Claudio Ranieri

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Claudio Ranieri
Claudio Ranieri
Claudio Ranieri em outubro de 2011.
Informações pessoais
Data de nasc. 20 de outubro de 1951 (64 anos)
Local de nasc. Roma, Itália
Informações profissionais
Equipa atual Inglaterra Leicester City
Posição Treinador
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1973–1974
1974–1982
1982–1984
1984–1986
Itália Roma
Itália Catanzaro
Itália Catania
Itália Palermo
006 (0)
225 (8)
092 (1)
040 (0)
Times/Equipas que treinou
1987–1988
1988–1991
1991–1993
1993–1997
1997–1999
1999–2000
2000–2004
2004–2005
2007
2007–2009
2009–2011
2011–2012
2012–2014
2014
2015–
Itália Puteolana
Itália Cagliari
Itália Napoli
Itália Fiorentina
Espanha Valencia
Espanha Atlético de Madrid
Inglaterra Chelsea
Espanha Valencia
Itália Parma
Itália Juventus
Itália Roma
Itália Internazionale
Mónaco Monaco
Grécia Grécia
Inglaterra Leicester City

Claudio Ranieri (Roma, 20 de outubro de 1951) é um treinador e ex-futebolista italiano. Atualmente é técnico do Leicester City.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Ranieri nasceu em San Saba, um bairro de Roma perto do Circo Máximo e é um grande torcedor da Associazione Sportiva Roma. Começou a jogar futebol num campo próximo a igreja de San Saba. Um amigo de infância o descreveu como um indivíduo sereno e reservado. Ele e sua família viviam em Formello, cidade vizinha que consagrou entre seus moradores, o goleiro italiano Dino Zoff, tricampeão da Copa do Mundo.

É casado com Drª. Rosanna e tem uma filha chamada Claudia. Ela é casada com o ator italiano Alessandro Roja que deu a Ranieri um neto chamado Orlando.

Em maio de 2016, enquanto treinador do Leicester City, o italiano atraiu a atenção da mídia quando disse que almoçaria com sua mãe de 96 anos ao invés de assistir a Chelsea x Tottenham na segunda-feira. A partida terminou em 2-2 culminando em seu 1º título na Premier League.

Carreira como jogador[editar | editar código-fonte]

Como jogador atuava na posição de zagueiro e começou a carreira na Roma, em 1973, sendo que em duas temporadas ele jogou apenas seis vezes pelo clube, inclusive já foi emprestado por um mês ao Siracusa. Passou maior parte de sua carreira como defensor pelo Catanzaro (1974-1982), Catania (1982-1984) e Palermo (1984-1986), onde se aposentou em 1986.

Esteve envolvido em quatro acessos às séries superiores do futebol italiano (duas com o Catanzaro, e uma de cada com Catania e Palermo).

Marcou apenas nove gols em sua carreira como atleta, sendo oito pelo Catanzaro e um pelo Catania.

Helenio Herrera o descobriu em uma equipe amadora de Roma: o Dodicesimo Giallorosso.

Já foi atacante de origem até que Antonio Trebiciani o tornou defensor nas equipes juvenis de Roma.

Disputou 128 partidas pelo Catanzaro na série A italiana, entre 1976 a 1982.

Carreira como técnico[editar | editar código-fonte]

Como treinador, Ranieri começou comandando o Campania Puteolana, e um ano depois for para o Cagliari, Napoli e Fiorentina (na qual venceu uma Copa da Itália e uma Supercopa Italiana).

Seu início na Itália[editar | editar código-fonte]

No Cagliari, ele fez seu nome, ajudando o clube a subir em temporadas seguidas, da Série C1 para a Série A, conquistando a Coppa Italia Serie C.

Em 1991, ele treinou o Napoli por 2 anos, o qual passava por dificuldades financeiras. Apesar de terminar em quarto lugar na Serie A e conquistar uma vaga para a Copa da UEFA, não ganhou nenhuma honraria no clube. Em sua segunda temporada, foi demitido pelo dono do clube na época, Corrado Ferlaino, seguidamente da eliminação na segunda fase da Copa da UEFA; apesar da notável vitória fora de casa por 5-1 contra o Valencia na primeira fase.

