Os quatro grandes do Rio de Janeiro

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Torcidas dos quatro grandes do Rio de Janeiro
Torcida do Botafogo
Torcida do Flamengo
Torcida do Fluminense
Torcida do Vasco da Gama

Os quatro grandes do Rio de Janeiro são os clubes de futebol, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama. Os quatro estão entre os mais tradicionais do Brasil e possuem performances mais destacadas que os outros clubes que representam o Estado do Rio de Janeiro em competições nacionais e internacionais.[1][2][3][4][5]

Além dos títulos conquistados, os quatro grandes do Rio de Janeiro se destacam nacional e internacionalmente de diversas formas. O Flamengo possui a maior torcida do Brasil, a maior torcida do mundo (quando se consideram apenas torcedores do mesmo país dos clubes),[6] e é uma das quatro equipes que sempre disputaram a divisão principal do Campeonato Brasileiro (as outras sendo Cruzeiro, Santos e São Paulo). O Fluminense é, entre os 13 maiores clubes do Brasil, o mais antigo a praticar o futebol, e dentro de seus muros nasceu a Seleção Brasileira, tendo sido a sua casa durante dezoito anos e onde ela conquistou os seus primeiros títulos relevantes.[7] O Botafogo é o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo[8] e é detentor da maior goleada do futebol brasileiro[9] e da maior sequência invicta em partidas oficiais no futebol brasileiro.[10] O Vasco da Gama foi o único clube não-europeu a derrotar um campeão da Copa dos Campeões da Europa antes da criação da Copa Intercontinental,[11] e seu estádio era o maior da América Latina quando da sua inauguração.[12]

Destaques nacionais

Em âmbito nacional, os chamados quatro "grandes" clubes cariocas conquistaram 15 Campeonatos Brasileiros (5 do Flamengo, 4 do Fluminense, 4 do Vasco e 2 do Botafogo), 5 Copas do Brasil (3 do Flamengo, 1 do Fluminense e 1 do Vasco) e 1 Copa dos Campeões da CBF (do Flamengo). Ademais, a conquista, pelo Flamengo, do Módulo Verde do Campeonato Brasileiro de 1987, é desde 1987 tratada por expressiva parte da imprensa como um título de campeão brasileiro ao mesmo,[13][14] e a conquista chegou a ser reconhecida pela CBF como um título de campeão brasileiro ao Flamengo, tendo sido o reconhecimento posteriormente revogado por força de decisão judicial,[15][16] tendo a conquista contado com a participação de todos os quatro grandes do Rio de Janeiro, juntamente a outros 12 clubes, perfazendo um total de 16 participantes, 14 dos quais estavam entre os então 16 primeiros do Ranking da CBF.[17] Ainda em âmbito nacional, três entre os quatro grandes venceram Campeonatos Brasileiros de divisões inferiores: o Fluminense, a Série C em 1999; o Vasco da Gama, a Série B em 2009; e o Botafogo, a Série B em 2015.

Desde a criação da Taça Brasil em 1959 (primeira competição de clubes de abrangência nacional, aberta a clubes de todos os estados) até o fim da temporada 2016 do futebol brasileiro, entre os estados do Brasil, o futebol do Rio de Janeiro é o segundo mais vitorioso na principal competição de clubes dessa nação, com 15 conquistas do Campeonato Brasileiro, atrás de São Paulo, com 30, e a frente de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com 5 títulos cada um. Clubes cariocas decidiram entre si, em confrontos diretos, o título brasileiro, por duas vezes: Fluminense e Vasco em 1984, e Flamengo e Botafogo em 1992.

Na segunda competição nacional, a Copa do Brasil, apenas a cidade do Rio de Janeiro teve mais de 2 clubes campeões, tendo o Botafogo se sagrado vice campeão em 1999.

Destaques internacionais

Em competições internacionais, o Estado do Rio de Janeiro é o quarto em número de títulos internacionais oficialmente reconhecidos, superado por São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e é o segundo em número de títulos nacionais oficialmente reconhecidos e de 1ª Divisão, superado apenas por São Paulo neste quesito. Somados títulos oficiais nacionais e internacionais, o Rio de Janeiro aparece como o segundo estado mais vitorioso do país (29 títulos no período supracitado), superado apenas por São Paulo (68 títulos, no mesmo período), e à frente de Rio Grande do Sul (24 títulos) e Minas Gerais (23 títulos), no mesmo período.

