Estação Ferroviária de Santarém

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Santarém
BSicon BAHN.svg
dístico da estação de Santarém, em 2005
Identificação: 32185 SAN (Santarém)[1]
Denominação: Estação de Santarém
Classificação: E (estação)[2]
Tipologia: B [3]5.3.1.1
Linha(s): Linha do Norte (PK 74,400)
Altitude: 20 m (a.n.m)
Coordenadas: 39°14′31.76″N × 8°40′30.17″W

(≍+39.24216;−8.67505)

(mais mapas: 39° 14′ 31,76″ N, 8° 40′ 30,17″ O)
Concelho: bandeiraSantarém
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
V.Santarém
Lis-Apolónia
  CP Regional
L.ª Norte
  V.Figueira
Tomar
V.F. Xira
Lis-Apolónia
  Intercidades
L.ª Norte
  Entroncamento
Campanhã
Braga
Guimarães
Guarda
Covilhã
Lis-Oriente
Lis-Apolónia
  Alfa Pendular
L.ª Norte
 

Conexões: Ligação a autocarros 2 3 4[4]
Serviço de táxis STR
Equipamentos: Bilheteiras ou máquinas de venda de bilhetesSala de espera Telefones públicos Caixas de correio Caixas MultibancoParque de estacionamento Lavabos Bar ou cafetaria Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Inauguração: 1 de julho de 1861 (há 161 anos)
Diagrama:
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgVale de Figueira (Sentido Porto)
BSicon BHF grey.svgSantarém
BSicon HST grey.svgVale de Santarém (Sentido Lisboa)
BSicon CONTf grey.svg
Website:
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação que serve a cidade de Santarém, em Portugal. Se procura o apeadeiro que serve a localidade de Vale de Santarém, veja Apeadeiro de Vale de Santarém. Se procura o apeadeiro da Linha do Minho, veja Apeadeiro de Gondarém. Se procura por meios de transporte na cidade homónima no Brasil, veja Santarém (Pará) § Transporte.

A Estação Ferroviária de Santarém (nome anteriormente grafado como "Santarem"),[5] é uma interface da Linha do Norte, que serve a localidade de Santarém, em Portugal. Inclui um núcleo museológico, dedicado à história ferroviária.[6]

Chegada à estação de Santarém.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Vias e plataformas de Santarém.

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

O acesso é efectuado pela Estrada da Estação de Caminhos de Ferro, em Santa Iria da Ribeira de Santarém.[7]

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, apresentava duas vias de circulação, com 1294 e 1303 m de comprimento; as plataformas tinham 298 e 277 m de extensão, e 35 cm de altura.[8] O edifício de passageiros situa-se do lado poente da via (lado esquerdo do sentido ascendente, a Campanhã).[9]

Azulejos nos edifícios da estação.

Azulejos[editar | editar código-fonte]

A estação está decorada com azulejos produzidos pela Fábrica Aleluia de Aveiro.[10][11] Os azulejos de tonalidades azul e branca são de 1927 e os painéis estão colocados na parede do edifício principal. Os 18 painéis que retratam tradições ribatejanas, trabalhos agrícolas e monumentos de Santarém, Golegã e Ourém. Foram produzidos a partir de desenhos de João Oliveira e foi uma oferta à CP da então Comissão de Iniciativa e Turismo de Santarém.[carece de fontes?]

Núcleo museológico[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Museu Ferroviário de Santarém

Na antiga cocheira de carruagens da Estação, encontra-se o Núcleo Museológico de Santarém, inaugurado em 5 de Outubro de 1979, e que encerra vários utensílios, ferramentas e documentação, ligados à temática da história ferroviária portuguesa.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Norte
Mapa de 1856 com os traçados propostos para a via férrea junto a Santarém, incluindo a gare ferroviária

Planeamento e abertura[editar | editar código-fonte]

