Casino Royale (2006)

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Casino Royale
007 - Casino Royale (PT)
007 - Cassino Royale (BR)
Pôster promocional
 Reino Unido
2006 • cor • 144 min 
Direção Martin Campbell
Produção Barbara Broccoli
Michael G. Wilson
Roteiro Robert Wade
Neal Purvis
Paul Haggis
Baseado em Ian Fleming
Elenco Daniel Craig
Eva Green
Mads Mikkelsen
Giancarlo Giannini
Jeffrey Wright
Judi Dench
Género Ação
Idioma Inglês
Música David Arnold
Direção de arte Peter Lammont
Direção de fotografia Phil Meheux
Figurino Lindy Hemming
Edição Stuart Baird
Estúdio EON Productions
Distribuição Columbia Pictures
Metro-Goldwyn-Mayer
Lançamento Reino Unido 16 de novembro de 2006
Estados Unidos 17 de novembro de 2006
Brasil 15 de dezembro de 2006
Orçamento US$ 150 milhões
Receita US$ 599 045 960 milhões[1]
Cronologia
Último
Último
Die Another Day
Quantum of Solace
Próximo
Próximo
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Casino Royale (no Brasil, 007 - Cassino Royale; em Portugal, 007 - Casino Royale), é um filme britânico de 2006, o vigésimo primeiro da franquia cinematográfica de James Bond e o primeiro com Daniel Craig estrelando como o agente secreto do MI6, James Bond. O filme foi dirigido por Martin Campbell e escrito por Robert Wade, Neal Purvis e Paul Haggis. Casino Royale se passa no início da carreira de Bond como o Agente 007, quando ele acaba de ganhar sua licença para matar. Depois de impedir um ataque terrorista no Aeroporto Internacional de Miami, Bond se apaixona por Vesper Lynd, uma agente do tesouro enviada para fornecer o dinheiro que ele precisa para frustrar os planos de Le Chiffre, ganhando dele em um jogo de poquer de alto risco. O arco de história continua no filme seguinte, Quantum of Solace.

O filme é um reinício da franquia, estabelecendo uma nova linha do tempo e um narrativa feita para não preceder ou suceder qualquer um dos filmes anteriores de Bond.[2] Isto permitiu que o filme mostrasse um Bond menos experiente e mais vulnerável[3] e assim, pela primeira vez na série, a personagem de Miss Moneypenny não aparece. A escolha de elenco do filme envolveu uma enorme busca para encontrar um novo ator para interpretar James Bond, e uma significativa controvérsia em volta de Craig quando ele foi escolhido para suceder Pierce Brosnan em outubro de 2005. Locações de filmagens ocorreram na República Checa, Bahamas, Itália e Reino Unido com os cenários sendo construídos no Pinewood Studios. Casino Royale foi produzido pela EON Productions para a Metro-Goldwyn-Mayer e a Columbia Pictures, sendo o primeiro filme de Bond a ser co-produzido pela Columbia. É a terceira adaptação do livro original de Ian Fleming, depois do episódio de televisão de 1954 e do filme satírico de 1967.

Casino Royale estreou no Odeon Leicester Square, em Londres, no dia 14 de novembro de 2006. Foi aclamado pela crítica, com muitas resenhas aplaudindo a performance de Craig e a reinvenção do personagem de Bond. Arrecadou mais de 594 milhões de dólares em bilheteria, se tornando o filme de Bond de maior arrecadação da história.[1]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Na sequência de abertura, James Bond está em uma missão que, se for completada com sucesso, vai o qualificar para ser um agente 00. Ele vai para Praga e mata um chefe de seção do MI6, Dryden, que vazou uma informação confidencial, e seu aliado, Fisher. Em outro lugar, um homem chamado apenas de Sr. White serve como intermediário apresentando o banqueiro Le Chiffre a um grupo terrorista que procura um paraíso fiscal para guardar seu dinheiro. Le Chiffre garante que não há riscos para o dinheiro, porém seus investimentos envolvem um risco considerável: ele vende a descoberto ações em companhias de sucesso e depois cria um ataque terrorista para afundar os preços das ações.