Em âmbito sul-americano, os clubes cariocas conquistaram 7 títulos (3 do Flamengo, 3 do Vasco e 1 do Botafogo), 3 dos quais disputados com o objetivo de indicar o campeão sul-americano: 1 do Flamengo, a Copa Libertadores da América de 1981, e 2 do Vasco, a Copa Libertadores da América de 1998 e o Campeonato Sul-Americano de Campeões de 1948[18]- este último, não organizado diretamente pela CONMEBOL, mas organizado com o apoio do seu então presidente Luiz Valenzuela,[19] tendo sido a única competição sul-americana, além da Copa Libertadores, cujo título rendeu vaga na Supercopa dos Campeões da Libertadores, através de decisão do Comitê Executivo da CONMEBOL,[20][21][22] tendo a CONMEBOL qualificado a competição de 1948 como a antecedente que se tornou a Copa Libertadores, e o Vasco da Gama como o primeiro campeão sul-americano,[23][24][25][26] com o Fluminense tendo sagrado-se vice campeão da Copa Libertadores da América de 2008 e o Botafogo tendo alcançado as semifinais na Copa Libertadores da América de 1963.

Para além dos limites da América do Sul, o Flamengo conquistou a Copa Intercontinental em 1981, conquista oficial por UEFA e CONMEBOL e tratada pela imprensa da época como o título mundial de clubes,[27] enquanto o Fluminense conquistou a Copa Rio de 1952, organizada pela CBD com a participação do dirigente ligado à FIFA Ottorino Barassi,[28] que recebeu tratamento de troféu mundial pela imprensa da época,[29][30][31] e de importância reconhecida pela FIFA em comunicado à imprensa,[32][33][34] e o Vasco da Gama venceu  a Taça Rivadavia de 1953, competição sucessora da Copa Rio,[35][36][37] tendo sido também da CBD com participação de Ottorino Barassi,[38] e tratada na Europa como uma edição da Copa Rio,[39][40][41][42][43][44][45] por exemplo entendida como um mundial de clubes pelo participante europeu Hibernian.[46][47] Entre diversos torneios amistosos vencidos pelos quatro grandes, o Vasco venceu o Torneio Internacional de Paris de 1957, torneio que, se por um lado foi amistoso,[48] sua final foi a primeira partida citada como "o melhor time sul-americano contra o melhor time europeu"[49][50] antes da criação da Copa Intercontinental, e a conquista foi citada à época pelo Jornal dos Sports como um título mundial de clubes ao Vasco da Gama.[51]

Com relação as segundas competições mais importantes da América do Sul, o Botafogo sagrou-se campeão da Copa Conmebol de 1993 e o Fluminense vice campeão da Copa Sul-Americana de 2009, a antiga e a atual segunda competição continental. Flamengo e Vasco conquistaram a Copa Mercosul, competição regional disputada por clubes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, em 1999 e 2000 respectivamente.

Além destas conquistas, todos os quatro grandes clubes cariocas conquistaram diversos torneios amistosos, nacional e internacionalmente, incluindo alguns dos mais conhecidos mundialmente, como Copa Kirin, Torneio de Paris, Troféu Ramón de Carranza e Troféu Teresa Herrera, entre outros. Levantamento da revista Placar em 2017, apontou o Fluminense como o clube brasileiro com o segundo melhor aproveitamento contra times europeus, com 65,7% de aproveitamento, atrás apenas do Grêmio, o Vasco da Gama como o clube que mais jogou, tendo atuado em 237 partidas, o Flamengo como o clube com maior variação de adversários e países, 134 adversários de 32 países, e o Botafogo presente entre os 5 primeiros em 6 dos 12 quesitos apontados pela revista.[52]

O futebol no Estado do Rio de Janeiro

Campeonato Carioca

Ver artigo principal: Campeonato Carioca de Futebol
Parte interior do Estádio do Maracanã, o mais famoso do Brasil e um dos mais famosos do mundo, localizado no Rio.

O campeonato do atual Estado do Rio de Janeiro é disputado desde 1979, após a fusão dos estados da Guanabara e do antigo estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói. Até então existiam os campeonatos Carioca e Fluminense, além do Fluminense de Seleções.

No entanto, apesar do gentílico do Estado do Rio de Janeiro ser "fluminense", por motivo de tradição manteve-se o termo "carioca" (referente apenas à capital) no título do torneio que passava a abranger todo o Estado do Rio - excluindo da mesma forma o Campeonato Fluminense, de expressão e visibilidade significantemente menor no cenário nacional, da cronologia oficial do campeonato. Portanto, etimologicamente o termo mais correto seria Campeonato Fluminense, e não Campeonato Carioca.