Com a Fiorentina em 1993, conquistou o acesso à Série A italiana após conquistar o título da Série B na temporada 1993-1994. Ganhou ainda a Copa da Itália e a Supercopa italiana em 1996 com a ajuda dos talentos de Gabriel Batistuta, Manuel Rui Costa e Francesco baiano. O time conseguiu permanecer invicto por 15 partidas na temporada 1995/96, permanecendo por alguns meses em segundo lugar atrás do Milan. Só que a Fiorentina perdeu 5 dos seus últimos 9 jogos e acabou na quarta colocação. Na temporada seguinte, findou em um desapontante nono lugar.

Começo na Espanha[editar | editar código-fonte]

Em 1997 treinou o Valencia por 2 anos, terminando em 4ª lugar na La Liga, se classificando para a Champions League seguinte. Acabou vencendo uma Copa do Rei em 1999 e a UEFA Intertoto Cup, em 1998. Seu time era reconhecido pela solidez defensiva, eficiência com sua formação tática baseada no 4-4-2 e forte pressão na saída de bola adversária para recuperar a posse de bola se valendo de contra-ataques.

Com o fim do contrato em seu antigo clube, treinou brevemente o Atlético de Madrid. Enquanto treinador, o clube passou por agruras financeiras e conturbações em campo. Beirando o rebaixamento, o italiano pediu dispensa antes que Jesús Gil, bem conhecido pela fama de demitir treinadores, o fizesse. O time acabou rebaixado no fim da temporada.

Chelsea[editar | editar código-fonte]

Foi técnico do time inglês de 18 Setembro de 2000 a 30 Maio de 2004, trabalhando arduamente para superar as barreiras do idioma. Quando chegou ao Chelsea, seu vocabulário era limitado; felizmente, o clube havia jogadores que podiam falar italiano ou espanhol e com isso, ajudavam-no na tradução quando estavam em treinamento. Na sua 1ª temporada, o time apresentou resultados inconsistentes, com um 6º lugar na Premier League e vaga para a próxima UEFA Cup. O italiano foi instruído a baixar a média de idade de seu plantel e trabalhou para reconstruir o time londrino no verão de 2001, forjando um novo meio campo com as contratações de Frank Lampard do West Ham, Emmanuel Petit e Boudewijn Zenden do Barcelona e Jesper Grønkjær do Ajax. Além do defensor William Gallas do Olympique de Marseille, gastando em torno de £30 milhões.

Só que a crítica sobre ele foi forte. A torcida do Chelsea queria mais e a pressão aumentou quando o time terminou, de novo, em sexto lugar e perdeu a final da Copa da Inglaterra para o Arsenal. A crítica aumentou por ele ter vendido um dos ídolos do clube, Dennis Wise, já veterano na época. A imprensa inglesa o acusava de rodar demais o elenco (por isso era conhecido como The Tinkerman). Apesar disso, ele foi mantido.

Foi na temporada 2002/03 que ele conseguiu seu maior feito. Com o clube em uma situação financeira complicada e sem poder fazer contratações importantes, ele finalmente conseguiu levar o time à Champions League. No elenco, alguns jogadores que se tornariam conhecidos: John Terry, então um jovem, Carlton Cole e Robert Huth, que voltou a encontrar o técnico no Leicester, 13 anos depois.

Quando o clube foi comprado pelo bilionário russo Roman Abramovich em 2003, o italiano recebeu um grande orçamento para transferências, porém via seu trabalho ameaçado ao mesmo tempo. Ranieri gastou £120 milhões no verão de 2003 e as contratações incluíam o ala irlandês Damien Duff por £17 milhões (um recorde até então para o clube), os jovens ingleses Wayne Bridge, Joe Cole e Glen Johnson; a dupla argentina Juan Sebastián Verón e Hernán Crespo; o francês Claude Makélélé e a estrela romena Adrian Mutu. O pesado investimento trouxe ao clube a melhor posição na liga em 49 anos, sendo vice-campeões para o Arsenal. O clube alcançou inclusive as semifinais da Champions League, batendo os Gunners nas quartas-de-final. Só que a estabilidade do italiano começou a ser questionada a partir das semifinais contra o AS Monaco, devido as substituições estranhas feitas e as mudanças táticas repentinas[1] .

