Os quatro grandes do Rio de Janeiro

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O futebol do Rio de Janeiro é um dos mais tradicionais do Brasil, contando com quatro dos maiores clubes brasileiros, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, com performances mais destacadas que os outros clubes que o representam em competições nacionais e internacionais.[1][2][3]

Em âmbito nacional, os chamados quatro "grandes" clubes cariocas conquistaram 15 Campeonatos Brasileiros (5 do Flamengo, 4 do Fluminense, 4 do Vasco e 2 com o Botafogo), 5 Copas do Brasil (3 do Flamengo, 1 do Fluminense e 1 do Vasco) e 1 Copa dos Campeões da CBF (do Flamengo). Em âmbito sul-americano, os clubes cariocas conquistaram 7 títulos (3 do Flamengo, 3 do Vasco e 1 do Botafogo), 3 dos quais disputados com o objetivo de indicar o campeão sul-americano (1 do Flamengo, em 1981, e 2 do Vasco, em  1948 e 1998). Para além dos limites da América do Sul, o Flamengo conquistou a Copa Intercontinental em 1981, conquista oficial por UEFA e CONMEBOL e tratada pela imprensa da época como o título mundial de clubes,[4] enquanto o Fluminense conquistou a Copa Rio de 1952, organizada com a participação do dirigente ligado à FIFA Ottorino Barassi,[5] que recebeu tratamento de troféu mundial pela imprensa da época,[6][7][8] e de importância reconhecida pela FIFA em comunicado à imprensa.[9][10][11]

Desde a criação da Taça Brasil em 1959 (primeira competição de clubes de abrangência nacional, aberta a clubes de todos os Estados) até o fim da temporada 2016 do futebol brasileiro, entre os Estados do Brasil, o futebol do Rio de Janeiro é o segundo mais vitorioso na principal competição de clubes dessa nação, com 15 conquistas do Campeonato Brasileiro, atrás de São Paulo, com 30, e a frente de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com 5 títulos cada um, com Fluminense e Vasco, e depois, Flamengo e Botafogo, já tendo decidido entre eles em confrontos diretos o título brasileiro. Em competições internacionais é o quarto em número de títulos internacionais oficialmente reconhecidos, superado por São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e é o segundo em número de títulos nacionais oficialmente reconhecidos e de 1ª Divisão, superado apenas por São Paulo neste quesito. Somados títulos oficiais nacionais e internacionais, o Rio de Janeiro aparece como o segundo estado mais vitorioso do país (29 títulos no período supracitado), superado apenas por São Paulo (68 títulos, no mesmo período), e à frente de Rio Grande do Sul (24 títulos) e Minas Gerais (23 títulos), no mesmo período.

O futebol do Rio de Janeiro possui também, através do Flamengo, a maior torcida do Brasil, a maior torcida do mundo (quando se consideram apenas torcedores do mesmo país dos clubes),[12] e uma das quatro equipes que sempre disputaram a divisão principal do Campeonato Brasileiro (as outras sendo São Paulo, Santos e Cruzeiro). O Fluminense é, entre os 13 maiores clubes do Brasil, o mais antigo a praticar o futebol, e dentro de seus muros nasceu a Seleção Brasileira, tendo sido a sua casa durante anos e onde ela conquistou os seus primeiros títulos relevantes.[13] O Botafogo é o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.[14] O Vasco da Gama foi o primeiro clube campeão sul-americano, e o único clube não-europeu a derrotar um campeão da Copa dos Campeões da Europa antes da criação da Copa Intercontinental, e seu estádio era o maior da América Latina quando da sua inauguração.[15]

O futebol no Estado do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Campeonato Carioca[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Campeonato Carioca de Futebol
Parte interior do Estádio do Maracanã, o mais famoso do Brasil e um dos mais famosos do mundo, localizado no Rio.

O campeonato do atual Estado do Rio de Janeiro é disputado desde 1979, após a fusão dos estados da Guanabara e do antigo estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói. Até então existiam os campeonatos Carioca e Fluminense, além do Fluminense de Seleções.

No entanto, apesar do gentílico do Estado do Rio de Janeiro ser "fluminense", por motivo de tradição manteve-se o termo "carioca" (referente apenas à capital) no título do torneio que passava a abranger todo o Estado do Rio - excluindo da mesma forma o Campeonato Fluminense, de expressão e visibilidade significantemente menor no cenário nacional, da cronologia oficial do campeonato. Portanto, etimologicamente o termo mais correto seria Campeonato Fluminense, e não Campeonato Carioca.

