Doença de Alzheimer: diferenças entre revisões

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=== Quarta fase (terminal) ===
=== Quarta fase (terminal) ===
Durante a última fase do Mal de Alzheimer, o paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está agora reduzida a simples frases ou até a palavras isoladas, acabando, eventualmente, em perda da fala. Apesar da perda da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente, e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Os pacientes vão acabar por não conseguir desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda. A sua massa muscular e a sua mobilidade degeneram-se a tal ponto que o paciente tem de ficar deitado numa cama; perdem a capacidade de comer sozinhos. A morte normalmente não é causada pelo Mal de Alzheimer, mas por outro fator externo (pneumonia, por exemplo).
Durante a última fase do Mal de Alzheimer, o paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está agora reduzida a simples frases ou até a palavras isoladas, acabando, eventualmente, em perda da fala. Apesar da perda da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente, e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Os pacientes vão acabar por não conseguir desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda. A sua massa muscular e a sua mobilidade degeneram-se a tal ponto que o paciente tem de ficar deitado numa cama; perdem a capacidade de comer sozinhos. A morte normalmente não é causada pelo Mal de Alzheimer, mas por outro fator externo (pneumonia, por exemplo).

==Causas==
As causas de maior parte dos casos de Alzheimer são ainda desconhecidas, exceto em 1-5% dos casos onde têm sido identificadas diferenças genéticas.<ref>{{cite web|url=http://www.alz.org/research/science/alzheimers_disease_causes.asp|title=What We Know Today About Alzheimer's Disease|publisher=Alzheimer's Association|accessdate=1 de outubro de 2011|quote=While scientists know Alzheimer's disease involves progressive brain cell failure, the reason cells fail isn't clear.}}
</ref> Existem diversas [[hipóteses]] que tentam chegar a uma explicação para a origem da doença:

===Genética===
Com base em revisões de estudos entre gémeos e família, a [[Hereditariedade|hereditariedade genética]] da doença de Alzheimer varia entre 49% e 79%.<ref name="pmid20930268">{{citar periódico | autor = Wilson RS, Barral S, Lee JH, Leurgans SE, Foroud TM, Sweet RA, Graff-Radford N, Bird TD, Mayeux R, Bennett DA | título = Heritability of different forms of memory in the Late Onset Alzheimer's Disease Family Study. | jornal = J Alzheimers Dis. | volume = 23 | número = 2 | páginas = 249-55 | ano = 2011 | pmid = 20930268 | doi = doi:10.3233/JAD-2010-101515 }}</ref><ref name="pmid16461860">{{citar periódico | autor = Gatz M, Reynolds CA, Fratiglioni L, Johansson B, Mortimer JA, Berg S, Fiske A, Pedersen NL | título = Role of genes and environments for explaining Alzheimer disease | jornal = Arch Gen Psychiatry | volume = 63 | número = 2 | páginas = 168-74 | ano = 2006 | mês = Fevereiro | pmid = 16461860 | doi = doi:10.1001/archpsyc.63.2.168 }}</ref> Cerca de 0,1% dos casos são formas familiares de transmissão [[Autossomo|autossómica]] dominante, as quais geralmente ocorrem antes dos 65 anos de idade.<ref name="pmid16876668">{{citar periódico | autor = Blennow K, de Leon MJ, Zetterberg H | título = Alzheimer's Disease | jornal = Lancet | volume = 368 | número = 9533 | páginas = 387–403 | ano = 2006 | pmid = 16876668 | doi = 10.1016/S0140-6736(06)69113-7 | mês = Julho }}</ref> Esta forma da doença é denominada [[doença de Alzheimer familiar]]. A maior parte dos casos de Alzheimer familiar autossómico dominante é atribuída a mutações em um de três genes: os que codificam a [[proteína precursora amiloide]] (PPA) e as [[presenilina]]s 1 e 2.<ref name="pmid18332245">{{cite journal | author = Waring SC, Rosenberg RN | title = Genome-wide association studies in Alzheimer disease | journal = Archives of Neurology | volume = 65 | issue = 3 | pages = 329–34 | year = 2008 | pmid = 18332245 | doi = 10.1001/archneur.65.3.329 | month = Março }}</ref> A maior parte das mutações nestes genes aumenta a produção de uma pequena proteína denominada [[Beta-amiloide|Aβ]]42, a qual é o principal componente das [[placas senis]].<ref name="pmid8938131">{{cite journal | author = Selkoe DJ | title = Translating cell biology into therapeutic advances in Alzheimer's disease | journal = Nature | volume = 399 | issue = 6738 Suppl | pages = A23–31 | year = 1999 | pmid = 10392577 | doi = 10.1038/19866 | mês = Junho }}</ref> Algumas das mutações apenas alteram a proporção entre a Aβ42 e as outras formas principais, como a Aβ40, sem no entanto aumentar a quantidade de Aβ42.<ref name="pmid8938131">{{cite journal | author = Borchelt DR, Thinakaran G, Eckman CB, Lee MK, Davenport F, Ratovitsky T, Prada CM, Kim G, Seekins S, Yager D, Slunt HH, Wang R, Seeger M, Levey AI, Gandy SE, Copeland NG, Jenkins NA, Price DL, Younkin SG, Sisodia SS | title = Familial Alzheimer's disease-linked presenilin 1 variants elevate βA1-42/1-40 ratio in vitro and in vivo | journal = Neuron | volume = 17 | issue = 5 | pages = 1005–13 | year = 1996 | pmid = 8938131 | doi = 10.1016/S0896-6273(00)80230-5 }}</ref><ref name="pmid17254019">{{cite journal | author = Shioi J, Georgakopoulos A, Mehta P, Kouchi Z, Litterst CM, Baki L, Robakis NK | title = FAD mutants unable to increase neurotoxic Aβ 42 suggest that mutation effects on neurodegeneration may be independent of effects on Abeta | journal = Journal of Neurochemistry | volume = 101 | issue = 3 | pages = 674–81 | year = 2007 | pmid = 17254019 | doi = 10.1111/j.1471-4159.2006.04391.x }}</ref> Isto sugere que as mutações das presenilinas podem provocar a doença, mesmo que diminuam a quantidade total de Aβ produzida.<ref>{{cite journal | author = Jonsson T, Atwal JK, Steinberg S, Snaedal J, Jonsson PV, Bjornsson S, Stefansson H, Sulem P, Gudbjartsson D, Maloney J, Hoyte K, Gustafson A, Liu Y, Lu Y, Bhangale T, Graham RR, Huttenlocher J, Bjornsdottir G, Andreassen OA, Jönsson EG, Palotie A, Behrens TW, Magnusson OT, Kong A, Thorsteinsdottir U, Watts RJ, Stefansson K | title = A mutation in APP protects against Alzheimer's disease and age-related cognitive decline. | journal = Nature | volume = 488 | issue = 7409 | pages = 96–9 | date = 2 de agosto de 2012 | pmid = 22801501 | doi = 10.1038/nature11283 }}</ref>