Aquela temporada ficou marcada para o clube devido aos poucos gols sofridos e o maior número de pontos obtidos.

O antigo futebolista e agora jornalista David Platt frisou uma observação sobre o italiano: ''Construir um time que pode conquistar um título é diferente de apenas conduzir um time ao título''. Com o fim das especulações no comando, no dia 31 de Maio, o cargo de treinador passou a ser de José Mourinho, o qual levou o time do Porto a vários triunfos pela Europa. Os dois títulos obtidos pelo português nas temporadas seguintes tiveram a influência do italiano, que trouxe vários dos jogadores que compuseram o elenco vitorioso. Em seus últimos meses no clube, Ranieri visou dois jogadores que o clube deveria contratar: Didier Drogba e Arjen Robben (os quais se tornariam jogadores-chave no futuro do time inglês).

Valencia (retorno)[editar | editar código-fonte]

Na temporada 2004-05 tentou novamente o trabalho com o Valencia, substituindo Rafa Benitez (o treinador que havia levado o time para a Copa UEFA e a dois títulos da La Liga, agora contratado pelo Liverpool). Ranieri fez uma série de contratações e teve um começo brilhante, conquistou 14 dos 18 pontos e bateu o Porto na Super Copa da UEFA. Só que a partir de Outubro, instalou-se lentamente a crise no clube: uma vitória em 7 partidas e eliminados da Champions League (muito por causa de uma derrota por 5-1 contra a Inter de Milão no qual o meio-campista Miguel Angel Angulo foi expulso por cuspir em um adversário).

Em uma breve sobrevida, Valencia passou outros 6 jogos sem vencer a partir de Janeiro. Apesar da impopularidade causada pela contratação de 4 jogadores italianos, Ranieri foi criticado por não botar o argentino Pablo Aimar nas partidas e por que ele mudava constantemente as formações táticas da equipe (lembrando muito o que fizera nos seus tempos de Chelsea).

Foi dispensado em 25 de Fevereiro de 2005[2] após a derrota para o Steaua Bucaresti. Naquele momento, o time era sexto colocado na liga espanhola. Quique Sanchez Flores o substituiu a partir de Junho.

O italiano recebeu  £3 milhões de multa rescisória.

Parma[editar | editar código-fonte]

Em 12 de fevereiro de 2007, um dia após o término da 23ª rodada e demissão de Stefano Pioli, assinou contrato com o Parma na temporada 2006-07.[3] Perdeu o jogo de estreia contra a Sampdoria por 1-0, todavia conseguiu resultados notórios em sequência para ajudar a salvar o time do rebaixamento, obtendo 17 pontos em 10 partidas (se comparado ao seu antecessor que obtivera 15 pontos em 23 partidas). Inclui-se aí a impressionante vitória por 4-3 fora de casa contra o Palermo, cujo efeito radical causado aos rosanero foi a demissão de Francesco Guidolin. No restante da temporada, golearam o Messina por 4-1 no início de Maio e terminaram a temporada em 12º lugar com uma vitória por 3-1 sobre o Empoli.

Assim que a temporada terminou, especulou-se que Ranieri poderia trabalhar no Fulham, Manchester City ou Palermo. No dia 31 de Maio, o Parma anunciou que Ranieri não estava nos planos do clube para a próxima temporada[4] .

