Catarina de Médici

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Catarina de Médicis
Rainha da França
KatharinavonMedici.jpg
Catarina de Médici como rainha de França
Governo
Reinado 31 de março de 1547 —
10 de julho de 1559
Coroação 10 de junho de 1549
Consorte Henrique II
Casa Real Médicis
Títulos Duquesa de Urbino
Condessa de Lauraguais e Auvérnia
Vida
Nome completo Caterina Maria Romola di Medici
Nascimento 13 de abril de 1519
Florença, Itália
Morte 5 de janeiro de 1589 (69 anos)
Blois, França
Sepultamento Basílica de Saint-Denis, Ilha-de-França
Filhos Francisco II
Isabel
Cláudia
Luís
Carlos IX
Henrique III
Margarida
Hércules Francisco
Joana
Vitória
Pai Lourenço II de Médici
Mãe Madalena de la Tour-d'Auvergne


Caterina Maria Romola di Medici (13 de abril de 15195 de janeiro de 1589) foi rainha consorte francesa de origem italiana.

Índice

Biografia [editar]

Filha de Lourenço II de Médici, o Jovem (1492-1519)— filho de Pedro, o desafortunado, governante de Florença (este, filho de Lourenço de Médici, o magnífico, com Clarice Orsini) e de Alfonsina Orsini (filha de Roberto, Conde de Tagliacozzo e Pacentro, e de Catarina Sanseverino)— governante de Florença de 1503 a 1515 e Duque de Urbino, que casara em Amboise em 2 de maio de 1518 com Madalena de la Tour-d´Auvergne (1495-1519) condessa de Auvergne, de Clermont, Baronesa de La Tour d’Auvergne e de La Chaize; filha de João III de La Tour, Conde de Auvergne, e Joana de Bourbon -assim Catarina, pela mãe, era parente da família real francesa. Restaurados os Medici [1512], Lourenço foi escolhido governante de Florença. Em 1519, findou com ele a descendência masculina legítima de Cosme o Velho. Os Medicis foram de novo expulsos de Florença, a República de novo estabelecida em 1527. Deixou esta filha, Catarina, e um filho bastardo.

Este filho bastardo, tido por seu pai com uma amante moura, Simonetta (irmão portanto de Catarina de Médici) se chamava Alexandre de Médicis e morreria assassinado em 1537. Duque de Urbino 1519-1532 e primeiro duque de Florença 1530-1537. Casou em Nápoles em 29 de fevereiro de 1536 com uma filha bastarda de Carlos V, Margarida de Habsburg ou Áustria (VII.1522-18.1.1586). Não esquecer que os Medici foram banidos de Florença, e a República restabelecida, em 1527. Mas em 1530, depois do sítio célebre, a cidade teve que se render às forças imperiais e Carlos V fez com que Alexandre, o bastardo de Lourenço, se tornasse chefe hereditário do governo florentino. Aboliram-se as formas republicanas, e Alexandre governou até ser assassinado por um parente, Lorenzo di Pierfrancesco de Médici ou Lourenço de Pedrofrancisco de Médici, o qual fugiu para Veneza de onde nem tentou se tornar sucessor nem quis restaurar a república.

A única tia de Catarina foi Clarissa (1493-1528) casada em 1508 com Filipe II Strozzi (1488-1538) chamado o Jovem, que entrou em conflito com os Médicis na revolução de 1527. Aliado ao Duque Alexandre, marchou contra Florença quando este morreu. Retomou a luta depois da eleição do Duque Cosme I, em 1537; vencido e preso em Montemurlo, suicidou-se na prisão.

Órfã do pai com meses de idade, tinha treze anos quando Francisco I da França, ansioso por contrariar projetos de Carlos V e estabelecer uma relação com seu tio, o Papa, casou-a com seu quarto filho, Henrique. A pequena florentina esforçava-se para agradar seu sogro, um amante da arte italiana, e a amante dele, a Duquesa de Etampes. A morte do Papa aborreceu o rei francês, e ela ficou relegada em sua corte, primeiro por ter trazido um pequeno dote (de 100 mil escudos) e poucos apanágios, depois porque não conseguia engravidar.