A primeira temporada do campeonato, relativa ao então Distrito Federal, foi disputada em 1906 e é, portanto, a terceira competição estadual mais antiga do país, atrás do Campeonato Paulista e do Campeonato Baiano.

A primeira partida pelo Campeonato Carioca foi disputada no dia 3 de maio de 1906 no Campo da Rua Guanabara, do Fluminense, no bairro de Laranjeiras, e o resultado foi Fluminense 7 a 1 Paysandu, com o primeiro gol da história deste campeonato sendo marcado por Horácio da Costa Santos, do Fluminense.

Durante os primeiros 103 anos de competição, o Fluminense se orgulhou de ser o time com maior número de títulos, isoladamente. Contudo, em 2009 o Flamengo conquistou seu 31º título, superando o rival tricolor no quesito número absoluto de conquistas.

Divisões inferiores[editar | editar código-fonte]

As divisões inferiores do Campeonato Carioca de Futebol são os torneios de futebol para os clubes do Rio de Janeiro que não participam da Primeira Divisão. Normalmente, as equipes campeãs de uma divisão, são transferidas no ano seguinte para a divisão imediatamente superior. Na Segunda Divisão, o Bonsucesso é o clube com mais títulos conquistados, 7 no total, tendo conquistado ainda um título da Liga Suburbana de Futebol, isso em em 1919.[16]

Apesar do mais usual ser a utilização dos termos “primeira divisão”, “segunda divisão” e “terceira divisão”, muitas vezes houve campeonatos com apenas duas divisões ou utilizando nomes diferentes para cada uma das divisões inferiores.

Entre 1994 e 2000, chegou a haver até uma espécie de “quarta divisão” que, contudo, foi nomeada “segunda” e “terceira”, dependendo da quantidade de divisões intermediárias entre esta e a primeira divisão.

Copa Rio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Copa Rio

Competição disputada desde 1999 sem a presença dos grandes, em sua grande maioria por clubes que ficaram de fora das principais divisões do Campeonato Brasileiro, tendo como maior campeão o Volta Redonda, com 4 conquistas.

Rivalidades[editar | editar código-fonte]

Rivalidades entre os clubes do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Ver: Lista de clássicos de futebol do Rio de Janeiro.

Rivalidade com clubes de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Sem sombra de dúvida, a grande rivalidade interestadual do futebol do Rio de Janeiro é aquela com o futebol de São Paulo. Em parte resultado de Rio de Janeiro e São Paulo terem sido historicamente as cidades mais populosas e mais influentes do país do ponto de vista político, econômico e cultural, tradicionalmente os dois Estados são considerados os mais relevantes do país também no que diz respeito ao futebol. Exemplo disso é o fato que, quando a CBD criou a Copa Rio Internacional com o objetivo de ser uma Copa do Mundo de Clubes, não existia ainda a Taça Brasil, e os campeões de Rio de Janeiro e São Paulo foram indicados pela CBD como representantes do Brasil no citado torneio internacional, pela premissa de que eram os Estados mais fortes do futebol brasileiro e por isso seus campeões seriam os mais gabaritados representantes do país. Outro exemplo é o fato que, antes da criação da Taça Brasil, o Torneio Rio-São Paulo chegou a ser chamado pela imprensa de "campeonato brasileiro oficioso", afirmando-se à época que os dois estados possuíam os melhores times do Brasil.[17] O Torneio Rio-São Paulo acabaria sendo o "embrião" do "Robertão" e por conseguinte do próprio Campeonato Brasileiro de Futebol.

De 1959 (ano de criação da Taça Brasil de Futebol e das competições de clubes da Conmebol, disputadas desde 1960) até o fim do ano de 2016, dois outros Estados do Brasil, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, possuem mais conquistas internacionais oficialmente reconhecidas que o Estado do Rio de Janeiro. Porém, São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os Estados líderes no que diz respeito a conquistas nacionais oficialmente reconhecidas, e também no que diz respeito ao somatório de títulos nacionais e internacionais reconhecidos, com ampla vantagem para São Paulo, no período supracitado tendo obtido 68 conquistas, enquanto o futebol do Rio de Janeiro contabilizou no mesmo período 29 conquistas somando-se nacionais e internacionais.