O programa para o concurso do caminho de ferro de Lisboa até à fronteira com Espanha, decretado em 6 de Maio de 1852, já previa que a primeira secção seguiria a margem direita do Rio Tejo até Santarém.[12] Em Maio de 1853, foi assinado um contrato entre o Estado Português e o empresário Hardy Lislop, representando a Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, para a construção do troço até Santarém.[13][14] Após a inauguração do primeiro troço do Caminho de Ferro do Leste, até ao Carregado em 1856, vários municípios da região Oeste defenderam que a Linha do Norte devia continuar pelo litoral, uma vez que as regiões do interior já dispunham de vias de comunicação através dos eixos fluviais, como o Tejo no caso de Santarém.[15] Porém, o governo manteve o projecto original.[16]

Devido aos problemas encontrados durante a construção, em 1857 foi apresentado o projecto de lei para um novo concurso, mas desta vez com destino à cidade do Porto; assim, foi rescindido o contrato com a Companhia Peninsular e elaborado um novo com o empresário Morton Petto.[13] No entanto, este contrato também acabou por ser cancelado, tendo sido assinado outro com José de Salamanca em 12 de Setembro de 1859, para a construção dos troços até ao Porto e à fronteira.[13] Salamanca fundou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1860,[17] tendo sido desta forma aberto o troço até Santarém em 1 de Julho de 1861.[16]

Continuação até Abrantes[editar | editar código-fonte]

Quando este troço estava em obras, o engenheiro Wattier elaborou um relatório, onde propôs 3 traçados para a continuação da linha até Espanha; a primeira das directrizes iniciava-se no Carregado, enquanto que a segunda tinha origem em Santarém, que seria a estação de entroncamento com a futura linha para o Porto, atravessaria o Rio Tejo, serviria Estremoz e Elvas, e desceria depois para Badajoz.[18] A terceira opção ditava a passagem por Abrantes e junto a Portalegre, aumentando o tempo de viagem entre Lisboa e Espanha, mas aproveitando ao máximo a linha para o Porto, sendo assim consideravelmente menos dispendiosa.[19] Esta última alternativa foi a escolhida, tendo a próxima secção a ser construída sido até Abrantes, em 7 de Novembro de 1862.[16]

Em 2 de Março de 1895, o vale do Rio Tejo foi atingido por grandes cheias, tendo as vias da estação de Santarém ficado inundadas.[20]

Estação de Santarém, na segunda metade do Século XIX

Ligações previstas a Vendas Novas e Chamusca[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Linha de Vendas Novas e Linha da Chamusca

Em 1887, foi autorizada a construção de um caminho de ferro do tipo americano de Santarém a Vendas Novas.[21] A concessão foi modificada para via larga por um alvará de 13 de Dezembro de 1888; o ponto de entroncamento na Linha do Leste foi mudado para Santana - Cartaxo em 1890 e para o Setil em 1890, tendo a Linha de Vendas Novas entrado ao serviço em 1904.[22]

Em Maio de 1891, o empresário Bosset e o Barão de Kessler já tinham pedido autorização para construir um caminho de ferro americano com tracção a vapor, de Santarém a Chamusca, passando por Almeirim e Alpiarça.[23]

Preparação da locomotiva 553 para ser rebocada de Santarém até ao Museu no Entroncamento, em 2012.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em Agosto de 1902, já tinham sido instalados semáforos eléctricos de disco, do sistema Barbosa,[24] e em 1933 executaram-se obras de melhoramento na toma de água.[25]

Em 1913, a estação era servida por carreiras de diligências até à vila de Santarém, Ribeira de Santarém, Amiais e Rio Maior.[26]

Em 14 de Janeiro de 1914, iniciou-se uma das maiores greves dos trabalhadores da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo os operários sabotado vários troços de via; um comboio que tinha saído do Porto no dia 15 só chegou a Lisboa no dia seguinte, tendo sido necessário reparar os carris em vários pontos da linha, incluindo Santarém.[27]

Em 1927, foi inaugurado o novo edifício da estação de Santarém.[10] O projeto é do arquiteto Perfeito de Magalhães (Marco de Canaveses, 20 de Julho de 1880 - Lisboa, 29 de Janeiro de 1958).