Casamento [editar]

Em 28 de outubro de 1533 casou em Marselha, na presença do papa, com Henrique, futuro Duque de Orleans e rei da França, o segundo filho do rei Francisco I da França e da Rainha Claudia, num casamento organizado por seu tio-avô, o Papa Clemente VII. Como Henrique era o segundo filho do rei, e provalvemente não viria a reinar, Francisco I não se importou de casá-lo com uma plebéia e estabelecer assim uma interessante aliança com o Papa. Com a morte do seu irmão mais velho, Henrique tornou-se Delfim da França e mais tarde rei. Ele mantinha desde os 14 anos uma amante 19 anos mais velha que ele, Diana de Poitiers, uma mulher culta, bela e por quem Henrique era extremamente fascinado. Durante os primeiros dez anos de casamento, Catarina não conseguia engravidar. Diana de Poitiers, preocupada com a infertilidade desta, e na possibilidade disso se tornar um motivo para a separação e consequente busca por uma nova esposa, resolve intervir e orientar Catarina sobre como produzir um herdeiro. Catarina produz então uma bela prole: 10 filhos em 12 anos.

Tornou-se rainha da França quando ascendeu ao trono seu marido em 31 de março de 1547, até enviuvar em 1559. Será de novo rainha em 1574-89, regente da França em 1552 (na curta campanha de Henrique II na Lorena) e de 1560 a setembro de 1574. Após a morte do marido, Catarina tornou-se regente de dois filhos, primeiro Francisco II e depois Carlos IX, e Rainha-Mãe de Henrique III.

Uma das personagens mais influentes das guerras da religião francesas, foi uma das responsáveis pelo Massacre da noite de São Bartolomeu, ocorrido durante as comemorações do casamento de sua filha Margarida de Valois, futura Rainha Margot, com o protestante Henrique de Navarra, futuro Henrique IV.

Regências [editar]

Catarina veste o capuz e o véu pretos de viúva (posterior a 1559).

Permaneceu na sombra. No reinado de seu filho Francisco II de França, casado com Maria Stuart, deixou governarem os Guise, tios de Maria. A época era confusa, de guerras e conspirações entre católicos e protestantes. Catarina teria prometido aos chefes protestantes, o Príncipe de Condé e o Almirante de Coligny, liberdade para seus correligionários. Deve-se a Catarina a indicação de Michel de l'Hôpital como chanceler, homem cuja esposa e filhos eram calvinistas, que convocou uma assembleia de notáveis em Fontainebleau (agosto de 1560) em que se decidiu que o castigo dos heréticos deveria ser suspenso e que os Estados Gerais deveriam se reunir em Orléans, em dezembro.

Francisco II morreu em 5 de dezembro de 1560. Catarina prosseguiu com a mesma política, oscilando entre católicos e protestantes de maneira a estabelecer o domínio da dinastia. Manobrava sempre entre a Rainha inglesa protestante, Elizabeth I, e o rei espanhol, o genro, Filipe II. Com isso obteve certa independência e governo autônomo. Mostrou como regente do filho Carlos IX grandes qualidades políticas. Inteligente, activa, tinha a necessária duplicidade e bastante ausência de escrúpulos quanto à escolha dos meios. Como Carlos IX tinha apenas dez anos ao herdar o trono, Catarina governou praticamente sozinha. Nomeou Antônio de Bourbon, rei da Navarra e protestante, como Tenente General do reino, aumentou o poder de l'Hôpital, evitou o aumento da influência dos Guise ao objetar ao casamento da nora viúva Maria Stuart com don Carlos, herdeiro espanhol. Convocou a conferência de Poissy, que visava a conseguir concordância teológica entre católicos e huguenotes. Escreveria a Roma: «É impossível reduzir pelas armas ou pelas leis os que estão separados pela Igreja Romana, tão grande é seu número…» Nisso jamais deu razão a seu genro Filipe II, que lhe pedia mais dureza contra os huguenotes, e no Edito de Janeiro de 1562 lhes assegurou mesmo tolerância.

Os interesses políticos que haviam causado o afastamento das facções religiosas não mudavam: a arrogância dos huguenotes exasperava os católicos, e o massacre de Vassy em março de 1562 inaugurou a primeira verdadeira guerra religiosa, na qual saíram vitoriosos os Guise, derrota para a Regente. Catarina teria então chegado a pensar em se alinhar aos Condé, chefes protestantes, contra os Guise. Escreveu mesmo quatro cartas, que os huguenotes disseram mais tarde conter ordens a Condé para tomar armas e ela declarou que seu conteúdo fora alterado… Os acontecimentos se precipitaram, e ela sofreu a humilhação de ver Guise trazer Carlos IX para Paris. A partir de então flutuou entre as duas forças, negociou e vigiou intrigas de outros, ou da Espanha, que tentava interferir em benefício do partido católico, ou da Inglaterra, que se aliaria aos huguenotes, do Imperador, que se aproveitou da anarquia na França para reclamar os três bispados conquistados havia pouco por Henrique II.

