Maria Bethânia

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Maria Bethânia
Bethânia em um show no Rio de Janeiro em 2012
Informação geral
Nome completo Maria Bethânia Viana Teles Velloso
Nascimento 18 de junho de 1946 (68 anos)
Origem Santo Amaro,  Bahia
País Brasil Brasil
Gênero(s) MPB, Bossa nova, Samba
Instrumento(s) Vocal
Extensão vocal contralto
Período em atividade 1965–presente
Gravadora(s) Universal Music Brasil, Verve Records, EMI Brasil, Biscoito Fino, Wrasse, Sony BMG
Influência(s) Amália Rodrigues
Billie Holiday
Cartola
Tom Jobim
Nana Caymmi
Nara Leão
Vinicius de Moraes
Toquinho
Edith Piaf/> Isaurinha Garcia
Página oficial www.mariabethania.com

Maria Bethânia Viana Teles Velloso[1] (Santo Amaro, 18 de Junho de 1946 é uma cantora e compositora brasileira). Nascida em Santo Amaro da Purificação, Bahia, ela participou, na juventude, de peças teatrais ao lado de seu irmão, o cantor Caetano Veloso e de outros cantores proeminentes da época. Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro onde começou sua carreira musical substituindo a cantora Nara Leão no espetáculo Opinião. No mesmo ano, assinou contrato com a gravadora RCA e lançou seu homônimo álbum de estréia.

Bethânia foi eleita a 5ª Maior Voz da Música Brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, ficando atrás somente de quatro cantores já falecidos, ou seja, Bethânia seria a maior voz viva do Brasil de acordo com a revista.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

1946–1964: Antes da fama e início da carreira[editar | editar código-fonte]

Nascida na Bahia em 18 de Junho de 1946, Maria Bethânia é a sexta filha de José Teles Veloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios, e de Claudionor Viana Teles Veloso (Dona Canô).[3] Seu nome foi escolhido pelo irmão Caetano Veloso, inspirado em uma canção, a valsa Maria Betânia, do compositor Capiba, então um sucesso na voz de Nélson Gonçalves.[4]

Bethânia é membro de uma família de artistas, sendo irmã da escritora Mabel Velloso, do cantor e compositor Caetano Veloso, e tia dos cantores Belô Velloso e Jota Velloso.[4]

Na juventude, participou de espetáculos semi-amadores em parceria com Tom Zé, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil e, em 1960, mudou-se para Salvador com a intenção de terminar os estudos. Lá, começou a frequentar o meio artístico, ao lado do irmão Caetano e três anos depois, em 1963, estreou como cantora na peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues.[5] Nesta época, Bethânia e Caetano conheceram outros músicos iniciantes como Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Alcivando Luz e outros, os quais acabariam sendo lançados como cantores e compositores pela cantora.[5] No ano seguinte, montaram juntos os espetáculos Nós por Exemplo, Mora na Filosofia e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova.[5]

1965-1966: Maria Bethânia, Maria Bethânia canta Noel Rosa e Eu Vivo num Tempo de Guerra[editar | editar código-fonte]

A data oficial da estreia profissional de Bethânia é 13 de fevereiro de 1965, quando ela foi convidada pela musa da bossa nova, a cantora e violonista Nara Leão, para substituí-la no espetáculo Opinião, em cartaz no Rio de Janeiro, pois a mesma precisou se afastar por problemas de saúde. Nara Leão houvera conhecido Bethânia no ano anterior, na Bahia, quando aquela assistiu à esta em um dos espetáculos em que Bethânia atuara.[5] Nesse mesmo ano, foi contratada pela gravadora RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG), onde gravou o primeiro álbum, Maria Bethânia, lançado em junho daquele mesmo ano. O primeiro sucesso[carece de fontes?] foi a canção de protesto "Carcará". O álbum continha ainda as faixas "Mora na Filosofia", "Andaluzia", "Feitio de Oração" e "Sol Negro", esta última em dueto com Gal Costa (que à época ainda usava o nome artístico de Maria da Graça). Ainda em 1965, lançou um compacto triplo, Maria Bethânia canta Noel Rosa, que trouxe as canções "Três Apitos", "Pra Que Mentir", "Pierrot Apaixonado", "Meu Barracão", "Último Desejo" e "Silêncio de um Minuto", acompanhada apenas por um violão, de Carlos Castilho e o compacto simples "Eu Vivo num Tempo de Guerra". No mesmo ano, depois de voltar à Bahia por um breve período, participou dos espetáculos Arena canta Bahia e Tempo de Guerra, ambos dirigidos por Augusto Boal, também competindo em festivais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentou-se em teatros e casas noturnas de espetáculos, tornando-se assim nacionalmente conhecida.

