Lysenkoismo
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O Lysenkoismo (do russo лысенковщина, transliterado como lysenkovshchina), também conhecido como Lysenko-Michurinismo, foi uma corrente agronômica e política desenvolvida na União Soviética sob a liderança de Trofim Lysenko durante as décadas de 1930 e 1960.[1] O movimento exerceu forte influência sobre a biologia, a genética e a agricultura soviéticas, especialmente por meio do controle institucional da Academia Lênin de Ciências Agrícolas da União Soviética (VASKhNIL), dirigida por Lysenko.[2]
As ideias defendidas por Lysenko rejeitavam princípios fundamentais da genética mendeliana e da teoria cromossômica da hereditariedade, consideradas por ele incompatíveis com o materialismo dialético soviético.[3] Em seu lugar, Lysenko defendia uma versão modernizada da herança de caracteres adquiridos, inspirada em interpretações do Lamarquismo e associada às ideias agrícolas de Ivan Michurin, motivo pelo qual o movimento também ficou conhecido como “Michurinismo”.[4]
Durante o período stalinista, o Lysenkoismo recebeu amplo apoio político do governo soviético.[5] Em 1948, após uma sessão da VASKhNIL apoiada por Josef Stalin, a genética clássica foi oficialmente condenada na União Soviética, e muitos geneticistas perderam seus cargos, foram perseguidos politicamente ou presos.[6] Entre os cientistas afetados destacou-se Nikolai Vavilov, importante geneticista soviético que morreu na prisão em 1943 após ser acusado de defender teorias consideradas “burguesas”.[7]
As práticas agrícolas associadas ao Lysenkoismo incluíam métodos como a vernalização, técnica que consistia no tratamento de sementes por exposição ao frio e à umidade para acelerar o desenvolvimento das plantas.[8] Embora alguns desses métodos possuíssem aplicações agronômicas reais, muitas das afirmações teóricas feitas por Lysenko não puderam ser reproduzidas experimentalmente segundo os critérios da genética moderna.[9]
A influência do Lysenkoismo começou a declinar após a morte de Stalin em 1953, embora Lysenko tenha permanecido em posições de poder por vários anos.[10] Em 1964, após críticas crescentes da comunidade científica soviética, Lysenko foi afastado da direção da VASKhNIL, marcando o declínio formal do movimento.[11]
Na historiografia e na filosofia da ciência, o termo “Lysenkoismo” passou a ser utilizado de maneira mais ampla para descrever situações em que fatores ideológicos ou políticos interferem no funcionamento da pesquisa científica e na avaliação de evidências experimentais.[12]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ SOYFER, Valery N. Lysenko and the Tragedy of Soviet Science. New Brunswick: Rutgers University Press, 1994.
- ↑ MEDVEDEV, Zhores A. The Rise and Fall of T. D. Lysenko. New York: Columbia University Press, 1969.
- ↑ Joravsky, David. The Lysenko Affair. Cambridge: Harvard University Press, 1970.
- ↑ GRAHAM, Loren. Science in Russia and the Soviet Union: A Short History. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
- ↑ ROLL-HANSEN, Nils. The Lysenko Effect: The Politics of Science. Amherst: Humanity Books, 2005.
- ↑ MEDVEDEV, Zhores A. The Rise and Fall of T. D. Lysenko. New York: Columbia University Press, 1969.
- ↑ PRINGLE, Peter. The Murder of Nikolai Vavilov. New York: Simon & Schuster, 2008.
- ↑ GRAHAM, Loren. Science in Russia and the Soviet Union: A Short History. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
- ↑ SOYFER, Valery N. Lysenko and the Tragedy of Soviet Science. New Brunswick: Rutgers University Press, 1994.
- ↑ ROLL-HANSEN, Nils. The Lysenko Effect: The Politics of Science. Amherst: Humanity Books, 2005.
- ↑ Joravsky, David. The Lysenko Affair. Cambridge: Harvard University Press, 1970.
- ↑ GORDIN, Michael D. "How Lysenkoism Became Pseudoscience: Dobzhansky to Velikovsky". Journal of the History of Biology, v. 45, n. 3, 2012, p. 443–468.