Arquitetura gótica

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Arquitetura gótica é um estilo arquitetónico que segundo pesquisas, é evolução da arquitetura românica e que precede a arquitetura renascentista. Foi desenvolvida no norte da França durante a Alta Idade Média (900–1300) entre os anos 1050 e 1100, originalmente chamando-se "Obra Francesa" (Opus Francigenum), embora a Catedral de Dublin na Irlanda fundada no ano 1030 já possa ser classificado como pre-gótico. O termo "gótico" só apareceu na época do Iluminismo nos séculos XVII e XVIII como um insulto estilístico, já que para os iluministas a arte gótica era bárbara, sendo tipicamente Medieval. A palavra gótico é em referência aos godos, povo bárbaro-germano.[1]

Suas características mais proeminentes incluíam o uso da abóbada em cruzaria e do arcobotante, que permitia que o peso do teto fosse contrabalançado por contrafortes do lado de fora do edifício, dando maior altura e mais espaço para janelas.[2] Outra característica importante foi o uso extensivo de vitrais, e a rosácea, para trazer luz e cor para o interior.[3] Outra característica era o uso de estatuária realista no exterior, particularmente sobre os portais, para ilustrar histórias bíblicas para os paroquianos em grande parte analfabetos. Todas essas tecnologias existiam na arquitetura românica, mas eles foram usados ​​de formas mais inovadoras e mais extensivamente na arquitetura gótica para tornar os edifícios mais altos, mais leves e mais fortes.

O primeiro exemplo notável geralmente considerado é a Abadia de Saint-Denis, perto de Paris, cujo coro e fachada foram reconstruídos com traços góticos. O coro foi concluído em 1144. O estilo também apareceu em algumas arquiteturas cívicas do norte da Europa, notadamente em prefeituras e edifícios universitários. Um revivalismo gótico começou em meados do século XVIII na Inglaterra, espalhou-se pela Europa do século XIX e continuou, em grande parte por estruturas eclesiásticas e universitárias, até o século XX.

O estilo gótico ficou marcado em muitas catedrais europeias, entre elas a de Notre-Dame, Chartres, Colônia, Amiens e Santa Maria del Fiore, a maioria classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, todas construídas entre os séculos XII e XIV. Muitas catedrais góticas caracterizam-se pelo verticalismo e majestade denominando-se, durante a Idade Média, como supremacia e influência para a população. O surgimento do estilo gótico está ligado com a substituição do trabalho servil para o trabalho livre nesse setor da sociedade medieval, que deve ter estimulado a criatividade dos construtores da época.

Nome[editar | editar código-fonte]

A arquitetura gótica era conhecida durante o período como opus francigenum ("obra franco-francesa");[4] o termo "arquitetura gótica" originou-se no século XVI e era originalmente muito negativo, sugerindo algo bárbaro. Giorgio Vasari usou o termo "estilo bárbaro alemão" em sua obra de 1550 Vidas dos Artistas para descrever o que era agora considerado o Estilo Gótico.[5] Na introdução do livro, ele atribuiu várias características arquitetônicas aos "Godos" que foram responsáveis pela destruição de edifícios antigos depois que conquistaram Roma, e erigindo novos neste estilo.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do século X o continente europeu estava em crise e o poder real estava enfraquecido, consequentemente sucedido pelo feudalismo. A França estava ameaçada de invasão e o povo buscou refúgio nas poucas e precárias fortalezas que no país se encontravam.

Durante este período foram criadas esculturas, pinturas e outros meios artísticos, exibindo o pânico pressentido pela população. Séculos depois, como a profecia católica não se realizou, ocorreram uma série de fatos históricos, tais como a construção das primeiras universidades (na década de 1080), as Cruzadas e o enfraquecimento do feudalismo. Neste período surge um novo estilo artístico, arquitetônico e cultural, baseado nos estilos romanos, mas que se mistura com as novas tendências e necessidades: o Opus Francigenum ("Estilo francês").[6][7]

Origens - Gótico Primitivo (1130-1200)[editar | editar código-fonte]