Todas as pesquisas de torcidas já realizadas indicam serem 5 clubes do eixo Rio de Janeiro-São Paulo (Flamengo, Vasco da Gama, Corinthians, Palmeiras e São Paulo) os cinco clubes de maior torcida do Brasil, e indicam os 8 "grandes" clubes deste eixo (os cinco supracitados mais Santos, Fluminense e Botafogo) entre os 12 ou 13 clubes de maior torcida do Brasil, ou seja, os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo representando juntos cerca de dois terços dos 13 clubes de maior torcida do Brasil, sendo os únicos 2 Estados que possuem 4 clubes cada um entre os maiores do Brasil.

Além de diversos embates decisivos em competições internacionais e nacionais, houve diversas disputas contando apenas com clubes de Rio de Janeiro e São Paulo, algumas disputas não reconhecidas oficialmente (como a Taça dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo e o Torneio Quinela de Ouro), e pelo menos 5 competições oficiais entre clubes dos 2 Estados: a Taça Ioduran, o já citado Torneio Rio-São Paulo, o Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951 (uma espécie de "edição extra" do Torneio Rio-São Paulo de 1951 porém disputado com as regras do Torneio Início), o Torneio Ricardo Teixeira (disputado em 1993 como um Torneio Rio-São Paulo de "segunda divisão", ou de "segunda linha")[18] e o Torneio João Havelange (organizado pela CBF em 1993 como uma espécie de "recopa" entre os vencedores dos torneios disputados em Rio de Janeiro e São Paulo naquele ano). No total dos títulos nestas competições (as cinco interestaduais oficiais), a vantagem é de São Paulo, com 20 títulos, contra 14 do Rio de Janeiro (até abril de 2016).

No que diz respeito à rivalidade entre clubes, pode-se dizer que há rivalidade entre todos os clubes "grandes" do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, com algumas eventuais polêmicas intra ou extra-campo tendo ocorrido nas partidas entre os mesmos. Como exemplo de rivalidade mais acirrada, pode-se citar a rivalidade dos clubes cariocas com o Corinthians: pesquisa realizada em 2012 apontou que, de forma geral, torcedores de Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama vêem o Corinthians como um rival mais ferrenho que o Botafogo, e que os torcedores do Vasco colocam o Corinthians como rival mais ferrenho que Botafogo e Fluminense. No universo de dados da pesquisa, foram os únicos casos em que uma rivalidade interestadual apareceu com mais destaque que tradicionais rivalidades locais,[19] o que é provavelmente explicado pelo fato de Flamengo e Corinthians despontarem como as duas maiores torcidas do Brasil, e pelo Corinthians ter sobrepujado o Vasco em quase todas as decisões disputadas entre os dois clubes.

Rivalidade com clubes de outros estados[editar | editar código-fonte]

O futebol do Rio de Janeiro não possui, com outros estados além de São Paulo, uma rivalidade tão tradicional quanto a existente para com este. Houve disputas decisivas de clubes do Rio de Janeiro com clubes de outros Estados, algumas marcadas por polêmicas intra ou extra-campo, podendo ser citadas duas (do Flamengo) por serem atípicas, sem nenhum paralelo conhecido: uma com o Clube Atlético Mineiro, decorrente, em parte, do extremamente atípico e polêmico desenlace do jogo de desempate de 1ª fase entre os dois clubes na Copa Libertadores da América de 1981,[20][21] e a animosidade com o Sport Club do Recife em decorrência da polêmica sobre o Campeonato Brasileiro de 1987.[22]

O Clube Atlético Paranaense protagonizou pelo menos 3 partidas conturbadas contra clubes cariocas: no Campeonato Brasileiro de 1996, contra o Fluminense, no Estádio das Laranjeiras, uma invasão de campo de parte da torcida do Fluminense para agredir o goleiro adversário Ricardo Pinto, após provocação do ex-goleiro tricolor aos torcedores, gerando uma briga generalizada;[23][24] na Copa do Brasil de 1997, partida em que o clube paranaense eliminou o Vasco da Gama, com a arbitragem de Oscar Roberto de Godoy contestada pelo Vasco da Gama, com gravações de conversas telefônicas posteriormente divulgadas associando esta partida (supostamente) ao escândalo do Caso Ivens Mendes;[25] no Campeonato Brasileiro de 2013, partida com o Vasco com briga generalizada entre os torcedores dos dois clubes deixando diversos feridos.[26]