1967–1968: Edu e Bethania, Recital Na Boite Barroco, Velloso-Bethânia-Gil e Nada Além[editar | editar código-fonte]

Em 1967, Bethânia teve sua carreira impulsionada ao lançar seu segundo álbum Edu e Bethania, em parceria com Edu Lobo, a pedido do mesmo. Edu era um cantor e compositor iniciante, assim como Bethânia, que se firmava como cantora após o sucesso inicial no espetáculo Opinião.[6] No disco, a cantora teve performance solo em duas faixas e participou de duetos com Edu nas canções "Cirandeiro", "Sinherê" e "Prá dizer Adeus".[7] Esta última obteve um grande sucesso e colocou Bethânia definitivamente no roll das grandes cantoras do Brasil.[6] . Em 1968, interpretou a canção-tema do filme O Homem que Comprou o Mundo, de autoria de Francis Hime.

1975–1976: Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo, Pássaro Proibido e Doces Bárbaros[editar | editar código-fonte]

Bethânia foi também a idealizadora do grupo Doces Bárbaros, na qual era um dos vocais da banda, que lançou um disco ao vivo homônimo juntamente com os colegas Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 1970, e ao longo dos anos, este lema foi tema de um filme com direção de Jom Tob Azulay, um DVD, e um enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira em 1994 com a canção "Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu". Já comandaram trio elétrico no carnaval de Salvador, espetáculos na praia de Copacabana e uma apresentação para a Rainha da Inglaterra.

Inicialmente o disco seria registrado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado em disco, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo em estúdio: "Esotérico", "Chuckberry Fields Forever", "São João Xangô Menino" e "O Seu Amor", todas gravações raras.

1977–1978: Pássaro Da Manhã, Maria Bethânia e Caetano Veloso - Ao Vivo e Álibi[editar | editar código-fonte]

Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), até o fim da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos que apresentavam os novos talentos. Maria Bethânia participou do especial Mulher 80 (Rede Globo); o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então abordando esta temática no contexto da música nacional e da ampla preponderância das vozes femininas, com Elis Regina, Fafá de Belém, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Zezé Motta, Gal Costa, Maria Bethânia e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.

1979 – 1980: Mel, Mulher 80 e Talismã[editar | editar código-fonte]

Após Álibi, vieram Mel, Talismã Ciclo (1983) e A Beira e o Mar (1984), com arranjos e teclados de Lincoln Olivetti. No caso de Ciclo, a faixa "Fogueira" foi incluída na trilha sonora da novela da Globo Transas e Caretas de Lauro César Muniz. O álbum apresentava um repertório de onze canções, das quais nove eram inéditas, e apenas duas regravações ("'Rio de Janeiro - Isto é o meu Brasil" e "Ela disse-me-assim"). No LP A Beira e o Mar, originado do espetáculo A Hora da Estrela, cujo título remete ao famoso livro homônimo de Clarice Lispector, o repertório misturou canções inéditas e regravações ("Na Primeira Manhã", "Nossos Momentos", "ABC do Sertão", "Somos Iguais" e "Sonho Impossível" – esta última gravada pela terceira vez, já que havia sido gravada anteriormente nos álbuns A Cena Muda e Chico Buarque e Maria Bethânia - ao Vivo e dali a treze anos, novamente no CD Imitação da Vida). Bethânia então saiu da gravadora Polygram (atualmente Universal Music), de onde era contratada desde 1971 (com o álbum Maria Bethânia Viana Teles Veloso - A Tua Presença) e à qual só retornaria dali a cinco anos.

