraldão
2006 Náutico (2) Barreirense FC Não informado Não informado
2007 Sport (3) Náutico Não informado Não informado
2008 Sport (4) Barreirense FC Náutico Constelação
2009 Sport (5) Náutico Constelação Barreirense FC
2010 Vitória das Tabocas (1) Sport Barreirense FC Constelação
2011 Vitória das Tabocas (2) Sport Barreirense FC Real
10ª 2012 Vitória das Tabocas (3) Sport Central Igarassu Real
11ª 2013 Vitória das Tabocas (4) Sport Central Pernambuco FC
12ª 2014 Vitória das Tabocas (5) Sport América-PE Náutico
13ª 2015 Vitória das Tabocas(INV) (6) Náutico Revelação América-PE
14ª 2016 Vitória das Tabocas(INV) (7) Joias Raras Náutico Santa Cruz
15ª 2017 Sport (6) Vitória das Tabocas Náutico Porto-PE
16ª 2018 Sport(INV) (7) Náutico Ipojuca Centro Limoeirense
17ª 2019 Vitória das Tabocas (8) Sport Náutico Íbis
18ª 2020 Náutico (3) Sport Ferroviário-PE Íbis
19ª 2021 Em breve
(INV) Campeão invicto

Títulos[editar | editar código-fonte]

Títulos por clube[editar | editar código-fonte]

Clube Campeão Anos do Títulos Vice Anos dos Vices
Bandeira vitoria de santo antao.jpg Vitória das Tabocas (Vitória de S. Antão) 8 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 Cscr-featured.png, 2016 Cscr-featured.png e 2019 1 2017
Bandeira de Recife.svg Sport (Recife) 7 1999, 2000, 2007, 2008, 2009, 2017 e 2018 Cscr-featured.png 8 2005, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2019 e 2020
Bandeira de Recife.svg Náutico (Recife) 3 2005, 2006 e 2020 5 2000, 2007, 2009, 2015 e 2018

Cscr-featured.png Campeão invicto.

Títulos por cidade[editar | editar código-fonte]

Cidade Títulos Vices
São Paulo Recife 10 13
Santos Vitória de S. Antão 8 1

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Campeões invictos[editar | editar código-fonte]

Duas vezes
  • Vitória das Tabocas — 2015 e 2016
Uma vez
  • Sport — 2018

Campeões consecutivos[editar | editar código-fonte]

Heptacampeonato
  • Vitória das Tabocas — 1 vez (2010-11-12-13-14-15-16)
Tricampeonato
  • Sport — 1 vez (2007-08-09)
Bicampeonatos
  • Sport — 2 vezes (1999-2000, 2017-18)
  • Náutico — 1 vez (2005-06)

Campeões das décadas[editar | editar código-fonte]

Década de 2000

Sport, com 4 títulos (2000-07-08-09)

Década de 2010

Vitória das Tabocas, com 8 títulos (2010-11-12-13-14-15-16-19)

Artilheiras[editar | editar código-fonte]

Ano Artilheira Clube N° gols
2011 Jacira Sport 14
2012 Ketlen Vitória das Tabocas 19
2013 Carol Baiana Vitória das Tabocas 35
2014 não informado
2015 Alice Náutico 13
2016 não informado
2017 Juliana
Poliana
Vitória das Tabocas 10
2018 Otti Sport 13
2019 Esterphany Sport 8
2020 Nadine Náutico 15

Maiores artilheiras[editar | editar código-fonte]

Artilheiras (1999–2020)[nota 1] [nota 2]