A maior parte dos casos de Alzheimer não evidenciam transmissão autossómica dominante, sendo nesse caso denoominados "doença de Alzheimer esporádica". Nestes casos, as diferenças genéticas e ambientais podem constituir [[Fator de risco|fatores de risco]]. O fator de risco genético melhor compreendido é a hereditariedade do [[alelo]] ε4 da [[apolipoproteína E]] (APOE).<ref name="pmid8446617">{{cite journal | author = Strittmatter WJ, Saunders AM, Schmechel D, Pericak-Vance M, Enghild J, Salvesen GS, Roses AD | title = Apolipoprotein E: high-avidity binding to beta-amyloid and increased frequency of type 4 allele in late-onset familial Alzheimer disease | journal = Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America | volume = 90 | issue = 5 | pages = 1977–81 | year = 1993 | pmid = 8446617 | pmc = 46003 | doi = 10.1073/pnas.90.5.1977 }}</ref><ref name="pmid16567625">{{cite journal | author = Mahley RW, Weisgraber KH, Huang Y | title = Apolipoprotein E4: a causative factor and therapeutic target in neuropathology, including Alzheimer's disease | journal = Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America | volume = 103 | issue = 15 | pages = 5644–51 | year = 2006 | pmid = 16567625 | pmc = 1414631 | doi = 10.1073/pnas.0600549103 | month = Abril }}</ref> Entre 40 e 80% das pessoas com Alzheimer possuem pelo menos um alelo APOEε4 allele.<ref name="pmid16567625"/> Este alelo aumenta o risco de vir a sofrer da doença em três vezes nos [[heterozigoto]]s e quinze vezes nos [[homozigoto]]s.<ref name="pmid16876668"/> Tal como em muitas doenças humanas, os fatores ambientais e modificadores genéticos resultam em [[penetrância]] incompleta. Por exemplo, algumas populações [[Nigéria|nigerianas]] não exibem a relação entre a quantidade de APOEε4 e a incidência ou idade habitual de início da doença observada em outras populações humanas.<ref name="pmid16434658">{{cite journal | author = Hall K, Murrell J, Ogunniyi A, Deeg M, Baiyewu O, Gao S, Gureje O, Dickens J, Evans R, Smith-Gamble V, Unverzagt FW, Shen J, Hendrie H | title = Cholesterol, APOE genotype, and Alzheimer disease: an epidemiologic study of Nigerian Yoruba | journal = Neurology | volume = 66 | issue = 2 | pages = 223–227 | year = 2006 | pmid = 16434658 | pmc = 2860622 | doi = 10.1212/01.wnl.0000194507.39504.17 | month = Janeiro }}</ref><ref name="pmid16278853">{{cite journal | author = Gureje O, Ogunniyi A, Baiyewu O, Price B, Unverzagt FW, Evans RM, Smith-Gamble V, Lane KA, Gao S, Hall KS, Hendrie HC, Murrell JR | title = APOE ε4 is not associated with Alzheimer's disease in elderly Nigerians | journal = Annals of Neurology | volume = 59 | issue = 1 | pages = 182–185 | year = 2006 | pmid = 16278853 | pmc = 2855121 | doi = 10.1002/ana.20694 | month = Janeiro }}</ref> As mutações no gene [[TREM2]] têm sido associadas a um risco 3 a 5 vezes maior de vir a desenvolver Alzheimer.<ref>{{cite journal | author = Jonsson T, Stefansson H, Steinberg S, Jonsdottir I, Jonsson PV, Snaedal J, Bjornsson S, Huttenlocher J, Levey AI, Lah JJ, Rujescu D, Hampel H, Giegling I, Andreassen OA, Engedal K, Ulstein I, Djurovic S, Ibrahim-Verbaas C, Hofman A, Ikram MA, van Duijn CM, Thorsteinsdottir U, Kong A, Stefansson K | title = Variant of TREM2 associated with the risk of Alzheimer's disease | journal = The New England Journal of Medicine | volume = 368 | issue = 2 | pages = 107–16 | year = 2012 | pmid = 23150908 | pmc = 3677583 | doi = 10.1056/NEJMoa1211103 | type = Original article }}</ref><ref>{{cite journal | author = Guerreiro R, Wojtas A, Bras J, Carrasquillo M, Rogaeva E, Majounie E, Cruchaga C, Sassi C, Kauwe JS, Younkin S, Hazrati L, Collinge J, Pocock J, Lashley T, Williams J, Lambert JC, Amouyel P, Goate A, Rademakers R, Morgan K, Powell J, St George-Hyslop P, Singleton A, Hardy J | title = TREM2 variants in Alzheimer's disease | journal = The New England Journal of Medicine | volume = 368 | issue = 2 | pages = 117–27 | year = 2012 | pmid = 23150934 | pmc = 3631573 | doi = 10.1056/NEJMoa1211851 | author25 = The Alzheimer Genetic Analysis Group | type = Original article }}</ref> Os estudos de associação pengenómica recentes verificaram a existência de dezanove áreas nos genes que aparentam afetar o risco de Alzheimer.<ref name=GW2013>{{cite journal|last1=Lambert|first1=JC|title=Meta-analysis of 74,046 individuals identifies 11 new susceptibility loci for Alzheimer's disease.|journal=Nature Genetics|date=Dec 2013|volume=45|issue=12|pages=1452–8|pmid=24162737|doi=10.1038/ng.2802|pmc=3896259}}</ref>

===Hipótese colinérgica===

A hipótese mais antiga, na qual se baseia a maior parte das terapêuticas farmacológicas, é a hipótese colinérgica.<ref name="pmid10071091">{{cite journal | author = Francis PT, Palmer AM, Snape M, Wilcock GK | title = The Cholinergic Hypothesis of Alzheimer's Disease: a Review of Progress | journal = Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry | volume = 66 | issue = 2 | pages = 137–47 | year = 1999 | pmid = 10071091 | pmc = 1736202 | doi = 10.1136/jnnp.66.2.137 | month = Fevereiro }}</ref> Esta hipótese propõe que a doença de Alzheimer seja provocada por uma insuficiência na síntese do [[neurotransmissor]] [[acetilcolina]]. Esta hipótese não reúne atualmente apoio generalizado, em grande parte porque a medicação para o tratamento da deficiência em acetilcolina não tem demonstrado ser eficaz. Têm sido também propostos outros efeitos colinérgicos; por exemplo, a agregação em grande escala de [[amiloide]]s,<ref name="pmid15236795">{{cite journal | author = Shen ZX | title = Brain Cholinesterases: II. The Molecular and Cellular Basis of Alzheimer's Disease | journal = Medical Hypotheses | volume = 63 | issue = 2 | pages = 308–21 | year = 2004 | pmid = 15236795 | doi = 10.1016/j.mehy.2004.02.031 }}</ref> que provoca neuroinflamação generalizada.<ref name="pmid12934968">{{cite journal | author = Wenk GL | title = Neuropathologic Changes in Alzheimer's Disease | journal = The Journal of Clinical Psychiatry | volume = 64 Suppl 9 | pages = 7–10 | year = 2003 | pmid = 12934968 }}</ref>

===Hipótese amiloide===
Em 1991, a hipótese amiloide postulou que os depósitos extrecelulares de [[beta amiloide]]s (A<sub>β</sub>) são a causa fundamental da doença de Alzheimer.<ref name="pmid1763432">{{cite journal | author = Hardy J, Allsop D | title = Amyloid Deposition as the Central Event in the Aetiology of Alzheimer's Disease | journal = Trends in Pharmacological Sciences | volume = 12 | issue = 10 | pages = 383–88 | year = 1991 | pmid = 1763432 | doi = 10.1016/0165-6147(91)90609-V | month = Outubro }}</ref><ref name="pmid11801334">{{cite journal | author = Mudher A, Lovestone S | title = Alzheimer's disease-do tauists and baptists finally shake hands? | journal = Trends in Neurosciences | volume = 25 | issue = 1 | pages = 22–26 | year = 2002 | pmid = 11801334 | doi = 10.1016/S0166-2236(00)02031-2 | month = Janeiro }}</ref> Este postulado baseia-se na localização do gene da [[proteína precursora amiloide]] no [[cromossoma 21]] e no facto da quase totalidade das pessoas com [[trissomia 21]], as quais têm uma cópia adicional de genes, manifestarem Alzheimer antes dos 40 anos de idade.<ref name="pmid16904243">{{cite journal | author = Nistor M, Don M, Parekh M, Sarsoza F, Goodus M, Lopez GE, Kawas C, Leverenz J, Doran E, Lott IT, Hill M, Head E | title = Alpha- and Beta-secretase Activity as a Function of Age and Beta-amyloid in Down Syndrome and Normal Brain | journal = Neurobiology of Aging | volume = 28 | issue = 10 | pages = 1493–1506 | year = 2007 | pmid = 16904243 | pmc = 3375834 | doi = 10.1016/j.neurobiolaging.2006.06.023 | month = Outubro }}</ref><ref name="pmid15639317">{{cite journal | author = Lott IT, Head E | title = Alzheimer Disease and Down Syndrome: Factors in Pathogenesis | journal = Neurobiology of Aging | volume = 26 | issue = 3 | pages = 383–89 | year = 2005 | pmid = 15639317 | doi = 10.1016/j.neurobiolaging.2004.08.005 | month = Março }}</ref> Para além disso, existe uma [[isoforma]] específica da [[apolipoproteína]], denominada [[APOE4]], que é um fator de risco genético significativo para a doença. Enquanto que as apolipoproteínas aumentam a separação dos beta amiloides, algumas isoformas, como a APOE4, não são muito eficazes nesta tarefa e provocam a acumulação excessiva de amiloides no cérebro.<ref name="pmid7566000">{{cite journal | author = Polvikoski T, Sulkava R, Haltia M, Kainulainen K, Vuorio A, Verkkoniemi A, Niinistö L, Halonen P, Kontula K | title = Apolipoprotein E, Dementia, and Cortical Deposition of Beta-amyloid Protein | journal = The New England Journal of Medicine | volume = 333 | issue = 19 | pages = 1242–47 | year = 1995 | pmid = 7566000 | doi = 10.1056/NEJM199511093331902 | month = Novembro }}</ref> Existem ainda evidências adicionais na descoberta de que ratos [[Organismos geneticamente modificados|transgénicos]] que expressam uma forma mutante da APP humana desenvolvem placas amiloides fibrilares e patologia cerebral semelhante a Alzheimer.<ref>{{cite journal | author = Games D, Adams D, Alessandrini R, Barbour R, Berthelette P, Blackwell C, Carr T, Clemens J, Donaldson T, Gillespie F | title = Alzheimer-type Neuropathology in Transgenic Mice Overexpressing V717F Beta-amyloid Precursor Protein | journal = Nature | volume = 373 | issue = 6514 | pages = 523–27 | year = 1995 | pmid = 7845465 | doi = 10.1038/373523a0 | month = Fevereiro }}</ref><ref>{{cite journal | author = Masliah E, Sisk A, Mallory M, Mucke L, Schenk D, Games D | title = Comparison of Neurodegenerative Pathology in Transgenic Mice Overexpressing V717F Beta-amyloid Precursor Protein and Alzheimer's Disease | journal = The Journal of Neuroscience | volume = 16 | issue = 18 | pages = 5795–811 | year = 1996 | pmid = 8795633 | month = Setembro }}</ref><ref>{{cite journal | author = Hsiao K, Chapman P, Nilsen S, Eckman C, Harigaya Y, Younkin S, Yang F, Cole G | title = Correlative Memory Deficits, Abeta Elevation, and Amyloid Plaques in Transgenic Mice | journal = Science | volume = 274 | issue = 5284 | pages = 99–102 | year = 1996 | pmid = 8810256 | doi = 10.1126/science.274.5284.99 }}</ref><ref>{{cite journal | author = Lalonde R, Dumont M, Staufenbiel M, Sturchler-Pierrat C, Strazielle C | title = Spatial Learning, Exploration, Anxiety, and Motor Coordination in Female APP23 Transgenic Mice with the Swedish Mutation | journal = Brain Research | volume = 956 | issue = 1 | pages = 36–44 | year = 2002 | pmid = 12426044 | doi = 10.1016/S0006-8993(02)03476-5 }}</ref>

