John McCain

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John Sidney McCain
John Sidney McCain
Senador dos Estados Unidos
Mandato 3 de janeiro de 1987-actual
Vida
Nascimento 29 de Agosto de 1936 (78 anos)
Coco-Solo, Zona do canal do Panamá. Atual  Panamá
Dados pessoais
Partido Partido Republicano

John Sidney McCain III (Zona do canal do Panamá, 29 de agosto de 1936) é um político americano, membro do Partido Republicano.

É senador pelo estado do Arizona desde 1987. Foi candidato às primárias do Partido Republicano a Presidente na corrida presidencial do ano 2000, mas perdeu a nomeação para o ex-presidente George W. Bush.

Nascido em uma família de militares, lutou na Guerra do Vietnã, onde foi mantido prisioneiro e torturado. Ao voltar, foi recebido na Casa Branca pelo presidente Richard Nixon. Candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008, venceu a disputa pela vaga republicana com Mike Huckabee, Rudolph Giuliani e Mitt Romney. Posteriormente, na disputa final, enfrentou o vencedor das primárias do Partido Democrata, então senador Barack Obama, que acabou por ser eleito.[1] . Segundo Abu Bakr al-Baghdadi, jamais ele teria conseguido suas vitórias no Iraque se não fosse ele.[2]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Coco Solo na Zona do Canal do Panamá controlada nessa altura pelos Estados Unidos. Apesar de ter nascido num país estrangeiro, os pais eram cidadãos dos EUA por nascimento (motivo pelo qual pode concorrer à presidência).[3] Tanto o pai como o avô foram famosos almirantes da Marinha dos Estados Unidos. O pai John S. "Junior" McCain comandou forças no Vietname enquanto o filho foi feito prisioneiro de guerra. O avô John S. McCain, Sr. comandou aviões da Marinha na Batalha de Okinawa em 1945. A mãe é Roberta Wright (n. 1912). Estudou num colégio episcopal, o "Episcopal High School" e graduou-se em 1954. Nesse ano, McCain, tal como o pai e avô, entrou na Academia Naval dos Estados Unidos, graduando-se em 1958.

Em 1964, McCain casou com Carol Shepp, uma modelo de Filadélfia, Pensilvânia. O casal divorciou-se a 2 de Abril de 1980.[4]

Depois de graduar-se em Annapolis, McCain foi aviador naval em Pensacola, Flórida, e em Corpus Christi, Texas. Durante o treino em Corpus Christi, o seu avião caiu na Baía de Corpus Christi, mas McCain conseguiu escapar do acidente apenas com ferimentos ligeiros.[5] Depois entrou na unidade ligeira de ataque da Marinha dos Estados Unidos.

Prisioneiro de Guerra no Vietnã (1967-1973)[editar | editar código-fonte]

Em 26 de Outubro de 1967, quando tinha 31 anos e executava a sua missão número 23, o seu avião, um A-4 Skyhawk, foi derrubado por uma antiaérea sobre Hanói, aterrando de emergência no lago Truc Bach. Devido ao impacto McCain ficou ferido nas duas pernas e com um braço em muito mau estado. Estando inconsciente, foi rodeado por uma tropa norte-vietnamita, que o maltratou com golpes e pontapés, e lhe retirou as roupas, sendo depois de capturado torturado mais vezes pelos soldados, de tal modo que o seu pé esquerdo foi ferido com uma baioneta e o seu ombro foi deslocado com a culatra de uma espingarda. Foi trasladado para a prisão de Hoa Lo, também conhecida como "Hanoi Hilton".[6]

Chegado a "Hanoi Hilton", foi colocado numa cela e interrogado diariamente. Quando se recusou a dar qualquer tipo de informação aos seus captores, foi golpeado até à inconsciência.[7]

O facto de o seu pai ser almirante e comandante-chefe das forças dos EUA no Pacífico, fez com que o governo do Vietname do Norte tivesse uma boa oportunidade de propaganda, tendo-lhe oferecido uma libertação ao fim de um cativeiro curto, no caso de reconhecer ter cometido crimes de guerra. McCain, no entanto, recusou tratos de favor alegando que o código militar estabelece que os prisioneiros são liberados pela ordem em que foram capturados. Isto significou para ele cinco anos de prisão, com golpes e torturas no "Hanoi Hilton".[8]

Dois metros por dois metros eram as medidas da cela na qual passou os primeiros dois anos e meio de cativeiro, em total isolamento. Suportou desde baionetadas nos tornozelos, e suspensões pelos pulsos que duravam horas. Quebraram-lhe de novo o braço esquerdo e várias costelas. Cinco anos depois, a 15 de Março de 1973, já na fase final da guerra, foi posto em liberdade.