Juventus[editar | editar código-fonte]

Na temporada seguinte, foi contratado para treinar a Juventus,[5] que acabara de voltar da segunda divisão, no lugar do francês Didier Deschamps. Assinou por 3 temporadas com o clube, começando a partir de 1º de Julho de 2007. Ranieri trouxe Vincenzo Iaquinta da Udinese e Zydenek Grygera do Ajax. Sua primeira temporada na Velha Senhora foi exitosa (classificando-se para a próxima Champions League), guiando sua equipe a um terceiro lugar após a temporada em que passaram na 2ª divisão, devido a punição do escândalo de manipulação de resultados: o Calciopoli[6] .

Em Agosto de 2008, Ranieri deflagrou-se em uma guerra de palavras contra o português José Mourinho[7] (novo treinador da Internazionale), o qual havia o substituído anteriormente no Chelsea. O luso criticou a mentalidade antiquada do italiano e por falhar sempre nas tentativas de conquistar um título importante em sua carreira como treinador, levando a um desconforto temporário entre eles. O italiano ressaltou que a Inter era uma grande ameaça à Juventus pela briga do título da Série A.

A Juventus começou forte na temporada, derrotando o Real Madrid duas vezes na fase de grupos da Champions League (por 2-1 em casa[8] e por 2-0 em Madri[9] ), só que infelizmente os italianos acabaram caindo nas oitavas-de-final para o ex-clube de Ranieri (Chelsea).

Ao longo da temporada, a Juventus teve que lidar com lesões e não conseguira vitórias em sete partidas durante 2 meses, fazendo com que o time caísse para o terceiro lugar após o empate em casa por 2-2 contra a Atalanta. Após este jogo, Ranieri admitiu que havia uma pressão bastante forte de seus torcedores[10] , que o criticavam publicamente sobre seu trabalho. Com o fim das especulações e o anúncio de que a Inter seria campeã matematicamente, os dirigentes da Vecchia Signora reuniram-se e decidiram em 18 de Maio de 2009 pela troca de Ranieri por Ciro Ferrara.

Roma[editar | editar código-fonte]

Em 1º de setembro de 2009, depois da demissão de Luciano Spalletti do cargo de treinador da AS Roma, Ranieri foi contratado para treinar o clube que o revelou, na temporada 2009-10. Sob seu comando, Roma melhorou suas performances dramaticamente a ponto de confiar na conquista do Scudetto, reduzindo a diferença em pontos que havia entre os Gialorossi e a líder Internazionale, após o triunfo de Ranieri sobre Mourinho na 31ª semana. Então, Roma venceu dois jogos consecutivos e conseguiu ultrapassar a Inter na 33ª semana graças a uma vitória em casa por 2-1 contra a Atalanta e um empate em 2-2 da Internazione contra a Fiorentina.[11] Ela conseguiu ampliar sua invencibilidade para 23 jogos e mantivera a liderança após o derby contra a Lazio (Derby dellla Capitale), estendendo a sua marca para 24 jogos sem perder. Ranieri foi aclamado pela imprensa ao substituir os craques locais, Francesco Totti e Daniele de Rossi no intervalo quando o clube perdia por 1-0, virando o jogo para 2-1 graças aos gols de Mirko Vučinić. No entanto, a Roma perderia a liderança na Série A e a final da Coppa Italia, em ambos os casos para a ganhadora do triplete na temporada, a Inter.

Após a derrota por 1-0 na final da Copa da Itália, Mourinho escarneceu publicamente Ranieri, alegando que este havia supostamente motivado seus jogadores com o filme Gladiador antes do jogo. Na temporada seguinte, Ranieri foi derrotado novamente para a Inter, na Supercopa Italiana em 2010. Ranieri pediu demissão em 20 de Fevereiro de 2011 após uma sequência ruim (em seu último jogo, permitiu a virada do Genoa por 4-3, sendo que seu time estava com vantagem de 3 gols no placar). Em seu lugar, assumiu Vincenzo Montella.