M, chefe do MI6, manda Bond em sua primeira missão como 007 para Madagascar, com o objetivo de perseguir um fabricante de bombas profissional chamado Mollaka. Depois de uma perseguição free running até a embaixada de Nanbuto, Bond mata Mollaka e explode parte do prédio para escapar. Ele obtem o celular de Mollaka e descobre que ele recebeu telefonemas de Alex Dimitrios, um associado de Le Chiffre, que mora nas Bahamas. Bond viaja até Nassau e seduz a esposa de Dimitrios, Solange. Enquanto atendia um telefonema, Solange revela que seu marido está indo para Miami. Bond vai embora para persegui-lo. Em Miami, 007 mata Dimitrios e depois segue o capanga de Le Chiffre, Carlos, até o Aeroporto Internacional de Miami. Lá, Bond frustra o plano de Le Chiffre de destruir o protótipo de avião desenvolvido pela Skyfleet ao conseguir prender a bomba em Carlos, deixando o banqueiro com uma enorme perda.

Agora sob pressão para recuperar o dinheiro de seus clientes, Le Chiffre arruma um torneio de poquer de alto risco no Cassino Royale em Montenegro. Esperando que uma derrota forçaria Le Chiffre a ajudar o governo britânico em troca de proteção contra seus clientes, o MI6 coloca Bond no torneio. Ele se encontra com René Mathis, seu aliado em Montenegro, e com Vesper Lynd, agente do Tesouro que é enviada cuidar dos 10 milhões de dólares necessários para comprar as fichas. Após um tempo depois do início do torneio, Bond perde todo o seu dinheiro. Vesper diz que seria um desperdício de dinheiro continuar a financiar Bond e se recusa a dar os US$ 5 milhões necessários para ele comprar mais fichas e continuar jogando.

Perturbado por sua derrota, Bond resolve assassinar Le Chiffre. Antes que ele faça o que estava planejando, o agente da CIA Felix Leiter, que também estava jogando no torneio, intervem e se oferece para financiar Bond em troca da custódia de Le Chiffre. De volta ao jogo, Bond começa a acumular fichas. Le Chiffre e seus associados tentam matar Bond envenenando sua bebida, porém ele sobrevive e vence o torneio. Pouco tempo depois, Le Chiffre sequestra Vesper e a usa para atrair Bond para uma quase fatal perseguição de carros, que termina com sua captura. Le Chiffre tortura Bond para ter acesso aos códigos para os ganhos do torneio. Quando se torna claro que Bond não vai cooperar, Le Chiffre avança para castrá-lo, dizendo a Bond que ele ainda vai receber proteção dos britânicos pela informação que ele possui sobre seus empregadores, mesmo se Bond e Vesper forem mortos. O Sr. White entra na sala e mata Le Chiffre e seus associados, aparentemente depois de ter ouvido Le Chiffre admitir que ele trairia White e sua organização. Bond e Vesper são deixados vivos.

Bond acorda em um hospital no Lago de Como, e ordena que Mathis, que tinha revelado ser um agente duplo, seja preso. Bond admite que ele está apaixonado por Vesper e promete deixar o serviço secreto antes que esse tire toda sua humanidade. Ele envia sua carta de demissão para M e vai para umas férias românticas com Vesper em Veneza. Porém, logo, Bond descobre que seus ganhos no poquer não foram depositados na conta do Tesouro. Percebendo que Vesper havia roubado o dinheiro, ele a persegue e também persegue membros de uma organização que ela estava trabalhando até um prédio em obras. Após matar os inimigos dentro e fora do prédio, Bond encontra Vesper presa no elevador. Se desculpando pela traição, ela se tranca dentro do elevador e mergulha na água. Bond tenta resgatá-la, porém ela se afoga antes que ele chegasse a ela. Sr. White, observando de uma varanda, vai embora com o dinheiro.

