João Gilberto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
João Gilberto
Informação geral
Nome completo João Gilberto Prado Pereira de Oliveira
Nascimento 10 de junho de 1931 (83 anos)
Origem Juazeiro, Bahia
País  Brasil
Gênero(s) Bossa nova, samba
Instrumento(s) Vocal, violão
Período em atividade 1950 - atualmente
Afiliação(ões) Tom Jobim
Vinicius de Moraes
João Donato
Stan Getz
Astrud Gilberto
Bebel Gilberto
Página oficial http://www.joaogilberto.com/

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931), conhecido como João Gilberto, é um cantor, violonista e compositor brasileiro. Tido como o pioneiro criador da bossa nova, é considerado um gênio e uma lenda viva da música popular brasileira[1] .

Desde o lançamento do compacto que continha Chega de Saudade e Bim Bom, munido apenas da voz e do violão, começou uma revolução na música brasileira[2] e na música mundial. Dono de uma sonoridade original e moderna até hoje, João Gilberto foi o artista que levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão. Tido como um dos maiores influentes do jazz americano no século XX, ganhou prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio a beatlemania.

Desde pequeno, João já mostrava que possuía um ouvido privilegiado. Aos sete anos, percebeu um erro na execução da organista da igreja em meio às dezenas de vozes do coro[3] . Começou a carreira aos dezoito anos, em Salvador. No ano seguinte, convidado para virar crooner do conjunto Garotos da Lua.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Filho de Juveniano Domingos de Oliveira, um próspero comerciante, e Martinha do Prado Pereira de Oliveira[4] , João, conhecido na época como Joãozinho da Patu, nasceu em Juazeiro, sertão da Bahia, nas margens do Rio São Francisco. Lá, viveu na cidade até 1942, quando passou a estudar em Aracaju, Sergipe, sempre tocando na banda escolar[4] . Em 1946, voltou a Juazeiro, onde teve a oportunidade de escutar de Orlando Silva, Dorival Caymmi e Carmen Miranda a até Duke Ellington, Tommy Dorsey e Charles Trenet nos alto-falantes da cidade. Teve também contato com música em casa, já que seu Juveniano tocava cavaquinho e saxofone como amador, além de incentivar financeiramente a Banda de Música 22 de Março. Nessa época, João costumava formar conjuntos vocais com os colegas de escola.

Aos sete anos, percebeu um erro na execução da organista da igreja em meio às dezenas de vozes do coro[3] , mostrando, desde a infância, o ouvido privilegiado que possuía.

Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão do pai[4] . Ainda em Juazeiro, formou um conjunto vocal chamado Enamorados do Ritmo[4] . Seu maior ídolo na época era Orlando Silva, em quem se espelhava para cantar.

Começou, aos 18 anos, em Salvador, a vida de artista no cast da Rádio Sociedade da Bahia, aonde chegou a gravar com orquestra[4] .

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Convidado para integrar o conjunto vocal Garotos da Lua, em 1950, João Gilberto parte para o Rio de Janeiro. No ano seguinte, com o destaque na rádio, os Garotos da Lua gravaram dois discos de 78 rpm. Entretanto, com um início de carreira turbulento, marcado por atrasos, João acabou despedido do grupo. Pouco depois, em 1952, teve oportunidade de gravar um disco solo para a gravadora Copacabana, marcado pela semelhança do canto de João com o de Orlando Silva em seu auge, com vozeirão e uso de artifícios técnicos como vibratos, a mesma divisão de palavras e o mesmo “sentimento”. Curiosamente, João canta sem violão, que viria a se tornar tão ligado a imagem de João no futuro. O disco, no entanto, não alcançou nenhum sucesso, Orlando era antiquado e moderno era Dick Farney e Lúcio Alves.

Na época, João namorava a futura cantora Sylvia Telles.

Oportunidades surgiram e Lúcio Alves sugeriu a Rádio Nacional que João gravasse um acetato contendo "Just one more chance", de Sam Coslow e Arthur Johnson em versão de Haroldo Barbosa chamada "Um minuto só".

Em 1953, teve sua primeira composição gravada, "Você esteve com meu bem", parceria com Russo do Pandeiro, na voz de Marisa Gata Mansa, sua namorada à época. A gravação contou com acompanhamento de João ao violão, ainda sem a famosa batida da bossa nova.

Durante esses anos, João Gilberto chegou a gravar alguns jingles no estúdio de Russo do Pandeiro, como um para a Toddy, de letra "Eu era um garoto magricelo/ Muito feio e amarelo.// Toddy todo dia ele tomou/ Engordou e melhorou/ Forte ficou.// As garotas agora me chamam bonitão/ No esporte eu sou campeão". Tocava também em festas da sociedade, com cachês irrisórios.

Em 1954, João conheceu Carlos Machado, o Rei da Noite, e com ele consegue participar do show "Esta vida é um carnaval", na boate Casablanca, com participação de Grande Otelo, Ataulfo Alves, a bateria da Império Serrano, entre outros artistas. João cantava em coro em uma cena e em outra cantava como solista um samba de Sinhô, "Recordar é viver", além de fazer pequenas aparições teatrais. O espetáculo foi um sucesso de crítica e público. Nesse mesmo ano, se juntara ao conjunto Quitandinha Serenaders. No grupo, conheceu Luiz Bonfá, Alberto Ruschel e Luís Telles, que se tornou um grande amigo de João. Chegou a integrar o conjunto Anjos do Inferno, em uma curta temporada paulista.

A consagração, no entanto, não viria a João ainda nestes anos.

Em 1955, João dirige-se a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com seu amigo Luís Telles. Lá, conheceu Armando Albuquerque, compositor, pianista, violinista, professor, musicólogo e amigo de Radamés Gnatalli, com quem passou horas estudando música, principalmente harmonia[5] . Depois de oito meses, João decide se dirigir a Diamantina, Minas Gerais, para viver com a irmã Dadainha, recém casada e com uma filha recém nascida. Durante os estudos, João percebeu que, se cantasse mais baixo, sem vibrato, poderia adiantar ou atrasar o canto em relação ao ritmo, desde que a batida fosse constante, criando assim seu próprio tempo[6] . Depois de sete meses em Diamantina[7] , João partiu para Juazeiro, onde passa dois meses com a família. Lá, compõe Bim Bom[8] , confiante de que havia encontrado a batida que queria. Vai a Salvador, capital do estado, e por lá permanece por alguns dias. No início de 1957, João Gilberto parte para o Rio de Janeiro, para sua consagração.

A apresentação da batida[editar | editar código-fonte]

Chegando ao Rio de Janeiro, em 1957, João, com 26 anos, procurou mostrar sua nova técnica aos músicos e, quem sabe, conseguir gravar. Apresentou-se para vários músicos, intrigando alguns, entre eles Tito Madi e Edinho, do Trio Irakitan, mas encontrou seu caminho ao se apresentar para Roberto Menescal, em história já conhecida e consagrada. Em meio a uma grande festa, Menescal abre a porta para um sujeito que pede um violão. Surpreso com o pedido e diante de insistência, Roberto Menescal acaba por levar aquele que era João Gilberto para o quarto. Lá, João apresenta Bim Bom e encanta o jovem Menescal, que foge da festa dos pais e parte para uma pequena turnê pelo Rio de Janeiro, apresentando a nova batida para gente como Ronaldo Bôscoli e em lugares como o apartamento de Nara Leão[9] . João explicou algumas de suas novas técnicas a Menescal e Bôscoli: a mão direita tocava acordes, e não notas, produzindo harmonia e ritmo ao mesmo tempo. Além disso, utilizava-se de técnicas de respiração de ioga, o que lhe permitiu alongar frases melódicas sem perder o fôlego.

Nessa época, João se apresentou na casa de Chico Pereira, que gravou a apresentação em um gravador Grundig. Essa gravação, adquirida de japoneses por um fã sueco e remasterizada por um engenheiro de som francês[10] caiu na internet em 2009[11] , causando grande reboliço em blogs dedicados à música e em fãs de bossa nova. Chico ainda ajudou João a se aproximar de Tom Jobim, que trabalhava na gravadora Odeon, para gravar um disco. Ele se encantou principalmente com o violão de João, vendo ali uma oportunidade de modernização do samba, através da simplificação do ritmo e da inclusão de novas harmonias, principalmente algo mais funcional, modalismo[12] , criando liberdade para os arranjos[13] . Entusiasmado, Tom apresenta a João uma nova composição que fizera há um ano com o poeta Vinicius de Moraes, mas que estava encostada, chamada Chega de Saudade.

Existem registros de fitas gravadas de forma amadora também pelo cantor Luís Cláudio.[14]

João passou a ficar conhecido no meio musical carioca. Chegou a tocar junto de Severino Filho e Badeco, dos Cariocas, Chaim e João Donato, com quem compôs Minha Saudade, que logo se tornou um standart do período. João tocava regularmente na boate do hotel Plaza, que começou a ser ponto de encontro de músicos. Lá, João tocava junto de Milton Banana, que adequou sua bateria ao estilo de João, tocando baixo, com uma escova e a baqueta no aro da caixa. Tom Jobim era assíduo frequentador da boate, aonde ia para escutar João Gilberto.

O disco que mudou tudo[editar | editar código-fonte]

O ano de 1958 foi um marco para a música popular brasileira. Em julho, Elizete Cardoso lança o famoso LP Canção do Amor Demais, contendo músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O disco, entretanto, entraria na história da música popular brasileira por outro motivo: João Gilberto acompanhava Elizete ao violão nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez, sendo essas as primeiras gravações da chamada "batida da bossa nova". Esse disco, no entanto, não pode ser considerado o pioneiro da bossa nova, uma vez que Elizete era uma cantora presa ao samba-canção, com ênfases óbvias e gastas no canto[15] . Em agosto, João lança um disco de 78 rpm contendo Chega de Saudade e Bim Bom, gravado na Odeon, com apoio de Tom Jobim, Dorival Caymmi e Aloysio de Oliveira. Este disco inaugura o gênero da bossa nova, e logo se torna um sucesso comercial. Sua gravação teve arranjos de Tom Jobim, participação de orquestra e de Milton Banana, entre outros artistas. João inovou ao pedir dois microfones para gravar: um para a voz e outro para o violão. Desse modo, a harmonia passou a ser mais claramente ouvida[16] . O disco estourou primeiro em São Paulo, o principal mercado do país na época. Foi um sucesso de vendas e primeiro lugar nas rádios. João participa, então, de programas de rádio e TV, dá entrevistas, faz shows. Logo o sucesso parte para o Rio. Em 1959, João lança mais um 78 rpm, dessa vez contendo Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e Hô-bá-lá-lá, composição própria. Em março, lança o LP Chega de Saudade, que vira um sucesso de vendas. Diz-se que após conhecer João, Ary Barroso aconselhou-o: "Faça exatamente o que você quer!"[17] .

A importância deste primeiro disco de João Gilberto é mostrada por Tom Jobim já no texto de contracapa do LP: "Em pouquíssimo tempo, (João) influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores[18] "[19] .

1959-1962[editar | editar código-fonte]

Chega de saudade[editar | editar código-fonte]

Após o lançamento do LP Chega de Saudade, a nova batida do violão tornou-se moda entre os jovens secundaristas e universitários, encantados com o violão de João Gilberto. Esse disco influenciou a geração de João e a geração seguinte de jovens que, depois de ouvir Chega de Saudade, decidiram-se pela carreira de músico. Entre os jovens estavam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento[20] , Edu Lobo, Francis Hime, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor, Paulinho da Viola, entre outros[21] . Esse disco criou a mais completa reviravolta na música popular brasileira[21] . João sintetizou a MPB em seus termos fundamentais: ritmo, harmonia, batida de violão e técnica de canto[21] . Além disso, seu estilo, apesar de revolucionário, não rompeu com a música do passado, vez que gravou em seus discos velhas composições de Ary Barroso, Geraldo Pereira, Dorival Caymmi e sucessos de Orlando Silva[21] . Chamado de recompositor pela músico Luiz Tatit, João transformou velhas canções em novas, segundo sua concepção. Jobim define o estilo de João como uma forma leve extensível a qualquer música brasileira[21] . João Gilberto define como marca harmônica inédita a economia. Os arranjos de Tom Jobim, por exemplo, usam como guia o violão de João, que concentrava a fluidez rítmica e melódica[21] . Introduziu-se, nesse LP, o uso de acordes invertidos executados em bloco[21] . A canção Chega de Saudade, inicialmente, era um chorinho, e João a transformou num samba enxuto, com o violão deixando de ser mero acompanhamento e dividindo o primeiro plano com a voz[22] .