Internazionale[editar | editar código-fonte]

No dia 22 de Setembro de 2011, após a demissão do técnico Gian Piero Gasperini por seus péssimos desempenhos (perdendo 4 de 5 partidas), Ranieri assumiu a Internazionale, no início da temporada 2011-12. Ele assinou um contrato até 30 de Junho de 2013. Os Nerazzurri conquistaram sua primeira vitória em 24 de Setembro por 3-1 contra o Bologna, seguido por uma vitória fora de casa na Champions League contra o CSKA Moscow. Conseguiu sete vitórias consecutivas na série A entre Dezembro de 2011 e Janeiro de 2012, incluindo uma vitória por 1-0 contra o Milan, o qual tornou possíveis os burburinhos de quem eles seriam postulantes ao título.

Então, a Inter de Milão acabou sofrendo uma série de resultados negativos (culminando também com a saída de Thiago Motta para o PSG) e suas esperanças na Champions League estavam penduradas por um fio após a derrota nas oitavas-de-final por 1-0 para Olympique de Marseille. A especulação sobre a demissão de Ranieri começou a aumentar, alcançando seu pico durante uma partida contra o Catania, sendo atenuada logo após, com uma vitória fora de casa contra o A.S. Chievo Verona. Entretanto, após uma derrota sofrida em casa pela Juventus por 0-2 (e uma sequência de apenas 2 vitórias em seus últimos 13 jogos), no dia 26 de março de 2012, acabou demitido devido ao seu retrospecto no Campeonato Italiano e a eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões, para o Olympique de Marseille.[12]

Monaco[editar | editar código-fonte]

Assumiu o comando técnico do Monaco em 30 de Maio de 2012 em um contrato de dois anos para disputar a Ligue 2.[13] Trouxe o clube de volta a Ligue 1, sendo campeão da Ligue 2 pela primeira vez na história. Na temporada seguinte, Ranieri foi vice-campeão francês de 2013-14, atrás do Paris Saint-Germain que acabou o campeonato com 80 pontos[14] . Deixou o clube após ser demitido em 20 de maio de 2014.[15]

Grécia[editar | editar código-fonte]

Já em 2014, tornou-se treinador da Seleção Grega, no lugar de Fernando Santos[16] após a Copa do Mundo de 2014. Estreou em 7 de setembro, assinando um contrato de €1.6 milhões por dois anos.[17] Se comparado ao conservadorismo tático de Otto Rehhagel[18] e Fernando Santos, Ranieri sempre alterava seus times titulares e formações táticas, o que acabava confundindo seus jogadores e causando desconfianças aos torcedores e imprensa local.

No entanto, disputadas quatro partidas[19] , acabou sendo demitido após derrota de 0–1 para Ilhas Faroé pelas Qualificações para a Euro de 2016.[20] , rejeitando a multa rescisória de €800,000. Em 2015, em uma entrevista com o Leicester Mercury[21] , revelou:

  • Eu cometi um erro quando me tornei o técnico grego. Eu sempre almejei este trabalho, pois se tratava de uma seleção nacional e é diferente de um clube. Eu tive quatro partidas e para cada uma delas, tive que treinar os jogadores por três dias. Isso são 12 dias de trabalho e o que eu poderia fazer em apenas 12 dias? Eu tive que reconstruir a seleção grega nesse tempo. O que mais poderia se esperar? Não sou um mágico.

Leicester City[editar | editar código-fonte]

Temporada 2015-2016[editar | editar código-fonte]

No dia 13 de Julho de 2015, Ranieri foi anunciado como o novo treinador dos Foxes em um contrato de 3 anos. Sua contratação era vista com ceticismo; Marcus Christenson do jornal The Guardian definiu como ''desconcertante'' a atitude dos dirigentes do clube inglês, justo após a campanha heroica de luta contra o rebaixamento feita por Nigel Pearson na temporada 2014/15 da Premier League. As frequentes demissões do italiano e a derrota grega para Ilhas Faroé causavam desconfiança e escárnio por parte de muitos acompanhantes do futebol. Christenson ressaltou que o bom humor de Ranieri era a antítese ao pavio curto de seu antecessor, concluindo portanto que: ''Se Leicester queria alguém legal, eles obtiveram. Porém, se eles almejavam permanecer na Premier League, apostaram no cara errado''[22]