Os títulos dos quatro grandes do futebol carioca[A][editar | editar código-fonte]

Competições internacionais, nacionais e interestaduais Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Copa Rio 0 0 1 0
Copa Intercontinental 0 1 0 0
Copa Libertadores da América 0 1 0 1
Campeonato Sul-Americano de Campeões 0 0 0 1
Copa Mercosul 0 1 0 1
Copa Conmebol 1 0 0 0
Copa Ouro 0 1 0 0
Campeonato Brasileiro 2 5 4 4
Copa do Brasil 0 3 1 1
Copa dos Campeões 0 1 0 0
Torneio Rio-São Paulo 4 1 2 3
Torneio João Havelange 0 0 0 1
Taça Ioduran 0 0 1 0
Total 7 14 9 12
Competições estaduais[B] Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Campeonato Carioca[27] 20 33 31 24
Taça Guanabara 2 2 3 1
Copa Rio[28] 0 1 1 2
Torneio Municipal[29] 1 0 2 4
Taça Cidade Maravilhosa 1 0 0 0
Torneio Relâmpago[30] 0 1 0 2
Total 24 37 37 33
Outras estaduais Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Torneio Extra[31] 0 1 1 2
Torneio Aberto[32] 0 1 1 0
Copa Record Rio de Futebol 0 1 0 0
Total 0 3 2 2
Todas as competições[C] Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Total 31 51 46 45
Notas
  • A. ^ São listados os títulos reconhecidos dos quatro clubes considerados "grandes" no futebol do  Rio de Janeiro, no futebol de campo, masculino, adulto, em competições abertas à possibilidade de participação da equipe principal dos clubes, sendo portanto desconsideradas competições de equipes de juniores (divisões de base), equipes femininas, outras modalidades de futebol (areia, futsal, etc), torneios de aspirantes e reservas (2º e 3º quadros) e torneios de amadores disputados após a implantação do profissionalismo. Não são computadas competições que já são "parte" de outras, não sendo elas próprias competições independentes, como os turnos do Campeonato Carioca, a Zona Sul da Taça Brasil, e títulos honoríficos por partidas que já são parte de uma competição (ex: Troféu Super-Clássicos da Ferj). Por imparcialidade, a fonte para os títulos internacionais, nacionais e interestaduais são as listas presentes na Wikipedia: a Lista de títulos internacionais de clubes brasileiros de futebol, a Lista de campeões do futebol brasileiro e a Lista de títulos interestaduais do futebol brasileiro. Por imparcialidade, são computados todos os títulos presentes nestas três listas, sem levar em consideração valorações opinativas sobre a "importância" ou "valor" das competições oficiais, como por exemplo a Revista Placar ter qualificado a Copa Ouro como "caça-níqueis da Conmebol".[33] Pela mesma razão, os próprios clubes e seus torcedores não são considerados como fonte: o site do Flamengo, por exemplo, atualmente cita três conquistas (Torneio Rio-São Paulo de 1940, Taça dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo de 1956 e  "Taça dos Campeões Brasileiros de 1992"),[34] que não constavam do site do mesmo até janeiro de 2013,[35] e que, segundos as fontes primárias e independentes presentes nos respectivos verbetes, ou não foram homologados ao clube (caso de 1940) ou eram partidas amistosas (casos de 1956 e 1992). A lista não inclui títulos de divisões inferiores, e não inclui os Torneios Início, pois em função do regulamento extremamente diferenciado dos mesmos, em geral não são computados em estatísticas sobre partidas.[36]
  • B. ^ São computadas as competições estaduais oficiais que tenham incluído todos os quatro "grandes" clubes cariocas, ou cujo critério classificatório possibilitasse a participação de qualquer um dos quatro "grandes". No caso da Taça Guanabara, são computadas apenas as edições disputadas separadamente do Campeonato Estadual. No caso da Copa Rio, competição criada para indicar o segundo representante do Estado na Copa do Brasil, os "grandes" clubes cariocas deixaram de disputá-la após passarem a ter vaga garantida na citada competição nacional: Vasco da Gama e Flamengo abandonaram a Copa Rio, no seu decorrer, respectivamente em 1994 e 1995, porque já tinham vaga garantida na Copa do Brasil do ano seguinte, e todos os quatro "grandes" clubes desistiram da competição a partir de 1996 quando a CBF passou a incluir todos o quatro na Copa do Brasil. Desistências deste tipo ocorreram em outros casos: por exemplo, o Flamengo desistiu de participar da Copa do Brasil de 1992 (disputada no 2º semestre de 1992) porque já havia garantido vaga na Copa Libertadores de 1993 através do Campeonato Brasileiro de 1992 (disputado no 1º semestre de 1992).[37] Seguindo o critério estabelecido, são contabilizados os títulos dos "grandes" clubes na Copa Rio, pois todas as edições vencidas pelos "grandes" contaram com todos os quatro, exceto a de 1998. Em rubrica distinta, "Outras estaduais", são computadas as competições que não eram abertas à possibilidade de participação de todos os "grandes" clubes cariocas. Os torneios Aberto e Copa Record contaram com dois entre os quatro "grandes" clubes cariocas, enquanto cada um dos Torneios Extra contou com pelo menos três. No Torneio Aberto, Botafogo e Vasco da Gama foram impossibilitados de participar, pois o torneio era organizado pela Liga Carioca de Futebol, enquanto os 2 clubes pertenciam à Federação Metropolitana de Desportos.[38] O Torneio Extra não foi uma competição em si, mas um nome dado a alguns torneios desconexos disputados como um torneio "a mais" em seu respectivo ano (daí o nome "Extra"). No caso dos torneios de 1973 (Torneio Erasmo Martins Pedro) e 1990 (Taça Adolpho Bloch, também chamada à época de Campeonato Carioca Extra),[39] estes são computados como edições do Torneio Extra pela RSSSF, mas não por outras fontes, como os sites Flapedia e NetVasco. Independente da nomenclatura "Extra", as competições de 1973 e 1990 foram organizadas pela Federação da época, em 1973 pela Federação Carioca de Futebol[40] e em 1990 pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.[41][42] O Botafogo não participou do Torneio Extra de 1934 por não ser filiado à Liga Carioca de Futebol, o Vasco da Gama abandonou este mesmo torneio ao desfiliar-se da citada Liga, o Fluminense não participou do de 1938 por razões desconhecidas e do de 1973 por não ter sido convidado,[43] e o Flamengo não participou do de 1990 por opção própria.[41] Os demais Torneios Extra contaram com todos os "grandes", totalizando 1 conquista do Fluminense e 1 do America.
  • C. ^ Para evitar polêmicas, a soma total de títulos não inclui as competições da rubrica "Outras estaduais".