Com esse disco, João Gilberto deixa para trás o João pré-bossa do Rio e parte para sua consagração. Participou do programa "Noite de Gala", da TV Rio, dirigido por Luís Carlos Miele[23] . Ainda em 1959, casou-se com Astrud Evangelina Weinert, que ficou conhecida como Astrud Gilberto, e com ela teve um filho, João Marcelo, em 1960. João gravou uma participação no 78 rpm de Luiz Cláudio, acompanhando-o ao violão, na primeira gravação da canção Este Seu Olhar, de Tom Jobim, que tocou piano e fez o arranjo para a gravação, reeditada em 2005 na coletânea "Este Seu Olhar", CD lançado pelo selo Revivendo do pesquisador Leon Barg.[24] . Gravou três canções da trilha sonora do filme Orfeu de Carnaval, ou Orfeu Negro, lançadas em um compacto-duplo pela Odeon. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, João Gilberto não teve participação alguma na trilha sonora original do filme. Fez, também, shows na boate Meia Noite do Copacabana Palace e no Country Club do Rio de Janeiro. Em 1960, com a febre da batida de João, realizam-se vários festivais de bossa nova pelo Rio, como no Grupo Universitário Hebraico, na Escola Naval, na Rádio Globo - transmitido ao vivo -, e no Teatro de Arena da Faculdade Nacional de Arquitetura, este último com participação de João Gilberto e Chico Pereira, que gravou o espetáculo, além de presença de Vinicius de Moraes e Tom Jobim e ampla cobertura da mídia. Participou do programa "Brasil 60", na TV Excelsior, com quem contracenava e fazia dueto com Orlando Silva[25] , seu antigo ídolo, e teve um programa próprio, chamado Musical Três Leões, na TV Tupi, em São Paulo. João ainda participou do show de inauguração da TV Excelsior. Infelizmente, não há registro de gravações de vídeo ou áudio dessas apresentações[26] [27] . Todos os novos músicos ligados ao movimento da bossa nova copiavam o modo de tocar e cantar de João. João ainda se apresenta em Minas Gerais, Salvador (com presença de Vinicius de Moraes), faz temporada na boate Arpège, no Leme, Rio de Janeiro e grava um jingle para a Lever, atual Unilever.

O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961)[editar | editar código-fonte]

Ainda em 1960, João Gilberto gravou seu segundo LP, O Amor, o Sorriso e a Flor, que no ano de 1962 chegou aos Estados Unidos. Começa a exportação da moderna música brasileira. Esse LP trouxe outra inovação: a contracapa trazia as letras das músicas, que passou a ser característica dos discos brasileiros[21] . Vale o destaque da composição de Tom Jobim, o Samba de uma nota só, síntese da bossa nova nos fundamentais elementos de letra, melodia, ritmo e harmonia[21] .

Em 1961, gravou seu terceiro álbum, João Gilberto. Seu terceiro LP foi gravado em duas fases: a primeira com Walter Wanderley e seu conjunto; a segunda, com orquestra sob regência de Tom Jobim. Os velhos sambas voltam, mas alterados de tal forma, rítmica e harmonicamente, que soavam como novos sambas[21] . Entre os efeitos usados por João, está o rubato, no qual se apressa ou encurta frases, cantando em tempo ligeiramente diferente do acompanhamento, "roubando" algum tempo das notas, para depois aguardar com o violão e seguir normalmente. Foi neste disco também que João, pela primeira vez, gravou sozinho, apenas com o violão[21] . Aparentemente, existem duas faixas gravadas e não lançadas no disco, segundo o músico Bebeto, ex-Tamba Trio. Ele afirma que uma das gravações é Falseta, de Johnny Alf[28] . Com a gravação desse terceiro LP, João se eterniza na música popular brasileira, em tão pouco tempo influenciou tanto[29] . A edição americana desse disco teve uma nova gravação de Este Seu Olhar, com a melodia modificada, aparentemente por problemas de direito autoral.

Neste ano, em uma série de apresentações em São Paulo, João mostra que é unanimidade na capital paulista. Apresentou-se para 1500 pessoas na Universidade Mackenzie, lotou o teatro do clube Harmonia e do clube Pinheiros[26] .

A batida chega nos Estados Unidos. Lena Horne canta Bim Bom em português no Copacabana Palace, dizendo-se fã de João Gilberto. Em Washington, na rádio WMAL, o disc jockey Felix Grant programa para tocar diariamente os discos de João, fato que provocou impacto nos músicos e aficionados de jazz[30] . João é considerado um fenômeno pelos jazzistas. Herbie Mann declara que João Gilberto atraiu a atenção dos americanos sobre a música brasileira[30] . A revista Life en Español, em ampla matéria de Joaquín Segura, do dia 29/10/1962, apresenta a bossa nova de João Gilberto aos Estados Unidos[30] , "Nota de Actualidad BOSSA NOVA - Del Brasil llega a los EE.UU. una música contagiosa". O jornalista descreve viagens ao Brasil de astros do jazz como Dizzy Gillespie, Charlie Byrd, Herbie Mann e voltam tentando imitar o violão e a voz de João Gilberto, descrito pelo jornalista como expoente máximo da bossa nova. Bim bom, Ho Ba La La e Um Abraço no Bonfá, composições de João, começam a chegar na França. Durante estes anos, João chegou a se apresentar no Uruguai e na Argentina, suas primeiras apresentações no exterior.

O Encontro do Au Bon Gourmet[editar | editar código-fonte]

Em 1962, faz o histórico show O Encontro no restaurante Au Bon Gourmet, localizado em Copacabana, ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Os Cariocas, Milton Banana e Otávio Bailly, sob direção de Aloysio de Oliveira. Foi a única vez que Vinicius, João e Tom se apresentaram no mesmo palco. A temporada durou um mês, estendido por duas semanas devido ao sucesso. O público se constituía da alta sociedade carioca e círculos de artistas[31] . O show foi marcante pelo fato de ter sido a estreia de grandes sucessos da bossa nova. Entre eles, Só Danço Samba, Samba da Benção, O Astronauta, Samba do Avião e Garota de Ipanema, que nessa ocasião especial teve um introdução inédita escrita por Tom, Vinicius e João[31] . João inovou na canção Corcovado, composição de Tom Jobim, ao trocar o verso "um cigarro, um violão", por "num cantinho, um violão"[31] , como ficou consagrado. A repercussão na mídia da época foi grande, com várias capas de revista e elogios em jornais[32] .

João Gilberto fez uma pequena participação no LP José Vasconcelos conta histórias de bichos, da ODEON, na canção A Roupa do Leão.

Pelo mundo[editar | editar código-fonte]

Concerto no Carnegie Hall[editar | editar código-fonte]

Em 1962, João participa de concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, produzido pela Audio Fidelity Records e patrocinado pelo Itamaraty, com o objetivo de promover a bossa nova nos Estados Unidos. Além de João, participaram Luiz Bonfá, o conjunto de Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Tom Jobim, entre outros[33] [34] .

No dia 21 de novembro de 1962, três mil pessoas lotavam o Carnegie Hall, esperando ouvir, principalmente, Tom Jobim e João Gilberto. Entre os espectadores estavam Tony Bennett, Peggy Lee, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Gerry Mulligan, Erroll Garner e Herbie Mann. Havia grande presença da imprensa americana, estimada em trezentos repórteres, fotógrafos cinegrafistas e críticos especializados do mundo inteiro[35] , além de uma rádio que transmitia para Moscou e da Rádio Bandeirantes, que transmitia para o Brasil[36] . O show também foi filmado por uma TV americana, que posteriormente pôde ser exibido na TV Continental e na TV Tupi, no Brasil. A performance de João foi elogiada pela mídia americana, em reportagens de veículos como The New Yorker, Newsweek, Time, The New York Times e Down Beat[37] . Apesar de ser um cantor e violonista brasileiro, cantando em português músicas desconhecidas para um exigente público formado por músicos e críticos, João conquistou os Estados Unidos[38] .

Apesar de alguns problemas de organização e com os equipamentos de som e com o excesso de apresentações, João Gilberto, Luiz Bonfá e Tom Jobim foram os destaques da noite.

Depois do episódio, João fez uma temporada pela boate Blue Angel, apresentou-se no Village Gate de Nova Iorque e no Lisner Auditorium de Washington. A partir daí, João passa a residir no exterior e começa a difundir a moderna música brasileira pelo mundo[39] .

Seara Vermelha[editar | editar código-fonte]

No Brasil, é lançado o filme Seara Vermelha, que inclui, na trilha sonora, uma composição de João em parceria com Jorge Amado, composta nos anos 50, de nome Lamento da Morte de Dalva na Beira do Rio São Francisco, em Juazeiro[40] . Quando estavam compondo, João cantou infinitamente a melodia na casa de Jorge Amado. A mulher de Jorge, Zélia Gattai, diz que, de tanto ouvir, o sofrê do casal aprendeu a melodia e começou a cantar. João acabou fazendo um dueto com o pássaro[41] .

A letra da música permaneceu inédita durante anos, sem nunca ter sido gravada.

Getz/Gilberto[editar | editar código-fonte]

Nos dias 18 e 19 de março de 1963, na A&R Studios, em Nova Iorque[42] , João se juntou a Stan Getz, Astrud Gilberto, Tom Jobim, Milton Banana e Tião Neto para gravar o disco Getz/Gilberto, produzido por Creed Taylor para a gravadora Verve e tendo Phil Ramone como engenheiro de som, que entrou para a história da música mundial por gravações como Corcovado e Garota de Ipanema. O disco, entretanto, ficou um ano esperando para ser lançado, devido à saturação de lançamentos de bossa nova nos Estados Unidos.

Tião Neto chegou a dizer, antes do lançamento, que esse seria o melhor disco de bossa nova gravado até então[43] .

Ainda esse ano, João foi homenageado por diversos jazzistas e pelo cantor Jon Hendricks, que gravou o disco Salud! João Gilberto – Originator of the Bossa Nova e, ao escutar as gravações de João, teve uma grande lição de canto.

Apresenta-se com Getz no Canadá.

Um ano depois da gravação, 1964, é lançado Getz/Gilberto no mercado. O sucesso é imediato. Logo começa a ser louvado por críticos, músicos de jazz e aclamado pelo público, que faz dele o segundo álbum mais vendido do ano[44] . No ano seguinte, o disco concorre em nove categorias e vence 4 prêmios Grammy: por melhor álbum do ano (com as estatuetas concedidas a Stan Getz, João Gilberto e ao produtor Creed Taylor), melhor gravação do ano (a versão de "Girl from Ipanema" lançada em compacto, sem a letra em português, e somente com a letra em inglês cantada por Astrud Gilberto), melhor solista de jazz (Stan Getz) e melhor engenharia de som (para Phil Ramone), com Garota de Ipanema[45] .

É aclamado como bossa nova verdadeira e é best-seller durante anos, nos Estados Unidos e mundialmente. Atinge as paradas de sucesso na Itália, onde João recebe o mais importante prêmio da crítica musical italiana, por unanimidade[46] .

A gravação de Garota de Ipanema chega a ser o single mais tocado nas rádios americanas[47] .

Atualidade do disco[editar | editar código-fonte]

Hoje, o disco é um clássico da discografia mundial e mantém-se influente e atual[43] . Gerações de jazzistas americanos foram influenciados por ele.

Em 1999, a National Academy of Recording Arts & Sciences concede ao disco o prêmio Grammy Hall of Fame.

Em 1993, o disco foi relançado em CD na Europa pela gravadora CTI, distribuida pela empresa alemã Zyx Music, dentro da série "Grammy Award Winners", com a remasterização realizada a partir de fitas do acervo do produtor Creed Taylor que se encontravam em melhor estado de conservação. Por questões jurídicas, o CD teve sua capa modificada e seu nome alterado para "The Girl From Ipanema" (número de catálogo PDCTI 1105-2).

