História de Cuba

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Mapa das Índias Ocidentais, México (Nova Espanha) com Cuba no centro, de Herman Moll, 1736.

A história de Cuba, a maior das ilhas do Caribe, começou a ser registrada quando Cristóvão Colombo avistou a ilha durante sua primeira viagem à América, em 27 de outubro de 1494. A ilha, que então era habitada por povos indígenas , tornou-se uma colônia da Espanha, chefiada por um governador espanhol em Havana. Em 1762, a cidade foi ocupada brevemente pelo Reino da Grã-Bretanha, porém retornou à posse da espanhola depois de uma troca pelo território da Flórida, um dos atuais Estados Unidos. Uma série de rebeliões durante o século XIX não logrou pôr fim ao domínio espanhol. No entanto, as tensões entre a Espanha e os Estados Unidos que provocaram a Guerra Hispano-Americana, que afinal resultou em retirada dos espanhóis e ocupação da ilha pelos Estados Unidos, entre 1898 e 1902, quando Cuba conquistou formalmente a sua independência.

Durante as primeiras décadas do século XX, os interesses norte-americanos predominaram em Cuba, e os Estados Unidos exerceram grande influência sobre a ilha. Isto terminou em 1959, quando o ditador Fulgencio Batista foi deposto pelos revolucionários liderados por Fidel Castro. Foi então promulgada a nova constituição, a chamada Lei Fundamental, em 7 de fevereiro de 1959, na qual ainda não estava expressa a opção pelo socialismo.[1] A rápida deterioração das relações com os Estados Unidos levou à aliança da ilha com a União Soviética, e à transformação de Cuba numa república socialista. No entanto, formalmente, a definição de Cuba como "um Estado socialista de trabalhadores" só aparecerá na Constituição de 1976.[2]

Fidel Castro ocupou o poder desde 1959, inicialmente como primeiro-ministro e, depois de 1976, como presidente, cargo que exerceu até 2006, quando delegou seus poderes ao seu irmão mais novo, Raúl. Finalmente, em 19 de abril de 2011, Castro retirou-se oficialmente da vida política do seu país.[3] [4]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Cuba era povoada por indígenas, os quais chamavam a ilha de Bohío, quando foi visitada por Cristóvão Colombo na sua primeira viagem, em 24 de Outubro de 1492. Colombo pensava que aquela terra era parte do continente asiático e pertencente aos domínios do Grande Khan (o rei da Ásia, descendente de Genghis Khan). Colombo deu àquele território o nome de La Juana, em homenagem à filha dos Reis Católicos. Apenas em 1509, Sebastião de Ocampo provou que Cuba era uma ilha, quando começou a sua colonização.

A cidade de Havana foi fundada por Diego Velázquez de Cuéllar, primeiro governador da colônia, em 1514.

Durante quatro séculos, Cuba foi uma colônia explorada pela Espanha. Após o esgotamento dos metais preciosos ainda em meados do século XVI a produção açucareira tornou-se a base de sua economia, a partir do século XVIII, nos moldes de uma monocultura extensiva, baseada na mão-de-obra do escravo africano. No século XIX, os Estados Unidos já eram o maior comprador do açúcar cubano.

Os primeiros movimentos de emancipação[editar | editar código-fonte]

O primeiro movimento de independência de Cuba, a chamada Grande Guerra registrou-se entre 1868 e 1878, conduzido pelo criollo Carlos Manuel Céspedes, um latifundiário educado na Europa que defendia os princípios liberais do Iluminismo.

Em 10 de Outubro de 1868, a partir de seu engenho de açúcar, à frente de duzentos homens, Céspedes levantou-se contra o governo espanhol, proclamando a independência de Cuba. Entre as primeiras providências de seu governo, proclamou a liberdade de todos os escravos que se unissem ao exército revolucionário. Essa medida teve como resultado imediato o aumento do seu efetivo para doze mil homens e a oposição dos demais latifundiários, que se viram privados da mão-de-obra escrava. Enquanto isso, a Espanha ampliou o seu contingente militar na ilha, e Céspedes acabou deposto em 1873. A resistência, entretanto, prolongou-se até 1878, quando as tropas espanholas retomaram o controle da ilha.