O estilo gótico originou-se na região de Ile-de-France (Ilha de França, em francês), no norte da França, na primeira metade do século XII. Uma nova dinastia de reis franceses, os Capetianos, subjugaram os senhores feudais e se tornaram os governantes mais poderosos da França, com sua capital em Paris. Eles se aliaram aos bispos das principais cidades do norte da França e reduziram o poder dos abades e mosteiros feudais. Sua ascensão coincidiu com um enorme crescimento da população e da prosperidade das cidades do norte da França. Os Reis Capetianos e seus bispos queriam construir novas catedrais como monumentos de poder, riqueza e fé religiosa.[8]

A igreja que serviu de modelo principal para o estilo foi a Abadia de Saint-Denis, que foi reconstruída pelo abade Suger, primeiro no coro e depois na fachada (1140-44); Suger era um aliado próximo e biógrafo do Rei Francês Luís VII, que foi um fervoroso Católico e construtor, e o fundador da Universidade de Paris. Suger remodelou o deambulatório da Abadia, retirou os recintos que separavam as capelas e substituiu a estrutura existente por imponentes pilares e abóbadas em cruzaria. Isto criou baías mais altas e mais largas, nas quais ele instalou janelas maiores, que enchiam o fim da igreja com luz. Logo depois, ele reconstruiu a fachada, acrescentando três portais profundos, cada um com um tímpano, um arco cheio de esculturas ilustrando histórias bíblicas. A nova fachada era ladeada por duas torres. Ele também instalou uma pequena rosácea circular sobre o portal central. Este projeto tornou-se o protótipo de uma série de novas catedrais francesas.[9]

A Catedral de Sens (iniciada entre 1135 e 1140) foi a primeira catedral a ser construída no novo estilo (Saint-Denis era uma abadia, não uma catedral). Outras versões do novo estilo logo apareceram na Catedral de Noyon (iniciada em 1150), na Catedral de Laon (iniciada em 1165) e na mais famosa de todas, a Catedral de Notre-Dame de Paris, onde a construção havia começado em 1160.[10]

O estilo gótico também foi adaptado por algumas ordens monásticas francesas, notavelmente a Ordem Cisterciense de São Bernardo de Claraval. Foi usada em uma forma austera sem ornamento na nova Abadia Cisterciense de Fontenay (1139-1147) e na igreja da Abadia de Claraval, cujo local agora é ocupado por uma prisão francesa.[11]

O novo estilo também foi copiado fora do Reino da França no Ducado da Normandia. Os primeiros exemplos do gótico normando incluíam a Catedral de Coutances (1210-1274), a Catedral de Bayeux (reconstruída a partir do estilo românico no século XII), a Catedral de Le Mans (reconstruída a partir do românico do século XII) e a Catedral de Rouen. Através do domínio da dinastia Angevina, o novo estilo foi introduzido na Inglaterra e se espalhou para os Países Baixos, à Alemanha, à Espanha, ao norte da Itália e à Sicília.[2][12] O estilo Gótico não substituiu imediatamente o românico em toda a Europa.[8] O românico tardio continuou a florescer no Sacro Império Romano sob o comando dos von Hohenstaufen e a Renânia.

Alto Gótico (1200-1270)[editar | editar código-fonte]

Do final do século XII até meados do século XIII, o estilo Gótico se espalhou da Île-de-France para aparecer em outras cidades do norte da França. Novas estruturas no estilo incluíram a Catedral de Chartres (iniciada em 1200),a Catedral de Bourges (1195 a 1230), a Catedral de Reims (1211-1275) e a Catedral de Amiens (iniciada em 1250).[13] Em Chartres, o uso dos arcobotantes permitiu a eliminação do nível da tribuna, o que permitiu arcadas e naves muito mais altas, e janelas maiores. O tipo inicial de abóbada em cruzaria usado em Saint-Denis e Notre-Dame, com seis partes, foi modificado para quatro partes, tornando-se mais simples e mais forte. Amiens e Chartres estavam entre os primeiros a usar o arcobotante; os contrafortes foram reforçados por um arco adicional e com uma arcada de apoio, permitindo ainda maior altura e paredes e mais janelas. Em Reims, os contrafortes receberam maior peso e força pela adição de pesadas pinças de pedra no topo. Estes eram frequentemente decorados com estátuas de anjos, e tornaram-se um elemento decorativo importante do Alto Gótico. Outro elemento prático e decorativo, a gárgula, apareceu; era uma bica ornamental que canalizava a água do telhado para longe do edifício. Em Amiens, as janelas da nave foram ampliadas, e uma fileira adicional de janelas de vidro transparente (a claire-voie) inundou o interior com luz. As novas tecnologias estruturais permitiram a ampliação dos transeptos e dos coros no extremo leste das catedrais, criando o espaço para um anel de capelas bem iluminadas.[13]