Em 2004, a gravação de Garota de Ipanema do disco foi escolhida pelo Congresso Americano para integrar um acervo da Biblioteca do Congresso Americano por ser cultural, histórica e esteticamente significante para as gerações futuras[48] [49] . A música foi escolhida por ter uma melodia facilmente reconhecível em qualquer parte dos Estados Unidos e por ser, portanto, muito popular[50] .

Turnê pela Europa[editar | editar código-fonte]

Ainda em 1963, João parte com João Donato, Tião Neto e Milton Banana para a Europa. Primeiro, na Itália, apresentaram-se em Roma, no Foro Italiano. Lá, gravaram também uma série de TV. Parte, depois, para Viareggio, ainda na Itália, para fazer uma temporada na boate Bussola. Nessa boate, João conheceu o bolero Estate, que anos depois João gravaria em disco e transformaria em standart do jazz.

João começa a sentir espasmos musculares na mão direita. A temporada na Itália é encerrada pelo fato e o grupo recusa apresentações na Tunísia. João parte para Paris para se tratar com um famoso médico acupunturista. Lá, já separado de Astrud, João conhece Miúcha, na época estudante. Volta, então, para Nova Iorque.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

De volta para Nova Iorque, João trata os espasmos com médicos americanos em um longo tratamento fisioterápico. João recebe críticas positivas sobre Getz/Gilberto na revista LIFE. O crítico americano Chris Welles cita o violão sincopado e a voz macia e sensual de João como a verdadeira beleza do álbum[51] . Miles Davis diz que João Gilberto pode ler um jornal que soaria bem[51] .

No fim do ano, João volta ao Carnegie Hall, desta vez com Stan Getz, concerto que resultou no disco Getz/Gilberto #2. Além disso, João se apresentou em diversos clubes de Nova Iorque, como o Village Vanguard, o Village Gate, Town Hall, e o Bottom Line, além de excursionar em cidades como Washington, Boston, e Los Angeles. Apresenta-se também na Califórnia, em temporada na boate El Matador e no Teatro Santa Monica. O The San Francisco Chronicle de 10/09/1964 publicou um artigo do crítico Ralph J. Gleason no qual chamava João de extraordinário cantor e violonista, sobrevivente do show business da música americana e centro de gravidade da bossa nova, grande expoente de arte e talento[52] .

Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1965, João e Miúcha se casam. Nesse ano, ainda passa rapidamente pelo Brasil, onde se trata com um foniatra, por causa de um problema de voz.

Em 1966, se apresenta três vezes no programa O fino da Bossa, comandado por Elis Regina, na TV Record. Apresentado como astro internacional por Elis, João é ovacionado por uma platéia admirada. Entretanto, ele percebe a ausência de retorno do palco, o recurso usado para o artista se ouvir ao tocar, e para na terceira música[26] .

Nessa rápida passagem pelo Brasil, João reclama da nova produção musical que estava sendo feita nacionalmente.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Ainda esse ano, nasce, em Nova Iorque, sua filha Isabel, conhecida como Bebel Gilberto. É lançado o disco Getz/Gilberto #2, que possui um verbete no Encyclopedia of Jazz in the Sixties, famosa enciclopédia sobre jazz, de Leonard Feather, na qual João é apresentado como um músico que influenciou profundamente o jazz desde sua chegada aos Estados Unidos[52] . A revista DownBeat cita João como o músico mais influente no jazz dos últimos quarenta anos.

Em 1967, João participa de um programa de TV alemão dedicado a Gilbert Bécaud, sendo o único convidado não europeu. Apresenta-se também no Village Vanguard de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles[52] .

Em 1968, apresenta-se no Central Park de Nova Iorque e no Bird's Nest de Washington[53] .

João ganha um verbete na enciclopédia italiana Il Jazz, que o trata como uma das mais belas vozes do último decênio e grande artífice da afirmação de uma linguagem musical julgada como uma das mais originais e válidas daqueles tempos[54] .

Volta a Nova Iorque, onde se apresenta no Rainbow Grill. Na ocasião, declara ao crítico John S. Wilson, do New York Times, que quando canta, João pensa num espaço claro e aberto, onde se coloca os sons. Como se fosse desenhar num papel em branco. Para isso, segundo João, é necessário completo silêncio.

México[editar | editar código-fonte]

Em 1969, João Participa de festivais de jazz em Guadalajara, Guanahuapi, Cidade do México e Pueblo. João passa, então, a morar na Cidade do México. Durante a estadia, apresenta-se na boate Forum, onde faz temporada, e no Museu da Cidade do México, onde recebe um prêmio, o Troféu Chimal.

Em 1970, lança o disco En Mexico, recheado de boleros como "Besame Mucho" e "Farolito" e com arranjos de Oscar Castro Neves. Deste disco, Caetano Veloso cita a canção "O Astronauta" como a descoberta de uma obra-prima que João trouxe à tona[55] .

1971 - 1979[editar | editar código-fonte]

Em 1971, faz passagem pelo Brasil, quando grava na TV Tupi um especial com Caetano Veloso e Gal Costa, organizado por Fernando Faro. João cantou sentado no chão e chegou até a jogar pingue-pongue, esporte que era mestre[26] . As imagens desse especial se perderam num incêndio na sede da TV Tupi, mas aparentemente os fonogramas foram salvos.

Retorno a Nova Iorque[editar | editar código-fonte]

João Gilberto volta a residir em Nova Iorque em 1972. Faz outra temporada no Rainbow Grill, desta vez com Stan Getz, que foi um sucesso[56] .

Em 1973, lança o álbum João Gilberto, conhecido como o álbum branco, gravado apenas com voz, violão e uma leve bateria de Sonny Carr. Nesse álbum, João grava sua composição com Jorge Amado. Desta vez, entretanto, retira a letra de Jorge e repete hipnótico e incessantemente o neologismo "undiú", que dá nome a música. João interpreta a canção com solfejos e violão[57] . Em "Baixa do Sapateiro", composição de Ary Barroso, João sola a canção ao violão apenas com acordes, descrito por Guinga como um solo ao avesso, de dentro do braço do violão, um passo adiante na história[58] . É curiosa a história em que o baterista Sonny Carr] toca as vassourinhas sobre um cesto de lixo de vime[59] .

Em 1976, lança o álbum The Best of Two worlds, com Stan Getz e participação de Miúcha. Faz temporada no Keystone Korner, em San Francisco, com Stan Getz.

Em 1977, lança Amoroso e é indicado ao Grammy na categoria Melhor Performance Vocal de Jazz. Lança, pela primeira vez, a canção Estate, do italiano Bruno Martino, que, após a gravação de João Gilberto, torna-se um standart da música mundial, sendo regravado por diversos artistas, como Chet Baker, Toots Thielemans e Michel Petrucciani[60] . O álbum, com arranjos de Claus Ogerman, virou um clássico, marcado pela volta de João às paradas de sucesso do Brasil[61] . João, na época do lançamento, estava encantado com o disco. A captação de som da voz e do violão, o equilíbrio com a orquestra e os arranjos de Claus Ogerman foram muito elogiados[62] .

Faz uma temporada de shows no Bottom Line de Nova Iorque. Os shows foram um sucesso de público e crítica[63] . Uma das espectadoras foi Jacqueline Onassis, que declarou para João ser admiradora atenta e antiga[64] .

Nesse mesmo ano, João se apresenta no Great American Music Hall, de San Francisco e numa série de shows na boate Roxy, de Los Angeles.

Em 1978, grava um especial televisivo para uma TV holandesa e volta ao Brasil, trazido pela TV Tupi. Causa furor na imprensa com sua chegada em São Paulo. Faz show no Teatro Castro Alves, Salvador, e no Teatro Municipal de São Paulo, onde grava um especial de TV. Volta novamente ao Carnegie Hall, desta vez com Charlie Byrd e Stan Getz, para o Newport Festival in New York.

Volta definitiva ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Chega ao Rio de Janeiro em 1979, para um temporada de shows, que acabou cancelada por problemas técnicos da casa de espetáculos Canecão. A última vez que João havia feito um show no Rio foi no show O Encontro, de 1962. João declara que apenas procura o som mais integrado e que está ansioso em tocar no Brasil[65] .

Desta vez, volta a residir no Brasil em definitivo.

Em 1980, João grava um especial para a TV Globo chamado João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, que virou disco mais tarde. Gravado ao vivo no Teatro Fenix, do Rio de Janeiro, para a Série Grandes Nomes, batizado sempre com o nome completo do artista. No repertório apresentado, de Ary Barroso e George Gershwin, a clássicos da bossa nova, com a surpresa da participação especial de Rita Lee em Jou Jou Balangandãs, de Lamartine Babo. O show teve acompanhamento da Orquestra da Rede Globo, com arranjos de João Donato, Dori Caymmi, Guto Graça Mello e Claus Ogerman.

João grava também uma participação especial no disco de Miúcha.

Álbum Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1981, João lança o disco Brasil, com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. O disco tem João Gilberto como guia, "mestre" - como colocou Sérgio Vaz em uma coluna no Jornal da Tarde[66] - sua voz é seguida pelas de Gilberto Gil e Caetano Veloso, em uníssono, parecendo três vozes de João. Maria Bethânia, quando aparece, canta de uma forma que jamais cantou: não há gritos, gemidos ou drama, apenas há o canto[66] . O disco foi bem recebido pela crítica.

Em 1982, João grava uma participação especial no disco de Rita Lee.

Faz concertos no Teatro Castro Alves e grava um especial na TV Bandeirantes chamado "João Gilberto: A arte e o ofício de cantar", com participação de Ney Matogrosso[67] .

Em 1983, João se apresenta no Festival de Águas Claras, em São Paulo.

Faz concerto em Roma, para o Festival Bahia de Todos os Sambas, exibido pela TV RAI.

Em 1984, João faz uma temporada no Coliseu dos Recreios, de Lisboa.

Em 1985, participa do 19° Festival de Jazz de Montreux , na Suiça.

Em 1986, chega ao Brasil a gravação em disco da participação no Festival de Jazz de Montreux.

João grava Me Chama, de Lobão, para integrar a trilha sonora da novela Hipertensão. Lobão diz que recebeu ligações de João para a aprovação da execução, além de ter de explicar o estado emocional quando da composição. Lobão inicialmente se irritou com a supressão do verso "nem sempre se vê mágica no absurdo", mas achou a execução maravilhosa[68] .

Em 1987, João é agraciado com a comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de comendador, pelo Tribunal Superior do Trabalho.

Em 1988, João cancela shows no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Sofre com a incompreensão da imprensa.

Em 1989, João recebe uma indicação ao ' 'Grammy' ' na categoria Melhor Performance Vocal de Jazz, pelo disco “' 'Live in Montreux' '”.

Anos 90[editar | editar código-fonte]

Em 1990, grava um especial no disco de Maria Bethania, dividindo, apenas com voz e violão, a faixa Maria/Linda Flor[69] .

É lançado, nos Estados Unidos, o CD ' 'The legendary João Gilberto' ', coletânea dos três primeiros LPs de João gravados na Odeon, que resultou num processo contra a EMI.

Álbum João[editar | editar código-fonte]

Em 1991, é lançado o CD João. No repertório, velhos sambas como Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins, Palpite Infeliz, de Noel Rosa, e Rosinha, composição do amigo Jonas Silva, ex-crooner dos Garotos da Lua, que saiu para dar lugar a João, no início dos anos 50. O disco marcou a gravação de canções de outras línguas: inglês (You Do Something for Me, de Cole Porter), italiano (o bolero Malaga, de Fred Bongusto) e francês (Que Reste-t-il de Nous Amours de Charles Trenet)[70] . O disco foi gravado apenas com voz e violão, para a posterior adição dos arranjos de orquestra feitos por Claire Ficher. João ainda gravou o primeiro videoclipe da carreira: Sampa, de Caetano Veloso. Gravado em locações como o Estádio do Pacaembu, bairro da Liberdade, Jóquei Clube de São Paulo e o Viaduto do Chá, o clipe mostra o carinho que João tem pela cidade de São Paulo.

Comercial da Brahma[editar | editar código-fonte]

Nesse mesmo ano, João grava um ' 'jingle' ', chamado Bossa Nova nº1, para a Brahma. Com produção sofisticada, o comercial foi gravado no Teatro Municipal de São Paulo, com direção de Walter Salles e foi acompanhado por uma série de eventos da Brahma. João recebe acompanhamento de orquestra, sob regência de Eduardo Souto Neto[71] .