Bond, se sentindo traído, descobre de M que Vesper tinha um namorado franco-argelino que foi sequestrado pela organização por trás de Le Chiffre e Sr. White e que ela havia concordado em entregar o dinheiro se Bond fosse deixado vivo. Ele descobre o nome e o número de White no celular de Vesper. White, chegando em uma grande casa perto do Lago de Como, recebe um telefonema e pede que o homem do outro lado da linha se identifique. Enquanto Sr. White termina de fazer a pergunta sobre a identidade do homem, ele é atingido na perna por um tiro. Enquanto ele se rasteja até a casa, Bond aparece, com uma arma em uma mão e um celular na outra, e responde: "Meu nome é Bond, James Bond".[4]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Daniel Craig como James Bond: um agente britânico que, após ser promovido a 00, é enviado em uma missão para prender um fabricante de bombas em Madagascar, onde ele "tropeça" na célula terrorista de Le Chiffre e é então enviado para derrotá-lo em um jogo de pôquer de alto risco no Cassino Royale.
  • Eva Green como Vesper Lynd: uma agente do Tesouro que é enviada para supervisionar Bond e financiar seu jogo de pôquer.
  • Mads Mikkelsen como Le Chiffre: um banqueiro que serve muitos dos terroristas do mundo.
  • Giancarlo Giannini como René Mathis: o contato de Bond em Montenegro.
  • Jeffrey Wright como Felix Leiter: um agente da CIA que participa do torneio de pôquer e ajuda Bond. Esta é a primeira vez que um ator negro interpreta o papel de Leiter.
  • Judi Dench como M: a chefe do MI6. Apesar dela achar que promoveu Bond cedo demais e se aborrecer com suas decisões, ela atua como uma importante figura materna em sua vida. Dench é o único membro do elenco dos filmes de Brosnan a ficar na nova fase da franquia.
  • Simon Abkarian como Alex Dimitrios: um outro contratante do submundo do terrorismo internacional e um associado de Le Chiffre.
  • Caterina Murino como Solange Dimitrios: a esposa de Alex que é seduzida por Bond.
  • Ivana Miličević como Valenka: a namorada de Le Chiffre.
  • Isaach De Bankolé como Steven Obanno: um temido líder do Exército de Resistência do Senhor, introduzido a Le Chiffre por intermédio do Sr. White.
  • Jesper Christensen como Sr. White: um homem misterioso que faz parte de um grupo terrorista não nomeado.
  • Sébastien Foucan como Mollaka: um fabricante de bombas que é perseguido por Bond em Madagascar.
  • Tobias Menzies como Villiers: o jovem secretário de M no quartel general do MI6.
  • Ludger Pistor como Mendel: um banqueiro suiço responsável por todas as transações monetárias durante e após o torneiro de pôquer.
  • Claudio Santamaria como Carlos: um terrorista contratado por Le Chiffre para explodir o avião da Skyfleet.
  • Clemens Schick como Kratt: o guarda-costas de Le Chiffre que o acompanha para todo o lugar.
  • Joseph Millson como Carter: um agente do MI6 que acompanha Bond em Madagascar.

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A EON Productions conseguiu os direitos para Casino Royale em 1999, depois da Sony Pictures tê-los trocado com a Metro-Goldwyn-Mayer pelos direitos de Spider-Man.[5] Em março de 2004, Neal Purvis e Robert Wade começaram a escrever um roteiro para Pierce Brosnan como Bond, tentando trazer um "sabor" Ian Fleming devolta a série.[6] A maior contribuição de Paul Haggis foi reescrever o clímax do filme. Ele explicou, "o rascunho que estava lá era bem fiel ao livro e havia uma confissão, então no rascunho original a personagem confessava e se matava. Ela enviaria Bond para caçar os vilões; Bond caçaria os vilões até a casa. Eu não sei porque más eu achei que Vesper tinha de estar na casa que estava afundando e que Bond tinha que querer matá-la e depois tentar salvá-la".[7]

O diretor Quentin Tarantino expressou seu interesse em dirigir uma adaptação do livro Casino Royale,[8] apesar disso ter sido apenas um interesse pessoal e ele não ter falado com a EON. Tarantino também tinha expressado interesse em Casino Royale depois de fazer Pulp Fiction. Ele afirma ter trabalhado nos bastidores com a família de Fleming, e ele acredita que isso foi uma das razões que os cineastas decidiram realizar Casino Royale.[9] Em fevereiro de 2005, Martin Campbell foi anunciado como o diretor do filme.[10] Mais tarde, no mesmo ano, a Sony liderou um consórcio que comprou a MGM, permitindo que ela ganhasse os direitos de distribuição da franquia.[11]

A EON admitiu que eles usaram excessivamente os efeitos criados por computação gráfica nos filmes recentes, particularmente em Die Another Day, e queriam muito realizar as proezas em Casino Royale "no estilo antigo".[12] Mantendo o desejo de mais realismo, Purvis, Wade e Haggis queriam que o roteiro fosse o mais fiel possível ao livro de 1953, mantendo a história sombria de Fleming e a caracterização de Bond.[13]

Casino Royale se tornou o primeiro filme de Bond a tirar seu título de um livro ou de um conto de Ian Fleming desde The Living Daylights em 1987. Também se tornou o primeiro filme de Bond desde o mesmo a não ser adaptado em uma romantização. Ao invés disso, uma nova edição do livro de Fleming foi publicada.