Gótico Rayonnant (1250-1370)[editar | editar código-fonte]

O próximo período foi denominado Rayonnant ("Radiante"), descrevendo a tendência para o uso de mais e mais vitrais e menos alvenaria no desenho da estrutura, até que as paredes parecessem inteiramente feitas de vidro. O exemplo mais célebre foi a capela de Sainte-Chapelle, a capela anexada à residência real no Palais de la Cité. Um elaborado sistema de colunas exteriores e arcos reduziu as paredes da capela superior a uma estrutura fina para as enormes janelas. O peso de cada uma das empenas de alvenaria acima da arquivolta das janelas também ajudava as paredes a resistir ao impulso e a distribuir o peso.[14]

Outro marco do Gótico Rayonnant são as duas rosáceas no norte e no sul do transepto da Catedral de Notre Dame. Enquanto as rosáceas anteriores, como as da Catedral de Amiens, eram emolduradas por pedra e ocupavam apenas uma parte da parede, essas duas janelas, com um delicado quadro de renda, ocupavam todo o espaço entre os pilares.[14]

Gótico Flamboyant (1350-1450)[editar | editar código-fonte]

O estilo Gótico Flamboyant (também chamado de "Flamejante") apareceu na segunda metade do século XIV. Seus traços característicos incluíam uma decoração mais exuberante, já que os nobres e os cidadãos ricos de cidades predominantemente do norte da França competiam para construir igrejas e catedrais cada vez mais elaboradas. Ele tomou o nome dos desenhos sinuosos e flamejantes que ornamentavam as janelas. Outras novidades incluem o arc en accolade (arco de cinta), uma janela decorada com um arco, pináculos de pedra e escultura floral. Ele também contou com um aumento no número de nervuras, ou abóbadas em cruzaria, que suportou e decorou cada abóbada do teto, tanto para maior apoio e efeito decorativo. Exemplos notáveis ​​de Gótico Flamboyant incluem as fachada ocidentais da Catedral de Rouen e de Sainte-Chapelle de Vincennes, em Paris, ambas construídas na década de 1370; e o Coro da Abadia do Mont Saint Michel (cerca de 1448).[15]

Elementos do Estilo Gótico[editar | editar código-fonte]

Até a atualidade, a arquitetura gótica ficou conhecida por ser encontrada com mais frequência nas grandes catedrais e em outros estabelecimentos eclesiásticos construídos ainda no início do período medieval, período em que exerciam grande influência em toda Europa. Durante o período gótico — séculos XII a XV — o poder religioso buscava converter sua importância para as estruturas de igrejas, catedrais e abadias através da grandiosidade dimensional presente na arquitetura gótica.[16][17][18][19]

Como a arquitetura gótica foi uma evolução da arquitetura românica, foram desenvolvidos elementos que ajudaram nas construções góticas, como o arco de ogiva (ou quebrado) e a abóbada de cruzaria, que tornaram-se as principais características do estilo arquitetônico. Geralmente, a fachada das estruturas góticas busca seguir a verticalidade e a leveza e no interior, busca um ambiente iluminado.[20][21]

Planta[editar | editar código-fonte]

A planta da catedral gótica baseava-se no modelo da antiga basílica romana, que era um mercado público combinado e um tribunal; que também foi a base da planta da catedral românica. A catedral tem a forma de uma cruz latina. A entrada é tradicionalmente no extremo oeste, tem três portais decorados com escultura, geralmente com uma rosácea, e é ladeado por duas torres. A nave longa, onde a congregação adorava, ocupa o extremo oeste. Este é geralmente dividido a partir da nave por fileiras de pilares, que suportam o telhado, ladeado por um ou dois corredores, chamados collaérals (colaterais). Normalmente há pequenas capelas nos dois lados, colocadas entre os contrafortes, que fornecem apoio adicional às paredes.