1985 – 1989: Palco Iluminado, Dezembros, Maria e Memória da Pele[editar | editar código-fonte]

O disco que marca essa volta é Memória da Pele; durante este intervalo de tempo, aconteceu uma breve passagem pela primeira gravadora, a RCA, com a qual assinou contrato para a gravação de três discos, mas acabou gerando apenas dois. São eles: Dezembros e Maria, lançados em 1986 e 1988, respectivamente.

A interpretação de "'Na Primeira Manhã" surpreendeu Milton Nascimento, inspirando-o a escrever, em parceria com Fernando Brant, a canção "Canções e Momentos", inclusa no repertório do disco Dezembros, do qual também fez participação especial nesta faixa, que também trazia, dentre outras, os sucessos "Anos Dourados", "Gostoso Demais" e "Errei Sim".

Cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de "We Are the World", o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África por meio do projeto USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto simples, de criação coletiva, com as canções "Chega de Mágoa" e "Seca d'Água".

Já o CD Maria, originado do espetáculo homônimo dirigido por Fauzi Arap no ano anterior, contou com as participações especiais da cantora Gal Costa (na toada "O Ciúme", acompanhada somente pelo sintetizador de Benoit Corboz, que também escreveu o arranjo para esta canção) e duas internacionais: o grupo sul-africano Lady Smith Black Mambazo (na faixa de abertura, "A Terra Tremeu/Ofá") e a atriz francesa Jeanne Moureau (na faixa "Poema dos Olhos da Amada", declamando uma versão em francês do poema de Vinícius de Morais). As baladas "Tá Combinado" e "Verdades e Mentiras" integraram as trilhas sonoras das novelas da Globo Vale Tudo e Fera Radical, respectivamente.

1990 – 1999:[editar | editar código-fonte]

Em 1990, Bethânia comemorou 25 anos de carreira com o LP 25 Anos, cujo repertório, essencialmente brasileiro, evocava diversas culturas deste país, trazendo canções consagradas e pouco conhecidas, entre regravações e inéditas. O disco contou com a participação especial de vários cantores e músicos, dentre os quais Gal Costa, Alcione, João Gilberto, Egberto Gismonti, Nina Simone, Fátima Guedes, Hermeto Paschoal, Sivuca, Wagner Tiso, Toninho Horta, Jacques Morelenbaum, Jaime Alem, Márcio Montarroyos, Mônica Millet, Almir Sater, Flávia Virgínia, Nair de Cândia, Armando Marçal, Djalma Correia, Álvaro Millet, Gordinho (Antenor Marques Filho), Zeca Assunção, Wilson das Neves, José Roberto Bertrami, Jamil Joanes, Jurim Moreira, orquestra de cordas e bateria da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira, com regência de Mestre Taranta (participou duas vezes do disco - na faixa de abertura, uma vinheta colada a um texto de Mário de Andrade e a canção "O Canto do Pajé" - e também na faixa que encerrava o projeto, "Palavra", que no final fez uma citação musical à famosa canção de Chico Buarque "Apesar de Você"); As regionalistas "Tocando em Frente" e "Flor de Ir Embora" integraram as trilhas das novelas rurais Pantanal e A história de Ana Raio e Zé Trovão, respectivamente, ambas exibidas pela extinta Rede Manchete. O feito de gravação de discos acústicos se repetiu no álbum subsequente, Olho d'Água, lançado em 1992; no repertório deste, a canção regionalista "Além da Última Estrela", que integrou a trilha sonora da novela da Globo Renascer, de Benedito Ruy Barbosa, exibida no ano seguinte. O álbum também mostrou uma incursão pela religiosidade ("Ilumina", "Medalha de São Jorge", "Louvação a Oxum", "Rainha Negra" uma homenagem à cantora Clementina de Jesus e "Búzio"), abrindo e fechando com uma vinheta da música "Sodade Meu Bem Sodade", de Zé do Norte.