Em 1992, João se apresenta no Parque Ibirapuera, em São Paulo, junto de Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Rita Lee, em ocasião do aniversário da cidade.

Reencontro com Tom Jobim[editar | editar código-fonte]

Desde 1962, no show no restaurante Au Bon Gourmet, "O Encontro", Tom e João não faziam um show juntos. Fazia, portanto, 30 anos que não se apresentavam juntos. Quando foi anunciado um show com os dois maiores expoentes da música popular brasileira na época, o fato foi colocado como o evento cultural do ano de 1992 pela mídia[72] .

Chamado de Show Número 1[73] , ainda ligado à série de eventos patrocinados pela Brahma, como o comercial produzido no ano anterior. João faz show no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação especial de Tom, e João participa como convidado do show de Tom no Palace, de São Paulo.

No Teatro Municipal carioca, João fez um show recheado de velhos sambas como Sem Compromisso, Morena Boca de Ouro, Ave Maria no Morro[72] . Ao entrar no palco, João foi ovacionado por dois mil convidados da Brahma, patrocinadora do show[72] .

O show foi um grande sucesso, e virou um especial de fim de ano na TV Globo, com direção de Walter Salles Jr. e recuperação de imagens históricas dos anos 50 e 60, como do famoso concerto no Carnegie Hall em 1962[73] .

Várias edições deste especial de TV, exibido pela Rede Globo em 29 de dezembro de 1992, foram lançadas em DVD na Europa e no Japão com os títulos de "O Grande Encontro" e "João & Antonio - Show Nº1". [carece de fontes?]

Trechos do especial de TV também foram utilizados no documentário "Bossa Nova - Music & Reminiscences", dirigido por Walter Salles Jr.[carece de fontes?]

O especial "João & Antonio" também serviu como inspiração para a série "Minuto da Bossa", exibida pela Rede Globo em 1992, com direção de Walter Salles Jr. e narração de Caetano Veloso, incluindo material não aproveitado no especial por questões de limitação de tempo.[carece de fontes?]

Em 1993, João Gilberto fez concerto no Teatro Castro Alves, Salvador, com Gal Costa e Maria Bethânia como convidadas.

Em 1994, apresenta-se no Palace, São Paulo, que resultou no disco “Eu Sei que Vou te Amar”, gravado ao vivo, e no especial para a TV Cultura, Especial João Gilberto.

Em 1995, João, junto de Caetano Veloso, Gal Costa, Astrud Gilberto, família Caymmi, Herbie Hancock, Sting e outros artistas[74] , participou de homenagem a Tom Jobim no Avery Fisher Hall, localizado no Lincoln Center de Nova Iorque. O tributo teve presença do então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso[75] [76] . Os ingressos do show acabaram em apenas um dia de vendas, e consta que, no mercado negro, comprava-se o ingresso por três mil dólares[77] .

Em 1996, participa do Festival de Jazz de Umbria, em Perugia, Itália e apresenta-se em Veneza.

Em 1997, faz um especial para a TV Bandeirantes em uma temporada no Tom Brasil, São Paulo. Apresenta-se em Buenos Aires, onde recebe as chaves da cidade e o título de cidadão ilustre.

Em 1998, volta a se apresentar no Carnegie Hall, em ocasião da 26ª edição do JVC Festival.

Cquote1.svg João Gilberto é o homem mais cool do mundo. Cquote2.svg
Jon Pareles, crítico do New York Times, em ocasião da apresentação de João no Carnegie Hall[78]

Apresenta-se na Europa, onde faz shows em Turim, Roma, Ferrara e participa, como convidado especial, das apresentações de Tony Bennet e Caetano Veloso no Festival de Jazz de Umbria.

Em 1999, fez três concertos em Buenos Aires, pela primeira vez se apresentando com Caetano Veloso[79] .

Ainda esse ano, João Gilberto se apresenta no Credicard Hall, de São Paulo, inaugurando-o. O show teve grande repercussão negativa, com problemas de som, reclamações de João e vaias[80] .

João Voz e Violão[editar | editar código-fonte]

Em 2000, João Gilberto lança João Voz e Violão. Ao ouvir o resultado, João, que preferiu o disco sem mixagem, chegou a dizer que teve a alma gravada ali. Percebe-se o arranhar das cordas do violão, a percussão sutil da pronúncia dos fonemas e a controladíssima respiração. O disco, tratado como já clássico à época do lançamento[81] , apresenta novas harmonias para Desafinado e Chega de Saudade, tratados como superiores em relação às antigas gravações, segundo Nelson Motta[82] , entre resgates de antigos sambas e composições recentes dos amigos Caetano e Gilberto Gil, sugeridas por Caetano, entre outras canções, num clima intimista de voz e violão. Em sua eterna busca pela perfeição, João mostra neste disco, mesmo aos 68 anos na época da gravação, que ainda tinha muita a ensinar sobre a exploração da célula rítmica da música, técnica vocal, controle de respiração e exercício interpretativo[83] . Na foto de capa, está a atriz Camila Pitanga. O disco teve arranjos feitos pelo maestro Jaques Morelenbaum, mas as orquestrações acabaram fora do disco, permanecendo somente a voz e o violão[84] [83] . A crítica americana declarou ser este disco como joia[85] .

À época da gravação, discutiu-se outro projeto: regravar os três primeiros discos - Chega de Saudade, O Amor, o Sorriso e a Flor e João Gilberto (1961) -, com os mesmos arranjos de Tom Jobim. A Universal havia concordado com o projeto e João já tinha escolhido uma série de convidados para as gravações, como Ivete Sangalo[86] . A imprensa brasileira achou injusto o prêmio, dizendo que João merecia participar de indicações mais nobres.

Apresenta-se em Paris, em duas performances no Olympia, lotados, principalmente de jovens. A França vivia mais uma explosão de bossa nova, desta vez fruto da música eletrônica[87] . Enlouqueceu o público ao tocar Que Reste-t-il de nos Amours. Com frequência, em seus shows, João Gilberto homenageia a cidade em que se apresenta. Em São Paulo, sempre toca Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa; em Portugal, para delírio do público, apresentou Casa Portuguesa; em Recife, toca Recife, Cidade Lendária.

Em ocasião do seu aniversário de setenta anos, João recebe homenagem de vários veículos de comunicação do Brasil.

Apresenta-se na 22ª edição do Festival Internacional de Jazz de Montreal, no Canadá.

João recebe do Itamaraty a Ordem de Rio Branco, no grau de comendador.

Em 2002, lança o CD “Live at Umbria Jazz, gravado em 1996.

Em 2003, recebe o Premio della Critica Heineken na Itália.

Conquista do Japão[editar | editar código-fonte]

Primeira turnê – 2003[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2003, pela primeira vez, João faz shows no Japão, passando por Tóquio e Yokohama, totalizando quatro performances com quase vinte mil ingressos a disposição do público, que se esgotaram três meses antes das apresentações. Em sua primeira apresentação, no Tokyo International Hall, João relatou que tocar para o público japonês foi uma experiências que ele procurava fazia décadas[88] [89] . No seu último concerto, João recebeu uma sessão de aplausos de 25 minutos ininterruptos do público japonês, no dia 16 de setembro[90] . Nesse dia, um fato curioso: ao final do show, João abaixou a cabeça e fechou seus olhos durante 20 minutos. Ao final, se levantou e agradeceu a plateia, dizendo ter beijado cada mão, cada coração presente ali[88] . O sucesso da turnê japonesa foi comemorada com entusiasmo pelo próprio João[91] .

As apresentações de João Gilberto provocaram um boom de bossa nova no Japão. As gravadoras relançaram diversos discos de João especialmente para o mercado japonês, como Getz/Gilberto, João Voz e Violão e o gravado no México, além de diversas coletâneas. Artistas populares japoneses gravaram CDs em homenagem a João. Todas revistas especializadas em música reservaram páginas elogiosas a João Gilberto, tratado como lenda viva da música universal, criador da bossa nova, o mestre brasileiro mais respeitado no mundo todo, prestígio que João não desfruta no Brasil.

Em 2004, é lançado, pela Verve Records, o CD João Gilberto in Tokyo, gravado ao vivo durante a segunda apresentação no Japão[88] . O disco foi bem recebido pela crítica brasileira[90] , num álbum recheado de regravações, mas que nunca são apresentadas iguais, isto é, são redesenhadas, num processo de desenvolvimento e busca infinita[92] .

Nesse ano, nasce sua terceira filha, Luiza Carolina, fruto de um relacionamento com Claudia Faissol.

Segunda e terceira turnê ao Japão[editar | editar código-fonte]

Em 2004, faz mais uma turnê pelo Japão. Desta vez, recebe trinta e oito minutos de aplausos ininterruptos[93] em seu show em Osaka.

Em 2005, João recebe a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

Em 2006, faz nova turnê pelo Japão, onde homenageou o país com uma composição "Je Vous Aime, Japão". Mais uma vez, os shows têm os ingressos esgotados[94] . Nessa turnê, anunciou-se o lançamento de um DVD ao vivo da performance de João no Japão. Entretanto, o DVD foi vetado por vontade do artista, que não achou o show bom para ser gravado[95] .

Em 2007, em votação popular da revista DownBeat, João é escolhido um dos melhores cantores de jazz.

50 anos da bossa nova[editar | editar código-fonte]

Em 2008, em ocasião dos cinquenta anos da bossa nova, uma série de comemorações começaram. João se apresentou em São Paulo, no Rio, em Salvador e no Carnegie Hall. Seus shows tiveram a venda de ingressos esgotada em poucas horas[96] . Seus shows foram reverenciados pelo público e elogiados pela crítica, mostrando que, aos 77 anos, João ainda era moderno[97] . Em seu show no Rio de Janeiro, contrariando as lendas que o entornam, João, com extremo bom humor, cantou acompanhado da plateia[98] .

João Gilberto gravou em 2005 um comercial para a Vale do Rio Doce[99] em parceria com a agência África[100] , exibido no segundo semestre do ano de 2008, em caráter nacional, nos intervalos do Jornal Nacional, da TV Globo. Com narração de Fernanda Montenegro[101] e composição de Nizan Guanaes[102] , a propaganda propõe uma homenagem ao povo brasileiro.

Em 2009, a revista DownBeat, tratada como uma das publicações de jazz mais respeitadas do mundo, elege João como um dos 75 melhores guitarristas da história do jazz e como um dos cinco maiores cantores de jazz[103] [104] .

Em 2011, Claudia Faissol, produtora e mãe da filha mais nova de João, perdeu algumas imagens que fez do músico durante doze anos. O Ministério da Cultura (MinC) da época foi acionado para ajudar na conservação das imagens, tendo prometido um técnico da Cinemateca Brasileira, mas as trocas de ministros atrapalharam o processo[105] [106] .

Ainda nesse ano, foram lançados, sem autorização, na Inglaterra, a trilogia sagrada da bossa nova - os três primeiros discos de João -, que estão fora de circulação devido ao processo com a EMI. Uma gravadora inglesa, amparada pela legislação europeia, vem lançando os discos[107] .

Processo contra a EMI[editar | editar código-fonte]

Em 1987, a EMI, detentora do acervo da antiga gravadora Odeon, lançou, sem autorização de João Gilberto, uma coletânea (um LP duplo e um CD simples) que reunia os três primeiros LPs de João ("Chega de Saudade", "O Amor, o Sorriso e a Flor", "João Gilberto") e o compacto "João Gilberto cantando as músicas do filme Orfeu do Carnaval", conhecido também como em um único álbum, batizado de "O Mito" no Brasil e de "The Legendary João Gilberto"[108] . Além da falta de autorização, a EMI, segundo João, adulterou a sonoridade das gravações e alterou a ordem das faixas[108] . Em 1992, João Gilberto entrou com uma ação por danos morais e materiais contra a multinacional britânica, alegando "fim da sequência harmônica" das faixas e defeitos na remasterização[17] . Desde então, seus primeiros discos, considerados de importância impar para a história da música popular brasileira, não se encontram mais nas prateleiras das lojas.