A catedral geralmente tem um transepto, um cruzamento, aproximadamente no meio, que às vezes se projeta para fora a alguma distância, e em outros casos, como Notre-Dame, é mínimo. O croisée ou cruzamento do transepto, é o centro da igreja, e é cercado por pilares particularmente maciços, que às vezes apoiam uma torre de lanterna, que traz a luz no centro da catedral. As fachadas norte e sul do transepto apresentam frequentemente rosáceas, como na Notre-Dame de Paris.

A leste do transepto está o coro (onde está localizado o altar) onde acontecem as cerimônias e onde somente o clero era permitido. Esse espaço cresceu muito no século 12, quando as cerimônias se tornaram mais elaboradas. Atrás do coro está uma única ou dupla passagem chamada de deambulatório. No extremo leste da igreja está a abside, geralmente na forma de um semicírculo e a cabeceira. Geralmente há uma capela ali dedicada à Virgem Maria, que pode ser muito grande. Ao redor da cabeceira geralmente há várias outras capelas menores.[22]

As primeiras catedrais góticas tinham quatro níveis, do chão ao teto. No térreo havia duas fileiras de grandes arcadas com grandes pilares, que recebiam o peso das abóbadas do teto. Acima deles estavam os tribunos, uma seção de aberturas em arco, dando mais apoio. Acima deles estava o triforium (trifório), uma seção de pequenos arcos. No nível superior, um pouco abaixo das abóbadas, estavam as janelas superiores, a principal fonte de luz para as Catedrais. As paredes inferiores foram apoiadas por maciços contreforts (ou contrafortes) colocados diretamente contra eles, com cumes na parte superior, o que proporciona peso adicional.

Mais tarde, com o desenvolvimento do arcobotante, os suportes afastaram-se das paredes e as paredes foram construídas muito mais altas. Aos poucos, as tribunas e o trifório desapareceram, e as paredes acima das arcadas foram ocupadas quase inteiramente por vitrais.[23]

O braço oriental mostra uma diversidade considerável. Na Inglaterra, geralmente é longo e pode ter duas seções distintas, tanto o coro quanto o presbitério. Muitas vezes é quadrado ou tem uma proeminente Lady Chapel, uma capela dedicada à Virgem Maria. Na França, o extremo leste é muitas vezes poligonal e cercado por uma passarela chamada deambulatório e, às vezes, um anel de capelas chamado de "chevet". Embora as igrejas alemãs sejam frequentemente semelhantes às da França, na Itália, a projeção oriental além do transepto é geralmente apenas uma capela absidal com o santuário, como na Catedral de Florença.[24][25]

Outra característica do estilo gótico, doméstico e eclesiástico, é a divisão do espaço interior em células individuais de acordo com as nervuras e abóbadas do edifício, independentemente de a estrutura ter ou não um teto abobadado. Esse sistema de células de tamanho e forma variados, justapostos em vários padrões, foi novamente totalmente único na antiguidade e no início da Idade Média e os estudiosos, inclusive Frankl, enfatizaram a natureza matemática e geométrica desse design. Frankl, em particular, pensou neste layout como "criação por divisão" em vez de "criação por adição" do românico. Outros, nomeadamente Viollet-le-Duc, Wilhelm Pinder e August Schmarsow em vez disso, propuseram o termo "arquitetura articulada".[26] A teoria oposta, sugerida por Henri Focillon e Jean Bony, é de "unificação espacial", ou da criação de um interior que é feito para causar sobrecarga sensorial através da interação de muitos elementos e perspectivas.[27] Partições interiores e exteriores, muitas vezes extensivamente estudadas, foram encontrados, às vezes, com certas características, tais como vias de acesso à altura da janela, que fazem a ilusão de espessura. Além disso, os pilares que separam as ilhas acabaram deixando de fazer parte das paredes, se tornando objetos independentes que se sobressaem da própria parede do corredor.[28][29]

