CCR Barcas

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CCR Barcas

Barcario.JPG
Informações
Local Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Tipo de transporte Transporte Aquaviário
Número de linhas 6 linhas
Número de estações 8 estações
Chefe executivo Márcio Roberto de Moraes e Silva
Website http://www.grupoccr.com.br/barcas/
Headway 10 a 30 minutos
Estação das barcas em Niterói.

A CCR Barcas (até 2012, chamada Barcas S/A) é uma empresa de transporte aquaviário brasileira do estado do Rio de Janeiro. Opera linhas de transporte nos municípios de Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Niterói e Mangaratiba. No trecho da Baía de Guanabara (Rio de Janeiro e Niterói) o fluxo de pessoas/dia é de cerca 100 mil/dia útil.

História[editar | editar código-fonte]

Secretário Geral Murilo Barbosa Gomes, um dos principais responsáveis pela alteração da denominação social STBG para a então CONERJ junto a junta comercial do Estado do Rio de Janeiro.

O sistema de navegação entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói existe desde 1853 e entre o Rio de Janeiro e a ilha de Paquetá desde 1877. O Transporte de passageiros e cargas entre as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói era explorado por empresa privada cuja propriedade pertencia aos carreteiros (a família carreteiros), através do sistema aquaviário, que exploravam também à época o sistema de transporte coletivo de passageiros em Niterói através dos ônibus elétricos, e que com a revolução de 1964, cujo cenário principalmente na cidade de Niterói se transformou em verdadeiro caos, pois o clima tenso havia gerado distúrbio civil se transformando num denominado "quebra quebra" como mais tarde conhecido, e direcionados aos bens da então conhecida família carreteiros que detinham a concessão para a exploração do transporte naquela cidade. Tendo em vista a situação caótica da época o Governo Federal decidiu então encampar a então empresa privada a transformando em empresa pública cuja denominação social passou a ser denominada em STBG - Serviços de Transportes da Baia de Guanabara, que em 1977 foi doada pelo Governo Federal à frente o Presidente Ernesto Geisel ao Estado do Rio de janeiro cuja governadoria era exercida pelo então Governador Floriano Peixoto Faria Lima, culminando com a transformação para a então CONERJ - Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro.

Bilheterias da Estação Praça XV.

Em 1998 um consórcio de empresas privadas assumiu o controle acionário da Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro (Conerj), sob regime de concessão, dando origem à Barcas S/A. A frota herdada era composta por embarcações tradicionais. Foram feitos investimentos na melhoria do serviço e na reforma de 8 embarcações. No início da concessão somente as linhas Rio – Paquetá, Rio - Ribeira e Rio – Niterói estavam em atividade.[1]

Em 1999, cerca de 70% da frota passou por revisões e reformas, e a operação na linha Rio – Niterói passou a contar com 8 embarcações ao invés das 3, em operação no período da concessão.[1]

Em 2000, dando continuidade às reformas e reestruturação da empresa, em 2000, um novo terminal foi entregue aos passageiros na Praça XV, o que incluiu a restauração completa do prédio histórico, além da recuperação das áreas marítimas da estação, pontes, flutuantes e estacas. Neste mesmo ano Barcas S/A foi certificada segundo normas da ISO 9001.[1]

Em 2001, a Barcas adaptou e destinou uma embarcação para recolher, diariamente, o lixo flutuante nos arredores das pontes de atracação e nas rotas náuticas das embarcações. A barca "Cata-Lixo", como foi nomeada, recolhia em média 500 kg de lixo por dia e se tornou um projeto ambiental de referência.[1]

Em 2002, teve inicio o projeto de modernização e a estação de Paquetá também foi reformada no mesmo ano.[1]

Ponte de comando da barca Neves V.

