Funk carioca em São Paulo

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Funk carioca em São Paulo
MC Pedrinho, representante do gênero.
Origens estilísticas Rap
Funk carioca
Contexto cultural Década de 1990
Instrumentos típicos Caixa de ritmos, toca-discos, sampler, sintetizador, vocal
Popularidade Alta no Brasil a partir de 2012
Subgêneros
Funk ostentação
Funk ousadia
Funk melody

O funk carioca em São Paulo refere-se à um estilo musical brasileiro, com artistas do estado de São Paulo.[1] Suas raízes aproximam-se ao funk carioca; no entanto, diferenças culturais estão presentes.[2]

Uma das principais vertentes da história do funk paulista foi o chamado funk ostentação, que viveu seu auge entre 2012 e 2015, no qual o lírico das canções abordava bens materiais e dinheiro.[3] A crise financeira que está presente no país desde 2014 foi um dos principais motivos para que a partir do ano de 2015 as canções do funk paulista, que apresentaram artistas do chamado funk ousadia. Atualmente, o termo "funk paulista" é utilizado para descrever artistas do gênero nascidos no estado de São Paulo, independente de suas vertentes.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Durante muitos anos, cultivou-se uma grande rivalidade entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro no que tange aos estilos musicais predominantes em cada região.[5][6] O Rio de Janeiro, por exemplo, criou o ritmo funk carioca, que possui em sua essência temas como a vida nas favelas e a exaltação da mulher - esta última, através do funk melody, e ao "proibidão", que canta sobre criminalidade e possui conteúdos de apelo sexual; no entanto, tal estilo não era aceito em São Paulo, pois era julgado pela maioria como alienante - apesar de uma crítica social se encontrar presente.[7] Em contrapartida, os paulistas apresentavam um discurso contundente espelhado nos rappers norte-americanos da chamada velha escola do hip hop, preocupando-se em expor os problemas do governo em batidas pesadas e agressivas, as quais não foram bem-recebidas no estado vizinho por serem vistas como "chatas e antidiversão".[7] Esta divisão explica a existência de poucos cantores de funk em São Paulo, bem como poucos rappers no Rio de Janeiro.[8] Com o funk ostentação, essa divisão entre os estados acabou ficando bem menor, visto que ambos encontraram um "meio-termo" em seus ideais.[7]

O funk carioca nunca foi um dos estilos musicais mais populares no estado de São Paulo, sendo que em meados da década de 1990, cerca de cinco DJs executavam canções do gênero em festas e bailes.[9] DJ Baphafinha, um dos pioneiros na profissão em São Paulo, afirmou que o funk chegou na Baixada Santista no ano de 1995, através de Lourival Fagundes, dono da gravadora Footloose.[9] Sem fazer nenhuma menção à ostentação, os MCs Jorginho e Daniel compuseram a primeira música de funk paulista, chamada "Fubanga Macumbeira", que em tom humorado fazia menção à mulheres.[9][10] Desde tal momento até 2008, o funk do estado de São Paulo procurou abordar temas como a criminalidade e o erotismo, mantendo a sonoridade e a temática muito similares ao do funk carioca, tendo como destaque nomes como MC Dinho da Neném, MCs Renatinho & Alemão, e MC Duda do Marapé.[9]

Em 2011, surge a "Liga da Funk", uma associação paulista idealizada pelo empresário Marcelo Galático.[11]

Criação do funk ostentação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Funk ostentação

Criado no ano de 2008, o gênero desenvolveu-se primeiramente na Região Metropolitana de São Paulo e na Baixada Santista, antes de alcançar proporções nacionais a partir de 2011.[12] Os temas centrais abordados nas músicas referem-se ao consumo e a propriamente dita ostentação, onde grande parte dos representantes procura cantar sobre carros, motocicletas, bebidas e outros objetos de valor, além de fazerem frequentemente citações à mulheres e ao modo de como alcançaram um maior poderio de bens materiais, exaltando a ambição de sair da favela e conquistar os objetivos.[13]