Uma vacina experimental demonstrou ser eficaz a eliminar placas de amiloides durante ensaios clínicos em seres humanos, embora não tenha tido qualquer efeito significativo na demência.<ref name="pmid18640458">{{cite journal | author = Holmes C, Boche D, Wilkinson D, Yadegarfar G, Hopkins V, Bayer A, Jones RW, Bullock R, Love S, Neal JW, Zotova E, Nicoll JA | title = Long-term Effects of Abeta42 Immunisation in Alzheimer's Disease: Follow-up of a Randomised, Placebo-controlled Phase I Trial | journal = Lancet | volume = 372 | issue = 9634 | pages = 216–23 | year = 2008 | pmid = 18640458 | doi = 10.1016/S0140-6736(08)61075-2 | month = Julho }}</ref> Isto levou os investigadores a suspeitar de que os [[oligómero]]s fossem a principal forma patogénica das A<sub>β</sub>. Estes oligómeros, também denominados ligantes difusos derivados do amiloide (ADDL), ligam-se a um recetor de superfície nos [[neurónio]]s e alteram a estrutura da [[Sinapse (neurónio)|sinapse]], interrompendo assim a comunicação entre os neurónios.<ref name="pmid17251419">{{cite journal | author = Lacor PN, Buniel MC, Furlow PW, Clemente AS, Velasco PT, Wood M, Viola KL, Klein WL | title = Aß Oligomer-Induced Aberrations in Synapse Composition, Shape, and Density Provide a Molecular Basis for Loss of Connectivity in Alzheimer's Disease | journal = The Journal of Neuroscience | volume = 27 | issue = 4 | pages = 796–807 | year = 2007 | pmid = 17251419 | doi = 10.1523/JNEUROSCI.3501-06.2007 | month = Janeiro }}</ref> Um dos possíveis recetores dos oligómeros A<sub>β</sub> é a [[proteína prião]], a mesma proteína associada à [[Encefalopatia espongiforme bovina|doença das vacas loucas]] e à condição humana derivada, a [[doença de Creutzfeldt-Jakob]], pelo que existe a possibilidade destas doenças neurodegenerativas estarem relacionadaa com a doença de Alzheimer.<ref name="pmid19242475">{{cite journal | author = Laurén J, Gimbel DA, Nygaard HB, Gilbert JW, Strittmatter SM | title = Cellular Prion Protein Mediates Impairment of Synaptic Plasticity by Amyloid-β Oligomers | journal = Nature | volume = 457 | issue = 7233 | pages = 1128–32 | year = 2009 | pmid = 19242475 | pmc = 2748841 | doi = 10.1038/nature07761 }}</ref> Em 2009 esta hipótese foi atualizada, sugerindo que um dos principais responsáveis pela doença não seria o próprio beta-amiloide, mas um parente próximo da proteína beta-amiloide. Esta teoria sustenta que o mesmo mecanismo amiloidal que desliga as ligações entre os neurónios no cérebro durante o crescimento rápido no início da vida pode ser mais tarde espoletado pelos processos de envelhecimento e provocar a atrofia neuronal da doença de Alzheimer.<ref name="Nikolaev">{{cite journal | author = Nikolaev A, McLaughlin T, O'Leary DD, Tessier-Lavigne M | title = APP Binds DR6 to Cause Axon Pruning and Neuron Death via Distinct Caspases | journal = Nature | volume = 457 | issue = 7232 | pages = 981–989 | date = 19 February 2009 | pmid = 19225519 | pmc = 2677572 | doi = 10.1038/nature07767 | issn = 0028-0836 }}</ref>

===Hipótese da proteína Tau===
[[File:TANGLES HIGH.jpg|300px|thumb|Na doença de Alzheimer, as alterações na [[proteína tau]] levam à desintegração dos [[microtúbulo]]s nas células do cérebro.]]

A hipótese da proteína tau propõe que a doença seja desencadeada por anormalidades na [[proteína tau]].<ref name="pmid11801334"/> Neste modelo, a proteína tau hiperfosforilada começa por se associar a outras cadeias de tau, formando eventualmente [[Emaranhados neurofibrilares|novelos neurofibrilares]] no interior das células nervosas.<ref name="pmid1669718">{{cite journal | author = Goedert M, Spillantini MG, Crowther RA | title = Tau Proteins and Neurofibrillary Degeneration | journal = Brain Pathology (Zurich, Switzerland) | volume = 1 | issue = 4 | pages = 279–86 | year = 1991 | pmid = 1669718 | doi = 10.1111/j.1750-3639.1991.tb00671.x | month = Julho }}</ref> Quando isto ocorre, os [[microtúbulo]]s desintegram-se, destruindo o sistema de transporte dos neurónios.<ref name="pmid15615638">{{cite journal | author = Iqbal K, Alonso Adel C, Chen S, Chohan MO, El-Akkad E, Gong CX, Khatoon S, Li B, Liu F, Rahman A, Tanimukai H, Grundke-Iqbal I | title = Tau Pathology in Alzheimer Disease and Other Tauopathies | journal = Biochimica Et Biophysica Acta | volume = 1739 | issue = 2–3 | pages = 198–210 | year = 2005 | pmid = 15615638 | doi = 10.1016/j.bbadis.2004.09.008 | month = Janneiro }}</ref> Isto pode provocar inicialmente disfunções na comunicação bioquímica entre os neurónios e numa fase posterior a morte das células.<ref name="pmid17127334">{{cite journal | author = Chun W, Johnson GV | title = The Role of Tau Phosphorylation and Cleavage in Neuronal Cell Death | journal = Frontiers in Bioscience: A Journal and Virtual Library | volume = 12 | pages = 733–56 | year = 2007 | pmid = 17127334 | doi = 10.2741/2097 }}</ref>

===Outras hipóteses===

A doença de Alzheimer interrompe a [[homeostase]] celular do cobre, ferro, e zinco iónicos, embora não seja ainda claro se isto é causa ou consequência das alterações nas proteínas. Estes [[Ião|iões]] afetam e são afetados pela proteína tau, APP e APOE.<ref name="pmid24971061">{{cite journal |journal=Front Aging Neurosci. |date=2014 Jun 12 |volume=6|pages=121 |title=Interactions of metals and Apolipoprotein E in Alzheimer's disease |author=Xu H, Finkelstein DI, Adlard PA |pmid=24971061 |pmc=4054654 |doi=10.3389/fnagi.2014.00121 |quote=Although we still do not know if the metal ion dyshomeostasis present in AD is a cause or consequence of the disease, there is a growing body of evidence showing a direct correlation between metal ions and key AD-related key proteins.}}</ref> Alguns estudos relevelaram um risco acrescido de desenvolver Alzheimer na presença de alguns fatores ambientais como a ingestão de [[Metal|metais]], sobretudo de [[alumínio]].<ref name="pmid17522444">{{cite journal | author = Shcherbatykh I, Carpenter DO | title = The Role of Metals in the Etiology of Alzheimer's Disease | journal = Journal of Alzheimer's Disease | volume = 11 | issue = 2 | pages = 191–205 | year = 2007 | pmid = 17522444 | month = Maio }}</ref> No entanto, a qualidade de alguns destes estudos tem sido alvo de críticas,<ref>{{cite journal | author = Santibáñez M, Bolumar F, García AM | title = Occupational Risk Factors in Alzheimer's Disease: A Review Assessing the Quality of Published Epidemiological Studies | journal = Occupational and Environmental Medicine | volume = 64 | issue = 11 | pages = 723–732 | year = 2007 | pmid = 17525096 | pmc = 2078415 | doi = 10.1136/oem.2006.028209 }}</ref> e outros estudos concluíram que não existe qualquer relação entre estes fatores ambientais e o desenvolvimento de Alzheimer.<ref name="pmid12222737">{{cite journal | author = Rondeau V | title = A Review of Epidemiologic Studies on Aluminum and Silica in Relation to Alzheimer's Disease and Associated Disorders | journal = Reviews on Environmental Health | volume = 17 | issue = 2 | pages = 107–21 | year = 2002 | pmid = 12222737 | doi = 10.1515/REVEH.2002.17.2.107 }}</ref> Alguns investigadores levantaram também a hipótese do cobre na dieta poder desempenhar algum papel de causa.<ref>{{cite journal | author = Brewer GJ | title = Copper excess, zinc deficiency, and cognition loss in Alzheimer's disease | journal = BioFactors (Oxford, England) | volume = 38 | issue = 2 | pages = 107–113 | date = March 2012 | pmid = 22438177 | doi = 10.1002/biof.1005}}</ref>

Embora alguns estudos tenham sugerido que os [[Campo eletromagnético|campos eletromagnéticos]] de [[Frequência extremamente baixa]] possam aumentar o risco de Alzheimer,<ref>{{cite journal | author = Kheifets L, Bowman JD, Checkoway H, Feychting M, Harrington JM, Kavet R, Marsh G, Mezei G, Renew DC, van Wijngaarden E | title = Future needs of occupational epidemiology of extremely low frequency electric and magnetic fields: review and recommendations | journal = Occupational and Environmental Medicine | volume = 66 | issue = 2 | pages = 72–80 | date = Fevereiro de 2009 | pmid = 18805878 | doi = 10.1136/oem.2007.037994 | url = }}</ref> as revisões posteriores sustentam que esta hipótese requer investigações epidemiológicas e laboratoriais.<ref>{{cite journal|title=Health Effects of Exposure to EMF|author=Scientific Committee on Emerging and Newly Identified Health Risks-SCENIHR|date=Janeiro de 2009|publisher=Directorate General for Health&Consumers; European Commission|location=Brussels|pages=4–5|url=http://ec.europa.eu/health/ph_risk/committees/04_scenihr/docs/scenihr_o_022.pdf}}</ref>