Em Agosto de 1968, já tinham sido concluídas as obras de remodelação do posto de informações turísticas na estação de Santarém, por iniciativa do presidente da Comissão Municipal, José Carlos de Oliveira Sollas.[28] Nessa altura, existia a intenção de reconstruir completamente o posto de informações, mas este projecto dependia das obras de remodelação que a CP previa fazer na estação.[28]

Estação de Santarém à noite, em 2012

Ligação projectada a Rio Maior[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ramal de Rio Maior

Nos princípios do Século XX, começou-se a planear um caminho de ferro que ligasse as Linhas do Oeste e do Leste, passando por Rio Maior.[29] No relatório de 1903 da comissão técnica para o Plano da Rede Complementar, afirmou-se que Santarém era o local mais óbvio para fazer a bifurcação no Leste, devido à sua importância militar, económica e administrativa, mas a estação não dispunha de espaço suficiente, pelo que teria de ser construída uma segunda gare para a triagem dos comboios; em vez disso, devia ser utilizada a Estação do Setil, que tinha sido recentemente ampliada para acolher a Linha de Vendas Novas.[29] O local de entroncamento do Ramal de Rio Maior foi posteriormente alterado para o Vale de Santarém.[30]

Lusitânia Comboio Hotel a passar por Santarém, em 2004.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 2013, a estação ferroviária e a cocheira de carruagens foram classificadas como Monumento de Interesse Público.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome DR2021
  4. Scalabus: Mapa de rede (2021.07.12)
  5. Caminho de Ferro de Leste e Norte (horário Porto / Lisboa - Badajoz)
  6. a b «Espaço Museológico de Santarém». Comboios de Portugal. Consultado em 3 de Julho de 2011 [ligação inativa] 
  7. «Santarém». Comboios de Portugal. Consultado em 28 de Novembro de 2014 
  8. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  9. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  10. a b PEREIRA, 1995:419
  11. CHAVES, Luiz (16 de Dezembro de 1939). «Paineis de azulejos nas estações de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 31 (1248). p. 538. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  12. «Há Oitenta e Três Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1149). 1 de Novembro de 1935. p. 446. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  13. a b c «Para a história dos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 48. Consultado em 21 de Dezembro de 2013 
  14. REIS et al, 2006:12
  15. RODRIGUES et al, 1993:295
  16. a b c TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  17. REIS et al, 2006:19
  18. «Documentos para a História» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (699). 1 de Fevereiro de 1917. p. 37-38. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  19. «Documentos para a Historia» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (700). 16 de Fevereiro de 1917. p. 58-59. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  20. LOUREIRO, João Mimoso (Outubro de 2009). As Grandes Cheias. Rio Tejo: As Grandes Cheias 1800 – 2007. Col: Tágides. Volume 1. Lisboa: Administração da Região Hidrográfica do Tejo. p. 16. ISBN 978-989-96162-0-2 
  21. SOUSA, José Fernando de (16 de Dezembro de 1939). «Santarém Passado e Presente» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 31 (1248). p. 527-528. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  22. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1936). «Pontes do Tejo em Lisboa e Vila Franca» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1157). p. 137-139. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  23. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1225). 1 de Janeiro de 1939. p. 43-48. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  24. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (352). 16 de Agosto de 1902. p. 251. Consultado em 18 de Maio de 2012 
  25. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 18 de Maio de 2012 
  26. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 15 de Fevereiro de 2018 
  27. MARQUES, 2014:122
  28. a b «Revista de Imprensa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 81 (1928). 16 de Agosto de 1968. p. 105-106. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  29. a b PORTUGAL. Decreto n.º 12:524, de 22 de Outubro de 1926. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos, Publicado no Diário do Governo n.º 236, Série I, de 22 de Outubro de 1926.
  30. VALENTE, Rogério (16 de Setembro de 1955). «Os ramais particulares da rede ferroviária portuguesa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1626). pp. 325–328. Consultado em 14 de Setembro de 2016 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • RODRIGUES, Luís; TAVARES, Mário; SERRA, João (1993). Terra de Águas: Caldas da Rainha, História e Cultura 1.ª ed. Caldas da Rainha: Câmara Municipal de Caldas da Rainha. 527 páginas 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. VOlume III 1.ª ed. Barcelona: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 

Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Santarém

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma estação, apeadeiro ou paragem ferroviária é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.