O gênero foi criado como uma alternativa à lírica abordada pelo ritmo carioca, que citava essencialmente conteúdos relacionados com a criminalidade e com uma vida de sofrimento.[14] A primeira canção do estilo foi gravada pelos MCs Backdi e Bio G3 em setembro de 2008, intitulada "Bonde da Juju", fazendo menção clara para a ostentação.[9] Após a realização de diversos festivais do gênero no estado, vários cantores foram sendo descobertos, enquanto outros acabaram se readaptando ao funk ostentação, que alcançou a primeira exibição nacional com o lançamento do videoclipe "Megane", do cantor MC Boy do Charmes, em meados de 2011.[15] Quando tornou-se de senso comum que o funk ostentação seria melhor representado no formato audiovisual, o cinegrafista KondZilla inovou ao ser o primeiro a produzir conteúdos visuais, que foram recebidos com ampla aprovação pelos fãs.[12] Para exemplificar isto, três videoclipes do ritmo estiveram entre os dez mais vistos nos anos de 2012 e 2013.[16][17]

A consolidação do funk ostentação como um dos gêneros mais conhecidos do país aconteceu com o trágico falecimento de Daniel Pellegrine, conhecido no meio artístico como MC Daleste, o qual foi alvejado por dois tiros de arma de fogo enquanto realizava um show em Campinas, em julho de 2013.[18] Ele era um dos principais representantes do estilo no momento de sua morte, a qual foi noticiada nacional e até internacionalmente, tornando-o um dos nomes mais pesquisado no Google no Brasil naquele ano.[19][20] A exposição do caso na mídia fez com que outros artistas do funk concedessem entrevistas aos canais de televisão com depoimentos sobre a carreira e o fato acontecido.[21]

Com o surgimento de um grupo econômico conhecido como nova classe média, o funk ostentação passou a obter estrita relação com os membros do mesmo, que após conseguirem uma elevação na situação financeira, buscam seguir os passos dos artistas, tornando este o gênero mais escutado pelos que se encontram neste patamar.[22] Atualmente, os principais representantes do ritmo e que acumulam maior número de visualizações em suas canções e videoclipes são MC Guimê, MC Lon, MC Gui e MC Pocahontas.<[23]

Funk ousadia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Funk ousadia

Devido à fatores como a crise que abateu o Brasil a partir do ano de 2014, o funk ostentação acabou perdendo espaço na mídia e deu espaço para um novo subgênero do funk paulista, surgido por volta do ano de 2013 na cidade de São Paulo.[24] Sua lírica baseia-se em canções relacionadas a erotismo, com conotação sexual e trocadilhos em forma de humor. O gênero tem sido referido por diversas mídias como o substituto do funk ostentação.[25] A presença do humor nas canções diferencia este gênero das canções de Mr. Catra e MC Magrinho, que possuem um apelo sexual mais claro e evidente.[26]

Entre os principais músicos deste gênero, estãoː MC Livinho, MC Pedrinho, MC Brinquedo, MC Pikachu, MC 2K, MC Menor da VG, MC Dudu,[27] MC Didizin, MC Tati Zaqui e MC Bin Laden.[28]

Bailes de favela[editar | editar código-fonte]

A popularização da canção "Baile de favela" de MC João, em 2015, trouxe à mídia as festas nas quais são realizados os eventos de funk em São Paulo, conhecidas como "bailes de favela".[29] Diversos meios de comunicação abordaram reportagens sobre estes eventos, inclusive sendo alvo de uma reportagem do programa televisivo A Liga, da Rede Bandeirantes.[30] O teor de erotismo das músicas e a promiscuidade vista dentro dos bailes também foi pauta de jornais reconhecidos no país, como O Globo.[31]

Notórias produções[editar | editar código-fonte]

As produções notórias do funk paulista são as que conseguiram um reconhecimento nas mídias sociais e no YouTube, considerando-se como marcas para o gênero.[32]

Canção Artista Ano Visualizações (aprox.)
(jan/2017)
"Megane" MC Boy do Charmes 2011 4 milhões
"Tá patrão" MC Guimê 2012 31 milhões
"Plaquê de 100" MC Guimê 2012 72 milhões
"Toda Toda" Pikeno & Menor 2013 68 milhões
"São Paulo" MC Daleste 2013 41 milhões
"Baile de favela" MC João 2014 149 milhões
"Passinho do Romano" MC Dadinho 2015 52 milhões
"Tá tranquilo, tá favorável" MC Bin Laden 2015 86 milhões
"Bumbum Granada" MC's Zaac & Jerry 2016 205 milhões
"Cheia de Marra" MC Livinho 2016 159 milhões