Em 1999, Paulo Jobim foi designado pela 28ª Vara Cível do Rio de Janeiro como perito para a comprovação das alegadas mixagens de som feitas pela EMI. Em seu laudo técnico, Paulo afirma que a EMI "mutilou" e "deformou" a voz de João Gilberto, "amesquinhou" a obra e "literalmente cortou" parte de faixas. Houve ainda adição de reverberação, adição de eco estéreo nas faixas que originalmente eram mono e equalização para realçar as frequências agudas da bateria e da orquestra em todas as faixas, dado fornecido pelo próprio perito indicado pela gravadora. Paulo Jobim ainda afirma que as matrizes originais dos discos possuíam excelente estado de conservação, não havendo a necessidade de alguma alteração no som. Aderbal Duarte, estudioso da obra de João Gilberto, testemunha do músico no processo, diz que João já pensa nas alturas da voz e do violão ao gravar, fazendo o som já sair mixado[17] .

Em 2000, Caetano Veloso foi indicado pela defesa para apresentar um laudo crítico. Ele afirmou que as adulterações causam prejuízo a obra de João Gilberto, que teve radical preocupação pela excelência da qualidade do som e com rigoroso e delicado acabamento nas gravações, provocando claramente dano moral. Além disso, ao trazer três discos em um só CD, a gravadora contribuiu para a redução de um terço do valor comercial do produto oferecido, o que provoca dano patrimonial. Caetano ainda mostrou como a própria EMI declarou que não poderia fazer as equalizações sem a permissão de João. Nas palavras de Caetano, "por essas falhas gritantes da Ré (EMI), João Gilberto sofreu e continua sofrendo incalculáveis prejuízos"[109] .

Por outro lado, a remasterização da EMI recebeu prêmios internacionais e teve boa aceitação da crítica especializada, o que, supostamente, atestaria sua qualidade[110] [111] .

Em decisão de primeira instância, a juíza Maria Helena Pinto Machado Martins negou o pedido da defesa de danos morais e rejeitou o fim da comercialização dos discos, apontando que João Gilberto tinha uma "sensibilidade extremada"[17] . “Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral”, como afirmou a juíza. Ela, por outro lado, condenou a EMI a pagar royalties sobre a obra de João, além de indenização por uso da música Coisa Mais Linda em um comercial do O Boticário. Os advogados de defesa recorreram da decisão, que acabou indo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ)[112] [113] [114] .

Em 2008, houve um início de conversa entre as partes. A EMI trouxe um técnico dos Estados Unidos para acompanhar o músico na audição das masters, ou matrizes, dos discos. João Gilberto, no entanto, não reconheceu essas másteres como as originais, culminando no fim das conversas[115] . Claudia Faissol pediu ajuda ao Ministério da Cultura, à presidente Dilma Roussef e ao Itamaraty, por meio de um documento denominado "Memorial João Gilberto", assinado pelo próprio músico, mas, oficialmente, o governo brasileiro preferiu se manter distante da questão[116] . As informações são desencontradas, João Gilberto afirma que as matrizes apresentadas não são as originais, e a informação apresentada na imprensa são imprecisas quanto a localização das másteres, ora se fala que estão na Inglaterra, ora se fala que estão no Brasil[117]

Em 2011, o STJ decidiu, por maioria de votos, que a EMI deveria pagar uma indenização por danos morais a João Gilberto. O ministro relator Sidnei Beneti, em extenso e detalhado voto, concluiu que não se tratava de dano moral comum, mas ofensa ao direito moral do autor, que pode recusar modificações na obra, mesmo se o trabalho receber prêmios[111] , é como se uma editora acrescentasse sem autorização do autor um parágrafo a uma nova edição de um livro. À época do julgamento, o ministro Beneti lamentava a falta de acordo no caso e a ausência de circulação para o público dos discos clássicos da música brasileira.[110] . Em entrevista, a advogada da EMI no Brasil, Ana Tranjan, afirmou que as tentativas de acordo não passaram de fases embrionárias de conversa e que, pela proximidade do desfecho do caso na justiça, não houve prolongamento das conversas[118] .

O processo - ainda sem desfecho - tem grande importância para o direito autoral no Brasil. A decisão final do processo terá consequências em vários processos ainda em tramitação e em milhares de discos produzidos aqui, pois discute-se a possibilidade de modificação da obra para relançamento. Coloca-se na balança o direito da humanidade em ter acesso a produção cultural e o direito do autor de preservar sua obra, define-se o alcance do direito moral do autor sobre sua obra. O ministro Sidnei Beneti lembra que o processo é inédito no Brasil[110] .

Em 2013, a 2ª Vara Civil do Rio de Janeiro decidiu conceder uma liminar obrigando a EMI a devolver a João Gilberto as matrizes dos LPs e do compacto do processo. A juíza Simone Dalila Nacif Lopes, em sua decisão, mostrou a urgência em se dar a oportunidade do músico de 81 anos poder se debruçar sobre essas obras e atualizá-las[119] . Logo após essa decisão, Ruy Castro, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, demonstrou empolgação com um possível relançamento, apesar de prever uma derrubada da liminar da justiça[120] . Poucos dias depois, o juiz Sérgio Wajzenberg, da 2ª Vara Cível do TJ-RJ, decidiu que a liminar seria mantida, assim como a obrigação de devolução das matrizes para João[121] . Em decisão de segunda instância, o desembargador André Gustavo Correa de Andrade, do TJ-RJ, mostrou-se preocupado com o fato de João Gilberto não ter apresentado garantias de conservação adequada das másteres, deixando novamente o material em posse da EMI[122] . Dias depois, os advogados de João apresentaram as condições técnicas necessárias para manter as matrizes das gravações, levando o desembargador a mudar a decisão[123] [124] . As másteres já se encontram em posse do músico[125] .

Marcelo Gilberto, primeiro filho do músico, afirma que as supostas másteres entregues a João Gilberto são, na verdade, cópias das verdadeiras, sendo que apenas o disco Chega de Saudade pode ser verdadeiro. Acredita-se que a gravadora EMI pode ter perdido as fitas originais. O advogado da EMI, por outro lado, afirma ser original todo material entregue a João[126] .

Técnica[editar | editar código-fonte]

Inovações[editar | editar código-fonte]

Em sua estreia no 78 rpm Chega de Saudade, João Gilberto começou uma revolução na música popular brasileira. Munido apenas de voz, violão e da canção Chega de Saudade, mudou o rumo da música brasileira e fincou seu nome na história cultural do Brasil e do mundo.

Com a introdução do microfone e do amplificador no Brasil, João Gilberto percebeu que não a fonte sonora não precisaria emitir o som intensamente, no âmbito da voz e do instrumento, o que favorece as interpretações sutis e interiorizadas[127] . Por outro lado, na época das primeiras gravações da bossa nova, o Brasil ainda não possuía um equipamento de fidelidade suficiente para a reprodução de sonoridades mais complexas. Por esse motivo, João, juntamente com Tom Jobim, seu primeiro arranjador, elaboraram harmonias complexas, sob influência do música norte-americana, e, ao mesmo tempo, simplificavam a sonoridade geral, por causa da limitação dos equipamentos. Os gestos, tão antagônicos, entretanto, se aliam, para buscar o núcleo vital da canção[127] .

João inova na gravação do Chega de Saudade ao pedir dois microfones, um para a voz e outro para o violão. O motivo é óbvio, apesar de choque que causou nos produtores do disco. Até então, gravava-se com apenas um microfone, com destaque para a voz em detrimento do violão. Além disso, é da própria natureza acústica do violão ficar restrito, em termos de volume de som, com qualquer instrumento de orquestra ou com o piano[127] . Com a voz, o violão pode concorrer de igual, se a voz se manter numa intensidade natural, pois com qualquer elevação de volume da voz já há um encobrimento do violão. Desse modo, é necessário a emissão da voz num volume próximo a da fala comum[127] . Com João Gilberto, voz e violão se mantém em igual intensidade de volume, com os microfones captando por igual ambas fontes sonoras e, em caso de necessidade, a alteração de volume de ambas seria em igual proporção[127] .

Para Caetano Veloso, João inovou ao sugerir uma linha mestra do desenvolvimento do samba com origem no samba-de-roda do recôncavo baiano e maturação no samba urbano carioca[128] .

Harmonia[editar | editar código-fonte]

O tratamento harmônico da música de João Gilberto é concebido exclusivamente para o violão[127] . No LP Chega de Saudade, por exemplo, a participação da orquestra acontece apenas em termos de pontuações ou fraseados breves, em algumas ocasiões[127] . Nos encadeamentos, ou ligações, harmônicos, João cria as dissonâncias tonais na sua mão esquerda, sobre o braço do violão, na construção dos acordes[127] .

Em regravações de antigos sucessos, João Gilberto se caracterizou pela completa alteração da harmonia original, refazendo-a.

Ritmo[editar | editar código-fonte]

Quanto ao ritmo, que está ligada a mão direita de João, a batida tem influência da tradicional do samba[127] . Ao tocar em acordes, e não em arpejos, João dá ritmo ao violão, de forma que coloca uma bateria de escola de samba em miniatura nas seis cordas de seu violão[129] . Entretanto, João Gilberto retira a obviedade da marcação do tempo forte, caracterizado no samba pela marcação periódica do surdo[127] , num processo chamado por Walter Garcia como o "esfriamento" do samba. Por outro lado, João a deixa subentendida nos impulsos de toque médio[127] , isto é, nos dedos indicador, médio e anelar. Essa síncope, ou acentuação do tempo fraco do samba, cria tensão à música, um impulso rítmico maior[130] . João Gilberto possui domínio absoluto sobre o ritmo[78] e sempre foge da obviedade, da regularidade[130] . Essa batida rompeu com a cadência do samba "quadrado", criando possibilidades harmônicas, antes impossíveis[66] . Desse modo, João pode atrasar ou adiantar o ritmo com sua batida compacta, forma que modernizou o samba[66] . A voz também tem um função rítmica. Ela colabora com a percussão, atraindo ou retardando, sublinhando o ritmo pela ausência[129] , ou com técnicas vocais. No pulso do João, a oposição entre tempo forte e fraco é relativizada pelo bordão[131] . João também mudou a forma do baterista tocar, trocando as duas vassourinhas ou duas baquetas por uma vassourinha e uma baqueta, cada mão com divisão diferente[132] .

Texto[editar | editar código-fonte]

João Gilberto se caracteriza por priorizar a sonoridade do texto, em detrimento da sua semântica[127] . A ausência de tensões semânticas é percebida na sua escolha de repertório, com canções lírico-amorosas sem tensividade passional, como Chega de Saudade, canções quase infantis, como O Pato e Lobo Bobo, e suas próprias composições, como Bim Bom[127] . João se preocupa (preocupação esta tão comum no meio erudito) de tal forma com os detalhes do texto das canções que canta, valorizando excessivamente as unidades musicais da canção, que ele mexe, altera, traduz idiossincraticamente os detalhes de duração, frequência, intensidade e texto, quando omite, acrescenta ou muda trechos ou palavras, das canções, mudando o efeito, mas não a essência e a identidade da canção[127] . Tanto isto é verdade que é muito comum o compositor se sentir lisonjeado por uma gravação de João, como Caetano Veloso com Sampa, que João alterou para gravar. João Gilberto é um recompositor[127] , um cancionista-intérprete, sendo aquele que não executa o que o compositor criou, mas o que executa o que o compositor deixou de criar[127] . Para João, a letra tem a mesma importância da melodia e do ritmo, deslocando-se do senso comum que valoriza a letra[58] , por isso que, se a letra exerce um papel extramusical na canção, é logo rejeitada, alterada ou suprimida por João[133] .

