Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil

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Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil
Classificação Igreja Reformada
Orientação Calvinista
Política Presbiteriana
Área geográfica Brasil Brasil
Origem 11 de fevereiro de 1940 (77 anos)
Separado de Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Congregações 89 (2017) [1]
Membros 3.578 (2006) [2]
Site oficial www.ipcb.org.br/index/

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (IPCB) é uma denominação presbiteriana reformada, fundada em 1940 pelos membros da Liga Conservadora da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB). É atualmente a terceira maior denominação reformada no Brasil, logo após a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e IPIB.


História[editar | editar código-fonte]

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil surgiu em 11 de Fevereiro de 1940, quando, após dois anos de debates e discussões internas sobre questões doutrinárias, a 2ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo desligou-se da federação eclesiástica a que pertencia para tornar-se Igreja Presbiteriana Conservadora de São Paulo. A questão versava principalmente sobre a doutrina das "Penas Eternas" ou do "Sofrimento Eterno dos Ímpios".

Manifesto às Igrejas Evangélicas[editar | editar código-fonte]

No "Manifesto às Igrejas Evangélicas" que publicou em "O Presbiteriano Conservador", logo após a separação, afirmou:

"Esta nova Igreja é, sem dúvida, o fruto de um acendrado apego à doutrina. Não seguimos o formalismo religioso que orienta a personalidade para simples aceitação intelectual de determinadas verdades, que permanecem, todavia, estéreis e improdutivas. Longe disso, reconhecemos a exata posição do dogma na vida religiosa e a imprescindível necessidade da defesa da doutrina como uma das condições essenciais para o estabelecimento daquela vida. Este é o real ensino de Cristo. Assim sendo, queremos que a nossa posição no seio do Evangelismo Nacional se caracterize por uma atitude construtiva e de defesa aos princípios fundamentais do Cristianismo, tais como entendem a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster (tradução brasileira).
Pregando ardorosamente o Evangelho de Cristo aos pecadores, como sendo este Evangelho (a doutrina) o único meio de conduzir os homens a Cristo - o Salvador cerrará fileiras em torno da ortodoxia e montaremos guarda, sempre alerta, à sua conservação integral. Por isso, queremos ser chamados presbiterianos conservadores.Inclui a denominação que escolhemos para caracterizar a nossa humilde Igreja, a idéia de que os demais ramos do protestantismo, que dignamente militam em nossa Pátria, não defendam, com firmeza, a integridade do dogma. Essa denominação tem o objetivo de afirmar a nossa origem histórica; afirmar que nascemos de um movimento de defesa é ortodoxia. E, além disso, a condensação de um programa que nos impusemos. E, mais ainda, o levantamento de uma mística em torno da qual queremos formar a alma coletiva deste pujilo de idealistas que pretendem ocupar um lugar no grande exército de Cristo. E assim que queremos ser compreendidos. Tudo faremos para merecer essa compreensão...
Não é nosso propósito provocar adesões. Nossa aspiração limita-se a encontrar, para nós, um lugar em que possamos ser úteis à causa de Cristo no Brasil, sem sacrifício de nossa tranqüilidade espiritual e sem transigir quanto aos princípios que norteiam nossa posição doutrinária. Nosso número é limitadíssimo. Contentar-nos-emos, apesar disso, com o crescimento paulatino que corresponder aos frutos de nossa pregação. Se for do agrado de nosso Pai Celestial que assim fiquemos, limitados ao nosso número atual e à modéstia dos nossos recursos de toda ordem, assim ficaremos, felizes e tranqüilos, aguardando o raiar do ‘Novo Dia’.
Se, porém, adesões aparecerem de pessoas sinceramente desejosas de caminhar conosco nesta jornada, nós as receberemos jubilosos e incluiremos os nomes dos novos companheiros no rol desta Igreja local, até que o número e a natureza das adesões autorizem a criação do Presbitério Conservador."
(O Presbiteriano Conservador, 28/03/1940, p. 2)

Criação do 1º Presbitério[editar | editar código-fonte]

Embora sem o propósito de provocar adesões, conforme o "Manifesto", algumas igrejas que tinham a mesma convicção, juntamente com um pequeno número de pastores, também se desligaram da federação e juntos organizaram, em 27 de Junho daquele mesmo ano (1940), o 1° Presbitério da nova federação eclesiástica, composto de 11 igrejas e 5 ministros.

A Igreja Hoje[editar | editar código-fonte]

Ano Igrejas e congregações Membros
1940 11 741
2000 44 3.243
2006 52 3.578[2]


A IPCB é constituída hoje de 94 frentes de trabalho eclesiástico: 51 igrejas locais; 30 congregações presbiteriais; 08 congregações do Departamento Missionário e 5 pontos de pregação. A denominação está assim presente em 10 estados da federação.[1]

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil constitui-se, a partir de 2017, em 8 Presbitérios (Bandeirante, Brasil-Central, Centro-Sul, Guarulhos, Oeste Paulista, Paraná, Paulistano e Piratininga) e dois Sínodos (Sudeste e Centro-Oeste) e organizou sua Assembléia Geral em 19 de julho de 2009, sendo eleito presidente o rev. Clodoaldo de Souza Caldas.