Escolha de elenco[editar | editar código-fonte]

Pierce Brosnan tinha originalmente assinado um contrato para quatro filmes quando ele foi escolhido para interpretar Bond. Isso foi cumprido com a produção de Die Another Day em 2002. Entretanto, neste estágio, Brosnan estava se aproximando de seu aniversário de 50 anos, e especulações começaram que os produtores estavam procurando um ator mais jovem para substituí-lo.[14] Brosnan anunciou oficialmente que ele estava deixando o papel em fevereiro de 2005. Em certo ponto, o produtor Michael G. Wilson afirmou que uma lista de mais de 200 nomes estavam sendo considerados para o papel.[15] O ator croata Goran Višnjić fez testes para o papel no mesmo dia que Craig, porém não foi capaz de dominar o sotaque britânico.[16] De acordo com Martin Campbell, Henry Cavill foi o único ator em séria disputa para o papel, porém com 22 anos, foi considerado muito jovem.[17] Sam Worthington também foi considerado.[18]

Em maio de 2005, Daniel Craig anunciou que a MGM e os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli tinha assegurado a ele que ele ficaria com o papel de Bond, e Matthew Vaughn disse a reporteres que a MGM ofereceu a ele a oportunidade de dirigir, porém naquela altura a EON Productions não havia contatado nenhum dos dois.[19] Um ano antes, Craig havia recusado uma oferta, já que ele pensava que a série tinha caído em uma fórmula; foi apenas após ler o roteiro que ele ficou interessado. Craig leu todos os livros escritos por Fleming para se preparar para o papel. Ele citou os agentes do Mossad e do MI6 que serviram como consultores no filme Munich como inspiração porque, "Bond tinha saído do serviço e ele é um matador [...] Você pode no seus olhos, você imediatamente: oh, olá, ele é um matador. Tem um visual. Estes caras entram em uma sala e bem sutilmente checam os perímetros por uma saída. Esse tipo de coisa que eu queria".[20]

No dia 14 de outubro de 2005, a EON Productions, a Sony Entertainment e a MGM anunciaram em uma coletiva de imprensa em Londres que Daniel Craig seria o sexto ator a interpretar James Bond.[15] Uma grande controvérsia surgiu logo após o anuncio da decisão, muitos duvidaram se os produtores haviam feito a escolha certa. Por todo o período de produção, várias campanhas na internet como danielcraigisnotbond.com expressaram sua insatisfação e ameaçaram boicotar o filme em protesto.[21] Craig, diferente de seus antecessores, não se encaixava, de acordo com os protestantes, na imagem alta, morena, bonita e carismática que o público se acostumou a ver.[22]

A próxima escolha de elenco importante era a da Bond girl principal, Vesper Lynd. A diretora de elenco Debbie McWilliams admitiu que atrizes famosas, como Angelina Jolie e Charlize Theron, foram "fortemente consideradas" para o papel, e que a atriz belga Cécile de France também fez testes, porém seu sotaque inglês não era muito bom.[23] Audrey Tautou também foi considerada, porém não foi escolhida por causa de seu papel em The Da Vinci Code, que estreou em maio de 2006.[24] Foi anunciado em fevereiro de 2006 que Eva Green interpretaria o papel.[25]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

O produtor Michael Wilson e Daniel Craig em Veneza durante as filmagens.

As filmagens de Casino Royale começaram no dia 30 de janeiro de 2006 e terminaram em 21 de julho do mesmo ano. O filme foi filmado principalmente nos Barrandov Studios, em Praga, com locações adicionais nas Bahamas, Itália e Reino Unido. As filmagens foram concluídas no Pinewood Studios.[26]

Inicialmente, Michael G. Wilson confirmou que o filme se passaria, ou seria filmado, em Praga e na África do Sul. Entretanto, a EON Productions encontrou problemas ao assegurar locações na África do Sul.[27] Depois de nenhuma locação ficar disponível, os produtores tiveram de reconsiderar suas opções. Em setembro de 2005, o diretor Martin Campbell e o diretor de fotografia Phil Meheux estavam procurando locações em Atlantis Paradise Island, nas Bahamas, como uma possível locação.[28] Em 6 de outubro de 2005, Campbell confirmou que Casino Royale seria filmado nas Bahamas e "talvez na Itália". Além das várias cenas filmadas em locação, trabalhos em estúdio, incluindo a coreográfia, cordenação e a prática de proezas, foram realizadas no Barrandov Studios, em Praga, e no Pinewood Studios, onde o filme usou vários estúdios incluindo o tanque de água no histórico Estúdio 007, construído originalmente por Albert Broccoli para as filmagens de The Spy Who Loved Me. Outras filmagens no Reino Unido foram feitas no Aeródromo de Surrey, o pavilhão do cricket em Eton College e um local de testes de veículos em Bedfordshire.[22]