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Funk carioca perde espaço para os paulistas». Extra. Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  2. «Luana Don mostra a diferença entre o funk carioca e paulista». RedeTV. Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  3. «SP x RJ: qual a diferença entre os ritmos de funk?». R7. Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  4. «MC Guimê traz o funk paulista para o palco da Parada Coca-Cola». Sopa Cultural. Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  5. «As rivalidades entre São Paulo e Rio, e as músicas de Jobim». Folha Online. 28 de janeiro de 2001. Consultado em 17 de fevereiro de 2014 
  6. «A inócua rivalidade Rio x SP». Folha Online. 26 de abril de 2007. Consultado em 17 de fevereiro de 2014 
  7. a b c Leonardo Lichote. A potência do Funk. [S.l.: s.n.] p. 33 
  8. «Rap Brasileiro». CliqueMusic. Consultado em 17 de fevereiro de 2014 
  9. a b c d e «Documentário: Funk Ostentação». iG TV. 26 de novembro de 2012. Consultado em 16 de fevereiro de 2014 
  10. «Jorginho e Daniel: Fubanga Macumbeiro». Clipes de Funk. 21 de janeiro de 2014. Consultado em 16 de fevereiro de 2014 
  11. Empresário auxilia jovens da periferia por meio do funk
  12. a b «Conheça KondZilla, o diretor por trás dos clipes de funk ostentação». Folha Online. 2 de fevereiro de 2014. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  13. «Letras de funk ostentação podem custar mais de R$ 3 milhões; saiba o preço dos produtos mais cobiçados». R7. 27 de janeiro de 2014. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  14. «Sem crítica social, funk de ostentação cai no gosto da classe média». Carta Capital. 8 de setembro de 2013. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  15. «Funk ostentação vira tema de documentário». O Globo. 11 de novembro de 2012. Consultado em 15 de fevereiro de 2014 
  16. «YouTube faz retrospectiva de 2013». O Globo. 25 de dezembro de 2013. Consultado em 15 de fevereiro de 2014 
  17. «YouTube faz retrospectiva de 2012». O Globo. 24 de dezembro de 2012. Consultado em 15 de fevereiro de 2014 
  18. «Morre funkeiro MC Daleste após ser baleado durante show em Campinas». iG. 7 de julho de 2013. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  19. «MC Daleste é o famoso com maior alta de buscas no Google em 2013». tecnologia.terra.com.br. 2013. Consultado em 23 de Fevereiro de 2014 
  20. «MC Daleste e Chorão foram as celebridades mais buscadas no Google em 2013». www.opovo.com.br. 2013. Consultado em 23 de Fevereiro de 2014 
  21. «Funkeiros homenageiam MC Daleste após ele morrer com tiro em show». Globo. 7 de julho de 2013. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  22. «Funk Ostentação simboliza em SP emergência da 'nova classe média'». Globo News. 10 de novembro de 2013. Consultado em 17 de fevereiro de 2014 
  23. «Conheça dez nomes do funk ostentação». Capricho. 11 de outubro de 2013. Consultado em 20 de fevereiro de 2014 
  24. «Funk ousadia torna sucesso entre jovens e vira negócio lucrativo em SP». Em resumo. Consultado em 28 de fevereiro de 2015 
  25. «O funk ostentação está à beira da morte. E já tem um substituto». Veja. Consultado em 2 de fevereiro de 2015 
  26. «MCs de São Paulo apostam em funk picante». iG. Consultado em 27 de fevereiro de 2015 
  27. «Funk ostentação ganha representantes mirins com clipes sensuais e luxuosos» 
  28. «Ostentação é coisa do passado, agora a moda é cantar funk ousadia». UOL. Consultado em 27 de fevereiro de 2015 
  29. «'Baile de favela' muda vida de Mc João, que sustenta família desde os 17 anos». Globo. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  30. «Maria Paula vai até a maior favela do Brasil conhecer o Baile do Helipa». Band. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  31. «Baile de favela». O Globo. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  32. «Qual o futuro do funk paulista?». Globo. Consultado em 29 de dezembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]