Nesse meio tempo, surgiu um novo líder revolucionário: José Martí. Detido aos 16 anos de idade por ter fundado um jornal revolucionário (La Patria Libre), foi condenado a trabalhos forçados e posteriormente deportado para a Espanha. Uma vez libertado, viveu no México, na Venezuela e nos Estados Unidos, onde passou a articular uma nova revolução para a independência de Cuba. Em 1892 fundou o Partido Revolucionário Cubano, visando angariar recursos para o seu projeto. Em 1895, desembarcou em Cuba e deu início a uma nova guerra de independência, na qual pereceu um mês após iniciado o conflito. Entretanto, mesmo após a sua morte, os combates prosseguiram até 1898, quando, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a luta pela independência foi abortada, e Cuba passou a ser colônia dos Estados Unidos.

A explosão do USS Maine[editar | editar código-fonte]

Em 1898, o USS Maine, um navio de guerra norte-americano ancorado em Havana, repentinamente explodiu. Sem que se soubesse de imediato qual foi a causa, a imprensa e o governo dos Estados Unidos culparam a Espanha.

Sob o pretexto da explosão do navio, foi desatada uma guerra contra a Espanha. O presidente William McKinley assinou a Resolução Conjunta em 20 de abril de 1898, que declarava:

… que o povo de Cuba é e por direito deve ser livre e independente, … que os Estados Unidos por intermédio da presente declaram não ter vontade nem intenção de exercer soberania, jurisdição ou domínio sobre esta Ilha, exceto para sua pacificação, e assevera sua determinação, quando a mesma seja atingida, de entregar o governo e o domínio da Ilha a seu povo.

A Resolução Conjunta autorizou o presidente a usar a força para eliminar o governo espanhol em Cuba. Assim, os Estados Unidos declararam guerra contra a Espanha, passando a atacar territórios espanhóis quer no Caribe quer no Pacífico, invadindo-os.

Derrota dos espanhóis[editar | editar código-fonte]

Derrotados, os espanhóis retiraram-se e Cuba assinou com os Estados Unidos o Tratado de Paris que põe fim a dominação espanhola na ilha, que se tornou um protetorado americano, sendo nomeado um Governador-Geral pelos Estados Unidos, o general norte-americano John Brooke. O governo americano começou a criar propostas econômicas que beneficiavam apenas aos Estados Unidos, como por exemplo, todos os produtos que Cuba produzia eram exportados apenas para os Estados Unidos, a preços baixíssimos, que os revendia por preços maiores.

Protetorado estado-unidense e Emenda Platt[editar | editar código-fonte]

Cuba permaneceu ocupada pelos Estados Unidos até 1902, sendo liberada depois da aprovação de uma emenda à Constituição cubana que dava o direito, aos Estados Unidos, de invadir Cuba a qualquer momento em que os interesses econômicos dos Estados Unidos fossem ameaçados. A chamada Emenda Platt permaneceu mantendo Cuba um protetorado estado-unidense até 1933.

Golpe militar[editar | editar código-fonte]

Em 1933, um golpe militar encabeçado pelo sargento estenógrafo Fulgêncio Batista derrubou a ditadura de Gerardo Machado. Fulgêncio Batista era mulato e pela primeira vez na história cubana os afro-descendentes chegavam ao poder.

Ao se tornar chefe do exército, Batista dominou a situação usando uma orientação (segundo alguns) socialista, portanto oposta às ingerências norte-americanas.

Eleição de 1940[editar | editar código-fonte]

Batista foi eleito em 1940 presidente da República. Promulgou a Constituição Liberal, e em 1952 conduziu novo golpe de Estado apoiado por diversos partidos políticos dentre os quais o Partido Socialista Popular (Partido Comunista Cubano).

Após o golpe de Batista, Cuba progrediu economicamente, porém sua economia ainda era fraca e tinha forte desequilíbrio na distribuição de renda. A ilha, mesmo sendo a maior economia do Caribe, em 1958 era apenas a oitava economia entre os 20 maiores países latino-americanos relativamente ao PIB[5] e um dos mais pobres do caribe, considerando o PIB per capita. Além disto, havia também um grande desequilíbrio entre a área rural e urbana.

A área urbana possuía forte infraestrutura e o capital proveniente do submundo ítalo-americano (dos Estados Unidos) financiava grande parte da economia. Em 1958, havia um total de 500 prostitutas em Havana, sendo a indústria da prostituição a mais rentável da ilha[carece de fontes?][carece de fontes?].