O arco ogival e a abóbada em cruzaria[editar | editar código-fonte]

Arcos de ogiva ou ogivais[editar | editar código-fonte]

Colegiada Todos os Santos em Sieradz, Polônia
Uma das entradas do oeste da Catedral de Amiens, França. Os portais possuem traços ogivais góticos e foram construídos durante meados do século XIII.
Ver artigo principal: Arco quebrado

Os arcos de meia circunferência que haviam sido usados em igrejas e catedrais de arquitetura românica faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes, obrigando um apoio lateral resistente como pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora tornando, consequentemente, o interior das estruturas eclesiásticas mais escuras e cada vez menos agradável.[30]

Este arco foi substituído pelos arcos ogivais (também chamados de arcos cruzados e arcos quebrados). Isso dividiu o peso da abóbada central, consequentemente, descarregando-a sobre vários pontos, ao invés de um e também, podendo usar material mais leve para a abóbada ou mesmo para as bases de sustentação. No lugar dos sólidos pilares, foram usados colunas ligeiramente afinadas que passaram a receber o peso da abóbada. Deste modo, as paredes foram perdendo a importância como base de sustentação, passando a serem feitas com materiais frágeis como o vidro. Passaram a ser usados então, belos vitrais coloridos, dando origem a tão necessitada luminosidade no interior de igrejas e catedrais.[31]

Abóbadas em cruzaria[editar | editar código-fonte]

Abóbada da Abadia de Beverley, Inglaterra. As abóbadas góticas, assim como os arcos, possuem formato ogival.
Ver artigo principal: Abóbada em cruzaria

As catedrais românicas possuíam um sistema estrutural baseado em espessas paredes e abóbadas semicirculares localizadas logo abaixo do telhado.

Estes sistemas estruturais deveriam ser espessas e com poucas aberturas, pois resistiam à esforços verticais e esforços horizontais, gerados pelo telhado, abóbada e por fortes ventos. Como o estilo arquitetônico gótico seguia as doutrinas religiosas da época, era necessário que as catedrais fossem exuberantemente altas, grande luminosidade e uma plena continuidade entre o início de seus pilares e o cume de suas abóbadas. Durante o auge da arquitetura gótica uma das principais características deste estilo arquitetônico foram as abóbadas ogivais, ou seja, com formato pontiagudo.[32][33]

Iluminação[editar | editar código-fonte]

Raios solares filtrados pelas rosáceas da Catedral de Metz, França. Os vitrais também são fundamentais para uma boa iluminação no interior das catedrais.

Considerada uma arquitetura 'de paredes transparentes, luminosas e coloridas', a arquitetura gótica considera o vitral um importante elemento, pois cria uma atmosfera mística que deveria sugerir, na visão do povo medieval, as visões do Paraíso, a sensação de purificação. Os raios solares são filtrados pelos vitrais e rosáceas, criando no interior da estrutura gótica, um ambiente iluminado e colorido e também, transmitindo aos fiéis religiosos uma sensação de êxtase. Os vitrais apresentavam simples formas geométricas ou mesmo imagens de santos ou passagens bíblicas. Para obter-se um vitral na época, era necessário que um artesão realizasse um processo de coloração da peça de vidro. Durante este processo, o vidro cru era misturado a outros componentes químicos que determinavam a respectiva tonalidade, durante a fase de derretimento. Este processo mantinha o vidro com um tom de cor sem que bloqueasse os raios solares. Após este procedimento o vidro era aquecido e moldado.[34][35]

Assim como os vitrais, as rosáceas visam estabelecer um ambiente iluminado no interior das estruturas góticas, porém possuem algumas características diferentes. Estão localizadas, geralmente, em um local alto nos estabelecimentos eclesiásticos, geralmente em regiões próximas ao portal das fachada principal a Oeste ou mesmo no transepto, em pelo menos um de seus extremos. Assim como a arquitetura gótica no geral possui uma relação com a religiosidade, as rosáceas fazem alusão à personagens cristãos como Jesus Cristo (que é representado pelo sol) e Maria (representada pela rosa).[36]

Suportes exteriores[editar | editar código-fonte]