O CD As Canções Que Você Fez pra Mim foi convertido para uma versão hispânica (no caso, Las Canciones Que Hiciste para Mi). Sete das onze faixas foram convertidas - a faixa-título, "Fiera Herida" ("Fera Ferida", tema de abertura da novela homônima da Globo), "Palabras" ("Palavras"), "Tú No Sabes" ("Você Não Sabe"), "Necesito de Tu Amor" ("Eu Preciso de Você), "Tú" ("Você", incluída na trilha sonora da novela da Globo Pátria Minha de Gilberto Braga, cujo título remete ao famoso poema homônimo de Vinícius de Morais - justamente a sucessora de Fera Ferida) e "Emociones" ("Emoções", de Roberto). Ficaram de fora "Olha", "Costumes", "Detalhes" e "Seu Corpo". O trabalho consistiu em um tributo à dupla de cantores e compositores Roberto e Erasmo Carlos, evocando onze parcerias entre ambos. Este disco, além de originar um LP promocional para a Coca-Cola com uma entrevista entre parte do repertório ("Emoções", "Costumes", "Olha" e "Seu Corpo), gerou também um VHS (relançado em DVD em 2009) e um espetáculo calcado na divulgação do disco anterior, dirigido por Gabriel Vilela na casa Canecão (Rio de Janeiro), do qual saiu o trabalho que marca a despedida definitiva da Universal Music: Maria Bethânia ao Vivo, de 1995, o último a ter versão em vinil, porém já estava sofrendo com o problema de pressão de espaço físico, com quatro músicas a menos. São elas: "Fé Cega Faca Amolada", "Detalhes", "Você Não Sabe" (as duas últimas, já inclusas no álbum-tributo a Roberto) e "Reconvexo" (gravada pela cantora no álbum Memória da Pele), inclusas somente no CD. Este disco trouxe regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas e do álbum de estúdio anterior dedicado a Roberto Carlos.

Em 1999, lançou A Força que Nunca Seca pela gravadora BMG. No trabalho, interpretou a faixa "Romaria", de autoria de Renato Teixeira, popularizada por Elis Regina. A faixa-título foi dedicada à memória de Mãe Cleusa do Gantois, além de trazer canções inéditas e releituras de clássicos ("O Trenzinho Caipira", com citação de trechos do poema "O Trem de Alagoas" de Ferreira Gullar; "Luar do Sertão/Azulão", "Espere Por Mim Morena", "Gema" - esta já gravada pela cantora anteriormente no álbum Talismã, "As Flores do Jardim da Nossa Casa") e a interpretação de "É o Amor", originalmente gravada pela dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Esta foi incluída na trilha sonora da novela da Globo Suave Veneno, de Aguinaldo Silva, exibida àquele mesmo ano. Em seguida, houve um espetáculo que divulgou o disco anterior, do qual saiu o CD duplo Diamante Verdadeiro, gravado em agosto, que trouxe canções do referido CD de estúdio (exceto "Espere Por Mim Morena"), regravações dos antigos sucessos entre outros clássicos, além de textos de Fernando Pessoa ("Autopsicografia"), Manuel Alegre ("Senhora das Tempestades") e Castro Alves ("O Navio Negreiro").

Anos 2000[editar | editar código-fonte]

Bethânia em janeiro de 2010.

Em 2001, desliga-se das grandes gravadoras, transferindo-se para a independente Biscoito Fino, de propriedade de Olivia Hime e Kati Almeida Braga. O disco que marca a estreia na nova gravadora é o duplo Maricotinha ao Vivo - comemorativo dos trinta e cinco anos de carreira, que trouxe regravações dos antigos sucessos seus entre outras canções consagradas, textos e do álbum de estúdio homônimo do ano anterior, cuja maior parte das canções era inédita e foi o último álbum lançado pela gravadora BMG, e também gerou seu primeiro DVD. Em 2003, ainda na Biscoito Fino, lança o selo Quitanda (23 de setembro), para gravar discos com menor apelo comercial e lançar artistas que admira, como Mart'Nália e Dona Edith do Prato. Paralelamente, houve o lançamento do álbum Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu, gravado originalmente em 2000, que inicialmente não foi comercializado e distribuído numa tiragem limitada de duas mil cópias, apenas para angariar fundos para a restauração da matriz da cidade natal, em homenagem à Nossa Senhora; neste trabalho, a cantora reafirmou a religiosidade, presente em quase toda a obra. O disco contou com a participação especial da mãe, Canô Veloso, Gilberto Gil (violão e voz) e Nair de Cândia, nas respectivas faixas "Ladainha de Nossa Senhora", "Mãe de Deus das Candeias" e uma versão em latim da Ave Maria.