<!-- passar para fatores de risco ?-->
O [[Tabagismo|fumo de tabaco]] é um fator de risco significativo de Alzheimer.<ref>{{cite journal | author = Cataldo JK, Prochaska JJ, Glantz SA | title = Cigarette smoking is a risk factor for Alzheimer's disease: An analysis controlling for tobacco industry affiliation | journal = Journal of Alzheimer's Disease | volume = 19 | issue = 2 | pages = 465–80 | year = 2010 | pmid = 20110594 | pmc = 2906761 | doi = 10.3233/JAD-2010-1240 }}</ref> Os marcadores sistémicos do [[sistema imune inato]] são também fatores de risco para o Alzheimer de aparecimento tardio.<ref>{{cite journal | author = Eikelenboom P, van Exel E, Hoozemans JJ, Veerhuis R, Rozemuller AJ, van Gool WA | title = Neuroinflammation – An Early Event in Both the History and Pathogenesis of Alzheimer's Disease | journal = Neuro-Degenerative Diseases | volume = 7 | issue = 1–3 | pages = 38–41 | year = 2010 | pmid = 20160456 | doi = 10.1159/000283480 }}</ref> Existem também evidências conjeturais de que a exposição à [[poluição do ar]] possa constituir um fator para o desenvolvimento de Alzheimer.<ref>{{cite journal | author = Moulton PV, Yang W | title = Air Pollution, Oxidative Stress, and Alzheimer's Disease | journal = Journal of Environmental and Public Health | volume = 2012 | pages = 472751 | year = 2012 | pmid = 22523504 | doi = 10.1155/2012/472751 }}</ref>

Outra hipótese sustenta que a doença possa ser causada pela desagregação da [[mielina]] no cérebro devido à idade, processo que liberta ferro e provoca ainda mais lesões. Os processos homeostáticos de reparação da mielina contribuem para o desenvolvimento de depósitos proteicos, como os beta-amiloides ou a proteína tau.<ref>{{cite journal | author = Bartzokis G | title = Alzheimer's Disease as Homeostatic Responses to Age-related Myelin Breakdown | journal = Neurobiology of Aging | volume = 32 | issue = 8 | pages = 1341–71 | date = Agosto de 2011 | pmid = 19775776 | pmc = 3128664 | doi = 10.1016/j.neurobiolaging.2009.08.007 }}</ref><ref>{{cite journal | author = Bartzokis G, Lu PH, Mintz J | title = Quantifying Age-Related Myelin Breakdown with MRI: Novel Therapeutic Targets for Preventing Cognitive Decline and Alzheimer's Disease | journal = Journal of Alzheimer's Disease | volume = 6 | issue = 6 Suppl | pages = S53–9 | date = Dezembro de 2004 | pmid = 15665415 }}</ref><ref>{{cite journal | author = Bartzokis G, Lu PH, Mintz J | title = Human Brain Myelination and Beta-amyloid Deposition in Alzheimer's Disease | journal = Alzheimer's & Dementia | volume = 3 | issue = 2 | pages = 122–5 | date = April 2007 | pmid = 18596894 | pmc = 2442864 | doi = 10.1016/j.jalz.2007.01.019 }}</ref>

Tem sido proposto que o tipo 1 do vírus da ''[[Herpes|herpes simplex]]'' desempenha um papel de causa em pessoas portadoras de versões susceptíveis do gene [[Alipoproteína E|APOE]].<ref name="pmid18487848">{{cite journal | author = Itzhaki RF, Wozniak MA | title = Herpes Simplex Virus Type 1 in Alzheimer's Disease: The Enemy Within | journal = Journal of Alzheimer's Disease | volume = 13 | issue = 4 | pages = 393–405 | year = 2008 | pmid = 18487848 | url = http://iospress.metapress.com/openurl.asp?genre=article&issn=1387-2877&volume=13&issue=4&spage=393 | issn = 1387-2877 | month = Maio }}</ref> O [[stress oxidativo]] pode também ter um papel significativo na formação da doença.<ref>{{cite journal | author = Su B, Wang X, Nunomura A, Moreira PI, Lee HG, Perry G, Smith MA, Zhu X | title = Oxidative Stress Signaling in Alzheimer's Disease | journal = Current Alzheimer Research | volume = 5 | issue = 6 | pages = 525–32 | date = Dezembro de 2008 | pmid = 19075578 | pmc = 2780015 | doi = 10.2174/156720508786898451 }}</ref><ref>{{cite journal | author = Kastenholz B, Garfin DE, Horst J, Nagel KA | title = Plant Metal Chaperones: A Novel Perspective in Dementia Therapy | journal = Amyloid: The International Journal of Experimental and Clinical Investigation: The Official Journal of the International Society of Amyloidosis | volume = 16 | issue = 2 | pages = 81–3 | year = 2009 | pmid = 20536399 | doi = 10.1080/13506120902879392 }}</ref><ref>{{cite journal | author = Pohanka M | title = Alzheimer´s Disease and Oxidative Stress: A Review | journal = Current Medicinal Chemistry | volume = 21 | issue = 3 | pages = 356–64 | year = 2013 | pmid = 24059239 | doi = 10.2174/09298673113206660258 | type = Review }}</ref>

As pessoas com Alzheimer revelam uma perda de 70% das células do [[cerúleo]], as quais para além de serem neurotransmissoras, fornecem [[noradrenalina]], um agente anti-inflamatório nos microambientes em volta dos neurónios, das [[Neuróglia|células da glia]], e dos vasos sanguíneos no [[neocórtex]] e no [[hipocampo]]. Demonstrou-se também que a noradrenalina estimula a [[micróglia]] de ratos a suprimir a produção de [[citocina]]s induzidas por A<sub>β</sub>e a [[fagocitose]] de A<sub>β</sub>. Isto sugere que a degeneração do cerúleo pode ser responsável pelo aumento da deposição de A<sub>β</sub> no cérebro de pessoas com a doença.<ref name="Heneka">{{Citar periódico |autor=Heneka MT, Nadrigny F, Regen T, Martinez-Hernandez A, Dumitrescu-Ozimek L, Terwel D, Jardanhazi-Kurutz D, Walter J, Kirchhoff F, Hanisch UK, Kummer MP. |ano=2010 |url=http://www.pnas.org.libproxy.ucl.ac.uk/content/107/13/6058.full.pdf |título=Locus ceruleus controls Alzheimer's disease pathology by modulating microglial functions through norepinephrine |jornal= Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America |volume=107 |páginas=6058–6063 |doi=10.1073/pnas.0909586107 |pmid=20231476}}</ref>


== Histopatologia ==
== Histopatologia ==
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Segundo a [[Organização Mundial da Saúde]] a exposição aos [[Disruptor endócrino|disruptores endócrinos]] poderá desencadear a doença de Alzheimer.<ref>[http://www.environmentalhealthnews.org/ehs/news/2013/pdf-links/EDC%20summary%20layout%20040213-3.pdf World Health Organization State of the Science of Endocrine Disrupting Chemicals 2012]</ref>
Segundo a [[Organização Mundial da Saúde]] a exposição aos [[Disruptor endócrino|disruptores endócrinos]] poderá desencadear a doença de Alzheimer.<ref>[http://www.environmentalhealthnews.org/ehs/news/2013/pdf-links/EDC%20summary%20layout%20040213-3.pdf World Health Organization State of the Science of Endocrine Disrupting Chemicals 2012]</ref>

==História==
[[File:Auguste D aus Marktbreit.jpg|thumb|Auguste Deter em 1902. Paciente de [[Alois Alzheimer]], foi o primeiro caso descrito daquela que viria a ser denominada doença de Alzheimer.]]