Em 2003, o estaleiro Barcas Rodriguez foi inaugurado, marcando o processo de reativação da Indústria Naval Fluminense. Para atender à fabricação das novas embarcações foi feita a reforma do antigo estaleiro Cruzeiro do Sul. A tradicional cerimônia do batimento de quilha deu início aos trabalhos e à construção da embarcação Zeus no local. Nesse mesmo ano, Barcas também inaugurou o Centro de Tecnologia Aplicada Cecília de Souza Antunes (CTA), a fim de treinar e formar mão-de-obra qualificada destinada à construção das novas embarcações da empresa.[1]

O ano de 2004 foi marcado pela inauguração da linha marítima: Rio–Charitas. Nos primeiros dois meses de operação, cerca de 5 mil usuários já eram transportados por dia. O primeiro catamarã construído no estaleiro Barcas Rodriguez, o Zeus, com capacidade para 238 pessoas equipado com ar condicionado, foi usado na linha seletiva da empresa. O terminal hidroviário de Charitas levou a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer e se tornou uma atração turística da cidade de Niterói. Com dois mil metros quadrados e 700 m² de vidro para compor o salão panorâmico de embarque de passageiros, o espaço abriga lojas de conveniência, restaurante, com vista panorâmica da enseada e da Baía de Guanabara. Um dos destaques de Charitas é o recuo da estação em relação à linha d’água e a construção de um píer sobre estacas com o objetivo de minimizar o impacto ambiental.[1]

Em 2005, teve início a integração entre modais na cidade de Niterói. As empresas Ingá, Miramar e 1001 participaram da iniciativa que visa oferecer mais conforto e economia aos passageiros da linha seletiva Rio-Charitas.[1]

Estação das Barcas em Niterói (2007).
Interior de uma barca da empresa (2011).

Em 2006, a linha Praça XV – Cocotá substituiu a antiga linha Rio – Ribeira, com o objetivo de facilitar o acesso aos usuários da Ilha do Governador, por estar estrategicamente posicionada no centro da ilha. A integração entre modais, com uma tarifa promocional entre barcas e ônibus que operam na Ilha também foi oferecida aos usuários no início da operação em Cocotá. A inauguração de dois catamarãs sociais, o Gávea I e o Ingá II, também ocorreu no ano de 2006. Com tecnologia e design italiano, as embarcações que possuem dupla proa, eliminaram a necessidade de manobra e reduziram o tempo de viagem na linha Rio - Niterói para 12 minutos. Com capacidade para 1.300 passageiros (900 sentados e 400 em pé), o catamarã social possui circuito interno de televisão, poltronas acolchoadas e um moderno sistema computadorizado de monitoramento e navegação.[1]

Em 2007, a Barcas lançou o terceiro catamarã social, O Urca III, que seguiu os mesmos padrões de conforto e segurança dos catamarãs Gávea I e Ingá II. Nesse mesmo ano foi contratada uma empresa especializada em gestão para impulsionar o desenvolvimento da concessionária e implantar um novo modelo de gestão com foco no cliente.[1]

Em 2008, a Barcas inaugurou seu Centro de Controle Operacional (CCO), que permitiu precisar, em tempo real, os horários de partida e chegada das embarcações, a localização das barcas e catamarãs, sua velocidade, destino e o número de passageiros presentes em cada uma delas. Neste mesmo ano foi lançado o quarto catamarã social, o Neves V, completando todas as ações projetadas para os primeiros 10 anos da concessionária. No mês de maio deste ano a embarcação Boa Viagem também foi entregue completamente reformada.[1]

2009 começou com a entrada da embarcação Pégasus na operação. O catamarã com capacidade para 174 passageiros inaugurou uma nova fase no serviço prestado nas linhas Praça XV-Cocotá e Praça XV-Paquetá, reduzindo o tempo do percurso em cerca de 20 minutos e oferecendo mais conforto aos usuários. Em agosto, o catamarã Expresso Macaé, originalmente construído para navegação em alto mar, readaptado no estaleiro da concessionária para trabalho em baía, foi incluído na malha de viagens. Ao longo de todo o período também foram feitas melhorias nas instalações das estações Praça XV e Praça Araribóia. A adaptação das estações e embarcações às necessidades de pessoas com deficiência, realizada no mesmo ano, recebeu um prêmio da Prefeitura da cidade de Niterói.[1]

Em 2010 a concessionária "priorizou" investimentos e equipamentos para atender com satisfação os usuários, realizando obras de ampliação nos salões de embarque e na sala da supervisão das estações Praça XV e Niterói. Finalizou a implantação dos validadores de Riocard, e passou a controlar o acesso dos usuários com direito à gratuidade nas roletas de passe livre em todos os terminais.[1]

Em 2012, 80% de seu capital, foi vendido ao grupo CCR, na qual se terá investimentos em novas embarcações, entre outras melhorias.[carece de fontes?]. No dia 2 de julho do mesmo ano, a empresa mudou seu nome para CCR Barcas.