A sua estréia ocorreu contra o Sunderland no dia 8 de Agosto com uma vitória por 4-2[23] . Logo após a partida, o italiano contou à mídia que ele inspirou a equipe a vencer dando-lhes motivação a partir de uma banda local de rock, o Kasabian (com a música Fire)[24] . A música se tornou uma febre nos jogos da equipe no King Power Stadium e servia para embalar os jogadores quando encontravam dificuldades durantes as partidas. O italiano mesmo lembrou que a música fortalecia o espírito dos jogadores e mostrava também que seus torcedores estavam ali para apoiar.

Ranieri revelou que tinha como intenção salvar o time do rebaixamento e alcançar 40 pontos no campeonato o quanto antes, a fim de atingir uma margem segura. Na primeira reunião com o presidente do clube, o tailandês Vichai, lhe foi revelado o quão importante seria a permanência do clube na elite da liga inglesa. A campanha da temporada 2014/15 foi assustadora para os dirigentes do clube que agora temiam o descenso (o time era um dos favoritos das casas de apostas para o rebaixamento, e ironicamente tinham uma proporção de 5000/1 se conquistassem o título, sendo esta uma aposta mais improvável do que encontrarem o monstro do Lago Ness [2000/1] e Elvis Presley vivo [3000/1]).

Um fato interessante é o de que Ranieri receberia £100 mil por cada posição acima do rebaixamento, uma premiação curiosa para quem havia sido demitido da seleção grega após uma derrota constrangedora para as Ilhas Faroé. Dentre as citações importantes para o grupo antes do primeiro jogo, estavam:

“Antes de jogarmos nosso primeiro jogo na temporada, eu quero que vocês joguem pelos seus companheiros. Nós somos um time pequeno, então nós temos que lutar com todo nosso coração, com toda nossa alma”, contou Claudio Ranieri em um texto publicado The Player’s Tribune chamado “Nós não sonhamos”[25] .

“Eu não me importo com o nome do adversário. Tudo que eu quero é que vocês lutem. Se eles forem melhores do que nós, tudo bem, parabéns. Mas eles terão que mostrar a nós que eles são melhores”. Um forte discurso do italiano, algo que se tornou rotineiro dali pra frente.

Desde então, o italiano começou a se preocupar com a quantidade de gols que sofria, mesmo que obtivesse as vitórias. Eram necessários dois a três gols geralmente para garantir a vitória ou ao menos o empate (e sabia que uma hora isso poderia não ocorrer), logo tratou de motivar seus pupilos de forma diferente desta vez:

''Vamos lá, rapazes. Sem levar gols hoje'', na véspera do jogo contra o Crystal Palace, reforçou: ''Vamos, rapazes. Oferecerei uma pizza se não levarem gols desta vez''.[26] E como obra do acaso, o time conseguiu seu primeiro clean sheet (vencendo por 1-0). Ele mantivera sua palavra e levou seus jogadores à Pizzaria Peter na praça da cidade. Para a surpresa dos jogadores, eles mesmos prepararam o queijo, a massa e o molho - e como bom italiano, serviu-se de vários pedaços, ratificando que essa era uma de suas comidas favoritas. O jogo foi em 24 de Outubro e deste momento adiante, ficaram mais 14 jogos sem sofrer gol no campeonato.

Ranieri sempre lembrava que o pensamento do time era jogo a jogo, mantendo o foco no trabalho de equipe e que os torcedores podiam sonhar com a impossibilidade e o ''conto de fadas''[27] de que se tratava o título da Premier League.

O forte início do clube permitiu que alcançassem os 40 pontos previstos pela comissão técnica ainda no Natal e durante o Boxing Day (data importante aonde há uma sequência muito corrida de jogos para os clubes ingleses e que na cultura do país havia um simbolismo forte, significando a abertura dos presentes do Natal). Nesta arrancada, Jamie Vardy marcou durante 11 jogos consecutivos[28] e quebrou a marca de Ruud van Nistelrooy na Premier League, um feito comparável[29] ao de Gabriel Batistuta na Serie A de 1995–96, quando Ranieri treinava a Fiorentina.

