Zoés

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: se procura pela língua da família linguística tupi-guarani, falada pelos Zoés, veja Língua zoé.
Zo'é
Membros da etnia Zo'é
População total

256

Regiões com população significativa
Óbidos e Oriximiná, no Pará, no  Brasil Cartagenes, 2010[1]
Línguas
Língua zoé
Religiões
Xamanismo

Os Zo'é, zoés[2] ou poturu são um grupo indígena que habita a Terra Indígena Zoé (ou Área Indígena Cuminapanema/Urukuriana), entre os rios Erepecuru, Cuminapanema e Curuá, nos municípios de Óbidos[3] e Oriximiná,[4] no noroeste do estado do Pará, no Brasil. A sua população em 2010 era de 256 indivíduos.[5] O seu povo é do tipo tupi–guarani[6][7] e fala a língua Zo'é.[8] Com exceção de alguns jovens que aprenderam palavras em português ouvindo funcionários da Fundação Nacional do Índio falar no rádio, sua população é essencialmente monolíngue.[5] São conhecidos pelo uso do poturu (também chamado eberpot[9] ou 'mber'pót),[10] um cilindro que é enfiado numa perfuração do lábio inferior.

Modo de vida[editar | editar código-fonte]

Os Zo'és são nômades caçadores-coletores que, durante certos períodos do ano, param para cultivar mandioca. Nesses períodos, habitam uma ou duas cabanas ao redor da plantação. Quando a colheita acaba, se mudam para outra localidade para iniciar novamente o plantio. Os Zo'és são especialistas em caça. Possuem um tipo de flecha para cada animal, desde antas e macacos até pequenos peixes que eles pescam com pequenas flechas e veneno. Os Zo'és possuem muitos animais de estimação, incluindo espécies de que eles costumam se alimentar: porém, neste caso, não se alimentam destes. Os zoés levam os animais de estimação para onde forem. A castanha-do-pará também tem uma grande importância na alimentação dos zoés.[11]

Os Zo'és possuem, como principal tradição, o poturu: um botoque de madeira que tanto homens como mulheres usam no lábio inferior. O uso do poturu inicia-se com um palito quando crianças e vai aumentando conforme a idade. A perfuração do lábio inferior das crianças é um importante rito zoé. Outros ritos zoés são celebrados no nascimento, na morte, na primeira menstruação das meninas e na primeira anta caçada pelos meninos. Nesses ritos, ingere-se o 'seh'py', uma bebida fermentada de tubérculos.[12] As mulheres Zo'és usam um chapéu feito de plumas brancas de aves na parte frontal da cabeça, e o cabelo amarrado atrás. Já os homens ocasionalmente usam um cocar de palha. Os homens usam um corte de cabelo que arrendonda completamente a testa independente de o cabelo ser longo ou comprido. Os Zo'és se pintam de completamente de vermelho com alguns desenhos pretos, exceto o rosto, em ocasiões especiais.

Habitação[editar | editar código-fonte]

As habitações Zo'és variam de tamanho e construção conforme o local. Normalmente, em volta das plantações, eles habitam construções de madeira apenas com um teto de palha e algumas redes. Porém, na floresta, constroem construções arrendondadas de folhas de palmeira, sempre com fogueiras no meio.

Casamento e família[editar | editar código-fonte]

Os rituais de casamento dos Zo'és nunca foram completamente compreendidos. Os Zo'és praticam, ao mesmo tempo, as duas formas de poligamia: poliandria e poliginia. Isto é, uma mulher pode ter vários maridos e um homem várias esposas. Os jovens normalmente se tornam esposos ou esposas de membros mais velhos para aprenderem como cuidar de uma família. Os Zo'és, quando são jovens, aprendem o necessário para cuidar de uma família. Quando ficam velhos, estes são cuidados com muita atenção pelas próprias famílias. Os Zo'és normalmente vivem em famílias pequenas e muito próximas e cuidam com atenção de cada membro.

Tradições e Mitologia[editar | editar código-fonte]

Os Zo'és realizam uma espécie de festival todo ano, onde os membros da etnia se encontram, dançam e cantam. Na principal dança, os homens cantam batendo um taco de madeira no chão. Os Zo'és normalmente cantam e conversam em volta de fogueiras. As mulheres normalmente cozinham e ajudam os homens a prepararem as flechas. Porém, durante as caçadas, acompanham os homens e ajudam a carregar os animais em cestos de palha. Os Zo'és nunca acampam próximo a rios pois acreditam que uma deidade ou um deus em forma de caranguejo habita os rios e águas e esmaga crânios com sua grande garra. Segundo a mitologia zoé, um antepassado chamado Sihié'abyr mostrou-lhes como usar o ornamento labial característico da etnia.[13]

História[editar | editar código-fonte]

A Fundação Nacional do Índio tomou conhecimento da existência dos zoés no início da década de 1970, durante as obras de construção da rodovia BR-210 (Perimetral Norte). Em 1982, missionários evangélicos da Missão Novas Tribos do Brasil efetuaram um breve e tenso contato com os zoés, que se limitou à entrega de alguns presentes. Os missionários tentaram novos contatos ao longo dos anos seguintes, mas encontros tensos entre zoés e missionários motivaram a Fundação Nacional do Índio a pedir, em outubro de 1991, a saída dos missionários da região, passando a fundação a exercer um trabalho assistencial junto aos zoés. Durante o período de contato com os missionários, os zoés sofreram grandes epidemias de doenças contra as quais tinham pouca imunidade, o que reduziu drasticamente o tamanho da população zoé. Atualmente, existe a preocupação das autoridades governamentais em proteger os zoés do contato com os não zoés, de modo a protegê-los de novas epidemias.[14]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Zoés

Referências

  1. Povos Indígenas no Brasil: 2006-2010 2011, p. 9-16.
  2. Planeta. Disponível em http://www.revistaplaneta.com.br/o-jardim-das-zoes/. Acesso em 10 de março de 2017.
  3. Ethnologue. Disponível em https://www.ethnologue.com/language/pto. Acesso em 10 de março de 2017.
  4. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/zoe/1967. Acesso em 10 de março de 2017.
  5. a b Instituto Socioambiental. «Zo'é». Povos Indígenas do Brasil. Consultado em 31 de março de 2014 
  6. «The case of the Zo'é». Indigenous Peoples in Brazil (em inglês). Instituto Socioambiental. Consultado em 18 de outubro de 2007. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2007 
  7. «Jipohan is someone like yourself». socioambiental.org (em inglês). Consultado em 18 de outubro de 2007. Cópia arquivada em 5 de julho de 2007 
  8. «Zo'é». Ethnologue. Consultado em 4 de abril de 2012 
  9. Planeta. Disponível em http://www.revistaplaneta.com.br/o-jardim-das-zoes/. Acesso em 10 de março de 2017.
  10. Survival. Disponível em http://www.survivalbrasil.org/povos/zoe. Acesso em 10 de março de 2017.
  11. Survival. Disponível em http://www.survivalbrasil.org/povos/zoe. Acesso em 10 de março de 2017.
  12. Survival. Disponível em http://www.survivalbrasil.org/povos/zoe. Acesso em 10 de março de 2017.
  13. Survival. Disponível em http://www.survivalbrasil.org/povos/zoe. Acesso em 10 de março de 2017.
  14. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/zoe/1965. Acesso em 10 de março de 2017.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]