Bethânia também atua em direções, já tendo dirigido vários artistas entre eles o irmão Caetano Veloso e Alcione. Ao mesmo tempo, produziu a homenagem Namorando a Rosa, a violonista Rosinha de Valença, que tocou alguns anos em sua banda, falecida em 2004; dirigiu o espetáculo Comigo Me Desavim (1967); e nove anos depois gravou os álbuns Cheiro de Mato, Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo, Alteza, Olho d'água e Álibi, onde tocou violão em todas as faixas; o álbum contou com a participação especial de diversos nomes consagrados da MPB, como o irmão Caetano Veloso, Alcione, Chico Buarque, Bebel Gilberto, Ivone Lara, Délcio Carvalho, Yamandú Costa, Martinho da Vila, Turíbio Santos, Miúcha, Joanna, Hermeto Paschoal. Em 2005, foi lançado o filme documentário sobre sua vida e carreira, Música é Perfume.

Em 2006 foi vencedora do Prêmio Tim (antigo Prêmio Sharp) de música onde arrebatou três títulos[carece de fontes?]: melhor cantora, melhor disco (Que Falta Você Me Faz, um tributo a Vinícius de Morais) e melhor DVD (Tempo Tempo Tempo Tempo, comemorativo dos quarenta anos de carreira). No mesmo ano, os CDs antigos - LPs originais que haviam sido relançados anteriormente em CD - voltaram às prateleiras, com encarte completo (na edição anterior ele havia sido suprimido/reduzido), letras de todas as músicas e textos - mesmo que a versão original não as tivesse - e texto interno com a história do álbum redigido pelo jornalista e crítico musical Rodrigo Faour, pois há muito tempo estavam fora de catálogo.

Ainda em 2006, lançou dois álbuns simultaneamente: Pirata, onde canta os rios do interior do Brasil, lançado três anos antes, e Mar de Sophia, onde canta o mar a partir de versos da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner. A turnê de promoção dos dois discos foi batizada de Dentro do Mar tem Rio, com direção de Bia Lessa e roteiro do fiel colaborador Fauzi Arap, originando o álbum duplo homônimo, lançado em 2007.

Lançou em 2007 pela Biscoito Fino o DVD duplo que contempla dois documentários sobre a artista: Pedrinha de Aruanda e Bethânia Bem de Perto. Este primeiro é um registro da intimidade da cantora, tendo como ponto de partida a comemoração do seu aniversário de sessenta anos, celebrados durante uma apresentação em Salvador e uma missa em Santo Amaro, sua cidade natal, em 2006.

Ainda em 2007, novamente é a maior vencedora do Prêmio Tim,[carece de fontes?] mas desta vez empatou com Marisa Monte. Bethânia, mais uma vez, compareceu à cerimônia, e levou para casa os troféus de melhor cantora, melhor disco (Mar de Sophia), melhor projeto gráfico (Pirata) e melhor canção ("Beira-mar", do CD Mar de Sophia).

Em 2008, junta-se à cantora cubana Omara Portuondo e segue em turnê pelo Brasil e países vizinhos, como Argentina e Chile; nos dias 4 e 5 de abril foi gravado o DVD ao vivo em Belo Horizonte no Palácio das Artes, sob a direção de Mário de Aratanha e a produção musical de Moogie Canázio, originando também um CD.