Outras conquistas dos quatro grandes[editar | editar código-fonte]

Além das conquistas mostradas na lista acima, reconhecidas e de Primeira Divisão, os quatro grandes clubes cariocas tiveram outras conquistas dignas de menção.

A conquista do Módulo Verde do Campeonato Brasileiro de 1987 pelo  Flamengo foi saudada por parte da imprensa como um título de campeão brasileiro ao mesmo.[44][45] A conquista chegou a ser reconhecida pela CBF como um título de campeão brasileiro ao Flamengo, tendo sido o reconhecimento posteriormente revogado por força de decisão judicial.[46][47] Os quatro grandes do futebol carioca participaram do Módulo Verde, juntamente a outros 12 clubes, perfazendo um total de 16 participantes, 14 dos quais estavam entre os então 16 primeiros do Ranking da CBF.[48]

O Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer, conquistado pelo Vasco da Gama em 1953, foi torneio sucessor das Copas Rio, visto na Europa como uma edição das Copas Rio,[49] e como o "Mundial de Clubes do Brasil",[50][51] tendo contado com a participação de Ottorino Barassi na sua organização.[52] O torneio foi organizado pela CBD, então entidade oficial do futebol brasileiro, sendo à sua época reconhecido no Brasil como torneio oficial. Contudo, o torneio não recebeu reconhecimento por entidades internacionais como FIFA ou CONMEBOL. Os quatro grandes cariocas demonstraram interesse no torneio: Vasco e Botafogo se classificaram ao mesmo, e quando da abertura de vaga que seria do campeão uruguaio, Fluminense e Flamengo solicitaram à CBD sua participação no torneio, tendo a vaga sido outorgada ao Fluminense.[53]

Três dos quatro grandes conquistaram títulos das divisões de acesso do Campeonato Brasileiro: o Fluminense, a Série C em 1999; o Vasco da Gama, a Série B em 2009; e o Botafogo, a Série B em 2015.