A prostituição, a corrupção e negociatas caracterizaram a era Batista, e, pouco a pouco, a classe média afastou-se do regime.

Revolução Cubana[editar | editar código-fonte]

Devido à estrutura político-econômica seguida por Batista, começou a haver descontentamento das classes média e baixa da população cubana. Na esteira dos protestos, os jovens começaram a se mobilizar e a adquirir ideias revolucionárias descendentes do bloco soviético.

Movimento estudantil[editar | editar código-fonte]

Os estudantes, liderados por José Antonio Etcheverria, criaram um Diretório Estudantil Revolucionário que patrocinou um grupo armado e atacou, em março de 1953, o palácio presidencial. Etcheverria foi morto e o diretório disperso.

Fidel Castro[editar | editar código-fonte]

Outro grupo de estudantes iniciou nova movimentação, liderados por um estudante de Direito chamado Fidel Alejandro Castro Ruz, (Fidel Castro).

Numa ação de guerrilha urbana, o grupo atacou o quartel de La Moncada. Na ação, alguns dos atacantes foram mortos, e Fidel Castro capturado. Julgado, Castro foi condenado a 15 anos de prisão. Libertado pouco depois por interferência de alguns religiosos, viajou para o México. Lá conheceu um jovem médico argentino, aspirante a revolucionário - Ernesto Guevara Lynch de la Serna, conhecido como "El Ché".

El Che - Che Guevara[editar | editar código-fonte]

O guerrilheiro Che Guevara ajudou Fidel na formação de um movimento revolucionário chamado Movimento 26 de Julho, composto de jovens estudantes que iniciaram uma luta contra Batista que durou 25 meses.

Em 7 de Novembro de 1958, Che Guevara ou el Ché,começou sua marcha para Havana, capital de Cuba. No dia 1 de janeiro de 1959, Batista põe-se em fuga, acompanhado por todos os dignitários de sua ditadura.

Em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução Cubana contra o ditador Fulgencio Batista. Fidel Castro não era comunista, aliás, os comunistas apoiavam Batista e não confiavam em Fidel. Fidel Castro mobiliza a juventude cubana e consegue eliminar o analfabetismo - que era de 40 % - em apenas um ano, utilizando-se de cem mil jovens nessa empreitada. Fidel Castro realizou a reforma agrária, desapropriando propriedades dos americanos, indenizados pelo valor que declararam no Imposto de Renda do exercício anterior, muito abaixo do valor real, provocando descontentamento entre os proprietários mais ricos e o que levou os Estados Unidos a considerarem o líder cubano um inimigo e tentarem derrubá-lo, treinando ex-militares de Batista para invadir Cuba. Cortaram também a compra do Açúcar Cubano. Isso obrigou Fidel a se aproximar da União Soviética e dois anos mais tarde instaurar um regime de orientação marxista e partido único.

Baía dos Porcos[editar | editar código-fonte]

Entre 17 e 21 de Abril de 1961, cerca de 1500 exilados cubanos recrutados, patrocinados e treinados pela CIA dos Estados Unidos tentaram uma invasão frustrada na Baía dos Porcos. Foram rechaçados e 300 deles morreram, sendo 1200 aprisionados. Eram na maioria soldados do ex-ditador Batista e, julgados pela multidão no estádio em que foram mantidos presos, quando Fidel perguntou o que fazer com eles a multidão gritou: Paredão! Fidel Castro, entretanto, preferiu tentar trocá-los por tratores, um trator para cada 50 traidores, e devolvê-los à Miami.

Não conseguiu os tratores, mas recebeu cerca de USD $50 milhões em alimentos e medicamentos, pela libertação dos exilados.

Crise dos mísseis de Cuba[editar | editar código-fonte]

Devido à aproximação das relações do regime cubano com a URSS, que estava em plena Guerra Fria com os Estados Unidos, assistiu-se a um aumento de tensão entre os países provocado pelo apoio militar declarado pela URSS. Khrushchov decidiu implementar secretamente um conjunto de mísseis soviéticos em Cuba. Perante a possibilidade de Cuba possuir armas nucleares, de origem russa, que ameaçariam os Estados Unidos, Kennedy presidente dos Estados Unidos, ponderou em invadir a ilha ou bombardear as rampas de lançamento (dos mísseis). Kennedy optou por decretar um embargo naval à ilha o que impede os cargueiros russos de chegar a Cuba.