A primeira temporada do campeonato, relativa ao então Distrito Federal, foi disputada em 1906 e é, portanto, a terceira competição estadual mais antiga do país, atrás do Campeonato Paulista e do Campeonato Baiano.

A primeira partida pelo Campeonato Carioca foi disputada no dia 3 de maio de 1906 no Campo da Rua Guanabara, do Fluminense, no bairro de Laranjeiras, e o resultado foi Fluminense 7 a 1 Paysandu, com o primeiro gol da história deste campeonato sendo marcado por Horácio da Costa Santos, do Fluminense.

Durante os primeiros 103 anos de competição, o Fluminense se orgulhou de ser o time com maior número de títulos, isoladamente. Contudo, em 2009 o Flamengo conquistou seu 31º título, superando o rival tricolor no quesito número absoluto de conquistas.

Divisões inferiores

As divisões inferiores do Campeonato Carioca de Futebol são os torneios de futebol para os clubes do Rio de Janeiro que não participam da Primeira Divisão. Normalmente, as equipes campeãs de uma divisão, são transferidas no ano seguinte para a divisão imediatamente superior. Na Segunda Divisão, o Bonsucesso é o clube com mais títulos conquistados, 7 no total, tendo conquistado ainda um título da Liga Suburbana de Futebol, isso em 1919.[53]

Apesar do mais usual ser a utilização dos termos “primeira divisão”, “segunda divisão” e “terceira divisão”, muitas vezes houve campeonatos com apenas duas divisões ou utilizando nomes diferentes para cada uma das divisões inferiores.

Entre 1994 e 2000, chegou a haver até uma espécie de “quarta divisão” que, contudo, foi nomeada “segunda” e “terceira”, dependendo da quantidade de divisões intermediárias entre esta e a primeira divisão.

Copa Rio

Ver artigo principal: Copa Rio

Competição disputada desde 1999 sem a presença dos grandes, em sua grande maioria por clubes que ficaram de fora das principais divisões do Campeonato Brasileiro, tendo como maior campeão o Volta Redonda, com 4 conquistas.

Rivalidades

Rivalidades entre os clubes do Rio de Janeiro

Ver: Lista de clássicos de futebol do Rio de Janeiro.

Rivalidade com clubes de São Paulo

Sem sombra de dúvida, a grande rivalidade interestadual do futebol do Rio de Janeiro é aquela com o futebol de São Paulo. Em parte resultado de Rio de Janeiro e São Paulo terem sido historicamente as cidades mais populosas e mais influentes do país do ponto de vista político, econômico e cultural, tradicionalmente os dois Estados são considerados os mais relevantes do país também no que diz respeito ao futebol. Exemplo disso é o fato que, quando a CBD criou a Copa Rio Internacional com o objetivo de ser uma Copa do Mundo de Clubes, não existia ainda a Taça Brasil, e os campeões de Rio de Janeiro e São Paulo foram indicados pela CBD como representantes do Brasil no citado torneio internacional, pela premissa de que eram os Estados mais fortes do futebol brasileiro e por isso seus campeões seriam os mais gabaritados representantes do país. Outro exemplo é o fato que, antes da criação da Taça Brasil, o Torneio Rio-São Paulo chegou a ser chamado pela imprensa de "campeonato brasileiro oficioso", afirmando-se à época que os dois estados possuíam os melhores times do Brasil.[54] O Torneio Rio-São Paulo acabaria sendo o "embrião" do "Robertão" e por conseguinte do próprio Campeonato Brasileiro de Futebol.

De 1959 (ano de criação da Taça Brasil de Futebol e das competições de clubes da Conmebol, disputadas desde 1960) até o fim do ano de 2016, dois outros Estados do Brasil, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, possuem mais conquistas internacionais oficialmente reconhecidas que o Estado do Rio de Janeiro. Porém, São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os Estados líderes no que diz respeito a conquistas nacionais oficialmente reconhecidas, e também no que diz respeito ao somatório de títulos nacionais e internacionais reconhecidos, com ampla vantagem para São Paulo, no período supracitado tendo obtido 68 conquistas, enquanto o futebol do Rio de Janeiro contabilizou no mesmo período 29 conquistas somando-se nacionais e internacionais.