Já na [[Antiguidade clássica]] os médicos e filósofos [[Grécia Antiga|gregos]] e [[Roma Antiga|romanos]] associavam a progressão da [[demência]] à idade avançada.<ref name="pmid9661992">{{cite journal | author = Berchtold NC, Cotman CW | title = Evolution in the Conceptualization of Dementia and Alzheimer's Disease: Greco-Roman Period to the 1960s | journal = Neurobiology of Aging | volume = 19 | issue = 3 | pages = 173–89 | year = 1998 | pmid = 9661992 | doi = 10.1016/S0197-4580(98)00052-9 }}</ref> No entanto, só em 1901 é que o [[Psiquiatria|psiquiatra]] alemão [[Alois Alzheimer]] identificou pela primeira vez um caso da patologia que viria a ser denominada doença de Alzheimer, numa mulher de cinquenta anos a que chamava ''Auguste D''. O médico seguiu a paciente até à sua morte, em 1906, data em que publicou o primeiro relatório sobre o caso.<ref>{{cite journal|author=Alzheimer Alois|title=Über eine eigenartige Erkrankung der Hirnrinde|trans_title=About a peculiar disease of the cerebral cortex|journal=Allgemeine Zeitschrift fur Psychiatrie und Psychisch-Gerichtlich Medizin|volume=64|issue=1–2|pages=146–148|year=1907|}}</ref><ref>{{cite journal | author = Alzheimer Alois | title = About a Peculiar Disease of the Cerebral Cortex | journal = Alzheimer Disease and Associated Disorders | volume = 1 | issue = 1 | pages = 3–8 | year = 1987 | pmid = 3331112 | coauthor = L. Jarvik and H. Greenson }}</ref><ref>{{cite book|author=Maurer Ulrike, Maurer Konrad|title=Alzheimer: The Life of a Physician and the Career of a Disease|publisher=Columbia University Press|location=New York|year=2003|page=270|isbn=0-231-11896-1}}</ref> Durante os cinco anos seguintes, foram reportados na literatura médica onze casos semelhantes, alguns dos quais referindo-se já à doença pelo termo Alzheimer.<ref name="pmid9661992">{{cite journal | author = Berchtold NC, Cotman CW | title = Evolution in the Conceptualization of Dementia and Alzheimer's Disease: Greco-Roman Period to the 1960s | journal = Neurobiology of Aging | volume = 19 | issue = 3 | pages = 173–189 | year = 1998 | pmid = 9661992 | doi = 10.1016/S0197-4580(98)00052-9 }}</ref> A doença foi pela primeira vez descrita enquanto condição autónoma por [[Emil Kraepelin]], depois de ter suprimido algumas das características clínicas (alucinações) e patológicas (alterações arterioescleróticas) do relatório original de Auguste D.<ref>{{cite journal|author=Berrios G E|title=Alzheimer's Disease: A Conceptual History|journal=Int. J. Ger. Psychiatry|volume=5|issue=6|pages=355–365|year=1990|doi=10.1002/gps.930050603}}</ref> Kraepelin incluiu a doença de Alzheimer, também denominada por si "demência pré-senil", na oitava edição do seu ''Manual de Psiquiatria'', publicado em 15 de julho de 1910.<ref name="isbn1-4325-0833-4">{{cite book|author=Kraepelin Emil, Diefendorf A. Ross (translated by)|title=Clinical Psychiatry: A Textbook For Students And Physicians (Reprint)|publisher=Kessinger Publishing|date=2007|page=568|isbn=1-4325-0833-4}}</ref>

Durante a maior parte do {{séc|XX}}, o diagnóstico de Alzheimer era reservado para indivíduos entre os 45 e 65 anos de idade que desenvolviam sintomas de [[demência]]. No entanto, esta terminologia foi alterada em 1977 após numa conferência se ter concluído que as manifestações patológicas da demência senil e pré-senil eram praticamente idênticas, embora os autores também tenham acrescentado que isto não excluía a hipótese de terem diferentes causas.<ref name="isbn0-89004-225-X">{{cite book|author=Katzman Robert, Terry Robert D, Bick Katherine L (editors)|title=Alzheimer's Disease: Senile Dementia and Related Disorders|publisher=Raven Press|location=New York|year=1978|page=595|isbn=0-89004-225-X}}</ref> Isto levou a que o diagnóstico de Alzheimer se tornasse independente da idade.<ref name="pmid9702682">{{cite journal | author = Boller F, Forbes MM | title = History of Dementia and Dementia in History: An Overview | journal = Journal of the Neurological Sciences | volume = 158 | issue = 2 | pages = 125–33 | year = 1998 | pmid = 9702682 | doi = 10.1016/S0022-510X(98)00128-2 | month = Junho }}</ref> Durante algum tempo usou-se o termo "demência senil do tipo Alzheimer" para descrever a condição em pacientes com idade superior a 65 anos, enquanto que o termo "doença de Alzheimer" era usado para as pessoas com idade inferior. Eventualmente, o termo "doença de Alzheimer" foi adotado pela nomneclatura clínica para descrever indivíduos de todas as idades com um quadro de sintomas, evolução e [[neuropatologia]] em comum.<ref name="pmid3531918">{{vcite journal | author = Amaducci LA, Rocca WA, Schoenberg BS | title = Origin of the Distinction between Alzheimer's Disease and Senile Dementia: How History Can Clarify Nosology | journal = Neurology | volume = 36 | issue = 11 | pages = 1497–9 | year = 1986 | pmid = 3531918 | month = Novembro }}</ref>


== Custos sociais ==
== Custos sociais ==

Revisão das 04h26min de 8 de outubro de 2014

 Nota: Este artigo é sobre a doença. Para o médico que deu o nome a doença, veja Alois Alzheimer.
Alzheimer
Doença de Alzheimer
Comparação entre um cérebro idoso normal (esquerda) e o cérebro de uma pessoa com Alzheimer (direita), estando assinaladas as características diferenciadoras
Especialidade neurologia
Frequência 5.05% (Europa)
Classificação e recursos externos
CID-10 G30, F00
CID-9 331.0, 290.1
CID-11 1611724421
OMIM 104300
DiseasesDB 490
MedlinePlus 000760
eMedicine neuro/13
MeSH D000544
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A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Não existe cura para a doença, a qual se agrava progressivamente até que eventualmente leva à morte. Foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Alois Alzheimer, de quem recebeu o nome.[1] A doença é geralmente diagnosticada em pessoas com idade superior a 65 anos,[2] embora possa ocorrer muito mais cedo. Em 2006, existiam no mundo 26,6 milhões de pessoas com Alzheimer e em 2050 prevê-se que afete 1 em cada 85 pessoas à escala mundial.[3] A doença atinge 1% dos idosos entre os 65 e 70 anos mas, a prevalência aumenta exponencialmente com os anos sendo de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos.[4]

Embora a doença de Alzheimer se manifeste de forma diferente em cada pessoa, existem diversos sintomas em comum.[5] Os primeiros sintomas são geralmente confundidos com sinais relacionados com a idade ou manifestações de stresse.[6] Nos primeiros estágios, o sintoma mais comum é a dificuldade em recordar eventos recentes, o que se denomina perda de memória a curto prazo. Quando se suspeita de Alzheimer, o diagnóstico é geralmente confirmado com exames que avaliam o comportamento e a capacidade de raciocínio da pessoa, os quais podem ser complementados por um exame cerebral.[7] No entanto, só é possível determinar um diagnóstico definitivo através de um exame ao tecido recebral. À medida que a doença progride, o quadro de sintomas pode incluir confusão, irritabilidade, alterações de humor, comportamento agressivo, dificuldades com a linguagem e perda de memória a longo prazo. Em grande parte dos casos, a pessoa com Alzheimer afasta-se progressivamente da família e da sociedade.[6][8] Gradualmente, o corpo vai perdendo as funções corporais normais, o que eventualmente leva à morte.[9] Uma vez que a doença se manifesta de forma diferente em cada pessoa, é difícil prever como irá afetar determinada pessoa. Antes de se manifestar por completo, a doença evolui ao longo de um período de tempo desconhecido e variável, podendo progredir ao longo de anos sem ser diagnosticada. Em média, a esperança de vida após o diagnóstico é de cerca de sete anos.[10] Pouco mais de 3% das pessoas vive mais de 14 anos após o diagnóstico.[11]

A doença de Alzheimer é classificada enquanto transtorno neurodegenerativo. As causas e progressão da doença ainda não são completamente conhecidas, embora se saiba que está associada com as placas senis e com os novelos neurofibrilares no cérebro.[12] Os tratamentos atuais destinam-se apenas aos sintomas de Alzheimer, não existindo tratamentos para parar ou regredir a progressão da doença. Até 2012, tinham sido realizados mais de mil ensaios clínicos a vários componentes da doença.[13] Como forma de atrasar o desenvolvimento de sintomas cognitivos em idosos saudáveis, tem sido sugerida a realização de exercício físico e mental e uma dieta equilibrada, embora não existam evidências conclusivas em relação a eventuais benefícios.[14]

Uma vez que a doença de Alzheimer não tem cura e é degenerativa, a pessoa afetada torna-se gradualmente dependente da assistência de outros. Em muitos casos, é o cônjugue ou um familiar próximo quem assume o papel de principal cuidador.[15] A doença tem um impacto significativo para os cuidadores, a nível social, psicológico, físico e económico.[16][17][18] Em países desenvolvidos, Alzheimer é uma das doenças com maiores custos sociais.[19][20]

Sintomas

As áreas mais afetadas são as associadas a memória, aprendizagem e coordenação motora

Cada paciente de Alzheimer sofre a doença de forma única, mas existem pontos em comum, por exemplo, o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de estresse. Quando a suspeita recai sobre o Mal de Alzheimer, o paciente é submetido a uma série de testes cognitivos e radiológicos. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão mental, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade. Antes de se tornar totalmente aparente o Mal de Alzheimer vai-se desenvolvendo por um período indeterminado de tempo e pode manter-se não diagnosticado e assintomático durante anos.[21]

A evolução da doença está dividida em quatro fases.

Primeira fase dos sintomas

Os primeiros sintomas são muitas vezes falsamente relacionados com o envelhecimento natural ou com o stress. Alguns testes neuropsicológicos podem revelar muitas deficiências cognitivas até oito anos antes de se poder diagnosticar o Mal de Alzheimer por inteiro. O sintoma primário mais notável é a perda de memória de curto prazo (dificuldade em lembrar factos aprendidos recentemente); o paciente perde a capacidade de dar atenção a algo, perde a flexibilidade no pensamento e o pensamento abstrato; pode começar a perder a sua memória semântica. Nessa fase pode ainda ser notada apatia, como um sintoma bastante comum. É também notada uma certa desorientação de tempo e espaço. A pessoa não sabe onde está nem em que ano está, em que mês ou que dia. Quanto mais cedo os sintomas forem percebidos mais eficaz é o tratamento e melhor o prognóstico.