Canto[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Ele pode até ler jornal que soa bem. Cquote2.svg
Miles Davis[134]

Essencial para o estilo criado por João, seu canto é outra marca da batida da bossa nova. Como já mencionado, João, com o uso do microfone, dispensa o excesso e cria um estilo apropriado para o uso do violão, com a emissão de voz próxima a da fala corriqueira[127] , limpa e enxuta, como a voz de Dorival Caymmi[135] . Sua dicção é impecável e sem um resquício de sotaque baiano[136] . A integração voz e violão formam um todo, um único. Por vezes, João usa a voz como instrumento, adiantando ou atrasando o fraseado em relação ao violão[66] em uma decidida e precisa imprecisão, caindo em várias posições rítmicas[129] , mas nunca prejudicando o balanço da canção. Em uma entrevista a Tárik de Souza, João declarou ser fã de Orlando Silva pelo fato dele "falar as frases com naturalidade e não exagerar em nenhum ponto da música", mostrando a essência do canto joãogilbertiano: o saber falar e a naturalidade da emissão, fugindo dos excessos em qualquer ponto da música[136] . É importante frisar que, retirando excessos, João permite que a letra da canção crie emoção a partir da sua própria construção, fugindo da emoção criada por artífices vocais, enriquecendo, naturalmente, a canção. Entre as várias técnicas que usa, estão entre elas a ausência de vibratos, que conferem peso emocional à interpretação, mas que muito raro é utilizado de modo muito discreto[131] ; a retirada do forte e do fortíssimo da dinâmica; o complemento harmônico da voz e do violão, ou seja, a voz emite uma nota que não se apresenta no acorde do violão, complementando-o; o rubato, retardando sílabas e frases, deixando o violão seguir adiante para, depois, alcançá-lo, ou então antecipa-se, emendando versos, para depois aguardar a chegada do violão[137] ; o legato, como Orlando Silva[138] , derrubando assim o mito de que ele canta como Mário Reis, que, apesar de cantar suave, não utiliza o legato, mas o staccato, que é a "quebra" do fraseado, ou seja, canta as sílabas em separado, com um silêncio entre os fonemas, em células de tamanho quase igual, e João, por outro lado, estende ou diminui, junta as notas, em longas frases que sustenta graças as técnicas de respiração iogue. Sua afinação é absolutamente precisa, mas nem sempre foi considerado assim, visto do estranhamento revolucionário causado pelo seu canto à época da apresentação do novo estilo. João Gilberto também se utiliza da voz para criar ritmo à música. Com técnicas comuns nos conjuntos vocais dos anos 40 e outras criadas pelo próprio João, sua música se enriquece. O objetivo de João é encontrar o ponto em que se consiga falar com perfeição para que a melodia brote naturalmente da palavra, através da adequada inflexão e "cor" exata de cada sílaba[131] .

Criação[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Não se pode machucar o silêncio, que é sagrado. Cquote2.svg
João Gilberto

João Gilberto é um artesão diletante de suas músicas[139] , em eterno "estado febril" de criação[84] , que opera dentro de rigorosos limites autoimpostos, sem ostentação de voz, velocidade, enfeites[78] . Passa horas, dias ou meses recompondo - em termos de ritmo, harmonia e melodia - uma canção que ouviu durante a vida, indo de sambas a boleros, em português, inglês, italiano ou francês. Considerado um recompositor[127] , João justifica sua diminuta obra autoral dizendo que "há tanta coisa bonita a ser consertada".

Nesse processo de maturação da canção, João Gilberto busca todas as possibilidades harmônicas e rítmicas da música em que está trabalhando. Subtrai notas, altera o andamento, introduz silêncios, junta versos e muda palavras, resultando em algo distante do original. João torna a canção mais direta e clara. Um exemplo é a canção Lígia, de Tom Jobim, em que João simplesmente retira o nome da musa inspiradora da canção, evitando assim um derramamento, uma tensão emocional, que haveria se a chamasse em altos brados[93] . Existe, por isso, grande entusiasmo ao ouvir João cantando uma música conhecida pela primeira vez: não se sabe o que virá[140] . João se preocupa obsessivamente com um nível de acabamento muito maior que o exigido pelo mercado, o que o torna mais que profissional[131]

Desde o início de sua carreira, João buscou o passado da música popular para sensibilizar o presente. Retrabalhou, logo no primeiro disco, Rosa Morena, de Dorival Caymmi, e É Luxo Só e Morena Boca de Ouro, antigos sucessos de Ary Barroso. Essa busca pelo passado se notabilizou durante toda sua carreira, em canções de compositores como Janet de Almeida, Herivelto Martins, Noel Rosa, Bororó, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Lamartine Babo, etc[66] . Essa busca caracteriza-se pelo critério existencial do próprio João: a maioria dessas canções ele ouviu durante a infância em Juazeiro, Aracaju, ou na juventude em Salvador e no começo de carreira no Rio.

Percebe-se na arte de João Gilberto em projeto nacional, uma aspiração do que o Brasil poderia ser[66] . Utilizando-se do samba, rompeu com toda estrutura da canção brasileira[141] .

Influências[editar | editar código-fonte]

No canto, em sua divisão rítmica, João Gilberto declara publicamente a influência que teve de Orlando Silva, que considerava o maior cantor do mundo. O uso de acordes soltos remete à mão esquerda de Johnny Alf ao piano[13] . O violão de Dorival Caymmi também influenciou a criação de João, que ainda buscou juntar o samba, a tradição musical nordestina e o jazz[58] .

Segundo Jon Pareles, os vocais suaves de Chet Baker e os acordes de Barney Kessel estão presentes no estilo de João[78] . O cool jazz também está presente nas harmonias da bossa nova.

Legado[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Quaisquer que sejam as novas direções de nossa música nova, não nos esqueçamos da lição de João. Cquote2.svg
Augusto de Campos

É difícil encontrar na história da música algum movimento que é atribuído a um nome. João Gilberto fez isso com a bossa nova[142] . Apesar da grande importância de Tom Jobim no movimento, João que deu a forma, a possibilidade. Tom Jobim já era um grande compositor e arranjador antes da invenção joãogilbertiana. Entretanto, João também desmontou e reconstruiu Jobim, que assimilou a técnica de João e mudou o jeito de compor e de arranjar, tendo as mais diversas possibilidades criadas, tornando-se um ícone da música mundial, junto com João[143] . Ainda se discute se a bossa nova é um movimento ou um estilo, um momento do jazz ou um capítulo da música popular brasileira[66] . Sabe-se, somente, que João Gilberto é seu pai.

Jobim define o peso de João na música popular na contracapa do seu primeiro LP, Chega de Saudade, “Em pouquíssimo tempo, João Gilberto influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores.”[144] . A revolução de João Gilberto tornou possível o desenvolvimento do trabalho dos músicos modernos, como Jobim, abriu caminho para a nova geração, como Roberto Menescal e Baden Powell, e deu sentido aos músicos talentosos da década de 40 e início de 50, que tentavam encontrar uma forma de modernizar o samba através da imitação da música americana, como Johnny Alf e Dick Farney[145] .

No âmbito nacional, qualquer músico brasileiro pós-1958 foi reinventado por João Gilberto. Isto é, João alterou, de forma irreversível, o DNA da música popular brasileira[143] . Muitos se lembram do impacto que tiveram ao escutar João Gilberto pela primeira vez. Gilberto Gil diz que o ouviu no rádio, na Bahia, e que ficou assustado ao ouvir aquele som novo, que causou estranheza nele, mas que logo se tornou paixão absoluta[146] . Caetano Veloso diz que ouviu João pela primeira vez aos dezessete anos, num bar em Santo Amaro, Bahia, por sugestão de um colega de ginásio, que classificou a música como "louca", de um "sujeito que cantava desafinado", mas que logo arrebatou Caetano[147] . Com Gal Costa, ao ouvir pela primeira vez na rádio a gravação de Chega de Saudade de João, foi um "impacto profundo e uma atração imediata", que, apesar de ser, à época, totalmente diferente, estranho e novo, Gal abraçou com paixão. Ela diz que a partir de João reaprendeu a cantar, estudando a emissão vocal de João Gilberto[146] . Roberto Carlos, ao ouvir pela primeira vez João Gilberto, ficou tamanho fascinado com a música que ficou estático, como em uma revelação[146] . Chico Buarque passava tardes inteiras ouvindo e ouvindo o LP Chega de Saudade, tentando decifrar a batida e as harmonias do violão[146] . João ainda influenciou artistas como Rita Lee, com sua "Bossa'n'Roll"[138] ", Novos Baianos, que tiveram João como padrinho musical e mentor na produção do disco Acabou Chorare[148] , Jorge Ben Jor, Cazuza, na canção Faz Parte do meu Show[138] . Atualmente, João é reverenciado por artistas como Fernanda Takai, Max de Castro, Zizi Possi, Fernanda Porto[149] .

Internacionalmente, João primeiro conquistou os músicos, e, depois, o público. Junto de Jobim, fez a bossa nova ser escutada nos quatro cantos do mundo.

Cquote1.svg A criação original de João Gilberto para o samba, que se internacionalizou com o nome de bossa nova, e que é, até hoje, a contribuição brasileira mais importante à cultura mundial, corre na veia de boa parte da música popular que se faz no mundo. Esse trabalho de transformação do samba e sua consolidação, é obra de uma personalidade artística genial, dessas que surgem de tempos em tempos com uma missão civilizadora heroica. Não é à toa que é qualificado de Mito. Sua trajetória repete a do herói mítico, no combate à banalidade e procura da pureza. Cquote2.svg
Edinha Diniz

Entre os grandes jazzistas fãs declarados de João estão Miles Davis, Stan Getz, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Tony Bennet[150] , Jon Hendricks, entre outros. A influência de João Gilberto no jazz é consenso entre críticos de música[78] . Atualmente, percebe-se a influência de João em artistas como Stacey Kent e Diana Krall, que teve João como sua primeira referência musical[151] e diz que não se pode ser jazzista sem aprender bossa nova[152] . Fora do jazz, João recebe elogios de famosos como Madonna[153] , Jacqueline Kennedy, Eric Clapton, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre[154] , Bob Dylan, Beck, David Byrne[155] , entre outros, chegando a influenciar movimentos como o indie rock e a dance music[78] . Na Europa, João desfrutou de grande sucesso, sobretudo na Itália, onde João fez inúmeros shows e, inclusive, especiais para a TV. Passou também por Holanda, Inglaterra (que, nos anos 80, teve um movimento chamado new bossa com bandas como Matt Bianco, Style Council e Everything But the Girl)[138] , França, Portugal, Espanha, Alemanha e Bélgica. João chegou até o Japão, em uma série de shows, onde lotou casas de espetáculos e recebeu aplausos de até 40 minutos do povo japonês.

São vários os gêneros musicais influenciados pelo estilo de João. No Brasil, a Tropicalia, a moderna MPB. Em âmbito internacional, a New Bossa, o Acid Jazz, o Drum'n'Bass[138] .

Entre os acadêmicos, João é unanimidade, sendo objeto de estudo de grandes intelectuais como José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Aderbal Duarte, Walter Garcia, Lorenzo Mammi, Edinha Diniz[156] . Para Garcia, João está para a música assim como Guimarães Rosa está para a literatura, Oscar Niemeyer está para a arquitetura e Pelé está para o futebol[157] .

Desmitificando o mito[editar | editar código-fonte]

João Gilberto é um artista controverso na mídia. É adorado por muitos, tratado como gênio, e desprezado por outros, considerado louco. O cuidado e o perfeccionismo com o som em seus shows sempre são destaque nas páginas de jornais - noticia-se, por exemplo, até mesmo o equipamento exigido por João[158] . Por outro lado, suas apresentações são sempre anunciadas com empolgação na mídia, os críticos de música celebram, e os ingressos acabam rapidamente[158] .

Na cultura popular, João Gilberto é ícone. Recebeu diversas homenagens na música, tanto em âmbito nacional quanto internacional. É requisitado para trilhas sonoras de filmes e produções de tv nacionais e internacionais. Recentemente, um autor alemão publicou um livro tendo João como personagem[159] . É tema de um documentário sobre o processo com a EMI.[160] . Sua figura é tão misteriosa que um perfil fake criado no Facebook conseguiu enganar até mesmo artistas e jornalistas famosos[161] [162] [163] , fato desmentido pelo site oficial do artista[164] .