Todas as pesquisas de torcidas já realizadas com até 1% de margem de erro indicam serem 5 clubes do eixo Rio de Janeiro-São Paulo (Flamengo, Vasco da Gama, Corinthians, Palmeiras e São Paulo) os cinco clubes de maior torcida do Brasil, e indicam os 8 "grandes" clubes deste eixo (os cinco supracitados mais Santos, Fluminense e Botafogo) entre os 12 clubes de maior torcida do Brasil, ou seja, os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo representando juntos cerca de dois terços dos 13 clubes de maior torcida do Brasil, sendo os únicos 2 Estados que possuem 4 clubes cada um entre os maiores do Brasil.

Além de diversos embates decisivos em competições internacionais e nacionais, houve diversas disputas contando apenas com clubes de Rio de Janeiro e São Paulo, algumas disputas não reconhecidas oficialmente (como a Taça dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo e o Torneio Quinela de Ouro), e pelo menos 5 competições oficiais entre clubes dos 2 Estados: a Taça Ioduran, o já citado Torneio Rio-São Paulo, o Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951 (uma espécie de "edição extra" do Torneio Rio-São Paulo de 1951 porém disputado com as regras do Torneio Início), o Torneio Ricardo Teixeira (disputado em 1993 como um Torneio Rio-São Paulo de "segunda divisão", ou de "segunda linha")[55] e o Torneio João Havelange (organizado pela CBF em 1993 como uma espécie de "recopa" entre os vencedores dos torneios disputados em Rio de Janeiro e São Paulo naquele ano). No total dos títulos nestas competições (as cinco interestaduais oficiais), a vantagem é de São Paulo, com 20 títulos, contra 14 do Rio de Janeiro (até abril de 2016).

No que diz respeito à rivalidade entre clubes, pode-se dizer que há rivalidade entre todos os clubes "grandes" do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, com algumas eventuais polêmicas intra ou extra-campo tendo ocorrido nas partidas entre os mesmos. Como exemplo de rivalidade mais acirrada, pode-se citar a rivalidade dos clubes cariocas com o Corinthians: pesquisa realizada em 2012 apontou que, de forma geral, torcedores de Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama vêem o Corinthians como um rival mais ferrenho que o Botafogo, e que os torcedores do Vasco colocam o Corinthians como rival mais ferrenho que Botafogo e Fluminense. No universo de dados da pesquisa, foram os únicos casos em que uma rivalidade interestadual apareceu com mais destaque que tradicionais rivalidades locais,[56] o que é provavelmente explicado pelo fato de Flamengo e Corinthians despontarem como as duas maiores torcidas do Brasil, e pelo Corinthians ter sobrepujado o Vasco em quase todas as decisões disputadas entre os dois clubes.

Rivalidade com clubes de outros estados

O futebol do Rio de Janeiro não possui, com outros estados além de São Paulo, uma rivalidade tão tradicional quanto a existente para com este. Houve disputas decisivas de clubes do Rio de Janeiro com clubes de outros Estados, algumas marcadas por polêmicas intra ou extra-campo, podendo ser citadas duas (do Flamengo) por serem atípicas, sem nenhum paralelo conhecido: uma com o Clube Atlético Mineiro, decorrente, em parte, do extremamente atípico e polêmico desenlace do jogo de desempate de 1ª fase entre os dois clubes na Copa Libertadores da América de 1981,[57][58] e a animosidade com o Sport Club do Recife em decorrência da polêmica sobre o Campeonato Brasileiro de 1987.[59]

O Clube Atlético Paranaense protagonizou pelo menos 3 partidas conturbadas contra clubes cariocas: no Campeonato Brasileiro de 1996, contra o Fluminense, no Estádio das Laranjeiras, uma invasão de campo de parte da torcida do Fluminense para agredir o goleiro adversário Ricardo Pinto, após provocação do ex-goleiro tricolor aos torcedores, gerando uma briga generalizada;[60][61] na Copa do Brasil de 1997, partida em que o clube paranaense eliminou o Vasco da Gama, com a arbitragem de Oscar Roberto de Godoy contestada pelo Vasco da Gama, com gravações de conversas telefônicas posteriormente divulgadas associando esta partida (supostamente) ao escândalo do Caso Ivens Mendes;[62] no Campeonato Brasileiro de 2013, partida com o Vasco com briga generalizada entre os torcedores dos dois clubes deixando diversos feridos.[63]

