Críticas ao capitalismo

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Capa da primeira edição de 1867 do livro Das Kapital de Karl Marx.

Como críticas ao capitalismo devem entender-se, em modo geral, todas aquelas críticas contra o capitalismo lançadas desde as mais diferentes perspectivas ao longo da sua história. Os críticos vão desde quem se opõe aos princípios teóricos do capitalismo na sua totalidade até quem ataca algum resultado concreto produzido pelos modos de produção e socialização capitalistas. E não só se diferenciam na amplidão e complexidade da sua crítica, como também nas suas propostas para resolver a situação, quer através da revolução (v.g. o socialismo revolucionário), quer através de reformas concretas ao capitalismo (v.g. a social-democracia), quer mesmo considerando que o capitalismo é geralmente positivo e propondo modificações muito pontuais através da regulação governamental (v.g. a economia social de mercado).

História[editar | editar código-fonte]

Segundo a crítica contemporânea do capitalismo, a rápida industrialização na Europa desde meados do século XVIII criou condições de trabalho consideradas injustas, que incluíam jornadas de trabalho de quatorze horas, trabalho infantil e favelização. Perante esta situação, alguns economistas otimistas argumentaram que as condições de vida tinham sido mesmo piores no passado e que, baseando-se numa evidência empírica, era possível observar como a revolução industrial tinha melhorado o nível de vida e a esperança de vida. Os economistas pesimistas da época, ao contrário, consideravam que as condições não melhoraram ou que apenas melhoraram paulatinamente depois de 1840.

O socialismo utópico[editar | editar código-fonte]

Alguns pensadores proto-socialistas tentaram criar comunidades socialistas livres das injustiças consideradas próprias do capitalismo inicial. Entre estes "socialistas utópicos" estavam Charles Fourier e Robert Owen.O socialismo é dividido em duas partes o socialismo positivo e o socialismo negativo.

O socialismo científico[editar | editar código-fonte]

À margem do socialismo utópico também surgiu um socialismo científico que via a revolução industrial como um novo sistema que podia potencialmente produzir suficientes bens de consumo para a população humana inteira, mas era obstaculizado pelo seu método ineficiente de distribuir os bens produzidos. Entre estes socialistas científicos destacaram-se inicialmente Karl Marx e Friedrich Engels, que em 1848 publicaram um panfleto intitulado Manifesto Comunista que incluía uma crítica política e económica do capitalismo baseada no materialismo histórico. Desde então, o seu manifesto converteu-se num dos livros mais influentes da crítica ao capitalismo.

Contudo, desde a publicação do Manifesto Comunista, um grande número de autores tem adaptado as ideias do socialismo científico às mudanças produzidas nas sociedades capitalistas e, ao mesmo tempo, originado diferentes "resposta científicas" aos problemas considerados inerentes ao capitalismo: anarcossindicalismo, social-democracia, comunismo de conselhos, bolchevismo, sindicalismo, etc. Os próprios governos identificaram alguns desses problemas e, em maior ou menor medida, trataram de corrigi-los através do intervencionismo do Estado, onde se destacaram o keynesianismo e o New Deal. Em alguns países, as revoluções socialistas conseguiram reduzir o capitalismo e substitui-lo por estados socialistas que, porém, só parcialmente conseguiram sobreviver além da década de 1980, quando se produziu a queda da União Soviética e doutros países da sua órbita.

Crítica socialista atual[editar | editar código-fonte]

Na atualidade persistem as críticas ao capitalismo, concretamente contra a sua nova forma de economia global. Os críticos têm demandado um maior intervencionismo estatal contra os efeitos do livre mercado como o aquecimento global, a exploração da cidadania sob um modelo de capitalismo altamente consumista, a destruição das economias produtivas e a sua substituição pela economia especulativa e o imperialismo económico numa época de globalização. Contudo, também há quem considere que a problemática capitalista se deve tratar dum ponto de vista holístico, entendendo que se trata de problemas sistémicos que não podem ser facilmente reconduzíveis (v.g. ecologistas sociais ou economistas participativos).

Ver também[editar | editar código-fonte]

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