Depois de Praga, a produção foi para as Bahamas. Várias locações perto de New Providence foram usadas durante fevereiro e março, particularmente Atlantis Paradise Island. As imagens que se passam em Mbale, Uganda, foram filmadas em Black Park, Buckinghamshire, em 4 de julho de 2006. Cenas adicionais ocorreram na Albany House, uma propriedade pertencente ao golfista Tiger Woods.[29] A equipe retornou para a República Checa em abril, e continuou lá, filmando em Praga, Planá e Loket; antes de completar na cidade de Karlovy Vary, em maio. Um famoso spa de Karlovy Vary, conhecido como Karlsbad, foi usado como locação para o exterior do Cassino Royale com o Grandhotel Pupp servindo como o Hotel Splendide.[30] A principal locação italiana foi Veneza, onde se passa a maior parte do final do filme. Outras cenas da segunda metade do filme foram filmadas no final de maio e início de junho na Villa del Balbianello no Lago de Como.[31] Outras filmagens exteriores ocorreram em outras propriedades ao redor do lago, como Villa la Gaeta.[22]

Uma recriação da exibição Body Worlds forneceu um local para uma cena do filme. Várias peças da exibição aparecerem, além de seu criador, o alemão Gunther von Hagens, apesar de apenas seu icônico chapéu ser visível no filme.

No dia 30 de julho de 2006, um incendio ocorreu no Estúdio 007. O dano foi significante, porém não teve efeito no lançamento de Casino Royale, já que o incidente ocorreu uma semana após as filmagens terem sido completadas, e os cenários estavam no processo de serem desmanchados.[32] Em 11 de agosto de 2006, Pinewood Studios confirmou que nenhuma tentativa seria feita para salvar os restos do estúdio, ao invés disso, o estúdio seria reconstruído do zero.[33]

Efeitos[editar | editar código-fonte]

Ao criar a sequência de créditos iniciais para o filme, o desenhista gráfico Daniel Kleinman se inspirou na capa da primeira edição britânica de Casino Royale, que tinha o desenhos originais de Ian Fleming de um baralho com oito corações vermelhos com sangue. Kleinman disse, "Os corações não apenas representam as cartas, más as tribulações da história de amor de Bond. Então eu peguei isso como inspiração para usar gráficos de baralhos de modos diferentes nos créditos", como paus representando a fumaça de uma armam e artérias cortadas despejando vários pequenos corações de copas.[34] Ao criar as imagens sombreadas da sequência, Kleinman digitalizou imagens de Craig e dos dublês do filme em um sistema de efeitos visuais: as silhuetas dos atores foram incorporadas em mais de 20 cenas digitalmente animadas mostrando padrões de cartas intrincados e inovativos. Kleinman decidiu não usar as silhuetas de mulheres semi nuas comumente vistas através das sequências de créditos dos filmes de Bond, considerando que as mulheres não se encaixavam tanto no espírito do filme quanto na história de Bond se apaixonando.[35]

Para o resto do filme, o Supervisor de Efeitos Especiais e Efeitos de Miniatura, Chris Corbould, retornou para um estilo mais realista de produção e para efeitos digitais reduzidos. De acordo com Corbould, "computação gráfica é uma grande ferramenta e pode ser bem útil, porém eu vou lutar até não poder mais para fazer algo real. Eu o melhor jeito de proseguir".[26] Três equências envolviam primariamente efeitos físicos foram a perseguição em Madagascar, a perseguição no aeroporto de Miami e a casa veneziana que afunda; com os cenários localizados no Grand Canal e no Pinewood Studios.[26]