O pênalti que resultou na conquista da Copa do Brasil de 1992 pelo Sport Club Internacional sobre o Fluminense é uma das grandes polêmicas da História da Copa do Brasil. Em entrevista para os jornais LANCE! (RJ) e Zero Hora (RS), Pinga confessou que "cavou o pênalti", momento habitualmente lembrado quando os dois clubes se confrontam, notadamente em momentos decisivos.[64][65] Em partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2009, Fluminense e Coritiba Foot Ball Club decidiram, no Estádio Couto Pereira lotado por mais de 32.000 torcedores, a permanência na primeira divisão, em uma partida tensa na qual o Flu manteve-se na primeira e o resultado de 1 a 1 acabou por rebaixar o Coxa, tendo havido atos de violência por parte da torcida local após o encerramento da partida, dentro do estádio e pelas ruas de Curitiba.[66][67]

Títulos reconhecidos dos quatro grandes do futebol carioca[A]

Competições internacionais, nacionais e interestaduais Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Copa Rio 0 0 1 0
Taça Rivadavia 0 0 0 1
Copa Intercontinental 0 1 0 0
Copa Libertadores da América 0 1 0 1
Campeonato Sul-Americano de Campeões 0 0 0 1
Copa Mercosul 0 1 0 1
Copa Conmebol 1 0 0 0
Copa Ouro 0 1 0 0
Campeonato Brasileiro 2 5 4 4
Copa do Brasil 0 3 1 1
Copa dos Campeões 0 1 0 0
Torneio Rio-São Paulo 4 1 2 3
Torneio João Havelange 0 0 0 1
Taça Ioduran 0 0 1 0
Total 7 14 9 13
Competições estaduais[B] Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Campeonato Carioca[68] 20 34 31 24
Taça Guanabara 2 2 3 1
Copa Rio[69] 0 1 1 2
Torneio Municipal[70] 1 0 2 4
Taça Cidade Maravilhosa 1 0 0 0
Torneio Relâmpago[71] 0 1 0 2
Total 24 38 37 33
Outras estaduais Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Torneio Extra[72] 0 1 1 2
Torneio Aberto[73] 0 1 1 0
Copa Record Rio de Futebol 0 1 0 0
Total 0 3 2 2
Todas as competições[C] Botafogo Flamengo Fluminense Vasco da Gama
Total 31 52 46 46
Notas
  • A. ^ São listados os títulos reconhecidos dos quatro clubes considerados "grandes" no futebol do  Rio de Janeiro, no futebol de campo, masculino, adulto, em competições abertas à possibilidade de participação da equipe principal dos clubes, sendo portanto desconsideradas competições de equipes de juniores (divisões de base), equipes femininas, outras modalidades de futebol (areia, futsal, etc), torneios de aspirantes e reservas (2º e 3º quadros) e torneios de amadores disputados após a implantação do profissionalismo. Não são computadas competições que já são "parte" de outras, não sendo elas próprias competições independentes, como os turnos do Campeonato Carioca, a Zona Sul da Taça Brasil, e títulos honoríficos por partidas que já são parte de uma competição (ex: Troféu Super-Clássicos da Ferj). Por imparcialidade, a fonte para os títulos internacionais, nacionais e interestaduais são as listas presentes na Wikipedia: a Lista de títulos internacionais de clubes brasileiros de futebol, a Lista de campeões do futebol brasileiro e a Lista de títulos interestaduais do futebol brasileiro. Por imparcialidade, são computados todos os títulos presentes nestas três listas, sem levar em consideração valorações opinativas sobre a "importância" ou "valor" das competições oficiais, como por exemplo a Revista Placar ter qualificado a Copa Ouro como "caça-níqueis da Conmebol".[74] Pela mesma razão, os próprios clubes e seus torcedores não são considerados como fonte: o site do Flamengo, por exemplo, atualmente cita três conquistas (Torneio Rio-São Paulo de 1940, Taça dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo de 1956 e  "Taça dos Campeões Brasileiros de 1992"),[75] que não constavam do site do mesmo até janeiro de 2013,[76] e que, segundos as fontes primárias e independentes presentes nos respectivos verbetes, ou não foram homologados ao clube (caso de 1940) ou eram partidas amistosas (casos de 1956 e 1992). A lista não inclui títulos de divisões inferiores, e não inclui os Torneios Início, pois em função do regulamento extremamente diferenciado dos mesmos, em geral não são computados em estatísticas sobre partidas.[77]