OS quatro grandes clubes cariocas conquistaram diversos torneios amistosos, nacional e internacionalmente, incluindo alguns dos mais conhecidos mundialmente, como Torneio de Paris de Futebol, Troféu Teresa Herrera e Troféu Ramón de Carranza, entre outros. Entre estes, destacam-se as conquistas do Torneio Internacional de Paris de 1957 pelo Vasco da Gama e do Troféu Teresa Herrera de 1996 pelo Botafogo. Em ambas as oportunidades, o clube carioca foi considerado o mais gabaritado representante do futebol brasileiro: em sua conquista de 1957, o Vasco era o vigente campeão carioca, tendo sido apresentado como "campeão do Brasil" na excursão que então fazia à Europa;[54][55] e em sua conquista de 1996, o Botafogo era o vigente campeão brasileiro. Ademais, na final de cada competição, o clube carioca derrotou o vigente campeão da Copa dos Campeões da Europa: em 1957 o Real Madrid, e em 1996 o Juventus. A conquista vascaína em 1957 possui a peculiaridade de ter sido a única derrota de um campeão da Copa dos Campeões da Europa para clube não-europeu antes da criação da Copa Intercontinental.[56]

America e Bangu, grandes no passado[editar | editar código-fonte]

Entre os clubes "não-grandes" do futebol carioca, o America pode ser considerado um "ex-grande", já tendo sido avaliado como um dos grandes no passado:[57][58] em 1954, aparecia como a quarta maior torcida do Rio de Janeiro (à frente da do Botafogo),[59] chegou a ser o 16º do ranking nacional da CBF,[60] e é o único carioca "não-grande" a ter vencido um campeonato nacional oficial de 1ª divisão, o Torneio dos Campeões de 1982, ostentando ainda entre as suas glórias, 7 títulos do Campeonato Carioca, 1 da Taça Ioduran, 2 do Torneio Extra e 1 do Torneio Relâmpago, entre outros títulos importantes. O America é o clube cujo nome próprio mais foi copiado por outros clubes do Brasil (sem considerar clubes que são conhecidos como Atlético/Esporte/Esportiva/etc, palavras que não são substantivos próprios).[61]

No caso do Bangu, este sagrou-se duas vezes campeão carioca, foi vice-campeão brasileiro em 1985, e conquistou a International Soccer League, competição chamada de Mundial de Clubes quando da sua criação,[62] e autorizada pela FIFA quando de sua realização,[63] porém sem possuir reconhecimento pela mesma. O Bangu também já chegou a ser apontado como um dos grandes clubes do Rio de Janeiro em seus melhores momentos, como foi pelo jornalista Mário Filho em 1951, e por seu irmão Nelson Rodrigues, em 1966.[64]

Outros clubes do futebol fluminense[editar | editar código-fonte]

A lista de títulos da seção acima inclui os quatro principais clubes do futebol carioca e America e Bangu são citados em seção própria. Outros dois clubes da cidade do Rio de Janeiro foram campeões de competições agregadas no item "Todas as competições" da lista: São Cristóvão (1 Campeonato Carioca e 1 Torneio Municipal) e Paissandu (1 Campeonato Carioca).

Os clubes dos outros municípios fluminenses só passaram a disputar as mesmas competições que os clubes da capital após a fusão das duas federações estaduais, decorrente da fusão dos antigos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, resultando na atual Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Entre estes clubes, o Volta Redonda conquistou 2 edições da Copa Rio ainda no período inicial desta (1991-1995), quando a mesma contava com a participação dos grandes clubes cariocas.