Segunda fase (demência inicial)

Com o passar dos anos, conforme os neurônios morrem e a quantidade de neurotransmissores diminuem, aumenta a dificuldade em reconhecer e identificar objectos (agnosia) e na execução de movimentos (apraxia).

A memória do paciente não é afetada toda da mesma maneira. As memórias mais antigas, a memória semântica e a memória implícita (memória de como fazer as coisas) não são tão afectadas como a memória a curto prazo. Os problemas de linguagem implicam normalmente a diminuição do vocabulário e a maior dificuldade na fala, que levam a um empobrecimento geral da linguagem. Nessa fase, o paciente ainda consegue comunicar ideias básicas. O paciente pode parecer desleixado ao efetuar certas tarefas motoras simples (escrever, vestir-se, etc.), devido a dificuldades de coordenação.

Terceira fase

A degeneração progressiva dificulta a independência. A dificuldade na fala torna-se evidente devido à impossibilidade de se lembrar de vocabulário. Progressivamente, o paciente vai perdendo a capacidade de ler e de escrever e deixa de conseguir fazer as mais simples tarefas diárias. Durante essa fase, os problemas de memória pioram e o paciente pode deixar de reconhecer os seus parentes e conhecidos. A memória de longo prazo vai-se perdendo e alterações de comportamento vão-se agravando. As manifestações mais comuns são a apatia, irritabilidade e instabilidade emocional, chegando ao choro, ataques inesperados de agressividade ou resistência à caridade. Aproximadamente 30% dos pacientes desenvolvem ilusões e outros sintomas relacionados. Incontinência urinária e fecal podem aparecer.

Quarta fase (terminal)

Durante a última fase do Mal de Alzheimer, o paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está agora reduzida a simples frases ou até a palavras isoladas, acabando, eventualmente, em perda da fala. Apesar da perda da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente, e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Os pacientes vão acabar por não conseguir desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda. A sua massa muscular e a sua mobilidade degeneram-se a tal ponto que o paciente tem de ficar deitado numa cama; perdem a capacidade de comer sozinhos. A morte normalmente não é causada pelo Mal de Alzheimer, mas por outro fator externo (pneumonia, por exemplo).

Causas

As causas de maior parte dos casos de Alzheimer são ainda desconhecidas, exceto em 1-5% dos casos onde têm sido identificadas diferenças genéticas.[22] Existem diversas hipóteses que tentam chegar a uma explicação para a origem da doença:

Genética

Com base em revisões de estudos entre gémeos e família, a hereditariedade genética da doença de Alzheimer varia entre 49% e 79%.[23][24] Cerca de 0,1% dos casos são formas familiares de transmissão autossómica dominante, as quais geralmente ocorrem antes dos 65 anos de idade.[25] Esta forma da doença é denominada doença de Alzheimer familiar. A maior parte dos casos de Alzheimer familiar autossómico dominante é atribuída a mutações em um de três genes: os que codificam a proteína precursora amiloide (PPA) e as presenilinas 1 e 2.[26] A maior parte das mutações nestes genes aumenta a produção de uma pequena proteína denominada 42, a qual é o principal componente das placas senis.[27] Algumas das mutações apenas alteram a proporção entre a Aβ42 e as outras formas principais, como a Aβ40, sem no entanto aumentar a quantidade de Aβ42.[27][28] Isto sugere que as mutações das presenilinas podem provocar a doença, mesmo que diminuam a quantidade total de Aβ produzida.[29]

A maior parte dos casos de Alzheimer não evidenciam transmissão autossómica dominante, sendo nesse caso denoominados "doença de Alzheimer esporádica". Nestes casos, as diferenças genéticas e ambientais podem constituir fatores de risco. O fator de risco genético melhor compreendido é a hereditariedade do alelo ε4 da apolipoproteína E (APOE).[30][31] Entre 40 e 80% das pessoas com Alzheimer possuem pelo menos um alelo APOEε4 allele.[31] Este alelo aumenta o risco de vir a sofrer da doença em três vezes nos heterozigotos e quinze vezes nos homozigotos.[25] Tal como em muitas doenças humanas, os fatores ambientais e modificadores genéticos resultam em penetrância incompleta. Por exemplo, algumas populações nigerianas não exibem a relação entre a quantidade de APOEε4 e a incidência ou idade habitual de início da doença observada em outras populações humanas.[32][33] As mutações no gene TREM2 têm sido associadas a um risco 3 a 5 vezes maior de vir a desenvolver Alzheimer.[34][35] Os estudos de associação pengenómica recentes verificaram a existência de dezanove áreas nos genes que aparentam afetar o risco de Alzheimer.[36]

Hipótese colinérgica

A hipótese mais antiga, na qual se baseia a maior parte das terapêuticas farmacológicas, é a hipótese colinérgica.[37] Esta hipótese propõe que a doença de Alzheimer seja provocada por uma insuficiência na síntese do neurotransmissor acetilcolina. Esta hipótese não reúne atualmente apoio generalizado, em grande parte porque a medicação para o tratamento da deficiência em acetilcolina não tem demonstrado ser eficaz. Têm sido também propostos outros efeitos colinérgicos; por exemplo, a agregação em grande escala de amiloides,[38] que provoca neuroinflamação generalizada.[39]

Hipótese amiloide

Em 1991, a hipótese amiloide postulou que os depósitos extrecelulares de beta amiloides (Aβ) são a causa fundamental da doença de Alzheimer.[40][41] Este postulado baseia-se na localização do gene da proteína precursora amiloide no cromossoma 21 e no facto da quase totalidade das pessoas com trissomia 21, as quais têm uma cópia adicional de genes, manifestarem Alzheimer antes dos 40 anos de idade.[42][43] Para além disso, existe uma isoforma específica da apolipoproteína, denominada APOE4, que é um fator de risco genético significativo para a doença. Enquanto que as apolipoproteínas aumentam a separação dos beta amiloides, algumas isoformas, como a APOE4, não são muito eficazes nesta tarefa e provocam a acumulação excessiva de amiloides no cérebro.[44] Existem ainda evidências adicionais na descoberta de que ratos transgénicos que expressam uma forma mutante da APP humana desenvolvem placas amiloides fibrilares e patologia cerebral semelhante a Alzheimer.[45][46][47][48]

Uma vacina experimental demonstrou ser eficaz a eliminar placas de amiloides durante ensaios clínicos em seres humanos, embora não tenha tido qualquer efeito significativo na demência.[49] Isto levou os investigadores a suspeitar de que os oligómeros fossem a principal forma patogénica das Aβ. Estes oligómeros, também denominados ligantes difusos derivados do amiloide (ADDL), ligam-se a um recetor de superfície nos neurónios e alteram a estrutura da sinapse, interrompendo assim a comunicação entre os neurónios.[50] Um dos possíveis recetores dos oligómeros Aβ é a proteína prião, a mesma proteína associada à doença das vacas loucas e à condição humana derivada, a doença de Creutzfeldt-Jakob, pelo que existe a possibilidade destas doenças neurodegenerativas estarem relacionadaa com a doença de Alzheimer.[51] Em 2009 esta hipótese foi atualizada, sugerindo que um dos principais responsáveis pela doença não seria o próprio beta-amiloide, mas um parente próximo da proteína beta-amiloide. Esta teoria sustenta que o mesmo mecanismo amiloidal que desliga as ligações entre os neurónios no cérebro durante o crescimento rápido no início da vida pode ser mais tarde espoletado pelos processos de envelhecimento e provocar a atrofia neuronal da doença de Alzheimer.[52]

Hipótese da proteína Tau

Na doença de Alzheimer, as alterações na proteína tau levam à desintegração dos microtúbulos nas células do cérebro.

A hipótese da proteína tau propõe que a doença seja desencadeada por anormalidades na proteína tau.[41] Neste modelo, a proteína tau hiperfosforilada começa por se associar a outras cadeias de tau, formando eventualmente novelos neurofibrilares no interior das células nervosas.[53] Quando isto ocorre, os microtúbulos desintegram-se, destruindo o sistema de transporte dos neurónios.[54] Isto pode provocar inicialmente disfunções na comunicação bioquímica entre os neurónios e numa fase posterior a morte das células.[55]

Outras hipóteses

A doença de Alzheimer interrompe a homeostase celular do cobre, ferro, e zinco iónicos, embora não seja ainda claro se isto é causa ou consequência das alterações nas proteínas. Estes iões afetam e são afetados pela proteína tau, APP e APOE.[56] Alguns estudos relevelaram um risco acrescido de desenvolver Alzheimer na presença de alguns fatores ambientais como a ingestão de metais, sobretudo de alumínio.[57] No entanto, a qualidade de alguns destes estudos tem sido alvo de críticas,[58] e outros estudos concluíram que não existe qualquer relação entre estes fatores ambientais e o desenvolvimento de Alzheimer.[59] Alguns investigadores levantaram também a hipótese do cobre na dieta poder desempenhar algum papel de causa.[60]

Embora alguns estudos tenham sugerido que os campos eletromagnéticos de Frequência extremamente baixa possam aumentar o risco de Alzheimer,[61] as revisões posteriores sustentam que esta hipótese requer investigações epidemiológicas e laboratoriais.[62]

O fumo de tabaco é um fator de risco significativo de Alzheimer.[63] Os marcadores sistémicos do sistema imune inato são também fatores de risco para o Alzheimer de aparecimento tardio.[64] Existem também evidências conjeturais de que a exposição à poluição do ar possa constituir um fator para o desenvolvimento de Alzheimer.[65]