Quando regressou aos Estados Unidos caminhava amparado por muletas. Tem dificuldades para mover um dos braços acima do nível do ombro. Foi condecorado com a Estrela de Prata, a Legião de Mérito, a Cruz de Aviação por Serviço Distinto, a Estrela de Bronze, e com o Coração Púrpura. "O importante agora é seguir para a frente. Não quero viver como um prisioneiro de guerra", confessou ao chegar ao seu país.

Um filme para TV intitulado Faith Of My Fathers, baseado nas memórias de McCain sobre as suas experiências como prisioneiro de guerra, foi transmitido no "Memorial Day" de 2005 pelo canal A&E.[9]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Senador pelo Arizona (1987-presente)[editar | editar código-fonte]

Em 1976 foi designado para um posto decisivo para o seu futuro: relações da Marinha com o Senado dos Estados Unidos. Em 1981 retirou-se definitivamente da Marinha e instalou-se no Estado da sua mulher Cindy, o Arizona. Aí se lançou para a cena política e foi eleito para a Câmara dos Representantes em 1982, sendo reeleito em 1984.

Em 1986, aproveitando a retirada do veterano senador Barry Goldwater (Rep - Arizona), apresentou-se como candidato do Partido Republicano ao Senado e ganhou. Seria reeleito três vezes, em 1992, 1998 e 2004. Foi presidente do Comité do Comércio, Ciência e Transporte do Senado (1997-2005) e do Comité sobre Assuntos Indígenas (2005-2007) e membro destacado do Comité de Relações Externas. Como senador, McCain ganhou rapidamente a reputação de dissidente de linha dura, fazendo-se ouvir no Senado quando se debatiam assuntos de política internacional e de defesa, o seu ponto forte.

John McCain é um dos mais firmes apoiantes de Israel no Congresso dos Estados Unidos. Apoiou convictamente a Guerra do Iraque de 2003, tal como apoiara a Guerra do Golfo em 1991, e a maioria das decisões do presidente George W. Bush em matéria de política externa. Ao mesmo tempo censurava a tortura de prisioneiros. Em 2005 o senador McCain propôs um emenda - a Emenda McCain - a um anteprojecto da Defesa na tentativa de encontrar um modo de preencher o vazio legal nas leis antitortura já existentes.

Senador John McCain, em foto oficial

Ganhou reputação de ser um homem que não se conforma com a linha estabelecida dentro do seu partido. É firme opositor da indústria do tabaco e da influência do dinheiro nas campanhas eleitorais, algo que lhe serviu para ganhar popularidade entre os meios de comunicação. Encabeçou a luta para reformar o uso de fundos nas campanhas políticas através do acto Campaign Finance Reform -também conhecido como "Ley McCain-Feingold"- com o Senador democrata Russ Feingold.

Em temas como o casamento homossexual e a imigração ilegal, não tem uma postura conservadora: embora esteja contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, diz não ter problemas com a união civil e está a trabalhar num projecto para entregar paulatinamente a cidadania aos trabalhadores ilegais que já estão há longo tempo no país.

Se algo caracteriza o senador John McCain é o seu mau humor. Ao presidente da Coreia do Norte chamou "um bebé com sapatos de salto", disse que a capital do Paquistão "cheirava mal" e até há pouco referia-se aos asiáticos como "gook", um termo pejorativo próprio da guerra do Vietname.

Outra mostra do seu carácter explosivo ocorreu em 1992, quando passou para a imprensa uma discussão entre ele e o senador republicano Chuck Grassley. "Sabe, senador, eu acreditava que o seu problema era que não sabia escutar. Mas não é. O seu problema é que você é um maldito idiota", foi a frase de McCain.

Em 1998, ao atacar o presidente Bill Clinton, McCain cometeu um erro pelo qual teria que pedir perdão, ao fazer pouco de Chelsea, a filha do presidente, e da Procuradora-Geral Janet Reno, num evento público: "Porque Chelsea é tão feia?" perguntou. "Porque o seu pai é Janet Reno". A revista 'Washingtonian' pô-lo no segundo lugar na lista dos "com pior temperamento" no Senado.

Candidaturas presidenciais[editar | editar código-fonte]

2000[editar | editar código-fonte]

John McCain começou a sua campanha presidencial de 2000 como uma espécie de outsider desconhecido em busca de uma reforma do sistema para excluir de Washington a influência de fortes interesses económicos. Avisó que o Governador do Texas, George W. Bush, era o candidato oficial republicano, pelo que lhe custaria muito defender as possibilidades de uma campanha séria no interior do partido.

As diferenças eram muitas. Bem antes de o senador McCain se decidir a competir pela nomeação, Bush tinha recorrido aos seus contactos e já recolhido vários milhões. Além disso, o seu director de campanha, Karl Rove, tinha recrutado aderentes pelo país e posto em marcha o plano com que ganharia a nominação. Antes da primária de Nova Hampshire, o governador Bush tinha recolhido 57 milhões de dólares, o que contrastava radicalmente com os 9 milhões de dólares reunidos por McCain.