Khrushchev acabou por ceder e retirou a sua pretensão de possuir mísseis em território cubano em troca do compromisso dos Estados Unidos de respeitarem a soberania de Cuba e não invadirem a ilha e desmontar bases de mísseis na Turquia, fato que só foi divulgado recentemente nos Estados Unidos.

Embargo econômico[editar | editar código-fonte]

Depois do fracasso da operação na Baía dos Porcos (1961), os Estados Unidos impuseram um embargo econômico a Cuba, ameaçando cortar relações com qualquer país que fizesse comércio com Cuba. Foi quando a União Soviética entrou em cena, comprando os produtos que seriam exportados caso não houvesse embargo. Isso causou incômodo aos americanos, pois ter um país, durante a guerra fria, sob a órbita de influência soviética a 120 km de distância era bastante desfavorável. A partir daí, Cuba passou a depender do apoio soviético para dar sustento à sua economia, precisando de subsídios financeiros. Os Estados Unidos mantêm o embargo econômico à Cuba até hoje, alegando desrespeito contínuo de direitos humanos pelo regime ditatorial castrista.

Abertura dos mercados[editar | editar código-fonte]

Com o fim da União Soviética, Cuba acabou por reabrir economicamente o país para o mundo, pois já não dispunha mais do subsídio e sua economia estava em declínio. Porém, dada a força do bloqueio econômico estado-unidense, o país vive isolado economicamente, passando por muitas dificuldades.

Fim da exclusão da OEA[editar | editar código-fonte]

Em 3 de junho de 2009, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou por consenso a anulação da resolução de 1962, que expulsava a ilha da organização.[6] [7] Na época, a expulsão ocorreu sob pressão dos Estados Unidos, no contexto da Guerra Fria, quando a ilha se aproximava do bloco socialista soviético. Contudo todos os governos do continente restabeleceram contato com a ilha, com exceção dos Estados Unidos.

Um grupo de trabalho instituído para debater o assunto apresentou a proposta à chanceler hondurenha, Patrícia Rodas, que presidia a Assembleia Geral. A proposta então foi aceita por aclamação. A decisão histórica permite que Cuba seja reincorporada caso manifeste vontade, embora o governo cubano já tenha declarado em várias ocasiões não ter interesse em retornar.[7] No mesmo dia 3 de junho, o ex-presidente Fidel Castro, em artigo publicado no Granma, acusava a OEA de ter aberto as portas "ao cavalo de Tróia [os Estados Unidos] que apoiou as reuniões de cúpula das Américas, o neoliberalismo, o narcotráfico, as bases militares e as crises econômicas."[8] Nos últimos anos, governos de esquerda do sub-continente também têm defendido a formação de um grupo regional alternativo à OEA, sem a presença dos Estados Unidos.[7]

Horas antes da resolução da assembleia da OEA, sete deputados americanos, a maioria deles republicanos partidários, haviam apresentado um projeto de lei que suspende o apoio financeiro dos Estados Unidos à organização, caso Cuba seja readmitida como país-membro do grupo.[9]

Referências

  1. Ley Fundamental de 1959 (PDF) Bibliojuridica.org.
  2. Constituição da República de Cuba (em espanhol) Pdba.georgetown.edu.
  3. Raúl Castro é confirmado novo chefe do Partido Comunista de Cuba com Machado Ventura como vice O Globo. Página visitada em 19 de abril de 2011.
  4. Raul Castro to lead Cuba's Communist Party (em inglês) CNN. Página visitada em 19 de abril de 2011.
  5. Dados históricos de PIB The Conference Board and Groningen Growth and Development Centre, Total Economy Database. Ggdc.net (janeiro 2007). Página visitada em 12 de outubro de 2007.
  6. Estadão (3 de junho de 2009). Texto integral da resolução da OEA que revoga suspensão a Cuba Estadão.com.br.
  7. a b c OEA readmite Cuba no grupo, após 47 anos de expulsão UOL (3 de junho de 2009). Página visitada em 3 de junho de 2009.
  8. Granma (3 de junho de 2009). El caballo de Troya (em espanhol).
  9. Republicanos apresentam projeto para suspender apoio à OEA Estadão.com.br (3 de junho de 2009).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gott, Richard. Cuba (a New History). London, Yale University Press, 2004

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bandeira de Cuba Cuba
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