Problemas enfrentados[editar | editar código-fonte]

Erro no sistema.

Além de ter a maior tarifa de transporte público do Rio de Janeiro[2] , e a segunda maior tarifa de barcas no mundo[3] , o serviço prestado pela empresa é frequentemente alvo de reclamações por parte de seus milhares de usuários, tendo em vista a ocorrência usual de grandes filas de espera, grande concentração de usuários nas estações, e também a falta de um sistema eficaz de circulação de ar em dias altas temperaturas.

Apesar das alegações por parte da concessionária de que investe no melhoramento do serviço, a maioria dos usuários apresenta grande insatisfação. Tal situação é agravada pela falta de concorrência na exploração do serviço.[carece de fontes?]

Inicialmente, os chamados catamarãs sociais foram lançados como uma alternativa mais rápida e confortável, pelo fato de possuírem sistema de proa dupla e ar-condicionado. Porém, o ar-condicionado, ligado originalmente nas primeira semanas, logo foi desativado, permanecendo inoperante desde então.[carece de fontes?]

Tabela do Sistema[editar | editar código-fonte]

Linha Terminais Inauguração Comprimento (m) Duração das viagens (min) Funcionamento
Rio de Janeiro x Niterói Praça XV ↔ Praça Araribóia A partir de 1998 5 000 20 Diariamente, das 06:15 às 23:30
Rio de Janeiro x Paquetá Praça XV ↔ Paquetá A partir de 1998 19 180 70 Diariamente, das 04:45 às 23:50
Mangaratiba x Ilha Grande Mangaratiba ↔ Abraão A partir de 1998 24 100 80 Dias úteis, das 07:30 às 22:00: Finais de semana e feriados, das 8:00 às 17:30
Angra dos Reis x Ilha Grande Angra dos Reis ↔ Abraão A partir de 1998 23 890 80 Dias úteis, das 11:15 às 16:00; Finais de semana e feriados, das 10:00 às 13:30
Rio de Janeiro x Cocotá Praça XV ↔ Cocotá A partir de 2006 13 700 55 Dias úteis, das 06:30 às 20:00 (exceto sextas, das 6:30 às 22:00)
Rio de Janeiro x Charitas Praça XV ↔ Charitas A partir de 2004 8 140 20 Dias úteis, das 06:00 às 21:30

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Barcas[editar | editar código-fonte]

Em fins de 2008, antes do grupo CCR assumir o controle acionário da concessionária Barcas S/A, quando adquiriu 80% das ações da empresa, foi instaurada na Alerj a CPI das Barcas, deflagrada por um acidente ocorrido na estação Paquetá, onde 25 pessoas ficaram feridas devido à queda de uma rampa de acesso às embarcações.[4] Presidida pelo deputado Gilberto Palmares, a CPI teve como principal objetivo averiguar não apenas as causas deste e de outros acidentes, mas também o descumprimento de alguns pontos do contrato de concessão, como a disponibilização de um número de vagas inferior ao previsto em horários de pico.[5]

No relatório final da CPI, aprovado em 9 de junho de 2009 (e votado em agosto), foram apresentadas 64 propostas, dentre as quais o retorno da barca nos horários da madrugada, a redução da tarifa em certos trechos e a construção de estações no porto do Rio de Janeiro e em São Gonçalo[6] (que representa aproximadamente 40% dos passageiros que fazem a travessia Praça XV-Niterói[7] ). Além dessas recomendações, o relatório apresentou ainda regras para que em futuros contratos de concessão seja proibido o controle acionário por parte de investidores de modais concorrentes,[6] numa referência ao fato de o principal acionista da Barcas S/A (com 53% das ações da concessionária) ser o Grupo JCA.[5]

No dia 2 de julho de 2012, o Grupo CCR assumiu o controle acionário da concessionária Barcas S/A, adquirindo 80% das ações da empresa. Com a chegada da CCR, um dos maiores grupos privados de concessões de infraestrutura da América Latina, a concessionária passou a se chamar CCR Barcas, com a promessa de iniciar uma série de melhorias para o início de uma nova fase na prestação do serviço.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Página oficial: www.grupoccr.com.br/barcas