Primeiro no cronograma estava as cenas na construção de Madagascar, filmadas nas Bahamas no local de um hotel abandonado que Michael G. Wilson conheceu em 1977, durante as gravações de The Spy Who Loved Me.[26] Na cena, Bond dirige uma escavadera em direção ao prédio, batendo em um muro de concreto para tentar derrubar Mollaka. O time de dublês construíu um modelo e criou vários modos onde a escavadera poderia bater no concreto e derrubar o pilar que estava por baixo. Uma seção do muro foi removida para se encaixar com a escavadera e reforçada com aço.[26]

A sequência no Aeroporto Internacional de Miami foi parcialmente filmada em um aeródromo em Surrey, com algumas imagens dos aeroportos de Praga e Miami.[26] Ao filmar uma cena onde a força de uma turbina de um avião faz um carro de polícia voar alto, os diretores da segunda unidade Ian Lowe, Terry Madden e Alex Witt usaram um guindaste com cabos de aço presos a traseira do carro para movê-lo para trás e para cima no momento da extensão máxima, movendo o veículo para longe do avião.[26]

O avião Skyfleet S570 do filme era um Boeing 747-200, que pertencia a British Airways, que teve suas turbinas removidas e foi modificado para ter a aparência desejada para o filme. A aeronave modificada teve suas turbinas externas substituídas por tanques de combustível e suas turbinas internas substituídas por um modelo de turbinas duplas. A cabine foi alterada para fazer o 747 parecer um protótipo de avião moderno.[36]

O afundamento da casa veneziana no clímax do filme teve a maior estrutura mecânica já construída para um filme de Bond.[26] Para cena onde Bond segue Vesper para dentro da casa em obras suportada por balões infláveis, um tanque foi construído no Estúdio 007 em Pinewood, consistindo na piazza veneziana e o interior de um prédio dilapidado de três andares. A estrutura mecânica que continha o cenário da casa, pesando por volra de 90 toneladas, incorporava válvulas eletrônicas e hidráulicas que eram controladas por computador devido a dinâmica do movimento dentro do sistema de dois eixos. O mesmo sistema de computador também controlou o modelo exterior que o time de efeitos construíu em uma escala de 1 para 3 para filmar o prédio afundando dentro do canal. O elevador dentro da estrutura poderia ser submergido em 5,8 m de água, e usava compressores para regular o movimento.[26]

Na época das filmagens, a Aston Martin ainda estava nas fases finais de desenvolvimento do DBS. A cena envolvendo o acidente de carro foi criada para usar um Aston Martin DB9 especialmente modificado para se parecer com o Aston Martin DBS V12 de Bond, sendo reforçado para aguentar impacto. Devido ao baixo centro de gravidade do veículo, uma rampa de 450 mm teve de ser colocada na pista de testes de Millbrook, com Ben Collins, o dublê que fez a proeza, tendo que disparar um canhão de ar localizado atrás do banco do motorista no momento certo para fazer o carro capotar. A uma velocidade de 113 km/h, o carro capotou sete vezes enquanto estava sendo filmado, e foi confirmado pelo Guinness Book of Records em 5 de novembro de 2006 como um novo recorde mundial.[26]

Música[editar | editar código-fonte]

A trilha sonora de Casino Royale foi composta pelo compositor David Arnold, seu quarto filme de Bond, enquanto Nicholas Dodd orquestrou e regeu a trilha. Arnold deixou que o tradicional tema de James Bond, composto por Monty Norman, fosse construído pelo filme, mostrando a imaturidade do personagem, antes de aparecer em sua forma completa nos créditos finais.[37] Os produtores Wilson e Broccoli anunciaram em 26 de julho de 2006 que Chris Cornell, ex vocalista do Audioslave e Soundgarden compôs junto com Arnold e cantaria a canção tema do filme, "You Know My Name".[38] É a primeira vez desde Octopussy, em 1983, que a canção tema não incorpora o título do filme, e Cornell é o primeiro vocal masculino na série desde a-ha em The Living Daylights, de 1987. Algumas notas da música são usadas no filme como tema principal da trilha orquestral, substituindo o tema de Bond.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Casino Royale estreou na Odeon Leicester Square, na Odeon West End e no Empire simultaneamente em Londres no dia 14 de novembro de 2006. A Rainha Elizabeth II, junto com o Duque de Edimburgo, estiveram presentes na exibição, sendo essa a terceira vez que a Rainha vai a uma estréia de um filme de Bond, depois de You Only Live Twice, em 1967, e Die Another Day, em 2002.[39] Junto com o elenco e a equipe, várias celebridades e 5.000 convidados pagantes estiveram na platéia.[40]