Arcobotantes da Abadia Beverley. Os arcobotantes estão localizados na parte exterior das estruturas eclesiásticas.
Ver também: Arcobotante e Contraforte

Ao contrário das espessas paredes da arquitetura românica, a arquitetura gótica é constituída por paredes finas e geralmente possuidoras de enormes vitrais e rosáceas. Para que a estrutura eclesiástica fique elevada é necessário usar dois elementos que servem como suporte: o contraforte e o arcobotante. O contraforte fica posicionado em um ângulo reto em relação à estrutura gótica contra a parede lateral e eleva-se a uma altitude considerada alta, em um enorme grau de perfeição. O peso do contraforte neutraliza a pressão causada pelas abóbadas. O arcobotante possui uma caixilharia diagonal de pedra, escorado ao lado pelo contraforte posicionado próximo à parede e por outro lado pela claraboia da nave. Deste modo, o arcobotante dirige o peso lateral das abóbadas e associado aos contrafortes possui uma força enorme. Graças à estes dois suportes, foi possível construir catedrais, basílicas, igrejas e capelas exuberantemente altas, com muitos vitrais e rosáceas.[20]

Verticalismo e majestade[editar | editar código-fonte]

Fachada principal da Catedral de Amiens, França. A religião buscava elevar suas construções ao maior nível de altitude, para transmitir sua majestade.

Outra característica importante das estruturas eclesiásticas góticas é o verticalismo, ou seja, sua elevada altitude. No interior e exterior das construções góticas, os elementos arquitetônicos apontam para o céu. Um exemplo conhecido são os arcos ogivais, que são pontiagudos e possuem a impressão de uma seta apontada para cima. Este verticalismo da arquitetura gótica tenta exibir-se cada vez mais próxima de Deus e destacar sua magnificência dentro de sua respectiva cidade como uma clara referência religiosa. Em uma visão geral, as catedrais sofreram rivalidade entre vários centros urbanos que possuem edifícios com proporções superiores.[37]

Gárgulas e esculturas santas[editar | editar código-fonte]

Embora sua temática seja diferenciada da arquitetura, as esculturas góticas e as gárgulas estão muito presente nas catedrais e outros estabelecimentos eclesiásticos.

Como elemento arquitetônico, as gárgulas possuem a função de escoar as águas pluviais da cobertura e telhado dos edifícios góticos, impossibilitando-a de escorrer pelas paredes exteriores, degradando o local. Existem também opiniões diferentes sobre o elemento. Uma delas é que as gárgulas não servem para esta função de escoar a água e sim apenas para decorar o ambiente. A opinião mais controversa é de que as gárgulas sirvam para proteger os templos e durante o período da noite criam vida. Este obscuro boato colaborou para que as pessoas passassem a acreditar que as gárgulas serviam também para afastar os maus espíritos, imagem que se consagrou e é recitada pelos guias de turismo em toda a Europa. As esculturas de gárgulas representam seres conhecidos como quimeras.[38][39]

Esculturas de um dos portais da Catedral de Notre-Dame de Paris

Além das gárgulas e esculturas grotescas, existem outras esculturas religiosas presentes na arquitetura gótica. Através destas, eram expressadas a e religiosidade que o povo europeu sentia. Os caracteres esculturais seguem o fundamento gótico do verticalismo e são, majoritariamente, encontrados em portais e colunas. As esculturas, muitas vezes, representam personagens bíblicos como a Virgem Maria e alguns santos.[40][41]

Outros elementos arquitetônicos[editar | editar código-fonte]

Postscript-viewer-blue.svgVer também a categoria: Elementos da arquitetura gótica

A arquitetura gótica possui outros elementos arquitetônicos que não foram citados acima. Alguns deles, possuem uma função em seu posicionamento mas outros servem como decoração.