Carreira[editar | editar código-fonte]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

  • Chega de Saudade (Odeon, 1959) LP
  • O Amor, o Sorriso e a Flor (Odeon, 1960) LP
  • João Gilberto (Odeon, 1961) LP
  • Getz/Gilberto (Verve, 1964) LP
  • João Gilberto en México (Orfeon, 1970) LP
  • João Gilberto (Philips, 1970) LP
  • João Gilberto (Polydor, 1973) LP
  • The Best of Two Worlds (CBS, 1976) LP
  • Amoroso (Warner/WEA, 1977) LP
  • Brasil (WEA, 1981) LP
  • João (PolyGram, 1991) CD
  • João Voz e Violão (Universal/Mercury, 2000) CD

Singles[editar | editar código-fonte]

  • Quando Ela Sai (Alberto Jesus/Roberto Penteado)/Meia Luz (Hianto de Almeida/João Luiz) – (Copacabana, 1952) 78 rpm
  • Chega de Saudade/Bim Bom - (Odeon, 1958) 78 rpm
  • Desafinado/Hô-bá-lá-lá – (Odeon, 1958) 78 rpm

EP[editar | editar código-fonte]

  • João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval (Odeon, 1959) 45 rpm

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Bossa Nova at Carnegie Hall (Audo Fidelity, 1982) LP
  • Herbie Mann & João Gilberto (Atlantic, 1965) LP
  • Gilberto and Jobim (Capitol, 1977) LP
  • Interpreta Tom Jobim (EMI/Odeon, 1985) LP
  • O Mito (Emi/Odeon, 1988) LP
  • The Legendary João Gilberto (Capitol/World Pacific, 1990) CD
  • Amoroso/Brasil (WEA) CD
  • Best of João Gilberto: Portrait de bossa nova (Universal, 2003) CD
  • For Tokyo (Universal, 2007) CD

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

  • Getz/Gilberto #2 (Verve, 1966) LP
  • João Gilberto Prato Pereira de Oliveira (Verve, 1966) LP
  • Live at the 19th Montreux Jazz Festival (WEA, 1986) LP
  • Eu sei que vou te amar (Epic, 1994) CD
  • João Gilberto live at Umbria Jazz (EGEA, 2002) CD
  • João Gilberto in Tokyo (Universal Music, 2004) CD

Participações[editar | editar código-fonte]

  • Naturalmente (Copacabana, 1957) LP - Elizeth Cardoso (participação de João Gilberto ao violão)
  • Canção do Amor Demais (Festa, 1958) LP - Elizeth Cardoso (participação de João Gilberto nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez)
  • Este seu Olhar (Columbia, 1959) 78 rpm - Luiz Claudio - participação de João Gilberto ao violão na faixa Este seu Olhar
  • Miúcha (RCA, 1980) LP - Miúcha - participação de João Gilberto nas faixas All of me e O Que É, O Que É
  • Rita Lee (Som Livre, 1982) Rita Lee e Roberto de Carvalho - participação de João na faixa Brasil com S
  • Maria Bethânia (Philips, 1990) LP - Maria Bethânia - participação de João nas faixas Maria e Linda Flor
  • Hipertensão (Som Livre, 1986) Vários artistas – João Gilberto na faixa Me Chama

Álbuns em tributo[editar | editar código-fonte]

  • Salud! Joao Gilberto, Originator of the bossa nova (Reprise, 1963) - Jon Hendricks
  • Felicidade: Tribute to João Gilberto (EMI, 2003) – Vários artistas
  • Bim Bom: The Complete João Gilberto Songbook (Independente, 2009) – Ithamara Koorax & Juarez Moreira

Videografia[editar | editar código-fonte]

Vídeos musicais[editar | editar código-fonte]

  • Sampa (Caetano Veloso) (Polygram, 1990)

Especiais de TV[editar | editar código-fonte]

  • O Fino da Bossa (TV Record, 1966) – Convidado de Elis Regina
  • Tribute to Gilbert Bécaud (American Broadcasting Company, 1967) [nota 1] [nota 2]
  • Especial: Caetano, Gal e João Gilberto (TV Tupi, 1971)
  • João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (TV Globo, 1980)
  • A arte e o ofício de cantar (TV Bandeirantes, 1983)
  • Tom e João - Show Número 1 (TV Globo, 1992)
  • Especial João Gilberto (TV Cultura, 1994)
  • Live at Umbria Jazz (RAI, 1996)
  • Especial João Gilberto (TV Bandeirantes, 1997)
  • João Gilberto e Caetano Veloso (Argentina, 1999)

Jingles[editar | editar código-fonte]

  • Brahma Número 1 (1991)
  • Kellog's (2005)
  • Vale do Rio Doce (2008)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • Pista de Grama (Brasil, 1958). Direção de Haroldo Costa.
  • Copacabana Palace (Itália, França, Brasil, 1962). Direção de Steno.
  • Brasil (Brasil, 1981). Direção de Rogério Sganzerla.
  • Bahia de todos os sambas (Itália, 1983). Direção de Leon Hirzman.

Composições[editar | editar código-fonte]

  • Acapulco
  • Bim Bom
  • Coisas distantes (Forgotten Places), com João Donato.
  • Hô-Bá-Lá-Lá
  • Japão (Je Vous Aime Beaucoup?)
  • João Marcelo
  • Minha saudade, com João Donato.
  • Glass Beads com João Donato.
  • Um abraço no Bonfá
  • Undiú[nota 3] com Jorge Amado.
  • Valsa (Bebel) – como são lindos os Youguis
  • Você esteve com meu bem, com Russo de Pandeiro.

Notas

  1. Especial de TV alemã.
  2. Único convidado não europeu.
  3. Também conhecido como Lamento da Morte de Dalva na Beira do Rio São Francisco, em Juazeiro.