Ironicamente, uma das suas marcas na temporada acabou sendo a continuidade dos 11 iniciais da equipe, evitando qualquer tipo de rodízio ou invenção tática. Apostou no velho modelo 4-4-2, abdicando da posse de bola, adotando uma forte marcação no aguardo do erro adversário. Curiosamente, esse foi um fato que retificou o apelido de Tinkerman que recebera anteriormente na carreira. Com o decorrer da temporada. o elenco não sofreu com lesões - com raros desfalques por suspensão - o time conseguia aos poucos impor seu estilo de jogo, mesmo com uma média de 40% de posse de bola (a menor entre os campeões).[30]

Um fato observado a partir do momento em que alcançaram a liderança e conseguiam mantê-la, era o de que times bem mais abaixo na tabela não investiam muito contra as Raposas. Quando o clube ainda era uma incógnita no campeonato e não aparecia como candidato ao título, as equipes menores o tratavam de igual para igual, subindo constantemente ao ataque e se fechando raramente. Só que com o início do 2º turno e a vantagem de 5 pontos para o vice-colocado, o tratamento dos outros times mudou e passariam a então apostar nos deslizes dos Foxes para garantir ao menos um ponto, fosse em casa ou fora. Ranieri sabia bem que agora não poderia sofrer muitos gols e que a dificuldade para marcá-los seria indubitavelmente maior, tendo em vista que a defesa precisou se tornar mais pragmática, o ataque praticamente não perdeu a força do 1º turno, anotando uma boa quantidade de gols que permitia sossego contra adversários mais árduos.

Há quem lembre até do catenaccio como estratégia italiana de fechar a porteira e se valer de ligações diretas e escapadas pelos lados. Todavia, o Leicester manteve sua postura e correu menos riscos defensivos, mesmo jogando fora de seus domínios. O ataque da equipe marcou 37 gols no 1º turno e 31 gols no returno, enquanto que a defesa havia sofrido 25 gols no 1º turno e apenas 11 no returno. O grande trunfo da equipe se deu pela vice-artilharia de Jamie Vardy (24 gols e 4 assistências) e o argelino Riyad Mahrez (18 gols e 11 assistências, sendo que 12 destes gols foram fora de casa). Outro jogador fundamental para quando não tinham a posse de bola e precisavam conter o ímpeto do adversário foi o francês N'Golo Kanté, sendo o jogador de mais desarmes e interceptações do campeonato.

Claudio relata que começou a crer na possibilidade do conto de fadas virar realidade quando venceu o Manchester City no Etihad Stadium por 3-1 e a vitória por 2-0 contra o Liverpool com um golaço de Vardy. E mesmo quando perdera para o Arsenal no Emirates Stadium por 2-1, o grupo não esmoreceu (sendo esta inclusive a sua única derrota no returno). Ele disse ainda que apesar da virada do clube londrino, caso estivessem com 11 jogadores, o resultado provavelmente seria diferente e que o moral da equipe não seria abalado. Além de que não seriam forçados a recuar por estarem em desvantagem numérica.

Claudio foi o treinador que menos trocou de jogadores durante o campeonato (contando as substituições durante os jogos), mantendo-se fiel ao seu esquema tático também. Em Março de 2016, durante uma coletiva de imprensa, chamou a atenção da imprensa quando comentou sobre um ''sino imaginário'' para manter seus jogadores focados. O bordão ''dilly ding, dilly dong''[31] ganhou popularidade e inclusive ganhou remix.

