Éaco
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Éaco (ou Aicos) é filho de Zeus (ou de Poseidon) e da ninfa Égina, transformada em ilha pelo seu amante divino. Piedoso por natureza, ele é amado pelos deuses que se comprazem a satisfazer os seus votos. Assim, a fim de conseguir que a sua ilha fosse povoada, Éaco pediu a Zeus que transformasse as formigas de um carvalho sagrado em seres humanos. Esta foi a origem do povo dos Mirmídões (formiga em grego), de quem Éaco se tornou rei (uma versão diferente da lenda afirma que a ilha, povoada por colonos trazidos por Éaco, foi dizimada por uma epidemia de peste enviada por Hera e que, para substituir os mortos, Zeus acedeu ao pedido de seu filho, metamorfoseando as formigas).
Éaco construiu à volta da ilha de Egina uma cintura de muralhas, que a protegiam das incursões dos piratas. Teria também ajudado Poseídon e Apolo a construir as muralhas de Tróia, para o rei Laomedonte. Diz-se que quando a obra terminou, três dragões tentaram a escalada das muralhas, mas só um conseguiu chegar ao fim. Exactamente aquele que subiu pela muralha construída por Éaco. Deduziu-se, assim, que estas protecções seriam um dia franqueadas por um dos seus descendentes. Éaco teve uma filha, Aicímaco, que foi a segunda esposa de Oileu (pai de Ájax, "o pequeno") e dois filhos, Peleu e Télamon (foi Télamon, o companheiro de Héracles, que transpôs as muralhas de Tróia, a fim de vingar o herói), que tiveram uma descendência gloriosa (Aquiles, filho de Peleu; o "grande Ájax", filho de Télamon, ambos heróis da guerra de Tróia).
De uma segunda união com a Nereide Psâmate, Éaco teve um terceiro filho, Foco. Acontece que os seus dois primeiros filhos tiveram ciúmes de Foco, que se cobrira de louros ao conquistar a Fócida e, assim, decidiram matá-lo, no decurso de um jogo do disco. Éaco, submisso às leis divinas, condenou ao exílio estes filhos assassinos.
A sua sabedoria e a sua paixão pela justiça fizeram com que os deuses o escolhessem para juiz das suas querelas e, mais tarde, para assessor no tribunal do Além, presidido por Hades, ao lado de Minos e Radamante. Ele estava, particularmente, encarregado de julgar, nos infernos, os "acontecimentos europeus".
Os habitantes da ilha de Egina renderam-lhe um culto fervoroso, cujas festas eram combinadas com jogos gímnicos. Os vencedores destes jogos suspendiam as suas coroas no templo que lhe tinha sido consagrado. Atenas venerou também Éaco, edificando-lhe um santuário na Ágora.
Éaco é geralmente representado usando um ceptro real e a chave dos Infernos, de que ele é o único detentor.