Referências

  1. João Gilberto interrompe show no Carnegie Hall. Página visitada em 09/05/2013.
  2. Zuza Homem de Mello. Há 50 anos, João Gilberto estreou seu samba harmônico e sincopado. Página visitada em 19/02/2013.
  3. a b castro, Ruy. Chega de Saudade: A história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Capítulo: Prólogo: Juazeiro, 1948. ,
  4. a b c d e diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 451. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  5. Zuza Homem de Mello. Há 50 anos, João Gilberto estreou seu samba harmônico e sincopado. Página visitada em 19/02/2013.
  6. CASTRO, Ruy. Capítulo 7: Em busca do ego perdido. In Castro, R. Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 147
  7. Atrás da batida perfeita, João Gilberto muda de endereço várias vezes. Página visitada em 03/03/2013.
  8. CASTRO, Ruy. Capítulo 7: Em busca do ego perdido. In Castro, R. Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 149
  9. CASTRO, Ruy. Capítulo 6: A turma, 1948. In Castro, R. Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 137 - 139.
  10. Registros caseiros de João Gilberto na web são fartos. Página visitada em 7 de fevereiro de 2013.
  11. Fita gravada em 1958 por João Gilberto vira hit na web. Página visitada em 7 de fevereiro de 2013.
  12. castro, Ruy. Chega de Saudade: A história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Capítulo: 8. , p. 167.
  13. a b Tiago Ferreira. Um cantinho e um violão. Página visitada em 05/03/2013.
  14. castro, Ruy. Chega de Saudade: A história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Capítulo: 8. , p. 199.
  15. Mario Sergio Conti (2010 março). Há tanta coisa bonita a ser consertada Revista Bravo. Página visitada em 16/02/13.
  16. Zuza Homem de Mello. Há 50 anos, João Gilberto estreou seu samba harmônico e sincopado. Página visitada em 19/02/2013.
  17. a b c d Claudio Leal. EMI "amesquinhou" obra de João Gilberto, diz laudo de Paulo Jobim. Página visitada em 09/05/2013.
  18. JOBIM, Antonio Carlos, "Texto de contracapa" do LP Chega de Saudade (1959)
  19. CHEGA DE SAUDADE. Página visitada em 07/04/2013.
  20. O ano em que tudo começou para os setentões da música brasileira. Página visitada em 05/03/2013.
  21. a b c d e f g h i j k Zuza Homem de Mello (28/05/2011). Trilogia sagrada (em Portugues). Página visitada em 12/02/2013.
  22. Mario Sergio Conti (2010 março). Há tanta coisa bonita a ser consertada Revista Bravo. Página visitada em 16/02/13.
  23. Perfil Luis Carlos Miele - Memória Globo. Página visitada em 16/03/2013.
  24. Olhos nos olhos. Página visitada em 30/03/2013.
  25. . [S.l.: s.n.].
  26. a b c d Zuza Homem de Mello. Cantor demonstra amor recíproco por SP. Página visitada em 22/02/2013.
  27. Julio Medaglia. Música Impopular. São Paulo: Global, 2003. ISBN 8526002074
  28. Barcímio Amaral e Bolívar Torres. O tesouro escondido de João Gilberto. Página visitada em 22/02/2013.
  29. João Gilberto foi fundador e dissidente da bossa nova. Página visitada em 05/03/2013.
  30. a b c diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  31. a b c Daniella Thompson (27/08/2004). The disc that no one reviewed (em Inglês). Página visitada em 14/02/2013.
  32. castro, Ruy. Chega de Saudade: A história e as histórias da bossa nova (em português). São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 315.
  33. castro, Ruy. Chega de Saudade. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 326.
  34. Há 20 anos a bossa nova era lançada para o mundo no Carnegie Hall de Nova Iorque. Página visitada em 01/03/2013.
  35. Ana Paula Amorim. 1962: bossa nova no Carnegie Hall. Página visitada em 16/02/2013.
  36. castro, Ruy. Chega de Saudade. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 326.
  37. Laura Pelner McCarthy. Bibliography. Página visitada em 29/03/2013.
  38. Zuza Homem de Mello. João Gilberto. [S.l.: s.n.]. p. 50.
  39. diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  40. Mario Sergio Conti. Há tanta coisa bonita a ser consertada. Página visitada em 16/02/2013.
  41. José Rezende Júnior. João Gilberto. Página visitada em 16/02/2013.
  42. Getz/Gilberto. Página visitada em 17/02/2013.
  43. a b Leonardo Lichote (17/02/2013). Disco Getz/Gilberto completa 50 anos e se mantém influente. Página visitada em 17/02/2013.
  44. Getz/Gilberto. Página visitada em 17/02/2013.
  45. This day in Music. Página visitada em 17/02/2013.
  46. diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 457. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  47. Getz/Gilberto. Página visitada em 17/02/2013.
  48. Estados Unidos preservam "Garota de Ipanema". Página visitada em 17/02/2013.
  49. 'Garota de Ipanema' entra em arquivo histórico nos EUA. Página visitada em 17/02/2013.
  50. James H. Billington. The National Recording Registry 2004. Página visitada em 17/02/2013.
  51. a b diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 457. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  52. a b c diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 458. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  53. diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 459. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  54. diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 458. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.))
  55. Caetano Veloso. Verdade Tropical. [S.l.: s.n.]. p. 191.
  56. Stan Getz biography (em inglês). Página visitada em 18/02/2013.
  57. Marcos Silva. Parceria de Jorge Amado com João Gilberto. Página visitada em 20/02/2013.
  58. a b c LUIZ FERNANDO VIANNA. Centro quer sistematizar criações de João Gilberto em partituras. Página visitada em 15/03/2013.
  59. Christopher Dunn. Procurando Sonny. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 105.
  60. João Gilberto no odia el verano (em Espanhol). Página visitada em 12/03/2013.
  61. Barbara Heckler. Uma obra-prima. Página visitada em 12/03/2013.
  62. Zuza Homem de Mello. East Side, Nova York, 1977. Página visitada em 14/03/2013.
  63. Fantástico 30 anos depois. (em português) Acessado em 18/02/2013.
  64. diniz, Edinha. Cronologia de vida e obra (em português). São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 460. (do livro João Gilberto de Walter Garcia(Org.)(2012), entrevista a Carlos Alberto Silva, O Globo, 31/20/1979)
  65. Lúcia Leme, João Gilberto:"não vou embora sem cantar o Brasil", in: Garcia, Walter (2012) João Gilberto, São Paulo: Cosac Naify.
  66. a b c d e f g h Mario Sergio Conti. Uma promessa de felicidade. Página visitada em 20/02/2013.
  67. Ronaldo Evangelista. João pirata. Página visitada em 06/04.
  68. João Gilberto, voz e violão ficam mudos sobre o Grammy. Página visitada em 21/02/2013.
  69. Maria Bethânia ‎– Canto Do Pajé (em Inglês). Página visitada em 20/02/2013.
  70. Bossa fora da cápsula. Página visitada em 22/02/2013.
  71. Release à imprensa: João Gilberto, o nº1 da Brahma. Página visitada em 20/02/2013.
  72. a b c PLÍNIO FRAGA (14/08/2008). Repórter relata noite em que foi mordomo de João Gilberto. Página visitada em 20/02/2013.
  73. a b Ficha Técnica: SHOW NÚMERO 1 - JOÃO E ANTÔNIO. Página visitada em 20/02/2013.
  74. STEPHEN HOLDEN (20/04/1995). POP REVIEW; An All-Star Tribute to Both Jobim and a Style (em Inglês). Página visitada em 03/03/2013.
  75. Fernando Henrique Cardoso. Discurso por ocasião da cerimónia de formatura da Turma Tom Jobim, do Instituto Rio Branco. Página visitada em 03/03/2013.
  76. Daniela Rocha. Homenagem a Tom tem ingressos esgotados. Página visitada em 03/03/2013.
  77. Lista especial; Mídia em dívida; Devedor e credor; Ao pé do ouvido; Dando sem receber; Por pouco; Brilhando sozinho; High society; Em alta; 56º. Página visitada em 03/03/2013.
  78. a b c d e f FERNANDA GODOY. Para Jon Pareles, crítico do New York Times, João Gilberto é o homem 'mais cool do mundo'. Página visitada em 03/03/2013.
  79. (23/03/1999) "João Gilberto y Caetano Veloso" (em Espanhol). La Nación.
  80. ILUSTRADA 50 ANOS: 1999 - João Gilberto critica o Credicard Hall. Página visitada em 15/10/2013.
  81. 'Joao Voz e Violao' já é clássico. Página visitada em 21/02/2013.
  82. Fernanda Ezabella. Para críticos, João Gilberto e bossa nova ainda são insuperáveis. Página visitada em 03/03/2013.
  83. a b Mínimo máximo. Página visitada em 21/02/2013.
  84. a b Gênio indomável. Página visitada em 21/02/2013.
  85. JOÃO GILBERTO. Página visitada em 17/03/2013.
  86. João Gilberto, voz e violão ficam mudos sobre o Grammy. Página visitada em 21/02/2013.
  87. Beijo roubado a Paris. Página visitada em 22/02/2013.
  88. a b c JOAO GILBERTO (em Inglês). Página visitada em 21/02/2013.
  89. Release a imprensa (em japonês). Página visitada em 12/03/2013.
  90. a b SÉRGIO DÁVILA. Em apresentação no Japão, João Gilberto continua nos detalhes. Página visitada em 21/02/2013.
  91. Conheça os técnicos japoneses que cuidam das turnês de João Gilberto. Página visitada em 21/02/2013.
  92. O paradoxo de João Gilberto: se repetir sem ser o mesmo. Página visitada em 21/02/2013.
  93. a b Mario Sergio Conti (2010 março). Há tanta coisa bonita a ser consertada Revista Bravo. Página visitada em 16/02/13.
  94. João Gilberto - Japan Tour 2006 (em Japonês). Página visitada em 12/03/2013.
  95. Interrupção do lançamento (em japonês). Página visitada em 12/03/2013.
  96. Roberta Pennafort. preços fazem encalhar metade dos ingressos para show de João Gilberto. Página visitada em 25/02/2013.
  97. João Gilberto, Caetano Veloso e R.E.M. estão entre os melhores shows de 2008. Página visitada em 07/04/2013.
  98. Melhor do que o silêncio: o show e a música de João Gilberto. Página visitada em 07/04/2013.
  99. João Gilberto vira garoto-propaganda. Página visitada em 03/03/2013.
  100. Daniel Castro. OUTRO CANAL. Página visitada em 03/03/2013.
  101. Nova campanha da Vale na TV. Página visitada em 03/03/2013.
  102. Cantor João Gilberto canta em novo comercial da Vale. Página visitada em 03/03/2013.
  103. Luis Nassif. Brasileiros no Down Beat. Página visitada em 26/03/2013.
  104. João Gilberto é destaque na lista dos melhores do jazz. Página visitada em 26/03/2013.
  105. Claudio Leal. Imagens raras de João Gilberto correm risco de deterioração. Página visitada em 09/05/2013.
  106. Ana de Hollanda: "Não fui procurada" para falar de João Gilberto. Página visitada em 09/05/2013.
  107. Claudio Leal. Gravadora inglesa é acusada de vender discos ilegais de João Gilberto. Página visitada em 09/05/2013.
  108. a b FABIO BRISOLLA. Justiça concede a João Gilberto o direito de reaver seus clássicos da bossa nova. Página visitada em 09/05/2013.
  109. Claudio Leal. Caetano: João Gilberto continua sofrendo "incalculáveis prejuízos". Página visitada em 09/05/2013.
  110. a b c Juliano Basile. Chega de Saudade. Página visitada em 09/05/2013.
  111. a b EMI terá de ressarcir João Gilberto por remasterizar discos sem autorização. Página visitada em 09/05/2013.
  112. STJ decidirá se EMI tem de indenizar João Gilberto. Página visitada em 09/05/2013.
  113. TJ do Rio vai revisar pedido do cantor João Gilberto. Página visitada em 09/05/2013.
  114. STJ julga recurso de João Gilberto contra gravadoras. Página visitada em 09/05/2013.
  115. Claudio Leal. João Gilberto faz 80 anos sem ter discos clássicos no mercado. Página visitada em 09/05/2013.
  116. Claudio Leal. Imagens raras de João Gilberto correm risco de deterioração. Página visitada em 09/05/2013.
  117. João Gilberto faz 80 anos sem ter discos clássicos no mercado. Página visitada em 09/05/2013.
  118. Claudio Leal. EMI diz que "os discos másteres não sofreram alteração". Página visitada em 09/05/2013.
  119. FABIO BRISOLLA. Justiça concede a João Gilberto o direito de reaver seus clássicos da bossa nova. Página visitada em 09/05/2013.
  120. Ruy Castro. Leilão à vista. Página visitada em 09/05/2013.
  121. Rogério Barbosa (09/05/2013). Justiça determina que EMI deverá entregar discos originais a João Gilberto. Página visitada em 10/05/2013.
  122. Julio Maria. João Gilberto perde guarda de álbuns para a EMI. Página visitada em 23/05/2013.
  123. Julio Maria. João Gilberto, agora, fica com as fitas. Página visitada em 23/05/2013.
  124. João Gilberto X Emi: desembargador reconsidera decisão e mantém másteres com João Gilberto. Página visitada em 23/05/2013.
  125. Joaquim Ferreira dos Santos. Após briga judicial, masters de discos são devolvidas a João Gilberto; veja imagens. Página visitada em 23/05/2013.
  126. LUCAS NOBILE. Filho de João Gilberto acusa EMI de não cumprir decisão judicial; gravadora nega.
  127. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Tatit, Luiz. O cancionista: composição de canções no Brasil (em Português). 2ª ed. São Paulo: EDUSP, 2002. 322 pp.
  128. Veloso, Caetano. Verdade Tropical. [S.l.: s.n.]. p. 86.
  129. a b c Tom Zé. João, o mito. Ainda. Página visitada em 22/02/2013.
  130. a b Zuza Homem de Mello. João Gilberto. São Paulo: Publifolha, 2001. p. 24.
  131. a b c d Lorenzo Mammi. João Gilberto e o projeto utópico da bossa nova. Página visitada em 07/04/2013.
  132. Zuza Homem de Mello. João Gilberto. São Paulo: Publifolha, 2001. p. 25.
  133. Zuza Homem de Mello. João Gilberto. [S.l.: s.n.]. p. 43.
  134. Claudio Leal. Uma porção do Brasil torce pelo fracasso de João Gilberto. Página visitada em 03/03/2013.
  135. Caetano Veloso. Verdade Tropical. [S.l.: s.n.]. 222-224 pp.
  136. a b Zuza Homem de Mello. João Gilberto. [S.l.: s.n.]. p. 43.
  137. Zuza Homem de Mello. João Gilberto. [S.l.: s.n.]. p. 45.
  138. a b c d e Tárik de Souza. Bossa Nova 50 anos: Um delta de muitas confluências. Página visitada em 26/03/2013.
  139. Itaú traz João Gilberto de volta aos palcos brasileiros na homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. Página visitada em 20/02/2013.
  140. Zuza Homem de Mello. João Gilberto. [S.l.: s.n.]. p. 44.
  141. Chico Buarque. Nem toda loucura é genial, nem toda lucidez é velha. Página visitada em 17/03/2013.
  142. BEN RATLIFF (15/06/2008). Musicians, sim. Albums, Não. (em Inglês). Página visitada em 22/02/2013.
  143. a b MARCUS PRETO. O revolucionário pai da bossa nova. Página visitada em 25/02/2013.
  144. Jobim, Antonio Carlos. Texto de contracapa do LP Chega de Saudade. [S.l.: s.n.].
  145. Veloso, Caetano. Verdade Tropical. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 36. ISBN 85-7164-712-7
  146. a b c d Ronaldo Evangelista. João Gilberto 80 anos: Chico, Gal, Caetano, Gil e Roberto Carlos falam sobre a primeira vez que ouviram o músico. Página visitada em 25/02/2013.
  147. Veloso, Caetano. Verdade Tropical. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 35. ISBN 85-7164-712-7
  148. Gustavo Angimahtz. Tinindo e trincando. Página visitada em 26/03/2013.
  149. Carlos Vasconcellos. Impressões sobre um gênio. Página visitada em 26/03/2013.
  150. Tony Bennett: 'João Gilberto é meu cantor favorito'. Página visitada em 05/03/2013.
  151. Diana Krall diz que João Gilberto foi sua primeira referência musical. Página visitada em 05/03/2013.
  152. Diana Krall está com a bossa toda. Página visitada em 05/03/2013.
  153. Madonna é homenageada em surpreendente álbum em bossa nova. Página visitada em 03/03/2013.
  154. MIGUEL ARCANJO PRADO. Bossa Nova: João Gilberto "deu bolo" em Sartre e Simone de Beauvoir. Página visitada em 21/02/2013.
  155. Joao Voz E Violao (em Inglês). Página visitada em 21/02/2013.
  156. Walter Garcia (Org.). João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. índice. ISBN 978-85-7503-737-9
  157. Walter Garcia. João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. contracapa. ISBN 978-85-7503-737-9
  158. a b Esgotados ingressos para show de João Gilberto em SP. Página visitada em 22/07/2013.
  159. Lorena Calabria. A “MALDIÇÃO” DE JOÃO GILBERTO. Página visitada em 24/07/2013.
  160. MARCUS PRETO. Título não preenchido, favor adicionar. Página visitada em 24/07/2013.
  161. LEONARDO LICHOTE. João Gilberto no Facebook? Perfil do baiano no site gera dúvidas e alimenta o mito. Página visitada em 24/07/2013.
  162. MARCUS PRETO. Internauta se passa por João Gilberto em perfil do Facebook. Página visitada em 24/07/2013.
  163. Ricardo Calil. JOÃO SEM BRAÇO. Página visitada em 24/07/2013.
  164. JoãoGilberto.com. Página visitada em 24/07/2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALBIN, Ricardo Cravo (Criação e Supervisão Geral). Dicionário Houaiss Ilustrado da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Paracatu, 2006.
  • CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar; novos mergulhos na Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Sol nasceu pra todos:a História Secreta do Samba. Rio de Janeiro: Litteris, 2011.
  • CASTRO, Ruy Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  • DINIZ, Edinha. Cronologia de vida e obra, in GARCIA, Walter (Org.). João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012. pp. 451 - 467.
  • LEME, Lúcia. João Gilberto:"Não vou embora sem cantar no Brasil", in GARCIA, Walter (Org.). João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
  • TATIT, Luiz. O cancionista: composição de canções no Brasil. 2ª Edição. São Paulo: Edusp, 2002. ISBN 8531402484
  • MELLO, Zuza Homem de. Folha Explica João Gilberto. São Paulo: Publifolha, 2001. ISBN 85-7402-289-6
  • GARCIA, Walter. Bim Bom: a contradição sem conflitos de João Gilberto. São Paulo: Paz e Terra, 1999. ISBN 85-219-0343-X
  • GARCIA, Walter (Org.). João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012. ISBN 978-85-7503-737-9
  • VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. ISBN 85-7164-712-7
  • DUNN, Christopher. Procurando Sonny. in GARCIA, Walter (Org.). João Gilberto. São Paulo: Cosac Naify, 2012. pp. 105 - 110.
  • MAMMI, Lorenzo. João Gilberto e o projeto utópico da bossa nova. São Paulo: Novos Estudos, n° 72, 1992. pp. 63 - 70.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: João Gilberto