  • B. ^ Sobre as competições estaduais, é computado o Campeonato Carioca de Futebol, principal competição de clubes do Estado, em todas as suas edições, e além deste, são computadas apenas as competições estaduais oficiais que tenham incluído todos os quatro "grandes" clubes cariocas, ou cujo critério classificatório possibilitasse a participação de qualquer um dos quatro "grandes". No caso da Taça Guanabara, são computadas apenas as edições disputadas separadamente do Campeonato Estadual. No caso da Copa Rio, competição criada para indicar o segundo representante do Estado na Copa do Brasil, os "grandes" clubes cariocas deixaram de disputá-la após passarem a ter vaga garantida na citada competição nacional: Vasco da Gama e Flamengo abandonaram a Copa Rio, no seu decorrer, respectivamente em 1994 e 1995, porque já tinham vaga garantida na Copa do Brasil do ano seguinte, e todos os quatro "grandes" clubes desistiram da competição a partir de 1996 quando a CBF passou a incluir todos o quatro na Copa do Brasil. Desistências deste tipo ocorreram em outros casos: por exemplo, o Flamengo desistiu de participar da Copa do Brasil de 1992 (disputada no 2º semestre de 1992) porque já havia garantido vaga na Copa Libertadores de 1993 através do Campeonato Brasileiro de 1992 (disputado no 1º semestre de 1992).[78] Seguindo o critério estabelecido, são contabilizados os títulos dos "grandes" clubes na Copa Rio, pois todas as edições vencidas pelos "grandes" contaram com todos os quatro, exceto a de 1998. Em rubrica distinta, "Outras estaduais", são computadas as competições que não eram abertas à possibilidade de participação de todos os "grandes" clubes cariocas. Os torneios Aberto e Copa Record contaram com dois entre os atuais quatro "grandes" clubes cariocas, enquanto cada um dos Torneios Extra contou com pelo menos três. No Torneio Aberto, Botafogo e Vasco da Gama não quiseram participar, pois embora aberto a inscrições de quaisquer times, o torneio era organizado pela Liga Carioca de Futebol, enquanto os 2 clubes pertenciam à Federação Metropolitana de Desportos.[79] O Torneio Extra não foi uma competição em si, mas um nome dado a alguns torneios desconexos disputados como um torneio "a mais" em seu respectivo ano (daí o nome "Extra"). No caso dos torneios de 1973 (Torneio Erasmo Martins Pedro) e 1990 (Taça Adolpho Bloch, também chamada à época de Campeonato Carioca Extra),[80] estes são computados como edições do Torneio Extra pela RSSSF, mas não por outras fontes, como os sites Flapedia e NetVasco. Independente da nomenclatura "Extra", as competições de 1973 e 1990 foram organizadas pela Federação da época, em 1973 pela Federação Carioca de Futebol[81] e em 1990 pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.[82][83] O Botafogo não participou do Torneio Extra de 1934 por não ser filiado à Liga Carioca de Futebol, o Vasco da Gama abandonou este mesmo torneio ao desfiliar-se da citada Liga, o Fluminense não participou do de 1938 por razões desconhecidas e do de 1973 por não ter sido convidado,[84] e o Flamengo não participou do de 1990 por opção própria.[82] Os demais Torneios Extra contaram com todos os "grandes", totalizando 1 conquista do Fluminense e 1 do America.
  • C. ^ Para evitar polêmicas, a soma total de títulos não inclui as competições da rubrica "Outras estaduais".
  • Para evitar polêmicas, a lista não inclui torneios que, se por um lado chegaram a ser autorizados ao calendário do futebol brasileiro, não foram organizados ou endossados como torneios oficiais de CBD ou CBF, como o Torneio do Povo e a Primeira Liga do Brasil, e que, ademais disso, não incluíram os quatro grandes, e nos quais a participação dos clubes cariocas não era baseada em critérios técnicos mas sim na livre negociação entre clubes participantes e organizadores. As competições incluídas na totalização da lista, além de reconhecidas, são competições que, ou incluíram os quatro grandes, ou nas quais a participação do(s) representante(s) carioca(s) (via classificação ou convite) era lastreada em critérios técnicos: por exemplo, no caso dos torneios extintos, o Flamengo foi convidado à Copa Ouro como vice-campeão da Supercopa da Libertadores, substituindo o campeão; Fluminense, Flamengo e Vasco da Gama disputaram a Taça Ioduran, a Copa Rio de 1952, o Sul-Americano de Campeões de 1948, a Copa dos Campeões de 2001 e o Torneio João Havelange de 1993 em função dos seus títulos no Campeonato Carioca; e os participantes cariocas se classificam à Taça Rivadavia de 1953 através de sua colocação no Torneio Rio-São Paulo. A exceção é a Copa Mercosul. Nela, Flamengo e Vasco da Gama tinham direito garantido à participação (juntamente a Corinthians, São Paulo e Palmeiras), enquanto outros clubes brasileiros (incluindo Botafogo e Fluminense) só teriam direito a participar de acordo à sua colocação no Campeonato Brasileiro.[85]