Outra hipótese sustenta que a doença possa ser causada pela desagregação da mielina no cérebro devido à idade, processo que liberta ferro e provoca ainda mais lesões. Os processos homeostáticos de reparação da mielina contribuem para o desenvolvimento de depósitos proteicos, como os beta-amiloides ou a proteína tau.[66][67][68]

Tem sido proposto que o tipo 1 do vírus da herpes simplex desempenha um papel de causa em pessoas portadoras de versões susceptíveis do gene APOE.[69] O stress oxidativo pode também ter um papel significativo na formação da doença.[70][71][72]

As pessoas com Alzheimer revelam uma perda de 70% das células do cerúleo, as quais para além de serem neurotransmissoras, fornecem noradrenalina, um agente anti-inflamatório nos microambientes em volta dos neurónios, das células da glia, e dos vasos sanguíneos no neocórtex e no hipocampo. Demonstrou-se também que a noradrenalina estimula a micróglia de ratos a suprimir a produção de citocinas induzidas por Aβe a fagocitose de Aβ. Isto sugere que a degeneração do cerúleo pode ser responsável pelo aumento da deposição de Aβ no cérebro de pessoas com a doença.[73]

Histopatologia

Histopatologia da fase pré-senil das placas senis. A proteína beta-amilóide, que tem efeitos tóxicos sobre os neurônios.[74]

A base histopatológica da doença foi descrita pela primeira vez pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em 1909, que verificou a existência juntamente com placas senis (hoje identificadas como agregados de proteína beta-amilóide), de emaranhados neurofibrilares (hoje associados a mutações e consequente hiperfosforilação da proteína tau, no interior dos microtúbulos do citoesqueleto dos neurónios). Estes dois achados patológicos, num doente com severas perturbações neurocognitivas, e na ausência de evidência de compromisso ou lesão intra-vascular, permitiram a Alois Alzheimer caracterizar este quadro clínico como distinto de outras patologias orgânicas do cérebro, vindo Emil Kraepelin a dar o nome de Alzheimer à doença por ele estudada pela primeira vez, combinando os resultados histológicos com a descrição clínica.

As placas senis têm o aspecto esférico e no centro há denso acúmulo de proteína beta-amilóide A/4 que é circundada por um anel formado de partículas de neurônios anormais, células microgliais e astrócitos reactivos. Além disso, conforme os neurônios criam nós em peças essenciais de sua estrutura interna, os microtúbulos retorcidos e emaranhados prejudicam o funcionamento da rede neural. A provável causa é um defeito no cromossoma 19, responsável pela produção de uma proteína denominada apolipoproteína E4 (ApoE4).[75]

Fisiopatologia

Perda de conexões entre neurônios, formação de emaranhados neurofibrilares e placas de amilóides são as principais características identificadas no Alzheimer

Segundo pesquisas recentes, o Alzheimer começa no tronco cerebral, mais especificamente numa área denominada núcleo dorsal da rafe, e não no córtex, que é o centro do processamento de informações e armazenamento da memória.[76]

Caracteriza-se clinicamente pela perda progressiva da memória. O cérebro de um paciente com a doença de Alzheimer, quando visto em necrópsia, apresenta uma atrofia generalizada, com perda neuronal específica em certas áreas do hipocampo, mas também em regiões parieto-occipitais e frontais. O quadro de sinais e sintomas dessa doença está associado à redução de neurotransmissores cerebrais, como acetilcolina, noradrenalina e serotonina. O tratamento para o mal de Alzheimer é sintomático e consiste justamente na tentativa de restauração da função colinérgica, noradrenérgica e serotoninérgica.[77]

A perda de memória causa a estes pacientes um grande desconforto em sua fase inicial e intermediária. Já na fase adiantada não apresentam mais condições de perceber-se doentes, por falha da autocrítica. Não se trata de uma simples falha na memória, mas sim de uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social, devido a dificuldades para reconhecer pessoas próximas e objetos. Mudanças de domicílio são mal recebidas, pois tornam os sintomas mais agudos. Um paciente com doença de Alzheimer pergunta a mesma coisa centenas de vezes, mostrando sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas, frases são trocadas, muitas permanecendo sem finalização.

Prevenção

O Alzheimer é quatro vezes mais comum em analfabetos do que em pessoas com mais de oito anos de estudo formal

Todos os estudos de medidas para prevenir ou atrasar os efeitos do Alzheimer são frequentemente infrutíferos. Hoje em dia, não parecem existir provas para acreditar que qualquer medida de prevenção é definitivamente bem sucedida contra o Alzheimer. No entanto, estudos indicam relações entre factores alteráveis como dietas, risco cardiovascular, uso de produtos farmacêuticos ou atividades intelectuais e a probabilidade de desenvolvimento de Alzheimer da população. Mas só mais pesquisa, incluídos testes clínicos, revelarão se, de facto, esses factores podem ajudar a prevenir o Alzheimer.

A inclusão de fruta e vegetais, pão, trigo e outros cereais, azeite, peixe, e vinho tinto, podem reduzir o risco de Alzheimer. Algumas vitaminas como a B12, B3, C ou a B9 foram relacionadas em estudos ao menor risco de Alzheimer, embora outros estudos indiquem que essas não têm nenhum efeito significativo no início ou desenvolvimento da doença e podem ter efeitos secundários. Algumas especiarias como a curcumina e o açafrão mostraram sucesso na prevenção da degeneração cerebral em ratos de laboratório.

O risco cardiovascular, derivado de colesterol alto, hipertensão, diabetes e o tabaco, está associado com maior risco de desenvolvimento da doença, e as estatinas (fármacos para fazer descer o colesterol) não tiveram sucesso em prevenir ou melhorar as condições do paciente durante o desenvolvimento da doença. No entanto, o uso a longo prazo de anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) está também associado à menor probabilidade de desenvolvimento de Alzheimer em alguns indivíduos. Já não se acredita que outros tratamentos farmacêuticos, como substituição de hormonas femininas, previnam a doença. Em 2007, estudo aprofundado concluiu que havia provas inconsistentes e pouco convincentes de que o ginkgo tenha algum efeito positivo em reduzir a probabilidade de ocorrência do Mal de Alzheimer.

Atividades intelectuais como ler, escrever com a mão esquerda, disputar jogos de tabuleiro (xadrez, damas, etc.), completar palavras cruzadas, tocar instrumentos musicais, ou socialização regular também podem atrasar o início ou a gravidade do Alzheimer. Outros estudos mostraram que muita exposição a campos magnéticos e trabalho com metais, especialmente alumínio, aumenta o risco de Alzheimer. A credibilidade de alguns desses estudos tem sido posta em causa até porque outros estudos não encontraram a mínima relação entre as questões ambientais e o desenvolvimento de Alzheimer.

Muitas vezes não é possível discernir todas as fases da doença, pois um paciente que ainda está na primeira fase já pode apresentar dificuldades de locomoção por exemplo, e outro paciente que já se encontra em fase terminal ainda fala com fluência (embora sejam frases sem sentido nenhum e até mesmo xingamentos).

Em 2009, cientistas do Reino Unido e França anunciaram a descoberta de três genes [clusterina (ou CLU), PICALM e CR1] que poderiam reduzir em até 20% seus índices de incidência na população.[78]

Tratamento

inibidores da acetilcolinesterase retardam o declínio cognitivo em 40%[79]

O tratamento visa minimizar os sintomas, proteger o sistema nervoso e retardar o máximo possível a evolução da doença. Os inibidores da acetilcolinesterase, atuam inibindo a enzima responsável pela degradação da acetilcolina que é produzida e liberada por algumas áreas do cérebro (como os do núcleo basal de Meynert). A deficiência de acetilcolina é considerada um dos principais fatores da doença de Alzheimer, mas não é o único evento bioquímico/fisiopatológico que ocorre. Mais recentemente, um grupo de medicações conhecido por inibidores dos receptores do tipo NMDA (N-Metil-D-Aspartato) do glutamato entrou no mercado brasileiro, já existindo no europeu há mais de uma década. Um desses medicamentos, a memantina(HEIMER 10 Mg - Eurofarma), atua inibindo a ligação do glutamato, neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central a seus receptores. O glutamato é responsável por reações de excitotoxicidade com abertura de radicais livres e lesão tecidual e neuronal. Há uma máxima na medicina que diz que uma doença pode ser intratável, mas o paciente não.

Os medicamentos inibidores da acetil-colesterase são[80]:

Efeitos colaterais comuns desses medicamentos:

Vários desses efeitos colaterais tendem a desaparecer nas primeiras semanas. Eles são mais eficazes no início do tratamento pois conforme o núcleo basal de Meynert vai degenerando restam cada vez menos receptores da acetilcolina. A quantidade de Apolipoproteína E e estrógeno são importantes preditores do sucesso terapêutico.[81]

Medicamentos psiquiátricos

Como a depressão e ansiedade são um problema constante no Alzheimer é comum que os médicos prescrevam antidepressivos, principalmente inibidores selectivos da recaptação da serotonina como sertralina (ASSERT e Zoloft), citalopram (Cipramil) e escitalopram (Lexapro). Porém os estudos demonstrando sua eficácia são bastante limitados, diminuindo a concentração, atenção e o estado de vigília sendo a eletroconvulsoterapia uma boa alternativa.[82] Antidepressivos além de melhorarem o humor, o apetite, o sono, o auto-controle e diminuirem a ansiedade, tendências suicidas e agressividade tem demonstrado também significativamente retardar a degeneração do cérebro.