"Hoje começa a nossa cruzada nacional!", proclamou entusiasta o senador McCain depois do seu êxito na primária de Nova Hampshire, onde humilhou Bush com uma vantagem de 16 pontos. "Vamos arrebatar a política das mãos do grande capital e dos lóbis que têm corrompido Washington. Vamos devolver o poder aos cidadãos estadounidenses".

Daí passou à Carolina do Sul, onde ocorreria a 19 de Fevereiro de 2000 outra encarniçada batalha política que serviria para catapultar as aspirações de McCain ou para voltar a pô-lo no seu lugar, depois da miragem de Nova Hampshire. O aparelho do Partido Republicano mobilizou-se a favor de Bush e entregou-se a uma campanha onde houve dinheiro, jogo sujo e falsos rumores.

McCain recuperou ganhando a importante primária do Michigan, mas a falta de liquidez da sua campanha e o facto de que em estados como a Califórnia e Nova Iorque, ricos em delegados, não puderam votar os independentes, fez que o governador Bush se consolidasse definitivamente como front-runner indiscutível depois da superterça de Março.

2008[editar | editar código-fonte]

John McCain em 2008

Depois de apoiar activamente a reeleição do presidente George W. Bush em 2004, o senador McCain voltou a lançar-se na corrida à Casa Branca para 2008. Propôs a criação de um comité exploratório que lhe permitirá reunir fundos em todo o território dos Estados Unidos. Para tal incorporou vários gestores de campanha que trabalharam para Bush, com a intenção de lograr desta vez o apoio do aparelho partidário.

O Partido Republicano foi chamado a "recuperar os valores conservadores dos quais se tinha separado", propondo uma revisão do enfoque do partido e uma reestruturação do mesmo. Durante 2006 organizou e participou em 346 eventos, onde reuniu mais de 10,5 milhões de dólares para as campanhas eleitorais de diversos candidatos, garantindo-lhe um firme apoio entre outros senadores e representantes do partido a quem ajudara.

Tudo isto permitiu-lhe lançar-se desta vez como um insider dentro do aparelho partidário e contar com poderosas redes de apoio político e financeiro. Se vencesse a eleição, iniciaria o mandato aos 72 anos, convertendo-se no presidente dos EUA mais velho de sempre, superando Ronald Reagan em dois anos.

A campanha de McCain começou com dificuldade, estando nas sondagens bem atrás dos favoritos Rudolph Giuliani e Mitt Romney, além da falta de fundos, a ponto de quase ter que desistir. Mas John McCain, tal como em 2000, ganhou as primárias republicanas para a nomeação presidencial do estado de Nova Hampshire. Logo nas primárias do Michigan perderia perante o candidato antiestablishment e ex-governador Mitt Romney, um dos favoritos para a nomeação. Mas com uma surpreendente vitória na Carolina do Sul (primária que perdera contra Bush em 2000) frente ao favorito nas sondagens, o ex-governador do Arkansas, Mike Huckabee. A sua candidatura fortaleceu-se e tornou-se o favorito ou front runner ao vencer na Flórida por cômoda margem frente a Mitt Romney e Giuliani, que com esta derrota desistiu da candidatura e uniu-se à candidatura de McCain. Com a decisiva vitória na superterça de Fevereiro de 2008 na maioria dos estados grandes como Califórnia, Nova Iorque, Illinois, Nova Jérsei, consolidou-se como o único favorito.

McCain surpreendeu os analistas políticos ao escolher como running mate a governadora do Alasca, Sarah Palin. McCain acabou derrotado, no entanto, pelo candidato democrata, Barack Obama. No discurso reconhecendo a derrota, em Phoenix, Arizona, disse: "Obama era meu adversário. Agora é meu presidente."

Referências

  1. http://edition.cnn.com/2008/POLITICS/11/04/election.president/index.html
  2. ISIS Magazine Promotes Stoning, Mass Executions Breitbart
  3. Rudin, Ken. "Citizen McCain's Panama Problem?". The Washington Post. 1998-07-09. Acesso em 2006-11-17.
  4. Alexander, Paul. John McCain: Man of the People. [S.l.]: John Wiley & Sons, 2002. pp. 92 pp. ISBN 0-471-22829-X
  5. Alexander (2002), pp. 32.
  6. Alexander (2002), pp. 49.
  7. Alexander (2002), pp. 50.
  8. Vietnam War - Senator John McCain of Arizona Biography
  9. "Recently Reviewed: Faith of My Fathers". Variety. 2005-05-30. acesso em 2006-11-17.