Campeonato Brasileiro de 1987

A conquista, pelo Flamengo, do Módulo Verde do Campeonato Brasileiro de 1987, é desde então tratada pelo clube, sua torcida e por expressiva parte da imprensa como um título de campeão brasileiro ao mesmo,[86][87] e chegou a ser assim reconhecida pela CBF, tendo o reconhecimento sido posteriormente revogado por força de decisão judicial,[88][89] decisão reiterada em 18 de abril 2017 pelo Supremo Tribunal Federal.[90] A conquista do citado Módulo contou com a participação de todos os quatro grandes do Rio de Janeiro, juntamente a outros 12 clubes, perfazendo um total de 16 participantes, 14 dos quais estavam entre os então 16 primeiros do Ranking da CBF,[91] sendo que 10 entre os 16 clubes participantes do Módulo Verde estavam entre os 16 primeiros do Campeonato Brasileiro do ano anterior (1986), com os demais 6 (entre os 16 melhores no Brasileiro de 1986) estando no Módulo Amarelo de 1987. Em respeito às decisões judiciais, o título não é contabilizado ao Flamengo na lista acima. 

A liderança em títulos entre os quatro grandes

Por mais de 90 anos, desde o primeiro Campeonato Carioca em 1906 até o ano de 1999, o Fluminense foi, entre os quatro grandes clubes, o maior campeão em competições reconhecidas e de Primeira Divisão, ou seja, as agregadas na totalização da lista de títulos da seção acima.

No ano de 1999, com a conquista do Torneio Rio-São Paulo pelo Vasco da Gama, e em 2000, com a conquista do Campeonato Carioca pelo Flamengo, estes dois clubes e o Fluminense empataram em 40 títulos, com o Fluminense então ostentando 2 Campeonatos Brasileiros, 2 Torneios Rio-São Paulo, 1 Taça Ioduran, 1 Copa Rio Internacional, 2 Torneios Municipais, 3 Taças Guanabara (independentes do Campeonato Carioca), 1 Copa Rio Estadual e 28 Campeonatos Cariocas, enquanto o Flamengo ostentava 4 Campeonatos Brasileiros, 1 Torneio Rio-São Paulo, 1 Copa Libertadores, 1 Copa Intercontinental, 1 Copa Mercosul, 1 Copa Ouro Sul-Americana, 1 Copa do Brasil, 1 Torneio Relâmpago, 2 Taças Guanabara (independentes do Campeonato Carioca), 1 Copa Rio Estadual e 26 Campeonatos Cariocas (sem considerar o pleito do Flamengo à condição de campeão brasileiro de 1987, que só em 2011 seria reconhecido pela CBF, tendo este reconhecimento sido revogado no mesmo ano por força de decisão judicial),[92] enquanto o Vasco por sua vez ostentava 3 Campeonatos Brasileiros, 3 Torneios Rio-São Paulo, 1 Copa Libertadores, 1 Sul-Americano de Campeões, 1 Taça Rivadavia, 1 Torneio João Havelange Interestadual, 2 Torneios Relâmpago, 1 Taça Guanabara (independente do Campeonato Carioca), 2 Copas Rio Estaduais, 4 Torneios Municipais e 21 Campeonatos Cariocas.

Com as conquistas do Campeonato Brasileiro e Copa Mercosul de 2000 pelo Vasco e do Campeonato Carioca e Copa dos Campeões da CBF de 2001 pelo Flamengo, e do Campeonato Carioca pelos 2 clubes em 2003 e 2004, eles permaneceriam empatados, com o Flamengo passando à frente em 2006 com a conquista da Copa do Brasil, tendo sua liderança em títulos sido mantida desde então.