O assassinato de Guise pelo huguenote Poltrot de Mere (18 de fevereiro de 1563) apressou a paz. O tratado de Amboise concedeu em 12 de março de 1563 certas liberdades aos protestantes. Catarina, para mostrar à Europa que já não mais havia discórdias entre católicos e protestantes, enviou soldados das duas religiões à conquista do Havre em 28 de julho de 1563, pois o Almirante de Coligny tinha entregado o porto aos ingleses. Foram os anos mais felizes de sua regência. Carlos IX, maior de idade em 27 de junho, declarava que a mãe deveria continuar a governar. O tratado de 11 de abril de 1564 assegurou Calais para a França. Catarina e o jovem rei fizeram um giro pelas províncias francesas.

Voltou alguma perturbação por causa da entrevista em Bayonne entre ela e o duque de Alba em Junho de 1565. Os protestantes espalharam rumor de que ela conspirava com o rei da Espanha, e chegaram a convocar suas forças. Catarina, na verdade, cada vez temia mais Coligny. Temia que Carlos IX, influenciado por alguns huguenotes, se alinhasse ao príncipe de Orange e declarasse guerra à Espanha. Por isso teria dado a ordem para o assassinato de Coligny - para recuperar controle sobre o filho rei. Por isso envolvem seu nome na lista de responsáveis pelo massacre de S. Bartolomeu, tão ligado ao assassinato do almirante.

Carlos IX morreu em 30 de maio de 1574 e sua influência decresceu no reinado de seu outro filho, o duque de Anjou, que ela fizera rei da Polônia e que subiu ao trono francês como Henrique III. Catarina gostava bastante desse filho, mas tinha sobre ele pouca influência. As concessões feitas aos protestantes no Tratado que ficou conhecido como Paz de Monsieur, em 5 de maio de 1576, provocaram a formação da Santa Liga para defender os interesses católicos.

Durante doze anos, aumentara na França o poder dos Guise, em guerra constante contra os huguenotes. E Catarina era por eles considerada uma inimiga. Rodeado por seus favoritos, Henrique III assistiu ao fim da dinastia. Francisco de Valois, o filho caçula, morreu em 10 de Junho de 1584. Não havia herdeiros a não ser um protestante, Henrique de Bourbon, rei da Navarra (ver Henrique IV de França). A velha rainha sem mais muito ânimo mas ainda ambiciosa e o rei sem descendência assistiam às disputas entre Guises e Bourbons. No final de 1587 o senhor verdadeiro de Paris já nem era Henrique III mas sim o duque de Guise. No dia das Barricadas, 12 de maio de 1588, Catarina salvou a honra do filho, indo em pessoa negociar com Guise, que a recebeu com pose de conquistador, conseguindo dele que permitisse a Henrique III fugir secretamente de Paris.

Houve reconciliação esboçada com Guise por meio do Edito da União em Julho de 1588. A rainha, intrigante como sempre, arquitetando planos sem cessar, estava no castelo de Blois com o filho Henrique III para a reunião dos Estados Gerais quando soube em 22 de Dezembro de 1588 que o filho tinha-se livrado de Guise por assassinato. Sua surpresa foi genuína e trágica e ela teria dito: «Agora, meu filho, o que você cortou, é preciso recosturar.»

Efígies de Catarina de Médici e Henrique II por Germain Pilon (1583), Basílica de Saint-Denis

Morreu depois de treze dias deixando o filho em situação crítica. Mal sabia que em 1 de agosto de 1589 a adaga de Jacques Clement cortaria a vida de Henrique III. Deixou fama de ditatorial, pouco ou nada escrupulosa, calculadora, ardilosa. Só via porém os interesses de sua família e seus métodos nisso eram absolutamente egoístas. Talvez cínicos, como melhor termo. Apenas porque os interesses da França e os da realeza coincidiam é que se pode dizer que ao trabalhar por seus filhos, Catarina trabalhava pelos interesses políticos da França e por trinta anos evitou interferências externas. Fazia-se rodear de envenenadores e perfumistas (arte difundida em Itália numa época em que italiano era sinónimo de envenenador) e foi acusada de assassinar desta forma vários dos seus inimigos, tais como Margarida de Navarra, que havia de ser sogra da sua filha Margot, e até mesmo os seus próprios filhos.

A seu favor, diga-se que enriqueceu a Bibliotheque Royale, fez Philibert Delorme construir o palácio das Tulherias ou Tuileries, em Paris, e Pierre Lescot construir o Hotel de Soissons. Foi uma mulher do Renascimento, discípula de Maquiavel ou Machiavelli e é às vezes descrita como « uma mãe, coroada».

Posteridade [editar]

(ver Henrique II de França)

Ver também [editar]


Precedida por:
Leonor de Habsburgo
Rainha de França
31 de março de 1547 — 10 de julho de 1559
Sucedida por:
Maria Stuart


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