Em 2009, lançou o DVD Dentro do Mar tem Rio, registro do show ao vivo gravado nos dias 7 e 8 de dezembro de 2007, em São Paulo, com direção de Andrucha Waddington. No mesmo ano, lança na Gafieira Estudantina os trabalhos Encanteria, onde canta as mais variadas formas de fé (pelo selo Quitanda) e Tua, com canções românticas (pela Biscoito Fino); ambos são compostos por canções inéditas. O repertório do espetáculo calcado na divulgação dos dois trabalhos é composto por estas faixas intercaladas a antigos sucessos da artista. Seu título é batizado com três nomes que, segundo ela,[carece de fontes?] foram herdados de sua tradição familiar: Amor, Festa e Devoção.

Anos 2010[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2010, após décadas sem se apresentar em um programa de TV, Maria Bethânia prestou uma homenagem ao cantor e compositor Erasmo Carlos durante a edição especial do Programa Altas Horas pela passagem dos 50 anos de carreira do artista. Na ocasião, ela interpretou "As Canções que Você Fez pra Mim" e "Sentado à Beira do Caminho". O DVD Carta de Amor, lançado em 2013, traz uma turnê baseada no álbum Oásis de Bethânia. O DVD tem seu título incorporado em um poema-canção escrito pela própria cantora. Em 2014, a faixa-título foi indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção Brasileira.[8]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Em março de 2011, a cantora se viu em meio a uma polêmica devido à autorização dada pelo Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, para captar a quantia de R$ 1,3 milhão para a produção de um blog na internet. O fato provocou significativa reação em sites como Twitter e YouTube, onde diversos internautas gravaram vídeos protestando contra a autorização.

Caetano Veloso defendeu Bethânia apontando que projetos de diversos outros artistas, conhecidos e desconhecidos, tiveram autorização para captar quantias maiores.[9] Por fim, em setembro de 2011, a cantora veio a público afirmar que desistiu de participar do blog no qual recitaria poesias famosas diariamente devido a seu projeto de lançamento de um novo CD com canções inéditas.[10]

Religião[editar | editar código-fonte]

Maria Bethânia é uma católica devota, mas ao mesmo tempo também se mantém fiel a crenças do Candomblé.[11] Participou na missa de homenagem à fadista portuguesa Amália Rodrigues, na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, em 21 de Julho de 2010.[12]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Videografia[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Turnês[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Maria Bethânia .::. Fã Clube Rosa dos Ventos. Visitado em 24 de Janeiro de 2010.
  2. Veloso, Caetano (Outubro 2012). As 100 Maiores Vozes da Música Brasileira - Maria Bethânia Rolling Stone Brasil Spring. Visitado em 13 de Outubro de 2014.
  3. Fernandes, Bob (2009-03-20). BA: Aos 101 anos, D. Canô Velloso publica livro de memórias Terra Magazine (Portuguese). Visitado em 2013-01-01.
  4. a b Perfis / Maria Bethânia caras.uol.com.br. Visitado em 12 de Fevereiro de 2013.
  5. a b c d "Maria Bethânia", http://cliquemusic.uol.com.br/. Página visitada em 24 de agosto de 2013.
  6. a b EDU E BETHÂNIA - 37 - ELENCO revivendomusicas.com.br/. Visitado em 11 de setembro de 2013.
  7. Maria Bethânia, A Rainha http://marchesoni.fotoblog.uol.com.br/.+Visitado em 11 de setembro de 2013.
  8. Nominados - 15a Entrega Anual del Latin Grammy (em espanhol). Visitado em 13 de outubro de 2014.
  9. Veloso, Caetano. Caetano Veloso sai em defesa de Maria Bethânia na polêmica sobre blog Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/caetano-veloso-sai-em-defesa-de-maria-bethania-na-polemica-sobre-blog-2805071#ixzz2ECmN1cXk © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. O Globo. Visitado em 05/12/2012.
  10. [1]
  11. Entrevista concedida à revista Playboy, 1996
  12. Maria Bethânia encanta na missa de homenagem a Amália Rodrigues, Jornal Digital, 21 de Julho de 2010
  13. “Maria Bethânia Guerreira Guerrilha“ no site da Debê Produções

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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