Dois dias depois da estréia, cópias piratas do filme começaram a aparecer à venda em Lodres. "A rápida aparição deste filme nas ruas mostra a sofisticação e organização por trás do pirateamento no Reino Unido", disse Kieron Sharp, da Federation Against Copyright Theft.[41] Cópias piratas em DVD estavam sendo vendidas por menos de £1.57. O próprio Craig recebeu uma oferta de um DVD do filme enquanto andava anonimamente pelas ruas de Pequim usando chapéu e óculos escuros para não ser reconhecido.[42]

Em janeiro de 2007, Casino Royale se tornou o primeiro filme de Bond a ser exibidos nos cinemas da China. A versão chinesa foi editada antes do lançamento, com a referência a Guerra Fria redublada e novo diálogo adicionado durante a cena de poquer para explicar o processo do Texas hold 'em, já que o jogo é pouco familiar na China. O filme arrecadou aproximadamente 11,7 de dólares milhões na China desde sua estréia no dia 30 de janeiro em 468 salas,[43] incluindo um recorde no fim de semana de estréia para um filme não-chinês, com 1,5 milhões de dólares.[44]

Depois dos críticos teram chamado Die Another Day de "Um Novo Dia Para Comprar", devido ao fato do filme ter por volta de 20 patrocinadores com propagandas inseridas na história, a EON limitou as propagandas em Casino Royale. Os parceiros promocionais incluiam a Ford Motor Company, Heineken, Smirnoff, Omega, Virgin Atlantic Airways e Sony Ericsson.[45]

Bilheteria[editar | editar código-fonte]

O filme conseguiu 2 milhões de libras em ingressos no Reino Unido em seu primeiro dia. Em seu primeiro fim de semana arrecadou um total de 13.400.000 de libras. O filme também estreou na República da Irlanda com mais de 1.100.000 de euros em suas duas primeiras semanas. Casino Royale arrecadou por volta de 4.200.000 euros na Irlanda. De 16 a 19 de novembro o filme arrecadou mais de 40.000.000 de dólares.[46]

Estimativas do primeiro dia nos Estados Unidos e no Canadá mostravam Casino Royale no topo com 14.750.000 de dólares, enquanto estimativas do fim de semana de estréia o mostravam em segundo com 40.600.000 de dólares,[47] com mais 42 milhões de dólares internacionalmente. Apesar de Happy Feet ter vencido a competição geral de bilheteria naquele fim de semana, a comparação das arrecadações é problemática, já que Happy Feet tem quase a metade da duração de Casino Royale; tendo mais exibições por dia, e assim podendo arrecadar mais. Uma melhor indicação das performances relativas dos filmes é que Casino Royale, por cinema, arrecadou mais que Happy Feet, que estava sendo exibido em 370 cinemas a mais. De acordo com Box Office Mojo, Casino Royale teve uma média de 11.890 de dólares por cinema; enquanto Happy Feet teve uma média de 10.918 dólares.[1] [48]

Casino Royale estreou na primeira posição em 27 países, com uma arrecadação de 43.407.886 de dólares em seu primeiro fim de semana.[1] No total mundial, o filme arrecadou 594.239.066 de dólares,[1] quebrando tanto o recorde doméstico e internacional de Die Another Day. Contando os ajustes de inflação, Casino Royale é atualmente o quinto filme mais bem sucedido de Bond, atrás de Thunderball, Goldfinger, You Only Live Twice e The Spy Who Loved Me.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Casino Royale foi aclamado pela crítica, com muitos elogiando particularmente a performance e a credibilidade de Craig. Durante a produção isso foi um tema de debate pela mídia e pelo público geral, já que Craig não parecia se encaixar com o retrato original de Ian Fleming para o personagem; alto e moreno. O The Daily Telegraph comparou as qualidades da caracterização de Craig de Bond as de Sean Connery, elogiando o roteiro como inteligentemente escrito, notando como o filme sai das convenções da série. O The Times comparou a interpretação mais agressiva de Craig com a de Timothy Dalton, elogiando a ação do filme,[49] com outro crítico citando em particular a sequência de perseguição nos guindastes de Madagascar.[50] Os críticos Paul Arendt da BBC,[51] Kim Newman da Empire[52] e Todd McCarthy da Variety[53] , todos descreveram Craig como o primeiro ator a realmente incorporar o James Bond original de Ian Fleming nos livros: irônico, brutal e frio.