Americano, Campo Grande, Macaé, Olaria e Volta Redonda foram outros clubes fluminenses campeões em alguma das divisões de acesso do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. TARGINO, Maurício (18 de maio de 2012). «O G-12 brasileiro.». Site deprimeira. Consultado em 17 de outubro de 2016 
  2. RODRIGUES, Rodolfo e GINI, Paulo Villena (3 de agosto de 2009). «Livro A história das camisas dos 12 maiores times do Brasil». Panda Books. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  3. Site da revista PLACAR - Livro sobre camisa dos 12 grandes clubes do Brasil ganha versão atualizada, página editada em 13 de dezembro de 2016 e disponível em 31 de dezembro de 2016.
  4. Jornal do Brasil, 13/12/1981.
  5. Jornal do Brasil, 31 de maio de 1952.
  6. O Diário de Belo Horizonte estampou como manchete principal "Fluminense campeão do mundo" após a final da competição. Exemplar disponível no FLUMEMÓRIA e citado no livro 1952 - Fluminense campeão do mundo, página 112
  7. Jornal Última Hora, 04 de agosto de 1952, página 2, catalogado no acervo on-line da Biblioteca Nacional como edição 351 do Última Hora.
  8. Jornal dos Sports, chamando a Copa Rio de Mundial de Clubes ou Mundial dos Campeões em várias edições de 1951 e 1952.
  9. Jornal O Estado de São Paulo, "Para Fifa, só Mundiais de Clubes a partir de 2000 são títulos oficiais", 27/01/2017.
  10. http://espn.uol.com.br/noticia/431977_fifa-divulga-comunicado-e-reconhece-titulo-mundial-do-palmeiras-mas-erra-nome-do-time
  11. http://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2014/08/fifa-ve-titulo-de-51-do-verdao-como-de-nivel-mundial-mas-separa-campeoes.html
  12. Flamengo tem a maior torcida do mundo segundo estudo de agência euro-argentina . GloboEsporte.com.br seg, 10/09/12, por Emerson Gonçalves.
  13. BARRETO BERWANGER, Alexandre Magno (31 de dezembro de 2006). «Jogos da Seleção Brasileira no Estádio de Laranjeiras (Fluminense F.C.).». RSSSFBRASIL.com. Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  14. MARQUES, Bruno; GONÇALVES, Igor e QUINTELLA, Thiago (7 de maio de 2014). «Copa: Botafogo segue líder entre clubes que mais cederam jogadores à Seleção». GLOBOESPORTE.com - NUMERÓLOGOS. Consultado em 16 de fevereiro de 2017 
  15. Globo Esporte. Curtinha: estádio de São Januário completa 87 anos nesta segunda-feira - Inauguração foi no dia 21 de abril de 1927 com um amistoso entre Vasco e Santos 21/04/2014 18h45 - Atualizado em 21/04/2014 18h46.
  16. BARSETTI, Silvio - O ESTADO DE S. PAULO - Um título inédito para mudar a história do Bonsucesso, página editada em 10 de abril de 2011 e disponível em 18 de fevereiro de 2017.
  17. El Mundo Deportivo, 14/06/1951, página 3.
  18. Jornal Folha de S.Paulo. 07 de Agosto de 1993.
  19. Corinthians é visto como o maior rival no futebol nacional, diz pesquisa. GloboEsporte.com. 10/07/2012 10h00 - Atualizado em 10/07/2012 10h00.
  20. Trivela: Como os timaços de Fla e Galo criaram a maior rivalidade interestadual do Brasil 29 de outubro de 2014 às 17:36.
  21. Apitei: após 32 anos, Wright não vê erros no polêmico Fla x Galo de 1981. GloboEsporte. 03/08/2013 08h10 - Atualizado em 03/08/2013 09h34.
  22. Flamengo vai à Fifa contra o Sport por título do Campeonato Brasileiro de 1987. GloboEsporte. Quinta-feira, 18/12/2014 às 17:29 por Martín Fernandez
  23. Ricardo Pinto diz não desejar mal a agressor que atrapalhou carreira. Do UOL, em São Paulo 19/09/201306h00.
  24. Site NETFLU - Ex-Flu e Atlético-PR, Ricardo Pinto recorda briga em 96 e nega trauma, página editada em 15 de novembro de 2016 e disponível em 16 de fevereiro de 2017.
  25. Corrupção derruba dirigente da CBF. Folha de S.Paulo (Folha UOL). Quinta-feira, 8 de maio de 1997.
  26. Proximidade entre torcidas de Vasco e Atlético-PR não preocupa a polícia. GloboEsporte. 21/10/2014 17h57 - Atualizado em 21/10/2014 17h57.
  27. RSSSF: Campeonato Estadual do Rio de Janeiro
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  40. Diário de Notícias, 14/02/1973, edição 15433, página 12.
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