Os medicamentos antipsicóticos, como o haloperidol (Haldol), têm sido utilizados no intuito de facilitar os cuidados com o paciente, especialmente reduzindo as alucinações, a agressividade, os distúrbios de humor, a anedonia, a apatia e a disforia, que são comportamentos que ocorrem com a evolução da patologia. O antpsicótico quetiapina tem se tornado uma boa alternativa para quadros de agitação e delírios, pois é uma droga super segura e por se tratar de um antpsicótico atípico com menor potencial de promover efeitos extrapiramidais e menor risco cardiometabólico tende a se tornar primeira escolha para tratamento desses sintomas associados as demências. Os benzodiazepínicos, como o diazepam (Valium), tem sido usado para insônia, ansiedade, agitação motora e irritabilidade, porém causando sonolência, desatenção e menor coordenação motora (ataxia) o que pode ser um sério agravante.[83]

Novos tratamentos

Estudos indicam que Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem servir como proteção contra a demência em usuários crônicos destes fármacos. A relação pode advir da observação de inúmeras substâncias pró-inflamatórias envolvidas na fisiopatologia da doença e diretamente presentes em placas neuríticas; e, emaranhados neurofibrilares, assim como pela ação direta de certos anti-inflamatórios sobre a clivagem de proteína precursora do amilóide.[84] O ibuprofeno (Advil) e a indometacina (Indocid) - mas não o naproxeno (Naprosyn), o celecoxib (Celebra) ou o ácido acetilsalicílico (Aspirina) - demonstraram reduzir os níveis de Aβ acima de 80% em cultura de células49. Como nem todos os antiinflamatórios não-esteroidais apresentaram esse efeito, acredita-se que essa redução ocorreu por um processo independente da atividade antiinflamatória sobre a COX.[85]

Em 2008 um estudo conseguiu desenvolver um meio de reverter alguns sintomas do Mal de Alzheimer em questão de minutos. Uma injeção de etanercepte (nome comercial: Enbrel) na espinha, uma citocina usada no tratamento de problemas imunológicos, atuou inibindo o fator de necrose tumoral alfa (TNF) resultando em melhoras cognitivas e comportamentais quase imediatas.[86]

Em 2011, outro estudo identificou que um defeito no fígado é responsável pelo excesso de produção de amilóide beta. Em testes com animais o uso de imatinib (nome comercial: Gleevec), uma droga usada no tratamento do câncer, resultou em diminuição de amilóides beta no sangue e no cérebro. Planejam fazer testes com humanos em breve.[87]

A estimulação profunda do cérebro está a ser alvo de estudo na universidade do Canadá com resultados encorajantes.[88]

Em julho de 2012, cientistas do colégio médico de Weill Cornell em Nova Iorque (nordeste dos Estados Unidos) apresentaram um experimento usando o fármaco imunológico Gammagard (também conhecido como imunoglobina intravenosa [89]). Este medicamento, era utilizado como imunossupressor em casos de transplantes e enfermidades do sistema imunológico. Um dos resultados do estudo demonstrou que, os pacientes (número reduzido, nessa parte do experimento) que receberam o medicamento em alta dosagem, não apresentaram deterioração cognitiva e perda de memória durante três anos. [90][91]

Cuidadores

A tarefa de cuidar do idoso precisa ser dividida e compartilhada com outros membros da família e profissionais de saúde para não sobrecarregar uma só pessoa

Conforme a doença avança aumentam as dificuldades para os familiares que se veem tendo que cuidar, acompanhar e ajudar no tratamento de um familiar que não mais reconhece as pessoas e depende a maior parte do tempo do auxílio de alguém, até para realizar suas necessidades fisiológicas mais básicas. Os cuidadores são fundamentais para o tratamento do idoso com Alzheimer no ambiente domiciliar, mas nem todos os familiares estão preparados física e psicologicamente para conviver e cuidar de alguém que não os reconhece nem valoriza seus esforços. Por isso é importante o acesso às informações sobre a patologia e apoio psicosocial aos cuidadores.[92] E o cuidador de paciente com Alzheimer frequentemente tem que lidar com irritabilidade, agressividade, mudanças de humor e de comportamento.

É recomendado a participação do cuidador em programas de cuidado ao idoso com Alzheimer para esclarecer dúvidas sobre a doença, acompanhar o tratamento, dar apoio psicológico e social para atenuar o esgotamento e o estresse gerados pela convivência com uma pessoa que a cada dia vai precisar de mais cuidado e atenção no ambiente domiciliar.

Os cuidadores são responsáveis pela manutenção da segurança física, redução da ansiedade e agitação, melhoria da comunicação, promoção da independência nas atividades de autocuidado, atendimento das necessidades de socialização e privacidade, manutenção da nutrição adequada, controle dos distúrbios do padrão de sono e transporte para serviços de saúde além das inúmeras atividades diárias de cuidado com o lar.[93]

Prognóstico

A evolução da piora é em torno de 5 a 15% da cognição (consciência de si próprio e dos outros) por ano de doença, com um período em média de oito anos de seu início e seu último estágio. Com a progressão da doença passa a não reconhecer mais os familiares ou até mesmo a não realizar tarefas simples de higiene e vestir roupas. No estágio final necessita de ajuda para tudo. Os sintomas depressivos são comuns, com instabilidade emocional e choros. Delírios e outros sintomas de psicose são frequentes, embora difíceis de avaliar nas fases finais da doença, devido à total perda de noção de lugar e de tempo e da deterioração geral. Em geral a doença instala-se em pessoas com mais de 65 anos, mas existem pacientes com início aos quarenta anos, e relatos raros de início na infância, de provável cunho genético. Podem aparecer vários casos numa mesma família, e também pode acontecer casos únicos, sem nenhum outro parente afetado, ditos esporádicos.

Epidemiologia

No mundo o número de portadores de Alzheimer é cerca de 25 milhões, com cerca de 1 milhão de casos no Brasil (dados de 2009)[94] e cerca de 100 mil em Portugal.[95]

Existe uma relação inversamente proporcional entre a prevalência de demência e a escolaridade. Nos indivíduos com oito anos ou mais de escolaridade a prevalência é de 3,5%, enquanto que nos analfabetos é de 12,2%.[96]

Segundo a Organização Mundial da Saúde a exposição aos disruptores endócrinos poderá desencadear a doença de Alzheimer.[97]

História

Auguste Deter em 1902. Paciente de Alois Alzheimer, foi o primeiro caso descrito daquela que viria a ser denominada doença de Alzheimer.

Já na Antiguidade clássica os médicos e filósofos gregos e romanos associavam a progressão da demência à idade avançada.[1] No entanto, só em 1901 é que o psiquiatra alemão Alois Alzheimer identificou pela primeira vez um caso da patologia que viria a ser denominada doença de Alzheimer, numa mulher de cinquenta anos a que chamava Auguste D. O médico seguiu a paciente até à sua morte, em 1906, data em que publicou o primeiro relatório sobre o caso.[98][99][100] Durante os cinco anos seguintes, foram reportados na literatura médica onze casos semelhantes, alguns dos quais referindo-se já à doença pelo termo Alzheimer.[1] A doença foi pela primeira vez descrita enquanto condição autónoma por Emil Kraepelin, depois de ter suprimido algumas das características clínicas (alucinações) e patológicas (alterações arterioescleróticas) do relatório original de Auguste D.[101] Kraepelin incluiu a doença de Alzheimer, também denominada por si "demência pré-senil", na oitava edição do seu Manual de Psiquiatria, publicado em 15 de julho de 1910.[102]

Durante a maior parte do século XX, o diagnóstico de Alzheimer era reservado para indivíduos entre os 45 e 65 anos de idade que desenvolviam sintomas de demência. No entanto, esta terminologia foi alterada em 1977 após numa conferência se ter concluído que as manifestações patológicas da demência senil e pré-senil eram praticamente idênticas, embora os autores também tenham acrescentado que isto não excluía a hipótese de terem diferentes causas.[103] Isto levou a que o diagnóstico de Alzheimer se tornasse independente da idade.[104] Durante algum tempo usou-se o termo "demência senil do tipo Alzheimer" para descrever a condição em pacientes com idade superior a 65 anos, enquanto que o termo "doença de Alzheimer" era usado para as pessoas com idade inferior. Eventualmente, o termo "doença de Alzheimer" foi adotado pela nomneclatura clínica para descrever indivíduos de todas as idades com um quadro de sintomas, evolução e neuropatologia em comum.[105]

Custos sociais

A demência, e especificamente a doença de Alzheimer, podem estar entre as doenças mais dispendiosas para a sociedade na Europa e nos Estados Unidos,[19][20] enquanto o seu custo em outros países, como Argentina,[106] na ou Coreia do Sul,[107] é também elevado e crescente. Estes custos irão provavelmente aumentar com a envelhecimento da sociedade, tornando-se um importante problema social. Os custos associados à doença incluem os custos médicos diretos, tais como o de enfermagem home care, custos diretos não-médicos, como acompanhantes, e os custos indiretos tais como a perda de produtividade tanto do paciente como de quem o cuida.[20] Os números variam de um para outro estudo, mas os custos de demência no mundo inteiro foram calculados em cerca de 160 bilhões de dólares,[108], enquanto os custos do mal de Alzheimer nos Estados Unidos podem ser de 100 bilhões de dólares anuais.[20]

Ver também

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Ligações externas

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