O filme também foi bem recebido na América do Norte. O filme foi descrito como retorno de James Bond a "suas raízes", similar a From Russia With Love,[54] onde o foco era no personagem e no enredo e não nos dispositivos de alta tecnologia e efeitos visuais que foram altamente criticados em Die Another Day.[53] No website Rotten Tomatoes, o filme possui um indíce de aprovação de 94%, baseado em 214 resenhas. O consendo é "Casino Royale retira a estupidez dos dispositivos que infectaram os recentes filmes de James Bond, e Daniel Craig entrega o que os fãs e críticos estavam esperando: uma cáustica, atormentada e intensa reinvenção de 007".[55] É o quarto melhor filme de Bond ranqueado no Rotten Tomatoes. No site Metacritic, o filme tem um indíce de 81/100, baseado em 38 críticas, indicando "aclamação universal".[56] A Entertainment Weekly escolheu o filme como o quinto melhor da série,[57] e escolheu Vesper Lynd como a quarta melhor Bond Girl da franquia.[58] Alguns colunistas e críticos ficaram tão impressionados com a performance de Craig que o consideraram um candidato viável a uma indicação ao Oscar.[59] [60] [61]

Roger Moore escreveu, "Daniel Craig me impressionou tanto em seu filme de estréia, Casino Royale, introduzindo mais energia e brutalidade ao personagem que eu achei que Sean talvez tenha passado. A interpretação de Craig foi como nada que eu tenha visto antes; Jimmy Bond estava ganhando suas listras e cometendo erros. Foi intrigante vê-lo sendo castigado por M, como um desobediente estudante seria por seu mestre. O roteiro o mostrou como um personagem vulnerável, problemático e cheio de falhas. Bem o oposto do meu Bond! Craig era, e é, muito mais o Bond que Ian Fleming descreveu nos livros - uma implacável máquina de morte. Era o Bond que o público queria". Moore ficou tão impressionado que ele acabou comprando o DVD do filme.[62] Raymond Benson, autor de nove livros de Bond, chamou Casino Royale de "um perfeito filme de Bond".[63] Em 2008, a Empire elegeu Casino Royale como o #56 "Melhor Filme de todos os Tempos", em uma pesquisa realizada com 10.000 leitores, 150 cineastas e 50 críticos de cinema.[64]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

No British Academy of Film and Television Arts de 2006, Casino Royale venceu o Prêmio de Melhor Som (Chris Munro, Eddy Joseph, Mike Prestwood Smith, Martin Cantwell e Mark Taylor) e o Orange Rising Star Award, vencido por Eva Green.[65] O filme foi indicado a outros oito BAFTAs, o Prêmio Alexander Korda de Melhor Filme Britânico, Melhor Roteiro (Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis), Prêmio Anthony Asquith de Melhor Música (David Arnold), Melhor Fotografia (Phil Méheux), Melhor Edição (Stuart Baird), Melhor Desenho de Produção (Peter Lamont e Simon Wakefield), Melhor Realização em Efeitos Visuais Especiais (Steve Begg, Chris Corbould, John Paul Docherty e Ditch Doy) e Melhor Ator (Daniel Craig). Isso fez de Craig o primeiro ator na história a receber uma indicação ao BAFTA por interpretar James Bond.[66] Ele também recebeu o Prêmio de Melhor Ator do jornal Evening Standard.

Casino Royale venceu o Prêmio de Excelência em Direção de Arte do Sindicato dos Diretores de Arte (Peter Lamont),[67] e a canção "You Know My Name" venceu o International Press Academy Satellite Award de Melhor Canção Original.[68] O filme foi indicado a cinco Saturn Awards nas categorias de Melhor Ator (Daniel Craig), Melhor Atriz Coadjuvante (Eva Green), Melhor Roteiro (Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis), Melhor Música (David Arnold), vencendo na categoria de Melhor Filme de Ação/Aventura/Thriller.[69] [70] Vários membros da equipe receberam o Taurus World Stunt Awards em 2007, incluindo Gary Powell para Melhor Cordenação de Dublês e Ben Cooke, Kai Martin, Marvin Stewart-Campbell e Adam Kirley para Melhor Trabalho em Alturas.[71] Em 2008, a Empire elegeu Casino Royale como o #56 "Melhor Filme de Todos os Tempos", em uma pesquisa realizada com 10.000 leitores, 150 cineastas e 50 críticos de cinema.[64]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]