America e Bangu, grandes no passado

Ver artigo principal: Torneio dos Campeões
Ver artigo principal: International Soccer League

Entre os clubes "não-grandes" do futebol carioca, o America pode ser considerado um "ex-grande", já tendo sido avaliado como um dos grandes no passado:[93][94] em 1954, aparecia como a quarta maior torcida do Rio de Janeiro (à frente da do Botafogo),[95] chegou a ser o 16º do ranking nacional da CBF,[96] e é o único carioca "não-grande" a ter vencido um campeonato nacional oficial de 1ª divisão, o Torneio dos Campeões de 1982, ostentando ainda entre as suas glórias, 7 títulos do Campeonato Carioca, 1 da Taça Ioduran, 2 do Torneio Extra e 1 do Torneio Relâmpago, entre outros títulos importantes, tendo alcançado as semifinais do Campeonato Brasileiro em 1986. O America é o clube cujo nome próprio mais foi copiado por outros clubes do Brasil (sem considerar clubes que são conhecidos como Atlético/Esporte/Esportiva/etc, palavras que originalmente não são substantivos próprios).[97]

No caso do Bangu, este sagrou-se duas vezes campeão carioca, foi vice-campeão brasileiro em 1985, e conquistou a International Soccer League, competição chamada de Mundial de Clubes quando da sua criação,[98] e autorizada pela FIFA quando de sua realização,[99] porém sem possuir reconhecimento pela mesma. O Bangu também já chegou a ser apontado como um dos grandes clubes do Rio de Janeiro em seus melhores momentos, como foi pelo jornalista Mário Filho em 1951, e por seu irmão Nelson Rodrigues, em 1966.[100]

Outros clubes do futebol fluminense


A lista de títulos da seção acima inclui os quatro principais clubes do futebol carioca e America e Bangu são citados em seção própria. Outros dois clubes da cidade do Rio de Janeiro foram campeões de competições agregadas no item "Todas as competições" da lista: São Cristóvão (1 Campeonato Carioca e 1 Torneio Municipal) e Paissandu (1 Campeonato Carioca).

Os clubes dos outros municípios fluminenses só passaram a disputar as mesmas competições que os clubes da capital após a fusão das duas federações estaduais, decorrente da fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, resultando na atual Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Entre estes clubes, o Volta Redonda conquistou 2 edições da Copa Rio ainda no período inicial desta (1991-1995), quando a mesma contava com a participação dos grandes clubes cariocas.

Americano, Campo Grande, Macaé, Olaria e Volta Redonda foram outros clubes fluminenses campeões em alguma das divisões de acesso do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Ver também

Referências

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  38. Jornal Diário da Noite, edições: 5447, de 10 de abril de 1953 (página 18), e 5446, de 09 de abril de 1953 (página 18).
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  40. Jornal Última Hora, edição 614, de 15 de junho de 1953, afirmando que o Torneio Rivadavia de 1953 era tratado no Velho Mundo (Europa) como uma edição da Copa Rio.
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  43. Jornal espanhol El Mundo Deportivo, 29/04/1953, pag.03. O jornal se refere ao Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer como "o torneio de futebol do Rio" ("el torneo de fútbol de Río"), sugerindo que o jornal via o torneio de 1953 e as edições da Copa Rio como sendo a mesma competição. A mesma edição do jornal comenta que o adianto da Copa Latina de 1953 em uma semana (para os dias 04 e 07 de junho) possibilitaria ao Reims francês e ao Sporting de Lisboa participar da "Copa de Rio"- ou seja, tratando a Copa Rio e o Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer como sendo a mesma competição.
  44. Jornal do Brasil, 07/05/1953, página 3 do 2º caderno. Noticiou que o Reims (então campeão francês) foi questionado sobre o Torneio Octogonal e tinha dito "que irá ao Brasil participar do torneio em disputa da Taça Rivadavia Corrêa Meyer (Copa Rio), confirmando sua participação e escrevendo (Copa Rio) logo após a menção da Taça Rivadavia.
  45. Jornal Última Hora, edição 570, de 22/04/1953. Diz que o Torneio Octogonal, que entregará a Taça Rivadavia Correa Meyer, é a Copa Rio com um nome diferente. Na edição 594 (de 21/05/1953, pág. 12), o mesmo jornal diz que o Torneio Octogonal "outrora se chamava Copa Rio". A edição de 16 de Junho de 1955 do jornal (edição catalogada no Acervo Memoria Bn como edição 1222) chama o Torneio Rivadavia de "Copa Rio de 1953".
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Ligações externas