Em 10 de Abril de 2016, eles garantiram a vaga na UEFA Champions League com a vitória fora de casa contra o Sunderland.[32] Embora Tottenham, Arsenal e Manchester City o perseguissem freneticamente, o time de Claudio Ranieri controlou a pressão e se manteve até o fim do campeonato no topo da tabela, alcançando 81 pontos (sendo 42 pontos conquistados em seus domínios, o King Power Stadium e 39 pontos fora de casa). O time perdeu apenas 3 vezes no campeonato, sendo um dos times que menos perderam para se tornar campeão na história da Premier League (logo após o Chelsea de Mourinho em 2004-2005 com uma derrota e os Invincibles de Arsene Wenger em 2003-2004).

Devido a sua classe e bom humor nas entrevistas, a mídia e os torcedores se referiam a ele como ''Rei Claudio''[33] , devido a sua façanha na temporada.

A amizade dele com Gus Hiddink lhe rendeu um momento engraçado, quando o Chelsea iria enfrentar o seu concorrente ao título, os Spurs. Claudio estava ansioso para garantir antecipadamente o título e o amigo holandês lhe dissera que garantiria uma Guard of Honour especialmente para ele no último jogo de ambas as equipes, que se enfrentaram no Stamford Bridge.

Ranieri foi nomeado o treinador do ano[34] na Premier League, ganhando inclusive a Medalha de Honra ao Mérito[35] .

Temporada 2016-2017[editar | editar código-fonte]

No momento, o Leicester City de Ranieri prepara-se para a International Champions Cup, um torneio amistoso que lhe concederá a oportunidade de enfrentar o Celtic FC no dia 23/7 em Glasgow; o PSG no dia 30/7 em Los Angeles e por fim, o Barcelona em 3/8 em Estocolmo. Após a pré-temporada ser concluída, ele enfrentará o Manchester United de José Mourinho pela FA Community Shield no dia 7 de Agosto, uma semana antes do início da nova temporada da Premier League.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Cagliari
Fiorentina
Valencia
Monaco
Leicester City


Honrarias[editar | editar código-fonte]

Setembro de 2003[36] , Março de 2004, Novembro de 2015, Março de 2016 e Abril de 2016

Referências

  1. «Ranieri's tinkering backfires as Chelsea bow to Monaco's 10 men» (em inglês). 2004-04-20. Consultado em 2016-07-06. 
  2. «Ranieri sacked by Valencia». the Guardian. 2005-02-26. Consultado em 2016-07-06. 
  3. (2007-02-13) "Ranieri appointed coach of Parma". BBC.
  4. «channel4.com - Football Italia». 2007-06-02. Consultado em 2016-07-06. 
  5. «Ranier é o novo técnico da Juventus». 
  6. (2016-06-24) "2006 Italian football scandal" (em en). Wikipedia, the free encyclopedia.
  7. «Mourinho mocks 'loser' Ranieri's preparations». Consultado em 2016-07-06. 
  8. «UEFA Champions League – UEFA.com». UEFA.com. Consultado em 2016-07-05. 
  9. «UEFA Champions League – UEFA.com». UEFA.com. Consultado em 2016-07-05. 
  10. «Serie A: Paolo Bandini on Claudio Ranieri and Juventus». the Guardian. 2008-03-10. Consultado em 2016-07-06. 
  11. «Ranieri cautious as Roma go top - World Soccer» (em inglês). 2010-04-12. Consultado em 2016-07-06. 
  12. Inter de Milão confirma demissão de Ranieri após péssimos resultados.
  13. «Ranieri allenerà il Monaco, in serie B» (em italiano). Corriere Della Sera. 30 de maio de 2012. 
  14. «Monaco dismiss Ranieri despite second place Ligue 1 finish» (em inglês). 2014-05-20. Consultado em 2016-07-06. 
  15. «Vasilyev: 'Bring in a new dynamic'» (em inglês). Sítio oficial AS Monaco. 20 de maio de 2014. 
  16. (2016-07-02) "Fernando Santos (Portuguese footballer)" (em en). Wikipedia, the free encyclopedia.
  17. «Marica earns Romania sweet revenge in Greece». UEFA. 7 de setembro de 2014. 
  18. (2016-06-10) "Otto Rehhagel" (em en). Wikipedia, the free encyclopedia.
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