A arcada por exemplo, não possui uma função específica, serve apenas como elemento arquitetônico decorativo. As arcadas, como o próprio nome revela, são arcos ogivais (na arquitetura gótica) posicionados em sequência, geralmente próximo aos claustros. Não possuem vitrais, rosáceas e nem qualquer outro tipo de elemento à base de vidro, o que possibilita a penetração dos raios solares como em qualquer outro local aberto. O florão está situado em uma extremidade exterior e elevada dos edifícios góticos. Como o próprio nome revela, o elemento representa uma flor e possui apenas utilidades decorativas. O capitel é a extremidade superior de uma coluna, pilar ou pilastra e possui utilidades decorativas e técnicas, como o sustento e a transmissão de força para o fuste. O tramo é formado por uma abóbada e seus elementos de descarga de peso; no sentido transversal é formado por dois arcos torais ou dobrados, longitudinalmente por dois arcos formeiros que separam a nave principal das laterais e por arcos cruzeiros que formam as arestas ou nervuras da abóbada. Já o cogulho é representado por uma pedra que faz alusão à folhas estilizadas.[42]

Por país[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. HISTÓRIA DA ARQUITETURA I e II, documento. Dados e informações sobre os géneros arquitetónicos [1]
  2. a b Ducher 1988, p. 46.
  3. UNIVERSO, enciclopédia (autor não revelado). Editora Delta-Editora Três
  4. Jones, Colin (28 de maio de 1999). The Cambridge Illustrated History of France (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 90. ISBN 9780521669924 
  5. Vasari 1991, p. 117, 527.
  6. «..:: R. Sandrini - Arquitetura ::..». www.geocities.ws. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  7. «Arte Gótica. Arte Gótica no fim do período medieval - Brasil Escola». Brasil Escola. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  8. a b Raeburn 1980, p. 102.
  9. Martindale 1993, pp. 17-18.
  10. Martindale 1993, pp. 20-22.
  11. Martindale 1993, pp. 24-26.
  12. Grodecki 1977, p. 36.
  13. a b Ducher 1988, p. 48.
  14. a b Ducher 1988, p. 58.
  15. Renault et al. 2006, p. 37.
  16. HISTÓRIANET, site. Estilo gótico encontrado frequentemente nas catedrais [2]
  17. SUAPESQUISA, site. Influência da Igreja Católica na vida da população da Europa [3]
  18. EDUCATERRA, site. Documento textual informativo sobre a Arte Gótica
  19. LMC, site. Sistema Estrutural das Catedrais Góticas
  20. a b SPECTRUM, site. A Arquitetura gótica: abóbada, suporte, contraforte
  21. SCRIBD, site. Arquitetura Românica e Gótica
  22. Wenzler 2018, pp. 18-19.
  23. Renault & Lazé 2006, p. 33.
  24. FLATCHER, Banister. A History of Architecture on the Comparative Method. [S.l.: s.n.] 
  25. SWAAN, Wim. The Gothic Cathedral. [S.l.: s.n.] 
  26. Grodecki 1977, p. 14.
  27. Grodecki 1977, pp. 14-17.
  28. «Construção de uma Catedral Gótica». www.lmc.ep.usp.br. Consultado em 17 de setembro de 2018. 
  29. Grodecki 1977, p. 17.
  30. EDUCATERRA, site (II). A arte românica; 'Arquitetura escura'
  31. DOCUMENTO, PDF. Os estilos de arco em arquitetura
  32. GEOCITIES, site. Documento textual informativo sobre a Arquitetura Gótica [4]
  33. UMBRAUM, site. Técnicas arquitetónicas sobre a Arquitetura Gótica
  34. BRASIL ESCOLA, site. Os vitrais góticos – por Rainer Sousa
  35. SUPLETIVO UNICANTO, site. Documento apresentado de forma resumidamente sobre a Arte Gótica [5]
  36. WILLIANS, site. Documento textual sobre características da Arte Gótica
  37. NAMED, site. Definições sobre a Arte Gótica –por Lucas Rabelo
  38. MUNDO ESTRANHO, site. O que são gárgulas?
  39. KNOL, site. Gárgulas e figuras grotescas
  40. WILLIANS, documento. Documento acadêmico sobre o estilo gótico
  41. WILLIAMSON, Paul. "Escultura Gotica 1140-1300", livro
  42. BEATRIX, site. Informativo textual sobre a Arquitetura Gótica
  43. HISTÓRIA DA ARQUITETURA I e II, documento. Dados e informações sobre os géneros arquitetónicos Tipos de arquitetura
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