Doutrina[editar | editar código-fonte]

A IPCB é uma denominação reformada, portanto, crê que a Bíblia é a única regra de fé e prática, fonte de toda doutrina ensinada na igreja. Todavia, a IPCB subscreve os Símbolos de Westminster: (Confissão de Fé de Westminster (CFW), Catecismo Maior de Westminster e Breve Catecismo de Westminster) que considera ser exposição fiel das Sagradas Escrituras. Tais confissões são modificáveis, caso a igreja perceba erros em suas declarações e não são vistas como sagradas ou inspiradas por Deus.[3]

Entre as doutrinas expressas na CFW estão as doutrinas da: Trindade; Diofisismo; Predestinação; Graça Comum; Divina Providência; Queda e Pecado original; Depravação Total; Vocação eficaz; Expiação eficaz; Eleição Incondicional; Perseverança dos santos; Justificação pela fé; Ordo salutis reformada; Dois sacramentos (Batismo e Eucaristia) e a Guarda do Domingo como "sábado cristão".

Além disso, a CFW expressa uma visão positiva da Lei de Deus, afirmando que embora não seja possível que os homens a cumpram integralmente, ela é o padrão que revela o caráter de Deus e deve ser observada por todos os cristãos. O Evangelho não anula a Lei. Assim, embora o homem não possa ser salvo por cumprir a Lei, ele deve obedecê-la por ser a revelação da vontade de Deus para os homens.

A CFW também afirma que todo poder é instituído por Deus, e portanto os cristãos devem obedecer os magistrados. Todavia, não pode o poder político interferir na igreja, seus sacramentos, cultos e ordens.

A Confissão se opõe a bigamia, define casamento como relação apenas possível entre homem e mulher e só admite divórcio em caso de adultério e deserção irremediáveis. O sistema de governo presbiteriano é também definido na Confissão, regulando-se por sínodos e concílios.[4]

A IPCB não admite a Ordenação Feminina e, portanto, somente homens podem ser pastores, presbíteros e diáconos. Desde sua fundação é uma igreja Antimaçônica, cessacionista e rege o culto pelo Princípio Regulador do Culto e não pratica a Salmodia Exclusiva. A denominação também se opõe a prática de bater palmas durante a liturgia. [5][2]

Jornal, Seminário e Departamento Missionário[editar | editar código-fonte]

A igreja publica seu jornal "O Presbiteriano Conservador" desde a sua fundação (1940) e tem seu Seminário desde 1953, em São Bernardo do Campo.

Em 1983, fundou seu Departamento Missionário, através do qual tem podido expandir seu ministério de pregação e implantação de igrejas em vários pontos pioneiros, como nos Estados de Rondônia, Acre, Bahia e entre os Indios "Terenos", no Mato Grosso do Sul.

Relações Inter eclesiásticas[editar | editar código-fonte]

A Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil não participa de nenhuma organização ecumênica a nível nacional ou internacional além da organizações estritamente fundamentalistas. É uma das igrejas fundadoras do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs, da Aliança Latino-Americana de Igrejas Cristãs e da Confederação de Igrejas Evangélicas Fundamentalistas do Brasil.[2]

Igreja Presbiteriana do Brasil[editar | editar código-fonte]

Logo após sua organização a IPCB contatou a IPB para informar sobre sua fundação.[2]

Em 1946 foi elaborado um plano de unificação com a IPB, todavia o plano não se concretizou.[6]

Atualmente não existe comunhão oficial entre a IPB e IPCB. Entretanto, em 2010, a última foi formalmente convidada a enviar delegados para a reunião do seu Supremo Concílio da primeira, mostrando um sinal de reaproximação.[7]

O que historicamente separava as duas denominações era a visão contrária a maçonaria pelos membros da IPCB, que a partir de 2006 foi também oficializada pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) que a partir de então reconheceu a incompatibilidade entre a maçonaria e a fé cristã.[8]

A nível local já existe grande integração e cooperação entre as igrejas federadas as duas denominações, sendo comum a recepção de membros entre as duas igrejas, bem como de pastores e pregadores da outra denominação.[9][10] [11]

Existem também ações de cooperação missionária conjunta entre membros das duas igrejas. A Agência Presbiteriana de Missões Transculturais da IPB assumiu em 2010 uma congregação no Japão, formada por imigrantes brasileiros oriundos da IPCB, após o Departamento Missionário da última não mais poder atender os seus membros no país.[12]

Referências

  1. a b Predefinição:Citar web=hhttp://www.ipcb.org.br/index/
  2. a b c d e «Igreja Presbiteriana Conservadora, estatísticas» (PDF). Consultado em 07 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. «Reformiert Online:Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil». Consultado em 07 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. «Monergismo: Confissão de Fé de Westminster». Consultado em 03 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. «As influências do Culto do Antigo Testamento na Liturgia.». Consultado em 07 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «Brasil Presbiteriano: Edição, Ano 51, Número 665, Página 5» (PDF). Consultado em 03 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Relações Inter eclesiásticas da Igreja Presbiteriana do Brasil» (PDF). Consultado em 03 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  8. «Igreja Presbiteriana do Brasil e a Maçonaria». Consultado em 08 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  9. «Igreja Presbiteriana do Brasil em Rio Preto recebe membros vindos da Igreja Presbiteriana Conservadora». Consultado em 08 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  10. «Reverendo Moysés Moreira Lopes, pastor da Igreja Presbiteriana Conservadora, recebido como pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil». Consultado em 08 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  11. «Relatório da Secretaria Executiva da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre jubilação do Reverendo Moysés Moreira Lopes, pastor vindo da Igreja Presbiteriana Conservadora». Consultado em 08 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  12. «Agência Presbiteriana de Missões Transculturais da Igreja Presbiteriana do Brasil assume congregação missionária formada por memb ros da Igreja Presbiteriana Conservadora» (PDF). Consultado em 08 de Agosto de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]